Notas iniciais
Entre provas, eu escrevendo aqui... Que vergonha. :P

Como eu vou descobrir... Como... Como eu vou descobrir... Meninos malditos, devem estar rindo à uma hora dessas... Malditos, como eu vou descobrir...

Esses pensamentos assombraram Marlene pelo resto do dia.

E então durante a aula de Herbologia, ela teve a brilhante ideia de... Tentar descobrir durante o treino.

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James pegou sua vassoura e foi para o campo de Quadribol. Pegou a pesada caixa com os balaços, a goles e o pomo de ouro.

– Bom. Vou soltar as bolas agora. Prontos? – ele deu um chute na caixa que se abriu e os dois balaços voaram. Pegou a goles e arremessou-a, pegando logo em seguida o pomo.

A pequena bolinha dourada tinha encantado seus olhos durante muitos anos. Agora não era mais aquela pequena esfera que fazia isso.

Ele soltou-a e montou na vassoura.

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Marlene se ofereceu para guardar as bolas por James. Se ele achou isso estranho, não demonstrou. Ela ficou frustrada; se ele fosse ajudá-la, ele provavelmente chegaria perto o suficiente para ele cheirá-lo...

Depois de guardar tudo na caixa, ela arrastou-a até o vestiário, com a vassoura no ombro. Ela olhou ao redor e viu uma blusa com um número 7. Se aproximou lentamente da blusa, atenta se algum chuveiro se desligasse. Pegou-a e inspirou.

Não poderia ter ficado mais surpresa e abalada. A blusa estava com cheiro de suor, claro, mas por baixo disso, não tinha nenhum cheiro de pinheiro; era sabão comum.

Ela jogou a blusa de volta no banco e foi tomar sua ducha. Não era possível...

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David Marsh saiu do chuveiro com uma toalha enrolada na cintura. Piscou os olhos azuis levemente confuso; não tinha deixado sua blusa de um jeito diferente? No momento, o número 17 das costas estava completamente virado para o banco. Deu de ombros. Alguém podia estar procurando alguma coisa, não? Inspirou forte.

David colocou sua blusa branca da escola e um casaco preto, com o cachecol ao redor do pescoço. Tinha decidido ir sem a gravata, afinal o período das aulas já tinha acabado. Passou a mão pelo cabelo, na nuca.

Preciso cortar o cabelo, pensou enquanto subia para o castelo.

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– Não é possível que não seja do Pontas – disse Sirius

Eles estavam indo para o almoço no Salão Principal, depois das aulas de Poções.

– Mas não é. Já disse. Fui ontem depois do treino e vi na blusa dele. Tinha um sete nas costas.

Sirius olhou para Remus, que assentiu. Só James tinha o sete nas costas.

Remus suspirou.

– O que... nós vamos fazer então?

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James se encolheu. Apesar das janelas de Hogwarts não deixarem entrar vento algum, as pedras de que ele era feito eram frias. O frio parecia subir pelo solado do sapato e penetrar nos ossos. Ele estremeceu e colocou as mãos nos bolsos.

Pouco tempo depois, tirou-as e ajeitou o cachecol e suas vestes, de modo a ficar mais quente e puxou a tira da pasta. Onde estão meus amigos quando preciso deles?, pensou mau-humorado. O frio realmente fazia isso com as pessoas.

O cachecol da Grifinória não o esquentava muito bem, e James estava quase o trocando pelo que seus pais lhe deram, quando ouviu alguém gritando.

– James! Ei James!

James olhou para os lados; David Marsh, o goleiro da Grifinória, vinha correndo em sua direção com um pergaminho na mão.

— Para você — ofegou David. Ele se virou e voltou correndo por onde tinha vindo, gritando para seus colegas lhe esperarem.

James olhou para o pergaminho por um momento, em dúvida. Por fim, o abriu, e recomeçou a andar enquanto lia.

Caro James

Gostaria que o senhor viesse a minha sala no momento que receber esse pergaminho.

