Júpiter e Vênus
29 Puta que pariu
Notas iniciais
CAIO
Coisas que aprendi sobre Pedro nos últimos dias:
1) Ele não estava ligando de verdade para o fato de que eu era bi e de que ele gostava de homem. Só que ninguém podia citar o assunto. Aí ele surtava. Porque nossa, pense em um menino “hétero”.
2) Ele era completamente e perdidamente apaixonado pelo Gabriel. E na verdade, não sei como não percebi isso antes.
Eu entendia a paixão por Gabriel. O cara era do tipo de cara que faz qualquer humano que goste de homens ficar com o fogo no rabo. A mistura de moreno com olhos verdes... E além disso, ainda tinha um jeitinho meio lerdo, meio inocente, que caramba. Olha, se Pedro não tivesse olhado primeiro, eu investiria no garoto.
E que Pedro não soubesse disso!
Brincadeiras à parte, Pedro sumiu da festa na hora que chegou. Ele tomou um copo de caipirinha — caipirinha ruim pra caralho, notinha básica — e desceu para o estacionamento. Bem, ele não tinha carro, não mais (“meu precioso! Meu precioso SUV!” Pedro Bolseiro em o Senhor dos SUV’s”). Como vi Gabriel indo para o mesmo rumo um ou dois minutos antes, supus que... Cof, cof, cof. Viadagem.
Não me importei muito com o desaparecimento do loiro. Com ele do meu lado, não poderia pegar alguém, por exemplo, talvez na sorte um dos meus vários crushes. E crush era o que não me faltava. Pois para começar, querida, eu jogava em dois times, o que me dava um amplo leque de opções. Listinha dos crushes:
1) Tinha a Aline de Engenharia da Computação. Busto, hmmm, acentuado. Peguei na calourada e mantinha umas conversas hot no WhatsApp.
2) Tinha a Laura da Medicina. Só sonho.
3) Tinha o Ricardo da Geologia. Hétero. Todo mundo que é LGB já teve quedinha por hétero. Acontece.
4) Tinha o Miguel, meu veterano. Vi o pacote por acaso num churrasco na piscina, e... Melhor não comentar.
5) Tinha a Jéssica. Só sonho também. Areia demais para meu caminhão. Mas que morria de inveja do Pedro por ter pegado, eu morria.
6) Tinha o Fábio da Geologia, que era colega do Ricardo. QUE BUNDA.
7) Tinha o Henrique da Geologia, colega do Fábio e do Ricardo (de novo Geologia, eu sei. No dia que você conhecer os machos da Geologia da minha universidade vai me entender).
8) Tinha a Vanessa da minha turma. As pernas da guria me deixavam doido.
9) Tinha um guarda que eu não tinha ideia do nome. Mas corpo ele tinha e eu não podia não enxergar porque não sou cego.
10) Tinha o... Falemos desse rapaz depois.
Enfim, eu queria pegar alguém. Com o número de provas e trabalhos nos últimos dias, há quanto tempo não transava? Muito triste essa situação. Muito triste. Deprimente. No Ensino Médio, me disseram que na universidade haveria só putaria. Esse povo não tem nem vergonha de mentir. Desde o início das aulas, chorei mais do que gozei.
Tirando o crush número 10, que peguei e repeguei e rerrepeguei, a única pessoa da listinha que tive mais sucesso — corrigindo, a única pessoa que tive uma dosezinha de sucesso — foi a Aline. Por esse motivo, passei os olhos em todo o pessoal para encontrá-la. Tchanran, estava dançando sozinha com uma amiga.
Me analisei um segundo rápido. Visual apresentável: uma camisa preta do Imagine Dragons, calça das melhorzinha do guarda-roupa, tênis que resgatei das profundezas das teias de aranha — odiava tênis, pra que usar isso? — e meu boné. Cheiroso sim, comprei um perfume da Natura com os 40 R$ restantes do dinheiro do mês e agora usava toda hora para o dinheiro ser bem utilizado.
Nota: Pelo menos, Pedro não poderia dizer que era da Avon. Se bem que acho que ele não tinha ideia da diferença entre Racco, Natura, Avon, O Boticário, Jequiti, etc. Mas a gente que é pobre...
Okay, fui tirar conversa com a moça né.
Só que não.
Quando estava chegando, um outro jovem puxou papo com ela. Jovem de alta estirpe, alto, loiro, musculoso feito o Hulk, julguei que os olhos eram azuis — olhos azuis eram o que faltava para o kit ser completo. Não exatamente meu tipo de homem, porém, penso que as mina hétero caem em cima. Fingi que não estava indo para lá. Claro. Dignidade sempre.
— Ei, Caio. — ouvi a voz familiar de Vicente antes que retornasse realmente para o lugar que estava antes. — Vem beber com a gente.
