Itsumo Yakusoku

68 Capítulo 68 - Make My Day!


Notas iniciais
https://www.letras.mus.br/piko/make-my-day/traducao.html Make My Day! - Piko

O que estou procurando enquanto corro pelo meu caminho?


Mais um pouco, está carregando

Mesmo em espera estou sonhando

Sem freios, vou viajar 100 anos ao futuro


Vou levá-lo de forma esgoísta! Se eu conseguir, serei invencível!

Me tornarei mais forte, mais forte


Juntando cada pedaço de cada palavra em meu coração

Juntando-os em uma forma definitiva

. Já está quase na hora...

Então eu digo, um caminho, dois caminhos, três caminhos, quatro caminhos

Vá pelo caminho! Vá pelo caminho!

Venha você! Faça o meu dia!

Isso é difícil?

Um caminho, dois caminhos, três caminhos, quatro caminhos

De jeito nenhum! De jeito nenhum!

Hora de dizer adeus, dia ruim!

Só faça o que você quiser

O futuro, suas esperanças, seus medos

Você não precisa de uma resposta para nada disso

Com um passo de cada vez

Siga o caminho que você acredita

Me sinto tão feliz com o vento soprando em cima de mim
De onde ele está vindo?

Eu vou destruir o redemoinho do destino

Que está me levando para baixo

Capítulo 68

~

Make My Day


Conforme o combinado, Nagihiko voltou a frequentar a residência dos Fujisaki, apenas para dar aulas de dança, pois não tinha realmente nenhuma pretensão de voltar a morar lá, ainda que sua mãe tentasse tocar nesse assunto de vez em quando. Nagihiko ficou realmente surpreso ao ver o quanto as alunas sentiram falta dele. Aparentemente nenhuma delas aguentava o treinamento espartano de sua mãe usado nos ensaios.


Antes disso, teve que avisar a Ikuto que deixaria de trabalhar na loja dele, é claro, o que deixou o mais velho mais cabisbaixo do que ele imaginara. Ikuto sabia que Nagi deixaria a loja em breve, mas não imaginou que seria tão cedo.
Ele fez uma grande cena dramática, que até fez Tadase ficar com pena dele, pois estava junto de Nagihiko na ocasião, mas este logo o advertiu, avisando que Ikuto estava apenas exagerando fazendo todo aquele drama. E, depois de algum tempo tentando acalmar Ikuto, este enfim conformou-se com a partida de seu melhor (e único) empregado, ainda que à contragosto.


Mas o que realmente surpreendeu Nagihiko foi que, cerca de duas semanas depois, Tadase lhe contou que, de alguma forma, Ikuto tinha conseguido convencer Rima a trabalhar no lugar dele. Nagihiko quase cuspiu o suco que bebia enquanto o loiro contava que, no momento, ela estava ajudando apenas a empacotar os produtos da loja, arrumar prateleiras, ajudar com a contabilidade do orçamento e coisas do tipo, e que Ikuto ainda não tinha conseguido convencê-la a vestir as fantasias da loja, assim como Nadeshiko costumava fazer, mas que estava determinado a fazer isso, nem que fosse uma roupa de maid. Nagihiko parou por um instante para imaginar como seria isso. Rima
provavelmente ficaria bem em uma roupa de maid, com aquela aparência loli. E tinha ficado realmente curioso para saber como Ikuto havia conseguido a façanhha de convencer Rima a trabalhar lá... fez uma nota mental de passar na
Nyanderful mais tarde para desvendar este mistério.


No entanto, não apenas Nagihiko, mas todos os seus amigos, tinham outras prioridades agora. As novas matérias que estavam estudando, que aparentavam ser fáceis no primeiro dia de aula, mostraram-se bastante complicadas com o passar do tempo, e eles tiveram que aturar Kukai dizendo "Viram só? Eu avisei que era difícil!" durante semanas. Todos passavam a maior parte do tempo ocupados, estudando para testes e provas, ou fazendo trabalhos e pesquisas. Estavam tão atarefados que mal tinham tempo para saírem para se divertir, trabalhar, namorar, ou qualquer outra coisa.


