Itsumo Yakusoku

47 Capítulo 47 - Glamorous You


Notas iniciais
Glamorous You - Scandal https://letras.mus.br/scandal/1948839/traducao.html

Qual é o seu verdadeiro eu?

Essa é a sua chance de começar

Colocar a maquiagem mais viva do que o habitual

Organizando suas roupas favoritas no seu quarto

Sua música favorita vindo fones de ouvido

Vamos começar a olhar para a sua vida feliz

Você já teve pensamentos dolorosos

Você já chorou por si mesmo

Mas eles são uma parte de suas lágrimas

Agora bata palmas! Hey, a sua história está brilhando

Querendo esquecer os erros e problemas também

Eles vão se tornar piadas engraçadas

A partir do momento todo mundo nasce

Isso mesmo, você é o único hey, amanhã é com você



Capítulo 47

~

Glamorous You



Nagihiko viu sua mãe falando ao telefone com ar de muita concentração quando passou pelo escritório dela. Pela sua experiência, normalmente ele deduziria que nada bom poderia vir disso. Ela estava com o tom de voz que assumia quando tratava de negócios, e como seu pai não estava por perto, só poderia ser alguma coisa referente a ele próprio. Agendando um show, talvez, fazia realmente muito tempo desde que Nadeshiko se apresentara. Só de pensar nos treinos extras que ele teria que fazer se fosse esse o caso, Nagihiko já ficava exausto. E pensando nisso, seu tempo com Tadase – já reduzido, por que Mizue redobrara a vigilância sobre ele desde aquela briga sem sentido com Tsukasa, se tornaria ainda menor.

Assim como esperado, logo que ela desligou o telefone, chamou por Nagihiko. Parecia um tanto mais bem-humorada do que o normal, não exatamente com um sorriso no rosto, mas ao menos não estava com aquela carranca habitual. As negociações ao telefone deveriam ter sido muito vantajosas mesmo.

— Nagihiko, eu acabei de falar com o departamento editorial de uma revista especializada em moda.

— É… o que? – o assunto pegou Nagihiko de surpresa. Ele sentou a frente da mesa no centro do escritório, que era de seu pai, mas Kaoruko quem a ocupava a maior parte do tempo. Aquela frase não parecia algo que sua mãe falaria, mas ele sabia muito bem que ela não fazia brincadeiras.

— Uma das colunistas da revista deseja fazer uma reportagem sobre roupas tradicionais, e entrou em contato comigo para agendar uma entrevista, e também, tirar algumas fotos. Ela pediu especificadamente que Nadeshiko fosse a modelo, e mais algumas garotas da academia de dança também. Isso trará uma boa publicidade para a nossa academia, que anda sofrendo um pouco por causa do baixo número de inscritas…

— Isso pode ser por causa dos seus métodos espartanos de ensino… — Nagihiko murmurou entredentes, sem conseguir resistir. Só ele mesmo que aguentaria os ensaios ininterruptos, as críticas pesadas e o perfeccionismo doentio que sua mãe tinha com relação à dança.

— O que disse? – Kaoruko indagou, e ele balançou a cabeça em negação, como se não houvesse dito nada. Ela prosseguiu – Como essa era uma excelente oportunidade, evidentemente não pude recusar. A colunista virá aqui com um fotógrafo dentro de alguns dias, e eu espero que você faça tudo perfeitamente. O nome da produtora com quem falei é… hm… Takahashi Haruka-san.

— Ah! – o rosto de Nagihiko se iluminou em compreensão. Haruka-san tinha mesmo dito que queria ele posando para a revista onde ela trabalhava, mas ele ficou bastante surpreso com a rapidez com que ela entrou em contato com sua mãe. Parecia que ela estava bastante motivada também, e Nagihiko ficou imediatamente ansioso para fazer isso. Haruka era divertida, afinal, e ele gostou dela.

— Por que fez essa cara? Você a conhece?

Nagihiko não poderia contar à sua mãe de onde conhecia Haruka, obviamente, então fez o possível para parecer desinteressado, e queria cortar aquela conversa o quanto antes, para contar à Tadase a notícia,

— Eu li a revista onde ela trabalha, apenas isso. – ele disse rapidamente, já se levantando – Eu vou… pesquisar mais sobre isso, para saber exatamente o que vamos fazer. Não é bom parecer despreparado, não é? Com licença… — ele foi saindo, enquanto sua mãe ficava para trás com expressão rígida, mas parecendo satisfeita por Nagihiko demonstrar algum interesse nos assuntos referentes ao trabalho.

