Itsumo Yakusoku

48 Capítulo 48 - Tell Your World


Notas iniciais
Tell Your World - Hatsune Miku http://letras.mus.br/hatsune-miku/tell-your-world/traducao.html


Não se esqueça dos sentimentos intangíveis
Eu apaguei o layout de rotina
Segure a frase que eu comecei a cantarolar
Espalhe palavras secretas
Do coração para o céu

Eu quero dizer a você
Eu quero dar a você
Sentimentos de uma ligação
Ecoando a grandes distâncias

Palavras que eu quero dizer a você
Sons que eu quero dar a você
Links de sentimentos formam um mundo
Conectando-se a tudo
Conectando-se a todos os lugares


Capítulo 48

~

Tell Your World


Poucos dias depois da sessão de fotos na residência dos Fujisaki, a revista de Haruka já estava à venda em todas as bancas de jornais e livrarias, para quem quisesse comprar. Assim como prometera, Hakura enviou uma edição para Nagihiko pouco antes da revista ser publicada oficialmente. Tadase também havia recebido uma edição antecipadamente, e ficou maravilhado em ver como Nadeshiko ainda conseguia parecer tão feminina mesmo depois de já ter crescido tanto e, é claro, por conseguir abalar seu coração daquela maneira. Depois de admirar as fotos da revista pelo que lhe pareceu uma verdadeira eternidade, ele tratou de escondê-la muito bem, para que sua mãe não a encontrasse e acabasse destruindo sua mais nova preciosidade.


E, pouco tempo após o lançamento da revista, que parecia ter batido um verdadeiro recorde de vendas comparado às edições anteriores, em um daqueles poucos dias em que Nagihiko conseguia ver Tadase, mesmo que por pouco tempo, ele e Hideyoshi encontraram o loiro, acompanhado de Nanami como de costume, à caminho da escola.


– Ohayou, Tadase — o maior cumprimentou, sorrindo só em poder ver o namorado, mesmo que por poucos minutos
– Ah, hai... o-ohayou, Nagihiko... — o loiro respondeu um pouco embaraçado ao se lembrar das fotos que ficara admirando mais uma vez naquela manhã antes de sair de casa, o que quase o fez se atrasar para a aula. Tanto Nanami quanto Hideyoshi sentiam-se no mínimo constrangidos por terem que presenciar aquela cena, então limitaram-se a apenas dar "bom dia" e deixaram que os dois seguissem na frente, conversando
– Etto... Haruka-san me mandou uma edição pouco antes da revista ser publicada... — Tadase murmurou para o mais alto — Não pensei que você iria ficar... t-tão lindo nas fotos, Nagihiko... estava ainda mais deslumbrante do que eu pensei, verdade... — ele murmurou com a cabeça abaixada, o rubor em seu rosto se intensificando levemente
– Ah, então você também recebeu? — Nagi indagou retoricamente — Também recebi uma... acho impressionante como ainda consigo parecer tão feminino mesmo depois de já ter crescido tanto... receio que isso nunca vá mudar afinal... — ele suspirou
– Isso não importa... gosto de você do jeito que você é — Tadase respondeu, encarando-o de soslaio, ainda sorrindo — Seja você o Nagihiko ou a Fujisaki-san, não importa... eu gosto dos dois
– Fico muito feliz em saber disso — Nagihiko respondeu, segurando a mão do namorado abruptamente, que ofegou de surpresa, mas não recuou — Demo nee, Tadase... você já me chama pelo meu nome há algum tempo, então não acha que deveria fazer o mesmo com a Nadeshiko também?
– Ehh?! — o loiro exclamou surpreso — M-Mas... Fujisaki-san é uma garota, então...
– Ora, vamos, você sempre soube que ela sou eu disfarçado — Nagi lembrou, revirando os olhos
– E-Então... tudo bem em chamá-la de... N-Nadeshiko-chan...? — o menor indagou incerto
– Acho que a Nadeshiko ficará muito feliz com isso — Nagi respondeu sorrindo.


