Itsumo Yakusoku
20 Capítulo 20 - Uso
Notas iniciais
O céu que nós vimos aquele dia
Aquele céu vermelho escuro
Ei, você se lembra?
Nós fizemos uma promessa
Envolvidos pela brisa de um novo verão
Nós estaremos juntos.
Atrás de um sorriso forçado
Escondidos pelas sombras
Foi por esse motivo que eu esqueci... e escolhi renascer
Eu fico esperando por uma notícia inabalável sobre a mesa
Naquela noite vazia, naquela manhã que
Parecia nunca ia chegar, eu entendi tudo
Capítulo 20
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Uso
Na manhã daquele final de semana, os estudantes do Colégio Iwasaki embarcavam em um enorme ônibus alugado pela escola, que os levaria para as fontes termais durante a viagem escolar. Ainda era muito cedo, e alguns estudantes bocejavam disfarçadamente, outros cochilavam, sentados na calçada ou apoiados em sua bagagem, se rendendo facilmente ao sono matinal. Hideyoshi era um deles, que havia se sentado na calçada da escola e recostado a cabeça na enorme bolsa que iria levar, facilmente pegando no sono, enquanto Nagihiko, ao lado dele, que devia estar jogando alguma coisa em seu celular, segundo o que o garoto pensava inocentemente, prometera lhe acordar assim que o ônibus chegasse. Enquanto seu primo dormia tranquilamente e se perdia em seu mundinho de sonhos, Nagihiko respondia rapidamente as mensagens enviadas por Chris, seu amigo na Inglaterra, explicando que estava no meio da aula e não pôde mais responder às mensagens dele naquele dia, pois o professor o pegou no flagra e, depois de explicar rapidamente sobre a viagem escolar, desculpar-se pela interrupção inesperada da conversa da última vez, e que teria que ficar alguns dias sem poder conversar com ele por causa da excursão, concentrou-se no que realmente queria fazer, que era responder às intermináveis mensagens de Tadase:
"Sonhei com você essa noite. Com aquela vez em que nós... fomos ás termas pela primeira vez. Você se lembra, Fujisaki-kun?"
Era o que a mensagem do loiro dizia, enviada cedo demais para um adolescente que devia estar aproveitando seu final de semana para poder dormir até mais tarde, pra variar. Nagihiko sorriu com a lembrança, e começou a digitar a resposta:
"Claro que sim. Lembrei disso imediatamente assim que o sensei anunciou que a viagem seria para as fontes termais. Porém... eu acho que essa viagem nem se compara àquela vez. Ir até as termas não vai ter a menor graça sem você..."
Ele esperou alguns segundos, porém, depois acabou concluindo de que ainda devia ser cedo demais para Tadase estar acordado e poder digitar uma resposta, ou que talvez ele tivesse apenas se rendido ao sono depois de enviar a primeira mensagem e voltado a dormir. Deixando escapar um suspiro, ele digitou apressadamente assim que ouviu o sensei responsável por sua classe anunciando que estava na hora de eles reunirem suas coisas e embarcar no ônibus:
"Eu te amo demais Hotori-kun, pensarei a viagem toda em você. Preciso embarcar no ônibus agora para partir, mas, Hideyoshi-kun está comigo. Ele está sonolento, e deve dormir a maior parte da viagem, então, assim que me acomodar no ônibus, eu mando mais mensagens".
Assim que terminou de enviar a resposta apressada, porém sincera, ele acordou o primo como prometera, dizendo que estava na hora de eles embarcarem e, assim que os dois reuniram suas bagagens e as guardaram devidamente no porta-malas surpreendentemente espaçoso do ônibus, eles embarcaram e partiram.
Os dois sentaram-se em um lugar mais ao fundo, quase no final do veículo e, enquanto a maior parte das meninas tinham ficado ou na frente, ou no meio do ônibus, conversando animadas sobre a viagem escolar e dando risadinhas bobas, e os demais garotos acomodaram-se mais na metade e no final do veículo, também conversando sobre a excursão e dando risadas, porém um tantinho mais indecentes do que as das meninas, já que deviam estar imaginando mil besteiras por causa do destino do local para onde estavam viajando. Assim como Nagihiko imaginou, Hideyoshi lhe perguntou sonolento se o primo se importava se ele dormisse mais um pouco e, assim que Nagi respondeu que estava tudo bem, ele recostou-se melhor no encosto do assento, caindo rapidamente no sono. Assim que Nagihiko sentiu a cabeça do primo escorregando para o lado, acabando apoiada no ombro dele e ouviu Hideyoshi resssonando tranquilamente, deixou escapar um sorriso, concluindo que o garoto já devia estar completamente adormecido, tirou o celular do bolso, com cuidado para não acordá-lo, e começou a digitar outra mensagem para Tadase:
"Ja embarquei no ônibus. Hideyoshi-kun está sentado ao meu lado, mas está completamente adormecido, então não tem problema conversarmos".
