Itsumo Yakusoku

23 Capítulo 23 - Calm Envy


Notas iniciais
Calm Envy - The Gazette http://letras.mus.br/gazette/1031523/traducao.html

Esta promessa é de quem sonha, para quem é este sonho?

Quando nossas mãos estão apertadas juntas,

Tem este perfume desconhecido que vem do lado oposto.

Embora eu possa respirar normalmente,

eventualmente pareço esmigalhar-me.

Se você puder me amar mais profundamente

do que apenas aquelas palavras.

Eu poderia acreditar que você sempre estaria por perto.

De repente mostrando o passado,

o tempo que nós tocaríamos,

poderia não preencher a frágil solidão,

flutuando naquelas lágrimas.



Capítulo 23

~

Calm Envy

Tadase andava de um lado para o outro na sala do conselho, olhando para o celular a cada segundo, murmurando coisas desconexas consigo mesmo. Às vezes, sentava, e ficava batendo o pé no chão, ou tamborilando os dedos na mesa. E então, erguia-se de novo, e recomeçava sua rota circular pelo chão da sala, impaciente.

— Ele está assim por causa do Fujisaki? – Kukai indagou discretamente, para Amu, enquanto seguiam com o olhar o inquieto Tadase.

— E de quem mais seria? – Rima foi quem respondeu, desistindo de observar Tadase, e voltando a assistir ao seu programa de comédia no celular.

— Parece que o Nagihiko-kun não liga desde que foi viajar na sexta-feira… e ele ficou assim o fim de semana inteiro… — Amu fitou com preocupação o amigo, e então suspirou – Não tem nada que nós possamos fazer, eu acho… além de esperar ele voltar.

— Ah, logo que o Fujisaki voltar, eles voltam ao normal. Quer apostar quanto? – Kukai balançou as mãos, tranquilamente.

— Eu aposto meu almoço – Rima entoou em tom desinteressado – Que o Tadase vai ter um ataque assim que ele voltar. Ele anda muito descontrolado.

— Você acha? Eu acho que eles vão ficar todos love-love que nem sempre… — Kukai completou, ilustrando com os dedos balançando como ele achava que seria.

— Pois eu acho que…

Amu não conseguiu terminar sua frase, pois logo um celular começou a tocar, preenchendo todo o ambiente com seu som. Tadase pulou nele como um animal faminto em sua presa, e o segurou com ambas as mãos.

— É ele… — Tadase murmurou para si mesmo, e todos na mesa de reuniões se entreolharam, esperando. – Não vou atender. – ele bradou, decidido, largando a celular na mesa – Eu liguei pra ele o tempo todo, e ele não se deu o trabalho nem de mandar uma mensagem dizendo que estava vivo! Agora vai aprender…

— Pode me dar seu almoço… — Rima sussurrou como quem não quer nada, esticando o braço curto para Kukai.

O celular continuou tocando, e Tadase olhava para ele com aflição, mordendo os lábios apreensivamente. Queria atende-lo, queria muito. Seu orgulho o impedia, e quando estava quase conseguindo se conter e manter-se no lugar sem se mexer, desistiu de vez, e correu para o telefone. Kukai cutucou Rima com o cotovelo, com um sorriso de vencedor.

— Alô… — ele murmurou incerto, quase arrependido por ter cedido.

Hotori-kun? É você? Está tudo bem? Eu acabei de chegar à cidade…

Ah, então você se divertiu na sua viagem? Conseguiu conquistar mais fãs? Deve estar se dando muito bem com elas, afinal, tinha muito tempo para dedicar a cada uma! – Tadase exclamou, com um tom a mais de ironia que não combinava com sua voz.

O que? Hotori-kun, do que você está falando? – Nagihiko hesitou do outro lado da linha, sem entender o motivo pelo qual estava sendo acusado. Os três membros do conselho se entreolharam, em dúvida entre sair e deixar o casal brigar à sós, ou ficar e ouvir o barraco todo.

— Não me venha com essa! Eu passei todos esses dias esperando por pelo menos uma mensagem, pra saber se você estava vivo! E nada! – ele ergueu a voz, à beira do descontrole – Você prometeu que ligaria, eu fiquei esperando! Você sabe quantas coisas horríveis eu imaginei? Você estava viajando, poderia ter acontecido qualquer coisa!

Eu estou bem, não aconteceu nada… a viagem foi tranquila, eu… eu estou aqui de volta…

­­— Estou vendo! Está de volta, muito alegre, ao que parece! Duvido que tenha sentido minha falta! Também, com tantas garotas diferentes para distraí-lo, por que você sentiria, não é? – acusou, andando de um lado para o outro da sala mais uma vez, pisando firme, o rosto corado pelo esforço incomum em falar mais alto, e pela raiva que sentia.

