Itsumo Yakusoku
32 Capítulo 32 - Let's Promise
Nos abraçamos, tentando nos tranquilizar
E nos beijamos uma e outra vez, até a noite terminar
Eu não sei todas as palavras para dizer
Mas eu quero apenas estar com você, esse foi meu único pensamento
Mesmo quando o fim chegar
Não chore; não se esqueça de sorrir
Eu não quero ficar triste
E não quero vê-lo triste; por que eu te amo
Seus lábios estarão sempre nos meus
Segure-me com mais força em seus braços, até o ponto em que eu quebre
Se eu não souber todas as palavras para dizer
Eu ainda quero apenas estar com você, esse foi meu único desejo
Capítulo 32
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Let’s Promise
Nagihiko podia não estar certo, mas se parasse para pensar um pouco, aquele estava sendo o melhor início de ano de, bem… toda sua vida. Era o segundo dia que passava com Tadase naquele lugar. Eles passavam o tempo todo juntos, assistindo filmes na televisão, pedindo pelo serviço de quarto, e aproveitando a presença um do outro. Beijavam-se quando tinham vontade, riam um do outro, recontavam velhas piadas e lembravam-se de fatos antigos. Ele apenas queria poder passar o resto da sua vida assim, e sentia que poderia se acostumar com essa situação, se fosse dada a chance. Teria que agradecer à Utau, algum dia.
— No que está pensando, Fujis… Nagihiko-kun…? – Tadase saiu do banheiro, com o rosto corado pelo banho recente, o cabelo úmido pingando no suéter azul-petróleo. Ainda não estava acostumado a chamar Nagihiko pelo primeiro nome, mas ele achava aquelas tentativas tão fofas que poderia muito bem continuar com isso por pelo menos mais um ano.
— Em você, é claro – Nagihiko sorriu, sentado na beira da cama onde estava, e estendeu os braços para Tadase se aproximar. Ele deixou-se ser abraçado, rodeando com os braços o pescoço de Nagihiko, e sentindo as mãos dele em sua cintura. Corou, ao lembrar com uma desesperadora exatidão, a sensação da pressão que aquelas mãos faziam em seu corpo, duas noites atrás. – E no que você está pensando, hein, Tadase-kun?
— E-em nada importante… — ele disfarçou, constrangido. Deixou que Nagihiko o colocasse em seu colo, e se encolheu, abraçando-o com força e sentindo o suave perfume da sua pele. Depois daquela noite, eles estavam aproveitando aquelas férias inesperadas da melhor forma que podiam imaginar, sempre juntos, e sem preocupações. Porém, apesar de tudo, Nagihiko não voltou a tocá-lo daquela maneira, mesmo com todas as oportunidades para isso. Tadase imaginava que ele estava sendo cauteloso, ou com medo de machucá-lo, esperando que ele estivesse pronto para isso. Tadase estava constrangido, era verdade, mas não era como se ele não quisesse mais fazer essas coisas! Era difícil admitir, mas ele havia… bem… gostado também. E queria passar mais tempo com Nagihiko, enquanto ainda tinha chance. Só que não havia possibilidade de ele conseguir dizer essas coisas em voz alta.
— Então… o que quer fazer hoje?
Tadase engasgou com a pergunta, ainda embaraçado por causa do rumo indecente que seus pensamentos tomavam sem o seu consentimento.
— Q-qualquer coisa está bom… o q-que você quiser… — ele se apressou em dizer, tentando disfarçar o rosto corado.
— Nós podemos apenas ficar aqui no quarto o dia inteiro… — Nagihiko sugeriu, com um sorriso espalhando-se pelo rosto. Abraçou Tadase e o conduziu até que estivesse deitado sobre a cama. O coração dele deu um looping completo quando viu Nagihiko subindo sobre ele, e quase deixou escapar um sorriso trêmulo. Será que finalmente Nagihiko iria deixar de ser tão preocupado e tomá-lo como na outra noite? — … ou então aproveitar que está fazendo sol lá fora e caminhar um pouco na praia, o que acha? Não está mais tão frio! Vamos lá… — Ele segurou a mão de Tadase e o puxou para cima antes que ele pudesse responder, praticamente arrastando-o para fora do quarto.