Prof. Minerva McGonagall

James estava de fato curioso. Por que McGonagall o chamaria? Não tinha feito nenhuma pegadinha esses dias... Durante o caminho até a sala da professora, James foi tentando adivinhar o motivo de ter sido chamado até ali.

Uma porta à sua esquerda escancarou-se e a Profª McGonagall saiu de sua sala parecendo triste e ligeiramente solidária. James nunca a tinha visto assim.

– Bem, entre Potter – ela abriu a completamente e porta e se afastou, dando espaço suficiente para James passar.

James entrou no escritório que já lhe era familiar; recebera mais detenções ali do que qualquer um na escola, exceto, talvez, por Sirius.

É só falar no diabo que ele aparece, pensou, olhando surpreso para Sirius. Sirius sorriu fracamente, sentado em uma cadeira em frente à escrivaninha.

James se aproximou dele, franzindo a testa; duas detenções?

– O que você está fazendo aqui? – James sussurrou

– Sei lá. Ela disse que iria esperar você chegar para me contar – Sirius sussurrou de volta.

A Profª McGonagall sentou-se à escrivaninha, observando James e Sirius com a testa enrugada.

– Coma um biscoito, Potter – ele olhou para Sirius, que deu de ombros como se dissesse: É bom. Eu já comi o meu – E sente-se

James pegou um biscoito de gengibre e continuou de pé.

– Seus pais... Eles... – parecia estar tendo dificuldade em escolher a palavras — Morreram – ela concluiu.

Seu tom de voz não se parecia com o que ele estava acostumado a ouvir; não era enérgico, seco nem severo; era baixo e solidário e, de alguma forma, muito mais humano do que o habitual.

Ele se deixou afundar na cadeira à frente da escrivaninha e cruzou as mãos sobre o colo.

– Não é verdade é? – perguntou Sirius. Ele estava pálido como um vampiro e parecia ansioso – Não pode ser verdade. Eu sei, é claro, que mamãe estava doente, mas...

– Sinto muito, senhor Black — McGonagall parecia sem saber o que fazer.

Oh, pare de ser tão clichê, James pensou furioso. Lágrimas se acumulavam na parte de trás dos seus olhos, e ele lutava para contê-las.

– Já tentaram verificar o St. Mungus? Se eles viajaram? – Sirius perguntou esperançoso.

– O St. Mungus que nos deu a notícia – Sirius olhou para James, que permanecera no mesmo estado desde que se sentara, levantou-se e parou de costas para a sala, na porta.

– Obrigado por me dizer, Professora – disse friamente e saiu.

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Mais tarde, naquele mesmo dia, McGonagall sentiu compaixão pelos rapazes. Aparentemente, a varíola de dragão de Dorea passara para Charlus, e agora ambos tinham partido. Limpou uma lágrima solitária que desceu por seu rosto. Gostava deles.

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James saiu da sala de McGonagall sozinho. Por um momento ficou parado do lado de fora, sem saber o que fazer.

Por fim, enrolou o cachecol no pescoço de novo e saiu. Procurava silenciosa e desesperadamente uma brecha por onde seus pais pudessem voltar. Mas não havia brecha. Sabia disso. Mas se recusava a aceitar. Logo, James era uma sombra negra em contraste com o branco da neve no gramados de Hogwarts. Andava lentamente, sem realmente perceber onde estava. O lago, congelado, brilhava pelo sol da tarde e parecia um vidro fosco. James se sentou na neve e começou a chorar. Principalmente porque uma parte dele compreendia o que estava acontecendo. Uma ínfima parte que ele se recusava a escutar.

Ele se deitou e estendeu os pés na neve, olhando para o céu. Era um dia de inverno diferente; o céu estava azul e não se via nenhuma nuvem. As lágrimas de James continuaram esquentando seu rosto, mesmo quando ele dormiu.