Me virei. Ele estava com um bando da Engenharia Civil a um ou dois metros de mim. Arqueei as sobrancelhas. Andei com Vicente todos os dias em que Pedro decidiu me ignorar pela minha bombástica revelação de que eu era bissexual. Vicente era... Normal. Como todo bom menino da Engenharia.
Já que a pegação não quer colaborar comigo, como diria o grande filósofo Pedro Bozza, nos lancemos nos braços do álcool.
— Oi. Bora.
Ele me deu um copo de um negócio avermelhado que não soube dizer o que era. Não precisei de nenhum grande raciocínio para me tocar que tinham trazido bebida de fora, o que na minha singela opinião, era puta sacanagem com a galera que organizava as festas para arrecadar dinheiro para a formatura. A caipirinha estava ruim, mas... Puta sacanagem assim mesmo.
— E as novas, doido? — perguntou.
— Estudando, geralmente. — respondi.
Vicente bateu no meu ombro.
— O único cara que estuda em toda a 2016. Um brinde a pérola da Engenharia Civil. — propôs aos outros. — Ao Caio!
Ele estava bêbado, bastante bêbado. E eu não era o único cara que estudava na minha turma. Tinha uns nerds vindos do inferno que tiravam Excelente em Cálculo e Física sem o mínimo de esforço. Se bem que em comparação àquela panelinha, eu era Albert Einstein reencarnado. Nenhum se prestava nem a ter presença nas aulas, quem diria estudar.
Todo mundo brindou.
— Tu é amigo do Bozza? — um questionou. Presumi que fosse um veterano da 2014.
— Sou.
É esquisito chamar as pessoas pelo sobrenome. Sinceramente.
— Aquele menino não bate bem das cachola, não né? — continuou.
— Acho que desde o início do semestre brigou com uns quinze por aí. — um segundo comentou sem minha resposta. — E sempre apanha!
Eu duvidava que esse Fulaninho se garantisse em brigas semelhantes a de Pedro. Pedro não aguentava nada, porém, 90% ali também não.
— Ah, eu acho ele engraçado. — Vicente falou. — E come mulher mais do que qualquer um aqui.
Pegar mulher era um argumento que eu usaria para defender Pedro no início. No entanto, agora soava hipócrita e idiota pra caralho dizer isso. De qualquer modo, que bom que Vicente se pronunciou. Uma vaia geral para o Fulaninho. Eu juro que me esforçava para decorar os nomes deles, mas as fuças eram tão absurdamente iguais que eu desistia em 100% das tentativas.
— Aquilo é um bichona. — um terceiro disse logo que a euforia acabou.
Franzi o cenho. Nunca haviam acusado Pedro de homossexualidade.
— Só porque não come ninguém quer falar do outro. — um quarto riu.
— É bichona! — o terceiro insistiu. — Come mulher só pra disfarçar, é viadão.
— Por que diz isso? — fui forçado a perguntar.
— Ouvi dizer que queima a rosca com um cara de História.
— Ah é. — um quinto se manifestou. — Ouvi dizer isso também. É de Letras, o cara.
Engasguei com o primeiro gole do negócio vermelho. Tinha uma fofoca rolando. A respeito do Gabriel e do Pedro. TINHA UMA FOFOCA ROLANDO. E provavelmente nenhum dos dois tinha ideia do assunto. Pedro enlouqueceria em cinco segundos com algo assim. Gabriel... Eu não conhecia Gabriel.
— Até que ele tem pinta de viado, eu sempre disse. — o terceiro disse com um tom irônico.
Larguei o copo. Não era obrigado a ouvir as coisas homofóbicas que certamente viriam. Bastavam aquelas que ouvia por falta de uma rota de fuga prévia. Escapei ligeiro para fora da rodinha. Vicente me lançou um olhar, entretanto, não me chamou de volta. Eles nem desconfiavam que eu “queimava a rosca” muitas vezes.
Apertei as têmporas, metendo ar no pulmão.
— Puta que pariu. — murmurei.
TINHA UMA FOFOCA ROLANDO. Eu necessitava processar a questão. Pedro não era a melhor criatura do planeta, mas eu gostava dele. Eu desejava profundamente que se aceitasse e não precisava disso para atrapalhar os pequenos passinhos que tinha dado. Se o assunto não estava suficientemente espalhado, depois dali, chegaria no loiro.
E aí, o que eu fazia?
Alternativa 1: Falar para Pedro e esperar o piti.
Alternativa 2: Ficar calado e esperar o piti.
Alternativa 3...
Tudo resulta em piti. Impossível pensar agora.
Ah, senhor, minha noite tava tão legal, eu ia dar uns pega em alguém, não ia ser na Aline, mas ia ter alguém porque tenho fé, e de repente vem essa.
