Jane

12 Pequenos detalhes, grandes amizades


Notas iniciais
Muitas vezes a vida nos sufoca sugando de nós toda energia no tempo livre. Outras vezes é só a percepção do quanto a própria ficção foi cruel que me afastou dessa história. Mas nada como um dia muito difícil(Finados), trazendo tristezas reais à tona, para nos fazer fazer querer escapar para a ficção. Assim nasceu esse capítulo. Como sempre, não consegui dar conta dos acontecimentos que pretendia previamente. Ainda faltou uma pessoa importante aparecer ali. E também faltou o grande momento Jane e Kurt, cara a cara, juntando todas as peças do quebra-cabeças. Ficou para o próximo. Então, vamos abastecer o "Jane Alert" com informações relevantes. Boa leitura.

A equipe médica chegou bem cedo. Os testes clínicos apontavam que Jane estava bem, os exames sanguíneos também. Livraram Jane dos equipamentos de controle e sondas. Acompanharam como seria sua alimentação durante o café da manhã que transcorreu normalmente. O neurologista pediu um eletroencefalograma agora que ela estava acordada para comparação e arquivo. Depois disso poderiam ir pra casa.

Jane apresentou certa resistência quando a enfermeira chegou com a cadeira de rodas para conduzi-los à sala de exames. Ela podia e queria caminhar. Mais que isso, ela precisa caminhar para mostrar a todos que era capaz, que estava bem, que podia ficar bem o suficiente para cuidar de si mesma e de sua bebê. Mas todos ao seu redor foram irredutíveis. E Kurt, com aquele olhar tão carinhoso e compassivo, insistiu de forma tão doce que ela cedeu.

As pessoas na sala os receberam com os cumprimentos básicos de sempre. Pediram para ela ocupar a maca que tinha cabeceira levantada. Jane foi rápida, queria por um fim nisso o quanto antes para irem pra casa. Kurt sempre ao seu lado, segurando a mão dela e tentando ter sua atenção fazia planos para mais tarde, fora dali.

De repente, o médico testou o flash de luz que seria usado durante o exame. Jane deu um pequeno sobresalto na cama, assustada com aquilo e olhou para ele e depois para Kurt, expressão fechada, respiração pesada. Que diabos foi aquilo?

— Foi só um flash, está tudo bem. – Kurt tentou tranquilizá-la relembrando que ela também se incomodava com flashs em fotografia. A forma acentuada como a mão dela apertou a sua também não passou despercebido. – Incomoda um pouco... – ele comentou tentando mostrar empatia e ela assentiu, porém seu olhar desconfiado correndo de forma periférica até o médico.

— Agora vamos colar os eletrodos. É bem rápido e indolor. – o médico avisou já se aproximando e colando o primeiro na testa dela.

Jane olhou para Kurt insegura com isso. Ele entendeu e procurou acalmá-la:

— É para o exame. Vai ser rápido e depois vamos pra casa, Honey. – disse sorrindo para tranquilizá-la e levou a mão dela até os lábios dando um beijo demorado.

Ela respirou fundo tentando se acalmar e procurou prestar atenção apenas em Kurt.

Após todos os eletrodos terem sido colocados, o médico tentou conectar o primeiro fio que transmitiria as ondas elétricas do cérebro para o aparelho. Mas antes que ele conseguisse concluir a operação, o reflexo de Jane o fez parar, com a mão dela voando para o pulso dele e segurando fortemente. Foi a vez do médico dar um sobressalto na cadeira e olhar assustado para Kurt que se levantou levando as mãos até os dedos cerrados de Jane para tentar fazê-la soltar o braço do outro homem.

— Jane, não! – disse tentando fazer contato visual. – Está tudo bem, Jane. Faz parte do procedimento para o exame. – tentou esclarecer e se deparou com o olhar firme dela o encarando enquanto soltava o pulso do médico.

— Ela é forte. – o médico disse esfregando o punho.

— E como é. – Kurt respondeu com um sorriso orgulhoso antes de voltar sua atenção novamente para a esposa. – Vai ser rápido, Jane. Precisamos fazer isso para podermos voltar pra casa.

Depois de o encarar por alguns segundos, ela virou o rosto para o outro lado e se recostou na cama, cedendo.

— Isso, Honey. Obrigado. – reforçou e deu um beijo suave na testa dela.

Um, dois, três fios conectados com sucesso. Jane de olhos fechados, focada na sua própria respiração. Kurt segurou suavemente as mãos dela e, com os polegares, descrevia suaves movimentos procurando lhe passar segurança enquanto pronunciava elogios ao bom comportamento e promessas de que logo estariam em casa.

Então, ela abriu os olhos, engoliu seco e esboçou um sorriso:

— Nie. – disse com os olhos suplicantes.

— Sim. – ele insistiu. – Não vai demorar, nem vai doer.

Ela mordeu o lábio superior e olhou para o alto aflita:

— Nie.

