Itsumo Yakusoku
51 Capítulo 51 - Sunadokei
Perguntei-me como um coração frágil
Podia suportar tanto frio dentro das trevas
Eu só posso parar os grãos de tempo de correr totalmente fora
Para voltar a sentir a ternura do seu amor ...
Eu realmente acreditava no amor que eu senti
Desde o momento em que te conheci ...
Eu desejei nada mais, mas para estar com você até o fim
Porque eu pensei que o amor é tudo, na verdade ...
Eu tentei descobrir por que algo de valor
É mais frágil do que não é
Esta verdade simplesmente dói demais ...
Não seria muito mais fácil
Para esquecer e pôr fim a essa dor?
Mas às vezes eu ainda desejo parar por um momento sequer
Para ser aquecido novamente por seu terno amor puro ...
Capítulo 51
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Sunadokei
Tadase sentia as pernas doerem pela falta de costume em correr daquele jeito, mas não conseguia se obrigar a ir mais devagar. Queria ver Nagihiko, e queria vê-lo naquele instante. Não aguentava mais sua mãe, vigiando cada passo seu e decidindo tudo sobre ele, como se ele não tivesse direito nem mesmo de governar sua própria vida. Quando é que ele ia poder começar a viver de verdade, e não apenas se esconder como se fosse um criminoso, como se o que quisesse fosse errado e digno de vergonha? Essa situação já estava mais do que saturada. Ele não poderia, jamais, decidir pelo que o faria feliz, ao invés de ficar sempre preocupado com o que os outros pensavam? Será que ele não iria conseguir jamais… ser o Rei do seu próprio mundo…?
Já estava sem ar, sentindo os pulmões queimando dentro do peito, quando viu ao longe a figura de Nagihiko, esperando-o no seu ponto de encontro, um parque distante do distrito onde moravam. O semblante dele era tranquilo, mas logo preocupou-se ao notar a maneira como Tadase vinha correndo na sua direção. Abriu os braços, segurando-o, tão logo ele pulou para abraçá-lo.
— Aconteceu alguma coisa, Tadase-kun? — ele indagou, abraçando Tadase com força. Os ombros dele tremiam, incontrolavelmente, e ele parecia estar se segurando para não cair no choro.
Como Tadase ainda não conseguia responder, o rosto enterrado em seu peito, Nagihiko apenas o aparou, cuidadosamente, e o levou até um dos bancos mais próximos, em meio às árvores do lugar. Havia ficado muito apreensivo, não somente por causa do estado frágil em que ele apareceu, como também por que sentiu algo estranho com relação ao seu coração. Tantos anos lidando com Shugo Charas e Shugo Tamas garantiram a ele, assim como aos outros gurdiões, certa sensibilidade quanto a esse respeito, e ele podia sentir uma tênue instabilidade no coração do namorado naquele instante. Como se ele estivesse, aos poucos, perdendo a confiança em realizar seu sonho.
Estando os charas deles em uma situação tão delicada, por causa da idade já não tão propícia de seus donos, é claro que qualquer evento desse tipo poderia ocasionar consequencias drásticas. Nagihiko não poderia permitir, jamais, que Tadase desistisse de seu sonho de maneira alguma. Abraçou-o com mais força, deixando que ele apoiasse a cabeça no seu ombro, e esperou até que ele estivesse calmo o bastante para lhe contar o que aconteceu. o que não demorou tanto assim, realmente.
Ele narrou em voz baixa, tudo o que aconteceu no café onde ele havia ido se encontrar com Tsukasa, sobre a conversa que tiveram até o momento em que sua mãe adentrou no lugar e começou a fazer um escândalo ali mesmo, na frente das pessoas.
