Itsumo Yakusoku
62 Capítulo 62 - For Fruits Basket
Notas iniciais
Eu estava tão feliz
Quando você sorriu pra mim
Com um sorriso contagiante
A primavera ainda está longe
E a terra gelada ainda está molhada
Eu estava esperando pelo dia em que a primeira grama nascesse
Por exemplo,mesmo com o doloroso dia que foi hoje
Mesmo se as feridas de ontem resistirem
Quero continuar confiando nas pessoas
Eu não posso me tornar uma outra pessoa
Mas posso tentar melhorar meu jeito de ser
Vamos ficar juntos para sempre
Mesmo que o dia de hoje seja tão difícil
Um dia se tornará uma linda lembrança
Se eu conseguir dizer tudo que eu sinto
Irei descobrir por que estou vivendo aqui
E também descobrirei o motivo destes sorrisos
Vamos ficar juntos para sempre
Capítulo 62
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For Fruits Basket
Podendo conviver livremente com seus amigos mais uma vez, Nagihiko se habituou depresse à sua nova escola. Na verdade, agora que se acostumara um pouco melhor com sua atual situação, ainda que um pouco instável, estava incrivelmente feliz, e um tanto aliviado, como se tivesse tirado um enorme peso de suas costas. Talvez esse "peso" fosse o fato de ter que esconder de sua família seu relacionamento com a pessoa que amou a vida toda... e sentia-se tão bem por enfim ter conseguido se livrar das correntes que sua mãe o prendera a vida toda que quase se arrependia de não ter feito isso antes. Na verdade, ele realmente deveria tê-la enfrentado bem antes, mas… bem, isso não importava mais. O fato era que enfim estava livre das garras dela.
Ainda que ele não tivesse mais uma casa, e estivesse morando de favor no apartamento emprestado por Utau, tinha conseguido um trabalho temporário na loja de Ikuto (por mais suspeito que aquele trabalho lhe parecesse, mas pelo menos o salário era bom) e, acima de tudo, mesmo depois de ter tido sua matrícula trancada no colégio de elite que frequentava antes, agora estava estudando na mesma escola que Tadase e seus amigos de infância, com a ajuda de Tsukasa para que ele se matriculasse lá. Nagihiko não se lembrava qual fora a última vez em que se sentira assim tão feliz quanto estava agora.
Ele ainda se lembrava bem das palavras de sua mãe antes de ele fugir de casa: "Veremos até onde vai essa 'amizade' agora que você não terá absolutamente nada". Ele gostaria de ver a cara que sua mãe faria ao ver o quão longe sua amizade, não apenas com os Ex-Guardiões, mas também com Utau, Ikuto e as demais pessoas que fora conhecendo com o passar dos anos, poderia lhe levar.
E, enquanto o rapaz deixava a escola naquela tarde para ir até o seu novo trabalho temporário, tentando se preparar psicologicamente para o que lhe aguardava, seu namorado também tinha uma tarefa para cumprir naquela tarde, bastante diferente da sua, porém um tanto desconfortável também. E ele só descobriu do que se tratava quando chegou em sua nova casa.
Quando Tadase adentrou o apartamento de Tsukasa e Haruka, onde ele estava morando agora, um visitante inesperado o aguardava lá.
Hotori Yui, aquele que ele acreditou ser seu pai durante toda sua vida, estava sentado no sofá, de frente para Tsukasa. Na mesa de centro entre eles haviam duas xícaras de chá, e pela expressão dos dois, pareciam estar tendo uma conversa meio tensa.
— Pai…? — Tadase chamou com a voz rouca, surpreso com a presença de Yui no apartamento. Não era possível saber a quem exatamente ele estava se referindo. Tadase acreditara que Yui fora seu pai durante anos, mas tudo aquilo não passou de uma mentira que lhe contaram desde o seu nascimento. Porém, ele sabia agora que Tsukasa, aquele que ele acreditava ser seu tio, era na verdade o seu pai biológico, e era com ele que Tadase estava vivendo agora. Provavelmente nem o próprio Tadase sabia a quem exatamente havia chamado de "pai".
