Itsumo Yakusoku
27 Capítulo 27 - Sinky York
Notas iniciais
Por qualquer motivo, nesse momento,
Eu me lembro, dos velhos tempos
Os seus cabelos, cabelos longos
Se tornam mais belos a cada dia
É estranho, sobre isso
Aquilo que eu vi, agora
Parece com um filme sendo rodado
E eu queria um final feliz
Eu quero te abraçar agora
Mas as lágrimas estão fluindo
Você está indo, me dando as costas
Um beijo de Adeus
…Um beijo de Adeus
Capítulo 27
~
Sinky-york
Com Tadase pendurado em seu pescoço, sussurrando palavras desconexas e mordiscando sua orelha, Nagihiko tinha dificuldades de pensar. Estavam em uma festa de Natal com os amigos, na casa da noiva dele. E como sempre acontecia, alguém havia trazido doces suspeitos sabe-se lá de onde. E Tadase era terrivelmente fraco para essas coisas…
Lá estava ele, agarrando Nagihiko sem nenhum pudor no meio do corredor, correndo o risco de serem flagrados por alguém, e achando tudo muito divertido. Nagihiko não podia negar que era uma tentação… mas precisava ser forte, pelos dois.
— Hotori-kun… pare com isso, por favor… alguém pode nos ver… — ele tentava se desvencilhar do loiro, que choramingou como uma criança mimada ao ser afastado tão bruscamente.
— Awwnn, eu quero brincar com você! – ele bateu o pé, teimoso – Vamos sair daqui, vamos? Eu quero ficar sozinho com você… — ele pediu, com aquele rosto corado e suplicante, os olhos enormes convencendo Nagihiko a fazer algo que ele sabia muito bem que nunca poderia dar certo.
— Você precisa se acalmar… e eu também… — ele soltou o ar, passando os dedos nos cabelos – Certo, vamos até a cozinha. Você toma um pouco de água, talvez o efeito dessas coisas que você comeu passe logo…
Segurando-o pela mão, Nagihiko o conduziu até a cozinha. Não encontraram ninguém lá, e Amu e Utau já haviam levado toda a comida para a sala, onde estavam todos. Nagihiko olhou ao redor, procurando por um copo, e Tadase sentou-se à mesa ao lado, brincando com os guardanapos que estavam ali. De repente, ele encontrou alguma coisa perto de alguns objetos que pareciam ter sido deixados ali sem querer, quando foram carregadas as comidas. Um deles, era um celular, preto e simples, que Tadase, em seu estado alterado, julgou ser muito parecido com o de Nagihiko. Claro que ele não sabia que o celular de Nagihiko estava bem seguro no seu próprio bolso, e enquanto Nagihiko procurava por um copo, e talvez por qualquer outra coisa que pudesse ajudar Tadase a se recobrar, o loiro começou a mexer no celular, sem nenhuma cerimônia.
Não havia muitos registros ali, já que o celular em questão pertencia à Hideyoshi, e ele não era exatamente um garoto popular. Porém, quando foi olhar as fotos armazenadas no aparelho, Tadase se deparou com algo inesperado. Era a foto que Hideyoshi tirara de Nagihiko com uma das meninas, durante a viagem para a pousada, meses antes. A foto estava esquecida ali, ninguém mais recordava dela. E, apesar de estar bem evidente a falta de animação de Nagihiko na imagem, Tadase não gostou nada de ver aquela garota sorridente e atirada abraçando o seu Nagihiko, de maneira tão ousada e atrevida. Antes que pudesse fazer qualquer coisa porém, o barulho de Nagihiko fechando um dos armários o sobressaltou, e ele largou o celular no mesmo instante.
