Itsumo Yakusoku
60 Capítulo 60 - Golden Time Lover
Notas iniciais
Eu não consigo me concentrar, o meu corpo ainda está hesitando
Se eu tremer, mesmo com meu controle a foto ficará tremida
Nem o Sol nem a Lua completam o meu jeito
"Mas eu ainda tenho que fazer isso", eu grito isso para mim mesmo
A situação é ruim, mas simplesmente fugir é covardia
Eu não tenho perspectivas, vou ter que conseguir isso com coragem
Enquanto a minha insitência me pressionar, eu procuro o meu destino de longe
O que eu preciso é de um pouco mais de orgulho
Esse é o doce da vitória?
Ou é o amargo da derrota?
É tudo uma possibilidade
Eu quero manipular o destino
Agarre o perfeito Momento de Ouro
Eu vou fazer um rosto inexpressivo com todas as minhas forças
Me arraste para um mundo de ilusão
Sair desse interminável jogo de pressão
E pular para a linha da vitória
Quanto mais? Quanto mais eu vou ter que pagar?
Do que mais eu terei que abrir mão?
Capítulo 60
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Golden Time Lover
— Tsukasa-san. Eu... — Tadase começou, meio incerto, embora já tivesse a decisão formada em sua cabeça. Tudo aquilo era informação demais de uma só vez e o deixara um tanto zonzo, mas ele já sabia qual seria sua resposta. Só não sabia como diria isso — Eu, bem… não vou dizer que entendo porque não seria verdade, mas imagino que deve ter sido muito difícil para o senhor passar por tudo isso, e ainda sustentar essa história durante todos esses anos. É só que… é muito informação junta de uma só vez, quero dizer... eu jamais imaginei... que tivesse sido por um motivo desses. Na verdade nunca nem parei pra pensar qual poderia ser o motivo de o senhor ter feito isso. Quero dizer, pelo que eu me lembro, o... tio que eu conheço... — o loiro fez uma pausa, estranhando como aquela frase soava um tanto sem nexo agora. Embora Tadase soubesse que o homem diante dele era seu pai, uma parte dele ainda parecia estar presa às memórias de sua infância, como Tsukasa sendo apenas o Diretor de Seiyo e seu tio — B-Bem, ele jamais seria capaz de abandonar uma criança indefesa que nem nasceu ainda, muito menos essa criança sendo seu próprio filho. Mas, agora... o senhor não é mais o meu tio, então essa linha de raciocínio parece não fazer mais sentido. No entanto, independente de o senhor ser ou não meu tio, eu acredito que não me enganei quanto ao caráter do homem que viveu junto comigo durante a maior parte da minha vida, o Diretor da Academia Seiyo. O Diretor de Seiyo possui um coração bondoso demais para abandonar uma criança que é seu próprio filho. E, se chegou ao ponto de ter que fazer isso... deve ser porque as cirscunstâncias eram realmente péssimas para ele e, provavelmente, para a criança também. Como eu falei antes, não vou dizer que te entendo, porque nunca estive numa situação assim para ter alguma noção de como é viver tal experiência… e, sinceramente, prefiro nunca estar… e também não sei dizer se essa foi a melhor decisão a se tomar, mas... como o senhor disse, não podemos mudar o passado, só podemos tentar melhorar o futuro. E uma das coisas que eu mais tenho certeza nessa vida é que... "o Tsukasa-san sempre tem razão" — ele concluiu, repetindo a frase que ele e os amigos costumavam dizer quase que diariamente na época em que eram Guardiões.
— Tadase… — Tsukasa chamou com a voz meio rouca, parecendo não conseguir acreditar na conclusão à qual ele tinha chegado — Então, com isso, você quer dizer…
— Eu já disse, não foi? "O Tsukasa-san sempre tem razão". Eu relamente não concordo e nem gosto disso, mas, se o senhor precisou chegar ao ponto de fazer uma coisa dessas... então é porque tinha suas razões. Eu mesmo já tomei muitas decisões e atitudes impulsivas para tentar manter a minha relação com o Nagihiko estável e segura. E, embora seja por um tipo de sentimento diferente... acho que, se pensar desse modo, posso entender um pouco o motivo de o senhor ter tomado decisões tão radicais. Eu agi impulsivamente e tomei várias decisões arriscadas e inconsequêntes numa tentativa de proteger alguém que amo e também o meu relacionamento com essa pessoa. Imagino que... o senhor deve ter feito algo parecido, eu acho... e, bem, ainda que eu não goste das decisões que o senhor tomou quando era mais jovem, não se pode mudar isso afinal. Mas eu também não vou ganhar nada te odiando e guardando rancor do senhor, que foi a pessoa da minha família quem mais me ajudou em tudo o que pôde… o senhor me ensinou sobre os Shugo Charas, como cuidar das tarefas de Guardiões… e mais tarde , a perceber os meus sentimentos pelo Nagihiko e como lidar com eles… me ajudou até mesmo a encobrir o nosso relacionamento, colocando tantas coisas em risco. Então… b-bem, vai ser meio difícil eu me acostumar com essa ideia de o senhor não ser mais meu tio, e sim, meu… p-pai… — ele desviuou os olhos do homem ao dizer pronunciar esta palavra, ainda achando aquela ideia surreal demais para ser verdade — Mas, independente, disso… bom, todo mundo merece uma segunda chance, não é? — ele voltou a encarar Tsukasa, sorrindo timidamente.