Enquanto isso, logo atrás deles, Nanami e Hideyoshi ouviam apenas pequenos trechos da conversa dos dois, tentando prestar atenção em qualquer outra coisa, apesar de ser uma tarefa difícil, até que a garota pronunciou-se:


– Ehh... que milagre, os dois não estão conversando sobre nada... e-embaraçoso dessa vez... estão apenas falando da revista com as fotos das alunas da academia de dança da mãe do Nagihiko-kun — ela comentou meio surpresa, pois só tinha prestado atenção naquela parte da conversa, e depois resolveu focar sua atenção em qualquer outra coisa que não fosse eles
– Ah, s-sim... a fotógrafa mandou uma edição lá pra casa poucos dias antes da revista ser lançada oficialmente, na verdade... suponho que o Tadase-kun tenha visto também — Hideyoshi comentou, infelizmente para ele, ter ouvido um pouco mais da conversa dos dois além do tópico da revista, e temendo que a garota se atese muito à esse assunto. A última coisa que queria era que Nanami visse aquelas fotos constrangedoras e o reconhecesse
– Ah, falando nisso, eu comprei a revista ontem! — ela exclamou, um pouco mais alto do que pretendia, de modo que Tadase e Nagihiko ouviram também, e acabaram se juntando à conversa — Aquela garota de cabelos arroxeados presos com um rabo de cavalo... p-por acaso, era você, Nagihiko-kun? — ela indagou, entre embaraçada e curiosa — Ela se parecia muito com você, mas... estava tão feminina nas fotos que fiquei na dúvida...
– Bem, receio que você tenha acertado, Nanami-san — Nagihiko respondeu, sorrindo meio sem jeito — Mas eu agradeceria se você não saísse espalhando isso por aí, era pra ser segredo, sabe...
– Ah, é claro... mas eu fiquei impressionada como você conseguiu se passar por uma garota tão facilmente! — Nanami exclamou, curiosamente mais surpresa do que admirada dessa vez, como costumava acontecer — E também... — ela olhou de esguelha para Hideyoshi, parando para pensar por um momento se deveria ou não dizer aquilo, mas resolveu continuar — Bem, havia uma outra modelo de cabelos arroxeados... você sabe, aquela com uma flor nos cabelos soltos e compridos... aquela pessoa... era você, não era Hideyoshi-kun?
– Ahh... e-eu... q-q-quero dizer... e-e-eu não... err... — o garoto começou a balbuciar incoerentemente, sem saber como negar aquilo
– Ah, agora que você falou, acho que havia mesmo outra modelo com uma aparência assim... — Tadase comentou, sem perceber o constrangimento do garoto. Na verdade ficara tanto tempo admirando as fotos de Nadeshiko que nem prestou atenção direito nas outras modelos — Não me lembro direito do rosto dela agora, mas... acho que se parecia mesmo com o Hideyoshi-kun... mas não pode ser, era tão feminina... ah! Q-Quero dizer...! — Tadase percebeu tardiamente que havia falado demais, temendo que a tal modelo fosse mesmo Hideyoshi e ele acabasse se ofendendo com o comentário. No entanto, ao invés de se ofender, o garoto pareceu ficar apenas ainda mais envergonhado do que já estava, seu rosto avermelhando-se tanto que ele parecia estar com uma febre de 40ºC
– E-E-Eu não... err... q-q-quero dizer... a-aquilo foi... — Hideyoshi tentou explicar, muito embora não conseguisse formar nenhuma frase que fizesse sentido, e acabasse apenas se atrapalhando cada vez mais
– Sabia! Então era mesmo você, não era? — Nanami exclamou, por algum motivo sorrindo abertamente para ele. Não parecia ser um risada de quem estava tirando sarro da cara dele, ela parecia estar mais impressionada do que qualquer outra coisa — Waaah~ sugoi! Você ficou tão incrível nas fotos, Hideyoshi-kun! Parecia tão feminino e gracioso... aposto que qualquer pessoa que não te conhece pessoalmente seria enganado facilmente e pensaria que você era uma garota de verdade!
– Ele realmente parecia bem feminino... assim como a Fujis... q-quero dizer, a Nadeshiko-chan... ela enganava qualquer um mesmo — Tadase concordou, forçando sua mente a se lembrar das fotos, apesar de não ter prestado muita atenção nelas — Por acaso isso é de família? — ele perguntou para Nagihiko
– Parece que sim — o maior foi obrigado a concordar, sorrindo meio sem jeito, ao mesmo tempo em que começava a ficar preocupado que seu primo tivesse um colapso a qualquer momento de tão nervoso que tinha ficado
– Ah, é aqui que nos separamos — Nanami falou de repente quando chegaram na esquina em que seus caminhos se tornavam opostos — Espero encontrar vocês na volta da escola também, quero falar mais daquelas fotos incríveis! — ela exclamou, ainda com um sorriso radiante no rosto
– Também espero que nos encontremos na volta... apesar de não ser exatamente por causa das fotos da revista — Tadase falou mais baixo, para que apenas Nagihiko o escutasse — Então, até logo vocês dois — ele despediu-se, seguindo sua suposta noiva
– Sim, até mais — Nagi respondeu, enquanto seu primo apenas continuava andando vagarosamente pelo caminho que levava ao colégio, sem se dar ao trabalho de se despedir
– Ei... você está bem, Hideyoshi-kun? — Nagihiko indagou alguns minutos depois, quando Tadase e Nanami já tinham sumido de vista, notando que o rosto do mais velho continuava vermelho até a raiz dos cabelos, ao mesmo tempo em que ele mantinha uma expressão tão deprimente que parecia estar no meio de um funeral. Hideyoshi não respondeu. Na verdade não parecia nem ter ouvido a pergunta de Nagi. Depois de pensar por alguns instantes, Nagihiko enfim percebeu o motivo de Hideyoshi estar assim. Não era apenas vergonha por ter sido reconhecido naquelas fotos, e sim o fato de Nanami tê-lo reconhecido. Lembrou-se de repente das palavras do primo pouco antes de começarem a tirar as fotos. "Tudo bem, eu faço. M-Mas não conte para ninguém! Principalmente para a Nanami-san! Eu não quero que ela me reconheça!". Isso apenas confirmou as suspeitas de Nagi. Ele tentou pensar em alguma coisa para dizer que pudesse animá-lo, embora não conseguisse achar nenhuma resposta para o que parecia ser uma tarefa bem difícil. Antes que pudesse pensar melhor no assunto, ele avistou sua escola, e apenas suspirou, decidindo pensar sobre isso mais tarde, quando as aulas daquele dia terminassem.


