Notas iniciais
Negai - Perfume
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Acordei hoje cedo, com o vento batendo em meus cabelos
Coisas ao seu respeito vieram à minha frente, como uma nuvem a flutuar
O céu ficou mais distante, e a atmosfera mais fria
"O que você está sentindo?" Pensei comigo mesmo
Em breve, com um pouco de coragem
Tudo se tornará realidade, não é mesmo?


Capítulo 6


~


Negai


Era uma tarde de quarta-feira no Royal Garden. As meninas há tinham ido embora, pois combinaram de irem fazer compras juntas, deixando Nagihiko e Tadase sozinho. Enquanto conversavam, o Valete começou a fazer piadinhas sobre a altura do loiro, comentando sobre como ele desejava que Tadase ficasse pequeno e fofo, como era agora, para sempre. Nagi havia se esquecido completamente de que dia era aquele.


Sim, quarta-feira era o dia semanal em que as Tarefas do Valete eram realizadas. E, inevitavelmente, após seu último comentário sobre a altura desprovida do Rei, o mesmo entrou no Chara Change e, ao invés de ficar corado e constrangido com isso, como ficaria em seu estado normal, ele ficou absolutamente furioso.


– Está me chamando de baixinho, seu reles plebeu?!
— Ora, e não é verdade, Majestade? — Nagihiko rebateu após ter se recuperado da surpresa de ver Tadase entrar tão repentinamente no Chara Change
— Hunf... como se eu fosse mesmo assim tão baixo — Tadase retrucou, virando o rosto para o outro lado com irritação — Eu ainda vou crescer e ultrapassar você, Valete!
— Você não me ultrapassaria nem querendo, Majestade... é mais fácil você conseguir dominar o mundo do que ficar mais alto do que eu
— Pois saiba que eu pretendo fazer os dois! — Tadase bradou, voltando a encará-lo — E, nesse dia, me vingarei de todas as vezes que você me constrangeu e abusou do meu corpo!

– Eeeeuu, abusei do seu corpo?! — Nagi exclamou, fingindo-se de inocente — Ora, imagine, só fiz o que Vossa Majestade me ordenava... não é minha culpa se o senhor gosta tanto quando eu toco nesse seu lindo corpinho real... — ele continuou, andando ameaçadoramente na direção de Tadase — Se pensar bem, é o senhor que me usa como um brinquedinho sexual!
— N-Não ouse prosseguir!!! — Tadase gritou, recuando. Mesmo no Chara Change, ele não pôde evitar de corar violentamente — Como ousa dizer essas coisas do seu Rei, plebeu?!! Eu apenas faço uso do meu poder real, não é como se eu me aproveitasse de você indevidamente! Seu corpo e sua vida pertencem a mim, e somente a mim, Valete insolente, tenha isso em mente!
— Só estou dizendo a verdade, meu Rei... é você quem vive abusando do seu poder, e assim abusando de mim também! — Nagihiko rebateu, encurralando Tadase contra uma parede — Ou, por acaso... você está dizendo que só me ordena fazer essas coisas porque sou o seu Valete?
_ N-N-Não! Eu nunca... nunca... fiz nada disso! Olhe só, é você quem faz!!! — Tadase tentou defender-se, usando como exemplo a situação em que se encontrava agora
— Ah, é mesmo? — Nagihiko continuou, fazendo pouco caso desta última observação — Ou será que isso significa... que você também mandava o Souma-kun e o Sanjou-kun fazerem as mesmas coisas que faço com você, na época em que eles eram Valetes antes de mim? — ele indagou, encarando Tadase fixamente
— Claro que não, como ousa me acusar dessa maneira?! Acha que eu sou um Rei promíscuo? É claro que não, não diga esses absurdos! É óbvio que eu só deixo por que é você!!! — ele bradou, agitando os braços imperativamente