— Ah, Okaeri, Tadase — Tsukasa cumprimentou sorrindo ao notar que o mais novo tinha chegado, ignorando o chamado anterior do garoto para evitar constrangimentos desnecessários, pois parecia que eles estavam prestes a terem bastante disso — o Yui-san veio te visitar, como pode ver.
— Oi Tadase. Eu, ahn… queria conversar com você um pouco, se puder… i-isto é, se você não se importar, é claro — o homem parecia nervoso, e um tanto ansioso também. Torcia as mãos uma na outra nervosamente, mal ousando encarar Tadase.
— Humm… acho que não tem problema… só conversar — o loiro disse por fim, desviando os olhos para os próprios pés, um tanto desnorteado. Tinha ficado com muita raiva de todos quando descobriu a verdade, é claro, e Yui não era exceção. Mas ele tinha se irritado principalmente com Mizue, que fora a principal responsável pelos maiores problemas que ele teve que enfrentar para poder ficar com Nagihiko. E, depois de tanto tempo desde o ocorrido, a raiva o rancor que ele nutrira por seus pais adotivos foram gradualmente desaparecendo. Não esperava que eles viessem procurá-lo depois de tudo o que aconteceu, mas… não seria nada justo de sua parte não dar ao menos uma chance do homem que um dia fora seu pai ao menos falar com ele.
— Isso é ótimo — Tsukasa bateu palmas, ainda sorrindo. Quem olhasse com mais atenção perceberia que ele estava apenas forçando aquele sorriso para aparentar estar tranquilo como de costume, mas até ele parecia nervoso e preocupado com o rumo ao qual aquela conversa poderia levar. Ele colocou-se de pé, e acrescentou — Eu fiz um pouco de chá, tem mais na cozinha se quiserem. Ah, Tadase, eu preciso sair para comprar as coisas para o jantar. Não se preocupe, volto logo — ele pegou as chaves e deixou o apartamento antes que Tadase pudesse protestar por ele tê-lo deixado lá sozinho com Yui, embora soubesse que aquilo era proposital, pois a geladeira estava cheia.
Tadase suspirou, largando sua maleta escolar em um canto, e sentando-se na poltrona onde Tsukasa estava instantes atrás, de frente para Yui. O bule de chá estava em cima da mesa, então ele pegou uma xícara, encheu e tomou um gole. Pensou em oferecer mais para Yui, mas notou que a xícara diante dele ainda estava cheia. O homem provavelmente estava nervoso demais até para beber chá. Quando o loiro pousou sua xícara na mesa, ele enfim pronunciou-se:
— Você parece estar se dando bem aqui… voltou a se entender com o Tsukasa, não é? Você sempre se deu melhor com ele do que conosco mesmo…
— Bem, eu… estou me acostumando a morar aqui — Tadase respondeu apenas, perguntando-se se Yui teria vindo até ali para pedir para ele voltar para a casa dele. Tadase podia até ter crescido naquela casa, mas nunca pertenceu àquele lugar de verdade. Isso sem falar que ele não tinha a menor pretensão de retornar para o lugar onde lhe transformaram em um prisioneiro. Seria bastante problemático se o motivo da visita de Yui fosse esse.
— Eu, hum… trouxe suas coisas — ele indicou uma mala grande, mais uma bolsa de viagem ao seu lado — Eu pensei em te entregar antes, mas… bem, você sabe, aconteceram tantas coisas que… enfim, estão aqui — ele apontou para a mala. Tadase levantou-se, abriu a bolsa de viagem e viu que de fato suas roupas, algumas coisas da escola, dentre outros pertences que antes ficavam em seu antigo quarto estavam lá dentro. Na mala maior devia haver muito mais — Infelizmente não deu para trazer tudo, era muita coisa, então trouxe apenas o que eu achei que você estaria precisando mais. Posso trazer o resto outro dia, se você quiser, é claro…
— Obrigado — o loiro agradeceu, trazendo a bolsa, que era mais leve, para perto de onde estava sentado para poder mexer no conteúdo e conversar ao mesmo tempo. Se Yui havia trazido suas coisas até lá, então provavelmente não pretendia chamá-lo parar voltar a morar com ele, mas o motivo daquela visita repentina ainda lhe preocupava — Mas… você não veio até aqui só para me entregar minhas coisas, não é?