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No caminho de volta da escola daquele dia, os dois Fujisakis não tinham encontrado nem Tadase e nem Nanami pelo caminho, talvez pelo fato do loiro costumar ficar até mais tarde no colégio, trabalhando no Conselho Estudantil. Tentou conversar sobre algum assunto qualquer com Hideyoshi pelo caminho, mas ele simplesmente não respondia a nada que Nagihiko falasse, de modo que este apenas desistiu e continuou andando em silêncio até chegarem em casa. Poucas horas depois, quando estava na hora de jantar, o mais velho apenas murmurou alguma coisa sobre não estar sem fome e se trancou em seu quarto, recusando-se a falar com quem quer que seja.


Na manhã seguinte, Hideyoshi não parecia ter melhorado em nada. Na verdade, parecia estar ainda pior do que no dia anterior, se é que isso era possível. Milagrosamente, não foi ele quem foi acordar Nagihiko de manhã cedo para começarem a se aprontar para a escola, e sim o contrário. Depois de bater na porta, ele adentrou o quarto do primo cautelosamente, e o encontrou deitado na cama, ainda de pijama, o rosto enfiado no travesseiro. Pelo chão, estavam espalhadas aleatoriamente uma porção de embalagens vazias de salgadinhos, biscoitos, chocolates e mais uma porção de outras porcarias. Em cima da cômoda, estava um notebook com a tela virada de frente para a cama, mas desligado, provavelmente por ter ficado sem bateria depois de passar a noite inteira ligado. Hideyoshi parecia estar ainda pior do que quando flagrou acidentalmente Utau abraçando Nagihiko, concluindo erroneamente que ele poderia estar tendo um caso secreto com a cantora e fazendo pouco caso dos sentimentos que Nanami nutria por ele, o que obrigou Nagihiko a lhe contar a verdade sobre seu relacionamento com Tadase. Naquela vez, ele tinha ficado absolutamente furioso, indignado e com ciúmes, mas dessa vez ele estava no mínimo com cara de quem queria morrer.