Eu estava sem sinal no celular, foi por isso que não liguei… — Nagihiko exasperou-se, tentando se explicar de alguma maneira. – Estava completamente isolado, sem nenhuma maneira de conseguir me comunicar…

— Sem sinal? Sem sinal de celular no Japão??? Por favor, Fujisaki-kun, você já mentiu melhor do que isso para mim! E mesmo que pudesse acontecer de você ficar fora de área, o que me diz dos telefones da pousada? Da internet? Devia ter algo assim naquele lugar! Você podia ter ligado para mim de alguma forma!

Hotori-kun, eu já disse que não havia como eu manter contato com você, acredite em mim! Os professores estavam vigiando sempre, não havia como eu chegar perto de qualquer meio de comunicação! E você já está agindo de maneira mimada e infantil, reclamando dessa forma! Pelo menos me escute!

Não diga que sou infantil! Eu fiquei preocupado com você!!!! E se houvesse acontecido algum acidente? Como eu ficaria sabendo? E se… e se você acabasse ficando próximo de alguma garota, ou garoto, ou qualquer um! E se você acabasse descobrindo alguém mais interessante… do que eu?

Não tem como isso acontecer.... — a risada rouca de Nagihiko arranhou os ouvidos de Tadase, e ele voltou a sentar no sofá que ficava do outro lado da sala do Conselho, bufando de irritação. – Eu amo você, só você… Não tem como ninguém nesse mundo todo ocupar o lugar que pertence a você, no meu coração, entendeu? Se você ainda não acredita em mim, então eu vou ir para frente da sua escola nesse exato instante, e vou ficar esperando até que você apareça, não importa quem me veja ali, ou se contarem para a minha mãe! E então, quando você vier, vou beijá-lo na frente de todo mundo! Não vou te deixar fugir de mim, não vou soltá-lo nunca mais! E vou provar de uma vez por todas que é você que eu amo. O que acha?

— Não faça isso! – Tadase exclamou antes que percebesse, alarmado. Só como precaução, levantou e olhou pela janela, apenas para garantir que ele não apareceria lá mesmo. – Isso é perigoso, Fujisaki-kun, sua mãe pode manda-lo para longe novamente…

Então, me encontre no estúdio de dança. Eu estou indo para lá. Estou com saudades de você…

Eu ainda não engoli essa história de “ficar sem sinal”… — Tadase murmurou, mal-humorado. Do outro lado, Nagihiko suspirou.

Okay. Eu vou ter que convencer você de alguma forma então… Espero você. – ele não deixou Tadase responder, e desligou antes. O loiro passou alguns segundos olhando para o teto, absorvendo tantas informações, e então ergueu-se, pegando sua mochila e o paletó azul-marinho.

Só então percebeu os olhares atônitos desviados para ele. Amu, Kukai e Rima nada tinham entendido daquela conversa, já que só podiam ouvir o lado de Tadase. Ele sorriu sem graça para eles.

— T-tenho que ir… resolver uns assuntos… — ele balbuciou, como se não fosse bastante óbvio para qualquer um que ele estava indo encontrar-se com Nagihiko naquele instante. Assim que ele se despediu e sumiu pela porta, Kukai deu uma “sobrancelhada” sugestiva para Rima, com seu melhor sorriso de vitória.

— E o que você trouxe no meu almoço?



~

Levou apenas 20 minutos para Tadase chegar ao Estúdio de dança da família Fujisaki. Ele foi quase correndo, é claro, e quando chegou, demorou ainda mais um tempo tentando se recompor, antes de entrar. Não queria parecer desesperado. Ainda estava irritado com Nagihiko, mas sentia tanta falta dele que podia relevar isso, pelo menos até matar um pouco daquelas saudades, talvez. Respirou fundo, e pegou a chave que estava especialmente colocada no colar em seu pescoço, junto ao pingente com a foto de infância deles. Eram seus pequenos tesouros.

Ele abriu a porta, e estava tudo escuro e fechado lá dentro. Será que Nagihiko já estava lá? Teria pedido à Kiseki para ir na frente e ver se havia alguém ali, mas o pequeno reizinho havia convocado seus súditos para uma daquelas reuniões semanais sobre a dominação mundial, e provavelmente não apareceria tão cedo. Apenas como garantia, ele fechou novamente a porta, e foi andando lentamente na direção das escadas. Estava quase começando a subi-las, quando algo grande se ergueu no escuro, e o agarrou, impedindo-o de avançar.

