Itsumo Yakusoku
67 Capítulo 67 - Welcome Home
Não importa o quão longe eu estou, há um lugar para onde eu posso sempre voltar
Com toda a minha força, eu vou segurá-lo em minhas mãos. Há uma cidade que está esperando por mim
Este lugar é meu tesouro, é por isso que eu posso fazer o meu melhor
Eu sei que já chorei, mas agora, um poder cálido está correndo em mim
Eu posso ir ainda mais longe do que isso!
Não há nenhuma maneira de eu não conseguir superar isso!
Eu acredito nisso! Acredito que manterei meus olhos sempre fixos somente nele
Capítulo 67
~
Welcome Home
Adentrando os portões da casa que ele pensou que nunca mais veria, Nagihiko se sentiu desconfortável. Porque aquele lugar já não emanava mais o mesmo sentimento, e ele não pensava nessa como a sua casa. Não havia qualquer resquício daquela sensação de proteção e conforto de estar em seu lar, e ele sabia que seria assim. Conseguia imaginar bem o que seu pai tentaria dizer a ele, mas estava resoluto de sua resposta, e entrar novamente naquele lugar só reforçou o que ele já sabia.
Ao chegar na sala principal da casa, sem ter encontrado ninguém, nem mesmo seu primo, pelo caminho, ele se deparou com uma situação um tanto mais complicada do que imaginara a princípio. Além de seu pai, esperando por ele, estava sentada logo ao lado dele sua mãe. Ela mantinha a mesma expressão áustera e irredutível de quando o expulsou daquela casa, e ele sentiu algo pesar em seu coração. Não queria passar por aquilo novamente.
— Nagihiko, meu filho, sente aqui. Eu preparei o seu chá favorito. — seu pai continuava tão calmo como sempre havia sido. Ele nunca demonstrou qualquer opinião, a favor ou contra, as decisões que ele tomara ao longo da vida, mas
parecia que havia chegado a hora de posicionar-se. Nagihiko obedeceu ao pedido, ainda que relutante. Não ousou olhar na direção da sua mãe, enquanto sentava-se perfeitamente ereto, da maneira que havia sido ensinado desde que era uma criança pequena, á frente da mesa baixa de madeira. Atsushi serviu chá aos três, tranquilamente, como se aquela fosse somente uma reunião de família comum.
— Pai… o que você queria falar comigo? — ele não conteve a pergunta. Se pudesse resolver aquele assunto rapidamente e voltar para casa o quanto antes, melhor seria.
— Não era exatamente eu a querer falar com você, filho, mas sua mãe. — ele respondeu, com um sorriso indulgente. Nagihiko não conseguiu evitar o semblante de choque que passou pelo seu rosto. Fitou sua mãe rapidamente, e ela não parecia dar qualquer sinal de que o que Atsushi dizia era de fato real.
— Eu não consigo imaginar nada que ela queria me falar que já não tenha dito. Na verdade, ela já foi bastante eloquente da última vez que eu estive aqui, meses atrás. — ele respondeu, com amargura reprimida. Ele poderia estar indo bem, mas as feridas causadas pelas palavras da sua mãe jamais cicatrizariam totalmente, isso era certo.
— Nagihiko! — Kaoruko ameaçou se impor, e começar a gritar, mas com um gesto apaziguador de Atsushi, ela engoliu seu protesto, e voltou a ficar em silêncio.
— Primeiro, nós queríamos parabenizar sua entrada na faculdade. — Atsushi anunciou, com um sorriso de orgulho, genuíno. — Você já é um adulto, e eu lamento profundamente não poder estar presente na sua graduação, e agora, nesta nova fase da sua vida. Este momento nos fez pensar muito, sobre as decisões que temos tomado, como família. — ele olhou para a esposa, esperando que ela se pronunciasse. Ela parecia estar se esforçando demais para engoliu o orgulho, e dizer alguma coisa.