Seus olhos se moveram pela mesa, a mente enevoada tentando encontrar outro ponto para distrair-se daquela visão nada agradável que acabara de ter. só de pensar em Nagihiko perto de garotas como auqelas fazia o sangue de Tadase ferver. Ele não aguentava mais essa sensação queimando em seu peito, precisava fazer Nagihiko ser seu… só seu, e de mais ninguém. Subitamente, ele percebeu que havia na mesa uma garrafa de água, pensou que Nagihiko estava procurando justamente por isso, e ficaria feliz que ele tivesse encontrado.
— Achei água! – ele entoou de repente, parecendo maravilhando com a sua descoberta. Pegou a garrafa de plástico pequena de cima da mesa e começou a tomar rapidamente, sem pensar duas vezes. Nagihiko o observou esvaziar mais da metade da garrafa em poucos segundos, sem nem parar para respirar, e uma gota do líquido transparente escorreu pelo canto da sua boca. Subitamente, ele parou de tomar, começando a tossir, enquanto limpava o rosto com as costas da mão – Isso não era água! Aahh, é ruim!!
— Hotori-kun! – Nagihiko se apressou a arrancar o recipiente das mãos de Tadase, enquanto ele ainda tossia, e ao ler o rótulo, quase teve uma síncope – Isso não é água!!! Isso é sakê! Hotori-kun, você está bem?
— E-eu… estou… meio tonto… — Tadase murmurou, erguendo os braços na direção de Nagihiko como uma criancinha pede colo – Me leve daqui, Fujisaki-kun, eu quero ir para algum lugar com você. Qualquer lugar… — a voz dele começou a enrolar, e ele apertava os olhos, com dificuldade para enxergar. Nagihiko o apoiou com o braço, enquanto ele se erguia.
— Vamos encontrar algum lugar para você dormir, antes que alguém te veja assim… — Nagihiko foi conduzindo Tadase com cuidado para fora da cozinha – Você com certeza não vai querer uma foto sua bêbado tirada pela Yaya rolando por aí, quando estiver sóbrio, não mesmo…
— Eu quero ir para a sua casa, Fujis…hic…saki-kun… — Tadase soluçou, trançando as pernas enquanto Nagihiko praticamente o carregava pelo corredor – Quero fazer… c-coisas pervertidas… na suuuuua cama….
— Você não está no seu estado normal, Hotori-kun, e vai se arrepender por dizer essas coisas mais tarde. – Nagihiko disse apenas, tão calmo como sempre, enquanto levava Tadase de alguma maneira até o quarto de hóspedes do térreo, que Nanami mostrara logo que chegaram ali.
Nagihiko entrou no cômodo e fechou a porta, certificando-se de que ninguém teria os notado indo até ali. Bem, havia tantas pessoas na festa, e todos estavam tão distraídos divertindo-se, dificilmente alguém prestaria atenção, ou pelo menos, era o que Nagihiko gostava de pensar.
Colocou Tadase na cama, mas ele o enlaçou pelo pescoço rapidamente, e por pouco não o arrastou para deitar ali com ele. Ah, Fujisaki Nagihiko estava exercitando todo seu autocontrole e sua paciência nessa noite. Mais um pouco disso, e ele viraria um monge budista.
— Agoooooora que chegamos ao quarto, Fujisaki-kun, você tira a roupa……. E veste isso! – ele ergueu a roupa vermelha cheia de penugens brancas na ponta, como um troféu.
— Você ainda está carregando isso? Apenas deita e durma, Hotori-kun.
— Não, você não entendeu. Eu quero dormir com VOCÊ!
— Você não está acostumado a beber, ainda mais dessa forma, vai acabar passando mal. – Nagihiko insistiu, fingindo que não estava ouvindo o que Tadase dizia. Avançou e tentando tirar o vestido da mão do loiro.
— Nãaaao! Seu sem graça. Eu disse pra tirar a roupa. É uma ordem do reeei… — ele resmungou com voz arrastada, erguendo-se de joelhos sobre a cama enquanto deixava o vestido de lado. Empertigando-se, ele começou a desabotoar a camisa de Nagihiko lentamente, atrapalhando-se um pouco com cada um dos botões.
