Itsumo Yakusoku
28 Capítulo 28 - Utakata Hanabi
Notas iniciais
Teria sido melhor se eu tivesse crescido sem gostar de você
Mas em dias como hoje, tenho certeza
Que eu acabarei lembrando novamente
Se ao menos eu nunca descobrisse esses sentimentos
Embora nós nunca poderemos nos encontrar novamente
Quero te ver, quero muito te ver
Até agora eu penso naquele dia de verão em que você estava aqui
Os fogos de artifício que eu olhei, sozinho
Deu ao meu coração uma dor aguda
Logo agora, a próxima estação
Deve chegar
Eu olhei com você para aqueles fogos de artifício passageiros
E eu sempre me lembro daquele dia de verão…
Capítulo 28
~
Utakata Hanabi
Sentado no banco da sala de espera do aeroporto, esperando pelo seu voo, Nagihiko suspirou, cansado. Hideyoshi havia ido comprar alguns lanches, e o deixou sozinho por um momento. Apoiando a cabeça para trás enquanto repassava aquela caótica semana pela sua mente, ele passou a mão nos cabelos, e percebeu que eles estavam igualmente bagunçados, mas ele não conseguia encontrar em si vontade para se preocupar com isso.
Depois daquela conversa que tivera com Tadase, eles não se viram mais. O recesso de inverno tinha tido início, e eles não tinham aulas, mas Nagihiko passou todo o tempo em casa, sem vontade de sair para nada. Ignorou todas as ligações de Yaya, de Amu, ou de qualquer outra pessoa que tentasse manter contato com ele. Não queria ter que explicar o que acontecera entre eles dois, só faria tudo parecer mais real. Nagihiko não aceitara bem aqueles fatos.
Hideyoshi também não fizera perguntas sobre isso, e parecia estar acostumado com o primo agindo daquela forma, mais do que quando ele estava todo empolgado como nos outros dias. Era assim que ele costumava ser quando estavam na Inglaterra.
Dois dias atrás, a mãe de Nagihiko havia feito a ele uma proposta, de ir representá-la em um congresso de dança na França. Seria uma viagem rápida, de no máximo quatro dias, e Hideyoshi aceitou acompanha-lo. Imaginando que seria uma boa oportunidade de acalmar seus nervos e pensar melhor na sua vida, Nagihiko decidiu ir. Rhythm e Temari pareciam bem animados para ir para a França, mas logo mudaram de ideia, dizendo que queriam ficar em casa, na companhia dos outros charas. Nagihiko não entendeu, mas também não relutou. Seria bom passar algum tempo longe de tudo, imaginando alguma saída para os seus problemas… e quando voltasse, marcaria um encontro com Tadase, conversaria direito com ele. Aquilo que ele dissera, sobre eles terminarem… isso não podia ser sério. Eles só precisavam de um tempo, isso era tudo.
— Aqui, eu trouxe chá de pêssego para você… — Hideyoshi surgiu de repente, acordando Nagihiko dos seus pensamentos, com uma latinha da máquina automática de vendas.
— Obrigado – Nagihiko aceitou, e olhou para o relógio enorme que havia no centro do saguão, apenas como hábito – Será que ainda vai demorar muito…
Mal havia pronunciado essas palavras, um breve sinal soou, e uma voz inflexível e feminina pronunciou com clareza “Atenção senhores passageiros do voo 7744 com destino à Paris, dirijam-se ao portão de embarque número 13”. Os dois se encaminharam para o balcão de check-in, e enquanto Hideyoshi cuidava dos documentos e das bagagens, Nagihiko olhou ao redor. Estava sentindo-se um tanto vazio, sem saber o que pensar. queria ter conversado direito com Tadase naquela hora, arrependia-se tanto por não ter resolvido aquele assunto antes… e agora, não sabia como consertar a situação entre eles. Estava evidente que sustentar uma relação baseada em mentiras e segredos não era o bastante, mas também não havia como seguir em frente, da maneira que estavam. Eles estavam estagnados, sem saída… e a menos que um milagre acontecesse, dificilmente conseguiriam entenderem-se um com o outro.