O mais velho arregalou os olhos arroxeados, parecendo custar a acreditar no que estava ouvindo, assim como Tadase reagira anteriormente. Ele havia cometido tantos erros, e repetido uma enorme e absurda mentira todo santo dia durante vários anos de sua vida, desde o nascimento de Tadase e tratando seu único filho como se fosse apenas o filho se sua irmã mais velha. Ele não tinha condições para criar Tadase quando ele nasceu, era verdade, mal havia se formado no ensino médio, como seria capaz de criar e sustentar uma criança? Ainda mais sendo do jeito que era, e da maneira como essa criança veio ao mundo... sempre pensou que, se Tadase soubesse dessa história, o odiaria para sempre. E, por mais que lhe doesse, sua cabeça lhe dizia que a melhor decisão a ser tomada era entregar Tadase para sua irmã, que já era casada e tinha condições muito melhores de criar um bebê, isso sem contar que há tempos ela queria ter um filho. Sim, sua cabeça pensava desse modo, mas seu coração lhe dizia que aquilo estava errado, que, se Tadase era filho dele, então era ele quem deveria criá-lo, e não Mizue. Mas agora, o estrago já estava feito... e, mesmo depois de tudo o que aconteceu, Tadase foi mesmo capaz de perdoá-lo por todos os erros que cometera.
Sentiu seus olhos começarem a arder ao tentar conter com as lágrimas que teimavam em tentar escorrer de seus olhos. O lábio inferior começou a tremer, mas ele pareceu não perceber. Ele fez um movimento involuntário com o braço mas parou no meio do caminho, parecendo se refrear no último instante. No entanto, poucos segundos depois, Tsukasa não conseguiu mais se controlar. Levantou-se da poltrona onde estava e cobriu rapidamente o espaço que o separava de Tadase, sufocando-o em um apertado abraço. O mais novo piscou, meio atordoado, até sentir lágrimas pingando nele, uma depois da outra. Aquilo devia ter sido mais difícil para Tsukasa do que ele imaginou. Manter uma farsa dessas durante tantos anos... não é qualquer um que aguentaria fazer isso.
Apesar de ainda estar meio sufocado, Tadase conseguiu mover um braço e retribuir ao abraço, embora não com tanta força. Ele realmente deveria ter percebido isso antes... era inegavelmente parecido com Tsukasa afinal. Mas Tadase sempre fora um tanto devagar em questões de relacionamentos e emoções, seria meio difícil ele perceber algo assim sozinho afinal. Ninguém nunca percebeu nada, por mais que aquele fato fosse óbvio e estivesse bem na cara de todo mundo, ninguém jamais notou... bem, mas isso já não importava mais. O que realmente era importante era: o que ele faria dali pra frente?
— Desculpe por isso… — Tsukasa murmurou ao soltá-lo do abraço, voltando a sentar-se em sua poltrona, evitando encará-lo — Eu não quero te pressionar, nem te forçar a nada, é só que... eu fiquei tão feliz que...
— Está tudo bem — o loiro o interrompeu — Desde pequeno, o senhor o foi um familiar de quem eu sempre gostei muito. E, embora tenham acontecido todas essas reviravoltas inesperadas... o senhor continua sendo um parente importante pra mim.
— Sim… eu… fico muito feliz em saber que você ainda pensa assim — Tsukasa respondeu, esfregando com força os olhos com o braço para acabar com as lágrimas incômodas, parecendo se recompor. Voltou a encarar Tadase, e acrescentou — Tadase, eu… soube que você está morando com o Ikuto-kun agora, não é?
— Ah, sim. Ikuto-niisan me deixou ficar na loja dele por uns tempos. Não tem como eu voltar para aquela casa depois de tudo o que a minha mã… err, do que "ela" disse… apesar de eu ainda ter deixado uma porção de coisas minhas por lá. As coisas da escola, minhas roupas… eu peguei algumas emprestado, mas vou precisar devolver uma hora… e também os meus sapatos, e… ah! — ele soltou uma exclamação ao recordar de algo muito mais importante do que roupas ou sapatos. Na verdade não se tratava de "algo", e sim de "alguém". Como pôde se esquecer dele?! — Hotosaki! Como pude não me lembrar dele antes?! — ele exclamou, pondo-se de pé num salto e começando a andar de um lado para o outro nervosamente — Céus, o pobrezinho deve estar passando fome, depois de todos esses dias ninguém deve ter se lembrado de cuidar dele… ai, será que ele está bem? Será que estão se lembrando de alimentá-lo? Não, eu duvido que esteja, ainda mais depois de tudo o que aconteceu… e ele foi presente do Nagihiko, ela jamais cuidaria dele… como eu pude me esquecer do Hotosaki, o pobrezinho deve estar morrendo!