E toda essa correria pareceu fazer o tempo passar mais depressa. Logo, os dias transformaram-se em meses, que tornaram-se em anos. Em um piscar de olhos, eles estariam cursando o último ano da faculdade. Estavam de férias agora e, felizmente, Nagihiko havia conseguido juntar dinheiro o suficiente para cumprir uma promessa feita anos atrás.


— É incrível... ainda não acredito que estamos mesmo indo para a Inglaterra, Nagihiko! — Tadase exclamava, o rosto e mãos praticamente colados na janela do avião.
— É melhor passar a acreditar logo, nós estamos quase chegando — o maior respondeu, deixando escapar uma risada. Não importa quantos anos se passassem, parecia que Tadase sempre teria seu lado infantil.
— Ah, estou ficando nervoso... e se eu não souber falar inglês corretamente? E se as pessoas não entenderem o que eu estou dizendo?
— O que está dizendo, Tadase, seu inglês é ótimo! — Nagihiko lembrou — E, mesmo se você tiver algum problema, não precisa se preocupar. Eu estarei ao seu lado para ajudar você. Sempre — ele sorriu, segurando a mão do namorado, que entrelaçou os dedos com os seus. De repente, escutaram o piloto do avião avisando pelo auto-falante que haviam chegado ao seu destino, e pedindo a todos para se prepararem para desembarcar — Está na hora. Vamos?
— Sim... vamos — Tadase sorriu de volta para Nagihiko e, ainda segurando a mão dele, desembarcaram juntos do avião.


Após desembarar, pegar suas coisas e passar por uma breve revista de praxe, eles enfim puderam se separar dos demais passageiros e seguir seu caminho. Tadase olhava para todo lado, curioso, e um tanto inquieto.


— Nossa, aqui é tão diferente do Japão... você ainda se lembra de onde ficam as coisas aqui, não é, Nagihiko?
— Sim, a maioria — ele respondeu, com um sentimento nostálgico.
— E então? Onde vamos primeiro?
— Primeiro deveríamos arranjar um lugar para ficar, não é? — Nagihiko lembrou, rindo da pergunta dele. Tadase estava tão empolgado que parecia estar se esquecendo da ordem das prioridades das coisas — Depois disso... bem, eu não tenho nenhum lugar favorito aqui, já que não estava nas melhores condições quando vim morar na Inglaterra, você sabe. Mas não se preocupe, teremos bons guias. Olhe lá — ele apontou para duas pessoas que os esperavam na porta do aeroporto.


Dois rapazes o esperavam na porta que levava para fora do aeroporto. O primeiro, de cabelos medianos, ondulados e claros, divididos em dois lados, os olhos verdes como esmeraldas, com um sorriso enorme no rosto e acenando o braço exageradamente para eles. O segundo, consideravelmente maior do que ele, cheio de brincos nas orelhas e tatuagens aparecendo por baixo das mangas dobradas da camisa preta, parecendo um astro do rock. Este exibia um sorriso mais discreto, porém sincero, e também saudoso.


— Nagihiko, Tadase! Há quanto tempo! — o garoto de cabelos claros exclamou quando eles se aproximaram o suficiente para poderem ouvi-lo, abraçando os dois ao mesmo tempo.
— Faz mesmo tempo, Chris-kun. Estou vendo que você não mudou nada — Nagihiko respondeu rindo, abraçando o amigo de
volta.
— E não mudou mesmo — o outro rapaz falou — Fico feliz que tenham cumprido a promessa de virem nos visitar para comprovar isso com seus próprios olhos.
— Mas é claro! Nós dissemos que viríamos um dia, quando tudo se ajeitasse, não dissemos, Jamie-kun? — Tadase lembrou.