— Calma, Honey, vai acabar log...

Antes que ele terminasse de falar, a mão dela alcançou os fios e os puxou com força arrancando até mesmo eletrodos e alguns cabelos. Num salto rápido, Jane se esquivou dos braços de Kurt pelo lado dos pés da maca e foi para o canto da sala do lado oposto à porta de saída que ficava depois de onde o médico estava. Dr. Johnson se levantou rapidamente se colocando ao lado da porta, pensava em fugir se preciso e não em evitar a fuga de sua paciente. Kurt também se levantou, indo rápido ao encontro dela. Sua intenção era pegá-la pelos braços e puxá-la para um abraço aconchegante que a acalmasse passando segurança. Mas no primeiro gesto que fez de alcançá-la, percebeu que não era boa ideia. Jane recuou e o encarou de forma ameaçadora, seus punhos estavam cerrados e sua respiração acelerada mostrando o quanto estava tensa.

— O que houve, Jane? Eu não entendo. É só um exame, meu amor, para sabermos como você está. – ele tentou.

— Nie! Genoeg! – ela disse baixo e firme.

— Inferno! – Kurt deixou escapar em voz alta ao se dar conta que desconhecia a língua que ela usava. – Eu não entendo, Jane. Confie em mim, isso é para te ajudar. Eu não deixaria ninguém te machucar.

As palavras dele tiveram um efeito estranho sobre ela, seus instintos reforçaram a certeza de que tudo aquilo não terminaria bem.

— Ek sal nie hiermee deurgaan nie. Ek wil net huis toe gaan. Tuis! – ela falou baixo, mas com ênfase em cada frase. E a última palavra saiu bem carregada de urgência.

Ouvi-la falando assim surpreendeu Kurt. Rapidamente ele pegou o celular do bolso pensando em pedir para que ela repetisse depois dele acionar o tradutor. Antes, entretanto, de poder concluir seu plano, um golpe de Jane lançou o aparelho no chão.

— Nie! Nie! – ela falou bem mais alto dessa vez, encarando-o ofegante. E, numa fração de segundos, seu olhar se carregou de súplica e sussurrou – Ajuda...por favor.

Três meras palavras que tiveram um efeito devastador sobre ele. A partir dali não havia mais a menor chance de Kurt não aceitar as regras dela. Com os olhos na esposa, receando que ela fizesse algo e acabasse se ferindo, se dirigiu ao médico:

— Dr. Johnson, foi uma manhã muito difícil pra ela. A retirada das sondas, ficar ligada ao IV, tudo isso pode parecer invasivo demais. Teria como irmos para casa e realizarmos esse exame outro dia?

— Eu ia sugerir isso. Ela parece muito desconfortável com a ideia do exame. E era só para parâmetros comparativos mesmo. – ele completou já abrindo a porta para se retirar. – Pode levá-los para o quarto pra Jane se trocar. – disse para a enfermeira. — Vou deixar a alta pronta.

Trêmula, a enfermeira pegou a cadeira de rodas e foi em direção a Jane que torceu o pescoço demonstrando insatisfação.

— Melhor não. – Kurt resolveu intervir. – Ela ficará mais confortável se voltar caminhando.

A enfermeira concordou e Jane pareceu mais aliviada. Com um pouco de insistência de Kurt, aceitou segurar em sua mão enquanto faziam o trajeto de volta ao quarto.

Mesmo lá, ela continuou muito defensiva, como se esperasse que tentariam dominá-la em algum momento algo que Kurt percebeu rapidamente. Então, ele lhe mostrou as roupas e deu espaço a ela, procurando ampliar sua margem de segurança ao ficar no fundo do cômodo, próximo à porta do banheiro para que ela percebesse que havia saídas livres se precisasse. Jane voltou a ficar calada. Enquanto a observava, ele ficou pensando o que teria desencadeado uma reação tão violenta dela. Pensando nas teorias que tinham previamente traçado, considerou que provavelmente ela não queria mais provas de suas limitações.

Assim que ela estava vestida, ele sabia que o melhor era deixarem o hospital o quanto antes. Pediu pra uma enfermeira chamar um táxi para não ter que voltar a mexer no celular.

O tempo no elevador foi menos tenso do que ele esperava. Dentro do carro, ela pareceu voltar ao normal, arriscando olhar pra ele vez ou outra. Ele sorriu em retribuição toda vez que isso aconteceu.

— Ei – ele tentou chamar a atenção dela e não escondeu sua empolgação para dizer – Você falou lá no hospital.

— É – ela disse em meio a um longo suspiro sem a empolgação que ele demonstrava já que suas tentativas posteriores acabaram frustradas como antes.

— Tudo bem se não consegue falar agora, Jane. O importante é que agora sabemos que você pode falar quando é realmente preciso. – e alcançou a mão dela entrelaçando os dedos aos seus.