— Pare com isso, Hotori-kun… a casa está cheia de gente, alguém pode nos ver… você não está raciocinando direito… — Nagihiko argumentou, mas é claro que isso entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Tadase já era naturalmente teimoso, mas naquele estado, parecia mil vezes pior.
— Ninguém vai nos notar… — Finalmente, ele conseguiu abrir toda a camisa de Nagihiko, e sorriu triunfante — Além do mais… — ele voltou a se aproximar, tamborilando os dedos no peito nu de Nagihiko – Você não acha esse perigo incrivelmente excitante, Fu-ji-sa-ki-kun… — entoou provocantemente, fazendo o maior perder quase toda a compostura que lutava para preservar. Aproveitando o momento de distração causado, Tadase jogou longe a camisa de Nagihiko, e abaixou-se para começar a abrir o cinto da calça. Provavelmente não tinha nenhuma noção do que estava prestes a fazer, mas persistia ainda assim, muito senhor de si, como se realmente soubesse alguma coisa.
— O que você está fazendo? – Nagihiko alarmou-se, segurando as mãos de Tadase antes que ele terminasse de abrir — Pare logo com isso, antes que…
— Antes que…
— Antes que seja tarde demais. – Nagihiko fechou os olhos, sentindo-se terrivelmente culpado pelo fato de não conseguir encontrar em si mesmo, motivos para acreditar no que acabara de dizer. Ele não queria ser obrigado a parar, essa era a verdade.
— Já é tarde demais. – Tadase bradou com firmeza, encarando Nagihiko diretamente nos olhos – Eu fiquei três anos… três anos esperando por você… — ele se ergueu, enlaçando o pescoço de Nagihiko com os braços, tocando suas testas. Seu rosto estava vermelho e quente, mas era por causa da bebida, por que ele não parecia nada constrangido naquele momento. – Eu não aguento mais ter que me segurar cada vez que olho para você, Fujisaki-kun… é uma tortura.
— E-eu não sabia que você se sentia assim também, Hotori-kun… — geralmente, o tempo que dispunham para estar juntos era tão limitado que as conversas abrangiam somente o cotidiano, e nunca se aprofundavam em ramos mais íntimos. Nagihiko agora notava que isso fazia falta, para os dois.
— Deixe-me aproveitar por essa noite… só essa noite, Fujisaki-kun. É a única que nós temos. Seja meu presente de Natal… — ele sussurrou no ouvido do maior, conduzindo lentamente os lábios por ele, passando pelo rosto, até chegar enfim aos lábios. Tocou neles superficialmente, apenas provocando – Alguma objeção…?
— Hotori-kun, nós-
— Objeção negada. – Tadase interrompeu antes que ele completasse a frase, e tomou os lábios entreabertos de Nagihiko, encaixando-os nos seus com perfeição. Segurando o rosto dele firmemente, Tadase se impeliu para trás, devagar, trazendo Nagihiko consigo.
Ele se apoiou na cama, e enquanto retribuía ao beijo de Tadase por impulso, sua mente protestava ardorosamente, a razão contrária a tudo isso. Já estava deitado sobre Tadase, e não havia perspectiva de fuga. O loiro estava completamente ciente das reações que provocava em Nagihiko, e usava isso ao seu favor sem nenhum pudor. Mordiscava os lábios dele, lambia seu pescoço, passava as mãos por todo o abdômen e as costas expostas, deixando marcas de unha de propósito.
Arrancava, então, gemidos contidos de Nagihiko, que estava à beira de perder completamente todo o controle – o que, evidentemente, era o objetivo inicial de Tadase.
— Hotori-kun, i-isso é… — ele perdeu as palavras, enquanto Tadase abaixo dele, beijava seu pescoço, passando os dedos finos na parte baixa do abdômen, quase roçando no cós da calça.