Christopher e Jamie. Os únicos amigos que Nagihiko teve durante os anos que fora forçado por sua mãe a viver na Inglaterra, quando ela tentou separa-lo à força de Tadase anos atrás. Ambos viviam na Inglaterra, mas conseguiam
falar japonês o suficiente para que eles conseguissem conversar normalmente. Os dois também tinham as mesmas preferências que ele, e eram namorados, e foi isso que levou Nagi a se aproximar deles. Apenas pessoas nesse tipo de
situação conseguiriam entendê-lo afinal, ainda que não compreendessem totalmente o enorme vazio que ele sentia na época. Um vazio que agora havia sido preenchido por uma imensa felicidade, tão grande que era difícil acreditar que aquele vazio em seu coração tinha existido um dia.


— Jamie-kun, você fez outra tatuagem? Não me lembro dessa — Nagihiko indagou, indicando uma imagem que parecia ser vários morcegos voando no bíceps direito do rapaz.
— Ah, sim, eu fiz essa no ano passado — ele respondeu enquanto os quatro caminhavam para fora do aeroporto sem pressa.
— E essa não foi a única! — Chris se intrometeu. Se aproximou de Nagiiko, como se quisesse cochichar alguma coisa no ouvido dele — Ele também fez uma tatuagem muito sugestiva na...
— Chris, pare com isso! Ninguém precisa saber! — Jamie tampou a boca do menor antes que ele completasse a frase. Nagihiko começou a rir da cena. Tinha se esquecido do quanto eram engraçadas aquelas pequenas discussões deles. Já Tadase, tinha corado furiosamente e olhava para o lado, tentando não pensar em onde exatamente Jamie tinha feito a outra tatuagem, e nem em qual imagem ela tinha.
— Ei, como vão as coisas na banda? — Nagi indagou antes que aquela discussão se prolongasse.
— Ah... estão bem melhores do que antes — Jamie respondeu, soltando Christopher e voltando a caminhar — Na verdade, acho que finalmente poderemos criar uma carreira de verdade em breve.
— "Poderemos"? — Nagihiko repetiu.
— É isso mesmo, Nagihiko! Eu entrei pra banda também! — Chris exclamou, fazendo um "V" com os dedos.
— Ehh?! Você sabe tocar, Chris-kun? — Tadase exclamou abismado. Aquele garoto definitivamente não tinha cara de quem fazia parte de uma banda de rock.
— Ele vivia batucando nos móveis lá em casa enquanto eu ensaiava minhas músicas, até que eu sugeri que ele parasse de bater nas panelas com colheres de pau e fizesse aulas de bateria — Jamie contou, parecendo irritado ao recordar
daquela época.
— E adivinha? Funcionou! — Chris acrescentou sorridente — Agora sou oficialmente o mais novo baterista da banda!
— É, acho que combina com você — Nagihiko deixou escapar uma risada — Parabéns, Chris-kun.
Thank you~— ele cantarolou — Mas, me digam uma coisa... se vocês vieram nos ver, significa que as coisas finalmente se resolveram, não é?
— Ah, sim... conseguimos ajeitar nossas vidas, e estamos oficialmente juntos agora — Tadase respondeu, corando um pouco, mas com um enorme sorriso nos lábios.
— Finalmente! — Jamie exclamou — Nunca imaginei que pudesse demorar tanto para duas pessoas que se amam poderem ser felizes juntas... francamente, o Japão deve ser um país muito rigoroso mesmo.
— Hey, hey, quero saber como foi que vocês conseguiram superar todos aqueles problemas que o Nagihiko nos contou! Digam todos os detalhes, não escondam nada! — Chris exclamou curioso.
— Está bem, vamos contar — Nagihiko respondeu, ainda rindo daquela empolgação excessiva dele — Mas primeiro precisamos nos registrar no hotel.
— Para que gastar dinheiro com hotel? Vocês podem ficar com a gente — Jamie ofereceu.
— O que? Não, não mesmo, não queremos atrapalhar... — Tadase falou sem jeito.
— O Tadase tem razão, nós vamos ficar uma semana aqui. Vocês não precisams e incomodar — Nagihiko acrescentou.
— Não seja bobo, Nagihiko, não é incômodo nenhum! Nós estamos com saudades do nosso amigo — Chris exclamou — Ah! A menos que... vocês querem ter privacidade, é isso? — ele deu uma risadinha maldosa, fazendo Tadase corar. Jamie revirou os olhos, resmungando "Lá vai ele de novo..."
— Sim, é isso mesmo. Agradeço o convite de verdade, mas não podemos ficar no apartamento de vocês, assim não teremos privacidade — Nagihiko respondeu, abraçando Tadase com força pela cintura.
— E-Ei, Nagihiko...! Não diga essas coisas... — Tadase pediu, corando ainda mais.
— E também — Nagi acrescentou — Não queremos tirar a privacidade de vocês, Chris-kun — ele deu sorriso ainda mais maldoso do que o que Chris tinha exibido instantes atrás, fazendo o amigo corar quase tanto quanto Tadase.
— Bem feito — disse Jamie, segurando a mão dele e guiando-o, e dobrando em uma esquina — Andem, agora deixem essas conversas indecentes de lado e vamos logo fazer o registro de vocês no hotel. Temos muito assunto para colocar em dia — ele acrescentou, sendo seguido pelos outros.