— Não, realmente não — Yui baixou os olhos com ar abatido — Eu sinto muito, Tadase. Claro que sei que pedir desculpas não vai ajudar em nada, nem vai mudar o que aconteceu. Mas eu realmente lamento por você ter descoberto a verdade assim. Isto é, nós não pretendíamos te contar sobre isso, é verdade, mas… se fosse pra você saber da verdade, eu… não queria que tivesse sido de um jeito tão cruel como aquele.
— Pouco antes de eu ir embora — Tadase falou depois de alguns instantes em silêncio — Eu me lembro vagamente de você ter dito uma coisa. Você disse algo para a minh… hum, para a sua esposa, sobre ela ter te dito que me pegou em um orfanato. O que exatamente significa isso?
O silêncio tomou conta da sala outra vez. Yui tomou um gole de seu chá, que àquela altura já estava frio e, depositando a xícara na mesa, encarou o mais jovem e continuou:
— O Tsukasa já te explicou toda a verdade, eu suponho, não é?
— Bem, ele me contou sobre a minha origem. O motivo de alguém como ele… ahn… — Tadase interrompeu-se, sem saber como continuar a frase. Se Mizue não sabia sobre Tsukasa estar namorando outro homem, então Yui muito menos. Não era uma boa ideia conversar sobre esse detalhe com ele — Q-Quero dizer, alguém tão jovem quanto ele ter tido um filho enquanto ainda era um estudante, e como você e sua esposa acabaram me "adotando".
— Entendo. Então você já conhecer metade da história — Yui comentou, ainda fazendo certo esforço para encará-lo nos olhos — Sabe, Tadase, eu e a Mizue… nós sempre quisemos ter um filho. Tentamos várias vezes durante anos, mas nunca conseguimos. Até descobrirmos que a Mizue tem uma doença que a deixa incapacitada de ter filhos. A única opção que nos restou foi a adoção. Nós chegamos a visitar alguns orfanatos, mas toda a documentação necessária, fora as exigências a serem cumpridas para se poder adotar uma criança, principalmente um bebê… era um processo longo demais, nós estávamos muito ansiosos para resolver tudo isso, a Mizue em especial, pois ela se culpava pelo fato de não poder ter filhos. Até que um dia, quando cheguei do trabalho, ela apareceu sorridente com um bebê nos braços. Mizue disse que estava cuidando da documentação em segredo, pra me fazer uma surpresa sobre o bebê. Bem, foi realmente uma grande surpresa. Fiquei tão feliz por finalmente poder ter um filho… que não dei a devida importância ao assunto. Nunca cheguei a perguntar de qual orfanato ela teria te adotado, nem nada assim. Estava apenas feliz por finalmente ter um filho. Foi nisso que eu acreditei durante todos esses anos. Só fiquei sabendo que você era filho do Tsukasa… bem, naquele dia em quem que você fugiu. Na verdade eu nunca nem soube que ele havia tido um filho.
Tadase tomou mais um gole de seu chá. Não acreditaria em nem uma palavra do que Yui dissera se não tivesse escutado ele dizer que Mizue havia dito para ele que Tadase tinha vindo de um orfanato, que tinha mentido para ele também. Do jeito que ele falava, dava a entender que ele estaria jogando a culpa em cima da esposa, mas… no fundo, Tadase sabia que ela era a maior culpada dessa história mesmo. E, mesmo sabendo disso, Tadase ainda queria evitar ter aquela conversa com ele. Queria poder fugir daquela situação tão desconfortável e tensa, como havia fugido da casa dele antes, mas sabia que não havia escapatória e que ele teria que lidar com isso. Respirou fundo, ainda com todos aqueles pensamentos rondando em sua mente, e disse:
— Isso significa que ela mentiu pra você também?