– Ohayou, Hideyoshi-kun... está na hora de irmos para a escola — Nagihiko chamou, aproximando-se cautelosamente dele para desviar das embalagens vazias jogadas no chão, mas ele nem sequer se moveu — Ei, você me ouviu? Não me diga que ainda está dormindo? Vamos, acorde — ele sacudiu de leve o ombro do garoto
– Eu não vou — a voz abafada do primo resmungou, sem ele nem se dar ao trabalho de tirar a cara do travesseiro
– O que? Como assim, não vai? Nós temos aula...
– Já disse que não vou — ele repetiu sem se mover — Estou gripado, então vou ficar em casa hoje. Talvez amanhã também... ou pra sempre...
– Ei, o que você está dizendo?! — Nagihiko o obrigou a se virar, e deparou-se com o rosto completamente enrubescido e deprimente do mais velho — Ei, o que aconteceu com você?! Está com uma aparência horrível...
– Já disse que estou doente, por isso não vou
– Pare de fingir, seu rosto pode até estar vermelho, mas você não está com febre — Nagi rebateu, colocando a mão na testa dele e comparando a temperatura do garoto com a sua — Vamos, levante daí e se arrume logo... você está parecendo até uma garotinha deprimida e birrenta agindo assim, sabia?! Aposto que passou a noite toda assistindo filmes românticos e animes shoujos, enquanto se entupia de chocolate e um monte de outras porcarias...
– Ah, sim, isso mesmo. Eu pareço uma garota de qualquer jeito, não é? — Hideyoshi rebateu, sentando-se na cama, sua expressão mudando lentamente de abadita para irritada — Seja agindo dessa forma, ou em qualquer coisa que eu diga, ou naquelas porcarias de fotos... não importa o que eu faça, continuo parecendo uma menina, não é? Então, já que eu aparento ser tão feminino assim, apenas me deixe aqui curtindo a minha "depressão de garota" e me deixe em paz! — ele exclamou, dessa vez realmente irritado
– Hideyoshi-kun... você está assim porque a Nanami-san te reconheceu naquelas fotos, não é?
– Ah, puxa, como foi que adivinhou? — o mais velho indagou meio irônico, porém sem conseguir manter aquela expressão por muito tempo, voltando a ficar abatido rapidamente, enterrando parte do rosto nos joelhos dobrados dessa vez — Ela já vivia conversando comigo como se eu fosse uma espécie de "melhor amiga", alguém com quem ela podia desabafar e contar seus problemas... quase sempre ela falava sobre esse noivado inconveniente que ela nunca desejou com o Tadase-kun, ou... sobre você... e, depois de ter visto aquelas fotos... isso só vai piorar tudo! Ela nunca vai me enxergar como um garoto afinal, eu devia desistir de uma vez desse amor platônico sem esperança...
– Sinto muito, Hideyoshi-kun... sei que tenho uma boa parcela de culpa por causa disso. Fui eu quem te obrigou a se vestir daquele jeito e tirar as fotos para a revista da Haruka-san afinal... — Nagihiko falou mais baixo, sentindo uma incômoda sensação de culpa — Mas, ainda assim, não acho que você deva desistir assim tão facilmente. Essa é a primeira vez que você se apaixonou de verdade em toda a sua vida, não é? Então você não deve desistir tão fácil, precisa lutar pelos seus sentimentos!
– Eu nunca fui bom em lutar, seja pelo que for... não consegui nem mesmo resistir ou tentar me esquivar quando você me fez vestir aquele kimono — ele recordou dos poucos dias atrás, quando tinham tirado as fotos para a revista, enquanto o primo o obrigava a se travestir com uma facilidade impressionante — E não importa o que eu faça, a Nanami-san parece que sempre vai me enxergar como uma espécie de "melhor amiga"... parece até que ela nem sequer se dá conta de que sou um rapaz
– Olhe aqui, sei que tenho uma boa parcela de culpa por você estar nessa situação, mas... a verdade é que só você pode sair dessa — Nagi falou mais sério — Se você quer que a Nanami-san te veja como um homem, então se declare de uma vez pra ela
– Ficou louco?! Eu não posso fazer uma coisa dessas! — ele exclamou, voltando a corar furiosamente — Só pra início de conversa, ela já está comprometida com outra pessoa! Isso sem falar que... é de você que ela gosta...
– Mas eu não gosto dela, nunca vou gostar — Nagihiko respondeu — Além do mais, ultimamente eu venho tido a impressão de que ela já não gosta mais de mim, como se tivesse desistido e superado tudo isso... quero dizer, quando voltei ao Japão com você, ela corava e gaguejava terrivelmente só pra falar um simples "bom dia"... mas agora parece que consegue conversar mais naturalmente comigo, como se eu fosse apenas um amigo como outro qualquer. E, quanto à história do noivado... bem, ela e o Tadase não se gostam, nunca amaram um ao outro, e você sabe disso muito bem. Eles só estão noivos porque a mãe dela quer que a filha se case com alguém de boa família, alguém com um futuro brilhante pela frente... e tanto eu quanto você temos isso, o sobrenome Fujisaki tem um certo peso, você sabe disso. Mesmo que os pais dela não concordassem, vocês poderiam ficar juntos escondido por algum tempo, tenho certeza de que o Tadase não se importaria com isso. E, já os pais do Tadase... acredito que eles arranjaram esse noivado com ela na esperança de fazer ele me esquecer e se apaixonar por alguma garota, seja ela quem for... bem, mas como você sabe, isso não aconteceu. E o Tadase... bem, ele está comigo, e a Nanami-san não parece se incomodar com isso, ela apenas insistiu em manter esse falso compromisso com ele porque parece que o outro candidato a noivo dela era alguém repulsivo e depravado, ou algo do gênero. Mas, ela te conhece há um bom tempo, sabe que você é uma ótima pessoa, então... acredito que os pais dela não se importariam muito em desmanchar o noivado dela com o Tadase pra que ela fique com você. Acredito que minha mãe aprovaria isso facilmente também... ela provavelmente pensaria que você seria um bom exemplo para mim, namorando uma garota, ou algo assim... mas, de qualquer forma, apenas você pode fazer isso acontecer. Por isso estou dizendo, se declare de uma vez pra ela, antes que seja tarde
– Tudo o que você disse é verdade, mas... não é tão fácil como parece... — Hideyoshi murmurou inseguro — Você fala como se isso fosse algo muito simples de se fazer, mas é mais difícil do que você pensa!
– E acha que eu não sei disso? Pensa que foi fácil pra mim me declarar para o Tadase anos atrás, sendo que ele era meu melhor amigo, e um rapaz, como eu? — Nagi rebateu — Sei muito bem que essa não é uma tarefa nada fácil. Mas você precisa fazê-lo, se realmente quiser ficar com ela — ele concluiu, colocando-se de pé — Vamos, agora troque de roupa e vamos logo pra escola, já estamos atrasados — ele saiu do quarto do primo, deixando o garoto ainda mais confuso, perdido em seus pensamentos.