– Verdade? Está querendo dizer que eu sou especial, Majestade? — Nagi sorriu presunçosamente, deslizando os dedos pelo pescoço do loiro, indo até o tórax e o abdômen, só para provocá-lo
— Ahnhn... — Tadase não pôde evitar de gemer, ainda que contidamente — N-Não é como se você fosse... a pessoa mais
importante para mim no mundo inteiro, é claro que não, eu só... sou seu Rei, e você me deve obediência e fidelidade eternas! E p-pare de me t-tocar assim!!!
— Sim, é verdade... você é meu único e absoluto Rei. Eu sou inteiramente seu, Majestade... meu corpo, meu coração e minha alma pertencem à você — disse o Valete, inclinando a cabeça em uma breve e respeitosa reverência — Mas... tem certeza de que quer que eu pare? Você bem que parece estar gostando... — ele assoprou o pescoço de Tadase, lhe provocando novos arrepios
— A-Acho bom mesmo que você pense assi... — Tadase começou a dizer, porém não conseguiu concluir a frase diante das investidas do mais alto — Aaaah... e-eu... eu... não sou um Rei promíscuo, já disse, não pense que pode fazer o que quiser com o meu corpo, não é como se eu gostasse ou qualquer coisa assim! — ele exclamou, tentando conter seus gemidos, bem como se desvencilhar de Nagi e se afastar
— É claro que o senhor não é promíscuo, afinal, o senhor só faz esse tipo de coisa com uma única pessoa, e não com várias pessoas diferentes, não é? — Nagihiko respondeu, sussurrando sedutoramente no ouvido de Tadase, enquanto o prensava contra a parede, aproximando mais seus corpos — Ou será que... estou enganado?
— N-Não! É só... só com você... que me sinto assim! Ou está pensando que eu sou um Rei infiel, Valete?! — Tadase bradou, ofendido
— Bom saber... fico feliz em ouvir isso, Majestade. Que você é meu, e apenas meu Rei... — ele subiu um pouco mais a boca, mordiscando o lóbulo da orelha de Tadase para provocá-lo, enquanto o abraçava com força pela cintura. Ouviu Tadase deixar escapar outro gemido contido, e não pôde evitar de sorrir presunçosamente de novo. Soltou a orelha do menor, e
começou a aproximar a boca, dessa vez dos lábios rosados do loiro. Tadase engoliu em seco, e pensou em tentar se afastar, porém seu corpo não obedecia. Nagihiko aproximou-se mais, à centímetros do rosto corado ele... seus lábios estavam prestes a se tocar, quando de repente...


TRRRRRRIIIIIIIIIIIIIIIIIIMMMMMMMMM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Hotori Tadase sentou-se bruscamente na cama, ofegante, o rosto inteiramente corado e pingando suór. As imagens dele e de Nagihiko no Royal Garden ainda giravam em sua cabeça, e levou alguns segundos para ele perceber que se tratava apenas de um sonho. Quando percebeu que o barulho que o acordara, justamente na melhor parte, vinha do despertador em cima de sua cômoda, ele o agarrou com uma das mãos e o jogou bruscamente contra a parede, fazendo ele parar de apitar, e consequentemente também quebrando-o. Sabia que levaria uma bronca por isso depois, mas não se importava nem um pouco com isso agora.


— O que foi esse barulho, Tadase...? — Kiseki perguntou sonolento, colocando a cabecinha pra fora de seu ovo para saber o que o despertara — Ei, por que você quebrou o despertador?
— Porque ele me acordou
— Mas não é pra isso que os despertadores servem? — o Chara indagou, sonolento e confuso
— É que eu não queria... ter acordado logo agora — o loiro retrucou, virando o rosto para o lado, frustrado. Já era um costume para ele sonhar todas as noites com Nagihiko, e com a época em que os dois ainda estavam juntos, e passavam seus dias no Royal Garden, mas já fazia tempo desde que ele tinha um sonho tão... intenso. Ainda podia sentir os toque provocantes do maior em seu corpo, e lembrava-se perfeitamente da sensação de Nagihiko roçando seus lábios nos dele, dos beijos cálidos de Nagi... porém, gostaria de tê-los sentido mais uma vez, mesmo que em sonho.


