Itsumo Yakusoku
19 Capítulo 19 - Sawakaze
Notas iniciais
Minhas memórias brincam em frente aos meus olhos
Como uma lanterna agitada
Infinitamente, inocentemente,
E tão brilhantemente.
Meus medos, minhas fraquezas
Tudo sai voando junto com a brisa refrescante.
Em frente...
Segurei a sua mão
A mais quente e suave.
Esperando alcançar
O fundo do seu coração.
Se você sorrir pra mim
E segurar minha mão de volta
Então eu nunca mais te soltarei.
Capítulo 19
~
Sawakaze
“… e então nós conversamos, e voltamos ao normal… Eu estou tão feliz por ter me entendido com o Hotori-kun. Sinto como se nossa relação tivesse avançado mais um pouco, agora”.
Nagihiko sorriu para si mesmo, enquanto escondia um pouco melhor o celular na classe. Estava conversando com Christopher, seu amigo da Inglaterra, e provavelmente, não deveria fazer isso na aula. Agora era meia-noite lá em Londres, pelo que ele lembrava, mas Chris não costumava dormir cedo, então isso não era um problema. E além disso, ele estava cheio de coisas para contar, sobre as semanas que se passaram.
“Que inveja de vocês dois. Sério, quando eu e o Jamie brigamos, às vezes ficamos dias sem nos vermos, e vocês ficam apenas algumas horas e já vão correndo fazer as pazes! Qual é o segredo?”
“Bem… eu não sei dizer. Eu sempre sei o que o Hotori-kun está pensando, e eu sabia que o que ele disse não tinha significado no momento, ele estava irritado, e eu também estava. Quando pensei melhor no assunto, só pude sair correndo atrás dele, para consertar as coisas…”.
“Ah, isso deve ser por que vocês são amigos de infância, e se conhecem melhor do que qualquer um. Você tem sorte de namorar seu melhor amigo. Às vezes eu acho que o Jamie fica tão distante… nunca sei o que fazer.”
“É diferente. Você e o Jamie-san podem sair livremente por aí, sem se preocupar com outras coisas, então é claro que alguma adversidade sempre ocorre. Eu e o Hotori-kun enfrentamos tantas dificuldades para poder ficar juntos… acho que isso nos faz mais unidos, como consequência.”
“Tem razão! E bem, não é como se as brigas fossem de todo ruim. A reconciliação é a melhor parte, hehehe… Ah, e também, é quando brigamos que o Jamie consegue escrever as melhores músicas.”
Nagihiko riu baixinho, começando a escrever sua resposta.
“Bem… nós combinamos de ir assistir a uma peça de teatro esse fim de semana, eu estou realmente ansioso para…”.
— Guarda o celular, Nagi! O professor está olhando! – Rhythm alertou. Ele estava vigiando para Nagihiko, e assim que o pequeno alertou, Nagihiko escondeu o aparelho de volta na mochila. Temari fitou os dois transgressores de regras com evidente repreensão no olhar, mas já estava cansada de dizer para os dois que isso não era certo.
— Fujisaki-kun, o que está fazendo? – o professor notou a movimentação na classe do fundo, e chamou por ele.
— Hai, sensei? – Nagihiko o fitou com inocência no olhar, e o professor pensou por um momento que fosse apenas sua imaginação.
— Algum problema?
— Absolutamente não. – Nagihiko sorriu, calmamente – O senhor falava sobre…
— A viagem escolar! – Temari soprou para ele, ainda que inconformada.
— A viagem escolar. – Nagihiko completou, sem deixar evidente a surpresa que sentia, já que não ouvira nada desde o início da aula sobre aquilo – Estou… muito ansioso por isso…
— Isso é ótimo – o professor pigarreou, e colocando as mãos nas costas, prosseguiu – Como eu ia dizendo… Todos os anos, nossa escola faz diferentes excursões com as turmas do primeiro, segundo e terceiro ano. Cada uma das séries vai para um lugar diferente, durante um fim de semana, a fim de aprofundar seus estudos e as relações amigáveis entre colegas, e entre aluno e professor. Esse ano, as turmas do primeiro ano irão para um Hotel de Fontes Termais… — algum tempo de comoção e de todos comentando entre si a notícia – e espero que tenham em mente a maneira como alunos do colegial devem se comportar…
O discurso do professor seguiu indefinidamente, mas Nagihiko parou de prestar atenção logo depois, suspirando pesadamente. Lá se ia o seu fim de semana perfeito com Tadase. Nagihiko não queria viajar com aquelas pessoas para lugar nenhum, e não queria, acima de qualquer coisa, passar o fim de semana inteiro longe de Tadase. Era o único tempo livre que ele tinha para passar com o namorado, e isso ainda era tirado dele? Eles nem haviam se visto direito depois de fazer as pazes, como é que Nagihiko ia dizer a ele que teria que viajar assim de repente, depois de toda aquela confusão entre eles ter se originado justamente pelos ciúmes e a falta que Tadase sentia dele?