— Não completamente, na verdade — Yui respondeu — Eu sabia desde o começo que você era adotado. Só não sabia… quem era o seu pai verdadeiro. Agora que sei sobre isso, não consigo deixar de me sentir culpado… afinal, o Tsukasa morou conosco por tantos anos, vendo o filho dele crescer, sem chamá-lo de pai, sem poder demonstrar todo o amor paternal que nutria por você durando esses anos todos… não era a toa que ele era um "tio" tão super-protetor — ele deu um fraco sorriso — Eu sei que, falando desse jeito, parece que estou jogando toda a culpa em cima da Mizue, mas…
— Eu realmente pensaria isso se não tivesse escutado você dizer aquela frase sobre a história do orfanato lá na sua casa… — Tadase concordou.
Ainda remexendo na bolsa de viagem que o homem trouxera, ele encontrou uma foto dele com Nagihiko quando eram crianças, na época em que o garoto tinha acabado de assumir seu posto como Valete. Tadase ainda gostaria de poder evitar ter que conversar sobre aquilo tudo com o homem que mentiu pra ele e fingiu ser seu pai a sua vida toda, mas… entre ele e Mizue, ele foi o que conseguiu lidar melhor com relação ao namoro dele com Nagihiko. Bem, Yui nunca aceitou o namoro deles realmente, mas ele ao menos tentou entender, ainda que tardiamente. Mesmo que tivesse demorado anos, ele ao menos tentou compreender o relacionamento deles… e Tadase não queria ter que cortar laços permanentemente com alguém que ao menos fizera uma tentativa, muito pelo contrário. Se Yui fosse enfim capaz de aceitar o namoro dele com Nagihiko… Tadase gostaria de proteger seu relacionamento com alguém assim, principalmente se tratando de alguém que um dia foi seu pai.
— Eu me lembro… que, tanto você quanto sua esposa sempre foram contra o meu namoro com o Nagihiko — Tadase comentou — Mas, naquela época em que eu estava sendo perseguido e ele me salvou, você não brigou como ele. Pelo contrário, até lhe deu uma carona pra casa.
— É… eu nunca entendi essa história sobre dois garotos estarem apaixonados — Yui desviou o olhar para o lado, remexendo-se desconfortável no sofá — Mas, depois de tudo o que vocês passaram durante todos esses anos, eu meio que concluí que… bem, que vocês teimariam até o fim para… ahn, ficarem juntos — o enorme desconforto dele era óbvio, mas seu esforço para falar sobre aquele assunto também — Então eu meio que desisti de… te fazer desistir dessa história de ficar com outro garoto. Você é meu filho e, se estar ao lado dele é o que te faz feliz… bem, eu continuo sem entender como isso é possível, mas que seja então, eu não vou mais interferir. Era o que eu pensava até tudo isso acontecer, mas… acho que nada disso importa mais. Exceto que eu realmente continuo te amando como um filho, Tadase.
— Sei disso. E, mesmo que você não entenda, eu fico feliz… que ao menos tenha aceitado meu namoro com o Nagihiko, ainda que do seu próprio jeito — Tadase deixou escapar um leve sorriso — Pena que não aconteceu o mesmo com a sua esposa.
— Ah, sobre isso… não acho que você possa mais chamar a Mizue de "minha esposa". Eu… estou me divorciando dela — Yui contou.
— O que?! — o loiro exclamou incrédulo — M-Mas… eu pensei que você a amava… então, por que…?