Os dois não encontraram Tadase e Nanami no caminho enquanto iam para a escola, e sim na volta. Cumprimentaram-se e tentaram manter um nível de conversa normal, da qual todos poderiam participar, embora Hideyoshi ainda não falasse muito, apenas concordando com uma ou outra coisa de vez em quando. Quando chegaram na esquina onde se separariam, Nagihiko falou de repente:


– Nee, Tadase, você saiu mais cedo hoje, não foi?
– Ah, sim... a reunião terminou um pouco mais cedo hoje, então viemos logo embora
– Então, já que você ainda deveria estar supostamente na reunião do Conselho Estudantil, por que não aproveitamos esse raro tempo livre pra... ahn, passearmos à sós? — ele sugeriu, abaixando-se um pouco para sussurrar no ouvido do loiro
– Ehh?! M-Mas Nagihiko... a sua mãe não vai desconfiar? — o loiro indagou, sem se importar muito com isso, e sim numa tentativa de disfarçar seu repentino embaraço
– Não, se eu estiver supostamente na reunião do clube e teatro da escola, que realmente acontece hoje — Nagi respondeu — Nee, Hideyoshi-kun, se importa de falar pra minha mãe que eu tive que ficar até mais tarde por causa do clube de teatro? — ele indagou para o garoto, que tinha virado o rosto para o outro lado, constrangido
– Ahn... é c-claro, sem problemas... — seu primo apenas murmurou, sem encará-lo — Então, até depois...
– Obrigado, Hideyoshi-kun — Nagi deu um tapinha no ombro dele, e murmurou rapidamente para que apenas seu primo ouvisse — Vê se aproveita a chance e fala com ela agora, ouviu? — ele se afastou antes que o outro pudesse dizer qualquer coisa em resposta, e se afastou rapidamente, segurando a mão de Tadase o arrastando consigo
– Nee, Nagihiko... o que foi que você disse pra ele? — o loiro indagou curioso — Você pareceu ter sussurrado alguma coisa, mas eu não consegui escutar...
– Depois eu te explico. Agora, vamos tratar de aproveitar o tempo que temos juntos da melhor maneira possível.


