Notas iniciais
Consegui um tempinho e prêt. Um capítulo fresco para vocês. Lembrem-se de comentar.

James acordou cedo no domingo. Arrumou sua cama, pegou um livro no malão e desceu para a Sala Comunal.

O piso estava frio contra os pés descalços de James, e por um momento, ele pensou em voltar para o quarto. Mas seria difícil se concentrar com os roncos de Peter, então ficou com o ar gélido da Sala. O dia estava nublado novamente, e vento que entrava pela janela bagunçava os cabelos de James. Ele fechou-a e se deitou no sofá.

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Lily acordou foi acordada por Marlene. Ela estava com um pijama branco e com os cabelos loiros descendo até a metade das omoplatas, lisos, como se nem tivesse dormido. Cutucou Lily com a varinha, soltando pequenas faíscas sobre o corpo da amiga. Lily abriu um dos olhos verdes, sonolenta.

– O que foi?

– Eu tenho que te mostrar uma coisa.

– É importante?

– Sim

Lily gemeu e se levantou. Mechas de cabelos ruivos estavam sobre seu rosto e ela as afastou rapidamente. Levantou-se da cama.

– Só um minuto.

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James tinha dormido com o livro sobre o rosto. Em algum momento da manhã, tinha sucumbido ao poder supremo do sono e o livro tinha escorregado de sua mão, caindo no rosto e quebrando os óculos.

Cacos de sua lente tinham cortado seu rosto. Um dos cortes ia da sobrancelha até o alto da testa. Outro, da bochecha até o osso do maxilar. Tinha até um que ia da ponte nariz até o lóbulo da orelha, cortando sua bochecha inteira. Isso além de pequenos cortes em volta dos maiores.

Foi nesse estado que Remus encontrou James, deitado no sofá oito horas da manhã. Pelo menos, pensou, nenhuma criança desceu até aqui... Remus sufocou um riso. James estar com o rosto cortado por simplesmente ter adormecido e um livro caído em seus óculos era, de fato, muito engraçado. É cômico mesmo sendo trágico, pensou.

Tirou o livro do rosto de James e o colocou no chão. Subiu as escadas para o dormitório feminino e bateu na porta.

– O que você está fazendo aqui... Que horas são? – Marlene disse enquanto estava na porta.

– Ah... Quase nove e meia?

– O que você está fazendo aqui, quase nove e meia da manhã, Lupin?

– James dormiu lendo um livro – ela ergueu a sobrancelha – Só que o livro caiu no rosto dele – Marlene estava sufocando um riso – que quebrou os óculos. Então eu preciso da ajuda da Lily.

– Ela está dormindo – Remus deu de ombros.

– Acorde-a. Isso é importante. Eu te espero na Sala Comunal.

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Lily arregalou os olhos ao ver James deitado no sofá. Como diabos, pensou, ele consegue continuar dormindo assim? Além disso, se ele está só de calça, deve estar morrendo de frio...

– Vou voltar para a minha cama – disse. Tinha horror a sangue, mas Remus a segurou pela manga da camisa.

– Me ajude. Por favor – ele se aproximou dela e falou em seu ouvido – Com meus problemas peludos eu tenho medo de acabar matando-o.

Lily suspirou e se aproximou de James. Se ajoelhou ao seu lado no sofá e tirou a varinha do bolso.

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James acordou na Enfermaria. Não tinha ideia de como tinha ido parar ali. Pegou seus óculos em da mesa de cabeceira e colocou no rosto.

– Eca – seu rosto tinha uma pasta esbranquiçada, parecendo protetor solar.

– Ora. Você acordou. Pena que não passa muito tempo longe daqui, não é mesmo? – disse Madame Pomfrey. James corou – Você já pode sair se quiser.

James assentiu e se levantou, com o pijama típico da Ala Hospitalar. Branco e listras azuis verticais.