Na verdade, ele apenas saiu para o corredor para mandar uma mensagem para Tadase contando as novidades. Eles não se viam há mais de uma semana, e ainda, o último contato que tiveram foi apenas no caminho para a escola, casualmente. Ao menos, agora que Hideyoshi já sabia a verdade, eles podiam parar e conversar um pouco mais, e Nagihiko tomava a liberdade de roubar um beijo rápido quando Hideyoshi não estava olhando, mas ainda, esses encontros casuais e apressados ainda não eram o ideal para nenhum dos dois.

Depois do caso do perseguidor de Tadase daquela briga infundada da mãe dele com Tsukasa, ela parecia ter ficado mais paranoica do que o normal e vigiava o filho como uma águia no ninho, constantemente. Talvez, por saber que a nova namorada do irmão era um travesti, ela estivesse temerosa de que Tadase tomaria isso como exemplo e resolvesse se rebelar. Nagihiko não tinha certeza sobre isso, mas se Tadase tomasse a decisão de se abrir para o mundo e assumir a relação entre eles publicamente, ele iria apoiá-lo sem sombra de dúvidas. Intimamente, seu lado Rhythm, impulsivo e sem nenhum apreço por regras, ansiava por isso. Mesmo o seu lado Temari, que era tão competitivo e instintivo, tinha uma certa inclinação por essa ideia tão explosiva. Mas ele ainda era racional o bastante para não deixar seus pensamentos internos tomarem conta sem mais nem menos. Algo assim era radical demais, e deveria ser pensado cuidadosamente.

De qualquer maneira, depois de contar tudo para Tadase em uma mensagem, e receber uma animada resposta dele, Nagihiko voltou a cuidar dos seus assuntos, e não pensou muito mais na sessão de fotos ou nos problemas que sempre o cercavam.

Algumas semanas se passaram, e finalmente, chegou o dia marcado para a entrevista. Nagihiko recebeu Haruka e a fotógrafa que trabalhava com ela no portão da casa, recebendo um longo abraço dela logo ao chegar. Ela era carinhosa e animada, muito diferente da sua própria mãe, ou da de Tadase. Depois de mostrar rapidamente a propriedade para as duas, e a fotógrafa já ia tirando algumas fotos do lugar, admirada pela beleza e riqueza de detalhes presentes naquela secular mansão, ele levou Haruka para o escritório da sua mãe, onde elas conversariam para a entrevista.

Enquanto isso, ele próprio voltou para o quarto, onde se arrumaria para a sessão de fotos. As estudantes da academia de dança já estavam se aprontando também, no vestiário próprio delas, desde cedo. Nagihiko sentiu-s um tanto nostálgico ao vestir novamente o quimono cerimonial, que ele reservava somente para apresentações importantes. Depois de tanto tempo, ficava ainda admirado de aquelas roupas servirem bem a ele. Talvez, assim como Haruka parecia fazer sem esforços, ele também continuaria caindo bem em roupas femininas apesar da idade e do quanto crescesse. Ele não sabia se isso era um dom ou uma maldição, afinal, se ele apenas não fosse tão bom nisso, sua mãe não seria tão rígida e exigente com ele.

Com cuidado, Nagihiko deixou Nagihiko florescer mais uma vez. Prendeu os cabelos delicadamente em um coque elaborado, e usou um rico adorno de flores de um lado. Passou maquiagem, deixando sua pele naturalmente pálida ainda mais tênue. Batom vermelho, e delineador marcando os olhos. O quimono parecia reluzir com uma obra de arte em se corpo, o toque do tecido de um tom claro de rosa, com sakuras espalhadas por toda a sua extensão, era familiar, ele sabia exatamente o que fazer, apesar de já fazer algum tempo desde que se vestira dessa maneira. Mesmo o obi vermelho apertando sua cintura não incomodava mais. Enquanto se olhava no espelho, já pronto, mal podia se reconhecer.

— Waa, incrível! – Rhythm exclamou, exultante. Ele geralmente ficava empolgado com qualquer coisa afinal, mas parecia sinceramente impressionado com a rapidez com que Nagihiko era capaz de se transformar. E especialmente para essa sessão de fotos, ele havia feito isso com um cuidado a mais.

— Você está linda, Naddy! – Temari surgiu no seu ombro, com um sorriso nostálgico no rostinho. Parecia prestes a chorar – Finalmente, se tornou tão natural para você ser uma dama quanto respirar. Você se tornou Nadeshiko, completamente. Ela é parte de você. Eu quase sinto como se meu dever aqui estivesse cumprido, ao ver você assim.

