Itsumo Yakusoku
63 Capítulo 63 - Te o Tsunaide
Olhando nos meus olhos,
você tocará meu coração
vou te encarar e te contar
com toda a minha coragem
talvez eu te ame mais a cada dia e noite.
Não importa qual seja a resposta,
farei o que posso fazer agora.
Olhando nos meus olhos,
você tocará meu coração
sinto que posso ficar forte
simplesmente estando ao seu lado.
Olhando nos meus olhos,
você tocará meu coração
sinto que podemos ir a qualquer lugar
desde que estejamos de mãos dadas
Capítulo 63
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Te o Tsunaide
— Hey, aquele lá não é o Kaichou?
— É sim. Ele está com aquele garoto novo que foi transferido! Eles andam sempre juntos, não é? — Um grupo de garotas que caminhava pelo pátio, parou ao ver o presidente do conselho estudantil, almoçando tranquilamente com outro garoto embaixo de uma das árvores
— Eu fiquei sabendo de algumas coisas… — uma delas comentou, em voz mais baixa — O nome do garoto novo é Fujisaki Nagihiko.
— Ai, eu achei ele lindo demais!! Ele até parece uma garota, e é tão elegante e educado — outra se empolgou, com os olhos brilhando para aquele lado.
— Sim! Eles são amigos de infância, sabe, ele e todos os outros do conselho, eu ouvi de uma amiga que estudou com eles naquela escola elementar, a Seiyo.
— Ah, eu soube disso também. Dizem que o Hotori-kaichou era namorado da irmã dele… mas eles foram separados.
— Não! Na verdade, ele não tem irmã… é ele mesmo.
— Como? — as outras garotas todas se chocaram.
— Parece que é uma tradição familiar, ou algo assim, que ele tinha que se vestir de garota. Na época que eles estudavam juntos, só o Kaichou sabia do segredo, e eles namoraram escondidos…
— Nossa! Isso parece uma história de filme! E então eles foram separados?
— Sim, o Fujisaki-san teve que ir para a Europa, e eles ficaram separados durante anos! Mas ele não aguentou, e voltou para cá, conquistou o Hotori-kaichou novamente, e agora, eles estão juntos mais uma vez!
— Isso é incrível, não é? Eu nem consigo imaginar. Mas a família deles não é contra?
— Bom, isso é mais complicado, eu não sei detalhes. Parece que o Kaichou mora com o tio dele, agora… e o Fujisaki-san saiu de casa e mora sozinho!! Acho que tudo isso é para que eles possam ficar juntos.
— Isso… de alguma forma, me deixa emocionada… ai, eu queria viver uma história de amor assim!
— Mas será que é mesmo verdade?
Como que para confirmar o que o grupo de meninas suspeitava, Nagihiko naquele momento estava servindo Tadase com seu hashi, direto na boca. Tadase corou furiosamente, depois de aceitar, e sorriu timidamente, elogiando a comida do outro. O grupinho que se formara não se conteve, e gritou de entusiasmo, frente à cena que presenciavam.
— Você ouviu isso? — Nagihiko indagou, ao ouvir um som de longe.
— Parecem gritos? Alguém está brigando, será? — Tadase alarmou-se.
— Acho que não… — Nagihiko deu de ombros, relevando o assunto. — Então, o que achou da omelete? A carne anda um pouco cara, mas eu acho que consegui substituir bem, não?
— Como sempre, sua comida é maravilhosa, Nagihiko-kun! — Tadase não poupava elogios quando se tratava da culinária impecável do seu namorado. Ele tinha tanta sorte por isso — Eu adoraria poder comer sua comida todos os dias!
— Se você quiser, posso fazer dois bentôs, mas acho que a Haruka-san ficaria decepcionada por não poder fazer mais o seu almoço, não é? — Nagihiko brincou. Tadase tinha que concordar.
— Tem razão, ela sempre parece muito feliz quando eu digo que gosto da comida dela. Mas é muito boa, mesmo! — ele enfatizou, mostrando o seu recheado obentô, que parecia ter sido feito com muita atenção e carinho — Eu fico feliz com isso também, não posso negar — ele sorriu para si mesmo, enquanto pensava no quanto gostava da presença de Haruka na sua vida. — E eu não poderia fazer você gastar com dois almoços, além disso, não é? — ele lembrou.