Ele esperou algum tempo, porém, como não obteve resposta, nem para a mensagem anterior, concluiu que Tadase devia mesmo estar dormindo há uma hora daquelas afinal, digitou uma última mensagem para o loiro:
"Vou esperar ansioso até você acordar e poder me responder. Eu te amo".
Porém, quando clicou em "enviar", uma mensagem inesperada apareceu na tela de seu celular:
"Falha no envio da mensagem. Este número se encontra desligado ou fora dá área de cobertura".
– O que?! Ah, fala sério, justo numa hora dessas?? — Nagihiko praguejou baixinho, e tentou enviar novamente a mensagem umas cinco ou seis vezes, porém sempre tinha a mensma resposta de erro.
– Deixe isso pra lá, Nagihiko — Temari falou ao seu lado, tentando consolar o dono — Estamos viajando para um lugar afastado afinal, onde só tem árvores e nenhuma tecnologia, não deve ter sinal por aqui mesmo...
– Acho que você tem razão, mas... se eu não conseguir nem ao menos dizer isso ao Hotori-kun... — ele murmurou, preocupado, e ainda inconformado por não conseguir enviar suas mensagens — Ele com certeza vai ficar todo nervoso e preocupado... e pode ficar zangado comigo de novo...
– Mas a culpa não é sua, e sim desse fim de mundo pra onde estamos indo, oras! — Rhythm lembrou, voando do seu outro lado — Vamos, deixe isso pra lá, de que adianta ficar se preocupando sem poder fazer nada afinal?! Melhor descansar e dormir um pouco, como o seu primo aí do lado... ou talvez se distrair jogando no celular ou coisa assim!
– É... acho que vocês têm razão... — Nagihiko suspirou derrotado, desistindo de tentar enviar mensagens para Tadase, e pegou seu fone de ouvido, conectando-o ao celular e recostando-se à janela, sem realmente prestar muita atenção à paisagem lá fora, que se tornava cada vez mais verde e menos urbana, ou na música que tocava em seus ouvidos.
E, devido à falta de área de cobertura daquele fim de mundo para onde estavam indo, como Rhythm tinha dito, Nagihiko também não pôde ver a resposta da última mensagem de Tadase antes de ele embarcar no ônibus:
"Está bem, vou esperar até você embarcar. Mesmo estando longe, promete que vai pensar em mim o tempo todo e não vai se deixar levar por essas pessoas que estão aí com você, Fujisaki-kun? Você prometeu que não ia dar bola para as alunas daí, mesmo tendo que ser legal com elas, não se esqueça! Promete que não vai se deixar levar pelas pessoas daí, nem se esquecer de mim, promete? Vou esperar ansiosamente pela sua resposta... eu te amo".
Enquanto Nagihiko viajava, perdido em sua frustração por estar mais uma vez em um lugar distante da pessoa que amava, Tadase também não estava nem um pouquinho feliz em sua casa, já que não obtivera resposta para sua última mensagem:
– Por que ele não responde...? Será que ainda não embarcou no ônibus?
– Humm... o que está fazendo acordado à uma hora dessas, Tadase? — Kiseki indagou sonolento, lá do seu ovo, acordando por causa do alvoroço que seu dono fazia — Ainda é cedo, e o hoje é final de semana, não é? Por que já está acordado?
– Eu estava conversando com o Fujisaki-kun — ele respondeu, ainda encarando a tela de seu celular, esperando inutilmente por uma resposta que parecia que nunca iria chegar — Ele estava embarcando no ônibus para a viagem escolar agora há pouco, e disse que me responderia assim que se acomodasse no ônibus, mas... já se passaram mais de dez minutos, e ele ainda não respondeu... será que aconteceu alguma coisa...?