— Ótimo, não é? – Tadase completou a frase para ele, rindo de canto. Sua personalidade alterava-se drasticamente quando ele estava fora de si, e de uma maneira ainda mais intensa do que o Chara Change normalmente era capaz de fazer. Nagihiko tinha medo de até onde aquele Tadase alterado era capaz de ir.
— Não, é perigoso… Você vai acabar se arrependendo disso… — Ninguém poderia culpar Nagihiko por não tentar, ele estava realmente querendo alertar Tadase. Mas aquelas eram apenas palavras vazias, pois a próxima coisa da qual ele tinha consciência, era de estar arrancando fora o suéter verde de Tadase, beijando-o com voracidade enquanto passeava com as mãos pelo dorso pálido dele, apertando ligeiramente em lugares estratégicos.
— Ah, Fujisaki-kun… — o gemido incontido de Tadase só o impelia a seguir em frente com mais afinco, e menos racionalidade. Seu corpo todo reagia, em contato com o de Tadase, ele sentia sua pele queimar a cada movimento, e sua mente fervia, trabalhando muito mais rápido do que o corpo.
Tomando o pescoço alvo de Tadase, deixando marcas onde quer que seus lábios passassem, Nagihiko desceu as mãos pelas costas dele. Tadase o abraçava, movimentando-se pela cama, incentivando-o a prosseguir. Vez por outra, sussurrava coisas desconexas no ouvido dele, ou apenas o seu nome, fazendo Nagihiko gemer contra a sua pele. Ele então abriu o fecho da calça, e Tadase se moveu, ajudando-o a retirar a peça de roupa. Estava agora somente com sua roupa de baixo, e não parecia com nenhuma vontade esconder isso. Sorriu para Nagihiko, sugestivamente, como se o desafiasse a seguir em frente com aquilo.
Nagihiko já não pensava mais, apenas beijava Tadase, tocando-o onde quer que as suas mãos pudessem alcançar, pressionando-o contra a cama com seu próprio corpo. Uma voz séria, aquela que se parecia com a de Nadeshiko, dizia repetidamente “Isso está errado. Não era dessa maneira que deveria ser…”, mas Nagihiko resolvera ignorar a tal voz deliberadamente, concentrando-se mais em Tadase, e somente nele.
Um ruído arrastado e vozes vindas ao longe, Nagihiko paralisou. É claro que isso estava fadado a acontecer, levando em conta que estavam em uma festa, o quarto de hóspedes não tinha chave, e Tadase não estava contendo sua voz nem um pouco.
Na porta, ele viu rapidamente o rosto assustado de Nanami, e ela tornou a fechar a porta tão rápido quanto tinha aberto, completamente assustada. Mesmo que por poucos segundos, ela certamente havia visto Nagihiko seminu, Tadase somente de roupa de baixo, e ambos agarrando-se sobre a cama, e não demorou em cogitar o que eles estavam fazendo.
A próxima coisa que ouviram, foi a voz abafada dela do lado de fora da porta.
— S-s-sinto m-muito Hideyoshi-kun… — Nanami mal conseguia conter o nervosismo na sua voz – E-esse q-quarto está… está muito desarrumado, não posso deixar que você descanse nele. Não prefere subir até o meu quarto…
— Não! Eu não poderia dormir no quarto de uma garota, absolutamente… i-isso seria… s-seria…
— Tudo bem, então… você vai para o quarto do meu irmão… — Nanami parecia insistir para que ele a acompanhasse para longe dali – V-vamos logo…
Nagihiko soltou o ar, aliviado, saindo de cima de Tadase sentando na beira da cama. Seu semblante era sério, sentia-se culpado pelo que acabara de acontecer. Se ao menos ele pudesse controlar-se melhor. Enterrou o rosto nas mãos, apoiando os braços nos joelhos.
— Você tem alguma noção do que acabou de acontecer aqui, Hotori-kun? Do perigo que nós corremos? – ele murmurou. Tadase se ergueu sobre a cama, mais parecendo um filhotinho de cachorro que foi pego fazendo algo errado, e abraçou Nagihiko pelas costas, ainda zonzo, parecendo não entender muito bem o que acabara de fazer.