— A faculdade que você entrou não era exatamente o que eu queria para você. — ela começou a falar, e Nagihiko se preparou para o pior. — Nada na sua vida atual, aliás, me agrada. Absolutamente nada. Não foi o que eu sonhei para você. — Sim, críticas. Se era por isso que ele veio, teria sido melhor nem ter se incomodado. Nagihiko se preparou para erguer-se dali, e pedir desculpas ao seu pai, mas ele o segurou, pedindo com apenas um olhar, por paciência.
— Eu sei disso. — ele murmurou então, secamente.
— Mas… — o tom de voz dela falhou, por um breve segundo. Nagihiko ergueu os olhos, surpreso — Esse tempo que você passou longe, fez com que eu pensasse muito. — Ela respirou fundo. Cada palavra parecia pesar uma tonelada, e ela precisava se esforçar para colocá-las para fora. — Seu pai disse muitas coisas. Ele foi muito enfático… — ela parecia especialmente desagradada ao mencionar isso.
— Bem, — foi a vez dele se pronunciar, percebendo que sua esposa precisava de uma introdução para chegar exatamente ao ponto — Você deve imaginar por que nós o chamamos aqui, Nagihiko…
— Na verdade, eu não faço ideia. — ele respondeu, sinceramente.
— Queremos que você volte a morar conosco. Somos uma família, afinal, e o seu lugar é aqui. Não importa o que você tenha feito, ou dito, ou os erros que todos nós cometemos. Sempre amaremos você. Não é mesmo, Kaoruko? — ele
insistiu.
— Sim. Eu ainda sou sua mãe, Nagihiko, apesar de tudo aquilo que disse… eu espero que entenda, os meus motivos para querer proteger você, e desejar que você tenha o melhor futuro que poderia. Nenhuma mãe quer ver seu filho passar por dificuldades. E eu admito que fui um tanto cruel com as palavras…
— Cruel? — Nagihiko indagou, indignado — Você disse que eu não era mais seu filho! Que era como se eu nunca tivesse existido.
— Eu nunca quis dizer isso! — ela bradou, defensivamente. Atsushi olhou de um para o outro. Ele não sabia daquela parte da conversa.
— Mas disse! E eu nunca vou esquecer dessas palavras. — Nagihiko a encarou profundamente nos olhos iguais aos seus, sem jamais hesitar. — Se você me chamou aqui apenas para tentar fingir que isso nunca aconteceu, e fazer as coisas serem como eram antes, então pode esquecer. Eu não vou voltar a mentir para ninguém, nem por você, nem por mim mesmo. E quer saber de uma coisa? Minha vida tem sido ótima desde que eu fui embora! Não há ninguém me pressionando ou exigindo nada de mim, eu posso ser livre para estar com as pessoas que eu amo, e eu não preciso fingir nem enganar ninguém. Eu estou muito feliz, se é que isso interessa a você.
— É claro que interessa, filho ingrato! Sua felicidade sempre esteve nos meus pensamentos — ela replicou. Kaoruko nunca havia sido boa em expressar sentimentos pessoais, e isso estava se voltando contra ela naquele momento. Nagihiko notou algumas lágrimas ameaçando escapar nas bordas dos olhos sempre muito bem maquiados, e engoliu em seco. Dessa vez, ela parecia estar sendo sincera. — E eu tive muito tempo para pensar, nesses dias… quero que você volte para cá, seja da maneira que for. Eu quero meu filho de volta!
— E você é capaz de aceitar o filho que tem? — ele desafiou. Ela hesitou por um breve momento, e desviou o olhar. Por fim, suspirou, fechando os olhos e franzindo as sobrancelhas com força.
— Se essa é a sua condição, não há nada que eu possa fazer. — ela disse de uma só vez.