Depois de se registrarem no hotel e guardarem suas coisas, Nagihiko e Tadase seguiram Jamie e Chris de volta para a rua, para continuarem o passeio. Os dois mais velhos prometeram mostrar a eles todos os pontos turísticos da cidade, mas, no momento, tudo o que eles queriam era colocar o assunto em dia.


Depois de caminhar algumas quadras, chegaram em uma cafeteria onde Nagihiko viera algumas vezes com os dois, quando não estava deprimido a ponto de querer ficar trancado no quarto o dia todo sem sair debaixo das cobertas. Eles se sentaram em uma das mesas do lado de fora para poderem apreciar melhor a paisagem, e fizeram seus pedidos. Tadase não pôde deixar de pensar no quanto aquilo lhe parecia estranho. Sempre que ia em uma cafeteria ou lanchonete com Nagihiko, eles precisavam escolher uma mesa ao fundo, a mais escondida, para não serem vistos... era impressionante como aquilo parecia tão natural na Inglaterra. Quase dava vontade de morar lá. Minutos depois, uma garçonete voltou trazendo os pedidos deles, tortas, bolos e chá. Depois que ela se retirou, Jamie comentou:


— Você continua com esse hábito de tomar chá o tempo todo, hein Nagihiko.
— Ei, estamos na Inglaterra afinal. Aqui tem o chá das três, chá das cinco... qual o problema? Você está tomando chá também afinal — ele indagou, bebericando sua xícara.
— Mas eu nasci na Inglaterra — Jamie argumentou.
— Aposto que você tem sangue inglês! — Chris se intrometeu — Você tem, não é, Nagihiko? Tem algum antepassado inglês?
— Hmm... não que eu saiba — Nagi encolheu os ombros, surpreso com essa pergunta.
— Bem, nós costumávamos tomar chá diariamente quando estávamos no primário — Tadase contou — E era sempre a Nadeshiko-chan quem preparava, por isso ele deve ter adquirido esse hábito.
— Nadeshiko? Quem é essa? — Jamie indagou.
— Ah... você não contou pra eles? — Tadase voltou-se para Nagihiko, com cara de quem pede desculpas.
— Na verdade não.
— Ei, quem é essa Nadeshiko? — quis saber Chris — Não me diga que é alguma ex-namorada sua, Nagihiko?! Você nos disse que o Tadase sempre foi o seu primeiro e único amor!
— Não, não mesmo. A Nadeshiko estaria mais pra uma irmã gêmea — Nagi balançou as mãos em negação, rindo daquela hipótese.
— Irmã gêmea? Mas você nos disse que era filho único! — Chris exclamou, cada vez mais confuso.
— Bem, eu sou, mas... é uma longa história — Nagihiko suspirou, vendo que teria que contar tudo desde o início. Explicou o mais resumidamente que pôde sobre a tradição de dança de sua família, e sobre os meninos terem que se
vestir e serem criados como garotas quando não nasce nenhuma menina na família, que foi o que aconteceu com ele. Jamie estava boquiaberto, e Chris não sabia e ficava impressionado ou se dava risada. Acabou por misturar as duas
opções.
— Incrível! Por isso você sempre foi tão bom em dança! Mas, quem diria que você teve uma infância dessas... deve ser por isso que você tem essa aparência meio afeminada! Com um rosto assim, pode mesmo se passar facilmente por uma garota! — ele voltou a gargalhar.
— Muito engraçado, Chris-kun. Não é nada legal ficar rindo de alguém que veio de tão longe só para te visitar, sabia? — Nagihiko resmungou, jogando um torrão de açúcar na testa dele, fazendo o garoto finalmente parar de rir.