— Ah, Hotori-kun, eu pensei que você não viria! – a voz de Nagihiko fez cócegas no ouvido de Tadase, quando ele sussurrou. Ele tentou se desvencilhar, por que era evidente que não conseguiria manter-se sob controle daquela maneira.

— Eu vim, mas… foi apenas para que você não fizesse nenhuma loucura! – ele deixou bem claro, antes de continuar. Seu rosto estava sério, quando ele finalmente conseguiu se afastar do abraço repentino.

— Vamos subir, então… por aqui… — Nagihiko segurou a mão de Tadase, para guia-lo escada acima no escuro. Os dois foram indo juntos até a sala de descanso, e Nagihiko acendeu as luzes.

Eles se acomodaram no sofá, e Tadase sentou o mais distante que podia. Ainda estava disposto a colocar as coisas claramente, embora estivesse também morrendo de vontade de pular nos braços de Nagihiko e esquecer tudo. Era um sério dilema.

— Por que não me ligou? – ele murmurou, olhando para as próprias mãos. Não queria ouvir aquela resposta, realmente não queria. E se Nagihiko contasse que não ligou porque se distraiu com outras coisas, com outras pessoas… que a viagem estava tão divertida que ele nem lembrou? Tadase não queria ter que ouvir isso!

— Eu já disse… não tinha sinal de celular naquele lugar, o telefone de ninguém estava funcionando! Você pode perguntar para o Hideyoshi se quiser, ele vai confirmar! E os professores não deixavam que nós ligássemos do telefone da pousada, nem usar a internet… — Nagihiko explicou mais uma vez, segurando as mãos de Tadase entre as suas. Ele finalmente o olhou diretamente, e parecia acreditar em suas palavras, mesmo que não dissesse nada. Depois de tantos anos, ele sabia como ninguém identificar quando Nagihiko mentia… e por mais que estivesse inseguro, nada do que ele dizia parecia se encaixar naquele padrão.

— Mas… e as suas colegas de lá… elas deram em cima de você, não deram? – ele murmurou, embaraçado. Nagihiko sorriu de canto, aproximando-se um pouco mais dele no sofá. Estava tão perto que podia abraça-lo. Tadase sentia o calor da pele dele irradiando para a sua, e estava quase se esquecendo de toda a sua irritação anterior. Só queria estar perto dele, e nada mais importava.

— Elas deram… mas eu estava tão ocupado tentando ligar para você, a cada cinco minutos, não consegui nem fingir direito, eu acho. Quase não usei as fontes termais, fiquei o tempo todo lendo um livro no quarto da pousada, olhando para o telefone a cada segundo. Eu só ficava pensando em você, e imaginando como seria se você fosse quem estivesse ali comigo. – ele finalmente rodeou o braço ao redor de Tadase, e o trouxe para perto de si. Ele não resistiu, mas também não disse nada – Eu até mesmo… sonhei com você… e fiquei em uma situação bem embaraçosa, mas por sorte ninguém viu…

— Do que está falando? – Tadase ergueu o rosto rapidamente, embora soubesse exatamente do que se tratava. Ele também teve um sonho bem comprometedor, com ele. Mas se recusava a acreditar, que Nagihiko poderia ter mesmo tido aquele tipo de sonho quando estava em uma viagem escolar. Isso era perigoso!

— Quer mesmo saber? – Nagihiko sabia muito bem que tinha captado a atenção dele com isso, e que era sua chance de virar a situação ao seu favor. Inclinou-se na direção dele, pousando a cabeça em seu ombro, e deitando-o para trás no encosto do sofá. Sentia o peito dele subindo e descendo pela respiração pesada. – Sonhei com você, e você estava usando aquela fantasia de panda…

— Ah, não! A roupa de panda não! – Tadase protestou, tentando empurrá-lo, mas Nagihiko era obviamente mais forte, e o abraçou de volta, rindo da reação dele. – V-você tem umas fantasias muito estranhas, Fujisaki-kun!

— Você estava fofo nela… — ele se justificou – E mais fofo ainda quando eu comecei a tirá-la de você… e então, eu ia tocando em todos os lugares…

— Eu já entendi! – Tadase interrompeu, antes que Nagihiko continuasse falando e fizesse-o explodir por dentro de tanta vergonha.

— E você sonhou comigo? – Nagihiko inclinou a cabeça, adoravelmente, e Tadase sentiu seu coração derretendo.

— Eu sempre sonho com você… — ele respondeu apenas, desviando o olhar.

— E o que você sonhou dessa vez? – ele insistiu.