— Mesmo? — o tom de voz de Nagihiko alterou-se em um instante, tornando-se esperançoso pela primeira vez. — Então você vai aceitar o Tadase-kun também? — Ver como ele pareceu mudar de um momento para o outro, apenas de citar o nome daquele garoto, diante dos seus olhos, fez doer o coração de Kaoruko. E mais uma vez ela teve a confirmação de que não havia nada que pudesse fazer para mudar isso.
— Como eu disse, não tenho alternativa. — ela suspirou mais uma vez. — Se esse é o esforço que tenho que fazer para estar novamente na sua vida, Nagihiko, então eu farei. Nunca fugi de nenhum obstáculo, em toda a minha vida, e não
será agora que farei isso.
— O que sua mãe está querendo dizer, com essas palavras duras — Atsushi resolveu intervir, antes que Kaoruko começasse a falar coisas desnecessárias e colocasse tudo a perder. — É que nós deliberamos, e percebemos que o seu sentimento por Tadase é real, e nunca irá mudar. E que nós estavamos fazendo tudo errado, e o afastando, quando deveríamos estar apoiando você, nessa fase nova da sua vida. Não importa o quanto você mude, as escolhas que faça, onde ou com quem você esteja, Nagihiko, você sempre será nosso filho.
— P-pai… — Nagihiko queria dizer alguma coisa, qualquer coisa, mas sua voz ficou presa na garganta, com as lágrimas que ameaçavam vir à tona agora. Ele não queria chorar, mas seu corpo tremia contra sua vontade, e ele não sabia o
quanto seria capaz de segurar. Atsushi se aproximou, e sem aviso, trouxe o filho para os seus braços, deixando que ele se consolasse o quanto precisasse. Devia ter sido assim desde o início.
— Eu nunca quis que você fosse embora daqui. Quando cheguei em casa e percebi o que havia ocorrido, queria te buscar no mesmo instante. — ele confessou, afagando a cabeça do filho — Mas percebi que você já era adulto o suficiente para tomar essa decisão por si mesmo, e conduzir a sua vida sozinho. — Nagihiko se afastou ligeiramente, fitando o pai, e secando as lágrimas. — E se você é capaz de tomar conta de si mesmo, sabe o que deve ser feito, e nós já não temos mais o direito de decidir por você.
— Mesmo que nós tenhamos certeza de que você está errado. — Kaoruko fez o favor de complementar — Não é nossa responsabilidade mais. — ela relaxou um pouco a sua expressão, e pareceu desistir, de alguma forma, de manter a pose,
mesmo que por alguns instantes. — Nós queremos participar da sua vida, Nagihiko. Mesmo como somente espectadores. Não vá embora, por favor. — ela ergueu os olhos, e o encarou diretamente, afinal. Era a primeira vez que Nagihiko ouvia aquelas palavras vindo de Fujisaki Kaoruko. Era a primeira vez que ouvia sua voz tão branda, e aparentemente tão frágil. Quase suplicante. Nunca poderia imaginar que chegaria o dia que a veria implorar por algo, e ainda mais, que isso fosse pela sua presença. Nagihiko resolveu se aproximar dela; inesperadamente, sentia que desde muito tempo atrás, quando era uma criança, não a via daquela forma. Como uma mãe, de verdade.
— E você vai ser capaz de suportar isso? Sabe, eu não estou disposto a esconder mais nada, e as pessoas irão comentar, certamente. — ele afirmou, resoluto. Ela certamente não achava essa opção agradável, mas conteve qualquer comentário que desejasse expor naquele momento.