— Acalme-se, Tadase, o Hotosaki não está morrendo, ele está perfeitamente saudável. Está apenas morrendo de saudades do dono dele, é claro — Tsukasa falou tranquilamente e, quando o mais novo o encarou sem entender, acrescentou — Pouco depois de você ter... bem, fugido de casa... eu falei brevemente com o Yui-san, e ele me deixou levar o cão. Como você mesmo disse, nem ele, e nem minha irmã tinham a menor condição de cuidar de um animal de estimação com tudo isso que está acontecendo... bem, resumindo, eu levei o Hotosaki até o meu apartamento. Ele está vivendo comigo agora.
— Tsukasa-san... o senhor realmente levou ele de lá? Está memso cuidando do Hotosaki? — o loiro indagou, finalmente parando de andar de um lado para o outro e encarando o mais velho.
— Bom, eu também não estava em melhores condições de cuidar de um animal de estimação com tudo isso que está acontecendo, mas... sim, eu o levei comigo. Por pior que eu estivesse, achei que o Hotosaki ficaria melhor comigo do que com a minha irmã... sem falar que olhar pra ele me tranquilizava um pouco. Me fazia lembrar de você. É engraçado como os cães parecem saber como confortar os seres humanos... principalmente quando pertencem a alguém que amamos. Mas o Hotosaki está com muitas saudades suas, Tadase, você deveria ir visitá-lo um dia desses. E talvez pudesse ficar uns tempos por lá também…
— O que disse? — o mais novo o interrompeu, sem conseguir acreditar no que ouvia.
— Ah, nada é só… só uma ideia absurda que me veio à cabeça de repente… — Tsukasa desviou os olhos dele, parecendo desconcertado — É só que… bem, sabendo que você está morando com o Ikuto-kun, eu fico mais aliviado, já que você está vivendo com alguém que se importa com você, e sei que está sendo bem cuidado, mas... bem, você não pode viver lá para sempre, e... tem um quarto vago no meu apartamento, então eu pensei...
— Está me chamando pra ir morar com o senhor?
— C-Como eu disse, foi só uma ideia… vou entender perfeitamente se você não quiser, é claro, eu devo estar sendo precipitado demais dizendo essas coisas… não precisa levar isso a sério, esqueça o que eu disse.
— Sério? Porque eu acho que pode ser uma boa ideia — Tadase interrompeu o gaguejar do homem, que o olhou um tanto perplexo, e acrescentou — Como o senhor disse, o Ikuto-niisan tem me ajudado bastante durante todo esse tempo, mas eu não posso viver lá pra sempre, não quero ser um incômodo para ele. E, fazendo isso, acho que talvez possa ser uma boa chance de… não sei… de recomeçar, eu acho.
— Tadase... está falando sério? — Tsukasa indagou, ainda perplexo, pondo-se de pé também.
— Bem, se não for um incômodo para o senhor eu ficar morando lá...
— Não, é claro que não! Fui eu que tive a ideia afinal! — o mais velho exclamou, mais do que feliz. Abraçou-o novamente, porém dessa vez sem chegar ao ponto de sufocá-lo — Obrigado… muito obrigado por me dar outra chance, meu filho.
— De nada… — Tadase o abraçou de volta, também sorrindo. pensou em chamá-lo de "pai", mas aquilo ainda parecia muito estranho para ele. Bem… talvez ainda fosse apenas cedo demais para isso, mas quem sabe um dia.
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— Yay~! Finalmente! Yaya não aguentava mais toda aquela situação tensa cheia de tristeza! Até que enfim tudo isso se resolveu!
Dois dias após o ocorrido, Tadase comunicara devidamente a todos os seus amigos sobre o seu reconciliamento com Tsukasa. Não ousou mencionar o convite inesperado do homem sobre chamá-lo para morar com ele, é claro, aquilo já seria demais, e Tadase tinha que admitir que até ele mesmo aidna estava um pouco atordoado com toda aquela série de acontecimentos, mas era realmente um alívio enorme ter feito as pazes com Tsukasa, ainda que a relação entre eles tivesse mudado tanto. Tadase sentia como se tivesse tirado várias toneladas de suas costas agora que voltara a se entender com seu tio… ou melhor, com seu "ex-tio". Ainda parecia um tanto surreal que Tsukasa fosse seu pai, apesar da evidente semelhança entre eles.
Agora, ele e todos os antigos Guardiões estavam reunidos mais uma vez no Royal Garden depois de anos sem ver aquele lugar, juntamente de Ikuto, Utau, Kyouharu, Nanami, Hideyoshi, e os amigos estrangeiros de Nagihiko, Jamie e Chris. Tadase tinha contado a novidade para eles, e agora todos comemoravam felizes, Yaya fazendo um estardalhaço maior do que o necessário, como sempre.
— Ah, Tadase, Yaya está tão feliz que essa briga chata de vocês finalmente acabou!- a ruiva gritava, agitando os braços escandalosamente.
— Estamos todos mais do que contentes, de verdade, Tadase-kun! — Amu exclamou, alteando a voz para ser ouvida apesar dos berros de Yaya.
— Realmente, era muito esquisito ver você brigado justo com o Tsukasa-san, cara! Mas fico feliz que vocês finalmente se entenderam! — Kukai exclamou sorrindo, bagunçando os cabelos do loiro.
— É uma notícia realmente ótima, mas... por que você não está comemorando junto com a gente, hein Nagi-kun? — Utau indagou para ele, estreitando os olhos desconfiada — Você deveria estar mais contente pelo seu namorado!