— Eu só quero ficar perto de você, Fujisaki-kun…… — ele entoou com a voz embargada, cerrando os olhos pesados enquanto apoiava o rosto nas costas de Nagihiko. – Você não me quer mais? – ele fez beicinho, baixando a voz.
— Claro que quero, Hotori-kun, é o que eu mais quero. Mas não desse jeito. Não na casa da sua noiva, na cama do quarto de hóspedes. Com todo mundo na sala, e com você completamente bêbado. Isso está errado, não foi assim que eu planejei.
— E desde quando alguma coisa que nós planejamos deu certo, hein? Cite alguma? – Tadase insistiu, mas seu tom de voz não parecia o de alguém argumentando. Parecia mais uma teimosia infantil, uma criancinha batendo o pé e dizendo que não quer ouvir. – Eu não aguento mais essa situação… vamos escapar, fugir, vamos para longe… eu não preciso de nada, só de você, Fujisaki-kun…
— Você não está pensando direito, Hotori… já é tarde, você bebeu, não está no seu juízo perfeito. Durma aqui um pouco, eu pedirei para o Ikuto levá-lo para casa daqui a pouco. – Nagihiko levantou, desvencilhando-se dos braços de Tadase, e o colocando deitado na cama. – Vista-se, por favor… e apenas descanse. Não pense em mais nada.
— M-mas…
— Não. – ele cortou, seu rosto sério demais. Tadase estremeceu – Amanhã, quando você estiver sóbrio, nós conversamos. – ele se abaixou, pegando a própria camisa do chão, e juntou as roupas e sapatos de Tadase espalhados, entregando a ele. Depois que se vestiu, encaminhou-se para a porta – Vou ver se consigo um café forte ou algo assim para você. Agora deite aí, e fique bem quietinho. – ele saiu pela porta sem olhar para trás.
— O que aconteceu??? – mal saiu do quarto, Nagihiko foi atacado por Yaya, que balançava sua touca de natal na cabeça agitadamente – Você e o Tadase sumiram, e o Hideyoshi queria ir para casa, mas a Nanami-chan convenceu ele a deitar e descansar um pouco aqui mesmo, mas aí ela apareceu pálida feito papel, toda assustada, e a Yaya ficou imaginando que…
— Então pare de imaginar, Yaya – Nagihiko a cortou, e ela parou de falar no mesmo instante, assustada com o tom seco de voz que ele usou com ela – Não aconteceu nada. Diga para o Hideyoshi que nós já estamos indo embora…
Depois disso, Nagihiko tentou preparar rapidamente um café bem amargo, mas quando foi levá-lo para Tadase, ele já dormia a sono solto. Ele pediu para Utau e Ikuto cuidarem dele, e foi para casa sem falar com mais ninguém. Nem mesmo agradeceu Nanami pela ajuda em acobertá-los, ou pediu desculpas por terem realizado aquela cena na casa dela, e ainda feito-a presenciar isso. Mas teria que esperar até o dia seguinte, pois sua cabeça latejava, e tudo o que ele não queria fazer agora era ter que se explicar para alguém.
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Andando pela rua apressadamente, Nagihiko não parou para olhar a neve que derretia lentamente sob o sol da manhã, e que provavelmente já estaria congelada novamente no final da tarde de qualquer maneira. O vento frio assobiava, levando seus cabelos purpúreos para trás, mas ele caminhava rapidamente, na direção do estúdio de dança da sua família.
Havia recebido uma mensagem de Tadase, e aproveitou o período de estudo livre que teria agora para correr para o local, e conversar com ele. Na mensagem, Tadase dizia que iria para o estúdio mais cedo, e que ele poderia passar mais tarde por lá. Os dois não haviam se falado desde a festa de Natal, e Nagihiko percebeu que a oportunidade que tinha para organizar seus pensamentos, então correu para lá sem pensar duas vezes. Apesar de tudo, tinha esperança de que Tadase não se lembrasse do ocorrido, já que havia bebido tanto, e caído no sono logo depois.