— … senhor Fujisaki… senhor… — Nagihiko ergueu os olhos e percebeu que a atendente do balcão o chamava há alguns segundos, com seus documentos já em mãos. Hideyoshi o esperava um pouco mais ao lado, e Nagihiko se aproximou – Acabo de detectar um erro na passagem dos senhores, ao que parece, o voo foi trocado… sinto pelo transtorno, mas o senhor tem que embarcar no portão 7, e é melhor se apressar, pois o voo parte em cinco minutos.
— Mas… como? – Nagihiko não entendeu, e olhou para Hideyoshi, tentando compreender, mas ele apenas deu de ombros, sabendo menos ainda do que aquilo se tratava. Havia sido a sua mãe quem comprara as passagens, não havia como ela ter cometido um engano.
— Parece que o meu voo também não é aqui, eu não entendo… — Hideyoshi murmurou, confuso. Como ele raramente saia de casa antes de vir morar no japão, sabia menos ainda de viagens do que Nagihiko. O mais velho suspirou, e pedindo desculpas à atendente, pegou suas malas e saiu dali com Hideyoshi.
— Eu juro que não sei o que está acontecendo, mas talvez minha mãe tenha trocado os voos, para que nós cheguemos antes, sem conexões, ou algo assim? É a cara dela fazer essas coisas sem avisar… — Nagihiko suspirou mais uma vez, cansado até para reclamar. – Bem, parece que eu tenho que ir para o portão 7, e você…
— Portão 9… — ele respondeu prontamente – Melhor nos apressarmos, ela disse que os voos saem daqui há pouco tempo…
— Sim, claro… então, acho que nos encontramos quando chegarmos. Eu ligo para você, não precisa se preocupar. – ele se despediu rapidamente e saiu correndo para o lugar correto, e Hideyoshi fez o mesmo.
Como o voo já estava saindo, Nagihiko só teve tempo de despachar sua bagagem e correu para embarcar. Entrou no avião antes que pudesse ouvir o último chamado, e dessa forma, não ouviu quando o destino chamado pela mulher no autofalante era um totalmente diferente de Paris.
Ele foi procurando pela poltrona indicada no papel, e quando seus olhos focaram no número correto, se apressou para lá. Ergueu a bagagem de mão que trazia, para coloca-la no bagageiro acima da sua cabeça, e de relance, viu que já havia alguém sentado no lugar ao seu lado, perto da janela. Quando enfim, ele percebeu que aquele tom de dourado dos cabelos da pessoa eram muito parecidos com os de Tadase, quase deixou cair a mala lá de cima, e seu coração martelou violentamente contra o peito, tomado por choque. O garoto sentado ali pareceu perceber sua desorientação, e quando virou o rosto de volta para ele, houve a confirmação. Era mesmo Tadase, e ele parecia tão ou mais surpreso em ver Nagihiko ali do que ele próprio.
— Mas o quê…
— Porque está aqui…?
— Senhor, por favor, poderia sentar-se e colocar o cinto? O voo está prestes a sair. – a aeromoça pediu, antes que Nagihiko ou Tadase pudessem formar alguma frase coerente, e ele sentou-se, titubeante, sentindo sua cabeça dando voltas sem chegar a lugar algum.
Os dois garotos se entreolharam, sem coragem para dizer muita coisa. O que poderia ser dito, quando você encontra o seu namorado em um avião, dias depois de uma briga intensa, onde nenhum dos dois procurara pelo outro? Tadase optou por ser natural, como se fossem apenas conhecidos que acabaram sentando ao lado um do outro por acaso.
— Como vai… Fujisaki-kun…? — ele murmurou, timidamente, ciente de que haviam muitas pessoas ao redor deles, que poderiam certamente ouvir sua conversa caso tentassem um pouco.
— Poderia estar melhor… — Nagihiko suspirou, sem saber como responder aquela pergunta de outra forma. O que Tadase esperava que ele dissesse? Que estava bem? pois, era evidente que não estava, e nunca estaria, enquanto a situação entre eles não se resolvesse.
— Você… estava mesmo indo embora, então? – Tadase murmurou, esfregando as mãos uma na outra nervosamente – Yuiki-san me contou que soube que você iria viajar, e eu imaginei que… depois de tudo o que eu disse… você estaria voltando para a Inglaterra…
— Na verdade não – Nagihiko respondeu, olhando para a poltrona, e ignorando a aeromoça de antes, que agora dava avisos importantes sobre o voo e mostrava as saídas de emergência e as máscaras de oxigênio – Eu estava indo para um evento, no lugar da minha mãe, na França, e Hideyoshi-kun me acompanharia… mas eu voltaria daqui há alguns dias, de qualquer maneira…
— Ah, entendo… — embora fosse injusto, depois de tudo o que dissera para Nagihiko naquela manhã, Tadase não podia deixar de se sentir aliviado por saber que ele não pretendia ir embora.
