Itsumo Yakusoku

21 Capítulo 21 - Love Destiny


Notas iniciais
Love Destiny - Horie Yui http://letras.mus.br/horie-yui/759800/traducao.html

Apesar de eu querer tanto te ver

Esta noite isso não será possível

Mais que uma chuva batendo em minha janela,

Isto parece uma tempestade

Porque não podemos nos ver,

Este amor que tenho cresce a cada dia

Está tudo bem se isso me queimar, essa é a realidade

Não posso explicar muito bem o porquê sinto isto, mas

Creio que as pessoas chamam de: "nascer um para o outro"

Se fechar meus olhos, podemos estar juntos

Mesmo quando estou sozinha neste quarto

Este é meu único destino

Capítulo 21

~

Love Destiny

— Não adianta, Nagihiko-kun, não tem sinal aqui. – Hideyoshi disse, perdendo a conta de quantas vezes já repetia essa mesma frase para seu primo durante todo o dia, mas ele simplesmente não queria ouvi-lo.

Nagihiko estava nesse momento em cima de uma das pedras enormes que ficavam no fundo da pousada, e havia escalado até lá para conseguir algum sinal no telefone, mas é claro que havia sido em vão, pois ele continuava sem acesso à linha mesmo assim. Das pessoas que o observavam em sua pequena aventura, as garotas achavam que evidentemente, ele havia sido muito ousado escalando a pedra daquela forma, enquanto os meninos só pensavam que ele estava querendo se mostrar. Hideyoshi ainda se perguntava como raios ele conseguiu escalar a pedra se estava usando um yukata e geta nos pés.

Alguma das garotas, mais afobada e corajosa, até mesmo avançou para tirar fotos da visão privilegiada que quem estava no chão tinha de Nagihiko, enquanto ele distraidamente ficava erguendo o celular para o céu, como se algum milagre divino fosse fazê-lo funcionar. Tão logo percebeu isso, Hideyoshi tratou de espantá-la, afinal, algo desse tipo poderia manchar a honra da sua família.

Enquanto Hideyoshi mantinha a imagem de Nagihilo longe das lentes das câmeras das garotas afoitas, lá de cima, o alvo de tanta comoção apenas olhava fixamente para a tela do celular, esperando qualquer mudança nos tracinhos que indicavam a rede. Continuava tão vazio quanto antes, mas ele não pedir a esperança. Tinha que falar com Tadase, nem que para isso precisasse escalar as montanhas ao longe, ou caminhar pela estrada até achar um telefone público.

Claro que ele poderia ter usado o telefone da pousada para ligar, e ele até tentou, mas os professores proibiram que qualquer um dos estudantes utilizasse o sinal de telefone ou de internet do hotel, alegando que aquele era um exercício para incentivar a diminuição do uso de tecnologia nas crianças, e que eles deveriam apenas aproveitar a natureza e o que ela tinha a oferecer.

Nagihiko aproveitaria a natureza, rolaria pela grama, abraçaria uma árvore! Se somente dessem a ele a chance de falar por cinco minutos com Tadase, não mais do que isso. Ele só queria dizer que o amava, e que estava tudo bem. Que nenhuma daquelas garotas era capaz de fazê-lo sentir-se daquela maneira que apenas ele conseguia. E que ele voltaria, tão logo fosse possível, para os braços dele.

— Desista, Nagihiko-kun – Hideyoshi voltou a argumentar – É perigoso aí em cima, e eu acho que alguém foi chamar um professor, e dizer que você está aí. É melhor descer.

— Está bem… — Nagihiko suspirou, deslizando habilidosamente pelo lado mais liso da pedra, e pousando no solo com maestria. Seu yukata revoou um pouco, mas ele logo ajeitou. Um coro de garotas, todas animadas com a pequena demonstração de habilidade física de Nagihiko, gritou ao longe.

— Você quer ir jogar ping-pong comigo? Eles têm uma mesa aqui no hotel… — Hideyoshi convidou.