Chegou ao estúdio despedindo-se de Rhythm e Temari, pois precisava de privacidade para conversar com ele agora, e depois de fechar bem a porta, seguiu pelo caminho no escuro, subindo as escadas, direto para aquela mesma sala do segundo andar.
Ao abrir a porta, deu de cara com um Tadase todo encolhido no sofá, enrolado em cobertores que ele próprio havia trazido algumas semanas antes, quando o frio era demais para aguentar ficar naquela sala por muito tempo. Tinha os olhos fechados, e a luz ainda estava apagada ali também, mas julgando pela ruguinha formada entre as sobrancelhas, Nagihiko tinha certeza de que não estava dormindo. Adentrou o cômodo, acendendo a luz, e vendo o loiro se contorcer para debaixo do cobertor.
— Não ligue a luz! Isso machuca meus olhos! – ele reclamou, com a voz abafada embaixo das cobertas – Minha cabeça parece que vai estourar… — ele choramingou, manhoso.
Finalmente, Nagihiko entendeu o motivo por trás da mensagem que recebera de manhã cedo. Tadase estava de ressaca por causa da festa, e não conseguira ficar na aula, então procurara refúgio ali. Deveria ter imaginado antes, que alguém como ele bebendo daquela maneira, teria que enfrentar graves consequências no dia seguinte.
— Deixe-me ver você… — Nagihiko se aproximou, sentando na beirada do sofá e espiando para dentro do cobertor. Tadase estava lá, todo encolhido, os olhos fundos e o cabelo emaranhado. Sua roupa estava toda amarrotada, provavelmente por ter ficado deitado tanto tempo, e ele tinha um rosto irritado, raramente visto, que devia ser por conta da dor de cabeça. – Você não tem aula? – Nagihiko perguntou delicadamente, enquanto repousava a cabeça de Tadase no seu colo, vendo-o se aninhar rapidamente nele.
— Eu saí mais cedo, disse para o professor que tinha assuntos do Conselho a resolver, e pedi para Amu me dar cobertura caso alguém desconfiasse… mas não podia ficar na enfermaria, pois se alguém descobrir que eu estou assim por… por conta… da bebida… seria ruim… — ele escondeu o rosto, envergonhado por si mesmo – Então pensei em ficar aqui até o final da aula, mas… você não precisava ter vindo também, sabe… eu vou ficar bem sozinho…
— Eu tinha período livre, então dei um jeito de escapar – Nagihiko explicou, passando a mão devagar no cabelo de Tadase – Os garotos da sala darão alguma desculpa, caso alguém dê por minha falta.
— Ah, é… você ficou amigo dos garotos também, agora… — Tadase comentou, e não parecia muito feliz com a notícia, apesar de ser algo favorável à condição deles dois. Seu tom de voz era amargo, um lado que Nagihiko não via com muita frequência. Depois de alguns poucos segundos em silêncio, ele se mexeu, incomodado – Você… n-não vai dizer nada… sobre ontem…?
— Então você lembra… — Nagihiko passou a mão pelos cabelos, suspirando – Eu tinha alguma esperança de que você tivesse esquecido…
— Por quê? – Tadase se ergueu, apoiando-se nos braços para ficar com o rosto no mesmo nível do de Nagihiko. Suas sobrancelhas se juntaram, os olhos se apertando por causa do desconforto causado pela luz – Por que você quer que eu esqueça? Para você não lamentar pelo seu erro, é isso? Pois saiba que eu lembro muito bem! E não me arrependo de nada…
— O quê? – Nagihiko indignou-se com o tom de voz petulante que Tadase insistia em usar. Parecia que estava no chara change, mas ao olhar para cima da cabeça dele, nenhuma coroa aparecia – Hotori-kun, você tem alguma ideia de o que nós estávamos prestes a fazer? Do que aconteceria se a Nanami-san não tivesse nos interrompido?