— Na verdade, o dinheiro que Ikuto me paga é suficiente, então não teria problema — Nagihiko afirmou — Mas eu posso me contentar em mimar você só de vez em quando, certo? — ele sorriu, acariciando o rosto de Tadase de leve, enquanto sorria de volta para ele — Nos fins de semana, você pode vir almoçar lá em casa, o que acha?
— Eu adoraria! — ele respondeu, com entusiasmo.
— E pode dormir lá também… — Nagihiko sugeriu como quem não quisesse nada, mas o sorriso de canto que ele soltou logo depois entregou completamente seus planos obscuros. Tadase corou ainda mais intensamente do que antes, até a raiz dos cabelos, só de pensar nisso.
— E-eu não me importaria, de verdade… b-bem… — Nagihiko riu do semblante completamente perturbado que Tadase trazia, deixando evidente os pensamentos que tinha em mente.
— Ora, Tadase, eu só disse que você poderia dormir lá, no que está pensando hm? — ele provocou, apenas para ver o namorado explodir ainda mais de constrangimento.
— Claro que eu não pensei nada! Você que fica fazendo caras indecentes!! O seu rosto estava obsceno! — ele acusou, incoerente, tentando esconder o próprio rosto enquanto batia com a outra mão em Nagihiko. Ele riu alto.
— O meu rosto? Mas eu nem fiz nada! — enquanto segurava o pulso de Tadase, para não receber mais golpes, por mais desajeitados que eles fossem, ele ainda ria, e então se desviou rapidamente para depositar um beijo no rosto do loiro, fazendo-o se acalmar pela surpresa. — Você não quer ir lá então? — sussurrou no ouvido dele, fazendo-o arrepiar-se.
— C-claro que eu quero… — ele respondeu, hesitante.
— Mesmo sabendo o que nós vamos fazer? — indagou, sorrindo para si mesmo ao sentir o menor arrepiar-se.
— Sim… -ele respondeu apenas, depois de alguns segundos, e Nagihiko assentiu com convicção. — Mas… Nagihiko-kun… — ele se afastou minimamente, para encarar o outro de frente — Não tem problema nós estarmos assim? Na escola? Digo, agindo tão próximos, você até mesmo me beijou agora… E se alguém nos ver…?
— Ah… sinceramente, eu tinha esquecido desse detalhe… — Nagihiko, que ainda segurava o pulso de Tadase, entrelaçou a sua mão na dele, repousando no banco onde estavam sentados — Você se importa se alguém ver?
— Na verdade não… — ele respondeu simplesmente. — E você?
— Bem… todos já sabem que você não é mais noivo da Nanami, não é? — ele indagou, e Tadase assentiu. Assim que a garota havia afirmado compromisso com o primo de Nagihiko, a escola inteira ficou sabendo em um piscar de olhos. Algumas garotas passaram a tentar se declarar para Tadase depois disso, mas ele sempre rejeitava a todas dizendo que também, estava comprometido com outra pessoa agora. — E nós não temos mais que nos esconder das nossa mães, então… acho que não tem problema, se acabarem descobrindo a verdade, certo?
— Eu adoraria que todos soubessem — Tadase murmurou, e aproveitando que o lugar onde estavam já era mais vazio mesmo, deitou a cabeça no ombro do maior, apoiando-se inteiramente nele — Assim, as garotas não tentariam dar em cima de você. Nagihiko-kun chama muito a atenção tanto das garotas quanto dos garotos. Eu prefiro que todos saibam que você já é comprometido. — ele assegurou, embora estivesse um tanto tímido de expressar aqueles sentimentos que sempre tivera em voz alta.
— Como meu Rei é egoísta e possessivo… — Nagihiko ponderou, com um sorriso, abraçando Tadase de volta, e ele deu mais um tapa nele, um simbólico, junto a um “bobo” murmurado. Os dois não puderam passar mais tempo assim, pois logo viram ao longe uma montoeira de cabelos rosa esvoaçantes, que vinha correndo desesperadamente para o lado deles.
— Fi...finalmente… a-achei vo...cês dois… — ela conseguiu de alguma forma pronunciar, enquanto ofegava, completamente sem ar, apoiada com os braços nos joelhos e tentando redescobrir como se respirava.
