Janela Para o Inconsciente

3 Capítulo 2 - Momentos felizes, momentos tristes


Notas iniciais
Oi pessoal! Aqui atualizando a fanfic de novo, espero que gostem bastante. Este capítulo não ficou tão pequeno igual o outro, deixem reviews! E se estiverem gostando, favoritem pra me ajudar. Beijos, até o próximo capítulo!



30 de Maio de 1999

Eu tinha sete anos e acabara de voltar da escola. Tia Annie estava em casa, fazendo o cabelo da mamãe para o casamento.

– Mãe! Você está linda! – exclamei. E estava mesmo. Ela usava um vestido branco em camadas, com flores desenhadas em renda na saia e na cauda. Seu cabelo, sempre impecavelmente ruivo e escorrido, tinha ganhado ondas. Seus olhos verdes foram destacados com a maquiagem e seus cílios estavam enormes! Para deixá-la ainda mais linda, o sorriso que ela abriu ao me ver.

– Obrigada, docinho! Seu vestido está no quarto. Se vista de desça, a tia Annie vai te arrumar também! – E eu subi, entusiasmada.

Hoje era o dia perfeito da mamãe, o casamento dela com Paul, nada podia estragar! Eu me lembro de Paul desde quase sempre, ele costumava ir à nossa casa, e as visitas se tornaram mais frequentes quando papai nos deixou. Então Paul e mamãe me falaram que estavam noivos e eu fiquei feliz, porque gosto dele.

Meu vestido estava na cama e eu me apressei em colocá-lo. Eu mesma havia escolhido: ele era largo e confortável, mas bem elegante. Quando eu estava vestida, fui me olhar no espelho grande do quarto da mamãe. E tive um susto quando abri a porta.

– Quem é você? Como entrou aqui? – Perguntei ao homem que estava sentado na poltrona do quarto da minha mãe.

– Amy? Como você está crescida... Está linda! – Ele olhava para mim com afeto, e talvez um pouco de arrependimento. Vasculhei todos os rostos conhecidos...

– Pa-papai? – Gaguejei.

No mesmo instante, ele tentou me abraçar, mas eu não deixei.

– O que você acha que veio fazer? Esse é o dia da mamãe! E você não é bem vindo nessa casa desde que a abandonou! – Gritei.

– Você é tão nova, mas já tem tanto rancor, minha querida?

– Claro! E quero que saia agora! – Disse, furiosa, apontando para a porta. – Pela porta dos fundos! – Mas ele não se moveu. Não hesitei em chamar a tia Annie, arrastei-a até o quarto gritando tanto que, acho que ela nem conseguiu entender do que se tratava. Mas quando chegamos não havia ninguém lá, e na poltrona, estava o meu vestido.

– Você que ajuda para se vestir? Ora, é só pedir querida! – falou tia Annie. E eu, mais uma vez não entendi nada. Aquilo estava se tornando mais frequente e cada vez mais real. Cada vez mais irritante. Mas tia Annie me ajudou a colocar o vestido que eu achava que já estava usando.

***

A música começou a tocar e mamãe estava logo atrás de mim. Assim que ela fez o sinal, entrei na igreja, como ensaiamos. Paul já estava lá, com os olhos brilhantes. Claro, afinal de contas, minha mãe estava linda! E ela merecia ser feliz depois do que meu pai havia feito com ela. E a cerimônia foi perfeita.

Depois da cerimônia, fomos todos para a festa, dançar e comer docinhos. Era o dia mais feliz da vida da mamãe, dava pra ver isso em seus olhos. Foi então que ouvimos um grito: “O senhor não pode entrar sem convite!”. A música parou. Meu pai entrou na festa, e ele estava exatamente do jeito que eu havia “visto” hoje pela tarde. Por que ele veio aqui? Por que ele teria que estragar tudo mais uma vez? Todos os olhares estavam nele e a multidão foi se abrindo entre ele e a mamãe.

– O que veio fazer aqui? Achei que tivesse falado com você hoje! – Me atrevi a gritar.

– Amy, é você? – Dizia ele, desentendido.

– Ah, por favor! O que você acha que veio fazer? Esse é o dia da mamãe! E você não é bem vindo aqui, Richard! – Gritei, furiosa. E foram as mesmas palavras que eu disse hoje mais cedo, ou achei que havia dito. Mas dessa vez o chamei pelo nome, e me surpreendi ao lembrar seu nome.

– Vocês se falaram? – Perguntava minha mãe, em meio a fofocas que os convidados faziam indiscretamente. – Saia daqui, não quero ver você nunca mais!

Então o segurança voltou com dois de seus colegas e o colocou pra fora. E a festa continuou, como se nada tivesse acontecido. Como se o papai não tivesse gritado, como se a mamãe não tivesse chorado. Como se eu não tivesse entrado no meio.

Mais tarde, quando os últimos convidados iam embora, mamãe estava me dizendo que viajaria com Paul e eu ficaria com a tia Annie. Então ela e Paul entraram no carro e eu voltei para casa com a Annie.

***

– Já escovou os dentes? – Perguntava tia Annie. Eu afirmei. – Então vem, vou tirar sua maquiagem.

Eu gostava da tia Annie, ela sempre foi muito companheira para mim e a mamãe. Ela desenhava vestidos e cortava cabelos muito bem, e era muito bonita também. Enquanto ela tirava minha maquiagem, o telefone tocou. Então ela foi até a sala atender, e eu fui atrás. Eu não deveria ter ido atrás.

– Não, sou irmã dela. – dizia Annie no telefone. – Não, ela não se encontra. – Então o rosto da minha tia foi entristecendo. – Ele o quê? Desculpe, mas não vivemos com ele há muito tempo. Não há outro telefone para o qual possam ligar? – Então uma pausa. Ela continuou. – Disponha.

Quando tia Annie virou pra mim, sabia que eu entendi o que estava acontecendo. Ou pelo menos eu entendi de quem se tratava. Mas ela não sabia se contava ou não. E eu estava cansada de que as pessoas me omitissem as coisas. Eu já era bem grandinha pra me contarem o que acontecia!

– Me fala, titia. O que aconteceu com meu pai?

– Ah minha florzinha... – Disse ela, sem saber como me dar a notícia. – Seu pai... Não estava feliz e decidiu parar de viver. Ele quis morrer.

– Como assim ele quis morrer? O que ele fez titia?

– Depois de ser expulso da festa, ele foi para casa e se machucou com uma faca.

– Mas ele queria se machucar?

– Sim, querida, ele provavelmente queria se machucar. Os vizinhos do papai ouviram o grito dele, que foi muito alto, e chamaram a polícia.

Meus olhos não sabiam para onde olhar, eu me sentia tão triste... Eu o expulsei, eu fui grossa com ele... Mas eu já não tinha um pai antes, e isso não mudaria muita coisa. Agora eu tinha certeza que não tinha um pai.

***

Depois de uma semana, mamãe e Paul voltaram da viagem e tia Annie contou tudo á eles. E por mais que minha mãe não gostasse de admitir, ela chorou. Depois daquele dia, ela nunca mais foi a mesma. Ela estava sempre triste, sempre em algum canto. Mas tudo continuou. Como se papai não tivesse dado o último grito, como se mamãe não tivesse chorado... Como se eu não soubesse de nada.

Notas finais
Ah, uma nota: estou usando palavras mais simples e usuais, porque, afinal de contas, Amy é só uma criança e ela que está narrando!