— Ano nee, Fujisaki-sama… — a garota que sentava logo a frente dele chamou-o, e julgando pelos olhares raivosos dos garotos ao redor, ela devia ser bem popular. – Você vai ir à viagem, não é? – ela preparar seu melhor olhar inocente, querendo parecer interessada e fofa, mas Nagihiko sorriu maquinalmente, sem nem olhar direito para ela.
— Claro. – ele sorriu ainda mais abertamente, ao reparar que assim que soubesse que haveria uma viagem (por meio de Hideyoshi, evidentemente), sua mãe não iria aceitar desculpa nenhuma para que ele não fosse.
— Ah, vai ser tão divertido, poder estar com Fujisaki-sama em algum lugar bonito, longe da escola… — ela divagou, alegremente — Eu aposto como fontes termais combinam muito com você, desde que você tem essa aura tradicional, e tudo mais… Você gosta de termas, Fujisaki-sama? – ela indagou e momentaneamente, Nagihiko perdeu-se em pensamentos, lembrando-se da última vez em que fora a uma fonte termal.
Havia sido há pelo menos quatro anos atrás, talvez mais. Ele e Tadase nem namoravam ainda. Era ano novo… e eles haviam brigado… Não, eles haviam se beijado pela primeira vez, e Nagihiko viajara exatamente com o intuito de tirar Tadase da cabeça e esquecer de vez aquele amor platônico. Mas, Tadase havia ido para o mesmo hotel que ele… eles se acertaram, voltaram a ser amigos… e passaram o ano novo juntos naquele lugar.
— Sim, acho que gosto de termas… — ele sorriu mais sinceramente dessa vez, e ela voltou a olhar para frente, satisfeita. Apesar de o tempo que Nagihiko passou amando Tadase em segredo ser doloroso de se relembrar, ele valorizava essas recordações, também. Tudo o que vivera com Tadase, mesmo quando ele era apenas seu amigo, valera a pena, e ele não abriria mão de nenhuma dessas lembranças. Queria construir novas recordações, é claro, e viver cada dia intensamente, aproveitar sua juventude, ou qualquer coisa assim. Mas, só seria verdadeiramente feliz, se Tadase pudesse estar ao lado dele em cada momento da sua vida, afinal.
Como Nagihiko não prestou atenção no resto da aula, o tempo demorou a passar até a hora de finalmente poder ir embora. Depois de conversar brevemente com todas as garotas da sala, e obviamente o assunto principal era a viagem, ele conseguiu escapar para fora da sala, e encontrou Hideyoshi esperando-o ao lado da escada, lendo um livro.
— Ah, olá Nagihiko-kun. – ele guardou o livro assim que viu ele se aproximar – Você já deve estar sabendo, não é, da viagem?
— Sim, sim, estou… — ele respondeu automaticamente, começando a descer as escadas, e o primo o acompanhou de perto.
— Acho que será muito proveitoso. Eu nunca fui a uma Fonte Termal, mas… parece formidável. – ele sorriu – Mas então, você já fez a sua inscrição? – perguntou, iniciando o assunto.
— Inscrição do quê? – Nagihiko arqueou a sobrancelha. Tinha que se inscrever na tal viagem?
— Para o clube. De artes cênicas, da escola. Você não disse que ia entrar? – Hideyoshi repetiu, confuso com a falta de atenção do outro. Ele era sempre tão distraído… talvez fosse um mal de família.
— Ah, é! – Nagihiko finalmente se lembrou do que se tratava. Outra das suas mentiras, dessa vez, uma ideia genial para conseguir mais tempo com Tadase. Ele diria à sua mãe que entrou no clube de dança da escola, e então, poderia voltar para casa mais tarde e sair nos fins de semana, sem que ela se preocupasse em saber onde ele estava, ou colocar Hideyoshi para segui-lo. De quebra, ainda ganhava um voto de confiança dela. Era uma ideia brilhante.