— Mas quem diria que você tinha passado por uma coisa dessas... isso sem falar em todos os seus problemas para ficar com o Tadase — Jamie assobiou, impressionado — Você é mesmo uma pessoa incrivelmente forte, Nagihiko. Tem que ser, para conseguir superar isso tudo.
— É, aquilo foi bem difícil... na época, eu chegava a duvidar se o Tadase realmente gostava de mim ou da garota que eu fingia ser — Nagihiko deu um sorriso melancólico.
— Eu gosto dos dois, você sabe — Tadase respondeu sorrindo, segurando a mão do namorado.
— Uhh, um triângulo amoroso! Você acabou ficando com os dois, se deu bem, hein Tadase?! — Chris exclamou, voltando a rir.
— E pensar que sua mãe poderia inventar até uma coisa dessas — Jamie comentou — Francamente, se ela obrigou o próprio filho a se vestir como uma menina durante anos, não pode reclamar se ele decidiu gostar de garotos depois que cresceu. Se pensar bem, ela praticamente te incentivou a isso.
— É um ótimo ponto de vista, Jamie-kun...eu gostaria de ter pensado nisso quando ela descobriu sobre mim e o Tadase — Nagihiko respondeu, desapontado consigo mesmo por não ter pensado naquele argumento na época.
— Mas, se vocês estão aqui agora, então significa que os seus pais finalmente aceitaram o relacionamento de vocês, não é? — Chris indagou.
— É, finalmente... ainda é difícil de acreditar. Passamos por tantas coisas — Tadase recostou-se em sua cadeira, lembrando dos vários obstáculos que haviam enfrentado para chegarem até ali — Os meus pais... bem, na verdade, eu acabei descobrindo que eu era adotado enquanto estava no ensino médio, e que o homem que eu pensava ser meu tio, era o meu verdadeiro pai. Você ficou sabendo disso, não foi, Chris-kun? — ele indagou, e Chris confirmou com um aceno de cabeça — Então, o meu pai verdadeiro sempre nos apoiou, desde que começamos a namorar, e até nos ajudou a esconder nosso relacionamento dos meus pais adotivos. A minha mãe adotiva, que no fim das contas era minha tia, foi totalmente incapaz de nos aceitar, mas, o meu pai adotivo acabou aceitando nosso namoro com o tempo, ou se conformou... bem, ele ao menos não é mais contra. Mas o meu pai verdadeiro foi o que mais nos apoiou desde o começo da nossa relação. Eu fiquei realmente furioso e deprimido quando descobri que ele tinha escondido a verdade de mim durante tantos anos, mas... pensando agora, eu tenho sorte de ter um pai como ele.
— Incrível! Então quer dizer que nem todos os adultos do Japão têm a mente fechada para esse assunto, quem diria! — Chris exclamou sorrindo.
— E os seus pais, Nagihiko? — Jamie indagou.
— Ah... os meus são um pouco mais complicados de se lidar — Nagi respondeu, bebendo outro gole de chá — O meu pai parece ter realmente aceitado meu namoro com o Tadase. Já a minha mãe... bem, ela parece ter simplesmente se
conformado com a situação. Disse que eu posso fazer o que eu quiser, desde que não seja na frente dela. Ela continua agindo assim desde que eu comecei a faculdade e, por mais que eu queira que ela de fato nos aceite, acho que essa é a melhor reação que ela poderia ter mesmo.
Well, é melhor do que nada — Jamie comentou — Ao menos assim você parou de brigar com os seus pais, e pode ficar com a pessoa que você ama.
— O Jamie tem razão! Isso é ótimo, não é? — Chris acrescentou
— Sim... é realmente maravilhoso — Nagihiko concordou, entrelaçando seus dedos com os de Tadase, enquanto sorria para ele.