– Ah, é só aquele Valete plebeu de novo...- Kiseki resmungou, revirando os olhos sonolentos ao entender do que se tratava — Não se preocupe, vai ver algum aluno plebeu de lá parou pra falar com ele e ele não pôde responder na frente dos outros... ou talvez esteja ocupado, fingindo para alguma plebéia qualquer de lá, e sendo simpático com ela para manter o disfarce, ele disse que precisava fazer isso pra ninguém desconfiar, não era? Não se preocupe demais à toa, daqui à pouco ele responde e te explica o que aconteceu, você vai ver... waahhh... — Kiseki deixou escapar um bocejo antes de refugiar-se outra vez em seu Shugo Tama e voltar a dormir
– É, talvez você tenha razão — o loiro concordou, embora seu Chara já tivesse caído no sono e não estivesse mais ouvindo o dono — E é exatamente disso... que eu tenho medo.
Enquanto isso, alheio às preocupações do namorado, Nagihiko havia chegado ao seu destino algumas horas depois, perdido em suas próprias frustrações. Hideyoshi havia enfim despertado, e agora tinha se juntado ao primo para recolher sua bagagem do porta-malas do ônibus, ao lado dos demais alunos. E, por incrível que pareça, embora ninguém em especial soubesse disso, um dos palpites de Kiseki se provou surpreendentemente correto dessa vez:
– Aaaai... essa mala é tão pesada, não consigo nem tirar daqui... droga, acho que acabei trazendo coisas demais... — uma aluna choramingava perto deles, tentando inutilmente tirar uma gigantesca mala rosa-choque de dentro do porta-malas do ônibus
– Quer ajuda, Sayako-san? — Nagihiko perguntou gentilmente para a garota e, sem esperar por uma resposta, puxou para fora a gigantesca mala que ela trouxera, depositando-a cuidadosamente no chão
– Waahhh~~ sugoi... n-não sabia que você era tão forte, Fujisaki-sama! — ela exclamou admirada, colocando as mãos nas bochechas coradas — A-Arigatou gozaimasu...
– Imagine, não foi nada. É o dever de um cavaleiro ajudar as damas em perigo, certo? — ele respondeu, sorrindo maquinalmente para ela
– H-Hai... m-muito obrigada mesmo, Fujisaki-sama — ela agradeceu de novo, completamente encantada com a aura de perfeição que parecia envolver o garoto — Essa escola ficou tão melhor desde que você veio pra cá... nenhum dos outros alunos me auxiliaria desse jeito, sem eu nem ter pedido ajuda. M-Mas, acho que acabei trazendo muita coisa mesmo, minha mala acabou ficando mais pesada do que eu imaginava... — ela riu sem graça, ainda um tanto abobalhada
– De jeito nenhum. Uma dama precisa estar bem preparada para se cuidar e manter sua beleza estonteante em qualquer lugar e ocasião afinal — ele sorriu ainda mais abertamente, recordando involutnariamente da época em que era Nadeshiko, em que sua mãe lhe obrigava a carregar diversos produtos de beleza consigo, junto dos vestidos e saias que constumava usar — Quer ajuda pra carregar isso?
– Ah... n-não, imagine, não precisa! Eu consigo me virar sozinha daqui... m-mais uma vez, muito obrigada! — ela fez uma longa e rápida reverência, e afastou-se, ainda abobalhada, arrastando sua mala rosa-choque consigo, que felizmente agora ela conseguia levar sozinha, já que a mala possuía rodinhas e uma alça para ela poder carregar com mais facilidade. Assim que Sayako virou as costas e começou a caminhar na direção contrária, Nagihiko desfez seu sorriso forçado, sentindo a costumeira onda de culpa por ter que mentir desse jeito para enganar as garotas, sem conseguir deixar de se preocupar com o que Tadase pensaria se tivesse visto aquela cena
– Sugoi... você é mesmo popular com as garotas, hein, Nagihiko-kun?! — Hideyoshi comentou admirado, colocando-se ao lado do primo depois que Sayako se afastou o suficiente para não poder ouví-los
– É, acho que sim... sempre foi desse jeito desde o primário, não sei porque... — ele concordou, distraído com os pensamentos que ainda vagavam até Tadase, sem se sentir realmente feliz com isso
– Bem, vai ver é algum tipo de dom que você tem por natureza! — Hideyoshi riu, ainda admirado, porém logo deixando o assunto de lado — Mas agora, se não nos apressarmos, não vamos pegar quartos bons. Vamos indo?