— Não fale uma coisa dessas, Temari! – Nadeshiko repreendeu com voz suave, acariciando de leve a cabeça da Chara – Você ainda tem muito para me ajudar, pode ter certeza disso. Agora vamos verificar se a Haruka-san terminou de entrevistar a minha mãe…

Os passos contidos, pequenos e delicados, Nadeshiko atravessou os corredores, rumo ao escritório da sua mãe, mas antes que pudesse chegar lá, ouviu um chamado vindo do outro lado.

— Nagihiko-san…! Ah… — três garotas vestidas também com quimonos de apresentação, embora não fossem tão elaborados quanto o seu, apareceram correndo pelo corredor, com expressões aflitas no rosto. Ele as reconhecia das aulas de dança, das quais às vezes participava, ainda que forçadamente, com sua mãe. Elas pareceram um tanto surpresas por verem Nagihiko já arrumado, mas passado o momento de admiração repentina, elas voltaram a falar, todas ao mesmo tempo. Nadeshiko já ficou tonta, sem entender nada do que eles falavam.

— Fale apenas uma, por favor… — ela pediu, tentando acalmar as garotas. Elas respiraram, e a que estava mais a frente, começou a falar.

— A Keiko-chan não vai poder vir por que teve que viajar com os seus pais. – ela disse rapidamente – Ela acabou de avisar, e agora vai faltar uma pessoa para fazer as fotos!

— Mas talvez nós possamos fazer as fotos com apenas vocês três? Eu não acho que a Haruka-san vá se importar…

— A fotógrafa disse que precisava de mais alguém, para mostrar todos os modelos de quimono na foto… — outra garota explicou, lamuriosa. Nadeshiko colocou a mão no queixo, pensando profundamente sobre a questão que tinha que resolver, quando percebeu que outra pessoa se aproximava.

— Ah, você já está pronto, Nagihiko-kun… — tão acostumado aos deveres da sua família, Hideyoshi devia ser a única pessoa que tratava Nagihiko da mesma forma, não importando a roupa que ele estivesse vestido – Está muito bem. Aconteceu alguma coisa? – ele estranhou a cara de preocupação do primo, e então a apreensão das garotas ao redor dele. Nadeshiko olhou para Hideyoshi, dos pés a cabeça, e um sorriso sinistro se formou lentamente no seu rosto impecável de porcelana. Hideyoshi sentiu um inexplicável arrepio, e um impulso inconsciente de sair correndo.

— Na verdade, estamos com um problema… — Nadeshiko respondeu, com aquele mesmo sorriso indecifrável. Olhava de uma maneira estranha para Hideyoshi, com um aterrorizante brilho nos olhos dourados.

— E-eu posso ajudar? — Hideyoshi disse automaticamente, mas já se arrependeu.

— Pode sim. – Nadeshiko sorriu ainda mais, e então, virou-se para as garotas – Podem deixar comigo, meninas, eu darei um jeito. Agora, Hideyoshi-kun, venha comigo.

Ela segurou o garoto pelo braço, sem dar a ele a chance de escapar, e voltou para o próprio quarto. depois disso, as meninas que ficaram para trás, ouviram um grito amedrontado, seguido de um longo “nãaao!, por favor não, Nagihiko-kun‼”

Cerca de vinte minutos depois, Nadeshiko saiu daquele quarto, impecável como sempre. Ao lado dela, Hideyoshi. Usava um quimono azul claro, repleto de padrões de outras cores nas barras e nas longas mangas. Ele dava passos pequenos por causa da saia do quimono, e vinha curvado, envergonhado, e escondido atrás de Nadeshiko. Seu cabelo longo e arroxeada estava solto, preso apenas por um lado por um arranjo de flores brancas. A maquiagem ressaltava seus cílios longos, e também os lábios. Ele parecia, indiscutivelmente, uma garota. As meninas que esperavam no corredor com a fotógrafa, correram todas ao mesmo tempo na direção dele, gritando empolgadas com o quão impressionante havia sido a transformação do sempre tão sério Hideyoshi.

— Ah, que fofo!

— Olha só, eu não sabia que o Hideyoshi-san era tão bonitinho!

— Parece mesmo uma garota, aahh‼

— Nagihiko-kun! Por que fez isso comigo! E-eu não sou fofo, pare com isso! – ele pedia, desesperado. Nadeshiko sorria com parcimônia. – Eu nunca vou poder me casar, assim‼ — ele chorava, indignado pela falta de consideração de Nadeshiko.