— Eu tenho uma boa noção. E… apesar de eu estar um pouco fora de mim, naquela hora… não me arrependeria do que quer que pudesse ter acontecido. Eu te amo, Fujisaki-kun, eu quero estar com você! Não poder ver você, não poder estar com você todos os dias… isso está me matando… — ele pulou para os braços de Nagihiko, enterrando o rosto no peito dele – Por que você está sendo tão frio comigo, Fujisaki-kun? Eu não fiz nada de errado…
— Eu também quero estar com você, Hotori-kun, mas para isso nós temos que ser cuidadosos… e além do mais, aquilo que aconteceu ontem… eu não tenho certeza de que você está preparado para isso. Seja mais paciente, Hotori-kun. Isso não é algo tão simples, precisamos pensar direito antes de…
— Não! Eu não aguento mais ter que pensar em tudo! Ai, a minha cabeça dói… — ele choramingou, afastando-se e se enrolando ainda mais no cobertor, tapando a cabeça com ele – Eu quero você, Fujisaki-kun… todas as noites eu tenho sonhos, e quando acordo, você não está por perto… e todos os dias, eu quero vê-lo, mas nós não podemos… e então, quando estamos juntos, eu tenho que tomar cuidado para não deixar nada transparecer, para que o seu primo não perceba nada… Ainda tenho que aguentar você sempre rodeado de garotas, e agora, de garotos também! – a voz dele falhou, lembrando-se da foto que vira no celular de Hideyoshi. A lembrança não era nítida o suficiente, mas o sentimento de raiva o dominou facilmente. – Você não sabe como eu me sinto! E ainda me pede para ser mais paciente do que eu já tenho sido?
— E você acha que está sendo fácil para mim, Hotori-kun? – Nagihiko exclamou, indignado – Eu tenho que passar pela mesma coisa que você! Você acha que eu fiquei feliz por ter ficado todos aqueles anos longe daqui, longe do meu país, dos meus amigos, apenas fingindo que vivia, imaginando se algum dia na minha vida eu seria capaz de ver seu rosto novamente?
— A sua mãe não fez você ficar noivo de uma garota da qual você nem gosta, por que acha que assim você vai ser curado!
— Ao menos a sua mãe ainda se importa um pouco com você! Pelo menos ela pensa em te “ajudar”. Ela não mandou você para longe para se livrar de um problema, ou pensa em você como um erro, uma falha, alguém sem nenhuma esperança!!! – Nagihiko se ergueu, e sua voz se elevou – Você está sendo inconsequente, Hotori, se acha que apenas agindo por impulso nós vamos conseguir chegar a algum lugar!! Você é apenas um garotinho mimado, que passou a vida sendo protegido pela mãe, e que não sabe sobre nada no mundo! Eu não quero que nós passemos a nossa vida escondidos, aproveitando apenas cada oportunidade para ficarmos juntos, furtivamente, como se estivéssemos cometendo algum crime! Você não faz ideia do que nós estávamos fazendo!
— Você me trata como criança, Fujisaki-kun! – Tadase reclamou – Eu sou mais velho do que você, lembra? Eu não preciso que você cuide de mim, eu sei muito bem o que estava fazendo! Eu queria isso também! Por que você não percebe que eu não sou mais o garoto que você deixou aqui quando foi embora? Eu cresci, eu não tenho mais 13 anos!
— Isso não importa! – Nagihiko exasperou-se, andando de um lado para o outro na sala – Eu não quero que a nossa primeira vez seja na cama do quarto de hóspedes da sua noiva!! Ou no sofá dessa sala!! Não é assim que as coisas tem que ser, Hotori!!!! Eu quero levar você para algum lugar romântico, com uma cama que seja nossa, sem precisar me preocupar com quem vai bater na porta ou com quem pode nos flagrar!!