– Sim, tem razão. Melhor irmos andando — Nagi concordou, pegando sua própria bagagem e caminhando na direção dos dormitórios masculinos, com o primo em seu encalço.
Depois de se organizarem e arrumarem suas coisas, os alunos dirigiram-se para as termas, separando-se quando chegaram às duas entradas, uma dizendo "Banho Feminino" e a outra "Banho Masculino". Nagihiko fitou por alguns segundos a entrada do banho feminino, com um olhar meio nostálgico, recordando inevitavelmente mais uma vez da época em que era Nadehsiko, e sentiu um grande alívio por não precisar entrar ali daquela vez. Soltou um breve suspiro e deixou escapar um pequeno sorriso antes de seguir junto com os outros rapazes para o banho masculino.
No vestiário, despiram o uniforme escolar que usavam, e os mais apressados e desinibidos correram direto para as fontes sem nada mesmo, outros parando para levar uma toalha ou enrolá-la na cintura antes de se juntar aos colegas. Nagihiko foi um dos que teve o cuidado enrolar uma toalha branca ao redor da cintura, é claro, lembrando-se das palavras de Tadase sobre não querer que mais ninguém visse seu corpo, mesmo que fossem outros rapazes, e não pôde deixar de escapar um sorrisinho, pois aquele desejo seria impossível de atender com ele em um banho nas termas afinal. Prendeu seu cabelo em um rabo-de-cavalo frouxo para não molhar na água antes de se juntar aos outros garotos, e acomodou-se em um espaço mais vazio das termas, onde não tinha garotos bagunceiros mergulhando e agitando a água, como se aquilo fosse uma piscina, e não fontes termais, ao mesmo tempo em que tentava ignorar os comentários maldosos dos alunos que o viram fitando por breves segundos o banho feminino e faziam piadinhas de mau-gosto, perguntando se ele queria espiar o banho das meninas ou coisa assim, embora eles mesmos provavelmente desejassem fazer isso.
– Não gosto muito disso... — uma voz murmurou timidamente ao seu lado, e Nagihiko notou que Hideyoshi era o único que estava sentado próximo à ele, já que os demais estudantes garotos morriam de raiva dele afinal — Ter que tomar banho junto de tantas pessoas... v-vendo meu c-corpo... q-quero dizer, sei que somos todos garotos, mas... ainda assim, é meio...
– É, eu sei como se sente — Nagihiko concordou, sorrindo sem graça — Mesmo que sejamos todos rapazes, ainda é um pouco embaraçoso, não é?
– Sim... m-mais do que "um pouco", eu acho... — o menor concordou, se encolhendo em seu canto, afastado o suficiente para nem sequer esbarrar por acidente em Nagihiko, porém ainda perto o suficiente para que o primo pudesse ouví-lo — É só que... não estou acostumado a... tomar b-banho junto com outras pessoas... — ele murmurou, e Nagihiko o fitou de soslaio, notando que Hideyoshi não se atrevia a olhar para nenhum dos outros garotos, nem mesmo para o próprio primo, com a cabeça abaixada de modo que a franja escondesse a maior parte do rosto corado, e ocupava-se apenas em envolver seu corpo com os braços, tentando ocultá-lo de possíveis olhares alheios, parecendo terrivelmente com uma garotinha indefesa. Ele também havia prendido os longos cabelos, só que no alto da cabeça, em uma espécie de coque mal-feito
– Sei bem como é isso... é desconfortável ter outras pessoas olhando para você contra sua vontade, não é? — Nagihiko comentou, girando seus olhos distraidamente na direção do céu acima deles, recordando dos olhares insistentes e incômodos dos alunos que admiravam a beleza e o porte magnífico de "Nadeshiko". Lembrava que, mesmo naquela época, o único que desejava que olhasse para ele era Tadase, embora ele ainda não tivesse se dado conta completamente disso na época, por ser tão novo, e seus pensamentos acabaram vagando mais uma vez na direção do loiro enquanto ele ainda conversava distraidamente com o menor — Mas acho que isso é inevitável quando se está em fontes termais afinal...