Balancei a cabeça e olhei ao redor. Não encontrei Pedro. Mesmo que ele houvesse retornado, tinha muita gente para identificar um indivíduo específico. E mesmo que eu o identificasse, não adiantaria botar o assunto na rede dessa maneira. Suspirei e caminhei para a barraca de bebidas. Pedi uma Skol Beats. Ainda precisava de álcool, de qualquer jeito.
Abri a lata. Levei um pequeno susto no momento em que ergui os olhos e me deparei com Jéssica, também comprando uma Skol Beats, exatamente ao meu lado. Cocei a nuca. Repetição da verdade triste: areia demasiada para meu caminhãozinho vagabundo. Mas bizoiar não cai pedaço. Mas falar com ela também não...
— Ei, Jéssica.
Ela volveu as íris claras, já com a cerveja em mãos. Percebi pelo corado no rosto — que rosto — que estava um pouquinho longe de estar sóbria.
— Caio!
— Oi! Fazendo o quê por aqui?
OLHA A BURRA. NÃO CAIO, você é um INÚTIL, não ta vendo que ela tá bebendo? SE MATA.
— Eu tava com a Iara, uma menina de Letras, tu não deve conhecer. Aí ela saiu com uma menina e fiquei sozinha. — Jéssica falou, meio que aliviando a pergunta estúpida.
— Iara?
EU conheço, tu quem não devia conhecer.
— É... Tu conhece?
— Iara é uma amiga antiga.
MUITO antiga. Eu tinha lembranças de Iara correndo na rua com os carrinhos de brinquedo carregados de boi que ela adorava. Ela costumava me bater, esconder minhas coisas, puxar minhas orelhas, simplesmente por ser a pessoa mais terrível do planeta. Após o Ensino Médio, nos distanciamos um pouco. Amizades de infância não costumam durar para sempre.
— Mentira! — Jéssica exclamou. — Nossa, o Gabriel me apresentou ela. É gente fina.
Literalmente. Não deve pesar 42 kg.
— Mas eu vi você com o Pedro... — ela juntou as sobrancelhas naturais que toda mulher lutava para ter em salões de beleza. — Onde ele foi?
— Aaan. Não sei. — menti.
Ela mordeu o lábio.
— Pedro... — murmurou aleatória. — Enfim. Como tá indo o primeiro semestre?
— Não vamos falar disso, por favor. — sorri.
— Tão ruim assim?
— Não muito bom.
Jéssica riu.
— Mas não vai desistir, não né?
Jamais. Engenharia Civil era meu sonho desde que eu era um pivete. Primeiro porque vi num dia na televisão uma matéria sobre uma obra que estava sendo feita na capital. Gostei tanto dos capacetes laranjas dos engenheiros de lá, quis usar um do fundo do coração. Depois que entendi melhor o que era Engenharia Civil. A vontade apenas aumentou.
— Não. — tomei um gole da cerveja. — Não vou desistir.
— Que bom. Mais da metade da minha turma desistiu. O Cálculo assusta todo mundo.
— E a Física.
— E Física. — ela repetiu com um sorriso torto. — Geralmente quem sai é porque entrou por causa daquela velha pressão familiar para entrar em um curso com status.
Pura verdade.
— E o teu semestre? — retornei a pergunta.
— Assim né, a gente entrega na mão de Deus e vai.
Gargalhamos.
— É sério que não sabe pra onde foi o Pedro? — ela puxou tema “Pedro” novamente.
— Não, não sei. Pedro é meio imprevisível. Nunca fala para onde tá indo.
Ela soltou um suspiro.
— É, imprevisível ele é.
Eles brigaram no dia do churrasco, recordei. Pedro jorrou merda machista pela boca quando falou da vida sexual de Jéssica. Como se ele fosse um santo. Jéssica se vingou e se vingou muito bem, soltando tudo o que Pedro necessitava ouvir. Mas para mim, nem Jéssica estava certa, nenhum dos dois. Não havia necessidade daquilo na frente de toda a faculdade.
— Eu não ligo que achem que sou vadia. Foda-se, morram, pelo menos tô gozando. — Jéssica resmungou. Céus, ELA ESTAVA BÊBADA REALMENTE. — Mas o Pedro... É diferente. Dói, sabe?
Assenti. Eu conseguia ter uma ideia. Todo mundo na universidade achava que Jéssica era uma vadia. Ela transava e pronto. E a questão do momento era que comentavam que ela ficava com os professores já que suas notas não eram nada ruins. Sabe, o velho estereótipo de que mulher bonita não é inteligente. O foco era o Sanches, o professor de Física.
— Eu não acho isso.
— Fala isso porque tá na minha frente. — ela revidou.
— É sério. Quem fala isso de ti, tá doido de vontade de te pegar. Ou então, tá com uma puta inveja.
Ela fixou os olhos claros nos meus. Era interessante que eles eram só claros, não se podia definir uma cor, se eram cinzas, verdes ou azuis.