— Sim, já fiz. Na hora do intervalo. Estou muito animado para isso. – Nagihiko sorriu, pensando no tempo extra que teria para passar com o namorado, e Hideyoshi pareceu realmente feliz por ele. Depois de morar por tanto tempo juntos na Inglaterra, Hideyoshi acostumou-se a ver o primo suspirando pelos cantos, sempre desmotivado, parecendo apenas cansado de tudo; porém, desde que retornaram ao Japão, ele parecia tão renovado, cheio de energia, entusiasmado… era bom ver isso, também.
Os dois se separaram logo que chegaram ao térreo, e Nagihiko alegou que tinha que ir para o seu primeiro dia no clube, seguindo para o lado das salas do prédio de trás, enquanto o primo rumava direto para casa. Nagihiko continuou andando, mesmo depois de passar pelo suposto lugar onde deveria ficar, e continuou até o portão dos fundos, que geralmente era reservado aos funcionários, saindo para a rua.
Ao sair de lá, ele passou em uma loja de conveniência para comprar vários lanches, e então seguiu rapidamente pelas ruas menores e mais afastadas, até o estúdio de dança da sua família, que ficava na direção completamente oposta a da sua casa. Quando chegou, a porta já estava aberta, e ele a trancou. Tadase já estava lá dentro, provavelmente, e havia entrado com a chave reserva que Nagi o dera, no dia em que planejaram aquele encontro.
Aquele era o local perfeito para se encontrarem, de fato. Ficava longe de ambas as casas, e ninguém mais usava aquele estúdio, desde que fora construído outro, maior e mais moderno, no centro da cidade. E, caso alguém aparecesse por ali, Nagihiko só precisava esconder Tadase em algum lugar e alegar que havia vindo ali para ensaiar sozinho e com calma. Era um plano livre de falhas, segundo a sua concepção. Ultimamente, ele andava cheio de boas ideias.
Subindo as escadas, um pouco mais animado com a expectativa de ver Tadase, ele foi até a sala de descanso do segundo andar, e abriu uma fresta da porta para espiar. Tadase já estava o esperando, como previra, distraído com a televisão ligada, sentado em um dos sofás. Parecia impaciente, e olhava no relógio de pulso a cada segundo. Ah, ele ficava tão fofo assim, que Nagihiko poderia ficar observando-o por horas e horas. Isso, claro, se ele não estivesse louco de vontade de tocá-lo e beijá-lo, também.
— Oi, Hotori-kun… — ele se anunciou, abrindo a porta finalmente, depois de ter o bastante de observação do rosto nervoso do loiro enquanto o esperava. Tadase pulou no mesmo lugar, assustado, e então sorriu ao vê-lo, correndo imediatamente na sua direção para recebê-lo. Pulou no pescoço dele de uma só vez, sem hesitar.
— Fujisaki-kun, senti tanta saudade… — ele murmurou, abafado pelo tecido do casaco de Nagihiko, agarrando-se a ele com força. Temari, Rhythm e Kiseki se encontraram, e desceram voando para o andar de baixo, acostumados a ter que sair dos locais para dar mais privacidade aos donos.
Nagihiko avançou alguns passos para colocar as compras na mesa, com Tadase ainda pendurado no seu pescoço, e então retribuiu o abraço, bem apertado. Beijou-o calmamente, sem se preocupar com nada. Aprofundou ainda mais o toque e enlaçou a cintura de Tadase possessivamente, roubando o seu fôlego, fazendo-o ficar tonto pela ação repentina.
— Eu também… — ele balbuciou ofegante, depois de se separar. Os dois sentaram juntos no sofá, e Tadase já foi logo olhando o que Nagihiko trouxera para comer. – Desculpe fazer você vir até aqui, quando provavelmente deve estar ocupado com o Conselho…
— Está tudo bem. – Tadase relevou – Eu adiantei ontem o que precisava ser feito hoje, então deixei o resto com a Amu-chan. Eu a compenso da próxima vez que ela quiser sair com o Sanjou-san. – ele riu, e Nagihiko passou a mão pelos fios dourados, afagando-o, incapaz de se manter longe dele por nem mais um segundo. Ele era tão fofo, e ainda falando daquela maneira, era apenas demais para ele aguentar. – Waa, você trouxe doces, Fujis… aah, ahn… n-não faça isso, eu estou…
Sem ter conseguido se conter, Nagihiko discretamente abrira um pouco a gravata de Tadase, provando a pele do pescoço dele com os lábios logo depois. O menor sobressaltou, sem conseguir resistir àquilo nem por um único segundo.