– Eh? V-Você também se sente assim, Nagihiko-kun?! — Hideyoshi exclamou espantado, encarando o rosto do primo por impulso — Mesmo você tendo vivido no Japão por tantos anos... pensei que já estivesse acostumado com fontes termais, e essas coisas... — ele comentou, mas quando o maior virou o rosto na direção dele para lhe responder, Hideyoshi sobressaltou-se e voltou a se encolher, encarando a água onde estavam semi-mergulhados, corando um pouco. Durante o breve momento em que tinha encarado Nagihiko, Hideyoshi não pôde deixar de notar a marca vermelha no pescoço do primo, deixada por Tadase no último encontro deles. Após alguns segundos pensando naquilo, conseguiu concluir o que aquela marca devia ser, e corou ainda mais furiosamente com sua conclusão. Se fosse mesmo aquilo que ele estava pensando... aonde raios Nagi teria arrumado uma marca daquelas?! Ele realmente tinha ficado curioso pra saber, mas provavelmente nunca teria coragem para perguntar... porém, mesmo que não perguntasse, não conseguiu deixar de ficar pensando nisso, sem ouvir o que o primo dizia
– Mesmo tendo sido criado a maior parte da vida no Japão, também me sinto assim nessas situações. Vai ver é de família, eu acho... — Nagi riu sem jeito, ainda meio admirado com o fato da timidez de Hideyoshi ser bem maior do que ele imaginava, e totalmente alheio ao rumo que os pensamentos de seu primo tomava. O menor realmente parecia uma garotinha assustada agora, ainda mais com aquele rosto todo corado. Mesmo nunca tendo sido forçado a se travestir, exceto por aquela ocasião da festa de Halloween na casa de Rima. Vai ver essa inevitável e inconsciente feminilidade era de família também...
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– Enquanto isso, em um lugar distante dali, Tadase contava suas preocupações e suposições para uma pessoa um tanto inesperada:
– ... e então, ele não respondeu a minha mensagem até agora, e nem as outras que eu mandei depois, e olha que não foram poucas! E ele... não me prometeu... que não iria se deixar levar pelas pessoas que estão viajando com ele, nem pelas alunas com quem ele tem que ser gentil e fingir que gosta pra que ninguém desconfie... será que... foi tudo mentira? Será que ele não respondeu, e não me prometeu isso porque... já se deixou levar por alguma delas...?
– Não seja tão desconfiado, Tadase! — Tsukiyomi Ikuto exclamava de volta, atrás do balcão de sua loja, onde os dois se encontravam agora. Ikuto conferia a mercadoria de uma caixa recém-chegada, verificando se as novas peças batiam com a lista de pedidos em cima do balcão, enquanto ouvia as preocupações sem fundamento do mais novo — Ele acabou de viajar não tem nem algumas horas, não é? Se o garoto vai passar o final de semana inteiro lá, e você já está assim depois de apenas algumas horas separados, você vai acabar tendo colapso ou coisa parecida até ele voltar! Vai por mim, aquele ex-travesti é louco por você, ele sempre foi, e aposto que está sofrendo tanto ou mais do que você de tantas saudades que deve estar sentindo! É muito feio você ficar desconfiando do namorado depois de apenas algumas horas de separação, viu, pra alguém que ficou separado dele por três anos, já ficar desse jeito todo enciumado só depois de apenas umas três horas... francamente, você é mais fracote do que eu pensava, pelo jeito! Se continuar assim, aquele moleque vai acabar se enchendo de você e te largando se você continuar a ser tão desconfiado e ciumen... ah, droga, essa não! Não foi isso que eu encomendei! — o mais velho interrompeu seu discurso pela metade, praguejando ao ver que uma das fantasias que tinha encomendado tinha vindo na cor errada
– Com licença, eu vou levar essa — um rapaz mais ou menos da mesma idade que Ikuto aproximou-se do balcão, com uma fantasia que lembrava um vestido de Princesa, embora fosse curto demais para pertencer a uma, e Ikuto parou o que estava fazendo para atender o cliente e começar a embrulhar a fantasia. Tadase parou de choramingar sobre suas preocupações infindáveis, pensando que talvez Ikuto tivesse razão afinal, e ele estivesse sendo desconfiado demais por nada — Ah, essa fantasia é nova? Eu não vi esse modelo nas prateleiras! — o rapaz exclamou sorridente, apontando para a fantasia da qual Ikuto tinha reclamado por vir na cor errada
– Ah, sim, acabou de chegar, por isso ainda não tive tempo de colocar junto das outras — Ikuto respondeu, sorrindo, feliz que alguém tivesse gostado daquilo — Embora o modelo não tenha vindo da cor que eu encomendei, eu ia pedir uma vermelha... sabe, como a que aquela garota de cabelos pretos longos daquele anime "Sailor-alguma-coisa" usa
– Ah, não, eu gosto dessa! Era a que a personagem loira usava! — o rapaz exclamou entusiasmado — Ah, agora não sei qual das duas levo... nee, o que você acha? — ele indagou incerto, olhando surpreendentemente na direção de Tadase, achando provavelmente que ele também era um freguês
– Quê?! — o mais novo exclamou, mais alto do que pretendia, surpreso por ter sido incluído naquela conversa. Deu uma rápida olhada nas duas fantasias, porém logo desviou os olhos para o outro lado, corando um pouco, concluindo apenas que as duas pareciam igualmente indecentes — Ahn... e-eu... r-realmente não s-sei dizer...
