O perfume de Vivian – assim como a fumaça de seu cigarro – enchia todo o escritório. Ela era realmente uma linda mulher. Olhos verdes, pele pálida e cabelos negros que lhe batiam no ombro.

Vivian distribuía seus 54 kg e 1,65 de altura num sedutor vestido rendado preto, que favorecia sua curvas. E que curvas!

De fato qualquer homem perdia a linha de raciocínio ao olhar aquela bela mulher. Até mesmo Jack. Embora tentasse a todo custo lembra-se do propósito que o trouxera até ali.

Era uma quinta-feira de um outono chuvoso. O sol já havia se posto há tempos e o relógio agora badalava, anunciando que eram nove horas. Enquanto todos repousavam em suas casas, Jack fora chamado para resolver um caso tão cheio de nós que era praticamente impossível desvendá-lo. Mas não para Jack.

Afinal ele era o caçador. A “carta na manga” do governo. O Valete.*

Se existia um nome para o perigo era Markus Young. Autor dos mais diversos crimes, braço direito do ex- corrupto -prefeito e suspeito do sequestro e morte de Giulia Jones, amante do chefe da máfia. Ou talvez devesse dizer, era. Pois naquela manhã o corpo do imponente Markus fora encontrado desfalecido numa viela qualquer. O estado de seu corpo era tão horrendo, que por pouco a perícia não conseguiu identificar. E quando identificaram, quase não acreditaram. Mas era de fato Markus.

Jack pigarreou. Aquilo já lhe era esperado, no entanto era isso que o surpreendia. Ele esperava um passo mais escondido de Tyler. Ele praticamente se mostrara o autor daquele assassinato, como se pedisse para ser encontrado. Tyler Collins. Era conhecido por liderar uma das máfias mais severas de New York. Eram conhecidos por todo tipo de tráfico e chacina. Eram impiedosos e não tinham medo de morrer. O que os tornava excepcionalmente perigosos.

– Eu apostaria em Tyler – disse Vivian enquanto tragava mais uma vez seu cigarro

– Talvez. Tudo indica isso. E é ai que está! Tyler não costuma se mostrar assim. Ele não é do tipo que quer atenção, especialmente a nossa.

– Talvez. Mas isso já é com você. – ela sorriu e se inclinou, revelando o belo decote. Jack não pareceu se intimidar. Levantou-se e pôs a andar, com aquela expressão de quem pensa sobre o assunto. Vivian então apagou o cigarro e o jogou fora, virou-se para a enorme janela e passou a observar os carros que passavam pela avenida lá embaixo.

– O que está fazendo? – perguntou uma voz rouca logo atrás dela. Jack estava apenas há alguns centímetros dela. A mulher então se virou e sorriu:

– Apenas observando a rua, não queria lhe atrapalhar. Sei o quanto isso é importante para você. – E era mesmo. Por algum motivo que ninguém sabia, Jack sempre levava assuntos como esse a sério. Era um homem movido a trabalho. E claro, a mulheres.

– Se não queria me atrapalhar, talvez não devesse se vestir dessa maneira. – ele sorriu de um jeito sacana, como se a convidasse para um jogo de quem seduz mais.

– Não consigo entender do que está falando, Jack. – ela sorriu, é claro que sabia muito bem do poder que tinha sobre os homens. E fazia bem o uso dele. Jack a olhou em seus olhos e acariciou seus lisos cabelos:

– Talvez assim você entenda. – e a beijou. Era um beijo ardente e feroz, daqueles que tira o fôlego e desperta as fantasias mais secretas, que desperta o instinto animal. Jack a puxo para si, colando os seus corpos, enquanto Vivian o puxava pela nuca. Suas mãos passeavam pelas curvas daquela bela mulher, apertando e descobrindo cada centímetro daquele corpo. Sem hesitar, ele subiu o vestido dela até a cintura e, segurando suas coxas nuas, a colocou em seu colo. Ela então o prendeu com suas pernas, sem parar o beijo.

Vestido pra cá, terno e guarda-pó pra lá. Num instante os dois estavam nus e seus corpos se encontravam e, com um gemido de Vivian, se tornaram um. Os dois transaram noite adentro.

Algum tempo depois, Vivian se encontrava deitada no chão, completamente nua. Estava tão exausta que adormecera logo depois. Mas Jack não. Ele se encontrava muito bem acordado, já vestido. Enquanto a mulher dormia sem sequer saber o que acontecia, Jack estava em ação. Ele olhou os armários, olhou as gavetas e então, se lembrou. Logo na ultima gaveta, havia um fundo falso. Ele a abriu novamente, sem fazer o menor ruído e, retirando tudo que lá havia, encontrou o fundo falso.

“Grandes tolos. Se acham tão inabaláveis que cometem os erros mais estúpidos. Pois eles que me aguardem. O Valete irá agir novamente.”

Sem perder um só segundo, ele encontrou o que tanto queria. Guardou tudo, deixou do mesmo jeito que havia encontrado e saiu, com a pasta preta já escondida sob o guarda-pó.

*Valete em inglês tem como significado jack