— E isso faz alguma diferença? – ele ofegou, o rosto vermelho pelo esforço em gritar – Nós nunca vamos conseguir encontrar esse lugar, Fujisaki-kun! Não com seu primo sempre seguindo você para todo lugar, com essas suas fãs aparecendo do nada, com minha mãe vigiando cada lugar aonde eu vou!
— Então o que vai ser depois disso? – uma veia latejou na sua testa – Você vai acabar se casando com a Nanami-san, e eu passarei a vida sendo seu amante, esperando você encontrar um tempo para me encontrar em algum esconderijo?
— Claro que não, isso não vai acontecer! – sua cabeça estava a ponto de explodir, ele sentia que não tinha mais forças – Talvez, no futuro, nós consigamos dar um jeito, mas aceite a nossa realidade de agora, Fujisaki-kun! Não há uma saída, não podemos fazer nada! Estamos presos… longe, um do outro. Não há mais como as coisas voltarem a ser como eram. Talvez… talvez… elas nunca mais voltem… — ele baixou os ombros, derrotado, sentindo as lágrimas queimarem seus olhos, e o peso daquela conclusão esmagando suas esperanças.
— Então é isso mesmo o que você acha… — Nagihiko soltou o ar, sem forças. Fechou os olhos. – Que nós nunca mais conseguiremos ficar juntos…
— Não foi isso o que eu disse! – as lágrimas escorreram pelo rosto destorcido de dor, Tadase apertou o cobertor com força, até os nós dos seus dedos ficarem brancos.
— Você pode ter razão… — Nagihiko virou o rosto, o semblante aflito, sem esperança. – Talvez… o nosso tempo tenha acabado… e nós já conseguimos tudo o que era possível com esse relacionamento…
Um breve segundo de silêncio pesado, em que só se ouvia a respiração alterada dos dois.
— Acho que… não há mais… nenhuma chance… para nós dois… — Tadase realizou, lentamente – Nós já fomos além do que deveríamos. Nunca daria certo, insistir é só uma perda de tempo… — ele murmurou, o tom de voz entrecortado, ferido. A dor na sua cabeça parecia espalhar-se por todo o seu corpo. Levantou-se muito rapidamente do sofá, e ficou tonto no mesmo instante – Vamos… desistir… antes que seja tarde, e que acabemos cometendo algum erro e que não tenha mais volta. Fujisaki-kun… eu te amo muito… mas não dá… mais. Alguma hora isso teria que ter um fim, é melhor que seja antes que algum de nós acabe ainda mais machucado.
Nagihiko não reagiu àquelas palavras, mal conseguia digerí-las. O que Tadase estava falando, era sério? Eles estavam terminando? Não, não era aquilo que ele queria! Mas ao tentar encontrar as palavras para parar Tadase, ele já havia colocado novamente os sapatos, e pegado a mochila do canto. Aproximou-se, com os olhos vermelhos cansados, e um sorriso trise no rosto. Tirou o colar, que tinha uma foto dos dois no pingente, e colocou-o na mão de Nagihiko.
— Hotori…
— Você me deu as minhas lembranças mais preciosas, e eu nunca mais vou te esquecer. Mas não quero mais causar problemas para você. – ele sussurrou com voz suave, as lágrimas escorrendo pela face. Ele as enxugou, e cerrou os olhos, colocando-se na ponta dos pés — Adeus… — tocou seus lábios com os dele levemente, afastando-se logo depois. Era um beijo de despedida.
Vendo Tadase dar as costas e sumir pela porta, Nagihiko sentiu sua voz presa na garganta, suas pernas fraquejaram, ele caiu de joelhos no chão da sala. Era como em um daqueles pesadelos, que você não consegue mover-se, não consegue gritar, não consegue encontrar a saída. Ao ouvir o ruído da porta do andar de baixo se fechando, ele enfim percebeu. Tentou correr, impedir Tadase de ir embora. Mas era tarde. Ele havia ido, e dessa vez… parecia ser para sempre.
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