– Ano nee... você não é novinho demais para estar em um lugar desses não, garoto?? — o rapaz indagou, abaixando-se um pouco para poder encarar melhor o rosto de Tadase e tentar adivinhar sua idade — Pela altura, ainda deve estar no ginasial... não, talvez no colegial?
– Ele não é um cliente — Ikuto esclareceu rapidamente, sorrindo, tentando trazer de volta a atenção do freguês para as mercadorias — Mas, então, já decidiu qual vai levar?
– Ahh, eu realmente não sei... as duas parecem igualmente perfeitas para a ocasião... — o rapaz desviou os olhos de Tadase e voltou a olhar indeciso para as fantasias
– Etto... a-acho que vou deixar você... ahn, t-trabalhar... a-até mais, Ikuto-niisan — Tadase murmurou sem jeito, desejando poder sair logo dali antes que lhe fizessem alguma outra pergunta embaraçosa
– Certo, certo, vá perturbar os seus amigos pirralhos pra pra variar... aliás, por que você veio até aqui mesmo afinal?!
– Bem, eu... queria ouvir o conselho de alguém mais velho, e mais... e-experiente, eu acho... a-além do mais, o Souma-kun saiu com a Yuiki-san, e a Amu-chan tinha dito que ia fazer compras com a Mashiro-san... m-mas acho que vou fazer isso mesmo, talvez elas já tenham terminado — ele respondeu, ainda sem jeito, embora duvidasse muito que elas já tivessem acabado. Quando garotas saíam pra fazer compras juntas, parecia que aquilo nunca tinha fim afinal — B-Bom, de qualquer forma, vou indo. Obrigado, Ikuto-niisan, até mais — ele despediu-se novamente, e saiu o mais rápido que conseguiu da loja
– Aquele garoto é seu irmãozinho? — o cliente indagou curioso depois que Tadase saiu — Vocês não se parecem muito...
– Não somos parentes de sangue, ele é mais como um velho amigo, eu acho — Ikuto respondeu sorrindo — Ele aparece às vezes, mas só pra me visitar mesmo
– Sei... bem, ele parecia mesmo jovem demais para frequentar a Nyanderful afinal — o rapaz respondeu, dando de ombros e voltando sua atenção de volta para as fantasias — Ah, mas que droga, eu não consigo me decidir... ah, que se dane, vou levar as duas!
– Ótima escolha! São 1.800 yenes no total — Ikuto respondeu, feliz que o rapaz tivesse lhe poupado o trabalho de ter que ligar para a importadora e lhes dar um sermão por terem enviado a fantasia errada. Ele embrulhou as fantasias para o rapaz e, depois que o cliente deixou a loja, feliz com suas compras e tentando ignorar o fato de que sua carteira tinha ficado vazia depois daquilo, Ikuto comentou para alguém que não podia mais ver, mas que sabia que ainda estava em algum lugar perto dele e que podia ouví-lo — Francamente, esses pirralhos de hoje são tão inseguros... não sei como aquele ex-travesti consegue aguentar todo esse ciúme e insegurança do Tadase. Mas, acho que eu também devia ser inseguro assim quando era moleque. Afinal, se eu não fosse, você não teria nascido, nem passado tanto tempo comigo, não é... Yoru? — ele murmurou, sorrindo, podendo jurar que tinha ouvido um "nya" de concordância.
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