— Muitas coisas aconteceram ao longo dos anos, Tadase. O modo como ela vêm te tratando desde que descobrimos sobre o seu… ahn… relacionamento com aquele rapaz Fujisaki desde que vocês tinham treze anos… é verdade que eu agi da mesma forma e não interferi nas ações dela sobre isso, nem mesmo sobre a decisão de te tornar noivo da Nanami-chan, mesmo sabendo que você não a amava, mas as coisas começaram a mudar com o passar do tempo, e mudavam só para a pior. Mizue tem ficado cada vez mais perturbada e fora de controle, como você deve ter notado, tanto à ponto de eu já não concordar nem aprovar mais as decisões que ela tomava, muitas vezes sem nem mesmo me consultar primeiro. E aquilo que aconteceu no dia que você fugiu foi a gota d'agua. Francamente, roubar o filho do próprio irmão daquele jeito… ela me disse que nem ao menos conversou sobre o assunto com o Tsukasa antes, resolveu essa história toda apenas com a sua mãe biológica, seja ela quem for. E o pior de tudo é que ela me disse tudo aquilo sem nem um pingo de culpa ou remorso na voz. Jamais pensei que a Mizue seria capaz de fazer algo assim… ela está completamente irreconhecível, nem parece mais ser a mulher com quem eu me casei. Eu sempre desejei ter um filho, sempre quis isso muito mesmo… mas não desse jeito. Mas, mesmo que você não seja meu filho biológico… e que ironicamente seja na verdade filho do meu cunhado, saiba que eu sempre te amei como um filho, Tadase. Você sempre foi um verdadeiro filho pra mim, independente do sangue, e isso nunca irá mudar. Mesmo que você se distancie de mim por causa do que aconteceu, eu ainda continuarei te considerando como um filho.
— Eu… não é que eu odeie você — Tadase falou após alguns segundos em silêncio — Mas tudo isso é muito estranho. Quero dizer, você e sua esposa… ahn, quero dizer, ex-esposa, ou o que for, que eu acreditei serem minha família esses anos todos, tinham na verdade me adotado e nunca me disseram nada. E o homem que eu sempre pensei que era meu tio era na verdade o meu pai biológico, e também nunca me contou nada sobre isso durante todos esses anos. Não foi nada fácil passar por tudo isso. Eu só consegui superar toda essa história graças ao Nagihiko, que sempre esteve ao meu lado. E, agora que eu comecei a me acostumar com essa nova vida, você aparece do nada, dizendo essas coisas… é tudo muito confuso. Eu não tenho raiva de você, nem nada assim, é só que… você nunca me contou a verdade sobre a minha origem.
— Sei que isso foi errado de minha parte. Mas, geralmente, quando os pais adotivos contam a verdade para seus filhos, eles saem em busca de seus pais verdadeiros, deixando as pessoas quem o criou para trás… e eu não queria que isso acontecesse — Yui respondeu cabisbaixo.
Tadase pegou uma maçã em uma cesta de frutas em cima da mesa perto do bule de chá e ficou girando-a entre as mãos distraidamente, pensando em tudo o que Yui lhe dissera. Depois de quase um minuto em silêncio, ele suspirou e respondeu:
— Você ensinou seu filho a nunca contar mentiras, mas mentiu pra mim a vida inteira. Isso é um tanto irôrico, e não é nada legal de sua parte, sabia?
— "Meu filho"…? — Yui repetiu, voltando a encarar o loiro — Então, isso significa…
— Você disse que ainda gosta de mim como se eu fosse seu filho, não é? Então, acho que é isso mesmo — Tadase deu um leve sorriso, sentindo um curioso alívio por ter feito as pazes com Yui, e ao mesmo tempo deixando seu "outro pai" imensamente feliz.
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E, na manhã seguinte, outra mudança aconteceu na vida de outra pessoa, embora fosse completamente diferente das mudanças que estavam acontecendo na vida de Tadase. Naquela manhã, Yaya corria em uma direção completamente diferente à da escola, até chegar em uma pracinha deserta onde sabia que Kukai tinha o hábito de ficar treinando futebol antes de ir para a escola, e por isso sempre se atrasava para a aula, mas isso não lhe importava em nada agora. Assim que se aproximou o suficiente para ser ouvida, chamou pelo nome dele:
— Kukai!
— Yaya? — o ruivo olhou com espanto para ela e deixou a bola cair quando a garota praticamente se jogou em cima dele — Ei, o que aconteceu?!
— Me ajude… você precisa ajudar a Yaya, por favor! — ela pediu, encarando-o com os olhos chorosos e um ar deseperado que não combinava nada com ela.