— ...Eu tenho a impressão de que ela não fica mais contente só em me controlar… ela quer também controlar todos ao meu redor, e tornar a minha vida tão amarga e sem sentido quanto a dela. Eu não entendo, Nagihiko-kun… por que ela faz essas coisas? Não apenas me afastar de você, mas também do Tsukasa-san… parece que ela quer manter longe todas as pessoas que eu amo… Será que eu não posso nem mesmo escolher quem eu quero do meu lado? Eu já perdi a minha avó, e também você, agora Tsukasa-san… eu não consigo manter por perto nem mesmo as pessoas que são importantes para mim, não consigo proteger ninguém… que espécie de Rei é esse, que deixa essas coisas acontecerem, me diz? Eu não aguento mais… N-nagihiko-kun… a-acho que poder proteger o meu mundo, no fim das contas, é algo impos…
— Shhh — Nagihiko silenciou Tadase, pousando delicadamente o indicador sobre seus lábios. — Não use essa palavra. Eu também achava que era impossível que você se apaixonasse por mim. E quando nossos pais descobriram sobre nós, achei que seria impossível ficarmos juntos de novo. Quando estava na Inglaterra, pensei que fosse impossível voltar para o Japão. E olha onde nós estamos agora? Não é o ideal, eu sei… mas estamos juntos, Tadase-kun. Ao lado um do outro. Isso não prova que nada é impossível?
— Mas...é tão difícil… — Tadase se aconchegou em Nagihiko, apertando com força a roupa dele entre os dedos, como se isso pudesse garantir que ele não iria desaparecer diante dos seus olhos. — M-minha mãe me vigia mais do que nunca.. Ela jamais vai aceitar que nós fiquemos juntos… ela seria capaz de me prender em casa, para garantir que isso não aconteça. E ainda, ela está me privando de ver o Tsukasa-san, que além de ser a única pessoa que eu tinha para conversar, era quem nos ajudava sempre… e eu não aguento mais isso. Eu não consigo mais suportar isso, Nagihiko-kun… Eu quero… poder ao menos decidir sobre a minha própria vida. Quando é que isso vai ser possível? Algum dia eu vou poder viver a vida que eu escolhi, e não a que ela decidiu? — ele se agarrou ainda mais em Nagihiko, e escondeu o rosto entre suas roupas, abafando a voz já fraca — A briga deles, foi tão horrível… eu odeio isso, odeio...
— Calma, Tadase-kun… — Nagihiko sussurrou, em seu tom de voz tranquilizante, acariciando lentamente os cabelos de Tadase, enquanto o abraçava. — Eu não sei exatamente quando, ou como… mas eu vou tirar você daquela casa. Eu também vivo sufocado pelo controle da minha família, e eu sei como ninguém como isso pode ser angustiante… mas eu já penso nisso há bastante tempo. Nós vamos enfrentar elas, e vamos sair dessas prisões que elas criaram, achando que seria o melhor para nós. Eu sei que é pedir demais, mas tenha um pouco mais de paciência, e confie em mim. Eu não sei bem o que fazer primeiro, no entanto, tenho alguns planos reserva…
— Você tem? — Era a primeira vez que Tadase ouvia sobre isso. Nagihiko sorriu, um pouco mais aliviado ao perceber que a tensão no coração de Tadase havia se atenuado.
— Na hora certa, você vai saber. Eu não quero criar expectativas em algo tão incerto. — ele respondeu, e Tadase achou melhor não insistir — Então.. não fique se culpando por algo que não está ao seu alcance resolver, Tadase-kun. Eu sei que você acha que deve cuidar de tudo sozinho, mas nessa ocasião, nós somos impotentes… é a nossa família afinal, nós temos que ser cuidadosos e pensar muito antes de agir… e por enquanto, não há nada que possamos fazer. Eu sei que é ridícula essa ideia da sua mãe de que você não pode ver o Tsukasa, mas você conhece ela, não é? Logo ela muda de alvo, passa a odiar outra pessoa, e tudo volta a ser como antes. Eu sei como você pensa que tem que resolver todos os problemas, de todas as pessoas… mas as vezes, é melhor deixar que eles se resolvam sozinhos, certo?
— Tem razão… não há nada que eu possa fazer para ajudar nesse caso… — Tadase admitiu — E eu vim até aqui correndo, e estou apenas tomando seu tempo com as minhas preocupações…
— Eu já disse que isso não é problema nenhum para mim, não é?