—----


Nos dias que seguiram, Chistopher e Jamie levaram os dois para conhecerem todos os pontos turísticos que poderiam haver em Londres. Foram até o Big Bang, que realmente fazia juz ao nome, pois era centenas de vezes maior do que eles imaginavam. Visitaram o Parlamento, observando os famosos guardas imóveis que viam na TV de vez em quando. Chris resolveu fazer graça para tentar fazê-los se mexer, e Tadase quase foi na onda dele, mas, felizmente, Jamie o arrastou para longe dos guardas antes que acontecesse alguma confusão. Também foram até o London Eye, de onde puderam ver grande parte da cidade. O lugar tinha uma vista realmente privilegiada, foi o que Tadase mais tinha gostado de visitar. E, na última noite antes deles irem embora, foram assistir a um show da banda de Jamie, e agora também de Chris.


Eles não eram mais uma daquelas bandas que ensaiavam em garagens e tocavam em lanchonetes pequenas, haviam realmente crescido. Teriam que fazer um show naquela noite, e tinham um enorme espaço alugado especialmente para eles, com espaço para 100 mil pessoas. Os dois mexeram uns pauzinhos e conseguiram lugares para Nagihiko e Tadase assistirem o show também, em assentos VIPs.


Jamie trajava uma calça preta e um colete de couro aberto, também preto, deixando amostra as várias tatuagens que tinha espalhadas pelo corpo, e usava uma bandana com estampa de caveiras escondendo os cabelos. Nagihiko já estava acostumado com aquele visual, mas Christopher estava praticamente irreconhecível: Usava uma calça jeans rasgada artisticamente, uma camiseta apertada com uma jaqueta preta por cima. E estava sério. Muito sério. Nem parecia o rapaz brincalhão e sorridente que os arrastou para cima e para baixo pela cidade a semana inteira. Mas o show logo começou, e esses pensamentos tiveram que ser deixados de lado por enquanto. Ainda mais porque aquela música era nova para ele, e realmente incrível:


Tonight, Tonight, Tonight


Caminhar com você é impressionante

Eu continuo vivo

Liguei meu radio pra começar um novo dia
Enquanto os DJs passavam à frente a sobrevivência
Notícias surpreendentes se espalhavam pelo ar

Hoje à noite, o amor esté competindo

Hoje à noite, por toda a nação

Hoje à noite, o amor contagia o mundo todo

Já é quase outro dia

Já é quase outro dia

Ela é uma estrela cadente, boa noite, boa noite

Ela é uma estrela cadente, até logo...