— Você tá precisando fazer uns exercícios, Amu, quanto sedentarismo… — Nagihiko provocou, fazendo a garota o fitar com um olhar mortífero, que dizia claramente “cala a boca”. — O que houve?
— Eu preciso que o Tadase resolva alguns assuntos urgentes do conselho estudantil. Logo teremos o festival de esportes, e precisamos decidir como serão divididos os times, e os torcedores, e quais eventos vamos fazer, e os prêmios, e também a maratona pelo bairro e…
— Ok, Amu-chan, eu já entendi. — Tadase suspirou, levantando-se a contra-gosto do conforto do colo de Nagihiko para voltar à realidade do trabalho. — Vamos lá, então.
— Se precisarem de ajuda, eu posso ir também — Nagihiko prontamente se ofereceu, enquanto recolhia as coisas do almoço dos dois.
— Não, obrigada, você só vai distrair o Tadase-kun do trabalho dele! — Amu foi empurrando Tadase pelos ombros, mas Nagihiko ainda os acompanhava.
— Eu juro que não vou — ele argumentou — Até faço chá pra vocês.
Diante dessa proposta, Amu não via motivos para recusar. Sentia tanto a falta do chá de Nagihiko durante as reuniões…. não seria mal ter isso de novo para motivá-la enquanto Tadase falava sem parar, e tudo mais.
— Certo. Mas da próxima, vai ter que trazer brownies para acompanhar! Eu mataria pra comer aqueles brownies de novo!
Nagihiko sorriu.
— Combinado.
O final de semana chegou, e com ele, uma tranquilidade que Nagihiko ainda não conhecia. Não precisava participar de treinos exaustivos e ininterruptos, nem arrumar desculpas para ir ao estúdio de dança para encontrar Tadase escondido. Não precisava fazer mais nada escondido, na verdade.
Havia acordado logo cedo, com uma sensação de leveza até então muito rara. Limpou o pequeno apartamento, que agora era a sua casa, e ajeitou tudo para receber Tadase mais tarde. Saiu para caminhar, e foi ao mercado comprar ingredientes para preparar comida para ele, e quando retornou, pode se concentrar cuidadosamente em cada tarefa, fosse cozinhar ou manter tudo em ordem. Essa nova liberdade que conquistara era tão desintoxicante que ele não entendia como havia vivido até agora sem isso. Se distraíra tanto aproveitando o seu tempo, que quando a campainha tocou, ele se assustou. Não havia notado as horas passando.
Correu para abrir a porta, e como esperado, ao abrí-la, encontrou Tadase parado do outro lado, sorrindo docemente enquanto segurava com ambas as mãos a alça da bolsa que trazia nos ombros. Nagihiko não pode evitar um sorriso, também. Sem pensar, inclinou-se na direção dele, apoiado pelo batente da porta, e depositou um demorado selinho nos lábios entreabertos de surpresa do menor. Havia sido um gesto espontâneo, um cumprimento casual, mas mesmo assim, não era algo que Nagihiko fizesse com frequência, apesar de desejar muito. Só então ele percebeu as dimensões da real liberdade que existia na sua vida agora.
— Oi… — Tadase murmurou, assim que Nagi se afastou, dando espaço para que ele entrasse. — C-com licença… — Ainda embaraçado, Tadase adentrou no apartamento.. Também havia gostado do gesto despreocupado que parecia marcar uma mudança significativa na vida de ambos. Não precisavam mais mentir, se disfarçar ou se esconder. Eram finalmente livres para ser eles mesmos.
— Pode ficar à vontade.
Olhou ao redor, para a nova casa de Nagihiko. Aquele apartamento trazia realmente uma lembrança amarga, pois havia sido ali, tantos anos atrás, que haviam sido dolorosamente separados pelos seus pais, e forçados e viver longe um do outro. Mas essa recordação parecia pertencer à uma outra vida, como um filme visto há anos atrás dos quais já não se lembra muita coisa. A sala estava já decorada ao gosto de Nagihiko, com almofadas coloridas no sofá cinza, livros bem arrumados na mesa de centro, com um arranjo de flores tradicional ao lado, e um quadro médio com a pintura de uma geisha na parede branca atrás. A janela estava bem aberta, e deixava a luz do sol adentrar, iluminando por inteiro a sala e a cozinha, que ficava no mesmo cômodo mas separada por uma bancada de madeira clara com bancos altos.