— Fujisaki-kun, eu ainda não esqueci o problema inicial, sabia? Não tente me enrolar! – Tadase desviou o assunto, sentando direito no sofá. – Você não sabe o quanto eu fiquei nervoso, o fim de semana inteiro… pensando em um milhão de coisas que poderiam ter acontecido com você, e eu não saberia de nada…

— Eu já expliquei tudo a você, Hotori-kun… se eu pudesse, não teria nem ido a essa viagem idiota, para começar, não é justo você ficar bravo comigo por algo sobre o qual eu não tenho controle… — Nagihiko ainda segurava a mão de Tadase, e também acariciou seu rosto, fazendo-o fitá-lo diretamente, e assim perceber a sinceridade no que ele dizia. Tadase suspirou, abraçando-o com força.

— Eu sei disso! – Tadase replicou – É só que… ficar longe de você… sem poder entrar em contato, sem saber o que você estava fazendo, sem conseguir vê-lo dessa forma… faz com que eu me lembre da sensação de perdê-lo! Eu acabo recordando do tempo em que ficamos separados, e isso dói tanto! Eu não quero nunca mais ter que passar por isso de novo! – ele abraçou Nagihiko com força, sem conseguir mais se conter, e sua voz foi abafada pelo tecido da roupa dele. – Eu sei que agi errado com você agora, fui muito precipitado, infantil… mas eu não sabia mais o que pensar! Eu queria tanto falar com você, saber como estava, e nem mesmo isso eu podia! É tão difícil aguentar tudo isso, Fujisaki-kun! Eu quero estar perto de você o tempo todo, e não posso! Às vezes, eu penso que nós deveríamos mesmo ter fugido naquele dia, três anos atrás. Seria muito mais fácil…

— Seria mesmo muito fácil, não é? – Nagihiko ponderou, abraçando Tadase com força, acariciando seus cabelos dourados com cuidado – Seria muito simples, apenas fugir, deixar os problemas para trás. Eu pensei assim também, naquela época. Nós poderíamos inclusive, fazer isso agora mesmo. sair daqui, ir para longe, sem olhar para trás. Você não sabe o quanto eu desejo, sonho com o dia em que nós poderemos dizer para o mundo todo o que sentimos, sem precisar nos esconder de ninguém… mas… fugir não é a solução, Hotori-kun, nunca é. Nós estaríamos evitando o problema, e não resolvendo-o. Não seriamos felizes de verdade, eu tenho certeza… a alegria só duraria até certo ponto, e então, nós nos daríamos conta, cedo ou tarde, de que nada daquilo era real. Sentiríamos falta da nossa família, dos nossos amigos. Sentiríamos culpa… e chegaríamos até mesmo a culpar um ao outro, pela infelicidade. Nosso amor seria sobrepujado por outros sentimentos ruins, nós não enxergaríamos mais as coisas da forma como fazemos agora. – ele suspirou, e notando a respiração calma, atenta de Tadase ouvindo-o, beijou o topo da cabeça dele e continuou – Eu amo tanto você. Quero que todos entendam isso. Quero que meus pais, e os seus também, sejam capaz de enxergar aquilo que eu vejo sempre que olho para você. Fugir não irá fazer isso acontecer. Mas se nós ficarmos, e enfrentarmos juntos cada um desses obstáculos, nossos sentimentos só ficarão mais fortes. Até sermos capazes de mostrar isso a eles… eu sei que isso vai ser possível algum dia.

— Eu amo você também… — Tadase ergueu-se, apoiando-se no peito de Nagihiko, e se esticou para selar ligeiramente seus lábios, com carinho – Nós vamos conseguir ser felizes juntos, eu sei disso… Não importa quanto tempo leve, eu sei que vamos…

— E eu estarei aqui, Hotori-kun, sempre estarei aqui. – o maior o acariciou, lentamente, trazendo-o mais perto — Não tenha mais medo, por favor… Mesmo que eu vá para longe, que eu seja levado… eu sempre voltarei para você. Sempre. Você confia em mim, não confia? Na promessa que nós fizemos?

— Eu confio. Eu acredito em você. – Tadase sussurrou, sua voz embargada pelas lágrimas que ele tentava segurar – Senti sua falta… — sua voz falhou, mas ele nem precisou terminar a frase, pois logo Nagihiko tratou de dar um fim na distância que os separava, e tomou seus lábios com vontade.

Depois de tantos dias sem ver um ao outro, seus corações praticamente pulavam dentro do peito, querendo a todo custo matar toda aquela saudade que os machucava por dentro. Nagihiko tinha razão. A distância imposta, as dificuldades, os problemas… Isso só fazia com que o amor deles crescesse ainda mais, e também os laços que os unia.