— Claro, porque não… – Nagihiko não tinha mesmo mais o que fazer, sem sinal e sem possibilidade de contato com o mundo exterior, então a melhor maneira de fazer o tempo passar mais rápido era se distraindo com alguma coisa.

— Fujisaki-kun, Fujisaki-kun! – os dois Fujisaki viraram o rosto ao mesmo tempo, mas foi para Nagihiko que a garota que chamara se dirigiu – Você não quer tirar uma foto comigo e com as outras garotas?

— Uma foto?

— Sim! Para recordação… — ela sorriu, mostrando a máquina, e logo atrás dela vinham pelo menos cinco garotas, todas usando o yukata da pousada.

— Bem, acho que não tem problema… — ele respondeu, meio a contragosto, enquanto todas as garotas comemoravam e se posicionavam ao lado dele, para fazer pose. Hideyoshi se ofereceu para tirar a foto, mas na hora de tirar, a câmera não funcionou.

— Acho que a bateria acabou… Eu vou tirar com o meu celular, está bem? – ele disse, deixando a câmera de lado, enquanto todas as garotas sorriam e se abraçavam em Nagihiko, que continuava imóvel no meio delas, com sua natural boa aparência disfarçando o atual mau-humor na fotografia.

Assim que as garotas todas correram até Hideyoshi para pegar as fotos por bluetooth, Nagihiko aproveitou para escapar, e ter mais algum tempo sozinho, antes que tivesse que voltar e conversar com todas aquelas garotas escandalosas mais uma vez. Ele estava tão cheio delas que poderia acabar sendo rude, se não medisse bem as suas palavras. E como estava preso naquela pousada com todas elas, não tinha escapatória além de ficar ouvindo tudo o que elas tivessem para dizer, afinal.

Quando finalmente encontrou um lugar mais afastado, com vista para as montanhas ao longe, ele se acomodou na varanda e ficou apenas em silêncio, observando o céu mudar de cor, os passarinhos voando e cantando, enquanto pensava em quanto tempo ainda teria que esperar para ver Tadase novamente. Pegou o celular, e como esperado, não havia sinal nenhum ali também.

Movendo os dedos automaticamente, Nagihiko abriu a pasta de imagens, e ficou olhando para as fotos que tinha de Tadase ali, que eram mais recentes. Claro que ele conseguiu todas elas com Yaya, mas não tinha reclamações quanto a isso. Havia até mesmo algumas fotos de antes dele voltar para o Japão, então ele podia observar o crescimento de Tadase naquela época, quando não podia vê-lo. Ele já estava sorrindo para si mesmo, vendo uma foto em que ele aparecia dormindo por cima de um monte de documentos do conselho, quando ouviu um ruído fraco de passos se aproximando. Fechou a pasta de imagens imediatamente, a tempo de ver uma das garotas da sua sala que chegava mais perto, até sentar-se ao seu lado no chão.

— Por que você não está com os outros, Fujisaki-san? Está muito divertido lá na sala de jogos, sabe, estão fazendo um campeonato… você não quer ir assistir? – a garota de cabelos castanho-escuros, amarrados em um bem feito coque, convidou. Nagihiko fez uma força para recordar o nome dela, mas só conseguia lembrar que começava com Ki… ki-alguma coisa.

— Eu estou bem aqui, sozinho… estou apenas pensando em algumas coisas, nada demais… — Nagihiko sorriu calmamente.

— Ah… você estava… pensando na garota que gosta, quem sabe… ou na sua namorada…? – a garota arriscou, mordendo os lábios nervosamente.

— Absolutamente não. Eu não tenho… uma namorada. – Nagihiko respondeu prontamente, apertando o celular entre a mão. A garota pareceu aliviada por alguns segundos, e então voltou a levantar o olhar, apertando as mangas do yukata que usava.

— E… quando a uma garota que você gosta… t-tem alguém? – ela corou ainda mais, desviando o olhar para o jardim, e de volta para o garoto. Nagihiko teve um pequeno momento de revelação, e lembrou o nome da garota. Kimiko, era isso. Ela costumava ser mais calma do que as outras garotas, até mesmo tímida às vezes, por isso não era do seu feitio iniciar uma conversa como essa. Devia estar sendo difícil para ela, também. Nagihiko tentou ser o mais delicado possível.

