Jar Of Hearts
19 What if I wanted to fight, beg for the rest of my life?
Notas iniciais

Ela estava no banco de trás, algemada e amarrada igual um animal. Não podia vacilar com ela por perto. Levei ela para o único lugar aonde Marc não nos encontraria. Nosso esconderijo, uma casa que meus pais tinha ao norte de Belford. Eu só havia levado ela e Heardgreaves naquele lugar. Costumava me esconder das festas dos meus pais, dizendo que estava estudando. Ao chegar, levei ela diretamente para a parte de baixo da casa.
—Eu não tenho medo.
—E por que eu te faria ter medo. Vou te dizer exatamente o que vai acontecer, Ceci. Você vai dar a luz a minha criança, e eu vou atrás do Marc primeiro. Mato ele, depois mato você e jogo no lago aonde você fez o seu showzinho particular.
—Patético. Chegou no fundo do poço. Missão cumprida.
—Seja qual for o seu joguinho, não vai funcionar, não vai conseguir me irritar.
Segurei ela pelos cabelos e desci ela do carro.
—Por que me trouxe para cá? Sua família tem lugares mais luxuosos que essa espelunca.
Desferi um tapa sobre sua face, fazendo ela cair no chão.
—O fato de não matar você, não significa que eu não vá te machucar. Então, cuidado com a língua, ou o gato, vai comer!
—Isso, ai está você! O cara que sempre teve que demonstrar sua masculinidade atraves do seu dinheiro e força! Você não vale os orgasmos que tive que fingir todos esses anos.
Fiquei cego de raiva. Ela tocou meu orgulho e meu ego. Segurei ela pelo braço, quase arrastando e me esquecendo por um momento que ela estava grávida. Desci com ela para o porão. Amarrei seus braços a um cano fazendo com que ela ficasse inclinada em um ângulo de 90° graus Levantei o vestido dela deixando sua bunda de fora.
—Um fato interessante sobre grávidas. Elas não fingem orgasmo. A taxa alta de hormônio as deixam com a libido muito alta. Quer pôr em cheque minha masculinidade Ceci, deixa eu mostrar pra você o que no ensino médio você não teve.
—Não se preocupe Theo querido, Marc foi homem pra me ensinar várias coisas, inclusive como ter um orgasmo com um homem de verdade.
—Oh, não se preocupe querida, vou abrir para você um mundo completamente novo. Pronta pra nossa lua de mel?
POV Marc.
Já se passaram dois meses. Eu andava de um lado para o outro dentro de casa. Não comia, não bebia, apenas fumava várias carteiras de cigarro. Já havia checado as fitas de segurança pelo menos uma dez vezes desde o último dia do desaparecimento dela. Theo havia entrado pela porta da frente. O infeliz do guarda disse que sabia que eramos amigos, mas eu sabia que Theo o havia subornado, porque eu nunca trouxe ele ali. Ninguém sabia que morávamos ali. Ele deve ter me seguido.
—BURRO!
Jogo um copo de whisky no espelho com a escrita que ele havia deixado. Eu precisava encontrar ele, encontrar minha esposa. Peguei as chaves do carro e fui até a mansão Out Of The Woods. Ninguém atendeu, nem mesmo os funcionários. Rodei boa parte de Londres e não consegui encontrar. Precisava me recompor e voltar ao meu escritório, lá eu tinha recursos. Precisava limpar a mente e dormir um pouco. Liguei para uma amiga minha farmacêutica e pedi que ela receitasse algo. Passei em casa, peguei algumas mudas de roupa e fui para um hotel, não podia ficar lá, ele podia voltar, eu não queria matar ele, mesmo que ele fosse um grande filho da puta.
Acessei algumas câmeras de segurança e pude captar em alguns lugares, mas eu pedir depois de um tempo, mas não foi inútil, posso triangular a última vez que a câmera captou com as propriedades que tinham no nome da família Willians. Não deu em nada. Dia após dia eu me levantava me perguntando ainda se ela estava viva, o que poderia ter acontecido com minha Cecilia. Minha atenção estava dispersa.