— Eu estava sentindo tanta falta de você hoje… mal podia esperar pelo fim da aula, para correr até aqui… — ele sussurrou no ouvido de Tadase, sabendo muito bem que quando deixava sua voz soar daquela maneira baixa e rouca, o deixava completamente arrepiado.
— E-eu também… s-saí mais cedo para poder vir até aqui… — Tadase confessou, enquanto se enlaçava em Nagihiko e deixava que ele prosseguisse com suas carícias – Mal podia esperar para… ah… ver você.
Nagihiko subiu os lábios, mordiscando a orelha de Tadase e fazendo-o gemer com vontade. Estava deliberadamente deixando de lado o assunto da viagem, quase esquecendo o assunto enquanto sua mente se perdia por inteiro em Tadase.
— Me desculpe por tê-lo feito esperar… — ele continuou, depositando vários beijos ao longo da face corada do menor.
— Eu não me importo… — Tadase sorriu, aconchegando-se ainda mais a ele. – Este lugar está tão cheio com a sua presença, que mesmo enquanto eu esperava sozinho, sentia como se você estivesse comigo… — ele baixou a voz, com os olhos doces, cheios de afeto, brilhando na direção do garoto. – Ah, enquanto eu assistia à TV, passou o comercial daquela peça que nós vamos ir ver fim de semana. Eu estou tão ansioso por isso…
— Bem, sobre isso… — Nagihiko percebeu que não podia mais adiar o assunto, e deitou para trás no sofá, acariciando as costas de Tadase com a mão. Apenas por aquele tom de voz comedido, Tadase sentiu que estavam vindo más notícias para frustrar seus planos.
— Você não vai poder ir? – ele indagou, com a voz inconformada fazendo-o parecer cinco anos mais novo. Nagihiko suspirou. Detestava ter que fazer Tadase sentir-se assim, mas não havia alternativa para ele.
— É uma viagem escolar. Minha mãe com certeza sabe sobre ela, e não há como eu enganá-la sobre isso. – Nagihiko abraçou Tadase, trazendo-o de encontro ao seu peito – Eu queria mesmo ir com você ver a peça, você sabe disso. Mas… não há nada que eu possa fazer.
— E-eu entendo… — Tadase não queria parecer novamente mimado e queixoso, e sabia muito bem que Nagihiko se esforçava ao máximo para conseguir tempo para eles dois, e nem sempre era possível. No entanto, ele não conseguia disfarçar sua frustração, e é claro que ficou chateado com isso.
— Você pode levar a Amu-chan ou outra pessoa, para não desperdiçar o ingresso. – Nagihiko sugeriu, pesaroso.
— Eu dou os ingressos para alguém que tenha quem levar. Não vai ser a mesma coisa assistir sem você, então eu prefiro nem ir. – Tadase balbuciou, desanimado. Nagihiko o abraçou com mais força.
— Você não vai ficar bravo comigo, não é? – arriscou, erguendo o rosto dele para ter um melhor vislumbre da sua expressão no momento. Os olhos dele estavam chorosos, e ele apertava os lábios em uma linha fina, tentando evitar que Nagihiko lesse seus pensamentos.
— Claro que não, não é culpa sua, afinal… — ele desviou o olhar, incomodado.
— Mas tem algo que está te perturbando, não é? Diga logo, o que é, Hotori-kun… — Nagihiko insistiu.
— Não é nada.
— Claro que é alguma coisa. Vamos, se você não disser, eu não tenho como saber o que te incomoda. Você quer acabar brigando por causa de bobagens como aquelas de novo? – Nagihiko pressionou, e Tadase aquiesceu, desistindo de tentar disfarçar.
— Aquelas garotas… elas vão ter que ir também, não é?
— Bem, elas fazem parte da minha turma, então, sim. – Nagihiko respondeu claramente, já prevendo que esse tipo de conversa viria a qualquer minuto.