— Por que está aqui? Neste voo, eu digo… — Nagihiko indagou de repente, confuso – Está indo para a França também?
— França? Não, eu estou indo viajar com a Nanami-san… nós vamos para um hotel em Saitama… minha mãe deu a viagem de presente de Natal para nós… — o modo como Tadase falou fazia parecer que ele e Nanami eram mesmo um casal, e isso irritou Nagihiko de uma forma inimaginável, mesmo que ele soubesse que não isso não era verdade – Mas… quando fomos fazer o check-in, havia um erro na minha passagem, eu fui colocado nesse voo… não entendi muito bem.
Apesar disso, Nagihiko percebeu que havia algo de muito suspeito naqueles erros em passagens, e logo, figurou que não eram apenas simples equívocos ocasionais, que poderiam acontecer com qualquer um. Agora ficou claro por que Rhythm e Temari não queriam viajar com ele. Não seria surpresa se Tadase contasse que Kiseki também se recusou a viajar com ele. Estava mais do que óbvio que duas pessoas que iriam para a França e para Saitama jamais estariam no mesmo avião, de qualquer forma. Suspirou, dando a entender que compreendia tudo, e Tadase o fitou, curioso.
— Parece que não é apenas uma coincidência. Você contou à alguém sobre essa viagem?
— Bem, Amu-chan sabia, e também Ikuto-nii-san e a Utau-nee-chan, por que eles estavam lá em casa quando minha mãe entregou o presente. Ah, claro, o Kyouteru-san também, ele que nos trouxe hoje para o aeroporto… Souma-kun viajou com a família dele no feriado, então acho que não tem como ele saber…
— Já entendi tudo. – Nagihiko apenas respirou fundo – A Utau tem muitos contatos, não é mesmo? Aposto como não é difícil para ela mudar o destino de uma viagem com apenas algumas poucas ligações.
— Então ela pode ter mudado nossas passagens? Mas porque?
— Deve ter ouvido sobre o nosso… a nossa… briga… — Nagihiko se recusava a usar qualquer alusão à “rompimento” nessa frase – E resolveu fazer alguma coisa. Típico dela. Aposto como tem dedo da Yaya nisso também. Não me surpreenderia se Amu ou Rima estivessem metidas nisso, elas andam muito mais ousadas de uns tempos para cá. De qualquer forma, não há muito o que fazer, eu acho… Só espero que Hideyoshi e Nanami tenham ficado bem.
— Então... para onde estamos indo? – Tadase ficou repentinamente alarmado.
— Só vamos saber quando chegarmos lá. – Nagihiko respondeu simplesmente, e relaxou na poltrona do avião. Colocou os fones de ouvido, e Tadase olhou pela janela, vendo o avião decolar para a imensidão de nuvens sem fim.
Nenhum dos dois disse nada durante toda a viagem. Tadase logo dormiu, com a cabeça espremida contra o vidro da janelinha redonda, em uma posição nada agradável, que lhe renderia uma boa dor nas costas em algumas horas, mas Nagihiko se apressou em apoia-lo em seu próprio ombro, confortavelmente. A situação deles ainda era indefinida, e Nagihiko não sabia o que esperar daquela viagem surpresa. Ainda havia Hideyoshi, e como não podia fazer ligações no voo, Nagihiko ainda não sabia o que se sucedera com o primo. Porém, tinha o dever de cuidar de Tadase agora, e por mais que a incerteza de não saber para onde estava indo o deixasse aflito… ter Tadase ali do seu lado, ainda que a relação entre eles estivesse estremecida, ainda era um alívio.
~
Tadase estava tendo algum sonho do tipo bobo que nunca faz sentido nenhum, onde ele corria pelas nuvens fofas, coloridas de rosa, branco e amarelo, rumo ao pôr do sol, quando sentiu delicadas chacoalhadas no ombro, e seu nome sendo chamado ao longe.
— Hotori-kun, chegamos… — Nagihiko o despertou com voz suave, e quando ele abriu os olhou, percebeu que todos ao redor se levantavam e pegavam suas malas. Nagihiko fez o mesmo, erguendo-se para o bagageiro acima. – Esta é sua?