— Ei, mas que cara é essa?! O que foi que aconteceu? — ele indagou preocupado. Conhecia muito bem a cara de choro que a garota sempre fazia para conseguir alguma coisa, ou por pura chantagem emocional, e era bem diferente daquela
— Hoje, quando acordei… a Pepe-chan não estava no meu quarto! Procurei o Shugo Tama dela por toda a parte, mas ele também sumiu! Procurei pela Pepe-chan pela casa toda, saí gritando o nome dela até meus pais começarem a se perguntar se deviam chamar um médico ou coisa parecida… e, como não a encontrei, me vesti o mais rápido que pude e vim aqui falar com você. Por favor, ajude a Yaya a encontrar a Pepe-chan, Kukai!
— Ah, Yaya… acho que não posso fazer isso — ele coçou atrás da cabeça, perguntando-se como iria conversar sobre aquilo justo com Yaya, aquela que desejava ser um bebê para sempre.
— Mas por que não?!
— Yaya… sente aqui — Kukai a puxou pela mão até um banco em um canto da praça — Se lembra de quando o Daichi desapareu de repente?
— É claro que me lembro… mas o que isso tem a ver…? — ela indagou ao começar a entender aonde ele queria chegar, porém recusando-se a sequer cogitar aquela possibilidade.
— E você se lembra do motivo que o levou a desaparecer? O motivo pelo qual os Shugo Charas somem um dia?
— O Daichi sumiu quando você decidiu a carreira que queria seguir quando se formasse — a garota recordou — E o motivo para os Shugo Charas desaparecerem… não… não, não pode ser isso, Kukai… tem que ser outra coisa!
— Mas não é outra coisa. É isso mesmo que você está pensando — o mais velho respondeu, falando o mais delicadamente que conseguia — "Quando a criança cresce, seu Shugo Chara se esvai, retornando para junto de seu dono". Era isso que estava no livro dos Guardiões do Tsukasa-san, se lembra?
— Mas… mas a Yaya não cresceu! Yaya é a mais nova do grupo… Yaya ainda é só um bebê! — ela insistiu, as lágrimas começando a rolar livremente por seu rosto.
— Não é mais, Yaya — Kukai respondeu, pensando que era melhor não lembrá-la do fato de que Kairi era mais jovem do que ela na verdade — Se lembra do que você falou quando comemoramos a reconciliação do Tadase com o Tsukasa-san no Royal Garden? Você disse palavras realmente lindas… fez um discurso digno de uma verdadeira Às. Naquela hora, acho que todos que te conhecemos há um tempo considerável pudemos perceber como você amadureceu enquanto dizia aquelas palavras tão bonitas. Você foi amadurecendo aos poucos, bem devagar, só que sem perceber… até que se tornou madura o bastante para não precisar mais da ajuda de um Shugo Chara ao seu lado. Mas não se preocupe, não é porque você não pode mais ver a Pepe que ela sumiu, não é como se ela tivesse ido embora, ou nunca tivesse existido. Ela apenas retornou para o lugar de onde veio. O seu coração — ele apontou para o peito da ruiva, sorrindo numa tentativa de reconfortá-la.
— É… a Pepe-chan sempre vai estar aqui dentro, junto de comigo, não é? — Yaya falou, os olhos ainda marejados, tocando o próprio peito com as duas mãos como se estivesse abraçando algo invisível.
— Mas é claro. Ela faz parte de você afinal — Kukai respondeu — E não se preocupe quanto a essa história de crescer e tudo o mais… você sempre será uma gracinha de menina pra mim. E pode deixar que eu vou continuar te mimando o quanto puder! — ele acrescentou, alargando um pouco sorriso e lhe fazendo um cafuné, bagunçando os cabelos da garota.
— Você jura? — ela o encarou nos olhos, ainda um pouco chorosa — Promete que vai continuar cuidando e mimando a Yaya? Não vá mudar de ideia e me deixar de lado depois, hein!
— Mas é claro que não vou! Eu jamais te abandonaria! — ele exclamou com convicção — Se eu falei que vou continuar mimando a minha garota preferida o quanto puder é porque vou mesmo fazer isso!
— Então, já que é assim… vamos sair juntos! E você vai comprar um sorvete pra Yaya!