— Eu sei, mas… logo minha mãe vai me procurar e eu vou ter que voltar para casa. Nós deveriamos aproveitar esse único tempo livre com alguma coisa mais produtiva do que ouvir os meus lamentos… — ele murmurou, corando ligeiramente e desviando o olhar, ainda abraçado em Nagihiko.
O maior sorriu mais abertamente, e tocou o queixo de Tadase com o polegar e o indicador, erguendo o rosto dele até ficar bem próximo do seu, ocultos pelas árvores do parque quase deserto àquela hora. Tocou seus lábios levemente, uma e outra vez, até perceber que Tadase já não estava mais nervoso e angustiado como antes.
— Então vamos aproveitar esse restinho de tempo que nós temos… — ele sussurrou, antes de tomar os lábios de Tadase de uma só vez, com vontade.
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O clima começar a esquentar, e os uniformes de verão já podiam ser usados. Com o dia radiante e o sol brilhando, Tadase se sentia revigorado e um tanto mais animado, mesmo depois de ter passado muito mais tempo do que deveria conversando com Nagihiko pelo celular, e ido dormir bem tarde. Mais de uma semana se passara desde a briga de sua mãe com Tsukasa, e o nome dele não era mais citado em nenhuma conversa. Tadase não se arriscou a sair para vê-lo novamente, pois o próprio Tsukasa pediu que ele não o fizesse, mas eles ainda conversavam por telefone algumas vezes.
Tadase estava pensando exatamente em quando teria tempo de marcar um encontro com Nagi, já que fazia tanto tempo que não se viam, quando a professora responsável pela turma adentrou, e chamou a atenção de todos, logo após os cumprimentos habituais.
— Hoje, nós vamos preencher o formulário sobre o futuro de vocês — ela anunciou, começando a distribuir as folhas de oficio entre as fileiras. Algumas pessoa pareciam animadas, outras, decididas, enquanto alguns poucos entre eles, faziam expressões completamente desesperadas. Eles ainda estavam no segundo ano, mas já era hora de tomar um rumo, e ter que fazer uma decisão tão importante de repente deveria ser aterrorizante. — Não precisam entregar isso a mim hoje, podem levar para casa, e discutir o assunto com suas famílias, porém, eu espero que levem a sério. Não é somente um pedaço de papel, isso diz respeito aos seus sonhos, e ao seu futuro.
Tadase recebeu a sua folha, e respirou fundo. Ele e Nagihiko haviam conversado sobre isso algumas vezes, e tinham resolvido que tentariam se inscrever para as mesmas universidades, já que esse era um assunto sobre o qual dificilmente suas mães poderiam interferir, embora a Sra. Fujisaki tivesse pretensão de fazer Nagihiko seguir seus passos e assumir a Academia de Dança. Ele contou que poderia até ter vontade de fazer isso, já que amava dançar, e não encontrava dificuldade em ensinar as garotas menores (que declaravam abertamente que preferiam ter aulas com ele do que com a sua mãe, por motivos evidentes), mas apenas a possibilidade de viver mais sabe-se lá quantos anos sob a vigilância e o controle extremo da sua mãe, era algo que ele definitivamente não queria.
O loiro se inclinou sobre a folha, e escreveu como primeira opção, “administração”. Sua mãe não estava diretamente tentando decidir o que ele ia escolher para a faculdade, e como ele tinha ótimas notas, não teria problemas em entrar em alguma universidade boa. Porém, ele deixou os campos onde deveria especificar as suas opções de universidades em branco. Conversaria com Nagihiko em outro dia, e eles decidiriam isso juntos. Pelo menos nessa decisão, ele não deixaria que sua mãe interferisse. Escolheria por si mesmo, e planejaria um futuro junto com Nagihiko, de preferência, em um lugar longe dali. Ele sorriu para si mesmo, enquanto escrevia no papel suas aspirações para o futuro. Sim, quando estivesse na faculdade, seria dono da sua própria vida. Iria morar longe da sua mãe, e cuidar de tudo sozinho. Seria um adulto, e ela não poderia mais controlar tudo ao seu redor, por que ele não permitiria. Como é que ele não tinha pensado nisso antes? Depois que terminasse a escola, tudo iria melhorar! Ele só precisava aguentar por mais um tempinho.