— Não há… nenhuma garota em meus pensamentos, nesse momento. Nenhuma mesmo. – ele respondeu sinceramente, e então ergueu a mão, movendo uma mecha de cabelo que escapava do coque da garota. Ela ofegou, afastando-se por reflexo – Mas… sempre há tempo para as coisas mudarem, não é?

— Hm, eu… suponho que sim. – ela engoliu em seco, quase tendo um ataque do coração, e se ergueu num único movimento – E-eu vou encontrar com as outras garotas, bem, n-nos vemos depois, F-fujisaki-san… — ela se curvou rapidamente, e saiu correndo, meio cambaleando, pelo lado oposto.

Assim que ela sumiu para dentro da pousada, vindo pelo lado de fora, Hideyoshi se aproximou. Nagihiko sorriu para ele também, embora estivesse se perguntando o quanto daquela cena de agora ele assistiu.

— Você é mesmo muito popular, não é, Nagihiko-kun? – ele comentou casualmente, ficando de pé do lado de baixo da varanda. – Acho que… se você tivesse uma namorada, ela teria muitos motivos para ficar com ciúmes… — ele desviou o olhar. Estava sutilmente tentando chegar ao assunto da marca que vira no pescoço do primo, mas não havia jeito de conseguir falar nisso abertamente. Apesar de ele ser tão cuidadoso, Nagihiko leu através das suas intenções, e sabia que havia algum motivo para aquele assunto tão repentino.

— Talvez… mas você também é, Hideyoshi-kun, eu já ouvi comentários das garotas sobre você algumas vezes… — Nagihiko riu do semblante desconcertado do primo, guiando-se pelos seus instintos para evitar qualquer assunto problemático. – Se você for um pouquinho mais aberto, elas iriam conversar com você também…

— Eu não quero ser popular! Para mim… b-basta que a garota que eu goste retribua os meus sentimentos, isso é o bastante. – Hideyoshi corou até as orelhas, cruzando os braços e virando o rosto.

— Então você está esperando por apenas uma garota, não é? Isso é muito admirável da sua parte. Essa será uma garota de sorte… — Nagihiko afagou amigavelmente o ombro de Hideyoshi, sorrindo para ele – Já tem alguma garota nos seus pensamentos?

— Absolutamente não. – Hideyoshi respondeu seriamente, ainda que embaraçado.

— Então não deixe de me manter informado. Quando você precisar, eu estarei aqui para oferecer a minha ajuda – Nagihiko foi se afastando, escondendo as mãos nas mangas do yukata, de uma maneira que o fazia lembrar um pouco o próprio pai.

Ele conseguira evitar um interrogatório desnecessário de Hideyoshi, que certamente viria a seguir, e de quebra deixou Hideyoshi mergulhado em novos pensamentos. Isso provavelmente serviria para fazê-lo parar de pensar no que quer que fosse que ele estivesse deduzindo por si mesmo.

— Hey, Nagi! – Rhythm veio voando na sua direção, acompanhado como sempre de Temari – Você conseguiu falar com o Tadase?

— Ainda não – Nagihiko suspirou pesadamente, passando a mão pelos cabelos.

— Não se preocupe, Nagi… tudo vai acabar bem. Hotori-kun confia em você, ele não vai pensar besteiras. E além do mais, com alguém tão autoconfiante quanto Kiseki do seu lado, ele nem vai ter tempo de se sentir inseguro…

— Tem razão Temari, mas… eu não consigo deixar de me preocupar, sabe… — ele riu sem graça – Não quero acabar brigando com ele novamente por causa dessas coisas…

— Vai dar tudo certo, Nagi! Deixe as coisas seguirem seu ritmo! – Rhythm animou-se – Por que você não aproveita para tomar um banho e se acalmar, hein? Aproveita que estamos numa onsen, e relaxa!