— Agora?! Mas nós temos aula daqui a pouco…
— Ahh eu sabia que era mentira! Você só falou tudo aquilo pra fazer a Yaya se sentir melhor! — ela choramingou, dessa vez com a expressão de choro a la chantagem emocional que Kukai já conhecia muito bem, mas também sabia que ela não o perdoaria se voltasse atrás agora, e nem pararia de fazer escândalo até ele ceder.
— Está bem, está bem, vamos tomar sorvete então. Faltar um dia de aula nunca matou ninguém, então não tem problema… vamos lá — ele puxou Yaya pela mão, guiando-a até a sorveteria mais próxima.
— Isso! Yaya vai querer sorvete de baunilha! — ela exclamou, sentindo-se melhor agora que não estava mais sozinha, entrelaçando seus dedos com os dele.
—----------
No fim daquela tarde, enquanto se perguntava vagamente qual seria o motivo de tanto Kukai quanto Yaya terem faltado a escola, Tadase se dirigia até a Nyanderful para ver como Nagihiko andava se saindo em seu novo emprego. No entanto, quando chegou lá, não foi exatamente Nagihiko quem o atendeu.
Uma garota usando um vestido de maid com mangas bufantes, avental branco por cima e meias pretas com rendas que iam quase até a altura da saia do vestido, que não era lá muito comprida por sinal, era quem estava trabalhando na loja. Seus cabelos arroxeados estavam presos em uma longa trança, mas Tadase conhecia muito bem aquela garota.
— Seja bem-vin… ahh… — a garota parou de chofre ao ver que o rapaz que adentrara a loja era Tadase, em um estado de choque tão grande quanto o que o loiro estava.
— N-Nadeshiko… chan…? — Tadase chamou o nome que não usava já havia algum tempo. Sentiu seu rosto começar a esquentar conforme ia se recuperando do choque devido à fantasia de maid que Nadeshiko usava agora, mas continuava curioso e confuso sobre a presença da falsa garota naquela loja — Você… está tão linda… ah! — ele interrompeu-se, corando um pouco mais intensamente, e lembrando-se do que realmente queria saber naquele momento — Q-Quero dizer… por que você está aqui? Eu pensei que era o Nagihiko quem iria trabalhar na Nyanderful.
— B-Bem, sim, mas…
— Ah, olha só, o Tadase descobriu! — Ikuto o interrompeu, saindo da porta que levava aos fundos da loja, com uma cara de quem tinha chegado bem no ague de uma festa — Cara, não acredito que perdi o flagra dele! Mas você devia ver a sua cara de bobo, Tadase, está o máximo! — ele gargalhou — E aí, sua "namorada" já explicou o motivo de estar trabalhando pra mim?
— Não, ainda não… e eu bem que gostaria de saber a razão — ele encarou Nadeshiko sério — Por que não me contou que era você quem iria trabalhar aqui, e não o Nagihiko?
— Eu sinto muito, Tadase — Nadeshiko suspirou — Tudo foi decidido muito em cima da hora… o Ikuto acabou me convencendo a trabalhar como Nadeshiko e como Nagihiko ao mesmo tempo, e fizemos um acordo para que ele me pagasse em dobro por isso…
— É, eu não gostei nadinha dessa parte — Ikuto interrompeu novamente, fazendo uma careta.
— Não reclame, o número de clientes dessa loja cresceu bastante desde que eu vim pra cá, não foi? — Nadeshiko resmungou de volta — Enfim… eu pretendia ir te visitar hoje depois do trabalho e aproveitar para conversar com você sobre isso, mas o Ikuto insistiu bastante para que eu trabalhasse como Nadeshiko hoje. E eu não pensei que você viria até aqui hoje, então… bem, me desculpe.
— Hoje é mesmo o primeiro dia que você está trabalhando como Nadeshiko? — Tadase indagou, ainda chateado.
— Sim, claro que é — ela respondeu com convicção.
— Não esquenta, isso é verdade mesmo. Hoje é o primeiro dia de trabalho da minha nova empregada — Ikuto confirmou lá de trás do balcão, ainda assistindo a cena enquanto comia pipoca de uma grande bacia que eles podiam jurar que não estava ali antes de Tadase entrar na loja.