— Ah, é claro que eu estou feliz, mas... na verdade, eu já sabia sobre isso, então… — Nagihiko deixou a frase incompleta, coçando a cabeça sem graça.
— Ah, isso é injusto! — Amu bufou — Droga, por que você sempre fica sabendo das coisas antes da gente, hein?!
— Deve ser um dos privilégios de namorado ou coisa assim, suponho... então era sobre isso que você andou falando com ele até tarde da noite, Tadase? — Ikuto indagou retoricamente, mas o loiro confirmou mesmo assim.
— Você também já sabia, Ikuto?! E nem sequer contou pra sua única irmã, que injustiça! — Utau exclamou com cara de quem queria bater nele, enquanto Kyouharu tentava acalmá-la, apesar de estar rindo da cena.
— Ei, eu também só fiquei sabendo disso agora, assim como você! — Ikuto defendeu-se — Apenas reparei que o Tadase andava passando mais tempo no telefone do que o normal, mas não parei pra prestar atenção na conversa dele, como certas garotas fofoqueiras fazem.
— Mas ainda acho injusto que o Nagi tenha ficado sabendo disso antes da gente... — Yaya resmungou.
— É como ele disse, são privilégios de namorado — Jamie concordou com Ikuto, como se aquela fosse uma verdade absoluta. Antes de Tadase contar a novidade para todos, Nagihiko o tinha apresentado e explicado que ele era o namorado de Chris e que tinha vindo da Inglaterra para buscá-lo, e agora os dois tinham feito as pazes também.
— É assim que as coisas funcionam, dear— Chris acrescentou sorrindo.
— Yaya, ainda acha isso injusto... mas isso não importa agora! O importante mesmo é que o Tadase fez as pazes com o novo papai dele, e que o Jamie-kun foi incriiiivelmente romântico a ponto de vir lá da Europa buscar o amado dele e agora os dois estão juntos outra vez! Temos motivo em dobro pra comemorar! — ela fez um gesto amplo, com os braços sorrindo de orelha a orelha. Tadase remexeu-se inquieto ao ouvir a amiga se referindo a Tsukasa como seu pai, mesmo aquilo sendo verdade, mas não disse nada.
— Tudo bem que são bons motivos pra comemorar, mas... por que justo aqui, no Royal Garden? — Rima fez a pergunta para a qual a maioria ali queria saber a resposta.
— A ideia inicial era comemroar no meu apartamento, mas a Yaya insistiu que deveríamos festejar no Royal Garden, então... bem, aqui estamos — Utau respondeu sorrindo, dando de ombros.
— Mas é claro que tinha que ser aqui! — a ruiva acrescentou — Afinal, foi aqui no Royal Garden que tudo começou. Foi aqui que passamos vários anos de nossas vidas como Guardiões, onde o Tsukasa-san nos ajudou e explicou sobre todas aquelas tarefas difíceis e complicadas, e nos ensinou sobre… várias outras coisas… — ela olhou de esguelha para aqueles que desconheciam a existência de Shugo Charas, quase se esquecendo de que não podia mencioná-los diante deles — Tsukasa-san ensinou muitas coisas pra todos nós, principalmente para o Tadase nesse lugar, por isso que a comemoração tinha que ser aqui no Royal Garden!
— Yaya-chan... isso é realmente lindo — Nanami comentou, entre emocioanda e surpresa em ouvir palavras tão bonitas vindas justo da pessoa mais hiperativa que ela conhecia. Não fizera parte da infância de nenhum deles, nem nunca fora uma Guardiã, mas ainda assim não pôde deixar de ficar emocionada.
— Realmente... é bem raro ouvir algo tão bonito vindo justo de você — Rima concordou, também tocada com as palavras da amiga, e igualmente ou mais chocada do que Nanami.
— Ei, isso é ofensa ou elogio?! — a ruiva exclamou.
— É melhor considerar como elogio — Kukai falou sabiamente pois, assim como a ruiva, ele raramente recebia algum.
— Mas não tem problema a gente entrar aqui só pra comemorar? — Kairi indagou — Quero dizer, nós não somos mais Guardiões e nem estudamos mais aqui...
— Está tudo bem, Sanjou-kun, o Tsukasa-san nos deu permissão — Tadase o tranquilizou.
— Viu só, não tem problema! — Yaya acrescentou, sua voz retornando ao tom animado de sempre — Então tire essa cara de preocuparção do rosto e vamos festejar!