Chegando ao apartamento, ela se soltou muito mais. Era a mesma Jane de dias atrás, antes do apagão. Só estava com um pouco mais de dificuldade motora.

Ele pediu comida de um restaurante que conheciam enquanto ela tomava banho. Comeram em paz, Jane parecia faminta. Depois ajeitaram as sobras na geladeira e a louça na lavadoura já que ela foi irredutível quanto a descansar no quarto. Foi nesse momento que uma sacola de papel que estava sobre o balcão foi para as mãos dela, tentando chamar a atenção de Kurt:

— Kurt, ei. – e entregou a sacola.

— O que é? – ele indagou.

Ela abriu a geladeira e mostrou o vazio:

— Vamos?

— Você quer ir ao supermercado?

— Ja. – ela confirmou animada. – Sim. – traduziu se lembrando que ele preferia sua linguagem.

— Hoje já tivemos um dia bastante cansativo, Jane. Talvez amanhã.

Ela suspirou um pouco decepcionada e saiu pisando firme.

Então, Kurt se deu conta que precisava ver como estavam as coisas no NYO. Pegando o laptop, resolveu esclarecer:

— Preciso trabalhar. Tudo bem?

Jane concordou. Realmente nada nela parecia se incomodar com aquilo, então Kurt concluiu que a repulsa a tecnologia foi algo momentâneo, diante da crise que se instalou na sala de exames. E realmente conseguiu trabalhar usar o celular normalmente. Ou quase, ao longo das horas que passou ali, sua atenção também estava sobre ela e percebeu uma sequência repetitiva das portas dos quartos se abrindo e se fechando além do retorno constante Jane à cozinha sempre pegando a sacola do mercado e trocando de lugar. Discretamente, ele se levantou e foi observar melhor o que acontecia nos quartos por lá.

Ela não adentrava no cômodo. Abria a porta, observava atentamente e voltava a fechar indo para o quarto seguinte. Logo ela o percebeu ali. Parou e veio para a sala. Sentou-se no sofá com a bolinha da fisioterapia na mão e ficou ali fazendo os exercícios rotineiros. Kurt voltou ao trabalho e, por um bom tempo, achou que o comportamento estranho dela tinha parado. Ledo engano. Assim que terminou as revisões e despachos, resolveu rastrear o que ela fazia. A insistência com as portas continuava, mas agora com o cuidado de abri-las e fechá-las de forma cuidadosa, quase silenciosa. O retorno à sacola na cozinha também.

“Talvez exista algo que ela teme esquecer.” Pensou buscando uma explicação.

— Jane. – a chamou já indo ao seu encontro e a envolvendo pela cintura. – Está tudo bem? – ela assentiu rapidamente com a cabeça. – Já terminei tudo que precisava fazer. Se você realmente não estiver muito cansada, podemos ir ao supermercado. – arriscou para ver sua reação.

O rosto dela se iluminou num amplo sorriso e ela se pendurou no pescoço dele dando-lhe um selinho.

— Vamos! – já disse imediatamente depois do beijo, parecendo temer que ele voltasse atrás.

— Vamos sim. Se é disso que você precisa, nós vamos. – Kurt disse rindo e retribuindo o beijo.

Logo estavam no supermercado. O plano de Kurt era fazer uma compra rápida, apenas com o necessário para os próximos dias, principalmente alimentos. Assim poderiam voltar logo pra casa. Não queria cansá-la demais. Sem sobrecargas sejam elas físicas ou emocionais, essa era sua ideia.

Estavam escolhendo legumes. Ele observava preços e variedades. Selecionava o que queria e entregava para ela colocar no carrinho. Deixá-la participar e se sentir útil talvez amenizasse a forma negativa como Jane vinha percebendo suas limitações.

Foi numa fração de segundos que tudo aconteceu. Ele embalou os legumes selecionados e, quando se virou, ela não estava mais lá. Varreu o amplo espaço ao seu redor com o olhar e nada. Jane não era pequena para passar despercebida se estivesse ali.

Sua primeira estratégia foi uma busca ainda na área dos legumes. Talvez ela estivesse abaixada, pegando algo. Nada. Depois escolheu um dos corredores centrais e saiu numa busca frenética, olhando para ambos os lados a cada prateleira que passava. Ainda bem que os supermercados adotam essa disposição em corredores paralelos.

A cada corredor verificado, sua angústia foi aumentando. Ela parecia ter evaporado. Inferno, como foi tão rápida? Ou será que saiu do prédio? Era uma possibilidade, mas estavam bem distantes da saída, então seguiu apostando que ela não teria tido tempo pra isso ainda.

De repente, uma suposição fez seu estômago revirar: e se algum antigo inimigo a tivesse localizado e capturado? Não, ela resistiria e isso chamaria a atenção de todos.