— Ela não é sua emprega… ei, isso é pipoca? — Tadase indagou, encarando o mais velho.
— Sim, só estou fazendo um lancinho — ele respondeu, fingindo inocência, e enfiando mais um punhado de pipoca na boca enquanto assistia ao barraco de camarote — Querem um pouco?
— Não obrigado… — o loiro falou, tentando ignorar aquilo. Voltou a encarar Nadeshiko, e acrescentou — Tudo bem você não ter me contado antes se não deu tempo, mas… não gostei dessa ideia de você também trabalhar aqui. Os rapazes que frequentam essa loja podem dar em cima de você… ainda mais, vestida… d-desse jeito… — ele não conseguiu evitar de olhar para as pernas da falsa garota, agora consideravelmente expostas.
— Não precisa se preocupar com isso, eu já conversei sobre esse assunto com o Ikuto e, caso algo assim aconteça, deixarei bem claro para todos os clientes daqui que já sou comprometida — Nadeshiko respondeu.
— Pois é, eu também não gostei muito dessa parte do acordo — Ikuto resmungou lá do balcão — Eu lucraria uma verdadeira fortuna se os clientes voltassem aqui só para te ver e comprassem qualquer coisa para is… ahh… cof, cof, cof! — ele interrompeu-se, começando a se engasgar com milho de pipoca.
— Tá vendo só, é isso o que você ganha por querer obrigar seus empregados a fazerem coisas esquisitas. Sem falar que a sua loja não oferece esse tipo de "serviço", então pode esquecer, está fora de cogitação — Nadeshiko o repreendeu, enquanto o mais velho ainda tentava se recuperar de seu ataque de tosse. Notou então que Tadase ainda lhe observava de modo estranho, e acrescentou — Ei, mas que cara é essa, Tadase? — ela seguiu o olhar do loiro até se dar conta de que ele ainda olhava fixamente para suas pernas — Humm… então, mesmo reclamando, parece que você gostou da roupa que estou usando, não é? Eu tinha me esquecido… essa é a parte do meu corpo que você mais gosta, certo?
— Quê?! — Tadase despertou para a realidade, corando terrivelmente, o coração batendo descompassado — E-Eu não… i-isto é, eu… q-quero dizer…
— Ahahahaha! Viu só, eu disse que o Tadase ia adorar essa roupa em você, Fujisaki! — Ikuto riu lá do balcão, finalmente se recuperando se seu ataque de tosse, mas ainda com a boca cheia de pipoca — Por isso que te falei desde o começo que não tinha problema em você pegar alguma fantasia emprestada da loja pra vocês "se divertirem". Ah, só devolva limpa e inteira depois, viu? Senão vou descontar do seu salário.
— E-Eu já disse que não é nada disso, Ikuto nii-san! — Tadase exclamou, embora sua expressão o denunciasse. Seu rosto ainda estava irremediavelmente corado, seu coração parecia que ia saltar pela boca a qualquer momento, e ele não conseguia falar sem gaguejar. Isso sem falar que, por mais que se esforçasse, ele não conseguia desviar os olhos das pernas da falsa garota, como se seus olhos estivessem sendo atraídos naquela direção.
— Não minta, até eu mesma posso ver que no fundo você bem que gostou disso — Nadeshiko sorriu maldosamente — Bem, eu não tinha gostado da ideia, mas… o Ikuto disse que não tem problema pegar a fantasia emprestada, então…
— Ah, não, isso não. A Utau é quem gosta de assistir essas cenas, eu só queria ver o barraco. Se vão namorar, então arrumem um quarto, anda — Ikuto parou de rir e se dirigiu até os dois mais novos, empurrando-os descaradamente até o cômodo no fundo da loja, que levava até o quarto dos fundos onde Tadase estava vivendo durante o breve período que morou com Ikuto — Francamente, como esses pirralhos crescem rápido… e depois, falam que eu sou o pervertido, hunf! — ele resmungou para si mesmo, embora deixasse escapar um sorrisinho maldoso, comendo mais um pouco de pipoca.
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