— Eu não sei quanto a vocês – Temari já ia seguindo pelo corredor – mas eu irei aproveitar as termas…

— Vão aproveitar vocês dois – Nagihiko encorajou, sorrindo para Rhythm – Eu ficarei bem…

Assentindo para o dono, os Charas continuaram a voar por aí, divertindo-se mais na excursão do que o próprio Nagihiko, muito provavelmente. Ele resolveu arrumar outra coisa para distrair a mente, e de volta ao seu quarto, pegou o livro que estava lendo no momento. Pensou em talvez se acomodar ali no cômodo mesmo, para evitar ser importunado pelas outras garotas por algum tempo, já que não havia ninguém ali. Como era uma viagem de escola, ele estaria dividindo o quarto com mais três colegas. Um deles era Hideyoshi, mas os outros dois Nagihiko ainda não tivera chance de conversar, e provavelmente nem teria, já que nenhum garoto da sua sala ia com a cara dele.

Nagihiko resolveu afinal acomodar-se na varanda ao lado de fora, onde teria uma bela vista das montanhas ao longe. Antes de começar a ler, porém, a porta do quarto abriu-se novamente, e por ela entraram os dois garotos que dividiriam o quarto com ele.

Eles não podiam ver Nagihiko de onde ele estava, e nem ele se atreveu a anunciar sua presença. Os dois garotos pareciam ter vindo apenas para pegar alguma coisa, e talvez saíssem logo. Eles eram barulhentos, e falavam alto.

— Droga, você viu aquilo? Ela estava toda animadinha, falando daquele Fujisaki. Eu não aguento mais isso! – o primeiro garoto, que Nagihiko enxergou pela fresta, estava ajoelhado em frente a sua mala, procurando por algo. Tinha cabelos negros e curtos, e usava óculos de armação vermelha. Vestia o mesmo yukata que todos os outros.

— Calma, cara… — o segundo tinha cabelo pintado de castanho mais claro, e todo arrepiado com gel. Estava despreocupadamente bagunçando ainda mais os cabelos, enquanto falava bem mais alto – Todas as garotas estão assim por ele, mas você sabe daqueles boatos, não é? Sobre ele gostar de outros caras…

— Será que é mesmo verdade? – o primeiro arqueou a sobrancelha, parando de procurar o que quer que fosse para sentar para trás e olhar para o amigo – Ele vai dividir o quarto com a gente, não é? E aquele primo dele da outra turma, também…

— Eu ouvi que ele ‘tava se pegando com outro garoto no banheiro, durante um show… — o loiro fez cara de desprezo – ‘Tô até com medo de dormir com ele aqui, vai que… sei lá… — ele balançou a cabeça, certamente não gostando nada do que quer que tivesse imaginado. Nagihiko cerrou os dentes. Aquele garoto estava o irritando, e além do mais, se boatos como aqueles continuavam rolando por aí, não seria nada bom.

— Para com isso, Yonezou! – o garoto de óculos reclamou – Você nem sabe se isso é mesmo verdade, pra começar. E se ele tem mesmo um namorado… bom, melhor assim mesmo, ele deveria era sair de perto de Kimiko-san de qualquer forma!

— Ah, você só está com ciúmes dela, não é Sakuraga? – o loiro provocou, e o outro chamado Sakuraga corou furiosamente, desviando o rosto.

— T-talvez. V-você sabe que eu gosto dela desde o fundamental… — ele remexeu na mala, tentando disfarçar.

— Então por que nunca chamou ela pra sair? Isso que eu não entendo!

— Não é tão simples assim! Eu… eu gosto mesmo dela… mas nós somos amigos… eu não quero estragar tudo. – ele baixou a voz. Nagihiko achava que não deveria ficar ouvindo a conversa alheia dessa forma, mas ele sabia muito bem como aquele garoto deveria estar e sentindo nesse momento, e por isso, não podia deixar de se identificar com a história dele. – Eu até poderia me declarar, mas… agora ela só quer saber desse Fujisaki, e tudo mais!