—Está me ouvindo, Ferrow?
A secretária balançava as mãos a minha frente.
—Desculpe, Heloise. Preciso ir.
—E a reunião, você precisa apresentar os…
—Eu te treinei para isso. Diga que eu estou com disenteria e precisei ir embora.
Sai porta afora e algo inimaginável aconteceu. Theo me aguardava.
—Marc Carmine Ferrow! Meu melhor amigo e irmão.
—Rafa Theo James Willians… Que fantástica surpresa.
E era de fato.
—Vamos dar uma volta?
Apertei meus braços tendo certeza de que meu coldre estava ali.
—Claro, por que não?!
Andamos em direção ao Peel Park.
—Por que não vamos aonde mantém minha esposa em cativeiro?
—Primeiro porque ela não é sua esposa, pela lei, ela é casada comigo. E segundo, o que e disse não foi um blefe, você nunca mais vai ver ela novamente.
Eu estava muito próximo dele.
—Me espanta o quão marionete você é na mão dela.
—Diz o babaca que ficou com ela debaixo do nariz enquanto ela desmoronava sua família de dentro para fora.
Ele cerrou os dentes.
—Eu vou matar ela.
—Você?
—Acha mesmo que eu não consigo? Marc, olha pra mim, ela tirou tudo de mim…
—E o que você tirou dela? Você fingia fazer qualquer coisa para não estar com ela, eu me lembro. Como eu disse, você não é e nunca foi a vítima. Você sabia que a Jaykings tinha acertado ela com a pedra. Em vez de ir ver ela no hospital, você foi transar com a Jaykings no mesmo lugar aonde ela havia acertado a Cecilia.
—Você é muito capacho dela…
—Não Theo, eu sou o homem que ela sempre precisou. Que cuidou dela, esteve lá para ela.
—Agora eu estou por ela, quer dizer, até a minha criança nascer. Acha mesmo que ela ama você? Ela só ama uma pessoa Marc, a sede que ela tem pela morte.
Por isso ele não havia matado ela. Ele pensava que minha pequena Cecilia é filha dele.
—Me diz, o que me impede de te dar um tiro aqui e agora? Já que segundo você, eu não tenho nada a perder.
—Não tem mesmo?! Bom, nesse momento eu vou me virar e dar as costas para você. Você terá três minutos até eu chegar no meu carro… Aproveite para mirar e acertar.
—Eu vou encontrar ela, e quando ela estiver a salvo, você não estará.
—Vou te aguardar ansiosamente. Ah, eu deveria te avisar, seus pneus estão murchos, deveria fazer revisão no seu carro!
Meu maxilar parecia que se quebraria de tão travado que estava. Tive que buscar autocontrole de onde não existia para não encher ele de tiros ali mesmo. Fui até o meu carro e os pneus estavam rasgados. Filho da puta. Sai correndo entre os carros e o vi entrar em uma SUV preta que tinha lama nos pneus, aquilo foi a luz que eu precisava. Por essas bandas não chovia a alguns dias, e pra ter lama ou ele estaria em um lugar afastado demais da cidade, ou em um lugar que havia chovido recentemente. Voltei para dentro do escritório e passei despercebido pela apresentação da minha secretária. Entrei no sistema e procurei pela meteorologia. O único lugar que choveu foi próximo ao rio Mersey em Liverpool, quarenta minutos de onde estávamos. Precisava chamar a carta na manga.
{Em quem posso ser útil?}
{Victor, preciso da sua ajuda. Me encontre em Peel Park em quarenta minutos}
{Achou ela?}
{Tenho quase certeza que sim… Vai me ajudar?}
{Com toda certeza. Te encontro lá}.