— E você vai ter que ser gentil com elas, certo? Por causa do seu plano, e tudo mais… — ele prosseguiu, sem olhar diretamente para Nagihiko.
— Suponho que sim. Mas não é como se eu fosse ficar perto delas o tempo todo afinal. Meu primo vai estar lá também, então eu vou ficar com ele. Além disso, nós vamos para as fontes termais, e eu ficarei do lado dos meninos…
— Você vai para as termas? – Tadase ficou surpreso, e logo depois pálido. Seu rosto se contorceu, de irritação que ele era incapaz de conter por muito tempo – Se você for para as termas, as pessoas irão… tomar banho com você…
— Essa é a ideia. – ele concordou, e Tadase soltou o seu abraço, indignado por Nagihiko parecer tão calmo diante daquela situação.
— Mas… eles irão ver seu corpo!
— Eu ficarei do lado masculino, Hotori-kun, por isso…
— Não importa! – Ele o interrompeu — Você sabe muito bem que é capaz de atrair qualquer um, seja homem ou mulher! E eu não quero que nenhum deles veja o seu corpo! Ainda mais antes de mim! – ele bradou, inflando-se de um sentimento individualista e possessivo que desconhecia em si mesmo.
— Não há necessidade de ser tão fatalista, Hotori-kun. Além do mais, você já me viu muitas vezes antes, não é? – Nagihiko argumentou, e Tadase corou furiosamente ao ouvi-lo.
— M-mas… muito tempo se passou desde que isso aconteceu. E você cresceu… q-quero dizer, seu corpo está diferente do que costumava ser, eu imagino… — ele se atrapalhou com as palavras, corando até a ponta das orelhas – B-b-bem, não que eu imagine, quero dizer, eu até penso nisso, p-porém, n-não é bem isso… E depois de tanto tempo… bem, mesmo assim, eu ainda não quero que ninguém o veja… — a sua voz foi baixando até sumir, enquanto ele desejava poder ser invisível em horas como essa.
— Não precisa se preocupar, Hotori-kun – Nagihiko inclinou-se, colocando a mecha de cabelo loiro que caía no rosto do menor para atrás da orelha, e aproveitando para roçar os lábios nos dele, enquanto o segurava pela cintura com a mão livre. Sentiu Tadase relaxar nos seus braços, enquanto prosseguia com o seu método cem por cento eficaz de acalmar os nervos do seu Pequeno Rei. – Eu sou apenas seu¸ lembra? Seu, e somente seu, de mais ninguém. Sempre foi assim, não é? E sempre vai ser…
— Mas… e se…
— Shhh… Esqueça os “e se”. – ele abraçou Tadase com força, trazendo-o para o seu colo com facilidade. – Nada vai acontecer. Eu vou ir para aquele lugar chato, e vou ficar pensando em você o tempo inteiro. Vou ligar para você a cada segundo, e vou mandar mensagens, e você vai ficar tão cheio de mim que vai desligar o celular.
— Você vai me ligar mesmo? Promete? – ele perguntou, com voz fraca, apenas para confirmar.
— Vou, o tempo todo. E eu vou pensar em você o tempo todo. Até no banho, vou ficar imaginando que você está lá comigo, e que eu posso lavar as suas costas… — ele sorriu de lado, passando as mãos por toda a extensão das costas de Tadase, fazendo-o estremecer no seu colo.
— Não pense em besteiras, Fujisaki-kun! – Tadase o repreendeu, escondendo o rosto no seu pescoço, forçando-se a parar de se fantasiar naquela situação descrita.
— E sobre eu ter crescido… Bem, você só tinha que ter pedido, Hotori-kun, e eu mostraria tudo para você sem pensar duas vezes…
— Fujisaki-kun!!! N-não diga coisas assim tão facilmente! – Tadase o censurou, constrangido. Nagihiko ficou muito mais desinibido, desde que passou tanto tempo em um lugar estrangeiro, isso era certo. Mas não era como se Tadase não gostasse desse lado atrevido dele também.
— Claro que, em troca, eu vou querer ver esse seu lindo corpinho também… — ele invadiu com uma das mãos a camisa de Tadase, e ele arquejou, completamente indefeso.
— Ah, n-não toque… ahn… aí… — ele cerrou os olhos e mordeu os lábios, tentando se controlar.