Nagihiko trouxe chá gelado para tomarem, e os dois sentaram no sofá confortável, como se ainda não acreditassem muito bem que poderiam realmente ficar a vontade, sem temer que alguém aparecesse, nem ter que se esconder se fosse o caso.
— Sabe, ontem a Yaya-chan deixou escapar uma coisa engraçada… — Tadase iniciou um assunto naturalmente, pois já estava pensando nisso há algum tempo. — Parece que estão havendo mesmo boatos sobre nós dois na escola…
— Ah, sim… a Amu me ligou ontem toda preocupada dizendo que ouviu certos rumores também — Nagihiko sorriu, concordando — E parece que foi a nossa querida Yuiki quem os andou espalhando, afinal.
— Como?
— Você chegou a ficar sabendo o teor da maior parte dos rumores? Apesar de alguns serem bem fantasiosos, a maioria fala sobre como nós namoramos durante o elementar, e fomos separados pelas nossas famílias, então nos reencontramos agora, e lutamos para ficar juntos. Alguns até citam a parte de que eu me travestia quando criança, por causa da dança. Ou seja, basicamente, se tratam da verdade.
— Certo… isso é bom então? Mas o que significa?
— Significa que a Yaya andou dando um jeito de espalhar a história verdadeira por aí, rápida como o vento, e agora todos estão sabendo. — Nagihiko deu de ombros — Segundo a Amu, as garotas gostaram da nossa história trágica, e estão torcendo por nós. E os garotos parecem aliviados, porque seremos menos concorrência para eles. Então, alguém criou um grupo secreto que consiste em garotas que gostaram tanto da nossa história que se reunem para discutir e criar material, como a Yaya diz, fanarts e fanfics. É como um fanclube de nós dois, e chamam ele de Clube Tadahiko.
— Nagihiko-kun! Como você está sabendo tanto? — Tadase estava espantado.
— Ora, as fofocas correm rápidas entre as garotas. — Nagihiko piscou um dos olhos, matreiro, fazendo Tadase rir também — E parece que mais uma vez, seremos famosos na escola… assim como era na época dos guardiões.
— Bom, não posso dizer que não estou acostumado com isso, mas, pelo menos… é um alívio que pareçam ter nos aceitado… — ele soltou o ar, escorando a cabeça em Nagihiko. Na verdade, era até um pouco triste, considerar o fato de que completos estranhos como os seus colegas de aula pudessem aceitá-los com mais facilidade do que a sua própria família, mas ele não queria falar sobre isso agora. Eles tinham que aproveitar o tempo que tinham juntos de maneira mais feliz do que essa.
— Embora eu tenha a suspeita de que logo nosso sossego vai acabar por causa disso, é bom que todos saibam a verdade, não é? — Nagihiko ia falando enquanto acariciava de leve o ombro de Tadase, abraçado a ele — Com certeza, é uma perspectiva nova. E além disso, logo estaremos no nosso último ano, então isso também vai ter fim...
— Para falar a verdade… — Tadase se encolheu minimamente — Eu estou um pouco nervoso com as provas finais… Logo virão os simulados e então, ano que vem, a prova para a universidade… eu estou com medo…
Nagihiko riu.
— Você é um aluno exemplar em todos os sentidos, Tadase. Além do mais, tem recomendações, e créditos extras por ser presidente do Conselho. Tenho certeza de que tudo vai dar certo. Administração combina com você, vai se dar muito bem.
— Acha mesmo? — Nagihiko assentiu veementemente, sem dar margens de dúvias à Tadase, e ele relaxou um pouquinho nos braços do outro, um pouco mais confiante com aquela confirmação — E quanto a você, Nagihiko-kun?
— Bem, eu vou continuar trabalhando e guardando dinheiro, vou me inscrever na mesma universidade que você, mas em artes cênicas… então, vou procurar um emprego melhor, e talvez nós possamos algum dia… alugar um apartamento juntos, como tínhamos pensado. Não parece bom?