Nagihiko aprofundou o beijo com vontade, puxando Tadase para cima do seu colo, e enquanto segurava o rosto dele com uma das mãos, com a outra invadia a camisa branca, tocando-o diretamente na pele, e fazendo-o arquejar entre o espaço de um beijo e outro.

— Não está mais bravo comigo? – Nagihiko soprou com a voz rouca, que arrepiava totalmente Tadase, enquanto se ocupava de abrir os primeiros botões da camisa dele.

— Eu ainda… não sei… — Tadase era teimoso, mas Nagihiko sabia muito bem como fazê-lo esquecer-se completamente de qualquer coisa. Começou distribuindo mordidas leves pelo pescoço e pela clavícula dele, descendo até o peito, e então retornando para cima, mordiscando o lóbulo da sua orelha. Ouviu os gemidos desmedidos de Tadase ecoarem pelo seu ouvido como uma doce música, e voltou a deitá-lo no sofá, pressionando-o com seu próprio corpo, enquanto voltava a beijá-lo vorazmente, não dando a ele chance nem mesmo de respirar.

— Eu não consigo pensar em ninguém além de você, Hotori-kun, o tempo todo… — ele gemia, passando as mãos ágeis pelo abdômen e pelas costas dele, provocando-o cuidadosamente – Ninguém me faz sentir dessa forma. Só você. Acredite em mim. Eu quero só você…

Com a movimentação de Nagihiko em cima de Tadase, certas partes dos seus corpos se roçavam também, e logo os dois garotos sentiram o calor descontrolado espalhar-se pelas suas peles através das roupas, de um para o outro, fazendo-os perder parte da razão. Já não se importavam com ninguém mais, não queriam pensar nos outros. Somente queriam sentir mais um do outro, saber que estavam ali, e que nada os separaria, nunca mais.

— Eu a-acredito, F-fujis.. ahh… eu amo você… — Tadase enlaçou o pescoço de Nagihiko, e deixou que ele o beijasse mais uma vez, com paixão e ardor, enquanto o abraçava pela cintura e aproximava ainda mais seus corpos despertos.

O maior deslizou a mão lentamente, numa tentativa clara de retirar a calça de Tadase, e ele permitiu, agarrando-se à Nagihiko para ter apoio enquanto deixava que ele retirasse sua roupa. Estavam quase no auge de sua extasiante aventura, e Nagihiko sentia que poderia acabar indo um pouco longe demais, se continuasse daquela maneira, mas, sinceramente, não se importava. Estava bem, se fosse assim. Na verdade, era o que ele queria.

Um telefone tocou, e os dois congelaram, sentindo o clima arruinar-se no mesmo instante. Nagihiko ergueu-se de cima de Tadase, e percebeu que era só uma mensagem. Enquanto ele lia, o loiro ia se recompondo, fechando a camisa e o zíper da calça, completamente constrangido com a situação me que se encontrava.

— É o Hideyoshi… — Nagihiko informou, com rosto pesaroso – Ele disse que minha mãe está me procurando…

— Ela não sabe que você saiu? – Tadase ergueu o rosto, surpreso.

— Eu vim direto da escola para cá, logo que chegamos de viagem, então não passei em casa. Ela deve estar maluca atrás de mim. – ele riu, dando de ombros. Só então Tadase reparou nas malas que estavam em um canto da sala, e imediatamente sentiu-se culpado por isso. Esteve agindo de maneira tão egoísta, e nem pensou nas consequências dos seus atos. Aquilo poderia trazer problemas para Nagihiko, e ele nem havia parado para analisar isso.

— É melhor você ir… — Tadase suspirou, erguendo-se do sofá, e abraçando o namorado pelas costas, afundando o rosto na camiseta dele para sentir seu perfume – Desculpe por tudo isso…

Nagihiko rodeou, virando-se para abraçá-lo com força.

— Você não precisa pedir desculpas… Eu que não devia ter deixado você se sentir assim tão inseguro… Bem, você está bem agora, não está?

— Sim. – ele respondeu, erguendo os olhos, e segurando o rosto de Nagihiko com ambas as mãos – Eu amo você, e confio em você. Não quero mais agir dessa maneira horrível, você nem teve culpa de nada… Me perdoe, Fujisaki-kun, eu fui tão mesquinho, e não o compreendi…

— Eu já disse que está tudo bem, Hotori-kun… — Nagi acariciou as maçãs do rosto do menor, beijando-o brevemente nos lábios – Eu meio que gosto quando você age dessa maneira possessiva comigo… — ele riu, dando de ombros – Eu sou só seu, você sabe disso…

— Fujisaki-kun… — Tadase cerrou os olhos, sentindo Nagihiko invadir seus lábios mais uma vez, da maneira lenta e constante a qual ele estava acostumado. Ambos suspiraram pesarosos, ao terem que se afastar um do outro.