A comemoração em si não foi exatamente como as festas extravagantes que Yaya sempre preparava, pois nenhum deles sabia o motivo de terem sido chamados até ali, muito menos que teriam um motivo para comemorar depois disso. Apenas os poucos que já sabiam da novidade haviam levado um pouco de comida, apenas algumas besteiras, como biscoitos, sagadinhos e refrigerante. Mas não foi por isso que a balbúrdia que eles sempre faziam quando estavam todos reunidos deixou de acontecer. Todos começaram a conversar em pequenos grupos, rindo escandalosamente, mais relaxados e felizes agora que tinham recebido boas notícias depois de passarem tanto tempo apenas com problemas e preocupações assolando suas mentes. Chris e Jamie comentavam com Nagi como era incrível a escola onde ele tinha estudado quando era criança, Jamie comentando que desejava que sua escola primária tivesse sido legal assim também, enquanto Chris dizia que aquele lugar realmente parecia uma espécie de castelo de vidro. Chegou até a comentar que, com a aparência feminina de Nagihiko, ele poderia muito bem ser "a Rainha" de Tadase, começando a gargalhar logo em seguida, enquanto Jamie lhe repreendia sobre fazer esse tipo de piadas de mal gosto, embora também reprimisse uma risada. Nagihiko pensou em lhes contar a história sobre "Nadeshiko", porém antes que o fizesse, Tadase surgiu ao seu lado e pediu para falar um instante com Nagihiko em particular. Nagi levantou-se imediatamente e acompanhou o loiro, até que, quando chegaram em um canto mais afastado, o maior indagou:
— O que houve, Tadase? Você finalmente se entendeu com o Tsukasa-san, deve ter tirado um peso enorme das costas, então… ainda tem alguma coisa preocupando você, não tem? — ele perguntou astutamente.
— Não me preocupando na verdade… eu diria que estou mais… não sei… ansioso, ou inquieto, talvez… — o loiro respondeu encarando o chão, torcendo as mãos uma na outra nervosamente.
— O que foi que aconteceu?
— Ainda não aconteceu na verdade, mas… é que… o Tsukasa-san me convidou pra ir morar com ele, Nagihiko — Tadase respondeu depois de inspirar fundo, erguendo os olhos para encará-lo.
— É sério? — Nagi indagou, evidentemente surpreso, e Tadase assentiu — Puxa, isso é… bem inesperado… mas acho que é uma coisa boa, não é? E o que você respondeu?
— Eu disse que "sim", mas… acho que agora eu já não sei… — Tadase voltou a torcer as mãos uma na outra, nervoso — Quero dizer, eu realmente adorei a ideia de voltar a morar com ele, eu senti muito a falta do Tsukasa-san quando ele foi embora de casa... quero dizer... d-da casa onde eu morava antes... b-bem, mas de qualquer modo... agora as coisas são diferentes. Ele não é mais o meu tio Tsukasa-san. Ele é... é o meu pai. Não acho que as coisas mudariam muito na rotina do dia-a-dia na verdade, as coisas só devem ficar um pouco estranhas no começo, é claro, mas... e se não der certo? E se eu… me arrepender de ter aceitado ir morar com ele? Isso tudo é tão repentino…
— Eu duvido muito que isso vá acontecer, querido — Nagi disse tranquilamente, segurando o rosto do menor com uma das mãos para que este o encarasse nos olhos — Desde de criança que você sempre gostou de viver junto do Tsukasa-san, não é? Claro que não vai ser fácil no começo, nada é fácil. Isso sem falar que a relação de vocês mudou consideravelmente. Mas, se eu estivesse no seu lugar... acho que gostaria ao menos de tentar. Ou você se arrependeu de ter aceitado o convite e não quer mais ir morar com ele?
— Não, claro que não! — o loiro apressou-se a dizer — É claro que eu gostaria de voltar a morar com ele, realmente eu sempre gostei de viver junto do Tsukasa-san… e eu não posso incomodar o Ikuto-niisan para sempre, eu já fiquei tempo demais na loja dele… mas é que… quando o Tsukasa-san e eu conversamos, ele me chamou de "filho". Bem, isso é óbvio, eu sou mesmo filho dele no fim das contas, mas… eu acho que ainda não consigo fazer isso. Mesmo que seja verdade, ainda me parece um pouco estranha… a ideia de eu chamá-lo de "pai".
— Ah, então era isso... não acho que você deva se preocupar tanto com isso, Tadase. Pelo menos não por enquanto — Nagihiko soltou um suspiro, compreendo melhor as várias preocupações que assolavam a mente do namorado — Quero dizer, a relação que vocês terão de agora em diante... é completamente nova, e provavelmente estará meio instável no início, já que nenhum dos dois está realmente acostumado com tudo isso. Quero dizer, não é como se você tivesse que se mudar pra lá já chamando-o de pai logo no primeiro dia que vocês voltarem a conviver juntos. E eu também não acho que o Tsukasa-san queira te forçar a fazer algo que você não quer ou que não está pronto ainda... apenas deixe pra fazer isso quando você realmente sentir que ele é seu pai, quando realmente considerá-lo como sendo seu pai. Não precisa se forçar a fazer nada que você ainda não esteja preparado, apenas siga o seu próprio ritmo.
— Sim... é bem a sua cara dizer algo assim, Nagihiko — Tadase deixou escapar um sorriso — Você tem toda a razão. Obrigado, de verdade — ele segurou as mãos do namorado entre as suas, porém, antes que pudesse fazer algo mais do que isso, ouviu um berro estridente chamando-os.
— Ei, Nagi! Tadase! Deixem pra namorar depois e venham logo pra cá, vocês não vão querer perder essa! — a voz escandalosa de Yaya soou por todo o Royal Garden, e os dois não tiveram escolha além de voltar para junto dos outros depois desse chamado tão "sutil". Quando chegaram lá, viram que Utau e Jamie agora estavam em cima de um palco improvisado, o rapaz com uma guitarra nas mãos e a loira segurando um microfone, tirados sabe-se lá de onde — Utau-chi e Jamie-kun vão cantar juntos! Isso vai ser imperdível! — a ruiva exclamava, preparando a câmera que sempre trazia consigo para poder registrar aquele momento único.