Ainda sonolento, Tadase apenas assentiu com a cabeça. Ergueu-se também, tendo a sensação de que dormira em algum lugar muito confortável, embora as poltronas do avião não parecessem ser assim a primeira vista, e seguiu Nagihiko para fora do avião.
Os dois seguiram pelo aeroporto sem nenhuma indicação de onde pudessem estar. Não podiam ligar para suas mães, já que se alguma delas soubesse sobre a companhia do outro, ambos estariam em problemas. Utau, Amu, Yaya, nenhuma das garotas atendia ao telefone, e depois de tentar ligar para Kukai e Ikuto, Nagihiko percebeu que todos deviam estar de alguma forma envolvidos naquela confusão toda, e nenhum atenderia suas ligações de qualquer maneira.
Eles pegaram as malas na esteira, e Tadase resolveu comprar alguma coisa para eles comerem no aeroporto mesmo. Enquanto isso, Nagihiko tentou ligar para Hideyoshi. Mal havia dado o primeiro toque, Nagihiko ouviu a voz desesperada do primo do outro lado da linha.
— Nagihiko-kun, o que está acontecendo? Eu entrei no avião, e a Nanami-san estava sentada ao meu lado, e agora nós estamos em Saitama, não na França! – Nagihiko suspirou, quase arrependendo-se por não ter saltado do avião no instante em que viu Tadase. Se tivesse fugido, não teria que lidar com aquela situação cada vez mais complicada.
— Você não notou o engano quando embarcou? – ele indagou, e embora prolongar o assunto não fosse ajudar em nada, precisava acalmar o garoto de alguma forma.
— Eu pensei que fosse apenas uma coincidência que Nanami-san estivesse no mesmo voo, não pensei que pudesse ser um erro… — ele admitiu, constrangido. Nagihiko sabia que o primo era muito sério e gostava de fazer tudo certinho, mas também podia ser um cabeça de vento se fosse deixado sozinho por um instante sequer – E depois… nós começamos a conversar e eu me distraí… nós desembarcamos faz quase meia hora, e a Nanami-san tem uma reserva para duas pessoas no hotel, disse que eu posso ficar aqui com ela… mas eu não sei se devo! Hotori-san pode chegar a qualquer hora, seria um problema. Você acha que eu deveria ligar para a Oba-san?
— Não! – Nagihiko se apressou em responder – Não ligue para a minha mãe, em hipótese alguma. Ela não vai ficar sabendo que nós não estamos na França mesmo, e eu posso ligar para o hotel de lá e desfazer a reserva. Já perdemos o voo de qualquer forma, não há nada que possamos fazer agora. Fique com a Nanami-san e cuide dela, porque o Hotori-kun não irá para Saitama de qualquer maneira, e ela não pode ficar sozinha, certo?
— Tem razão… então, onde você está, Nagihiko-kun?
— Eu não faço ideia, mas vou dar um jeito. Se a minha mãe ligar, diga que está tudo bem, e que Paris é linda e a convenção de dança está estupenda, nada além disso, está certo? Aproveite para aproveitar um pouco, Saitama é ótima para esquiar nessa época do ano.
— M-mas…
— Eu tenho que ir agora, Hideyoshi – Nagihiko viu Tadase se aproximar, e foi indo de encontro a ele – Ligo para você mais tarde. Nanami-san está em suas mãos, boa sorte, e não lique para a minha mãe. Até mais. – ele desligou antes que o primo pudesse reclamar de qualquer coisa, e sorriu meio sem jeito para Tadase, aceitando a lata de suco e o salgadinho que ele estendia para ele. Era do seu sabor favorito, e o fato de Tadase ter prestado atenção nisso ao comprar era adorável. – Hideyoshi está com Nanami, ao que parece as passagens de vocês foram trocadas uma com a outra, os dois estão em Saitama nesse momento. Tomei a liberdade de pedir a ele que pegasse seu lugar no hotel, tudo bem?
— Claro – Tadase também sorriu sem graça – Afinal, não parece que eu poderei ir de qualquer forma, e a Nanami-san não pode ficar sozinha. Obrigado, Fujisaki-kun…
— Bem, isso tudo só prova que o engano foi proposital, e só aumenta minhas suspeitas em certas garotas… Hotori-kun… por acaso você contou a alguma delas, bem… o que aconteceu entre nós dois depois do Natal…? – Nagihiko não queria tocar o assunto, e o clima entre eles já estava bastante esquisito sem que isso fosse mencionado, mas era necessário saber.