— Sim… parece perfeito… — Tadase murmurou, sonhador, já imaginando essa vida brilhante e repleta de alegria que se abria diante dos seus olhos. As possibilidades eram infinitas, e ele nunca se sentiu tão adequado com a sua vida como agora. Inclinou-se para cima, olhando para o rosto do namorado, e ele nem precisou pensar muito para entender o que o outro queria. Uniu seus lábios, em um beijo terno e calmo, que indicava claramente como seria o futuro dos dois. Sem preocupações.
— Cahem…— um pigarro fingido chamou a atenção dos dois, que se separaram no mesmo instante. Olharam para a frente, e notaram as pequenas figuras flutuantes que sempre os acompanhavam. Kiseki, Rhythm e Temari. Quando foi que eles apareceram? Nagihiko não lembrava de ter visto — Nós, Shugo Charas, temos uma anúncio muito importante para fazer, e tem que ser agora. Será que vocês dois podem prestar atenção?
Nagihiko e Tadase se entreolharam, e logo perceberam do que deveria se tratar. Só havia uma possibilidade, e eles tinham certeza disso. Tadase já sentia que iria começar a chorar.
— Yey, Nagi! — Rhythm voou para a mão do seu dono, e Temari veio logo depois, mais calmamente, até a outra mão. Kiseki se aproximou de Tadase, pomposo como sempre. — Você sabe que chegou a hora, não é?
— Eu imaginei… — Nagihiko respondeu sinceramente, com um sorriso triste adornando os lábios. — Mas tem mesmo que ser tão cedo?
— Claro que sim, já passou da hora. Temari, como sempre, foi assertiva — Nós enrolamos um tempo, para ter certeza de que tudo ficaria bem, mas parece que finalmente, podemos ficar descansados.
— Tudo se encaminhou para um final digno, Tadase. Estou orgulhoso. — Kiseki bradou, como se estivesse avaliando o desempenho do seu dono.
— Você tem certeza, Kiseki? — Tadase ia diminuindo a voz, com o nó que se formava na sua garganta — Eu ainda não estou preparado…
— Está sim. — Kiseki afirmou. — Vocês dois estão.
— Podem nem ter percebido — Rhythm prosseguiu — Mas aos poucos, vocês já estavam interagindo menos com a gente… ou deixando de nos ver com tanta clareza.
— Me perdoe, Rhythm, eu realmente não tinha percebido.
— Não, Nagi, não precisa se preocupar! — Temari riu, escondendo o rosto com a manga do seu minúsculo kimono — É uma parte natural do seu crescimento, todos passam por isso. É o esperado, e isso só significa que nós conseguimos cumprir nosso papel.
Tadase já havia aconselhado muitos dos seus amigos com relação à perda dos Shugo Charas, e sempre salientava que esse era o processo natural a se seguir, e que os Charas continuariam com seu dono, no coração deles. Porém, falar era muito mais fácil do que sentir de verdade, e ele não queria que Kiseki fosse embora de vez. Já convivia com aquele pequeno Rei mimado há tantos anos que nem sabia mais como era não tê-lo por perto.
Realmente, nos últimos tempos, eles já não se viam mais com tanta frequência e a voz de Kiseki aos poucos sumia da sua mente, mas ele sabia que ele sempre estava ali e não se preocupava tanto. Com tantos acontecimentos atribulados na sua vida, era difícil pensar nisso.
— Mas é isso, Nagi! Vamos lá, anime-se! — Ryhthm chamou a atenção — Você finalmente conseguiu encontrar o ritmo certo na sua vida! Você pode fazer o que quiser, seguindo o seu coração, e sem ninguém para mantê-lo cativo. Você não é mais um garoto, está prestes a se tornar um homem de verdade! Ninguém mais pode segurá-lo!
— Claro que sim, Rhythm, e tudo isso é graças a você, que me ensinou como é ser um garoto — Nagihiko sorriu, acariciando a cabeça do Chara — Eu vou continuar jogando basquete sempre que puder, e vou lembrar sempre de você. Vou sempre seguir o meu ritmo para tomar as decisões.
— Yey, assim que se fala!!