O sono nos oferece uma retirada do mundo e de todo o sofrimento que há nele, dando-nos um distanciamento das coisas que nos magoaram. É a maneira de a mente se proteger da dor. E assim James cobriu sua ferida, até que a hora certa de tratá-la chegasse.

James sonhou quando ele era pequeno, e os cabelos do seu pai estavam grisalhos apenas nas têmporas. Ele devia ter uns quatro anos, e o pai o levara para voar pela primeira vez.

Lembrava-se da sensação; o vento no rosto e de estar no controle. Isso até os seus óculos saírem com o vento e ele ficar completamente cego, em cima de uma vassoura e com seu pai rindo abaixo. Por fim, quando ele conseguiu se recuperar do pânico inicial e conseguiu descer, não estava mais em um gramado voando pela primeira vez; estava em casa, e sua mãe estava lhe ensinando a tocar piano.

– Venha aqui, James –ela disse um pouco aborrecida – ou você não vai conseguir aprender nada.

O pequeno James tinha agora cerca de seis anos e ao se sentar ao lado da mãe no piano, seus pés mal tocavam o chão. A mãe dele era bonita. Um rosto delicado e com cabelos castanhos que desciam até os ombros e olhos cor de café. A pele era branca e era tinha um nariz levemente pontudo, suavizado pela descendência inglesa. Ela ergueu uma sobrancelha quando ele a observou tocar.

– Bom. Agora tente – ela disse.

James levantou a mão e tocou. Quase imediatamente, sua mãe ergueu uma mão.

– Ohi il mio Dio – murmurou impaciente – Você está fazendo errado.

Quando James olhou para cima sua mãe novamente, ele estava olhando para Lily, que o encarava enfurecida.

– Deixe-o em paz! O que ele lhe fez? – ela estava na frente de Snape, numa postura que lhe lembrava uma mãe protegendo um filhote.

– Você sabe, é mais pelo fato dele ter nascido, se você me entende... – ele disse.

Lily ergueu a mão, como se fosse lhe bater, mas agora o seu rosto tinha mudado. Ela estava pouco mais velha, e envolveu seu pescoço com o braço e o beijou.

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Sirius faltou à aula de Transfiguração. Foi para o seu dormitório, deitou-se e chorou silenciosamente, mesmo sem ninguém ali para observar.

Tinha tantas mães horríveis, a sua, por exemplo, podia ter morrido no lugar de Dorea Potter. Mas não. A sorte realmente não estava a seu favor.

Chorou como se algo dentro dele tivesse se despedaçado, e agora tudo estava saindo aos borbotões.Lembrava-se da mãe dele cozinhando o almoço, de o abraçando quando chegava das férias... Se nós tivéssemos ido, pensou, poderíamos ter visto-a mais uma vez.

Sirius agora tentava não imaginá-los com os olhos abertos, uma órbita grande e opaca.

Sirius se lembrava de quando foi morar na casa de James. De como a mãe Pontas tinha sido... A mãe dele.

Sirius dormiu também, mas, diferente de James, não teve sonhos.

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James faltou à aula de Runas também. Acordou com muito frio, e depois se lembrou de que estava na neve. Levantou-se e entrou no castelo, com as vestes negras manchadas em branco.

Passou por passagens que geralmente só passava quando estava na Lua Cheia, e acabou chegando a um corredor estranho. Andou diversas vezes por ele, tentando descobrir por onde voltar na sua passagem, ou algo que o fizesse reconhecer onde estava.

Até que viu a tapeçaria de Barnabás, o Amalucado, sendo abatido a cacetadas por trasgos.

Olhou ao redor e soltou a respiração, abraçando os braços e sentou-se encostado na tapeçaria, fechando os olhos.

Quando os abriu novamente, uma porta lustrosa aparecera na parede. James não se lembrara de ter visto-a antes, no entanto, sua mente estava confusa demais para se lembrar.

James se levantou e girou a maçaneta de latão, abriu a porta e entrou.