— Você não vai mais ficar com ciúmes, então? – Nagihiko testou, deslizando a mão pela pele quente, das costas para o abdômen dele, fazendo-o ofegar enquanto segurava com força a gola do seu paletó.
— N-não. Eu confio em você… ah… — ele ofegou mais uma vez, perdendo rapidamente qualquer resquício de raciocínio.
— E vai esperar eu voltar, direitinho, sem pensar besteiras? – ele passou a língua pelo ouvido de Tadase, deslizando para o pescoço.
— E-eu vou.
— E vai me deixar ver o seu corpo crescido, também? – ele provocou, esperando que Tadase o repreendesse e dissesse para ele parar de agir como um pervertido.
— Sim, q-quando você quiser… — Tadase enlaçou o pescoço de Nagi, ajeitando-se no colo dele, e fitando-o com aqueles olhos de rubis derretidos, completamente enevoados e fora de foco.
A resposta pegou Nagihiko de surpresa, e ele apenas avançou os derradeiros centímetros, absolutamente inebriado pelo loiro, e selou novamente seus lábios, com voracidade. Deitou Tadase no sofá e colocando-se acima dele, cuidadosamente, voltou a beijá-lo. Ele era tão envolvente, e dizia aquelas coisas com facilidade, parecendo saber exatamente o que fazer para deixar Nagihiko ainda mais fora de controle. Nagihiko simplesmente não queria ficar longe dele, nem por um segundo sequer.
Sem hesitar nenhuma vez, Nagihiko começou a tirar o uniforme escolar de Tadase, e logo ele se encontrava somente com a camisa branca, aberta por inteiro, deixando à mostra a sua pele alva e delicada, que logo foi coberta por várias marcas de beijo, que Nagihiko não demorou em distribuir por toda a sua extensão. Ao sentir as mãos trêmulas de Tadase tentando afrouxar sua gravata enquanto ele o beijava, Nagihiko resolveu ajuda-lo, e tirou logo tudo de uma vez, voltando a deitar sobre Tadase, sem camisa.
O loiro passeou com a mão pelo abdômen definido de Nagihiko, o que era de certa forma uma novidade para ele. O corpo dele próprio certamente havia crescido um pouco naquele tempo, mas nada se comparava àquela pele firme e rija de Nagihiko, resultado de muitos exercícios, e a prática de dança.
Seus corpos se roçavam cada vez em um ritmo mais perigoso, e Tadase sentia que logo apenas beijá-lo e tocá-lo, ainda que daquela forma, já não seria mais o suficiente. Desceu os lábios avermelhados para o pescoço de Nagihiko, escondido pela cascata de cabelos escuros, e beijou o local, da mesma forma que costumava ser feito nele, de maneira que as marcas ficassem ali também. Se fossem ver o corpo do seu namorado, de uma maneira ou de outra, era melhor que ele deixasse bem claro a quem pertencia, afinal.
— Ah, Ho-hotori-kun… — Nagihiko gemeu de satisfação com o toque ousado, e seu corpo respondeu positivamente a isso também, animando-se ainda mais. Ele desceu a mão que segurava a cintura de Tadase, e acariciou de maneira nada discreta o traseiro de Tadase, por cima da calça.
— Aaaahhh, o que é isso? – Tadase balbuciou, surpreso.
— D-desculpa, acabei me empolgando – Nagihiko já ia tirando a mão do lugar, pensando que talvez tivesse indo longe demais, de novo, e assustado Tadase, mas surpreendendo-o mais uma vez, ele negou com a cabeça.
— Está tudo bem. – ele abraçou Nagihiko, passando a mão lentamente pelas suas costas esguias – Isso foi… bom… também…
— Hotori-kun…
Antes que mais qualquer coisa pudesse ser dita, um celular começou a tocar. Nagihiko praguejou em voz baixa, saindo de cima de Tadase para que ele pudesse correr e atender ao aparelho, que não parava de chamar.
— A-alô? – ele atendeu tremulamente, tão nervoso pela interrupção abrupta que nem se lembrou de ver quem é que estava ligando.
— Ah, Tadase, desculpa ligar assim… — A voz pertencia à Amu, e ela parecia aflita – Espero… não ter interrompido nada?