Os dois foram direto para a praia logo em frente ao hotel, a mesma onde haviam começado a namorar em um verão anos atrás. Fazia frio ali, e o vento marítimo varria os cabelos de Nagihiko para trás, fazendo Tadase se encolher no seu suéter.
Tiraram os sapatos, e afundaram os pés na areia gelada, começando a caminhar sem nenhuma direção definida. Era bom poder andar de mãos dadas, sem se preocupar com pessoas julgando ou com o risco de serem pegos, sentindo a brisa fresca do mar, e ouvindo as gaivotas ao longe. A praia estava deserta, como era de se esperar no inverno, mas como havia sol naquela manhã, não era tão desagradável de andar.
O calor da mão de Nagihiko na sua era familiar e confortável. Quando olhava para ele, e percebia que ele já estava olhando na sua direção, seu coração se enchia de um sentimento tão agradável, tão amplo, que ele tinha certeza de que nunca se arrependeria daquela escolha, em toda sua vida.
— Hm, Hot… Tadase-kun… posso perguntar uma coisa? – Nagihiko indagou de repente, afagando a mão de Tadase cuidadosamente na sua. O loiro, que estava distraído com seus pensamentos, voltou-se rapidamente para ele.
— Sim…
— Você… parecia um pouco desanimado agora mais cedo… quero dizer, quase como se estivesse decepcionado quando convidei você para sair… Você está cansado, ou algo assim? Eu sei que disse que seria bom caminhar, e arrastei você para cá sem pensar, mas acaba de me ocorrer que talvez não seja exatamente isso o que você quer…
— Não, por favor, não é isso! – Tadase se apressou em justificar, parando de caminhar para olhar para Nagihiko – Eu não estou desanimado, ou decepcionado, não é nada disso… t-tem uma coisinha… e-eu… bem, não é nada de importante, eu só… pensei…
— No que você pensou? – Nagihiko sorriu gentilmente, genuinamente interessado, e Tadase engoliu em seco, fraco contra aquele sorriso tão persuasivo. Sabia que acabaria falando de uma maneira ou de outra, por que era praticamente impossível esconder qualquer coisa de Nagihiko, quando ele parecia ter um dom todo especial para ler a sua mente.
— Eu estava p-pensando se… talvez, bem… — ele virou o rosto ruborizado para a areia da praia, e distraiu-se tentando enterrar os seus pés, enquanto pesava bem cada palavra a ser proferida. Estava arrependido por ter pensado tanto no assunto, porque se não tivesse, não estaria nessa situação agora. Porém, não havia mais saída para ele, havia? – Você… não vai… sabe… de novo… c-como na outra noite…
— Oh! – Nagihiko espantou-se ao perceber o rumo dos pensamentos do menor, e sentiu seu rosto queimar levemente também, mas, ao ver o embaraço tão adorável em Tadase ao perguntar sobre esse assunto, não pode deixar de se sentir um tanto satisfeito consigo mesmo também, e um meio sorriso sagaz formou-se no canto da sua boca – Então quer dizer que o meu reizinho é do tipo insaciável, e já está pronto pra outra? – ele provocou, e Tadase parecia prestes a entrar em combustão espontânea.
— Pare com isso, estou falando sério! – ele bateu o pé, irritado ao pensar que pudesse estar sendo feito de bobo, e Nagihiko só esteve tentando obrigá-lo a dizer aquilo em voz alta no final das contas – Por que você não tentou nada depois do que fizemos… eu pensei que… que… — a sua voz morreu, engasgada pela vergonha, e ele deixou que Nagihiko tirasse suas próprias conclusões acerca do final da frase.