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O Natal se aproximava. Certa manhã em meados de dezembro, Hogwarts acordou coberta com mais de um metro de neve. O lago congelou e as poucas corujas que conseguiam se orientar no céu tempestuoso para entregar correspondência tinham de ser tratadas por Hagrid para recuperar a saúde antes de voltarem a voar.
Todos mal agüentavam esperar as férias de Natal. E embora a sala comunal da Grifinória e o salão principal tivessem grandes fogos nas lareiras, os corredores varridos por correntes de ar tinham se tornado gélidos e um vento cortante sacudia as janelas das salas de aulas. As piores eram as aulas do Professor Slughorn nas masmorras, onde a respiração dos alunos virava uma névoa diante deles e eles procuravam ficar o mais próximo possível dos seus caldeirões.

– Ei Lily – James perguntara na semana anterior- Vamos ficar em Hogwarts para aproveitar nosso último ano. E você?

– Também – Lily na verdade, só queria ficar longe dos preparativos para o casamento de Petúnia.

James agradeceu em silêncio Petúnia Evans e seu casamento por manter Lily em Hogwarts.

Uma vez começadas as férias, James, Remus, Sirius, Marlene e Lily tinham o dormitório só para eles e a sala comunal estava muito mais vazia do que o normal e eles sentavam-se a toda hora para comer tudo que pudessem espetar em um garfo de assar: pão, bolinhos e marshmallows.

Hagrid, sozinho, já tinha feito a entrega das habituais doze árvores de Natal para o Salão Principal; guirlandas de azevinho e franjas metálicas enfeitavam os balaústres das escadas; velas perpétuas brilhavam por dentro dos elmos das armaduras e a intervalos grandes ramos de visgo pendiam do teto, nos corredores. Grupos de garotas convergiam para baixo dos ramos de visgo quando James e Sirius passavam, o que causava engarrafamento nas passagens; mas, por sorte, seus freqüentes passeios noturnos tinham lhe dado um conhecimento excepcional dos atalhos secretos do castelo, e faziam com que pudesse, sem muita dificuldade, navegar entre as aulas por rotas em que não havia visgos.

Jogavam xadrez de bruxo, que James era realmente muito bom, e faziam diversas apostas. Lily passava a maior parte do tempo lendo um livro, ou espiando sobre ele.

Na noite de Natal, eles foram para a cama pensando com ansiedade na comida e na diversão do dia seguinte.

Quando acordou cedo na manhã seguinte, a primeira coisa que viram foi uma pequena pilha de embrulhos ao pé de suas camas.

– Feliz Natal – James disse a Remus que começava a se levantar.

– Para você também – ele respondeu vestindo o roupão.

James pegou um pacote de cima, e reconheceu a letra de seu pai Para o James, de Charlus e Dorea Potter. Dentro tinha um novo cachecol e um suéter verdes-escuros. Ganhara também um livro de Remus, uma caixa nova de manutenção de vassouras de Marlene, doces de Peter, outro pomo de ouro de Sirius, um anel de seus pais e...

– Vamos abra esse – disse Sirius apontando para o pacote fechado na mão de James.

– Depois eu abro – ele colocou o pacote dentro do malão, com seus presentes por cima.

Durante a manhã, eles fizeram um torneio de xadrez de bruxo. E James sempre ganhava.

– Aposto dez galeões – disse Sirius – que você perde para a Lily aqui.

– Feito – James olhou desafiador para Sirius.

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Cem perus gordos assados, montanhas de batatas assadas e cozidas, travessas de salsichas, terrinas de ervilhas passadas na manteiga, molheiras com uva-do-monte em molho espesso e bem temperado e, a pequenos intervalos sobre a mesa, pilhas de bombinhas de bruxo. Na mesa principal, Dumbledore tinha trocado o chapéu de bruxo por um toucado florido e ria alegremente da piada que o Professor Flitwick acabara de ler para ele.

Pudins de Natal flamejantes seguiram-se ao peru e quando James saiu da mesa estava levando uma montanha de brinquedos das bombinhas, inclusive uma embalagem de balões luminosos e não-explosivos, um kit para cultivar capixingui, a planta símbolo de Hogwarts, e um jogo de xadrez de bruxo. Os camundongos brancos tinham desaparecido e Lily teve a desagradável sensação de que eles iam acabar virando jantar de Natal para Madame Nor-r-ra.