— Então arruma outra garota, ué! Tem tantas por aí…

— Ah, Yonezou… você nunca vai entender… — ao encontrar o que procurava na mala, Sakuraga levantou – Vamos, os outros estão esperando…

Assim que os dois saíram do quarto, deixando Nagihiko novamente a sós, com uma nova ideia se formando na sua mente. Se a história sobre Tadase continuava a ser comentada na escola, e fatalmente poderia cair nos ouvidos de quem não devia, então ele precisava fazer alguma coisa… Conquistar os garotos, da mesma forma que ele fazia com as garotas, estava fora de questão. Mas ele ainda poderia fazer isso de uma outra maneira… conquistando a amizade, ou a admiração, deles, então. Só precisava… do estímulo certo. E sabia exatamente como fazer isso.



~



Tadase parou em frente à redoma de vidro brilhante, e imediatamente, sentiu aquele sentimento saudosista e melancólico se espalhar pelo seu coração. Fazia três anos desde a última vez que vira aquele lugar de perto. De alguma maneira, ele parecia menor do que nas suas lembranças, mas isso deveria ser provavelmente por que ele crescera também.

Durante todo o tempo longe de Nagihiko, Tadase não teve coragem nem mesmo de passar pela rua onde ficava a escola. Mesmo quando seu tio pedia por ajuda, ou para treinar os novos guardiões, Tadase se manteve longe de Seiyo tanto quanto possível. Era uma tentativa de manter a dor das lembranças ao menos um pouco afastada, embora não fosse exatamente eficaz no fim das contas, pelo menos evitaria que ele começasse a chorar ou qualquer coisa assim a cada vez que fosse lá. Depois que Nagihiko retornara, porém, ele acabou voltando algumas vezes apenas, para conversar com o tio, e tomar chá com ele. Era reconfortante, então, ter um lugar familiar onde poderia relaxar.

Enquanto caminhava ao redor, pelo pátio, ele apenas tinha a mente voando para anos antes. Lembrava com exatidão de quando costumavam caçar batsu-tamas na escola. Ikuto e Utau eram inimigos, e eles lutavam contra a Easter, Nagihiko ainda se vestia como menina, Amu fazia o Chara Nari e purificava os ovos, e Tadase, infantilmente, achava que estava apaixonado por ela. Ele podia rir dessas coisas absurdas agora, mas… tanta coisa mudou nesse tempo… Tadase nem sabia reconhecer o seu eu daquela época. Realmente houve um tempo em que ele não foi apaixonado por Nagihiko? Isso era tão inconcebível que ele não conseguia nem mesmo recordar da sensação. Não amar Nagihiko era algo impossível sequer de imaginar, quanto mais de sentir.

Inundado pelas lembranças que tinha em cada lugar, Tadase lentamente encaminhou-se até o Royal Garden, e enfim, respirou fundo antes de entrar, sentindo o coração acelerando apenas com isso. Abriu a porta lentamente, com a chave que ainda mantinha como um tesouro guardado, mesmo depois de tantos anos.

A luz forte do sol que vinha pelo telhado de vidro refletia e propagava o brilho por todos os lados, iluminando cada planta e cada flor da estufa. A mesa branca e redonda ainda estava ali, no lugar de destaque. Em sua mente, Tadase conseguia visualizar todo mundo, cada um em seu lugar.

O cheiro de chá e das comidas gostosas que Nadeshiko sempre trazia, Tadase conseguia senti-los, até mesmo. Yaya reclamando de ter que ler tantos documentos, Kukai rindo e falando alto, Amu desculpando-se por mais um atraso, Rima lendo seu mangá de comédia escondida, Kairi tentando fazer alguém trabalhar, para variar. E, ao seu lado, Nagihiko. Sorrindo como sempre. Apoiando-o, ajudando-o… apenas estando ali, Nagihiko era tudo o que ele precisava. Tadase sentiu que poderia chorar.