— Por favor, estou procurando minha esposa: magra, mais ou menos dessa altura, cabelos pretos na altura do ombro e ela está grávida. Você a viu? – foi a pergunta que repetiu dezenas de vezes sem encontrar ninguém que desse uma informação válida.

Ao avistar o segurança da loja, Kurt viu a possibilidade de conseguir apoio. Caminhou em direção a ele o mais rápido que pode pensando em como passar toda a informação necessária da forma mais breve possível. Estava a menos de dois metros de distância do homem, quando uma mão pousou firme no seu ombro o segurando:

— Ei! – a voz dela o chamou parecendo bem irritada.

— Jane! – ele exclamou com um suspiro já a puxando para seu abraço. – Onde você estava? Você desapareceu...

— Lá... compras. – ela tentou dizer ao ver a preocupação dele. – Você sumiu.

— Não, não. Eu estava lá e você sumiu. Então eu saí te procurando.

— Aqui... bem. – ela tentou acalmá-lo.

— Sim, você está aqui e está bem. Como eu não te vi? – ele verbalizou a autorreflexão.

— Vem, Kurt, vem! – ela o puxou pela mão muito empolgada e ele se deixou conduzir.

Não muito longe dali estava o carrinho de compras. Bem distante de onde o havia deixado. Ela devia tê-lo trazido enquanto o procurava. Kurt o reconheceu pelos legumes que estavam por baixo. Agora havia uma montanha de pacotes de fraldas por cima. Ele precisou de alguns segundos para assimilar aquilo.

— Você foi buscar fraldas. Muitas fraldas. – disse se aproximando do carrinho e pegando um pacote na mão. – Mas você não levou o carrinho quando desapareceu. Não carregou tudo isso de uma vez até lá, não é? Não é bom carregar peso. Já conversamos sobre isso. – ele disse ainda perdido no significado daquilo.

— Nie. – ela negou e fez o movimento de vai e vem com a mão.

— OK. Foram várias idas e vinda com pacotes de fraldas. Nos desencontramos por isso. – disse começando a empurrar o carrinho e ela foi o seguindo.

— Ela. – Jane disse passando a mão na barriga.

— Sim, ela vai precisar de fraldas. Mas fraldas têm tamanho e têm também vencimento, Jane. É uma quantidade muito grande essa daqui. E também tem outras questões como alergias. Ainda é muito cedo para comprar isso. Mais perto da data dela nascer, compramos tudo. – e, parando, começou a recolocar as fraldas na prateleira.

— Kurt, nie.

— Jane, não vamos levar as fraldas hoje. Ainda é muito cedo. – e continuou devolvendo as fraldas.

— Nie. Muitas! – ela insistiu recolocando os pacotes no carrinho.

— Eu entendi que você quer muitas e vamos ter muitas, mas não agora. – ele resolveu ser firme.

Kurt até pensou em levar as fraldas para satisfazer a vontade dela, mas tinha outra coisa que o preocupava. Era uma gravidez de risco. Se algo acontecesse e perdessem a bebê, toda a materialidade dos preparativos para sua chegada seriam um problema gigante com o qual teriam que lidar. Ele sabia disso. Lidava cotidianamente com a dor do quarto vazio de Bethany. Deus, ele não sabia dimensionar a dor que seria ter que lidar com um berçário completo após a morte de um filho. O melhor era evitar. Se tudo corresse bem, assim que marcassem uma data para o parto, eles comprariam tudo que fosse necessário.

A cada pacote que ele devolvia na prateleira praticamente vazia, ela recolocava outro no carrinho.

— Não, Jane.

— Ja. Sim! – ela começou a ficar muito irritada.

A disputa começou a chamar a atenção das pessoas ao redor.

— Vamos fazer assim... – e colocou um pacote de fraldas na mão dela. – Hoje, você leva esse pacote. Tem muitas fraldas aí dentro. Muitas. Posso abrir depois que pagarmos para você ver que tem muitas. E, toda vez que voltarmos ao mercado, compramos mais um pacote.

Claro que aquilo não a satisfez, mas a disputa também não estava dando resultado. E ele estava prometendo comprar mais toda vez que voltassem ao mercado. Então, ela abraçou o pacote de fraldas e virou de costas pra ele, numa referência óbvia de que ceder não era por um ponto final naquilo tudo.

Jane não aceitou colocar seu precioso pacote no porta-malas com o resto da compra. Levou-o em seu colo. E ligou o rádio do carro assim que entraram no veículo, usando a estratégia de Kurt para evitar conversas. Ele compreendeu e acatou, reconhecendo o quanto isso podia incomodar.

De volta ao apartamento, o pacote a acompanhou pelo resto do dia. Estava sempre ao alcance de sua mão no cômodo em que ela estava. E permaneceu distante de Kurt, evitando até mesmo qualquer troca de olhares.

Já estava anoitecendo quando ele se deu conta que ela não ia ceder. E a distância entre eles pesou demais.