— Eu não contei nada, mas a Amu-chan percebeu que eu estava… diferente, e comentou isso com elas. Podem ter deduzido sozinhas o que aconteceu. – ele baixou os olhos, tomando um gole do seu próprio suco para disfarçar.
— Espero que não se sinta desconfortável por estar aqui sozinho comigo… — ele murmurou, virando o rosto. Se eles tivessem tido uma oportunidade como essa em um passado não muito distante, estariam aproveitando cada segundo juntos… mas depois do rompimento, aquilo era apenas estranho – Depois de tudo, quero dizer…
— Não me importo realmente, afinal… etto… nos ainda somos amigos, não somos? – Tadase tentou sorrir, mas tudo o que conseguiu foi fazer uma careta desajeitada. Desistiu, voltando a olhar para o chão. Nagihiko cansou daquela atmosfera desconfortável, e comeu um pouco do que Tadase trouxe.
Depois disso, foi empurrando o carrinho com as malas para fora, e em silêncio, Tadase o seguiu. Eles conseguiram um táxi, e depois de colocar toda a bagagem (a maior parte era de Nagihiko, porque Tadase só tinha uma mala de mão), embarcaram.
— Por favor, nos leve a algum hotel… — Nagihiko pediu.
— Claro, mas vai ser dificil encontrar algum com vagas, logo hoje… — o taxista avisou, e começou a dirigir. Nagihiko olhou para fora, e logo percebeu o motivo.
O lugar onde estavam era uma praia, e o entardecer pintava a água do oceano de um delicado tom de laranja. Estava frio, mas ali no litoral não nevava, e havia uma multidão de pessoas na rua principal. Barracas estavam sendo montadas, e muitas delas usavam kimonos formais. Tadase olhou também pela janela de Nagihiko, e lembrou.
— Hoje é ano novo… — ele sorriu para as crianças que corriam de um lado para o outro brincando.
— O Festival de ano novo da nossa cidade é famoso, muitas pessoas veem para ver. – o taxista comentou, com orgulho – Vocês estão de férias aqui?
— Mais ou menos isso… — Nagihiko respondeu, embora sua mente tivesse viajado para alguns anos atrás. Em um verão distante, numa praia como aquela… com o céu tingido de laranja exatamente como aquele… um dia, ele se declarou para Tadase, e ele aceitou seus sentimentos… e Nagihiko acreditou que poderia ser feliz para sempre… as coisas definitivamente mudaram… Tadase continuava ali, do seu lado, e ele tinha certeza de que os pensamentos dele haviam vagado para aquele mesmo ponto no tempo… mas as coisas já não eram como antes.
O táxi parou de repente, e os dois desceram. Depois de pagar o motorista e pegar as malas, eles foram andando. Estavam tão cansados que provavelmente apenas deitariam na cama e só acordariam no dia seguinte, e então, dariam um jeito em todo aquele problema. Ou era isso que eles pensavam.
Como esperado, no primeiro hotel não havia vagas. Nem no segundo. E depois de andar quase por toda a cidade, estava evidente que não haveria vagas em lugar algum. Já era noite, e o festival começara. Pessoas em bonitos kimonos, comendo todo tipo de comidas, fazendo seus desejos para o ano que estava vindo… apenas esperando pelos fogos de artificio.
Sentados em cima das suas malas, eles haviam parado na calçada antes da praia, um pouco afastados da agitação da festa. Tadase não fazia ideia de quantas horas haviam se passado desde que desembarcaram, e só o que fizeram foi andar de um lado para o outro, carregando as malas pesadas e passando frio, sem nenhum resultado. Se aquilo era uma brincadeira de alguém, como Nagihiko dissera, então era de muito mau gosto.
— Você quer alguma coisa para comer? – Nagihiko indagou, vendo que as barracas de comida ainda estavam funcionando.
— Eu só quero um lugar para dormir – Tadase reclamou, suspirando. Todo aquele estresse de ficar andando de um lado para o outro, a ainda a situação estranha entre ele e Nagihiko, que nem conseguiam mais conversar naturalmente um com o outro, tudo isso estava deixando-o louco, e de muito mau-humor.