— E não se esqueça de ser aplicado nas suas lições, Nagi! — Temari ralhou com ele, sempre severa — Se você seguir sempre o seu ritmo, acabará só se divertindo e esquecendo das obrigações, então, disciplina é essencial. Mas sem exagerar, certo? — ela sorriu, suspirando — O seu lado feminino também se equilibrou, eu tenho certeza de que você continuará a dançar e interpretar com tanta graça e delicadeza como sempre. Mas que nunca se esquecerá da essência do seu verdadeiro-eu.
— Claro que não, Temari, afinal, foi você quem me ensinou isso. — Ele também afagou a pequena garotinha — Sentirei muito a falta de vocês dois.
— Mas nós sempre estaremos com você! — Temari e Rhythm entoaram em uníssono, pulando na direção de Nagihiko em uma espécie de abraço.
— Afinal, nós dois somos os opostos que completam a sua personalidade… — Rhythm começou.
— …como yin e yang. Você não precisa escolher. Nós dois estaremos em você, para sempre. Nós somos as partes do que você se tornou hoje. — Temari completou.
— O adulto que você sempre quis ser. — Rhythm comemorou. Nagihiko sentiu os olhos ardendo. Ele não estava nem perto de ser um adulto de verdade ainda, aqueles dois já estavam exagerando.
— E você Tadase — foi a vez de Kiseki se pronunciar, olhando firme para o loiro — Finalmente, é o Rei do seu próprio mundo. Encontrou aquilo que deveria proteger, e se tornou forte o bastante para conseguir fazer isso.
— K-kiseki…
— Oe! Eu não quero mais ouvir hesitações! Agora, você pode comandar o seu próprio destino! E eu tenho uma ordem para você! Trate de ser feliz, ouviu bem? É uma ordem do Rei Supremo de todo o Universo! Você vai conquistar o mundo, assim como nós planejamos!
— Está bem! — Tadase sorriu, deixando as lágrimas escorrerem livremente — Eu vou me esforçar para proteger esse mundo que eu consegui construir. E foi por sua causa, Kiseki, que eu percebi que poderia me impor, e ser confiante, também. Muito obrigado…
— Não me agradeça! Eu fiz apenas o que era o meu dever. E quanto a você, valete! — Kiseki apontou para Nagihiko — Trate de realizar todas as vontades do seu Rei, para sempre, ouviu bem? Não aceito desculpas, você deve estar para sempre ao lado dele, e protegê-lo de tudo. Faça-o feliz!
— Seu desejo é uma ordem, Majestade — Nagihiko fez uma pequena mesura.
— Então, acho que é isso nee? — Rhythm olhou para os outros dois, para confirmar.
— É a nossa hora… — Temari assentiu.
— Engole o choro, Tadase! Reis não choram! — Kiseki gritou, embora ele mesmo, tivesse que se esforçar para esconder lagrimazinhas que se juntavam nos olhos.
— Muito obrigado, vocês dois, por tudo o que me ensinaram, e pela infância perfeita que me deram… eu amo vocês. — Nagihiko disse.
— Eu agradeço muito pelo que fez por mim, Kiseki… — Tadase repetiu, sem saber mais o que poderia dizer.
Os pequenos Charas brilharam intensamente, flutuando no alto, até que seus ovos aparecessem e os encerrassem. Os três sorriam sinceramente, nesse momento, e só assim os dois garotos tiveram certeza de que aquela era a hora certa, e não havia nada que pudessem ter feito para adiar. O dever deles havia sido cumprido, e a prova disso era que eles estavam felizes e completos, enfim. Mas isso não deixava a despedida menos dolorosa…
Os ovos vieram na direção dos seus respectivos donos, e se uniram aos corações deles, de uma só vez. Depois disso, mais nada. Nenhum sinal de que algum dia eles estiveram ali, além das boas lembranças que Nagihiko e Tadase ainda tinham, embora tênues, que ainda se conservavam. Talvez, algum dia, elas sumissem. Tsukasa disse que isso poderia não acontecer tão facilmente, já que eles fizeram transformações por inúmeras vezes, e por isso, o laço com seus Charas era mais forte do que o de crianças comuns. Porém, por enquanto, era bom ter a certeza, ainda que lá no fundo, que algo de mágico e extraordinário havia feito parte das suas vidas por tantos anos, e que eles tinham sido profundamente transformados por isso.
Tudo estava no seu lugar, e tudo acabaria bem. Ou melhor, estava só começando.
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