— São só algumas fotos, Hideyoshi-kun – com sua voz doce, Nadeshiko nem parecia estar se divertindo tanto com a situação do primo como realmente estava. – Nós precisamos de você para conseguir fazer isso bem. Vai trazer publicidade à academia de dança, irá beneficiar a todos. Você não quer ajudar a sua família?

— Eu… b-bem, eu…

— Além do mais, ninguém vai reconhecê-lo. Com essas roupas e a maquiagem, você parece apenas uma bela garota…

— Você faz com que eu me sinta pior falando assim… — ele murmurou, pouco a vontade. – Mas, se isso realmente vai servir para ajudar a todos… e eu já estou vestido assim de qualquer maneira… Tudo bem, eu faço. M-mas não conte para ninguém! Principalmente para a Nanami-san! Eu não quero que ela me reconheça!

— Fique tranquilo, ninguém ficará sabendo. – Nadeshiko voltou a sorrir, agora calmamente, e então, a fotógrafa se aproximou do grupo, e se pronunciou.

— Haruka acabou de me mandar uma mensagem, ela terminou a entrevista, e nós vamos lá fora fazer todas as fotos.

— Tudo bem, vamos.

Quando chegaram ao lado de fora, Haruka já os esperava. Ela observava o lago com carpas, e devia estar imaginando que uma foto ali ficaria bem, mas quando viu que todos se aproximavam, abriu um enorme sorriso, correndo até Nadeshiko.

— Ahh, você está lindo, querido‼ — ela aproximou-se, examinando cuidadosamente o magnífico quimono de Nadeshiko – Nem consigo acreditar que é você mesmo! Awn, eu amei! Quando Tsukasa me contou que você dançava, eu não imaginei que você ficaria tão lindo! Estou ansiosíssima para começar! Podemos?

Depois disso, a tarde passou com milhares e milhares de poses para fotos. Haruka se empolgou ainda mais, e se esforçava em posicionar cada um deles da melhor forma, aproveitando a luz natural e a incrível arquitetura do lugar. Não cansava de repetir que Nadeshiko parecia ter nascido para ser modelo, pois parecia absolutamente perfeita em todas as fotos, e não sentia dificuldade nenhuma nisso.

Hideyoshi, por outro lado, estava completamente travado enquanto tirava as fotos. Haruka tinha que planejar todas as poses dele, e quando o colocava de alguma forma, ele não se movia, não parecia nem respirar, até a próxima foto. As garotas, alunas da academia, riam muito e faziam piadas, tentando aliviar o clima. Em parte, por que Kaoruko não estava por perto, e elas ficavam muito mais leves quando estavam longe dos olhos severos da professora.

O tempo foi passando, e as fotos foram ficando melhores. Depois de aproveitarem todo o cenário externo que o pátio tinha a oferecer – e eles utilizaram cada canto do jardim, Haruka resolveu então tirar algumas na varanda, e outras nos cômodos internos da casa. Kaoruko acompanhou essas últimas fotos, parecendo satisfeita com o trabalho desenvolvido pela colunista e a fotógrafa. Depois disso, até mesmo convidou as duas para jantar na casa, como agradecimento pelo trabalho.

Hideyoshi queria morrer. Depois de terminadas as fotos, ele correu para tomar banho, e só apareceu na hora do jantar, sem falar direito com ninguém. Nagihiko conversou mais com Haruka, e constatou de uma vez a sua opinião de que ela era realmente uma boa pessoa, e ele gostava dela. Talvez, se houvesse mais pessoas assim como ela na família de Tadase, ou mesmo na sua própria, as coisas não fossem mais fáceis para eles? Nagihiko se surpreendeu desejando que fosse Haruka a mãe de Tadase, e não Mizue, por que isso deixaria tudo muito melhor para eles. Mas é claro que as coisas nunca poderiam ser do jeito que ele desejava…

E enfim, depois do jantar, Nagihiko se ofereceu para acompanha-las até o portão, e se despedir. Enquanto a fotógrafa guardava todo o seu equipamento no porta-malas do carro estacionado ali perto, Haruka abraçou longamente Nagihiko, sorrindo para ele.

— Você estava lindo hoje! De verdade. Acho que eu nunca ficaria tão bem em uma roupa assim quanto você, Nagi-chan, realmente, você tem um talento muito especial! Estava magnífico! Seria maravilhoso poder contar com você para mais trabalhos.