— Droga... tudo culpa desse despertador idiota! — Tadase exclamou, de um jeito terrivelmente infantil e mimado. Ainda era cedo, porém ele tinha perdido completamente o sono depois de ter tido um sonho daqueles. Sem outra escolha a não ser levantar de vez, ele saltou de uma vez da cama, trocou o pijama pelo uniforme escolar, e abriu a janela do quarto. O vento soprava forte lá fora, fazendo seus cabelos loiros esvoaçarem para trás. O sol brilhava forte também, no entanto, a atmosfera ainda parecia fria sem a presença "dele". Sem nem mesmo perceber, seus pensamentos voaram na direção de Nagihiko, e ele terminou lentamente de se preparar para a escola, enquanto ainda pensava no que o maior estaria fazendo naquele momento. Será que estava pensando nele, assim como Tadase estava fazendo agora? O que será que Nagi sentia agora? Tudo levava a crer que Nagihiko ainda o amava, porém havia tantos obstáculos entre eles agora... suas mães, seus pais, Nanami, e agora aquele primo de Nagi, o garoto Hideyoshi, que parecia ter vindo da Inglaterra apenas para vigiá-lo e impedir que Nagihiko se aproximasse dele. A única coisa que Tadase realmente queria, seu único desejo, era poder ficar com Nagihiko novamente, e estava disposto a fazer qualquer coisa para consegui-lo. É claro que não seria nada fácil, eles precisariam enfrentar muitos obstáculos e ter muita coragem para conseguir fazê-lo... mas, um dia, eles conseguiriam fazê-lo... não é?


— Você sonhou com ele de novo, Tadase? — Kiseki indagou de repente, despertando o dono de seus pensamentos. Ele já tinha saído de seu ovo, e agora flutuava no ar, observando o loiro com atenção, aparentemente já há algum tempo, sem que ele percebesse
— O que?! — Tadase virou-se bruscamente para o Reizinho, meio espantado, enquanto penteava os cabelos — Ah... sim — ele confirmou ao perceber do que Kiseki falava. Sentiu seu rosto voltar a esquentar com aquela confissão, mas não havia como negar isso afinal — Meio que virou um hábito eu sonhar com ele, mas... dessa vez o sonho foi um pouco mais... — ele fez uma pausa, pensando em qual palavra deveria usar para descrever aquilo — Foi mais... ahn... longo do que o normal — ele concluiu por fim, o que não era exatamente uma mentira
— "Mais longo", sei... — Kiseki repetiu, meio descrente — Não sei porque tenho a impressão de que foi muito mais do que apenas um sonho longo, mas não quero entrar em detalhes sobre isso — ele desviou o rosto do dono, um tanto embaraçado — O que você vai fazer agora, Tadase? Se aquele garoto ainda sente o mesmo por você... e, ele ainda é seu Valete, afinal... bem, você não pode simplesmente deixar as coisas como estão, principalmente agora que ele finalmente voltou ao Japão!
— Sei disso, Kiseki — seu dono respondeu, baixando os olhos — Por enquanto, estou feliz em apenas poder vê-lo de novo e poder conversar com ele outra vez, como quando éramos apenas amigos, mas... sei que não posso me contentar apenas com isso. Eu não quero apenas voltar a ser só "amigo" dele... quero ser mais do que isso. No entanto, há tantos obstáculos no caminho, que eu não tenho a menor idéia do que fazer... claro que estou disposto a fazer o que for preciso pra ficar com o Fujisaki-kun de novo, mas... não sei nem por onde começar... sem falar que, se os pais dele perceberem, e o obrigarem a viajar para um país distante de novo, eu não poderei fazer nada... eu não quero cometer o mesmo erro duas vezes, entende?
— Até entendo o seu ponto de vista, mas você não pode deixar as coisas como estão — seu Chara respondeu — Se é esse caminho que você decidiu seguir, e se aquele Valete é a pessoa que você escolheu para ficar ao seu lado, então você deve lutar por essa pessoa com todas as suas forças! — ele bradou, tão decidido e entusiasmado quanto quando falava sobre dominar o mundo — No entanto, concordo com a parte sobre não cometer o mesmo erro duas vezes... e é por isso mesmo que eu acho que você deve planejar bem como fazer as coisas antes de tomar qualquer decisão ou atitude precipitada. Mas você não pode desistir da pessoa que você escolheu para amar, ouviu bem, Tadase?
— É claro... disso, você pode ter certeza. Eu não vou desistir dele nunca, Kiseki.


Depois de ter terminado de se arrumar e de tomar o café da manhã, levou uma bronca de sua mãe por ter quebrado o despertador, como já esperava, mas não se importou com isso. Aquilo não era nada, se comparado às coisas absurdas que ela fazia para mantê-lo afastado de Nagihiko, como aquele noivado ridículo com uma garota que ele mal suportava, por exemplo. E, como já estava virando costume, ele encontrou Nanami assim que mal tinha saído de casa, e os dois seguiram para a escola juntos, sem conversar muito. E também, assim como havia acontecido alguns dias atrás, encontraram Nagihiko e Hideyoshi no caminho. Já era muito normal Tadase corar ao simplesmente ver Nagihiko, só que, dessa vez, por causa daquele sonho embaraçoso, seu rosto tinha ficado inteiramente rubro, tanto ou mais do que seus olhos escarlates.