Ela estava no sofá da sala, pernas flexionadas para o lado e pés no assento ao lado. Ele se sentou na mesa de centro à sua frente, pernas abertas, braços apoiados nos joelhos.

— Jane, eu não quero ficar assim com você. Por favor, olha pra mim.

Mas o olhar dela continuava se negando a se encontrar com o dele.

— Honey, nós vamos comprar mais fraldas. Fizemos um acordo, não foi? Por favor, Jane, confie em mim.

Ela coçou o nariz com as costas da mão e insistiu em não olhar para ele.

— Por favor, Jane. Confie em mim. Eu te amo.

Devagar, ela olhou novamente pra ele, sabendo que aquilo tornaria muito mais difícil sua insistência. O olhar dele sempre a convencia do contrário. Por isso, fez rápido e já desviou seus olhos para a barriga, repousando as mãos ali:

— Kurt, pra ela.

— Eu sei, querida. Eu te garanto que ela terá todas as fraldas que precisar. Não faltará nada. Vamos comprar quando estiver mais perto da data dela nascer. Eu prometo.

Os argumentos dele tinham uma familiaridade que a incomodava demais fazendo seu estômago revirar. E, piorando ainda mais a situação, toda vez que ela se sentia assim, falar se tornava ainda mais difícil. Então, ela pegou a mão dele e o puxou para o corredor dos quartos. Parando em frente a uma porta, a abriu:

— Avery... não tem. – disse triste.

Kurt envolveu os braços ao redor dela e deu um beijo em seus cabelos:

— Eu sei, Honey. Eu falei com ela hoje. Contei tudo que aconteceu. Ela também está com saudade e disse que virá assim que puder.

— Nie... – ela tentou intervir, não conseguia verbalizar mais nada.

— Virá sim. Quem sabe em alguns dias.

Desistindo de explicar o que queria, ela se afundou no abraço dele. Kurt retribuiu.

Depois disso, os dois ficaram juntos o resto da noite. Brincaram e flertaram. Ele sabia o quanto isso fazia bem para os dois. Já na cama, as mãos entrelaçadas e o beijo de boa noite evoluíram para algo muito mais íntimo. Os dois precisavam daquilo. Precisavam sentir que a pessoa amada estava ali, real e completa. Para Jane, esses momentos eram ainda mais importantes. Mostravam que ela ainda era capaz de se conectar com ele de formas que dispensavam a fala ou outras habilidades que seu cérebro danificado lhe negava. Relaxada e se sentindo plena, ela sempre dormia melhor.

No dia seguinte, Kurt voltou ao trabalho e Boston veio ficar com Jane. Os amigos já sabiam de tudo que tinha acontecido. Logo percebeu o quanto ela estava ligada ao pacote de fraldas que inclusive mostrou pra ele. Desenharam juntos na mesa de centro da sala, sentados no chão. Os rabiscos dela foram ganhando a forma de um narval. Aquilo o sensibilizou. Após uma curta mensagem no celular, começou a desenhar em volta do desenho dela.

— Sabe, Jane, com poucas mudanças nos traços de um narval, você consegue transformá-lo num lindo golfinho. Golfinhos nadam em águas mais quentes e também vivem em bandos o que é bem mais aconchegante. Eu já tive minha fase narval. Hoje sou um golfinho aqui com vocês que são mais que amigos, são uma verdadeira família pra mim. E você – disse tocando o nariz dela – se tornou uma das minhas golfinhas favoritas desse bando. Essa sua presa helicoidal que intimida não vai me afastar mais, sabia. Nós dois temos muito em comum. Somos artistas.

Nisso a campainha tocou e ele se levantou.

— Eu atendo. É uma encomenda que pedi. – e foi até a porta receber o entregador. Voltou com uma grande caixa com um laço nada discreto. – Isso é pra você. Uma prova de que você pode contar comigo sempre!

Ela abriu o pacote sem muita curiosidade. Não estava entendendo direito aquela situação. Dentro da caixa havia três pacotes jumbo de fraldas. Por alguns segundos, Jane ficou olhando para aquilo abismada. Depois se jogou sobre Boston o abraçando.

— Acertei, não foi?

— Você... ajuda? – ela perguntou radiante.

— Sim, ajudo. Claro que eu ajudo.

Ela passou o resto do dia bem alegre. Juntos, guardaram as fraldas no closet do quarto da Avery. Antes de deixar o cômodo, Jane passou a mão suavemente sobre a cama e ele observou atento.

— E não precisa contar para o emburrado do seu marido. Deixe as fraldas guardadinhas aí, ele não precisa saber. – Boston completou. Ele estava muito revoltado com a atitude de Kurt.

Kurt chegou no final da tarde, acompanhado de Rich. Jane correu abraçar o marido. A conversa começou com relatos do dia de cada um. Ela foi ficando incomodada. Olhava para Boston e depois para Kurt.