— Muito obrigado, Haruka-san – ele sorriu em resposta, meio se jeito. Estava acostumado a receber elogios sobre Nadeshiko o tempo todo, mas o que Haruka dizia soava muito mais sincero do que qualquer outro. Talvez por ela entender como ninguém como era ser um garoto usando roupas femininas, ou por que conhecia a história de Nagihiko, mas ele sentia-se verdadeiramente grato por isso. – Espero que não tenha sido muito difícil conversar com a minha mãe…

— Na verdade, não foi tanto quanto eu imaginei depois de ouvir as histórias. Ela foi educada e muito polida, respondeu a tudo muito objetivamente… mas ela me pareceu um tanto fria, rígida… e eu imagino que com você ela deva ser muito mais… Não deve ser fácil conviver com isso diariamente, não é, Nagi-chan? – Haruka sorriu solidariamente, acariciando o rosto do garoto rapidamente – Bem, eu entendo como você deve se sentir, por que meus pais também eram muito severos comigo quando eu era criança, e eles eram muito conservadores. Jamais aceitaram, bem… o que eu sou. E eu nunca tive ninguém com quem conversar, para me aconselhar, ou desabafar… só eu sei o quanto isso faz falta. Por isso, saiba que eu estou aqui, se você precisar conversar, sobre qualquer coisa. Não hesite em me procurar, está bem?

— Eu vou me lembrar disso. – ele assentiu, hesitante. A maneira como Haruka falava o deixou emocionado. Ela já devia ter sofrido muitas coisas até poder assumir seu verdadeiro-eu sem medo. Mesmo assim, ele se esforçou para perguntar – Haruka-san… os seus pais… eles nunca aceitaram, bem… você?

Ela baixou os olhos, mas lançou um sorriso, ainda que triste, para tranquilizar o mais jovem.

— Eu não sou o melhor exemplo a se seguir, querido, então não estou dizendo que o que fiz foi certo. Tem dias em que eu me arrependo muito. Mas eu fui embora, fugi… não olhei para trás. Nunca mais voltei lá. Fiz faculdade, morei sozinha, trabalhei até não aguentar mais, e agora, eu estou bem. Tenho o emprego que eu amo, amigos que se importam comigo, posso ser quem eu quiser. E eu tenho o Tsukasa. – ela sorriu docemente, com os olhos brilhando da maneira que as pessoas apaixonadas costumam apresentar – Cheguei à conclusão de que, apesar de ter muitos motivos para me arrepender do que eu fiz no passado, eu consegui alcançar o que eu queria. E tive que fazer escolhas. Elas foram dolorosas, mas muito necessárias. Eu só espero que nem você, nem o Tadase-chan, tenham que fazer isso algum dia… — Haruka então, voltou a sorrir com a animação costumeira, espantando aquela nuvem de depressão dos seus olhos. – Agora, eu tenho que trabalhar no meu artigo! E quando as fotos estiverem prontas, eu mando para você dar uma olhada, ok? Ah, vou mandar algumas para o Tadase-chan também, ele deve querer ver, não é? – ela piscou um dos olhos, matreira, e Nagihiko sorriu em resposta, passando a mão pelos cabelos.

— Muito obrigado, Haruka-san. Por tudo. – Nagihiko agradeceu mais uma vez, segurando gentilmente a mão dela, que sorriu em resposta.

— Eu que agradeço, querido. – e com aquelas palavras, ele tinha certeza, Haruka ainda não havia superado totalmente o seu passado da maneira que queria fazer acreditar. Ele queria ajudá-la, e ao mesmo tempo, identificava-se tanto com ela que era quase como se pudesse enxergar a si próprio ali. Limitou-se a sorrir mais uma vez, e enquanto Haruka se afastava, acenou para ela. Era tudo o que podia fazer, por enquanto. Mas talvez, devesse conversar com Tadase sobre isso, em alguma outra ocasião.

Notas finais
Eai povo, Shiroyuki na área. Desculpa pela demora habitual .-. acredito que já saibam, quando se trata de mim, que isso acontece... Mas enfim, aqui está o capítulo! Pra quem estava com saudades da Nadeshiko, a chance foi essa o// E de quebra, ainda faturamos um outro Fujisaki em ação XDD os genes dessa família não negam o sangue! To doida pra saber o que vocês acham da Haruka *o* muito mesmo~ E aguardem muitas muitas tretas estão para acontecer, em breeve~ Espero que tenham gostado, bye bye o/ até o próximo!