Sentia tanto a falta dele. Não somente no tempo em que ele ficou longe, em todo momento, estava sempre sentindo falta dele. Sentia saudades de quando podia vê-lo a qualquer hora que quisesse, e todos os dias, na escola. A segurança de saber que ele estaria no Royal Garden no fim da aula, e que eles poderiam ir para casa juntos. A tranquilidade de apenas poder ir visita-lo na casa dele quando queria, sem ter que se preocupar com o que as pessoas pensariam daquilo.

Sentando em um dos degraus que levava até a mesa de reuniões, Tadase abraçou as próprias pernas, e escondeu o rosto. Não adiantava pensar nisso agora, esse tempo jamais retornaria. Ele aproveitou enquanto pode, o que deveria fazer nesse instante, era crescer, e enfrentar os novos problemas que apareciam, sem trégua, a sua frente. Lamentar não faria nada mudar. Ficar se preocupando também não.

Mesmo tendo isso em mente, Tadase não conseguia fazer sua cabeça parar de ficar girando ao redor do mesmo assunto. Havia sido por isso, inclusive, que ele viera até Seiyo. Cansado de ficar imaginando um milhão de cenários, um mais incrível e fantasioso do que o outro, sobre as várias formas que Nagihiko podia traí-lo, ou descobrir que estava cansado dele, ou ainda resolver fugir… Nenhuma ligação, nenhuma mensagem, nada! Como é que ele poderia se acalmar, dessa forma?

Tadase resolveu distrair sua cabeça com outra coisa, e marcou uma visita ao seu tio, para tomar chá e conversar, na escola. Claro que aquele pequeno tour às instalações do lugar onde ele havia conhecido Nagihiko, e passado boa parte da sua vida com ele, não estava ajudando no sentido de fazê-lo parar de pensar no garoto… mas pelo menos, agora eram as lembranças, e não a sua imaginação ridiculamente fértil, que trabalhavam.

Nagihiko sempre fora tão lindo, tão cheio de qualidades… e obviamente, sempre tivera uma penca de fãs – fosse a sua forma natural, ou como Nadeshiko. Tadase deveria ter se acostumado. Mas como é que ele se acostumaria a ter um monte de garotas escandalosas e atrevidas esfregando-se no seu namorado, como se isso fosse algo apenas esperado, e ainda, acima de tudo, não poder fazer absolutamente nada para pará-las, por que supostamente, seu namoro deveria ser um segredo?

Isso era frustrante! Tadase se preocuparia menos com as admiradoras de Nagihiko se pudesse dizer a elas com todas as letras, que aquele era o seu namorado, somente seu, de mais ninguém. Por que é que, dentre tantas coisas, ele não era permitido ter apenas esse privilégio?

Erguendo-se do degrau e limpando a poeira das calças, Tadase resolveu seguir seu caminho. Abriu a passagem secreta pelo subterrâneo, notando com certa familiaridade que ela continuava tão escura como sempre. Descendo as escadas, e então tomando o rumo pelo corredor estreito, Tadase deixou de lado um pouco dos pensamentos depressivos que andara tendo, para prestar atenção no caminho. Aquela passagem em particular era cheia de bifurcações e caminhos alternativos, que levavam a outras dependências da escola, mas ele recordava bem que bastava continuar a seguir reto pelo corredor principal que chegaria ao escritório de Tsukasa. E bem quando estava pensando nisso, viu a escadaria que subia novamente, no seu destino final.

Empurrando a porta de madeira, ele viu um vislumbre de luz, e então, o tão conhecido escritório do diretor. E lá estava ele, com semblante de quem estava esperando por ele há algum tempo, e apenas sorriu ao ver o loiro, que estava a cada dia mais parecido com ele próprio, sair de trás da estante de livros, que camuflava a entrada oculta.

— Boa tarde, Tsukasa-san… — Tadase desejou cordialmente, tomando assento em frente a mesa do tio. Tão logo acomodou-se, uma fumegante xícara de chá de baunilha foi colocada a sua frente, e o aroma doce assaltou seus sentidos, fazendo-o relaxar quase que instantaneamente.