— Não importa. Nenhuma dessas pessoas importa para mim, realmente. Eles irão comentar, de um jeito ou de outro, com você aqui ou longe daqui. Prefiro que seja com você aqui. — ela admitiu, por fim. Segurou-o pelos ombros, afagando de leve seu rosto. Kaoruko nunca havia sido uma mãe excessivamente carinhosa ou que desse demonstrações disso, nesse ponto, ela era estritamente tradicional. Mas Nagihiko sentia falta desses breves momentos em que ela se permitia baixar a guarda, e ser mais espontânea. Não admitia isso com frequência, pois era tão orgulhoso quanto ela, mas sentia falta disso tudo. — Veja bem, eu não irei pedir perdão por tudo o que disse, e você sabe bem qual a minha opinião sobre isso. — ela voltou a fitá-lo de maneira rigorosa. — Só peço que seja discreto, e não comente sobre esse assunto perto de mim. Tratarei Hotori Tadase como qualquer um dos seus amigos, e isso já é muito mais do que você poderia desejar. Acredita que seja o suficiente?
Nagihiko sorriu, de leve. Era como se um peso enorme tivesse sido retirado das suas costas. Um peso que ele nem sabia que estava carregando, esse tempo todo. Sim, isso era muito mais do que ele poderia desejar.
— Sim, é o suficiente. — Ele não se importou, e rodeou os braços ao redor de sua mãe. Ela pareceu extremamente surpresa por isso, e ainda que sem jeito, retribuiu ao abraço. Atsushi riu da situação. — Obrigado, mãe. Mas… hm, tem
uma coisa.
— O quê? — ela indagou, franzindo os olhos, ao se afastar.
— Não vou voltar a morar aqui nessa casa.
— Por quê? — ela pareceu aturdida. — Eu já disse que vou tentar aceitar, não disse? O que mais você quer de mim?
— Não é por isso. Eu entendo, e fico muito feliz pela sua decisão, mãe. Mas… acho que meu lugar não é mais aqui. Eu estou indo bem, morando sozinho, gosto de ter meu espaço, e já estou conseguindo pagar o aluguel para a Utau, já não moro lá como um favor. O apartamento fica perto da estação de metrô, e é muito mais perto da universidade do que aqui. — E além disso, Tadase podia ir e vir quando quisesse, sem precisar se preocupar com nada, Nagihiko pensou, mas não disse esse benefício em voz alta, é claro. — Eu estou até juntando dinheiro para procurar por um lugar mais perto ainda, e um pouco maior.
— Eu soube que você está trabalhando em um moquifo, de péssimo gosto. — ela comentou com extremo desagrado.
— Confesso que trabalhar no Ikuto não é o emprego dos sonhos, mas ele me paga muito bem e não é desagradável por completo. — ele argumentou — E semestre que vem, estou planejando me inscrever como estagiário do estúdio de dança da universidade, ganharei um pouco menos, mas vai ajudar no meu currículo.
— Nagihiko… — Kaoruko parecia pronta para dar outro ataque, e trazer o filho de volta, nem que precisasse arrastá-lo pelos cabelos, mas novamente, Atsushi interviu antes que ela estragasse tudo.
— Nós decidimos que não vamos mais interferir na vida dele, não foi? — ele lembrou. Kaoruko mais uma vez engoliu suas palavras, e assentiu, em relutante silêncio. — Então, filho, o que acha de ao menos voltar a trabalhar aqui? As alunas sentem sua falta, e você é um ótimo professor. Precisamos de você aqui.
— Podemos pagar o seu salário, e você trabalha nos horários opostos às aulas. — Kaoruko propôs. — Não gosto dessa ideia de você não ter dinheiro para se manter.
— Eu estou indo muito bem, mas obrigado pela preocupação, mãe. — Nagihiko entoou em um tom parcialmente provocativo, sorrindo novamente — Vou aceitar sua proposta. Eu gosto de trabalhar aqui. Prometo que venho visitar muitas vezes, também. E se vocês quiserem, podem conhecer a minha casa, e confirmar isso com seus próprios olhos.
— Faremos isso. — Kaoruko afirmou, erguendo-se — Agora, se me dão licença, eu tenho alguns assuntos para cuidar.
Nagihiko… — ela baixou o olhar para o filho, parecendo medir as palavras. — Temos um acordo, então?
— Sim, temos.