Depois de escrever, ainda pensando em quando iria poder ver Nagihiko para eles conversarem sobre isso, ele olhou ao redor. Alguns colegas já tinham escrito, outros nem se preocuparam com isso, mas a grande maioria parecia muito indecisa, e concentrada na atividade de pensar sobre o assunto, tirando dúvidas e trocando ideias com outros colegas. Logo ao seu lado, porém, Amu parecia atormentada por uma enorme incerteza, que era evidente para quem quer que a olhasse. Ela encarava aquela folha em branco com tanto furor que poderia fazê-a entrar em combustão espontânea a qualquer segundo. Tadase se inclinou na direção dela.
— Algum problema, Amu-chan? — ele indagou, e ela tomou um susto ao ser chamada. Depois de se recuperar, olhou para ele, a dúvida enchendo seus olhos.
— Eu não sei o que colocar! — ela quase gritou, debatendo-se na classe. — Tem tantas coisas que eu gostaria de fazer, e são tantas opções!! Eu adoraria ir para a mesma universidade que o Kairi-kun vai escolher, mas ele tem como opções a Universidade de Tokyo e mais outras super difíceis de se entrar, eu nunca conseguiria! Eu poderia ir para a mesma de vocês então, mas… o problema, é que eu não decidi que curso escolher! O que eu faço, Tadase? É uma decisão importante demais e… você sabe… decisões não são o meu forte…
— Se acalme primeiro, Amu-chan. Nervosa desse jeito, você não vai conseguir pensar direito em nada… — ele disse, solidariezado com a situação da amiga, e entendia a dúvida dela. Era mesmo difícil ter que escolher como será a sua vida assim, de uma hora para a outra — Ainda tem tempo antes de você ter que entregar esse formulário. Você pode conversar com os seus pais, e pensar direito no que quer fazer… Você tem muito talento, Amu-chan, tenho certeza de que o que quer que você escolha, vai se dar muito bem!
— Obrigada, Tadase-kun. — ela sorriu, ainda nervosa — Eu vou pensar nisso.
Depois disso, a aula correu como antes, embora Tadase mal tivesse conseguido prestar atenção em tudo, ocupado em imaginar, mesmo sem querer, como seria um futuro no qual ele e Nagihiko pudessem ficar juntos novamente. No intervalo, mandou uma mensagem para ele contando sobre os formulários de carreira e perguntando sobre quando eles poderiam se ver. Nagihiko respondeu logo depois, contando que teria ensaios durante essa semana, e eles só iriam poder se encontrar no domingo, no estúdio de dança como sempre. Eles combinaram que iriam pesquisar juntos sobre as universidades, e escolher qual seriam as suas opções. Tadase mal podia esperar.
A reunião do Conselho EstudantiI foi completamente tomada sobre discussões sobre o futuro de cada um. Kukai, obviamente, já estava estudando com objetivo de entrar na faculdade de Educação Física no ano seguinte, e apesar de não ser mais membro do conselho por que tinha que estar se concentrando nisso, vivia passando tempo por ali de qualquer forma. Agora, ele era o Tesoureiro Vagal. Rima contou que estava pensando em fazer Publicidade, para talvez futuramente, trabalhar em programas de comédia da televisão, ou como agente de artistas. Yaya deixou claro que ainda era um bebê, e que bebês não se preocupam com carreiras. Kairi já havia decidido para quais universidades pretendia se candidatar, mas quando tocou no assunto, Amu teve um ataque de nervos por não ter se decidido ainda, e ele teve que acalmá-la.
Enfim, após isso, Tadase se precipitou para ir para casa, sem muita vontade realmente de ir para lá, já que não tinha nada para fazer, além de estudar. Quando chegou, notou que não havia ninguém além de Hotosaki, que o esperava alegremente e fez questão de sujar seu uniforme ao cumprimentá-lo entusiasmadamente logo que ele chegou. Tadase tomou banho e comeu alguma coisa, mas sua mãe tinha deixado claro que demoraria, e ele estava cansado de fazer qualquer coisa.