— Você parece tão feliz, Honey. Como foi seu dia? – Kurt perguntou percebendo que algo a incomodava.

O olhar de Jane voou para Boston que cedeu:

— Tá bem, tá bem. Pode contar.

Puxando Kurt pelo braço, ela o levou ao quarto de Avery e mostrou as fraldas no closet.

— É presente meu, entendeu? – disse mostrando que não aceitaria contrapontos. – Ela estava tão abatidinha. Foi dar as fraldas e tudo mudou. Aliás, Rich, é bom jogar isso no “Jane Alert” e também a fixação pelos quartos da casa.

— Obrigado pelo presente, Boston. Se isso a deixou feliz, quem deve ceder sou eu. – e envolveu Jane pela cintura dando um beijo em seus cabelos. Ela retribuiu e depois foi ao banheiro. Kurt aproveitou para continuar — Patterson atualizou o programa hoje. Mas esqueci de mencionar o problema que tivemos com o eletroencefalograma.

— Que tipo de problema foi? – Rich quis saber.

Kurt contou tudo que aconteceu com detalhes.

— Não sei o que deu nela. Mas eu nunca a tinha visto desse jeito.

— Você nunca entenderia, Kurt. Mas eu acho que sei o que pode ter acontecido. Flash de luz e eletrodos na cabeça são referências fortes pra mim depois daquelas férias forçadas num black site. – Rich falou.

— Ela não se lembra de nada, Rich. Tento desencadear memórias todos os dias. Nada até agora. – Kurt pontuou. – E se ela não se lembra dos bons momentos, também não quero que as coisas ruins voltem. Vocês sabem tudo que ela passou. Não é justo.

— Com certeza não seria justo, Kurt. Mas também não é algo que ela ou você ou mesmo a ciência possa controlar. Infelizmente o que a gente passa num black site talvez nem o ZIP apague. No começo, achei que ia levar de boa, aquilo tudo até me trazia algumas recordações de momentos bem picantes do meu passado. Mas eles sabem levar a coisa pra um nível hard. Minha sorte é ser tão tagarela, contei até a cor da calcinha da minha avó pra evitar novas “brincadeiras”. Mas Jane não é do tipo que fala nem quando está numa festa. – mesmo tentando entrecortar seu relato com piadas, ainda era possível ver o quanto aquele assunto mexia com Rich.

Boston se aproximou e entrelaçou a mão à do namorado em sinal de apoio. Depois tomou a fala:

— Talvez ela não tenha lembranças nesse mesmo formato que nós, mas as referências do passado estão lá e ela tem acesso a isso. A prova disso é que hoje ela desenhou um narval.

Rich e Kurt trocaram olharem sem compreender nada daquilo.

— Céus, nenhum de vocês dois presta atenção em mim! Eu tive uma fase narval enquanto estava na casa segura. – Boston reclamou gesticulando. — Jane se interessou por isso. Quer dizer, Remi se interessou quando me visitava, falamos sobre solidão. E hoje ela desenhou isso pra mim. Minha presença, o que ela sentia... a imagem aflorou. É uma lembrança intuitiva, mas existe. Deve ter acontecido o mesmo durante o exame.

— É uma boa teoria, temos que passar isso para a Patterson. Mas algumas coisas não encaixam. Ela confia em mim. Sabe que eu não deixaria ninguém a machucar.

Foi a vez de Rich e Boston se entreolharem e disfarçarem. Kurt continuou:

— O que? Vocês sabem que jamais deixaria ninguém machucar a Jane. Daria minha vida por ela.

— E como foi que... ela foi... parar ...no black site?... – e Rich disse fingindo tossindo.

Kurt levou as mãos para o alto e as juntou no topo da cabeça nada satisfeito com aquela constatação.

— Keaton deve ter reafirmado dezenas de vezes todos os dias que você a queria lá, Kurt. – Rich disse batendo de leve nas costas do amigo.

— Vamos relaxar aqui! – Boston retomou as rédeas da conversa – Isso já passou. A única coisa que importa é entendermos que situações que a aproximem de referências ao black site devem ser evitadas. E vamos comemorar que ela não aceite se submeter a isso, né gente? Eu estaria muito mais preocupado se fosse o contrário, afinal “sem querer se chato, mas já sendo”- e começou a cochichar – ela se trancou naquela sala com a bomba de ZIP e depois não tomou o antídoto, lembram?

As considerações de Boston faziam total sentido e tranquilizaram Kurt. Realmente ela não se submeter àquilo que achava que poderiam lhe fazer mal mesmo com ele insistindo pelo contrário era reconfortante.

Depois que os amigos saíram, os dois ficaram bastante tempo desenhando e cozinhando. Quando foram dormir, Kurt decidiu procurar se manter acordado para observá-la durante a noite. Não foi agradável descobrir quão pouco ela dormia. Mais difícil ainda foi perceber pesadelos eram tão comuns pra ela como na época do bunker. Ou teria sido sempre assim e ele nunca se deu conta com seu sono pesado?