Depois do almoço, eles foram caminhar próximos ao lago. James se abaixou e pegou um monte de neve, modelando-o na forma de uma bola. Fez outra também. Mirou nas costas de Marlene que andava com Lily a frente deles e jogou.

Mal a primeira tinha saído de sua mão, ele jogou a outra em Lily, acertando as garotas em um curto espaço de tempo.

E foi assim, que se começou uma infantil guerra de bolinhas de neve.

Depois, frios, molhados e ofegantes, voltaram para junto da lareira na sala comunal de Grifinória, onde James e Lily iniciaram seu espetacular jogo.

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– Xeque – disse Lily ao mover seu bispo. Ele mordia o lábio inferior, com os olhos pregados no jogo e uma das mãos pairando as peças.

James soltou o ar e abaixou a mão. Fez um som frustrado e moveu uma peça.

– Sabe Lily, acho que podemos aumentar nossa aposta. Se você ganhar, eu não falo com você por... Ah... Uma semana – Lily estreitou os olhos.

– E se você ganhar? – James sorriu.

– Estou te fazendo uma grande oferta: se eu ganhar eu continuo falando com você.

– Feito.

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– Xeque – disse James sorrindo. Lily afastou uma mecha de cabelo do rosto e franziu a testa, mordendo o canto da boca.

Ela encostou as costas na cadeira, olhando para o chão.

– Desisto. Você venceu Potter – ele sorriu e olhou em volta.

– Ótimo. Vamos até o Salão Principal? Acho que eles cansaram de nos observar e desceram...

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Lily estava andando ao lado de James. Ele parou bruscamente ao lado dela. O corredor estava deserto aquela hora, e James se aproximou dela cuidadosamente, empunhando a varinha e com a mão nas costas.

– Sabe Lily, eu sinceramente acho que eu vi um visco em algum lugar... – fios de fumaça esverdeada saiam de sua varinha, formando um visco acima de suas cabeças.

– Ah Potter, você pode ser realmente muito idiota às vezes... – Lily colocou a mão em seu rosto se aproximando lentamente dele – Mas, se o Natal é um jogo... Nós temos que jogar de acordo com as regras, certo?

James a puxou para perto pela cintura e a beijou.

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Lily não sabia por que tinha feito aquilo. Talvez o visco tivesse um poder mágico, que fizesse as pessoas se beijarem quando estivessem debaixo dele? Ela sentiu o cheiro de James; pinheiro e menta envolveram-na. Ela envolveu os braços em seu pescoço e enterrou seus dedos no cabelo dele.

Eles se separaram e James estendeu a mão para o visco acima dele, pegou uma frutinha e ofereceu a ela.

– Aceita? – ele sorriu. Ela balançou a cabeça e ele deu de ombros, colocando a fruta na boca.

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Depois de lancharem sanduíches de peru, bolinhos, gelatina e bolo de frutas, todos se sentiram demasiado fartos e sonolentos para fazer outra coisa senão sentar e assistir a outra partida de xadrez entre Lily e James.

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James se levantou, vestiu um casaco branco e trocou a calça do pijama por uma jeans preta. Pegou a capa e deixou o tecido escorregar pelas mãos, mais macio do que seda, leve como o ar.

Tinha de experimentá-la agora. E saiu da cama e se enrolou na capa. Olhando para as pernas, viu apenas o luar e as sombras. Ainda assim não tinha se acostumado a isso.

E saiu sorrateiro do dormitório, desceu as escadas, atravessou a sala comunal e passou pelo buraco do retrato. Não precisaria do Mapa; sabia aonde iria, e nem Filch, nem Monitores o impediriam de ir até lá. Mesmo se pudessem vê-lo.

James subiu em direção a Torre de Astronomia, com os sapatos batendo na pedra e ecoando nos grandes corredores.

O teto estava fechado por causa de nave, mas James o abriu. Depois, apenas com um gesto da varinha, poderia limpá-lo. Tirou a capa e se deitou no chão, observando as estrelas entre as nuvens.