— Ohayou, Tadase-kun, e... etto... Nanami-chan, certo? — Hideyoshi cumprimentou primeiro, sorrindo educadamente
— O-O-Ohayou... — Nanami também cumprimentou antes, corando instantaneamente assim que seus olhos bateram em Nagihiko, e se escondendo um pouco atrás do "noivo"
— O-Ohayou gozaimasu, Fujisaki-kun... Hideyoshi-san — Tadase esforçou-se em responder também, sem coragem para encarar Nagihiko nos olhos depois daquele sonho embaraçoso, embora realmente quisesse ver o rosto do "ex-namorado" mais uma vez. Aquele sonho tinha sido tão vergonhoso, e as imagens cismavam em voltar a girar em sua mente assim que ele bateu os olhos no mais alto, contra sua vontade. Porém, por mais indecente e constrangedor que aquele sonho tenha sido... no fundo, ele sabia que era isso que realmente desejava. Poder sentir o toque de Nagi mais uma vez em seu corpo, poder abraçar e tocar livremente a pessoa que tanto amava... no entanto, por algum motivo, o fato de ter percebido isso apenas deixava tudo ainda mais constrangedor, e seu rosto se avermelhou ainda mais, se é que isso era possível
— Ohayou, Hotori-kun, Nanami-san — Nagihiko respondeu, sorrindo um pouco melancólico. Reparou que o loiro estava mais enrubescido do que o normal, e ele parecia tão envergonhado que poderia muito bem tentar esconder a cabeça em um buraco qualquer como um avestruz ou coisa parecida, mas tinha uma idéia de qual seria um motivo disso. Perguntou à si mesmo se Tadase teria sonhado com ele, ou se estava pensando nele durante aquela manhã, na época em que os dois namoravam, e se essa seria a causa de ele ter enrubescido tanto ao encontrá-lo de repente... e não pôde evitar de sentir uma pontinha de felicidade e presunção com isso
— Ei, você está bem, Tadase-kun?! — Hideyoshi indagou de repente, notando também o quanto o loiro estava corado, totalmente alheio ao rumo dos pensamentos do primo ou dos de Tadase — Seu rosto está mais vermelho do que um tomate maduro! Não está com febre ou coisa assim, não é? Porque, se estiver, teria sido melhor ter ficado em casa, sabe...
— Ah, n-não.... e-e-eu estou b-bem, é sério... — Tadase conseguiu gaguejar, com dificuldade, no entanto sem conseguir convencer ninguém
— Mesmo? Mas seu rosto parece tão vermelho...
— Não acho que febre seja o motivo pra isso, Hideyoshi-kun — Nagihiko interrompeu o primo, sorrindo tranquilamente, quase adivinhando o motivo de tamanho embaraço do loiro
— Sério?! Mas.. — Hideyoshi interrompeu-se, um súbito e absurdo pensamento passando por sua mente — Ah, espera aí... ela é sua noiva, certo? — ele indagou, apontando para Nanami, que balançou minimamente a cabeça, confirmando — Ah, não me diga que vocês...?! Ah, claro, então é isso... acho que interrompemos alguma coisa, Nagi-kun! Gomen nee, devia ter percebido antes, hahahahaha!! — ele riu, meio sem graça, sem perceber que Nagihiko revirava os olhos ao seu lado. Sabia muito bem que a garota não poderia ser o motivo de tamanho embaraço do menor, mas talvez fosse melhor deixar que Hideyoshi pensasse assim... afinal, seria muito inconveniente se ele descobrisse a verdade.


Nesse instante, um enorme e luxuoso carro vermelho-berrante parou diante deles, buzinando escandalosamente, despertando os quatro de seus pensamentos. Nanami gritou com o susto, Tadase pulou pra longe, Hideyoshi recuou assustado, e Nagihiko quase torceu o pescoço ao virá-lo bruscamente na direção daonde viera o barulho da buzina. A janela do carro se abriu, e uma garota loira colocou a cabeça para fora, e retirou os óculos-escuros que usava. Todos logo reconheceram Utau, embora não fosse realmente necessário que ela tirasse os óculos para isso.