O dia seguinte foi tranquilo. Ao final da tarde, Kurt precisava passar no apartamento de Patterson para Zapata assinar alguns papéis. Resolveu levar Jane consigo porque ela pareceu bastante feliz ao conhecer Maya. Alguns momentos com outras mulheres era outra coisa que o estimular a tomar essa decisão. Ela pareceu bem empolgada ao saber onde iriam e ficou sorridente o caminho todo.

Assim que a porta do apartamento se abriu, entretanto, se depararam com um cenário caótico. A desordem imperava nos cômodos. Patterson tinha no rosto uma expressão que misturava cansaço e desespero. Não foi diferente com Tasha que balançava Maya freneticamente tentando cantarolar entre lágrimas. Ambas tinham um cheiro azedo e vômito nas roupas.

— Já tem quase 24 horas que ela está assim. Dorme apenas por alguns minutos, acho que por exaustão. Depois só chora. É visível que está com dor. Quer ficar no peito, mamando. Mas depois vomita muito e seu desconforto aumenta. Já levamos na pediatra que passou remédios pra cólica que não estão funcionando. – a loura relatou brevemente o drama que as duas viveram nas últimas horas. – Que bom que vieram. Se puderem ficar um pouco, vou tomar um banho. – e já se retirou mostrando que estava bem fora de seu normal.

— Faremos o que for preciso pra ajudar. – Kurt disse preocupado.

Jane começou a recolher tudo que estava jogado, separando coisas limpas das sujas. E ele foi para a cozinha pensando em preparar algo para as amigas comerem.

Quarenta minutos depois, o casal já estava completamente no clima vivido pelas amigas. Era desesperador ouvir o choro e as reações de Maya e não serem capazes de ajudá-la. Kurt tentou várias vezes e logo devolveu a bebê para a mãe porque ela chorava ainda mais nos seus braços.

Nos primeiros minutos da mamada, Maya se acalmava, sugando desesperadamente. Todos respiraram um pouco aliviados deixando o silêncio reinar no apartamento.

De repente, a bebê largou o peito já vomitando. Tasha a levantou rapidamente, mas o vômito voltou também pelo nariz e ela se engasgou. Com cuidado, a latina limpou as narinas da filha e bateu em suas costinhas. Nada mudou. A respiração de Maya não voltava e sua pele começou a ficar com um tom arroxeado. Patterson gritou pedindo que alguém fizesse alguma coisa, mas ficou parada. Kurt estatelou os olhos e não se moveu. Tasha parecia também ter perdido a respiração.

Jane não precisou refletir ou analisar a situação. Ela apenas agiu conforme seus instintos mandavam. Pegou Maya, sugou sua narina e fez manobras bem delicadas de respiração boca a boca com massagem cardíaca usando apenas três de seus dedos. Bastou uma tentativa e a bebê voltou a respirar. Então, ela a devolveu para Tasha que se agarrou a filha ainda meio em choque. Todos respiraram aliviados.

Mal deu tempo de processarem e comemorarem e a pequena já reiniciou o choro compulsivo.

— Não, não, mi amor. Isso precisa parar. Você precisa descansar. – Tasha falou já se levantando com a filha e caminhando pela sala enquanto balbuciava uma oração em espanhol e as lágrimas voltaram ao seu rosto.

Observando a expressão no rosto daquela mãe, Jane foi arrastada para um flashback.

“Estava abafado e quente naquele lugar. Estavam na carroceria coberta de um caminhão. Ela estava muito irritada porque a obrigaram a ficar ali, separada do resto do grupo com aquela mulher e seu bebê que não parava de chorar. Eles não deveriam estar ali. Isso não estava previsto quando orquestraram a missão. Agora ela estava ferida. Provavelmente seu braço estava quebrado e Remi tinha que bancar a babá. A presença do bebê só a deixava mais incomodada. Entrou para as forças armadas e depois para Orion para tentar esquecer de vez que um dia houve um bebê na sua vida. Sabia que lá não teria contato algum com esses seres miúdos que a jogavam de volta em lembranças que causavam tanta dor. E agora, aqui estava ela, designada para cuidar da mãe e desse bebê chorão simplesmente por ser a única mulher do grupo. Seus superiores sequer se atentavam para o fato dela ser a pessoa menos indicada para isso.

— Briggs, vamos passar pela guarnição em breve. Silencia essa criança agora. Comece pela mãe.