Hoje à noite o amor está competindo

Hoje à noite por toda a nação

Hoje à noite o amor contagia o mundo todo


Hoje à noite o amor está competindo

Hoje à noite por toda a nação

Hoje à noite o amor contagia o mundo todo


Já é quase outro dia


Vejo você outro dia...



https://www.youtube.com/watch?v=AN0Cu8G4k_8


Foi uma música de abertura realmente incrível, e as músicas que se seguiram foram ainda melhores. O show foi incrível. A viagem foi incrível, foi uma semana incrível.
Era uma pena ter que partir.


No dia seguinte Nagihiko e Tadase voltariam para o Japão. Chris e Jamie deviam estar exaustos por causa do show da noite anterior, mas prometeram levá-los até o aeroporto. Provavelmente dormiriam o resto do dia depois que voltassem para casa.


— Foi mesmo ótimo rever vocês, Nagihiko, Tadase — Jamie respondeu, sorrindo. Estava com olheiras e evidentemente cansado por causa do show, mas verdadeiramente feliz.
— Venham nos ver mais vezes — Chris acrescentou. Também devia estar exausto, mas, de alguma forma, conseguia demonstrar sua empolgação de sempre — Vai ser mais fácil agora que os seus pais aprovaram... ou se conformaram com o relacionamento de vocês... seja como for, vocês enfim podem ficar juntos, e podem fazer o que quiserem!
— Tem razão — Nagihiko sorriu de volta — Foi bom eu ter saído de casa no fim das contas, aquilo deu tempo para fazer meus pais pensarem melhor nesse assunto... se não fosse por isso, talvez eles nunca tivessem aceitado minha relação com o Tadase.
What? Você fugiu de casa? — Chris exclamou, parecendo despertar de seu estado meio sonolento — Você não nos contou nada sobre isso!
— Bem, eu não fugi exatamente, minha mãe meio que me expulsou na verdade — Nagi corrigiu — Depois que o meu primo resolveu fazer um casamento arranjado... vocês sabem, aquele que morava comigo aqui na Inglaterra... bem, minha mãe inventou de fazer um casamento arranjado pra mim também, e como eu me recusei, ela desenterrou essa história com o Tadase. Nós discutimos, e eu acabei saindo de casa. Mas isso foi bom, deu tempo para ela pensar e perceber que certas coisas são mais importantes do que tradição e aparência.
— Então isso foi realmente bom! Foi uma ótima decisão a sua, Nagihiko! — Chris exclamou.
— É, uma coisa leva a outra, quem diria — Jamie comentou — Mas, agora que você mencionou, nós nunca falamos direito com aquele garoto que morava com você. Mas eu sempre pensei que ele gostava de garotos também, era tão introvertido.
— Não, não, ele não gosta — Nagi deixou escapar uma risada — Na verdade, ele deve se casar no final do ano, ou talvez no ano que vem. Ele acabou gostando de uma garota que... bem, que era noiva do Tadase à princípio.
What?!— Jamie e Chris exclamaram juntos.
— A mulher que me adotou tinha resolvido fazer um casamento arranjado para mim, na esperança de eu esquecer o Nagihiko e começar a me interessar por garotas — Tadase contou — Mas o tiro acabou saindo pela culatra. A garota nunca gostou de mim, e acobertava meus encontros com o Nagihiko. Mais tarde, ela se apaixonou pelo primo do Nagihiko, ele nos ajudava também... bem, agora os dois estão noivos, devem se casar assim que terminarem a faculdade.
— Casamento... — Jamie repetiu — Ah, Chris! Isso me lembra... não contamos a eles.
— Não contaram o que? — Nagi indagou.
— Bem, na verdade, nós... nos casamos alguns meses atrás — Chris contou, arrastando os pés sem jeito. Estava terrivelmente corado, mas com um sorriso enorme no rosto.
— V-Vocês... vocês se casaram?! — Nagihiko repetiu incrédulo, um pouco mais alto do que pretendia. Ele sabia que os dois eram alguns anos mais velhos do que ele, e já tinham terminado os estudos, mas... daí a se casarem? Aquela era