— Você pensou que eu fosse atacá-lo toda hora, agora que tínhamos tempo e oportunidade para isso? – ele arriscou, e Tadase corou, o que provavelmente queria dizer que ele estava certo – Bem, não posso negar que a ideia me parece tentadora… e eu realmente poderia fazer isso, não seria por falta de vontade, sabe? – ele abraçou Tadase pela cintura, tentando fazê-lo sentir-se mais confortável enquanto tratava daquele assunto, e ainda, numa tentativa de arrancar um sorrisinho que fosse do semblante sério que ele fazia agora. – Mas não importa muito o quê eu tive vontade de fazer… o que importa para mim é o que você quer, Tadase-kun. Foi por isso que eu não fiz nada nesse tempo todo, entendeu?
— M-mas… se você fizesse qualquer coisa… eu não iria me opor… — ele balbuciou, timidamente. Nagihiko sorriu, como se ele tivesse chegado exatamente no ponto da questão.
— Exato. Você não se oporia, mesmo que não quisesse, ou não estivesse com vontade, não é? Você me deixaria fazer o que quisesse, desde que eu estivesse bem com isso, estou certo? – Nagihiko afirmou.
— Eu… — Tadase pensou por alguns instantes no assunto, e uma luzinha de compreensão acendeu em sua cabeça — Eu não iria… me opor… — ele repetiu, incerto.
— Então, por isso mesmo, eu não quis apressar as coisas. Se você estivesse desconfortável ou algo assim, não teria dito para mim, então eu achei melhor esperar até que você tivesse alguma iniciativa nesse sentido, e então, eu teria certeza completa de que não estava fazendo nada de errado. Eu não sou hipócrita, sei muito bem que aquela noite foi difícil para você, e que eu acabei fazendo… você sentir dor… — ele murmurou, e Tadase corou até a raiz dos cabelos, sem coragem nem para negar a afirmação – Eu não quero que isso aconteça, quero que seja prazeroso para você, Tadase-kun, estar comigo. Por isso… bem, quando você estiver pronto, eu estarei pronto. Será sempre assim.
— Obrigado, Nagihiko-kun… por pensar tanto assim em mim… — Tadase sussurrou, ainda envergonhado, mas muito feliz. Aproximou-se de Nagihiko, cerrando os olhos e se erguendo para selar seus lábios com os dele, em um simples e puro beijo – É por isso que eu te amo tanto… — ele sorriu, abraçando-o. Enterrou o rosto no peito dele, preparando-se mentalmente para aquilo que sabia que teria que dizer, uma hora ou outra – Q-quero que você saiba… q-que… bem, meu q-q-quadril já não dói mais e eu… não me importaria… quero dizer… eu realmente quero estar com você, como naquela noite, muitas outras vezes… então não há necessidade de se conter… b-bem, é isso… — ele deu o assunto por encerrado, sentindo que poderia morrer de vergonha ali mesmo, e sem coragem para afastar o rosto e encarar Nagihiko diretamente. Sentiu o peito dele estremecer com a risada profunda que ele soltou.
— Obrigado por me avisar, Hotori-kun. É melhor que tenha consciência do que acabou de me propor, porque a partir de agora, eu não pretendo mais me segurar… — ele ameaçou, fazendo Tadase balançar, e não era por medo.
— P-p-por favor, não o f-faça… — ele reforçou o pedido, assentindo, e Nagihiko sorriu, erguendo o rosto dele para tomá-lo em outro beijo, dessa vez, profundo e verdadeiro. Abraçou-o com força pela cintura, tocando por inteiro seus corpos, e invadindo com a língua cada recanto possível da boca de Tadase, até que o ar faltasse a ambos. Tadase trazia o rosto ainda corado, e agora estava também ofegante.
— Não era apenas isso que estava te preocupando, não é? – Nagihiko adivinhou com um sorriso, e Tadase ofegou, surpreendido por aquela inesperada descoberta.
— C-como você…
— Eu apenas sei ler você, Tadase-kun – ele sorriu. Às vezes, ele tinha a impressão de que era mais fácil atualmente entender Tadase do que a si próprio. – Vamos lá, me diga o que mais o preocupa. Tem algo que eu possa fazer?