— Eu vou para casa então, Hotori-kun. Ligo para você antes de dormir, e então nós conversamos com calma, tudo bem? Vou contar tudo o que aconteceu durante a viagem, e você me conta como foi seu fim de semana… — ele deu um rápido beijo na testa do loiro, antes de pegar suas malas. – Quando podemos nos encontrar de novo?

— Eu não sei… as semanas de provas estão começando, então não sei quando terei tempo… — Tadase respondeu, acompanhando Nagihiko ao descer as escadas, logo depois de colocar novamente seu paletó, que ele nem lembrava mais de ter sido tirado.

— Tem razão, minhas provas também estão chegando… acho que teremos que nos contentar com telefonemas durante esse tempo. – ele suspirou, puxando a chave do estúdio do bolso das calças. Ele sairia primeiro, e Tadase esperaria alguns segundos antes de ir, para que não corressem o risco de serem visto andando juntos por muito tempo.

— Então tudo bem… vou esperar você me ligar… — ele pediu, manhoso, e Nagi sorriu, beijando-o mais uma vez. Não queria ter que ir embora, não queria ser obrigado a deixá-lo. Cada vez que era obrigado a se despedir de Tadase, um pedaço do seu coração era arrancado, e ficava para trás. No entanto, como ele mesmo disse, esses obstáculos eram apenas degraus, que eles teriam que subir juntos, para enfim conseguir a felicidade com a qual tanto sonhavam. E se depois de tudo isso, pudesse ficar com Tadase durante todos os dias do resto da sua vida, então era um preço pequeno a se pagar.



~



— F-fujisaki-kun… — durante o horário do almoço, Nagihiko costumava sair da sala, e caminhar pelo pátio, ou apenas se refugiar na biblioteca para evitar o assédio de todas as garotas sem precisar ser rude com elas. Estava em seu caminho, quando ouviu o chamado. A voz era masculina, e num lampejo de compreensão, o garoto percebeu quem era antes mesmo de virar-se.

— Sakuraga-kun… posso ajudar? – ele reparou no rosto vermelho e na respiração ofegante do rapaz. Ele provavelmente o estava procurando a um bom tempo.

— E-eu não quero incomodá-lo, mas… eu pensei muito no que você me disse na viagem, sabe… — ele ajeitou os óculos no rosto, visivelmente constrangido – Eu quero me declarar para a Kimiko… e ainda não sei como devo fazer isso… você… se incomodaria de me ajudar nisso… s-se você estiver ocupado ou qualquer coisa assim, eu entendo, só pensei que…

— Eu adoraria ajuda-lo! – Nagihiko o interrompeu, com um cordial sorriso tomando sua face. Fez uma breve mesura, indicando que Sakuraga o acompanhasse enquanto caminhava, e continuou a falar – Para falar a verdade, eu estava ontem mesmo conversando com um amigo sobre o seu caso… — ele relembrou. Quando ligou para Tadase na noite anterior, contando sobre sua viagem, ele fez questão de ajudar, e os dois passaram quase uma hora apenas discutindo sobre a melhor forma de proceder nessas ocasiões. Tadase parecia até animado com a história, dando várias ideias.

— Você estava? – Sakuraga parecia genuinamente admirado com toda essa dedicação, e estava emocionado por isso. Nem seu melhor amigo, Yonezou, dava a mínima para a sua história, mas Nagihiko era tão gentil e prestativo, parecia querer realmente apoiá-lo.

— Bem, nós conversamos sobre isso… ele é tímido também, assim como você e a Kimiko-san, então entende as dificuldades que vocês passam… Nós chegamos a algumas conclusões, mas… você quer mesmo eu que o ajude? Sabe, por causa dos boatos a meu respeito e tudo mais, talvez os outros garotos falem mal de você por andar comigo…

— Eu não me importo com nada disso, na verdade – Sakuraga deu um sorriso sem graça, corando ligeiramente – Eu acho que… se a Kimiko-san gosta de alguém como você, então você não deve ser uma má pessoa…

— Então está bem… — Nagi sorriu, e prosseguiu. – Você quer se confessar para ela, pessoalmente, não é mesmo? – o garoto assentiu – Como ela é tímida, provavelmente não vai gostar se você resolver fazer algo muito escandaloso, ou na frente das pessoas… nada que a faça ficar constrangida, entende? Isso também não combina com você, então, é melhor que fale com ela quando estiverem a sós… Vocês são amigos de infância, então, você frequenta a casa dela, não é?

