Notas iniciais
Mais suspense e emoção a caminho...

ANTES

Não. Só pode ser brincadeira. Marinette se esquece completamente da dor do corte e fica paralisada, olhando Adrien dentro de Cat Noir. Por um momento ela não se dá conta de que ele a fita com o memo espanto escancarado. Ele a enxerga bem agora, e ela definitivamente não é uma deusa distante… é apenas sua colega de classe, sua amiga, sua…

“MyLady?”

Ela tenta ficar de pé e geme de dor. Finalmente ele encontra o interruptor e acende a luz do quarto. Eles continuam de máscara, e assumem que não há mais nada a esconder.

“Gatinho?…”

Um sorriso maroto começa a despontar no rosto de Adrien, e Marinette percebe o quanto ama aquela boca torta e debochada.

“Não posso acreditar… você?”

Ele dá um giro com as mãos erguidas e começa a rir. Ela não podia imaginar o alívio que ele estava sentindo por descobrir que de fato não amava duas pessoas ao mesmo tempo.

Ela contudo está novamente com aquela sensação no baixo ventre. A risada dele, rouca e deliciosa, invade-a como a bola de fogo do taxista morcego que haviam combatido mais cedo. Sente seu rosto aquecer-se novamente e tira a máscara, o que faz a sensação piorar porque agora, sem a máscara, ela se sente nua.

Ele olha novamente pra ela e vê o rubor. "Quer saber? foda-se!” Com um movimento rápido, ergue-a do chão e enfia a língua em sua boca.

——-

“Marinette? Filha? Chegamos!”

Sabine começa subir as escadas, mas pára no meio ao ouvir uma buzina. Desce de novo e abre a porta da rua. Uma Limousine está parada a 45 graus em frente à sua casa, já que não há espaço suficientemente para estacionar corretamente.

No quarto, Adrien ouve a buzina e levanta-se afobado, procurando sua camisa no meio da bagunça de roupas e cacos de vidro. Marinette engancha novamente as alças de sua jardineira implorando para que o vermelho em sua face se dissipe antes que sua mãe entre no quarto. Nesse momento Sabine abre a porta e fica paralisada.

“Mas o que foi que aconteceu aqui?”

Ela olha em volta. Uma cadeira tombada, cacos de vidro no chão ao lado de uma luminária quebrada e roupas por todos os lados.

“Eu caí do banco”

“Eu derrubei as roupas”

Ambos tentam falar ao mesmo tempo e Sabine, em sua sabedoria maternal interrompe-os com doçura.

“Adrien, o carro o espera la fora. Poderia me deixar a sós com minha filha, por favor? Até breve!”

Adrien fica completamente desarmado com a delicadeza dela e sai do quarto com um aceno de cabeça e sem uma palavra. Não consegue sequer olhar para Marinette a fim de se despedir.

Sozinhas agora, Sabine pega as mãos da filha e senta com ela na cama.

“Filha… tem algo que queira me contar?”

Marinette enrubesce novamente. Que droga, ela não conseguia controlar aquilo?

“Mãe, é sério. Eu estava provando um chapéu no Adrien e me desequilibrei do banquinho, derrubando a luminária. Ficou tudo escuro e começamos a tropeçar nas coisas pelo quarto, por isso está essa bagunça. Eu até cortei meu pé” ela levanta-o para que a mãe possa ver o corte, já com sangue seco.

Sabine olha pra ela com muito amor e pergunta novamente.

“Filha… tem algo que queira me contar?”

Marinete devolve o olhar de forma profunda e finalmente deixa cairem as defesas. Deita a cabeça no colo da mãe e libera as lágrimas de frustração e confusão. Sabine acaricia seus cabelos.

“Mãe… é possível amar uma mesma pessoa de duas maneiras completamente diferentes?”

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AGORA

Ambos estão no loft de Adrien. Ele se apoia numa grande janela observando o sol que já começa a clarear o horizonte, recortado por construções ainda dormentes. Ele gostava daquele momento: o intervalo entre a noite e o dia. Um silêncio peculiar paira sobre a cidade, sendo aos poucos dissipado por um farfalhar de vida causado pelos madrugadores.

M sai do banheiro anexo enrolada numa toalha. Os cabelos chegam no meio das costas, molhados e lustrosos. Ela observa nas costas de Adrien uma pequena cicatriz perto da cintura. Só era possível enxerga-la porque sabia que estava ali. Adrien devia ter feito algum tipo de plástica para escondê-la, mas ela sempre a encontraria, porque fora ela quem o marcara.

“Podemos conversar?”

“Sobre o que quer falar?” ele responde sem se virar. Ela deixa a toalha sobre uma cadeira e começa a vestir-se. Não há nenhum resquício daquela antiga timidez nela, que não se constrange nem um pouco em ficar nua na frente dele, mesmo porque ele não parece muito interessado no momento.

“Eu procurei por você… por um ano!”

Ele vira-se a tempo de ver rapidamente a lingerie rosa sumir sob o vestido escuro. Um pedacinho de Marinette, ele pensa. Mas ela não usava soutien. Ganhara de fato novas curvas, lindas por sinal. O rosto está mais alongado, e mesmo com mais curvas, ela está magra.

“O que aconteceu com você, Lady?”

Ele parece não tê-la ouvido ha pouco.

“Eu procurei você por um ano inteiro. Eu não sabia o que fazer, você tinha… desaparecido.”

“Imagina então como fiquei quando você também sumiu…”

“Eu achei que você nunca mais voltaria, porque estava morto!”

“E eu sabia que você nunca mais voltaria… porque estava viva!”

O silêncio paira de novo, como uma teia de aranha, incômodo e palpável.

“Você tem alguma noção do que foi acordar e saber que você tinha partido? Eu te procurei em cada maldito canto dessa Paris, como um… gato vira-latas! Cada roupa vermelha que eu via me fazia lembrar você! Cada vez que eu olhava o céu… eu via seus olhos! Eu…”

Ele engole as próximas palavras. Lembrar o tormento foi como revivê-lo.

“Adrien… e você poderia imaginar o que foi acordar, depois de pensar que o tinha... ferido?... Eu não queria acordar nunca mais.”

Ele lembra-se do quanto a ama, do quanto sonhara em vê-la novamente. Aproxima-se e a abraça.

“Ajude-me a entender, Lady… o que realmente aconteceu naquela noite?”

Ela não queria reviver tudo, mas engoliu o bolo que se formava em sua garganta, respirou fundo e sentou-se com ele no imenso sofá. Pausadamente e sem drama, ela começa a contar:

“Tudo começou quando você descobriu que o seu pai era o Hawk Moth…”

Notas finais
Uau, surpresos!