— Não há nada que você possa fazer, Fuj… Nagihiko-kun, nada além do que você já faz. Eu só… b-bem, não sei como explicar…
— Tem algo que o deixa triste?
— Não, pelo contrário, na verdade, acho que nunca fui tão feliz em toda a minha vida!! Mas… exatamente por isso… eu penso que quando esse fim de semana chegar ao fim, e nós tivermos que voltar para casa… tudo vai voltar a ser como era antes, e essa felicidade toda vai acabar… e… eu não quero isso… Eu me acostumei a acordar todos os dias ao seu lado, e passar o dia inteiro perto de você… e de repente, vou ficar privado disso por sabe-se lá quanto tempo, de novo… e isso é simplesmente… muito cruel… — Tadase baixou a voz, sentindo que se falasse qualquer coisa a mais, acabaria em lágrimas, e a última coisa que queria agora era parecer um garoto mimado e patético para Nagihiko.
— Eu sei que já disse antes que não deixaria as coisas ficarem daquela forma, e olha só, nós quase rompemos… Então, ao invés de dizer que eu não vou deixar tudo dar errado, eu vou prometer outra coisa… algo que eu sei que posso cumprir. Da maneira que for possível, Tadase-kun, eu vou fazê-lo feliz. Não importa o tempo que levar, ou as circunstâncias, eu prometo que vou sempre amá-lo, incondicionalmente, e nunca duvide do que eu sinto por você… está bem assim?
— É o suficiente para mim… — Tadase murmurou, rodeando os braços ao redor de Nagihiko, ficando na ponta dos pés para conseguir completar o abraço – Sempre foi. Eu também amo você mais do que tudo, Nagihiko-kun… nunca, nunca, nunca vou te deixar…
— Então… é mais uma promessa? – Nagihiko sorriu, e quando Tadase se afastou minimamente para enxergá-lo, estendeu para ele o dedo mínimo. O loiro retribuiu ao sorriso, enlaçando seu próprio dedo no dele.
— É uma promessa.
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— Eu… eu nunca vi… hahahaha…. Eu n-nunca vi alguém… hahahaha cair tanto…
— Fico feliz por mantê-la entretida, Nanami-san – Hideyoshi respondeu, com o semblante emburrado – Quando é que você vai parar de rir…?
— Mas… mas… é que… hahahahaha, você estava na área das crianças!!! – ela tentou se controlar, mas uma nova crise de riso se iniciou, e Hideyoshi bufou baixinho, voltando a se concentrar no seu almoço.
— Desculpe se eu não tenho um equilíbrio assim tão bom… — ele tentou ironizar, mas parecia mais uma criancinha sendo provocada do que qualquer outra coisa. Nanami conseguiu parar de gargalhar para olhar para ele.
— Equilíbrio? Você não tem nenhum! Eu nunca vi alguém esquiar daquela forma… — ela continuava sorrindo – Até mesmo o Tadase-san, que é muito ruim nos esportes, conseguia se equilibrar, mas você é simplesmente… terrível! Parecia um pinguim…
— Você já viajou muito com ele…? – a pergunta saiu antes que ele pudesse pensar, e agora, ele já não estava mais incomodado apenas com as provocações de Nanami, mas sentia outra coisa, desagradável e irritante, ou ouvir a garota citar seu noivo. Tentou deixar isso de lado, mas não conseguia.
— Apenas uma vez, ano passado. Meu irmão e a Utau-san vieram junto, foi divertido… — ela lembrou – Mas não foi tão engraçado quando esquiar com você, pode ter certeza!
— Você preferia estar com o Hotori-san aqui, não é? – Hideyoshi perguntou, e não aparentava estar particularmente magoado, apenas curioso. Nanami pareceu pensar seriamente na questão.