— Sim, às vezes…

— Certo, não faça isso na casa dela, também… ela ficará com medo de alguém ouvi-los, ou algo assim, não será o melhor lugar. – ele informou, e o garoto concordou.

— Ela tem muitas irmãs, elas sempre ficam por perto… — ele confirmou, lembrando.

— Então, a minha sugestão, é que você deixe um bilhete muito discreto para ela… não no armário de sapatos, pois se as amigas dela perceberem, podem começar a dar palpites, e isso não é bom. Deixe na classe dela, em um lugar onde ela possa encontrar, mas que ninguém veja. E não se esqueça de assinar. No bilhete, você pede que ela encontre em algum lugar… eu acho que o melhor é o jardim lateral, que fica atrás das escadarias externas. Quase ninguém vai para lá, e o lugar é bonito. Vocês terão privacidade, e ela não se sentirá coagida, em um lugar ao ar livre. Se você chamá-la no intervalo, o tempo de vocês seria limitado, mas no final da aula, não há problema.

— É… um ótimo plano! – Sakuraga exclamou, maravilhado – Você pensou em tudo isso, Fujisaki-kun?

— Na verdade, meu amigo deu várias dessas ideias – Nagihiko riu, lembrando – Ele é bastante romântico…

— Incrível… Mas… mas… o que eu digo para ela… na hora? – Sakuraga torceu as mãos uma na outra, nervoso – E se eu gaguejar, ou falar tudo errado?

— Não se preocupe com a resposta dela. O pior que pode acontecer, é ela dizer não. Preocupe-se apenas em dizer o que você sente, e isso chegará até ela. Se ela não corresponder, bem… você não pode fazer nada. Porém, você não saberá até dizer a ela corretamente. Faça isso por você mesmo. Se sentirá muito melhor consigo mesmo, mais leve e mais tranquilo, depois de revelar esses sentimentos escondidos há tanto tempo… E de qualquer forma, depois que você disser, ela enxergará você com outros olhos. tudo o que você terá que fazer, então, é conquistá-la aos poucos, e fazê-la confiar em você. – ele parou de andar, e virou-se de frente para Sakuraga, encarando-o nos olhos, com firmeza – Estou torcendo por você, Sakuraga-san. Você é um bom garoto, é gentil e eu sei que a ama de verdade. Ela perceberá isso em você, eu tenho certeza, e vocês dois serão felizes juntos.

— O-obrigado, Fujisaki-kun, muito obrigado! – ele curvou-se rapidamente, muito entusiasmado – Eu farei como você diz! Muito obrigado! – Ele se afastou correndo, bem mais animado do que antes, e Nagihiko sorriu para si mesmo, antes de continuar a caminhar sem rumo certo pelos corredores cheios de pessoas.

Algumas horas depois, quando o sinal para o final da aula soou, Nagihiko disse para Hideyoshi que tinha “atividades no clube”, e se encaminhou direto para a escadaria externa do segundo andar, de onde teria visão privilegiada do pátio. Ele já havia convivido tempo demais com Yaya, para lembrar que bisbilhotar não era algo correto a se fazer, ainda mais em situações como essas. Temari e Rhythm estavam com ele.

— Ah, eles estão vindo, estão vindo! – poucos minutos depois dele ter aparecido, Rhythm anunciou. Os três se posicionaram atrás da mureta da sacada, vendo Sakuraga se aproximar, com a garota, sentando-se no banco de pedra que ficava ali.

Dali de cima, Nagihiko pouco podia ouvir, ainda mais por causa do vento forte que soprava. Temari suspirava a cada segundo, “aaawwwnnn”, cada vez que Sakuraga se atrapalhava para falar, ou Kimiko corava ainda mais, e se encolhia. Rhythm já era mais radical, partidário do “cala boca e beija ela logo”, e ficava facilmente irritado com a demora, da mesma forma que ficava quando Nagihiko enrolava demais com Tadase.

— Acho que ele está indo bem… — Nagihiko comentou, observando a linguagem corporal que ambos utilizavam sem saber – Olha só, ela não está se afastando. Está constrangida, mas ainda continua olhando para o rosto dele, e brinca com o cabelo de vez em quando. E ele está nervoso, falando baixo, gesticulando um pouco mais do que devia… mas tenho certeza de que está transmitindo seus sentimentos da maneira certa… ele parou de falar… olha só, Temari! Ele segurou a mão dela!

— Aaah, que lindo! Ele disse que a ama, eu sei disso, olha ali! Ah, ela corou ainda mais! Oh, meu Kami-sama, ela parece que vai desmaiar a cada segundo! – Temari escondeu o rosto com a manga do kimono, mas continuou a espiar.