— O que aconteceu, Amu-chan? – Tadase respondeu com outra pergunta, evitando essa questão. Assim que percebeu que quem ligava era Amu, Nagihiko deslizou para o lado de Tadase, e começou a brincar com a camisa aberta dele, provocando-o.
— Aqueles documentos que você disse para a Rima anexar ao arquivo dos clubes, nós não estamos encontrando! E o Kukai precisa do orçamento do clube de baseball para comprar os equipamentos, mas nós não temos a sua assinatura neles, e nem nos do clube de futebol! E o clube de basquete e o de vôlei estão brigando aqui, por causa do uso da quadra… nenhum deles tem a permissão, e eu não sei o que fazer! – Amu falou tudo ao mesmo tempo, deixando Tadase tonto com todos aqueles problemas. Enquanto isso, Nagihiko desistiu de brincar com os botões da camisa de Tadase, e sentou atrás dele, mordiscando de leve a sua nuca, e abraçando-o por trás.
— Ah, não, F-fujisaki-k-kun…. – Tadase tapou o telefone para tentar afastar Nagihiko, mas é claro que não foi suficiente.
— E então, aquelas anotações do… ah…! E-eu… vocês estão no meio de algo aí, não é? Você não está nem me ouvindo… — Amu percebeu isso, e pareceu dividida entre o embaraço e a irritação por estar sendo ignorada.
— Não, não é isso! Isso é apenas… — Tadase não conseguiu terminar as suas desculpas esfarrapadas, por que Nagihiko tomou o celular dele antes disso.
— Ele já está a caminho, Amu-chan. – Nagihiko respondeu firmemente, e Tadase o fitou com surpresa.
— Desculpa atrapalhar. Eu sei que vocês já não têm tanto tempo juntos, e ainda assim… — Amu ficou sem jeito, e arrependida por ter ligado – É que tudo aconteceu ao mesmo tempo, e nós ficamos completamente sem direção quando o Tadase-kun não está…
— Eu sei disso. Também fico assim. – ele sorriu para Tadase, acariciando seus cabelos – Mas eu vou devolver o presidente de vocês, sem nenhum problema. Eu sei o quanto ele é necessário aí. Mas vou cobrar isso depois, ouviu bem?
— Como quiser, Nagihiko-kun! – Amu parecia aliviada – Você salvou o dia. Eu já estava ficando maluca aqui!
— Tudo bem. Tchau… — ele desligou, e então olhou para Tadase, com um sorriso calmo e afável no rosto.
— Está tudo bem mesmo? – Tadase insistiu, preocupado, começando a fechar a camisa rapidamente.
— Tudo ótimo. Eu sei que você é importante para o Conselho, então estou disposto a abrir mão de você para eles, mas só um pouquinho. Nós podemos nos ver depois que você acabar, ou ainda amanhã… Eu viajo na sexta, então temos até lá para aproveitar. Agora que temos esse lugar para nos encontrarmos, não há por que se preocupar, certo? Além do que, você não iria conseguir se concentrar aqui depois de ficar preocupado com o que estivesse acontecendo lá, não é?
— Ainda bem que você me entende, Fujisaki-kun… — ele sorriu, agradecido. Colocou a gravata no pescoço de qualquer jeito, e puxou o paletó e a mochila nas costas.
— Eu não posso leva-lo até lá, mas leve a comida que eu comprei, para todo mundo. – Nagihiko entregou as sacolas para Tadase – Diga que é um presente, por terem sido tão gentis em ligarem logo naquela hora. – ele sorriu, ironicamente. Tadase riu, aceitando a oferta.
— Me desculpe por isso, eu vou recompensá-lo outro dia…
— Eu cobrarei – ele piscou um olho.
— Sei que vai – Tadase se inclinou e depositou um singelo selinho nos lábios de Nagihiko, e então se afastou minimamente – Muito obrigado por entender… — ele o beijou mais uma vez, um pouco mais profundamente, antes de se afastar e correr pela porta afora. Sentia que talvez devesse deixar de lado os deveres de presidente, ao menos por um dia, e ficar ali, onde Nagihiko o esperava pacientemente, em cima do sofá. O fato de ele estar seminu era um estímulo a mais para Tadase desejar ardentemente ficar. Mas ele sabia o que precisava ser feito, e não deveria voltar atrás nessa decisão. Embora, lá no fundo… ele pensasse que talvez a decisão que parecia tão certa não fosse exatamente a melhor.
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