J&L - Jilly
10 Começar a Conversar
Notas iniciais
Lily
Sentámos à beira do lago e mergulhamos os pés outra vez.
Ai! Vai ser tão emocionante! Sempre quis ouvir a história dos Marotos! Apesar de eles serem uns idiotas, eu sou curiosa.
– Então bem... Não sei bem por onde começar...
Mexeu no cabelo. Que hábito tão estúpido, como se o cabelo dele já não fosse suficientemente bonito! Quer dizer, despenteado...
– Mas o que raio te deu hoje?- perguntou Lilian.
– Está calada!- gritei mentalmente.- Ele vai começar!
– Começa por quando se conheceram...- sugeri eu.
– Bem... O Sirius eu conheci no comboio, acho que foi amor à primeira vista.- riu-se. — O Lupin no dormitório, no primeiro dia. O Peter conheci numa aula de Poções quando o Lupin decidiu ajudá-lo.
– O Lupin é muito querido!- comentei.
– Penso que sim... Ele é mais ou menos a "cola" do grupo. Ajuda sempre todos e trata dos problemas. O Peter é uma comédia, faz todos rir, mesmo sem querer, bem... Normalmente era sem querer. Hehe! Descobrimos há pouco tempo os seus dotes para poeta. Agora ajuda o Sirius a conquistar miúdas com poemas. Sirius não é muito bom com isso! O Sirius é o garanhão mor! Sempre animado, estúpido como tudo, bonitão, com um ego maior que ele próprio...
– Bem, até parece que estás a falar de ti!
– Obrigada por me chamares "bonitão". Sempre soube que achavas!
Bati-lhe na cabeça.
– No primeiro ano, foi o ano de reconhecimento. Habituámos-nos a viver uns com os outros, explorámos o castelo de uma ponta à outra, começámos a suspeitar do Lupin porque ele saía todas as Luas Cheias...
– Começaram a curtir com metade do castelo...- acrescentei eu.
– Não sejas exagerada! No primeiro ano, as miúdas eram-nos totalmente indiferentes. Indiferentes, não... Chatas! Muuito chatas! Só descobrimos os prazeres de estar com uma mulher no segundo ano, quando fui para equipa de Quidditch. — confirmou-me ele. — Lily, por favor,- ele pegou-me nas minhas duas mãos com as suas. — Promete-me... Promete-me de que não vais contar isto a ninguém... Por favor, os nossos segredos envolvem muito mais do que mulheres. Lily, se certas pessoas souberem dos nossos segredos ficamos em muitos maus lençóis. Percebes isso? Lily, eu estou mesmo a confiar em ti... Não me falhes por favor... É que não sou só eu que fico mal... Os outros Marotos também.
Apertei-lhe as mãos.
– Podes confiar em mim. Eu não conto... A ninguém.
Ele assentiu.
–Então, vamos começar. No primeiro ano começámos a fazer as nossas traquinices. Mas foi só no segundo que comecei a meter-me contigo. No primeiro achava-te muito chata, no segundo comecei a achar isso divertido.
– Lembro-me disso...
– Lembras-te da primeira coisa que te disse depois das férias de Natal?
– "Hum... O teu cabelo é, claramente, um sinal de perigo. Eu adoro perigo..."
– É... Foi o que eu disse...- corou. — Foi um piropo um pouco mau... Na minha cabeça soava melhor.
Ele riu.
– No primeiro ano, arrancámos tampas de sanita entre outras coisas para construirmos uma máquina do tempo. Era uma ideia brilhante mas os professores e os nossos pais não aprovaram. Ainda não percebi o porquê! Podiam ceder umas tampas de sanita! Não custava muito!
Eu ri.
– Acabámos por levar a nossa avante mas não funcionou... O que foi uma pena. No terceiro ano descobrimos o segredo de Lupin... Confrontá-mo-lo com a situação e procurámos nos livros da biblioteca uma maneira do ajudar. Acho que nunca passei lá tanto tempo... Tirando as vezes que ia lá para te ver.
Fiquei totalmente corada. Porque é que ele dizia estas coisas?
– Pensei que gostavas de ler.
– E gosto. Mas não ia lá para ler, isso de certeza. E mesmo que fosse não dava. Estavas lá tu.
Corei ainda mais e sorri.
A Lilian tem razão. Não estou muito em mim hoje. Por mais que possa parecer estranho, não me interessa para nada. Estou-me a sentir muito bem, aqui com ele.
Encostei a minha cabeça ao ombro dele. Ele ficou hirto e muito quieto.
Depois de um momento de silêncio falei.
– Continua.
Ele gaguejou e depois recompôs-se.
– Encontramos logo uma ideia no livro do 3º ano mas encontrar a forma de com executá-la foi mais difícil. E algo ainda mais, muito mais difícil foi executá-la, requeria bastantes conhecimentos que naquela altura estávamos muito longe de ter. Lily, por favor este é um segredo importantíssimo talvez o maior dos Marotos, aquele que nos pode tramar.
– Eu prometi segredo.
Ele levantou-se.
– Sabes onde é que o Lupin se esconde para a transformação, não sabes?
– No Salgueiro Zurzidor.
– Vem.
Levantámos-nos.
Andámos lado a lado, as vezes as nossas mãos roçavam e faziam-me arrepiar mesmo assim estiquei o dedos de modo ao toque não poder ser evitado. Ele ficou rígido mas deu-me a mão lentamente. Assim, chegámos de mão dada ao Salgueiro Zurzidor
É meio estranho sentir o James assim tão perto. Não só fisicamente, como também psicologicamente. E o que é ainda mais estranho é que estou a adorar.
– Como vais fazer para ele parar?- perguntei.
Não conseguiríamos passar com os ramos do Salgueiro Zurzidor a tentarem matar tudo o que lhe passasse pela frente.
– Estás a ver aquele nó no tronco?
Apontou para lá.
Depois dirigiu-se para lá(quase que o meu coração parou quando ele quase foi atingido por um ramo maluco) e tocou-lhe com um pau.
– Basta isto para o Salgueiro parar. Normalmente é o Peter que faz isto, é menos perigoso para ele. Já vais descobrir o porquê. Vêm cá. Podes também sempre fazer um feitiço, resulta também.
– Exibicionista.
Ele estendeu-me a mão e eu corri até ele agarrando-a.
– Anda, vamos entrar rápido.
Fez um grande sorriso e entrou aos pulinhos para dentro da árvore quase fazendo-me cair. Fez-me dar uma voltinha e depois agarrou-me pela cintura. Sorriu-me.
– Estou estranhamente feliz por te ir contar as coisas.
Sorri-lhe de volta. Pôs-lhe uma mão na face e encostei a minha testa à dele.
O sorriso dele foi-se e ficou nervoso. Quando ele fica nervoso tem tendência para mexer o pés e humedecer os lábios. Não sei se é bom se é mau... Não... É mau. Ai que vontade...
– Er...- ele afastou-se.- Vamos continuar?
Agarrou-me na mão e continuamos a andar.
O.O
Não me beijou... Não me beijou? Já não me quer? Ele evitou 2 beijos hoje! Ele já não gosta de mim!
Levou-me para uma sala.
Tinha um pequeno sofá em mau estado e mais nada.
– Desculpa. Está em mau estado mas ainda dá para nos sentarmos.
– Onde estamos? — perguntei.
– Na Cabana dos Gritos.
– O quê?! São esses os gritos que ouvimos! Assombrada... Hahah!
Sentámos-nos. E ele pôs a bolsinha ao lado do sofá.
– Então qual foi a solução que encontraram?
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