Os dois rapidamente sumiram de vista e, depois de alguns segundos de um pesado silêncio constrangedor, tanto pelo que foram obrigados a presenciar quanto por não saberem o que dizer depois daquilo, Nanami enfim pronunciou-se, ainda meio sem jeito:


– E-Então... eu vou por esse lado — ela apontou a direção de sua casa, decidindo por não mencionar a inesperada fuga de Tadase e Nagihiko — Até logo, Hideyos...
– E-espere, Nanami-san! — ele gritou, segurando a mão dela por impulso, apenas para impedí-la de partir. Quando percebeu o que tinha feito, gritou e afastou-se dela rapidamente, como se tivesse levado um choque — Eu... ahn... q-quero dizer... tem uma c-coisa que eu quero te d-dizer...
– Ah, tudo bem... o que foi? — ela indagou, virando-se de frente para ele.


Hideyoshi tentou gaguejar alguma coisa, mas nenhuma palavra coerente saía de sua boca. Ele sentiu sua garganta seca, ao mesmo tempo em que seu rosto começava a esquentar numa velocidade alarmante. Como raios ele poderia simplesmente dizer "eu amo você"? Era apenas uma frase com poucas palavras, mas... por que parecia tão difícil pronunciá-la? Nunca havia se declarado para ninguém em toda a sua vida, e sempre imaginou que acabaria casando em algum onmiai decidido por seus pais, nunca sequer cogitou a hipótese de se apaixonar de verdade por alguém. Lembrou-e da conversa que tivera com Nagihiko naquela manhã, e tinha que admitir que, por mais irritante que fosse, seu primo tinha razão. Se continuasse desse jeito, Nanami sempre o veria como uma "melhor amiga", alguém com quem podia conversar sobre qualquer coisa e dividir seus segredos, como amigas geralmente fazem... mas ele não queria aquilo. Desejava que, ao menos ela pudesse vê-lo como um homem. Não era uma tarefa nada fácil, principalmente depois das fotos para aquela revista, mas... ele tinha que fazer algo a respeito, e rápido, antes que fosse tarde demais.