— Ah, que bom encontrar vocês juntos! — ela exclamou sorrindo, referindo-se apenas à Nagihiko e Tadase, embora Nanami e Hideyoshi não tivessem notado isso
— O-Ohayou, Utau-san — Nanami cumprimentou timidamente, fazendo uma breve reverência
— Ah, sim. Ohayou, Nanami-chan, ohayou, meninos! — ela respondeu sorrindo, esquecendo-se completamente de que primeiro se deve cumprimentar as pessoas antes de ir diretamente ao assunto — Mas, como eu dizia, que bom ver vocês juntos! Aqui, tomem — ela colocou a mão para fora da janela também, estendendo-lhes alguns pedaços de papel pequenos e retangulares que, ao examinar com atenção, Nagihiko percebeu que era um convite — Darei um show hoje à noite, e faço questão da presença de vocês! Portanto, podem tratando de cancelar qualquer compromisso que tenham agendado pra hoje, ouviram?! — ela exclamou, em um tom tão autoritário que lembrava muito o modo de Kiseki falar — Ah, claro, vocês também estão convidados, Nanami-chan, e... etto... Hideboshi-kun, certo? — ela olhou incerta para o primo de Nagi
— Hideyoshi — ele corrigiu, enquanto Nagihiko distribuía os convites entre os outros três e guarda o último no bolso da calça
— Ahhh, droga, por que todos vocês Fujisakis têm nomes tão compridos?! — a loira queixou-se — É algum tipo de tradição de família, por acaso?? Eu nunca vou me lembrar desse nome tão longo... então, vou te chamar de Hide-kun! Sim, muito mais simples e fácil de gravar! — ela balançou a cabeça freneticamente, como que concordando com o que ela mesma acabara de falar
— Ah... e-eu não acho que seja...
— Desista, Hideyoshi-kun, quando ela cisma em dar um apelido para uma pessoa, não há força alguma no universo que à faça mudar de idéia — Nagihiko interrompeu o primo, lembrando-se como até hoje a cantora insistia em chamá-lo de "Nagi-kun", mesmo que contra sua vontade — Bem, obrigado pelos convites, Tsukiyomi-san. Estaremos lá, com certeza. Você também vai, certo? — ele perguntou para Hideyoshi
— Ah, mas é claro! Depois de receber um convite desses, quem poderia negar?! — o mais velho exclamou, entusiasmado com a idéia de ver uma cantora famosa em ação, e ainda sem nem ter que pagar nada por isso
— Sim, pode deixar que eu também irei! — Tadase concordou, embora estivesse mais empolgado em poder ir a algum lugar em que Nagihiko também estaria do que com o show em si
— Eu também vou. Obrigada pelo convite, Utau-san — Nanami agradeceu, sorrindo
— Ótimo! Então, nos vemos lá! — Utau sorriu, fechando a janela do carro de repente, e partindo sem nem se despedir direito. O carro voltou a andar e desapareceu de vista tão de repente quanto havia aparecido
— Bem... e-eu preciso ir andando agora, ou vou me atrasar para a escola — Nanami pronunciou-se, timidamente, depois que Utau tinha sumido de vista
— Ah, sim... a escola — Tadase falou, completamente esquecido de que deveria estar indo para o colégio ao invés de ficar ali parado no meio da rua, admirando Nagihiko — Eu preciso ir também...
— Ah, é claro. Nós também precisamos ir — Nagihiko concordou, à contragosto. Preferiria mil vezes matar aula e ficar ali com Tadase o dia inteiro, mesmo que tivessem platéia, ao invés de ir para aquele colégio chato cheio de riquinhos mimados e presunçosos
— Está gostando da nova escola, Fujisaki-kun? — o loiro indagou, na esperança de ficar ali conversando um pouquinho mais com Nagi e atrasar sua despedida, ainda que por apenas alguns segundos
— Mais ou menos... é bem diferente de Seiyo, e da escola que frequentei o ginasial, sabe? Ainda estou me acostumando — ele respondeu, meio desanimado
— Ah, tenho certeza de que alguém como você vai conseguir se adaptar rápido! — o loiro respondeu, numa tentativa de encorajá-lo
— É, acho que sim... — Nagi respondeu, meio desmotivado, ainda preferindo mil vezes frequentar a mesma escola que Tadase do que o colégio de elite escolhido por sua mãe
— Anda, Nagihiko-kun, precisamos ir depressa, ou vamos nos atrasar! — Hideyoshi o apressou, um tanto impaciente
— Já vou, já vou... — Nagihiko respondeu, tentando disfarçar sua irritação — Então, nos vemos à noite no show, eu suponho
— Sim... nos veremos no show — o loiro respondeu, um tantinho mais animado com a perspectiva de poder ver Nagihiko de novo naquele dia. Eles se despediram, e Tadase e Nanami dobraram uma esquina e seguiram pela direita, enquanto Nagi e Hideyoshi seguiram na direção contrária.