— Na verdade não. Hotori-kun é um bom amigo, e tudo mais, mas… bem, ele é um pouco… c-chato… Quero dizer, ele só fica divertido quando está perto do Nagihiko-kun e… — ela mordeu a língua, quando percebeu o que estava prestes a falar, e o semblante de Hideyoshi modificou-se, agitado apenas em ouvir Nanami falar do primo dele. Algo parecia apertar o seu coração, e embora ele estivesse sozinho com ela naquele lugar, era como se a lembrança de Tadase ou de Nagihiko participando da vida dela fosse apenas demais para ele aguentar. Isso era tão estranho. Ele não conseguia agir normalmente, depois de tudo.
— Bem, então eu acho que é sem esquiar mais até o dia de irmos embora… — ele arriscou , não muito certo. Mexeu com o garfo no seu almoço, sem muita vontade de comer, e enfim fitou Nanami diretamente. É claro que ela estava com aquele brilhante sorriso no rosto, aquele que dizia a ele “cuidado!”.
— Nem pensar! Nós estamos em uma estação de esqui afinal, o que mais vamos fazer? Além do mais, eu achei fofinha a maneira que você caia – ela sorriu, e Hideyoshi sentiu seu rosto queimar, junto com um estranho aperto no coração, muito diferente do anterior. Dessa vez, era como se houvesse alguma coisa remexendo em seu estômago, pelo lado de dentro. Esquisito. – Eu ensino para você, tenho certeza que até o fim da semana você vai ser um esquiador profissional!
— O meu primo é muito bom nisso… — ele disse sem pensar, vendo Nanami recuar ao ouvir falar de Nagihiko, mas ele simplesmente não conseguia evitar a comparação – Ele é bom em todos os esportes, eu acho… quando fomos na Áustria há dois anos, ele praticou snowboarding, e mesmo que dissesse que não tinha prática nisso, parecia mesmo um profissional…
— Ah, eu adoraria ver isso… — ela ponderou, mas ao ver a expressão carregada de Hideyoshi, logo se arrependeu. Ele parecia admirar muito o primo, mas com tantas diferenças entre eles, ela sentia que poderia haver mais alguma coisa além disso. Como um complexo de inferioridade, ou alguma inveja reprimida. Como aquilo que ela sentia cada vez que pensava que Nagihiko jamais olharia para ela com outros olhos, por que já tinha Tadase – Mas ele não está aqui comigo, não é? Você está. – ela se apressou em dizer, segurando a mão de Hideyoshi na sua. Ele não era em absoluto um grande fã do contato físico, mas sentiu um formigamento espalhar-se a partir do ponto onde ela tocava, e não era ruim, de nenhuma maneira, então, ele não conseguiu recuar. E o sorriso dela era tão lindo…
— Hm… obrigado, eu acho… — ele murmurou, sem saber ao certo o que mais poderia dizer.
— Hey, Hideyoshi-kun… tem uma coisa que eu estive pensando… bem, eu contei tudo sobre mim para você, mas você não me disse muita coisa sobre si mesmo… — ela murmurou, soltando a mão de Hideyoshi para voltar ao seu almoço, e ele lamentou a perda daquele contato tão cálido. Espere… ele queria realmente ficar segurando a mão dela?
— S-sobre mim? Bem, eu não sou tão interessante assim… — “como meu primo” pensou em dizer, mas se conteve a tempo – Estou estudando para algum dia assumir a empresa da família… enquanto Nagihiko-kun carrega o legado artístico, eu ficarei encarregado da parte financeira, funciona mais ou menos assim…
— Você gosta disso? Quero dizer, é isso mesmo que você quer para o seu futuro? – Nanami arriscou perguntar. Assim como ela estava destinada a ter um marido escolhido por outra pessoa, parecia que Hideyoshi também já tinha um destino todo traçado desde o nascimento, e isso a fazia identificar-se com ele de uma forma muito profunda.
— Eu não consigo imaginar nenhum outro futuro que não seja esse… — ele respondeu, e Nanami notou que ele não respondeu diretamente que era isso o que queria.
— Bem… e sobre seus gostos pessoais? Do que você gosta?