— Eu adoraria saber que motivo o trás aqui, depois de tantos anos sem que você tivesse vontade de visitar a escola… — Tsukasa ponderou – Embora eu tenha certamente uma ideia do que seja. Você quer conversar, não é? – ele sorriu, vendo que Tadase já não se surpreendia tão facilmente quando ele dizia exatamente aquilo o que ele estava pensando. Provavelmente tinha se acostumado às manias de vidente do tio.

— Eu queria conversar, tio, e também queria distrair um pouco a minha cabeça. – Tadase suspirou, tomando um pequeno gole do chá, e quase queimando a língua – Fujisaki-kun está viajando, e… eu apenas não consigo parar de me preocupar com ele. Estou começando a ficar irritado comigo mesmo, nem Kiseki aguenta mais ficar ao meu lado. Diz que a minha falta de confiança em mim mesmo o deixa com dores de cabeça. – ele baixou o olhar, envergonhado de dizer aquelas coisas – Eu estou com medo…

— Medo do quê exatamente, Tadase?

— Eu não sei! Medo que o Fujisaki-kun acabe conhecendo outra pessoa, mais interessante do que eu. Alguém que ele não precise passar por tantos problemas para ficar junto… talvez uma garota refinada e tradicional, como Nadeshiko era, que possa ser uma esposa digna da aprovação da Sra. Fujisaki. Ele pode perceber, a qualquer momento, o quão chato e problemático eu posso ser… e apenas decidir que existem pessoas melhores por aí, e que eu não valho o trabalho todo para ficar ao meu lado.

— Você tem assim tão pouca fé no Nagihiko-kun, Tadase? – Tsukasa desafiou, fazendo o garoto erguer a cabeça rapidamente.

— Não é isso! É claro que eu confio nele! – ele afirmou com certeza, pousando a xícara novamente na mesa – Mais até do que em mim mesmo!

— Talvez seja exatamente o ponto. – o mais velho sorriu compreensivo – Você deveria ser mais seguro de si, querido, e perceber que você é sim uma pessoa maravilhosa, gentil, altruísta e que qualquer um, mesmo Nagihiko-kun, tem apenas muita sorte de ter alguém como você em sua vida…

— T-tio… i-isso é… e-eu não sei como responder a isso… — Tadase corou furiosamente. Ser elogiado assim tão de repente já era uma surpresa, e a convicção que ele colocava naquela afirmação só o fazia sentir-se ainda mais constrangido.

— Apenas saiba que eu tenho muito orgulho da pessoa que você se tornou, Tadase – Tsukasa riu, e inclinou-se para frente, afagando a cabeça do sobrinho, como sempre costumava fazer desde que ele era um bebê – E o Nagihiko-kun também deve ter. Ele é apaixonado por você, afinal. Eu o conheço desde que ele veio estudar na nossa escola, e isso faz muito tempo, não é? Então, eu posso dizer com toda a certeza, que ele não é o tipo de garoto que se deixa levar por outras pessoas, ou que muda de opinião tão facilmente. Se fosse assim, ele teria acatado o que a mãe dele diz, não é?

— Bem, sim, mas…

— Não há motivos para vocês sentirem-se ansiosos ou inseguros, um pelo outro. O tempo já provou por si só, que o sentimento de vocês não é algo que pode simplesmente ser esquecido. Mesmo com os esforços dos pais de vocês dois em mantê-los separados, vocês ainda foram capazes de se encontrar de novo. E isso só fez com que os laços entre vocês ficassem cada vez mais fortes. É por isso que eu tenho certeza, de que nada mudará com apenas uma viagem de fim de semana.

— Eu sei de tudo isso… — Tadase absorveu mais um gole de chá, pensando em como se sentia patético ao ficar ruminando tanto aquelas ideias, depois de tudo o que Tsukasa disse – Mas não há como evitar. Eu sei que sou egoísta, ciumento, possessivo… não sou essa pessoa perfeita que as pessoas pensam que eu sou…

— Você pode ser tudo isso. Kiseki é assim, e ele nasceu de você. Esse é o seu verdadeiro eu. Mas eu não vejo nada de errado com ele, e sei que Nagihiko-kun também não vê. Ele ama você do jeito que você é, Tadase. Com seus defeitos, e com suas qualidades. Por que ninguém é perfeito. Humanos são passíveis de erros… e isso é apenas o que nós somos. Humanos que erram. O que você pode fazer é tentar superar seus medos, aprender com os seus erros, e apenas ir em frente.