Ok, não era o reencontro emocionante e afetivo que seria de se esperar, mas já era algo. Nagihiko viu sua mãe sair apressada da sala, sem olhar para trás, e sabia que estava tudo bem. Ela nunca foi a pessoa mais expressiva e ele não
esperava que ela tivesse mudado tão drasticamente, também.
— Ela está feliz, só não quer que você a veja desabando… — Atsushi aproximou-se do filho, surpreendendo-o — Desde que você foi embora, ela não teve um único dia tranquilo. Estava sempre estressada, afastando-se e quando ninguém estava vendo, trazia uma expressão tão triste… Às vezes, passava horas sozinha, no seu quarto. Durante a noite, ela acha que eu não percebia, mas ela chorava. Nagihiko não esperava por aquela revelação. Sua mãe sabia esconder tão bem quanto ele como se sentia na realidade.
Eram mãe e filho, afinal.
— Espero que você a perdoe. — ele disse em voz mais baixa, sinceramente.
— É. Eu também…
~
Nagihiko subiu as escadas para o seu apartamento, e logo ao abrir a porta, estranhou o fato de ouvir barulho. Parecia a televisão ligada. Ele tinha certeza de que havia desligado tudo antes de sair. Tirou os calçados na entrada, adentrou a sala e sorriu ao ver Tadase em seu sofá, parecendo apreensivo, com os olhos direcionados para a tela da pequena televisão, embora não estivesse prestando a menor atenção ao programa de variedades que passava ali. Ele
esfregava as mãos uma na outra e balançava uma das pernas frenéticamente, em evidente apreensão.O maior sorriu para si mesmo, sabendo exatamente o motivo da aflição do outro. Havia contado a ele que marcara uma visita à sua casa, e ele provavelmente não teria nem dormido, pensando sobre isso. Ele foi se aproximando silenciosamente, com os pés descalços, por trás do sofá que ficava virado de costas para a entrada. Inclinou-se na direção do menor, que permanecia distraído, alheio à sua aproximação, e quando chegou perto o suficiente, apenas assoprou em sua orelha.
— Aaah! — Tadase jogou-se para o lado oposto, sobressaltado como um gatinho assustado. Nagihiko não pode evitar de rir, mesmo depois de já ser praticamente um adulto, ele ainda tinha reações tão espontâneas… e fofas. — Nagihiko!! Por que fez isso?! Me assustou!
— Eu não resisti. — ele fez a volta e sentou do lado de Tadase, trazendo-o para perto, embora ele relutasse, parecendo irritado pela brincadeira, embora Nagihiko soubesse que ele não estava de verdade. — Você parecia tão nervoso…
— É claro que estou nervoso! — ele replicou. — Você me contou que ia visitar seus pais de novo, e esclarecer as coisas, eu fiquei pensando um milhão de coisas sozinho! Não aguentei ficar em casa e vim esperar você aqui, espero que não se importe…
— Claro que não, foi para isso que eu te dei uma chave. — ele respondeu, sorrindo para tentar acalmá-lo — Mas não havia motivos para ficar tão nervoso, afinal…
— Como não! — Tadase continuava com os ânimos exaltados, mas deixou que Nagihiko o abraçasse, e deitou em seu peito, acomodando-se. — Você ia ver seus pais, depois de tanto tempo… Pensei que sua mãe iria aproveitar para prendê-lo naquela casa, ou colocar algo na sua comida para você dormir, e colocá-lo no primeiro avião para, sei lá, a Noruega! Ela poderia fazer qualquer coisa!
— Bem, eu confesso que também esperava por isso. Pensei que meu pai só queria conversar comigo, tentar me convencer a voltar, mas não foi nada disso.
— Não foi?
— Primeiro, minha mãe realmente estava lá, junto.
— Foi o que eu imaginei. — Tadase comentou, mais para si mesmo.
— Mas ela apenas queria conversar. De verdade.