— Ok, essa vai para o casal mais fofo que eu conheço, Tadase e Nagi-kun! — Utau apontou com a mão livre para os dois, sorrindo. Nagihiko sentiu seu coração dar um salto enquanto Tadase se encolhia um pouco ao seu lado, corando.
— E também para o amor da minha vida, Christopher! — Jamie acrescentou, apontando para Chris e dando uma piscadela, que levou as mãos ao rosto, tentando conter lágrimas antecipadas — Estão prontos? One, two, three, go!
I'm Alive
Nada do que eu digo dá certo,
Não consigo amar sem uma briga,
Ninguém sabe o meu nome,
Quando peço para fazer sol, chove.
Estou farta de perder tempo,
Mas nada muda em minha mente,
Não encontro a inspiração,
Eu me levanto e caio, mas…
Estou viva! Estou viva! Oh sim!
Entre o bem e o mal você irá me encontrar,
Buscando o paraíso.
Eu lutarei, e dormirei quando morrer,
Eu viverei minha vida, eu estou viva!
Quando eu estou entediada até a morte em casa,
Quando ele não pega o telefone,,
Quando estou presa em segundo lugar,
Aqueles lamentos, eu não posso apagar.
Só eu posso mudar o fim
Do filme na minha cabeça
Não há tempo para miséria,
Eu não sinto pena de mim.
Estou viva! Estou viva! Oh sim!
Entre o bem e o mal você irá me encontrar,
Buscando o paraíso.
Eu lutarei, e dormirei quando morrer,
Eu viverei minha vida, oh sim!
https://www.youtube.com/watch?v=TNOJrnPMz1U
É claro que quando a música terminou, toda a platéia fazia o maior escândalo, muitos aplaudindo e gritando, alguns assobiando, e os mais envolvidos, obviamente tocados com o gesto dos amigos. A música mal tinha chegado na metade e Chris já tinha sido levado pela emoção, e agora chorava incontrolavemente, com um enorme sorriso de alegria estampado no rosto. Nagihiko quase tinha se esquecido de como ele era sensível para essas coisas. Tadase também acabara se deixando levar pela emoção e agora chorava ao lado dele, ao mesmo tempo em que sorria e aplaudia a dupla inusitada. Até mesmo Nagihiko tinha ficado com lágrimas nos olhos após ouvir aquela canção. Era verdade... não importava o quanto os problemas fossem grandes, ou quantos deles existissem, não importava se as coisas não saíam conforme o planejado ou se alguma briga indesejada acabava acontecendo. O importante mesmo é que, enquanto estivessem vivos, sempre poderiam fazer as pazes e encontrar uma solução para seus problemas juntos. Não importa o quanto demore, um dia, com certeza... Nagihiko e Tadase conseguirão seguir o exemplo de Chris de Jamie, e largar tudo para trás se for preciso para serem um verdadeiro casal feliz.
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No dia seguinte, seria o último em que Christopher e Jamie permaneceriam no Japão. Eles deram um jeito de se despedirem de todos os amigos de Nagihiko, apesar dos horários das aulas da maioria deles, e no fim da tarde, Nagihiko os acompanhou até o aeroporto, junto com Tadase, que insistiu em ir com eles.
— Ah, é uma pena já termos que voltar… queria que pudéssemos passar mais tempo aqui, seus amigos são muito divertidos, Nagihiko — Chris lamentou — Mas estou contente por tê-lo visto de novo, estava com saudades.
— Também senti falta de vocês dois. Só não faça mais a mesma besteira de fugir pra outro país por causa de uma briga, ouviu, Chris? — Nagi respondeu em tom de reprovação, enquanto o amigo coçava atrás da cabeça sem graça — Afinal, vocês não podem desperdiçar a chance de ouro que têm de ficarem juntos como um verdadeiro casal.
— Você tem razão, Nagihiko — Jamie concordou — Vai ser difícil no começo, é claro, mas... daremos duro pra que dê tudo certo. E você não precisa ficar com essa cara, Tadase — ele acrescentou ao perceber uma expressão um tanto abatida na face do loiro — Demorou muito para que pudéssemos ter uma chance como essa, mas eu tenho certeza de que a hora de vocês também vai chegar um dia. Basta continuarem dando duro e lutando pelo amor que sentem um pelo outro, que um dia com certeza conseguirão ficar juntos como se deve também.
— Ahn, s-sim… arigatou, Jamie-san. Espero que você razão. E que não demore muito pra isso acontecer… — Tadase não pôde evitar de corar ao ouvir algo assim tão abertamente, mas ficou sinceramente feliz que mais pessoas apoiassem e torcessem para que o relacionamento deles dessem certo. Principalmente um casal como ele e Nagihiko... se Jamie e Chris haviam conseguido ficar juntos apesar de ambos serem homens, então ele e Nagihiko também deviam ter alguma chance afinal.