uma surpresa e tanto.
— Mas... vocês dois são homens — Tadase falou o óbvio, também chocado — Então, como...?
— Ei, existem muitos países que aprovam o casamento gay, sabia? — Jamie lembrou.
— Ah, já sei! Vocês podiam se casar também! — Chris exclamou de repente como se aquela fosse a coisa mais simples do mundo. E ele continuou falando antes que Tadase ou Nagihiko pudessem esboçar qualquer reação — Vocês podiam se casar em Las Vegas, que tal? Imaginem só! Muitos casamentos são feitos lá, e assim vocês não teriam que se preocupar com toda aquela papelada sobre autorização, e blá, blá, blá... ah, vocês vão nos convidar para o casamento de vocês, não é? Eu quero muito ir!
— C-Chris-kun, nós nunca... conversamos sobre isso na verdade... — Nagihiko murmurou, sem saber como reagir àquilo. Era uma ideia e tanto. Casamento... ele adoraria poder se casar com Tadase. Viver para sempre ao lado da pessoa que amou a vida inteira. Bem, eles já iam fazer isso de qualquer jeito, mas, ter um compromisso oficial com ele parecia tornar aquilo ainda mais perfeito. Olhou de soslaio para o loiro para ver sua reação e, vendo que este também o
observava, desviou o olhar rapidamente.
— Ei, qual é o problema? — Christopher indagou — Vocês realmente nunca pensaram em se casar? Não acredito nisso... ah, olha só, até o Nagihiko está com vergonha! Acho que é a primeira vez que vejo ele assim!
— Chris, já chega — Jamie o puxou para longe dos dois — Desculpem por isso, não era nossa intenção... confundir vocês com essa notícia nem nada, sabe...
— Não, imagine... fico muito feliz por vocês dois. De verdade — Nagihiko respondeu, fazendo o possível para parecer tranquilo, embora milhões de pensamentos ainda perpassassem por sua cabeça, todos ao mesmo tempo. De repente escutaram uma voz feminina chamando pelo auto falante, anunciando os próximos vôos que iriam sair.
— Ah, Nagihiko... é o nosso vôo — Tadase chamou.
— Tem razão. Bem, então vamos indo. Venham nos visitar vocês também — Nagihiko despediu-se.
— Nossa agenda anda um pouco cheia, mas vamos tentar. Ah, e Nagihiko — Jamie falou mais baixo, para que apenas ele ouvisse — Eu realmente sinto muito por ter tocado nesse assunto do nada, mas, pense bem nisso. Vocês estão juntos há tanto tempo... acho que não faria mal oficializar as coisas.
— Eu... vou pensar no assunto — Nagihiko respondeu, afastando-se dele e seguindo junto com Tadase, enquanto Jamie e Chris acenavam para os dois.


Jamie tinha razão, aquela era uma ideia e tanto. Se casar com Tadase... estar oficialmente casado com a pessoa que amava desde a infância. Mas os dois eram rapazes, então como fariam isso? Bem, era verdade que existiam vários países que aprovavam o casamento homossexual, mas, ainda assim... aquele era um grande passo a ser tomado. Nagihiko não queria nem imaginar a reação de seus pais e amigos se escutassem algo assim. Todos fariam um escândalo... de várias maneiras diferentes. Mas, o que realmente importava, era o que Tadase pensava sobre isso. Nagihiko queria conversar sobre isso com ele, mas também tinha ficado nervoso e desconcertado com aquela hipótese, apesar de toda a agitação que sentia. Bem... eles poderiam falar sobre isso mais tarde, quando se acalmassem o suficiente para tocar em um assunto dessa magnitude. Afinal, agora tinham todo o tempo do mundo só para eles.

Notas finais
Olá pessoas! Teffy-chan falando! Bem, enfim chegamos a um assunto delicado, e muito importante... será que eles vão chegar a falar sobre isso? Continuem acompanhando a fic e descubram! Deixem reviews por favor!