— Mas… como é que eu faço isso, quando tudo ao nosso redor parece apenas estar se movendo para que dê errado? Eu me sinto mal, tendo que esconder que eu amo o Fujisaki-kun de todos… — ele ergueu um pouco a voz, e parecia prestes a começar a chorar – Eu queria apenas poder sair com ele na rua, sem me preocupar com ficar escondido… e poder dizer às pessoas que eu tenho sim uma pessoa que eu amo muito, e então apontar para o Fujisaki-kun, sorrindo com orgulho, por poder mostrar à elas a pessoa incrível que eu tenho na minha vida… — Ele riu sem nenhum humor, e as lágrimas apenas rolaram livres pelo seu rosto. A dor em seu peito aumentou a tal ponto que apenas segurar aquelas lágrimas seria um esforço descomunal, ele somente pode deixa-las saírem – Eu queria que ele pudesse visitar minha casa também, brincar com o Hotosaki, sair com ele e não ficar pensando no que aconteceria se minha mãe nos visse juntos. Guardar segredos é horrível, mentir é horrível… por que nós não podemos viver com a verdade? Nós não fizemos nada de errado!

— Eu sei disso, eu sei… — Tsukasa segurou a mão dele por cima da mesa, e parecia tomado pela mesma dor que o sobrinho sentia. Ele não podia fazer nada para ajudar, não estava ao alcance das suas mãos. Mas se ele pudesse fazer alguma coisa, qualquer coisa… — Escute, Tadase… eu sei que parece muito o que lidar, e que vocês dois são apenas jovens, que mal começaram suas vidas, e já tem tantos dilemas… mas isso tudo tem um propósito. E tenha em mente que cada obstáculo que vocês superam juntos, é um passo mais próximo da felicidade, que eu tenho certeza, está no futuro de vocês dois. Seja paciente, e não pense demais nesses problemas. Tudo dará certo…

— Como você pode ter tanta certeza disso, tio? – Tadase ergueu os olhos úmidos, cheios de incertezas e medos, apenas espelhando a alma de um adolescente, que como todos, não sabe com lidar com a vida. Os olhos experientes do mais velho, por outro lado, transmitiam a sabedoria de quem já passou por situações o suficiente para saber que nada acontece por acaso, e que tudo tem uma razão de ser.

— Eu apenas sei. – Tsukasa enxugou as lágrimas de Tadase, e o fitou com tanta compreensão e afeto, que ele não teve outra reação a não ser se acalmar – Confie em mim. E confie no Nagihiko-kun.

Tadase inflou o peito, cheio de esperanças renovadas e um novo ar de tranquilidade. Ter vindo até ali foi a decisão certa. E ele sabia que Tsukasa tinha toda a razão quando dizia que ele estava se preocupando por nada.

— Sim. Eu vou.

Notas finais
Yo, minna~ Shiroyuki desu! Pooois é, a viagem do Nagihiko está indo, e ele ainda não conseguiu sinal da sua operadora sem fronteiras (gente, quanta reclamação da tim!! sério que é tão ruim assim?) E o Tadase continua preocupado demais - mas pelo menos ele tem o Tsukasa pra acalmar ele... E agora, será que o plano do Nagihiko de conquistar a confiança também dos garotos da sua turma vai fazer os rumores sobre sua suposta aventura ilícita no banheiro ser esquecida? E se esses boatos cairem nos ouvidos da sua mãe, o que pode acontecer?? Aaah, e Tadase irá recuperar a confiança e parar de pensar besteiras?? Tudo isso e muito mais no próximo episódio... não, pera, capítulo! Com a Teffy-senpai! Otanoshimini!