— Não desanime, Tadase, vai acabar acontecendo quando você menos esperar, eu aposto! Assim como aconteceu comigo — Chris exclamou, tentando animá-lo — Ah, e quando acontecer… vê se não comete o mesmo erro estúpido que eu cometi, tá? — ele acrescentou sem jeito.
— Realmente, não me assuste mais desse jeito, Chris! Você nem imagina o quando eu fiquei preocupado quando você sumiu — Jamie acrescentou em tom de reprovação, embora o abraçasse pela cintura
— Hai... pode deixar que não farei isso, Chris-san — Tadase garantiu sorrindo. Em seguida, ouviu-se uma voz feminina saindo do autofalante anunciando o vôo deles.
— Ah, é o nosso... precisamos ir agora — Chris começou a pegar suas malas.
— Me avisem quando chegarem lá. E mandem notícias de vez em quando, viu? — Nagihiko pediu — Foi realmente ótimo rever vocês, apareçam mais vezes.
— Você também, venha visitar a gente na Inglaterra quando puder, Nagi! — Chris pediu.
— Junto com o Tadase, é claro. Quando vocês tiverem enfim conseguido ultrapassar seus obstáculos, tentem aparecer por lá — Jamie acrescentou.
— É claro. Quando pudermos realmente ficar juntos... com certeza iremos visitar vocês — Tadase concordou, gostando da ideia, uma parte dele torcendo pra que isso aconcecesse logo.
A voz feminina tornou a anunciar a vôo deles pelo autofalante. Nagihiko deu um abraço de despedida em Chris e depois em Jamie, e Tadase fez o mesmo. Assim que terminaram de se despedir, os dois desapareceram pela porta de embarque. Nagihiko e Tadase ficaram lá até verem o avião decolar pela janela, e só então deixaram o aeroporto, caminhando sem pressa. Embora não tivessem conversado muito no caminho de volta, ambos estavam pensando na mesma coisa: Se um dia poderiam ser um casal de verdade como Jamie e Christopher, sem precisar esconder seu relacionamento do resto do mundo, e se ainda demoraria muito pra isso acontecer. Eles já haviam passado por tantas coisas, já tinham enfrentado tantas dificuldades... tudo o que os dois mais almejavam, há tantos anos que eles nem sabiam mais quando aquele desejo havia começado, era poder ficar um ao lado para o outro, sem precisar esconder seus sentimentos ninguém, sem temer serem descobertos. E os dois desejavam mais do que tudo que o dia em que isso aconteceria chegasse logo.
Na metade do caminho, Tadase disse que havia decidido se mudar de vez para a casa de Tsukasa, e que iria arrumar as poucas coisas que trouxera com ele (a maioria emprestado, na verdade), e que provavelmente iria pra lá no dia seguinte. Nagihiko insistiu em acompanhá-lo até a loja de Ikuto para garantir que ele chegasse bem, e depois voltou para casa sozinho.
Assim que chegou em casa, viu Hideyoshi descendo as escadas com pressa. Assim que o garoto avistou o primo, exclamou:
— Nagihiko-kun, tadaima! — ele parecia estranhamente mais animado do que o normal — Posso falar com você um instante?
— Okaeri… é claro, tudo bem — Nagihiko acompanhou o primo, que tornou a subir as escadas. Os dois pararam no meio do corredor, e o mais velho perguntou.
— Então eles já foram mesmo?
— Sim… o vôo do Chris e do Jamie saiu essa tarde, eu acabei de voltar do aeroporto.
— Entendo… eu queria ter ido me despedir também, mas… hum, tinha umas… c-coisas pra fazer. Mas o… — Hideyoshi olhou para os lados para ter certeza de que estavam sozinhos, e acrescentou mais baixo — O Tadase-kun foi junto, não é? E como ele está? Ele andou tão abatido nos últimos dias…
— Sim… depois de nos despedirmos do Jamie e do Chris, o Tadase me contou que vai mesmo morar com o Tsukasa-san. Ele disse que ia arrumar as coisas dele… ou melhor, o que ele conseguiu levar consigo, já que fugiu de casa com as roupas do corpo… bem, e parece que vai se mudar pra lá amanhã — Nagihiko contou, ainda estranhando toda aquela agitação do primo. Não via Hideyoshi assim tão feliz desde que… espere, não podia ser… — Hideyoshi-kun… por acaso está me fazendo esse monte de perguntas só pra enrolar com alguma coisa que quer me contar e não sabe como ou coisa assim? — ele indagou desconfiado.
— O que?! — a expressão do garoto mudou de animação para espanto — Como você… q-quero dizer, do que está falando?
— Bem, é que parece estar bastante animado do que o normal… aconteceu algo de bom com você?
— Ah… é tão óbvio assim? — Hideyoshi indagou, coçando atrás da cabeça sem graça.
— Bastante — Nagi respondeu — Então, o que foi que aconteceu?
— Bem, na verdade... eu queria ter ido me despedir do Christopher-san e do Jamie-san também, mas... eu tinha pedido um favor pra tia Kaoruko, então...
— Você pediu um favor pra minha mãe?! — Nagihiko o interrompeu, um tanto perplexo — Não consigo imaginar ela fazendo nenhum favor pra quem quer que seja... — ele acrescentou sinceramente, sem pensar muito no que dizia.