– Ei, você está bem? Seu rosto está vermelho que nem um tomate... não está com febre, está? — Nanami interrompeu os pensamentos dele e, sem avisar, colocou-se na ponta dos pés, encostando a própria testa na dele para medir sua temperatura. Hideyoshi reprimiu um grito por pouco e, depois de quase ter o que parecia ser um ataque cardíaco, afastou-se dela, recuando vários passos
– E-E-Eu estou b-bem... n-não estou doente — ele murmurou com dificuldade, escondendo parte do rosto com a franja, seu coração ainda palpitando rápido demais
– Bem, você não parece ter febre mesmo, mas... tem algo estranho com você. O que aconteceu? — ela indagou com um olhar preocupado. Hideyoshi forçou-se a encará-la novamente, sem saber o que dizer. Aquela garota não fazia a menor ideia do que ele queria lhe dizer... escutar algo assim tão de repente devia ser no mínimo chocante. Mas ele precisava dizer aquilo, não importa como
– Nanami-san, você... parece simpatizar muito comigo, não é...?
– Hã? Que pergutna é essa agora? — ela respondeu a pergunta dele com outra pergunta — É claro que sim! Você é sempre tão fofo e gentil... fica uma gracinha quando está envergonhado, e isso acontece com tanta facilidade! — ela riu, lembrando da reação dele quando falaram sobre a revista de moda no dia anterior — Você parece tão bonito e feminino às vezes que quase sinto inveja, aposto que você deve ficar melhor naqueles kimonos do que eu até... mas, é claro que é mais do que isso. Eu sinto como se pudesse conversar sobre qualquer coisa com você, não importa o quão seja difícil o assunto, você sempre consegue me ajudar, e é tão gentil comigo... você é uma ótima pessoa, Hideyoshi-kun
– Do jeito que você fala... parece que me considera algum tipo de "melhor amiga" — ele resmungou cabisbaixo — Você ao menos sabe que sou um garoto?
– Hein? Claro que sei! — ela exclamou, sem entender aonde ele queria chegar com aquela conversa
– Pois não parece — ele respondeu, ainda encarando-a sério
– Ahn... por acaso você está assim porque... bom, aquilo que falam sobre "orgulho masculino", ou algo assim? — Nanami arriscou, temendo que pudesse ter ofendido ele sem perceber
– Em parte, sim — ele respondeu sinceramente — Mas, não é só isso. Você... está noiva do Tadase-kun, mas não parece gostar dele... ou gosta?
– Claro que não! — ela exclamou mais rápido do que pretendia — Ah, quero dizer... e-ele é uma ótima pessoa, sempre foi muito legal comigo, mas... não tem a menor chance de eu sentir algo além de amizade por ele. Só pra começar, ele... bem, já gosta do seu primo, você sabe...
– Sim, ele gosta — Hideyoshi confirmou — E você... ainda gosta do Nagihiko-kun?
– Ahn... — dessa vez foi Nanami quem gaguejou com a pergunta, sem saber o que responder. Já havia desistido de Nagi há tempos, mas... nunca parou para considerar se ainda nutria esse tipo de sentimentos por ele ou não — P-Por que está me perguntando isso? O Nagihiko-kun te pediu pra falar comigo sobre isso ou algo assim?
– Não, não pediu — Hideyoshi negou, fechando as mãos com força, como se isso pudesse lhe dar coragem — Sou eu quem quero saber. Porque... p-porque eu... eu sim gosto de você — ele enfim conseguiu pronunciar aquelas palavras que estavam presas em sua garganta há tanto tempo. Nanami absorveu lentamente o significado de cada palavra proferida por ele, mas não conseguiu ter outra reação além de arregalar os olhos em choque, sentindo seu queixo cair, sem conseguir acreditar que ele poderia estar falando sério. Como ela não conseguiu dizer nada por causa do choque, Hideyoshi prosseguiu — Talvez você não acredite no que estou dizendo, mas... é verdade. Desde a época em que eu supostamente deveria viajar para uma convenção de dança com o Nagihiko-kun, mas tivemos as passagens trocadas, e nós dois acabamos indo parar no mesmo hotel, se lembra? Eu provavelmente já devia me sentir assim antes daquilo acontecer, mas... foi naquel época que me dei conta do que sentia por você. Mas não consegui te dizer nada... em parte, por eu ser muito tímido e introvertido... nunca tive amigos de verdade, que dirá gostar de alguém. Sempre imaginei que, quando crescesse, eu acabaria casando com alguma garota que minha família escolheria para ser minha noiva, nem sequer cogitei a hipótese de um dia me apaixonar de verdade por alguém. Mas isso aconteceu... e foi por você que eu... m-me apaixonei... não disse nada antes, não só por falta de coragem ou timidez... mas também porque, não importa o que acontecesse, você não parecia me considerar um garoto. Quero dizer, você sempre foi muito legal e gentil comigo, mas... o jeito como você sempre falava comigo... bem, parecia até que estava falando com "uma amiga", com quem se pode desabafar, pedir conselhos e falar sobre seus problemas. Você nunca pareceu me considerar um rapaz... isso sem contar o fato de você já gostar do Nagihiko-kun. Mas, eu não sei se você ainda tem esse tipo de sentimento por ele ou não... sem falar que guardar esse sentimento só pra mim estava se tornando insuportável a cada dia que passava, era sufocante conviver com isso sem poder falar nada... por isso, resolvi dizer de uma vez. Só resta saber... o que você pensa sobre isso.