— O que? — Tadase ergueu a cabeça, fitando — Ela não queria que você terminasse comigo e voltasse para casa?
— Ela realmente queria que eu voltasse para casa… — ele começou — mas com a condição de que nos aceitaria. E não tentaria mais nos separar.
— De verdade?! — Tadase pulou no colo de Nagihiko, sentando-se, com os olhos arregalados de surpresa — Quer dizer que… ela nos aceitou?
— De certa forma, sim… Meu pai foi mais tolerante, mas ela apenas disse que não tentaria mais invadir a minha vida nem interferir em nada, e que aceitaria tudo, desde que não fosse na frente dela…
— Posso entender essa condição dela. — Tadase assentiu para si mesmo. — Eu acho que isso é bom, não é? Você está feliz?
— Acho que sim… ainda não consegui absorver bem a ideia, e não sei como minha mãe vai agir daqui para frente, mas isso já foi um progresso imenso. — ele ponderou — Então, eu aceitei voltar a trabalhar com ela, dando aulas para as
meninas mais novas.
— Então você vai sair da Nyanderful? — Tadase não podia negar que isso o deixava aliviado. A ideia de Nagihiko usando vestidos curtos e sendo assediado diariamente por compradores pervertidos nunca o agradou por inteiro.
— Sim, eu já tinha falado com Ikuto sobre isso, por causa do estágio semestre que vem, então está tudo certo.
— Mas você vai voltar a morar com seus pais? — Tadase indagou. Estava sinceramente feliz por Nagihiko, e por seus pais terem aceitado ele de volta, mas não sabia se teria coragem de visitá-lo naquela casa, e encará-los diretamente, ao menos não tão cedo.
— Não. Eu gosto de viver aqui, gosto de ter minha casa. — ele respondeu. — E além disso… — sorriu de canto, erguendo a mão para acariciar a face de Tadase, e trazê-lo para mais perto — Se eu voltasse a morar lá, não teríamos mais a
privacidade que temos aqui. Disso eu não abro mão…Tadase se deixou levar, inclinando-se na direção de Nagihiko, quase inebriado pela sua voz e o seu toque. Seus lábios se roçaram, ligeiramente.
— Então está tudo bem? — Tadase perguntou, entre um beijo e outro, sentindo a mão de Nagihiko adentrar pelo seu suéter, e causar um arrepio intenso. Movimentou-se sobre ele, ajeitando-se melhor, e envolvendo seu pescoço com os braços, entrelaçando os cabelos longos em seus dedos, como amava fazer.
— Perfeitamente bem. — ele respondeu em um sussurro, tomando os lábios de Tadase de vez, e deitando para trás no sofá, trazendo-o junto consigo.
Tadase escondeu o rosto no pescoço de Nagihiko, abraçando-o com mais força.
— Eu estou tão feliz que tenho até medo. — ele confessou, estremecendo — Está tudo dando tão certo, certo demais… e se alguma coisa ruim voltar a acontecer?
— Shhhh… Não pense nisso. — Nagihiko o afagou, segurando seu rosto para poder fitá-lo diretamente, encarando os olhos escarlate que amava mais do que tudo — Nada de ruim vai acontecer, vamos apenas aproveitar a nossa felicidade. Nós esperamos muito por isso. E então, se alguma coisa ocorrer, eu sempre estarei aqui, certo? E nós enfrentaremos o que for, como sempre foi, juntos.
Tadase sorriu, sentindo lágrimas acumulando-se nos seus olhos, mas não as deixou saírem. Nagihiko tinha toda a razão.
Ele o agarrou, beijando-o com vontade, desejando esquecer todos os pensamentos pessimistas que ousavam aparecer.E naquele momento, ele realmente esqueceu. Nos braços de Nagihiko, sentindo seu calor, seu perfume, sua presença junto a si, enquanto amavam-se sem restrições, ele teve a plena certeza de que a felicidade de agora era plena e completa. E não pensaria no amanhã.
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