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O dia parecia ter passado terrivelmente mais devagar do que o normal, só porque Tadase estava ansioso com a perspectiva de ver Nagihiko mais uma vez naquela noite. E quando a hora do show finalmente chegou, o loiro encontrou seus amigos na platéia, como já esperava. Amu, Rima, Kukai, Yaya, Kairi, Ikuto e Kyouharu naturalmente também tinham sido convidados, e seus assentos ficavam bem ao lado dos dele e de Nanami. Cumprimentaram-se e, poucos minutos depois, Nagihiko e Hideyoshi chegaram também. Todos cumprimentaram os dois Fujisakis com empolgação, mas Tadase mal conseguia falar, sem tirar, no entanto, os olhos de cima de Nagihiko. Depois que todos se acomodaram, Tadase enfim percebeu que a maioria o encarava, reparando em como toda sua atenção estava obviamente voltada para Nagihiko, e tentou disfarçar, dizendo que ia até o banheiro, e se levantou, saindo dali o mais depressa que suas pernas conseguiam caminhar. Detestava ser o centro das atenções, e o fato de todos, inclusive o próprio Nagihiko, terem percebido de que toda sua atenção estava voltada para o "ex-namorado", o desconcertou tanto quanto quando tinham se encontrado naquela manhã.


— Estou com fome... acho que vou comprar algo pra comer antes que o show comece — Nagihiko falou, mais alto do que de costume por causa do barulho que as pessoas da platéia faziam ao redor deles, poucos segundos depois que Tadase tinha saído — Eu já volto — e saiu antes que Hideyoshi pudesse pensar em seguí-lo para comprar comida também
— "Vai comprar algo pra comer", sei... acho que o Nagi está com fome é de outra coisa — Yaya comentou depois que ele saiu, sorrindo maldosamente
— Você não muda mesmo, não é? — Rima comentou, tomando um gole do chá que tinha comprado antes de se acomodar em seu lugar
— Ora, mas não é verdade?! — a ruiva rebateu — Olha bem, o Nagi nem foi na direção das lanchonetes, ele seguiu na direção dos banheiros, exatamente para onde o Tadase foi!
— Ora, mas isso não significa nada! Ele pode apenas estar com vontade de ir no banheiro também! — Kukai exclamou, se intrometendo na conversa
— Você continua lerdo como sempre, hein garoto? — Kyouharu comentou, dando uma risada
— Esse daí não vai mudar nunca — sentenciou Ikuto
— Mas, se a Yaya estiver certa... fico preocupada com o que possa acontecer com aqueles dois — Amu comentou, apreensiva. Porém, instantes depois o show começou, com Utau adentrando o palco, e todas as preocupações de Amu e os demais desapareceram rapidamente.


Enquanto isso, no banheiro masculino, que estava completamente vazio àquela hora exceto por Tadase, ele encarava seu próprio rosto corado diante do espelho, tentando se recompor.