Era uma sala espaçosa, com enormes janelas, por onde James via as pesadas nuvens de neve. Em uma das paredes, uma estante estava cheia de livros e, em baixo, poltronas confortáveis e pequenas mesas. E no meio da sala um piano de cauda preto e lustroso chamava sua atenção. E isso lhe lembrou dolorosamente de sua mãe.

Os dedos doíam pelo frio, mas ele tocou mesmo assim. Tocou até ficar com os braços e as juntas dos dedos doloridos, até a hora do jantar. Tocou tentando não lembrar.

Tocou “Nocturne pour Tamaki”, “Für Elise”, “9th Sinfonia”, “Beethoven 5th Secrets”, “Moonlight”, “Soldatino”...

Nem preciso dizer o quanto tocar essas músicas lhe doía. Mas era como a dor de tocar um violino, por exemplo, sangrava e ele logo torcia para que o tempo criasse calos. Até porque, “o tempo cura todas as feridas” é algo falso. Você torce para que o tempo cure a maioria delas, já que algumas feridas são dolorosas e profundas demais e não há cura alguma há realizar.

Logo ficou com fome e teve que abandonar a magnífica sala que achara.

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James passou na cozinha, bem depois de o jantar ter terminado. Os elfos lhe receberam com a alegria incessável de sempre, e lhe deram um pouco de chá, biscoitos, bolos e tortas, de forma que James comeu tudo que não tinha comido no almoço.

E depois, foi para a Torre da Grifinória.

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Sirius estava sentado em uma poltrona, isolado e esperando por James, quando Remus se aproximou dele.

– Olha só Almofadinhas...Eu – Sirius lhe lançou um olhar de “Diabo Em Hipertensão”

– Sai daqui, Remus

– Olha, eu... – Sirius inspirou forte

– Você sente falta dela? – Sirius perguntou rápido e nervoso

– Dorea Potter? Bem... Eu nunca falei muito com ela... Mas eu acho que... Todos nós sentimos um grande vazio. Alguns mais do que outros... – Sirius olhou para ele com lágrimas nos olhos

– Eu nunca desejaria isso a ninguém – Remus completou, a voz não mais que um sussurro.

– Você sabe que não é exatamente a pessoa que eu quero conversar agora, não sabe? – Sirius perguntou baixinho, olhando para as mãos.

– Sei

– Mas obrigado mesmo assim, Aluado – disse dando um leve sorriso, que logo desapareceu – Onde está o Pontas. Ele não aparece aqui a um bom tempo...

Remus subiu a escada correndo para o dormitório masculino, e desceu trazendo um pergaminho, que abriu no chão aos pés de Sirius.

– Juro solenemente que não pretendo fazer nada de bom – disse com uma leve batidinha no papel.

Na mesma hora, linhas de tinta muito finas começaram a se espalhar como uma teia de aranha a partir do ponto em que a varinha de Jorge tocara. Elas convergiram, se cruzaram, se abriram como um leque para os quatro cantos do pergaminho; em seguida, no alto, começaram a aflorar palavras, palavras grandes, floreadas, verdes, que diziam as conhecidas palavras:

Os Srs. Aluado, Rabicho, Almofadinha e Pontas, fornecedores de recursos para bruxos malfeitores, têm a honra de apresentar
“O MAPA DO MAROTO”

Era um mapa que mostrava cada detalhe dos terrenos do castelo de Hogwarts. O mais notável, contudo, eram os pontinhos mínimos de tinta que se moviam em torno do mapa, cada um com um rótulo em letra minúscula. Remus e Sirius se inclinaram para o pergaminho, a procura do nome de James.

– James...

– Impossivel...

– Ele...

– Sumiu do Mapa – disseram ao mesmo tempo.

Notas finais
Bom... Cade os Reviews? Obs: A música " soldatino" que é mencionada, tbm poderá ser encontrada como " Nico's Lullaby", se não me engano. Reviews?