Em volta do Rio Mersey, Liverpool – Londres.
Meus pés estavam muito inchados. Havia escoriações por todo o meu corpo. Theo achava que podia me subjugar com dor e o desespero dele. Ele sai e volta quando ele quiser. A maioria das vezes bêbado ou drogado. Quando chegava alto, ele apagava bitucas de cigarro em mim, me agredia fisicamente e verbalmente, sentava no chão próximo a minha barriga e chorava. Quando estava bêbado ele abusava sexualmente de mim. A noite passada eu cheguei a vomitar durante o ato, mais ele não parou e nem limpou o local depois. Esse ambiente estava fedido, úmido e escuro. Quando ele saia eu sentia alívio, quando ele voltava eu respirava fundo e me aprontava para o que viria a seguir. Hoje foi diferente. Ele me transferiu para o quarto mais alto da casa. Encheu a banheira, lavou meu corpo e cuidou das minhas feridas. Me deixou trancada na parte de cima da casa, eu procurei modos de sair dali, mas eu estava fraca e pesada demais para qualquer grande ato. A porta se abre.
—O jantar está pronto. Vamos?
Olhei ele de cima a baixo. Ele estava bem-vestido, havia se barbeado e portava um sorriso no rosto como se algo bom tivesse acontecido. Estendeu a mão para que eu pudesse segurar. Como não me movi, ele veio e me segurou pelo cotovelo.
—Não seja sem educação, quero poder dizer a nossa filha que sua mãe era inteligente e educada!
Ao chegarmos na sala de jantar, ela estava preparada com um grande banquete. Meu estômago roncou, devido aos últimos dias esta comendo só pão e água.
—Sente-se.
Ele puxou a cadeira.
—O que significa tudo isso?
—Bom todo criminoso tem sua última refeição. Preparei tudo o que você gosta. Depois vou até deixar você dizer as últimas palavras.
Ele sorria. Eu via. Pode ser que essa fosse minha última noite, mas eu levaria ele comigo pro inferno que eu criei. Não deixe pontas soltas.
—Você é meu juiz?
Me sentei olhando para ele.
—Não se importa não é? De eu ter pego seu lugar?
—Adoro seu doce cinismo… Todo esse sangue não está em minhas mãos Theo, está nas suas.
—Ceci, já que somos íntimos vou te chamar assim. Você achou mesmo que faria tudo isso e sairia ilesa?
—Bom, esta vendo algemas em minhas mãos? O mais perto de me sentir presa, basicamente era quando Marc me amarrava e me fodia de quatro.
Sorri vendo o sentimento de posse dele invadir seu semblante.
—Mas eu digo algo, Theo, eu estava errada.
Coloquei um pedaço do bife em minha boca e mastiguei lentamente.
—Errada? Olha a noite das surpresas.
Ele disse balançando uma das mãos enquanto a outra levava o copo de bourbon até a boca.
—É. De um dia pensar que você serviria para algo, a não ser de marionete para seus pais…
Ele me fitou.
—Sempre fez o que eles quiseram… Mas minhas atitudes te libertaram. Vamos contar quantas infrações Ferrow vai conseguir te enquadrar.
—Mortos não efetuam prisões.
Ele assentou o copo.
—Vai matar ele?
Minha risada estridente preencheu o ambiente.
—Seu tempo está contado Theo. A intenção era te enlouquecer, te expor, check, te deixar sem rumo check. Só nunca imaginei que você teria bolas para o que está acontecendo agora. Você abandonou sua moral, caráter, se é que você já teve algum dia. Ele sorrio de lado.
—Não devia ter de deixado vivo. E não vou.
Ouvimos um barulho na porta da cozinha. Marc havia entrado por ela com sua arma apontada. Theo apontou a arma para mim. Logo um ponto vermelho apareceu na camiseta do Theo. Eu sorri para o Marc, mas logo o sorriso desapareceu… Minha bolsa estorou.
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