— Preciso me acalmar, preciso me acalmar... — ele murmurava para si mesmo, lavando o rosto pela terceira vez seguida, na esperança de que aquilo o ajudasse a se recompor de alguma forma, embora fosse óbvio que não estava funcionando nem um pouco — Não posso perder o controle assim, ou todos vão perceber... droga, mas é tão difícil disfarçar quando o vejo! Queria tanto... tanto poder voltar a fazer aquelas coisas, e ficar com ele outra vez, livre de preocupações, como no sonho dessa manhã... é tão impossível assim realizar esse único desejo?! Não, não posso pensar nisso! Preciso me controlar!
— Por que você precisa tanto se controlar? — uma voz suave e muito familiar interrompeu os pensamentos de Tadase, e de repente, ele se viu sozinho com Nagihiko quando o maior também adentrou o banheiro — É tão difícil assim pra você manter o controle sobre si mesmo, Hotori-kun? Bem, é verdade que você nunca foi um ator muito bom afinal... — ele sorriu, exatamente como tinha feito durante o sonho de Tadase, enquanto comentava sobre a baixa estatura dele
— F-Fujisaki... kun... — o loiro gaguejou com dificuldade, recuando alguns passos. Reparou vagamente na música tocando lá fora, indicando que o show já havia começado — Ah... p-por que você está aqui? O show parece já ter começado... é m-melhor voltarmos depressa, ou vamos perder o começo
— Eu não me importo de perder o início do show, ou até mesmo o show inteiro, se for para ficar algum tempo sozinho com você, Hotori-kun — Nagihiko respondeu, andando lentamente na direção do menor, enquanto ele recuava. Não hesitaria mais, como havia feito no passado, e faria o que fosse necessário para reconquistar Tadase mais uma vez. De repente, o loiro sentiu suas costas bater contra uma parede, de tanto que havia recuado, e viu-se encurralado contra ela por Nagihiko, exatamente como tinha acontecido em seu sonho — Nee Hotori-kun... eu sei que você está noivo agora, e tudo mais — Nagihiko comentou, falando com a voz baixa e rouca, quase como um sussurro sedutor — Mas... você ainda gosta de mim?
— Ehh?! Ahh... e-eu... b-bem, eu... — Tadase gaguejou incoerente, corando diante do olhar insistente de Nagihiko, sem conseguir desviar seus olhos dos orbes dourados do mais alto. Queria responder "Sim, é claro que ainda te amo!", mas sua timidez e insegurança o impedia de conseguir completar qualquer tipo de frase coerente
— Eu acho... que, apesar de tudo, você ainda gosta de mim — Nagihiko continuou, aproximando seus lábios da orelha dele, e sussurrando em seu ouvido — O que você estava falando antes... sobre "querer poder voltar a fazer aquelas coisas, e ficar com ele outra vez, livre de preocupações, como no sonho dessa manhã"... o "ele" de quem você falava, era eu, não era? — ele indagou, repetindo as palavras do loiro, o que só fez o menor corar ainda mais furiosamente — Se era sobre mim... então, você andou sonhando comigo, é?
— S-Sim... s-sonho com você praticamente todas as noites, Fujisaki-kun — ele admitiu, enfim conseguindo completar uma frase coerente, abaixando a cabeça numa tola tentativa de fazer com que a franja escondesse o rubor de sua face — Com o tempo em que nós... err... n-na-namorávamos...
— Eu também sonho com isso com muita frequência — Nagihiko contou — E confesso que sinto muita saudade daquela época. Nee, Hotori-kun... embora você esteja noivo, e nós não possamos mais ficar juntos como antes... você não quer matar a saudade daqueles tempos agora, nem que seja só um pouquinho? — ele indagou, apoiando a mão esquerda contra a parede em que Tadase estava encostado, encurralando-o ainda mais ali, e apoiando a mão direita no ombro do menor, enquanto aproximava ainda mais os lábios do ouvido de Tadase enquanto falava, provocando fortes arrepios no loiro. Seria possível que o sonho de Tadase iria se tornar realidade?! Era praticamente igual ao que ele tinha sonhado naquela manhã! Parecia bom demais pra ser verdade, mas... ele não conseguia deixar de desejar isso — Sabe, mesmo que seja às escondidas, e que nós não sejamos exatamente namorados agora, eu estou disposto a matar a saudade daquele tempo agora, nem que seja um pouquinho... mas, eu só quero fazer isso se você ainda sentir o mesmo por mim, senão seria como se eu estivesse apenas me aproveitando de você, entende? — ele sussurrou, desapoiando a mão que estava no ombro do loiro e segurando com ela a ponta do queixo de Tadase, obrigando-o a levantar o rosto e encará-lo nos olhos — Então, Hotori Tadase-kun... você ainda gosta de mim ou não, afinal?

Notas finais
Yoo minna! Teffy-chan~desu!
Ahh finalmente consegui postar o capítulo, desculpem a demora... mas e então, o que acharam?? Uma ceninha básica de Tadahiko no começo, ao menos pra matar a saudade mesmo que em sonhos, mas... será que a coisa anda de verdade agora ou não, hein??
Comentem onegai, façam as autoras felizes!! O próximo é com a Shiroyuki-chan /o/ Matta nee~~