James tinha ido ali porque era seu lugar preferido em Hogwarts. E sempre ia ali depois que ocorria algo relacionado à Lily. As estrelas ajudavam-no a pensar. Ele segurou um riso. Acabara de se lembrar de um trecho de um livro que lera antes... Meus pensamentos são estrelas que eu não consigo arrumar em constelações.

Mas, para James, as estrelas se arrumavam sozinhas.

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Quando o novo período letivo começou, James voltou a tentar se encontrar com Lily entre os intervalos das aulas, mas ela parecia sempre evaporar. Tinha evitado-o desde o dia “debaixo do visco”.

James estava puxando o time como nunca fizera antes. Até mesmo as chuvas intermináveis que substituíram as nevadas não conseguiam esmorecer a sua animação.

Marlene reclamava que James estava se tornando fanático, mas os outros garotos lhe apoiavam. Se ganhassem a próxima partida, contra Corvinal, passariam a frente da Sonserina no campeonato das casas.

Lily estava particularmente mau-humorada em uma quinta-feira. Depois de passar seu horário livre na biblioteca estudando, foi praticamente marchando para as masmorras para a aula de Poções.

–Preparei algumas poções para vocês verem, apenas pelo interesse que encerram, entendem? São o tipo de coisa que deverão ser capazes de fazer ao fim dos N.I.E.M.s – disse o Professor Slughorn — Alguém pode me dizer qual é esta aqui?

O professor indicou o caldeirão mais próximo à mesa da Sonserina. James levantou ligeiramente da cadeira e viu algo que lhe pareceu água pura em ebulição. A mão que não apoiava o rosto de Lily levantou rapidamente da mesa a sua frente; Slughorn apontou para ela.

— É Veritaserum, uma poção sem cor nem odor que força quem a bebe a dizer a verdade — respondeu Lily sem homor na voz.
— Muito bem, Lily, muito bem! — elogiou o professor, feliz. — Agora — continuou, apontando para o caldeirão mais próximo da mesa da Corvinal —, essa outra é bem conhecida... Quem sabe...?

Lily levantou a mão novamente, e James viu Snape, na mesa da Sonserina, fazer o mesmo.

— É a Poção Polissuco, senhor – ela respondeu fuzilando Snape. James sufocou um riso.

— Excelente, excelente! Agora, esta outra aqui... sim, minha cara?

— É Amortentia!
— De fato. Parece quase tolice perguntar, mas presumo que você saiba que efeito produz, não?

— É a poção de amor mais poderosa do mundo! — disse a garota.
— Certo! E você a reconheceu, presumo, pelo brilho perolado?
— E o vapor subindo em espirais características – disse Lily indiferente — e dizem que tem um cheiro diferente para cada um de nós, de acordo com o que nos atrai.

Nesse momento, James recebeu um bilhete de Sirius.

Sirius: E aí, Pontas, o que você sente?

James: Madeira de cabo de vassoura, chocolate e a o perfume floral de Lily.

Sirius: Uuu. Você realmente gosta dela, não? A minha só tem cheiro de bombinhas de bosta, e do meu quarto em casa.

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Marlene se aproximou de Sirius assim que a aula de Poções terminou.

– Olha, eu não te daria esse bilhete se não fosse pelo bem deles – ela disse afastando o bilhete da mãos de Sirius.

– Mas... Como é para o bem deles... – completou Remus, que veio por trás dela e pegou o bilhete de suas mãos com um pequeno salto – Vejamos... Aparentemente, nossa Lily sente o cheiro de pergaminho, torta de caramelo e “uma combinação estranha e nunca sentida por mim de pinheiro e menta” – ele ergueu uma sobrancelha – Pinheiro e menta?

– Como vamos descobrir de onde vem esse cheiro? – perguntou Sirius. Ele e Remus olharam para Marlene.

– O que foi? Por que vocês estão olhando para mim?

– Você vai descobrir se esse cheiro é do Pontas – disse Sirius

– Como?

– Você não é amiga dele? Consiga algum jeito de descobrir se o cheiro é dele mesmo – disse Remus. Marlene respirou fundo.

– Certo. Eu faço isso.

Notas finais
James cita em sua própria cabeça, um trecho de "A Culpa é das Estrelas". O que acharam? Reviews?