— Vai lá, beija ela, seu panaca! Ah, ele está perdendo a chance! E se ela fugir? – Rhythm esbravejava, como se estivesse assistindo a uma partida de basquete, e os jogadores não marcassem nenhum ponto.

— Ela não vai fugir. Olha ali, ela o deixou segurar a sua mão … e ela está assentindo com a cabeça… Ela sorriu! Olha ali, ela sorriu! – Nagihiko apontou, agitado. Devia estar mais nervoso que o próprio garoto – Ah, eu tenho que contar tudo isso pro Hotori-kun, ele vai ficar tão feliz… olha ali, eu acho que agora ele pediu para ela sair com ele…

— Ah, ele está sorrindo! Ela disse sim? Ela disse sim! – Temari comemorou – Beija ela, beija logo ela!!! – ela gritou perdendo por um momento a compostura, e gritando tanto quanto Rhythm, com os olhos brilhando de determinação.

Sakuraga não tinha como ouvir Nagihiko ou os Charas, mas assim como eles previam, ele se inclinou na direção de Kimiko, e a beijou timidamente. Foi um breve selinho, mas o bastante para ambos corarem furiosamente, e desviarem o olhar.

— Que fofo… — Nagihiko comentou sonhadoramente, lembrando um pouco mais Nadeshiko. Lembrava-se de quando começou a namorar Tadase, quando tudo era lindo e parecia estar vivendo um sonho. Cada pequeno gesto, cada detalhe, cada carinho… ele tinha tudo isso gravado em sua memória, eram seus momentos mais importantes.

Os dois jovens pombinhos lá embaixo saíram segundos depois, e Sakuraga tomou a iniciativa de segurar a mão dela. Rhythm comemorou aos berros, junto com Temari.

— É isso aí, Nagi! Você conseguiu! Agora você é o Sensei do Amor! – ele gritou, animado.

— Aaaaah, isso foi tão fofiinhooooo!!! – Temari gritou, com uma voz muito mais grossa do que a sua usual. Nagihiko riu, e ela pareceu perceber que não estava agindo como uma verdadeira dama, e pigarreou, voltando à pose solene de sempre – Hm, isso foi muito lindo, parabéns, Nagihiko, pelo seu bom trabalho…

— Obrigado. – ele riu, e relaxou sentado no chão, cruzando os braços atrás da cabeça e cerrando os olhos – Isso foi até divertido… agora eu entendo porque a Yaya e a Utau ficavam tão empenhadas em juntar eu e o Hotori-kun… embora elas fossem sempre muito indiscretas. Espero que Sakuraga fale sobre isso para os outros garotos, e isso faça os boatos cessarem…

— Você não fez isso só por causa da sua reputação, não é, Nagi? – Temari insinou, sentando-se no ombro do dono.

— Certo, eu me animei um pouco em ajudar o garoto, é verdade… — ele admitiu – Sinto um pouco de inveja, eu acho… Ele tem a chance de ficar com a pessoa que realmente ama, sem precisar se preocupar com nada além do amor dos dois. Ambos são de boas famílias, certamente conseguirão se casar sem maiores problemas, também. É claro que eu fico imaginando como seriam as coisas, se eu ou o Hotori-kun fossemos garotas de verdade, ou se nossas famílias nos aceitassem… — ele suspirou, abrindo os olhos – Mas as coisas não são assim, então eu não posso perder tempo imaginando. Tudo o que eu posso fazer… é aproveitar o tempo que temos agora, e… bem, pensar no futuro.

— Fica tranquilo, Nagi… — Rhythm se acomodou no seu outro ombro – Você e o Hotori-kun estão destinados um para o outro, no fim tudo dará certo. É só deixar seguir o seu ritmo….

Notas finais
Yoo, minna-san! Shiroyuki deeesu~ Como estão? E aíi, gostaram do reencontro do casal? O clima ficou tenso no início, mas logo Nagi tratou de amolecer o Tadase e eles se acertaram, pois é~ mas será que ele esqueceu completamente o assunto ou isso ainda vai piorar? Veremos... Ah, o que acharam do Nagi, sensei do amor? Esses dois com tantos problemas pra resolver, ficam gastando ligações discutindo sobre o caso dos outros XD mas é muito fofo, awn ~ E Nagi ainda dando uma de Stalker, Yaya-sensei ficaria muito orgulhosa disso! Espero que tenham gostado do capítulo, até a próxima com a senpai! E não deixem de comentar, tanto eu quanto a Teffy-senpai apreciamos muito toda e qualquer opinião de vocês nos capítulos, é muito importante para nós o/ bye bye!!