Nanami ainda estava paralisada no mesmo lugar, seus olhos ainda arregalados como se fossem saltar das órbitas, e a boca entreaberta. Absorveu lenta e dificilmente cada palavra que o rapaz lhe dizia, processando todas aquelas informações bem devagar. Quando enfim conseguiu absorver todo o significado do que acabara de escutar, uma variedade imensa de emoções tomaram conta dela. Vergonha por se encontrar em uma situação inesperada como essa; culpa por sempre tratá-lo como uma menina e por tê-lo feito sofrer durante todo esse tempo em que ele escondeu seus sentimentos, mesmo sem saber; surpresa por Hideyoshi nutrir esse tipo de sentimentos por ela; e uma outra forte emoção por estar recebendo a primeira declaração de sua vida, que ela não sabia definir muito bem. Lembrou-se de repente de quando assistia a essas cenas em filmes, animes e mangás, que eram muito frequentes em animes shoujo, e deu-se conta de que precisava dar uma resposta para ele. Mas ela simplesmente não sabia o que responder. O que ela realmente sentia por Hideyoshi? Nanami realmente não sabia, nunca parou pra pensar sobre isso... sempre o tratou como um bom amigo, e tinha que admitir que já o tinha tratado como se fosse uma menina de vez em quando, mas... não conseguia definir seus sentimentos por ele. Sempre pensou que gostava de Nagihiko, mesmo sabendo que jamais seria correspondida e já ter desistido dele há tempos, mas... ela já não sabia mais de quem gostava, não sabia o que sentia, o que responder, não sabia de mais nada. Estava completamente atordoada com essa repentina série de acontecimentos.


– Hi-Hideyoshi-kun... i-isso tudo o que você disse é... b-bem... bastante, inesperado... — ela gaguejou em resposta, seu rosto tão corado quanto os orbes avermelhados dele — E-Eu... realmente não tinha a menor ideia de como você se sentia, e... infelizmente, devo admitir que nem eu mesma jamais parei para pensar sobre que tipo de sentimentos eu tenho por você... e-eu sei que preciso responder alguma coisa, mas... n-não sei qual é a resposta... então... s-sinto muito, mas, será que você pode pode me dar algum tempo para pensar melhor sobre isso?
– Ahn... é c-claro... não tem problema — ele falou, surpreso com aquela resposta tão vaga. Esperava escutar simplesmente um "desculpe, mas não gosto de você desse jeito", ou um "eu também te amo" que era fruto apenas de uma pequena chama de esperança que cismava em queimar dentro dele, mas não isso. Bem, a hipótese mais provável que ele esperava era ser rejeitado na mesma hora, mas parecia que Nanami não sabia se faria isso ou se aceitaria os sentimentos dele. A garota parecia estar confusa, sem esperar por aquela repentina declaração... bem, não podia culpá-la afinal, qualquer um ficaria chocado em uma situação como essa. E, se ela não o tinha rejeitado... bem, talvez aquela teimosa chama de esperança não fosse tão absurda assim afinal
– Obrigada... s-sinto muito por dizer algo tão evasivo, deve ter sido... m-muito difícil para você me dizer isso, mas... e-eu preciso pensar direito sobre isso antes de... t-tomar uma decisão — Nanami murmurou, encarando os próprios pés, o rosto ainda terrivelmente corado — B-Bem, então... e-eu preciso ir pra casa agora... até mais... — ela voltou-se para o caminho que levava até sua casa e desapareceu rapidamente seguindo por ele. Hideyoshi ainda ficou parado alguns segundos, observando a rua pela qual Nanami tinha seguido e sumido de vista, até que sacudiu a cabeça numa tentativa inútil de afastar sua frustração e seguiu pela rua que levava para sua própria casa, sem saber se devia desistir de uma vez e superar aquilo ou manter a insistente e frágil chama de esperança que teimava em queimar em seu peito.

Notas finais
Konnichiwa minna-san! Teffy-chan~desu! o Gente, como eu adoro este capítulo, foi tão divertido escrevê-lo! E enfim o Hideyoshi tomou coragem pra se declarar! Agora só resta saber qual será a resposta da Nanami... bom, vamos ficar aqui na torcida! /o/ Ah gente, aproveitando a ocasião, nós fizemos uma oneshot especial de Natal para esta fic! Ela não foi escrita este ano na verdade, já tem algum tempo que postamos ela, mas, para quem não chegou a ler e para possíveis novos leitores, se puderem, deem uma olhadinha lá depois, por favor^^ https://fanfiction.com.br/historia/309003/LetIsSnow-EspecialDeNatal/ Um feliz Natal para todos vocês e um próspero ano novo! Espero que possamos continuar contando com todos vocês no ano que vem! *faz reverência* O próximo é com a Shiroyuki o/ Deixem reviews de presente de Natal pra gente onegai!!! XD