— B-Bem, eu entendo que você pense assim, mas... na verdade, o que eu pedi a ela era algo que a tia Kaoruko parece que gosta de fazer — Hideyoshi respondeu, começando a corar — Bem, você já deve saber disso, é claro, mas... com toda essa história do Tadase-san ser adotado, o noivado dele com a Nanami-san já não faz mais sentido nenhum. Depois que... bem, digamos que, quando a poeira baixou, os pais dele... ahn, quero dizer, os pais adotivos... b-bem, eles falaram com os pais da Nanami-san, e o noivado deles foi cancelado. Os pais dela não gostaram nada disso, muito menos do motivo pelo qual isso aconteceu, é claro... e disseram que iriam procurar outro noivo para a filha, alguém mais apropriado, e que fariam questão de investigar a vida da pessoa ou coisa assim, ao que parece... mas a Nanami-san falou com os pais dela sobre… b-bem, você sabe… — ele parecia corar mais e mais a cada palavra que gaguejava, embora não conseguisse tirar um sorriso meio bobo do rosto — B-Bem, resumindo… meio que aconteceu como você disse, Nagihiko-kun. Eu contei para a tia Kaoruko sobre a Nanami-san, e pedi a ajuda dela com isso... e por algum motivo ela pareceu gostar muito da ideia — ele comentou, não parecendo entender o porquê daquilo — Então ela conversou com os pais da Nanami-san hoje, enquanto você estava fora, e… b-bem… d-digamos que agora nós estamos n-noivos…
— Não acredito… puxa, isso é mesmo incrível! Parabéns Hideyoshi-kun! — ele abraçou o primo, um tanto abismado com aquela novidade, e sentindo uma mescla de felicidade pelo garoto e uma enorme surpresa por sua mãe ter sido realmente capaz de fazer algum Fujisaki feliz com uma decisão daquelas — Puxa, isso é fantástico! Mas é meio injusto… você começou a namorar depois de mim e vai se casar primeiro que eu! Logo você que sempre foi tão quietinho, hein seu danado! — ele provocou, soltando-o do abraço e agora baguçando os cabelos do mais velho, que corou ainda mais furiosamente, se é que isso era possível.
— E-Ei, não fale assim, Nagihiko-kun! T-Também não é como se nós fôssemos… n-nos c-c-ca-casar amanhã… q-quero dizer, nós nem terminamos o colégio ainda… a-além do mais, eu não…
— Ei, relaxa, eu só estou brincando — Nagihiko interrompeu o gaguejar dele, rindo do nervosismo habitual do garoto — Mas eu estou muito feliz por você, Hideyoshi-kun, de verdade.
— Então você ficou feliz com essa notícia, Nagihiko? É muito bom saber disso — uma voz fria de mulher pronunciou-se de repente, e quando Nagihiko se virou, deparou-se com sua mãe parada aos pés da escada. Por um momento preocupou-se com o quanto da conversa deles ela teria escutado, mas, se ela não estava fazendo nenhum escândalo nem lhe atirando sermões de súbito, provavelmente não tinha ouvido nada sobre Tadase.
— Okaa-san… — ele murmurou, um tanto surpreso, até que se virou para encará-la melhor, e acrescentou com mais firmeza — Mas é claro que sim. Hideyoshi-kun gosta da Nanami-san há bastante tempo, é claro que estou feliz em saber que os dois vão poder ficar juntos.
— Sim, tem razão… o Hideyoshi-kun tem muita sorte em poder ficar junto com a garota que ele ama — sua mãe concordou, enfatizando bastante a palavra "garota". Hideyoshi olhava nervoso do primo para a tia, e de volta para o primo, temendo que o que aconteceu entre ele e Nanami pudesse ter dado mais algum motivo para Kaoruko brigar com Nagihiko — Na verdade isso me fez pensar... o que acha de fazer um onmiai também, Nagihiko? Posso te arranjar ótimas pretendentes, você sabe.
— Não — o garoto respondeu mais rápido e com mais firmeza do que realmente pretendia, sendo tomado por um impulso.
— O que disse? — Kaoruko arqueou uma sobrancelha, amarrando a cara.
— Eu disse que não quero fazer um onmiai — Nagihiko repetiu, ainda com firmeza na voz. Já havia dito mesmo, e aquela era a verdade afinal. Não podia ficar preso a alguma garota escolhida por sua mãe que ele não amava… não agora que o casamento arranjado e sem sentido de Tadase havia finalmente ido pelo ares. Ele não podia ficar preso na mesma situação, de jeito nenhum. Eles já haviam enfrentado muitas dificuldades juntos... já tiveram problemas demais. Por quanto tempo mais ele teria que suportar aquela situação horrível que era a de não poder ficar ao lado a pessoa amada quando quisesse, e ainda ter que esconder seu relacionamento dos outros? O quanto mais ele teria que sofrer por causa disso? Ele só queria ser feliz ao lado da pessoa por quem se apaixonara desde sempre… será que era pedir muito?
— E por que não? — sua mãe insistiu, sua expressão se tornando cada vez mais severa — Por que você recusou tão depressa a ideia de fazer um onmiai, Nagihiko?
— Porque...
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