— Definitivamente não de esquiar… — ele respondeu, e Nanami riu com vontade. Ele corou. Gostava de ouvir o som da risada dela, e gostava de saber que era ele quem a fazia sorrir agora. Aquele sentimento pesado em seu peito retornou, e ele tentou sufocá-lo, antes que o sufocasse. – Eu gosto de… estudar, eu acho… gosto muito de ler… ah, e gosto de assistir peças de teatro… apesar de não ter nenhum talento para as artes, acho muito inspirador…
— Ah, nós podemos ir ao teatro algum dia, o que acha? – ela parecia empolgada com a ideia, e Hideyoshi sabia que jamais conseguiria dizer não para ela.
— Claro. – ele sorriu suavemente. Por um instante fugaz, Nanami teve a impressão de que sentira algo ao ver aquele sorriso, algo bom, e confortável. Algo que varria para longe a sensação esmagadora que sentia o tempo todo, ao pensar em Nagihiko e Tadase.
— Nee, Hideyoshi-kun… você nunca se apaixonou, nunca mesmo? – ela indagou em voz baixa, interessada. Hideyoshi a fitou com choque pela pergunta repentina.
— Acho que não. Bem… eu nem mesmo consigo imaginar quais os sintomas de estar apaixonado… já li em livros, é claro, mas tudo parece tão abstrato que não consigo ter certeza…
— Se apaixonar não tem nada a ver com ter certeza de qualquer coisa… — Nanami murmurou, baixando o olhar – Sabe, é aquela sensação inexplicável de sentir seu coração prestes a explodir de alegria só por que uma pessoa olhou na sua direção… e você começa a interpretar cada pequeno gesto daquela pessoa, querendo descobrir o que ela pensa, do que ela gosta, do que não gosta, o que ela sente… e quando percebe, você passa a noite em claro, apenas imaginando situações que provavelmente nunca vão nem acontecer… Sua garganta se fecha, você não consegue dizer nada do que tem vontade. Se sente um idiota, o tempo todo, pensando que deveria ter feito ou dito outra coisa, de outra maneira… querendo desesperadamente que aquela pessoa note você, pense em você do mesmo jeito que pensa nela. É doloroso, mas é tão gratificante, saber que você tem um sentimento tão bonito dentro de você, apesar dele ser também tão devastador… acho que é impossível entender, e nenhum livro no mundo explicaria essa sensação…
Hideyoshi ficou sem palavras por alguns instantes. Tudo o que conseguia pensar era “ah, era isso?”… o tempo todo, era isso? Aquela descrição de Nanami, tão adorável, parecia colocar em palavras tudo o que ele sentira durante as últimas semanas, e ele simplesmente não sabia como agir sobre isso. Ele estava apaixonado? Era isso? Mas por quem…? E no instante em que essas palavras tomaram forma na sua mente, a única imagem que vinha era a de Nanami, exatamente como estava na sua frente, e de repente, ela parecia estar brilhando, enquanto falava e sorria de uma maneira que Hideyoshi, se acreditasse em coisas como céu ou divindades, sabia que seria exatamente como um anjo.
— N-nanami-san… — ele murmurou, os olhos arregalados em surpresa pelo simples conclusão a que chegou, e a garganta seca, incapaz de dizer qualquer outra coisa além disso.
Nanami levantou os olhos, constrangida por reparar que havia falado demais novamente, mas Hideyoshi sempre a deixava tão à vontade que ela falaria sem parar se ele não a interrompesse. Ela o fitou, sorrindo com o rosto corado, e o coração de Hideyoshi deu um salto, acelerando como nunca antes.
— A garota por quem você se apaixonar vai ter muita sorte, sabia…? – ela concluiu seu pensamento, gentilmente. Hideyoshi assentiu, sem capacidade de pronunciar nada naquele instante.
“Talvez seja você…” foi o único pensamento que cruzou a mente do Fujisaki, e ele logo se arrependeu, surpreendido pela ousadia da sua própria mente. O que raios faria da sua vida agora?
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