A ordem foi clara e ela sempre executava o que lhe era pedido. Olhou para a mulher a sua frente. Mesmo com um braço completamente inerte, ela tentava posicionar o bebê de barriga para baixo no outro tentando acalmá-lo. Ela nunca tentou entender por que fez isso ao invés de simplesmente puxar o gatilho como tantas outras vezes. Mas o fato é que ela pegou o bebê e exigiu rispidamente, em árabe, que a mãe a ensinasse a acalmá-lo. Remi se surpreendeu com a facilidade que teve em manusear o bebê. A posição que a mãe indicava era estranha, sua mão tinha que ficar entre as pernas do bebê de bruços e o dorso dele mais elevado enquanto a outra mão massageava as costinhas. Ele se calou em segundos, estava exausto e adormeceu. Ela fez sinal para a mãe se calar. Merda! Segurar aquele bebê era muito bom.

Passaram pela guarnição sem qualquer barulho suspeito na carroceria. Ela ainda instruiu a mulher para se fingir de morta até que todos desaparecessem no helicóptero que os aguardava.”

Aproximando-se de Tasha, ela pediu a bebê. A latina sempre gostava de deixar que outras pessoas pegassem Maya, mas ainda estava impactada com os últimos acontecimentos então relutou um pouco. Jane insistiu. Ela cedeu, afinal aquela mulher acabara de salvar a vida da pequena.

Jane repetiu as manobras que o flashback trouxe de volta. Maya parecia ter uma dor mais aguda do que o bebê do seu passado, isso a fez tentar adaptações. Funcionou. O choro cedeu para resmungos e depois parou. Em minutos, os olhinhos da pequena começaram a fechar, pesados de cansaço. Então, ela a ofereceu de volta à Tasha. Mas todos na sala disseram ao mesmo tempo, quase sussurrando:

— Não!

— Ela dormiu com você. Melhor deixá-la descansar um pouco. – Tasha disse se aproximando e dando um beijo na cabecinha da filha. — Eu vou tomar um banho.

Kurt e Patterson se jogaram no sofá, exaustos. Jane ficou satisfeita e feliz ninando Maya.

O casal resolveu passar a noite ali já que as amigas estavam ainda inseguras diante dos acontecimentos. Jane foi ensinando a como poderiam segurar a bebê nesses momentos, mas era inegável que ela fazia isso com uma precisão muito maior e tinha um resultado melhor apesar de sua pouca delicadeza.

No meio da noite, Jane se levantou diversas vezes para verificar se estava tudo bem no quarto de Tasha. Num desses momentos, encontrou a latina sentada na poltrona amamentando a pequena e se recostou no batente da porta observando-as.

— Venha cá. – Tasha convidou retirando os pés da banqueta de apoio para a amiga se sentar ali. – Você deve ter ficado nos vigiando a noite toda, não é?

— Vocês... bem?

— Sim, estamos bem. Graças a você. Foi tudo tão intenso que sequer agradeci na hora. Muito obrigada, Jane, por salvar a vida de minha filha.

A tatuada pareceu um pouco sem graça e balançou a cabeça tímida, gesticulando a dispensa do agradecimento.

— Vou ser sempre grata por isso, Jane. – e pegou a mão da amiga. – Pode contar comigo para o que precisar.

Os olhos de Jane se iluminaram mesmo na escuridão. Levou a mão da amiga à sua barriga e disse:

— Ajuda, Tasha?

— Ajudar você com a bebê? Claro que sim. Agora, por favor, tente dormir. Sua bebezinha precisa que você descanse.

Jane sorriu e voltou para seu quarto. Boston tinha razão. Ela não estava sozinha. Os amigos pareciam dispostos a ajudá-la a ficar com sua bebê. Kurt também acabaria entendendo e aceitando à medida que ela provasse que podia cuidar de si mesma e da bebê.

Deitando-se na cama, aconchegou-se ao marido que, mesmo adormecido, a envolveu em seus braços. Com cuidado, Jane empurrou a mão dele até sua barriga. A bebezinha estava se acomodando em seu ventre e ela amava a sensação dos três unidos como se fossem inseparáveis. Era a melhor sensação que ela já experimentara. Após um longo suspiro, fechou os olhos, deixando-se mergulhar na ilusão de que a paz instalada jamais de dissiparia.

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Observações: Não coloquei as traduções das falas de Jane no corpo do capítulo porque queria transmitir o quanto foi frustrante para Kurt não saber o que ela dizia e pra ela não ser entendida. Abaixo, seguem as traduções para os mais curiosos.

— Nie! Genoeg! (Não! Já chega!)

— Ek sal nie hiermee deurgaan nie. Ek wil net huis toe gaan. Tuis! (Eu não vou continuar com isso. Eu só quero ir para casa. Casa!

— Nie! Nie! (Não! Não!)

Notas finais
Alguém aí já sabe onde está a raiz do problema que o "Jane Alert" irá apontar? Se quiserem arriscar palpites e teorias, é só deixar nos comentários. Sugestões e críticas também são bem vindas. E, por favor, se você leu essa história e gostou, favorite a leitura aqui do lado e marque também esse capítulo como lido. Faz toda a diferença para um autor acompanhar o desempenho do que escreveu. Muito obrigada pela leitura.