— Obrigada, Caio.
Não era uma gentileza para que eu recebesse um “obrigada”. Era um fato. Apertei minha Skol entre os dedos, sem muita noção do que falar agora. Entretanto, impossível falar algo. De repente senti um tapinha estilo hétero nas minhas costas. Eu conhecia esse tapinha. Não era de alguém hétero. Olhei para trás. Nick.
— Será que estou atrapalhando o casalzinho aí?
Crush número 10: Nick.
Status do nosso relacionamento: complicado.
Breve panorama histórico de nós dois: nos conhecemos em uma festa de Sociologia — ou Ciências Sociais, que seja. Transamos na semana seguinte e a partir de então com certa frequência em motéis por aí, escondidos no bloco da Geologia, antes das aulas... Enfim. Eu acabei gostando mais do que devia. O sexo que Nick proporcionava não era um sexo normal. Até mandei uma proposta de namoro, “tudo nos conforme”. O problema é que enquanto eu nutria sentimentos sérios, ele não dava a mínima. Eu estava cansando. Não sou brinquedo de ninguém.
— Oi, Nick. — eu disse. — Jéssica, esse é o Nick, um amigo meu de Letras, Nick, essa é a Jéssica, minha veterana.
Ele soltou um sorrisinho sarcástico que gritava: “tem certeza de que sou só seu amigo?”.
— Olá. — Jéssica cumprimentou. — Hm, vou deixar vocês. Só vim comprar a cerveja mesmo.
E sumiu. Nick ocupou seu lugar. Fitei-o por uns segundos. Vestia uma calça caramelo demonicamente apertada na bunda com uma camisa azul de botões manga curta, acompanhadas de uma bota vermelho-vinho. Exalava a marcas caras. Pedro adoraria.
— Não respondeu minhas mensagens.
— Perdi meu carregador. — respondi.
Meu celular apitou mensagem no bolso. Nick baixou o olhar.
— Que bom que usou o carregador de outra pessoa.
Grunhi. O ruivo sorriu, o pior era que não se importava nem com minha mentira. Somente queria sexo. Logo escorreu a mão fina para a parte interna da minha coxa com o máximo de discrição. Apertei os lábios com raiva de mim mesmo por estar cheio de vontade de simplesmente dar o que me pedia com tanta manha.
— Perto do estacionamento tem um lugar legal... Eu te espero.
Revirei as órbitas. Nick piscou e saiu.
— Filho da puta. — murmurei sozinho.
Aguentei cinco minutos e o segui. Encontrei-o encostado a uma árvore nos limites do estacionamento. Sem pensar muito, na verdade sem pensar de jeito nenhum, beijei-o e agarrei seu corpo, guiado pelo tesão cru. Ele rapidamente desceu meu zíper, enfiando em seguida a mão dentro da minha cueca. Então, se abaixou. Cerrei os punhos no instante em que colocou meu pênis na boca.
— Alguém estava com saudade de mim. — provocou.
— Vai s...
Sua língua me interrompeu. Tentei prender o gemido, mas fracassei. Ele só riu e continuou até que eu gozasse. Gotas de suor molharam minha camisa.
— Que ia dizer mesmo? — indagou irônico.
— Eu vou embora. — ajeitei minha roupa. — Pra que fazer isso comigo, Nick?
— Se for mesmo. — ele levantou. — Saiba que isso é só um aperitivo.
— Eu tô cansado de ti, tá bem? Tô cansado do jeito que me usa dessa maneira, caralho!
Ele suspirou, fez um biquinho e checou as unhas.
— Tava doido pra dar.
— Dá pra outro.
— Gosto do teu pau.
Movi os lábios para mandá-lo pra puta que pariu, todavia, a lembrança de Nick e eu atrás do prédio da Geologia em uma manhã semanas antes caiu subitamente nos meus pensamentos. Foi ele quem insinuou uma possível relação de Pedro e Gabriel. De que modo descobriu, sabe-se lá. Não tinha nenhuma dúvida pelo que eu conhecia do jovem que ele quem teria começado com a fofoca.
— Foi você.
— O que tem eu?
— Tem uma fofoca rolando nesse campus sobre o Pedro e o Gabriel serem gays. Foi você quem começou.
Ele estalou os dedos.
— Que absurdo, o que não falta é gente fofoqueira nessa universidade.
— Para, Nick. Foi você. Por que fez isso? Como soube?
Por que não perguntei isso antes? Por que não percebi que Nick faria isso?
O garoto ajeitou os fios de cabelo vermelhos.
— Que chato isso. Tá... Tenho uma listinha, um: não suporto gays enrustidos que se fingem de héteros enquanto eu que sou o afeminado, o gay que dá pinta sofro toda a homofobia daqui, dois: Gabriel magoou minha amiga, três: teu amiguinho, o Pedro, é idiota demais.
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