Lembrou então, que Yaya tinha sugerido que eles pudessem fazer um albúm de fotos para dar de presente à Kukai quando ele se formasse, com recordações dos anos de ensino médio. Tadase podia jurar que tinha um monte de fotos ali, em algum lugar. Sem nada melhor para fazer, ele começou a revirar nas caixas guardadas na estante. Com alguma sorte, poderia até encontrar alguma fotografia antiga que aparecesse Nagihiko, alguma que sua mãe não tivesse confiscado.
Como esperado, ele tinha muitas fotos, muitas mesmo. A máquina fotográfica de Yaya não descansava nunca afinal. As fotos mais recentes ele tinha guardado consigo, bem escondido no seu armário, pois Nagihiko aparecia em muitas delas e ele não queria correr o risco, mas ali tinha várias fotos de infância em que seus amigos apareciam, e quando percebeu, Tadase já estava sorrindo sozinho com as lembranças. Foi separando aquelas em que Kukai aparecia, para entregar à Yaya depois, e também separou algumas das quais tinha mais carinho, para guardar consigo. Havia mesmo, algumas poucas, onde ele estava com Nadeshiko quando criança, ou durante o fundamental com Nagihiko, antes de eles começarem a namorar, inclusive, e ele tratou de pegar essas também.
Estava entretido em olhar as fotos, e de repente, encontrou seu album de bebê. Pensando bem, ele nunca tinha visto muitas daquelas fotos, eram tão antigas… a curiosidade foi maior, e ele começou a folhear o álbum. Tinha realmente muitas fotos de quando ele era pequeno, nas mais variadas poses e situações. Seria constrangedor se qualquer um visse aquilo, mas ele tinha certeza de que Nagi diria coisas embaraçosas sobre o quanto ele era fofo. A maior parte das fotos era de quando Tadase já era maiorzinho, antes de entrar na escola, ou dele bebê, com alguns meses de idade. Sempre com sua mãe, ou com seu pai, ou ainda no colo de Tsukasa. Várias fotos de aniversários, algumas onde Nadeshiko aparecia, ele retirou do álbum para guardar consigo. Ele procurou por ali, mas não encontrou nenhuma foto de quando era recém-nascido, como geralmente, existem em albuns de bebês. Quando Yaya mostrou o dela, toda orgulhosa de ser o bebê mais fofo do mundo, tinha até mesmo fotos da mãe dela grávida, mostrando a barriga enorme. Mas ali, só tinha fotos de Tadase mesmo.
Ele ouviu o barulho do portão da casa abrindo, e o latido de Hotosaki confirmou que sua mãe estava chegando. Sem nem saber o porquê, ele guardou rapidamente os álbuns de fotografias na caixa e guardou no lugar, carregando aquelas que havia separado de volta para seu quarto antes que ela visse. Antes de dormir, de noite, ele provavelmente iria olhar mais para aquelas fotos onde Nadeshiko ou Nagihiko apareciam ao seu lado, ainda com traços infantis e um sorriso inocente e feliz no rosto. Eles cresceram juntos, e Tadase gostava de ver, mais uma vez, como era despreocupado e tranquilo viver com aquela idade. Às vezes, pensava que seria bom voltar no tempo, talvez fazer tudo corretamente, e então, se apaixonar mais uma vez por Nagihiko. Naquela época, era mais fácil. Ele sorriu, ao imaginar o que o seu eu daquele tempo diria se visse como ele estava agora.
No entanto, sabia muito bem, não havia como parar o tempo. Ele só corria para frente, e seria impossível retornar e consertar os erros do passado. Voltar, e evitar que seus pais descobrissem tudo, impedir que Nagihiko fosse para longe, ter passado aqueles anos todos perto dele. Por mais que desejasse tudo isso, foram esses desencontros e erros cometidos que os tornaram mais fortes, e Tadase não poderia se arrepender de nenhum deles. Teria que se focar no futuro, e nas inúmeras possibilidades que via a sua frente agora. Sim, ele construíria para si um mundo, que pudesse proteger e passar cada dia da sua vida da maneira que sempre desejou. Ao lado de Nagihiko.
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