— Amanhã nós deveríamos fazer uma visita ao templo, antes de ir embora… você sabe, esse fim de ano não foi de muita sorte, então é melhor desejar uma sorte melhor para o ano que vem – ele comentou, olhando para o céu e cruzando os braços. Tadase não respondeu, mas discordava de Nagihiko em um ponto. Aquele havia sido um ano de sorte, para ele, melhor do que muitos dos outros que vieram antes. Por que Nagihiko estava com ele, novamente, e essa era a melhor sorte que ele poderia receber. Mas orgulhoso como era, ele jamais admitiria isso naquela ocasião. – Esse lugar parece tão familiar… sinto como se já estivesse estado aqui… você não acha, Hotori-kun?
— Hm, sinto a mesma coisa… talvez por que a praia se pareça exatamente com aquela onde… — ele travou, um tanto atordoado pelas lembranças que vieram a sua cabeça naquele instante – aquela onde estivemos na sexta série…
— Sim, se parece muito… — Nagihiko sussurrou, olhando para um canto na praia, logo a frente deles, que se parecia com aquele onde eles se confessaram um para o outro. A lembrança foi tão nítida que ele se obrigou a desviar o olhar para a rua, pois se olhasse mais uma vez para Tadase, perderia o controle. Ainda o amava tanto quanto naquele dia, talvez até mais. Se ao menos pudesse pensar alguma coisa, qualquer coisa, que ajudasse naquela situação. Mas nada vinha à sua cabeça. Só restava rezar por um novo ano melhor, para os dois.
Repentinamente, um som o acordou dos seus pensamentos. Tadase também sobressaltou. Era o som dos sinos de todos os templos ao redor da cidade, tocando ao mesmo tempo. Cento e oito badaladas, celebrando o ano novo, e os fogos de artifício estouraram no céu, como flores formadas de luz, iluminando a escuridão da noite. Os dois olharam para eles ao mesmo tempo, e inconscientemente, se colocaram um ao lado do outro, de pé. Um sorriso tímido se formou no rosto de Tadase, e seus olhos refletiam o brilho colorido dos fogos. Nagihiko não conseguia parar de olhar para ele.
Não aceitava aquele fim despropositado. Aquilo que existia entre eles, não acabaria daquela maneira, não acabaria nunca! Ele queria passar ao lado de Tadase outro ano… outra vida… jamais seria o bastante para ele. Sem pensar, ele aproximou os dedos da mão de Tadase, e ele virou-se para ele, ainda com o sorriso estampado no rosto, com ar de curiosidade. Entrelaçou seus dedos nos dele, e se aproximou, sem pensar muito no que fazia. Tadase parecia surpreso.
— Akemashite… omedetou – ele sussurrou, e cerrando os olhos lentamente, selou seus lábios nos dele. O som dos sinos, dos gritos de animação das pessoas, dos fogos ao longe… tudo silenciou, não havia nada além deles dois em seu próprio mundinho.
Tadase levou alguns segundos para entender o que acontecia. Primeiro, teve o ímpeto de retribuir ao beijo, e chegou a erguer a outra mão para segurou o rosto de Nagihiko, mas recordou de tudo o que havia acontecido, da decisão que tomara, e se afastou bruscamente. O rosto corado, a respiração ofegante, ele recuou um passo e quase tropeçou nas malas reunidas no canto.
— P-p-por que fez isso? – indagou, escondendo os lábios com as costas da mão.
— Desculpe, eu não pensei no que estava fazendo. – atordoado pela súbita rejeição, Nagihiko não sabia o que pensar. Então… Tadase estava mesmo firme naquele propósito… sua intenção era que eles se tornassem nada além de bons amigos de infância. Era como deveria ser desde o princípio, afinal. Nagihiko nunca deveria ter descoberto sobre aqueles sentimentos. Seria melhor, para os dois, se tivesse crescido sem amar Tadase, embora fosse impossível imaginar como seria sua vida se fosse assim.
O olhar perdido, confuso, de Tadase, só confirmava o que ele já sabia, lá no fundo. Tudo, desde o começo, havia sido um erro. Ele não queria acreditar nisso, a esperança continuava acesa em seu peito, e se recusava a terminar. Haveria alguma chance para os dois serem felizes juntos, algum dia, em algum lugar?
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