Itsumo Yakusoku
49 Capítulo 49 - Switch
Notas iniciais
A lua que eu vejo é redonda
É meio triste acordar de um sonho
Você é tão lindo...
Posso vê-lo neste sábado?
Estou me sentindo dessa forma
Mas por que eu não fui capaz de dizer?
Eu não preciso dizer o quanto eu quero ver você,
não haverá mais segredos entre nós amanhã
Com essas mesmas palavras, eu irei abraçar você, com certeza
Capítulo 49
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Switch
Era uma bela tarde de sábado, o sol brilhava magnificamente, e o tempo estava muito agradável. Nanami estava na casa de Tadase, pois se comprometera a ajudar a mãe dele com o jardim. Coberta de terra, ela plantava uma a uma as florezinhas no canteiro, com cuidado excepcional, embora estivesse evidentemente com os pensamentos longe dali.
Sentia-se um tanto culpada por não ter dado uma resposta completa para Hideyoshi, quando ele se declarou para ela, e por isso mesmo, não conseguia se concentrar em nada. Hideyoshi era alguém importante para ela — disso, já tinha certeza. Ele nunca hesitava em ouvi-la, sempre estrava disposto a ajudar, era um amigo tão precioso… ela não queria perde-lo. Mas, por isso mesmo, não sabia o que fazer. E a palavra-chave era “amigo”.
Ela passou tanto tempo pensando nele como somente um amigo, que ter qualquer outro tipo de relação parecia estranho demais. não era como se ela desprezasse completamente a ideia, porém. De fato, depois da inesperada declaração do garoto, Nanami havia passado o tempo todo raciocinando sobre isso. Ela estava sinceramente feliz por saber os sentimentos dele, e se sentia lisonjeada por ter sido escolhida por alguém tão especial. Mas não conseguia entender os seus conturbados emoções por completo, ainda estava confusa demais. Não sabia se poderia retribuir à altura os sentimentos de Hideyoshi, ou se estava disposta a arriscar perder um importante amigo por causa disso.
— Precisa de alguma ajuda, Nanami-san?
O chamado súbito libertou a garota dos seus distraídos ponderamentos. Ela virou-se, e se deparou com Tadase, sentado na beirada da varanda da sua casa. Ele parecia estar observando-a já há algum tempo, provavelmente tentando chama-la sem muito sucesso. Só então Nanami percebeu que estava cavando o mesmo buraco a mais tempo do que o necessário.
— Ah, eu… eu estou bem, Tadase-san – ela respondeu rapidamente, tratando de ajeitar a terra novamente no lugar, antes de plantar as mudinhas de flores.
— Tem certeza? Não parece estar tão bem assim… não quer conversar? – ele indagou, preocupado. Nanami sorriu, sem graça. Tadase sempre conversava com ela sobre qualquer assunto, e apesar da situação envolvendo os dois, eram bons amigos. Nanami não conseguira conversar com as suas amigas da escola sobre o assunto, sabia que elas ririam dela, por estar em conflito com um assunto amoroso. Elas provavelmente não ajudariam em nada, no fim das contas. Mas Tadase era diferente. ele entenderia as suas dúvidas, e mesmo que não soubesse como ajuda-la, ainda a ouviria, sem rir ou embaraça-la ainda mais com esse assunto.
— Na verdade, eu gostaria de conversar, Tadase-san… — ela disse por fim, incerta. Limpou as mãos sujas de terra com um pano, e sentou ao lado de Tadase, fitando o próprio colo, sem saber por onde começar – T-tem uma amiga minha… q-que recebeu uma confissão inesperada… d-de um amigo p-próximo. E não sabe o que fazer a respeito disso…
— Uma amiga? – Tadase a fitou desconfiado. Sabia, por intermédio de Nagihiko, sobre os sentimentos de Hideyoshi, e também conhecia a vontade dele de se declarar para Nanami. Então, considerando isso e o rosto absolutamente corado da garota, era meio evidente que a “amiga” em questão não era exatamente isso. – Bem, e o que essa sua amiga tem em mente?
— E-ela não sabe bem, ainda, o que quer… Por um lado, ela aprecia muito esses sentimentos, e gostaria de poder retribui-los corretamente. Porém, por outro… ela tem medo de errar, e perder uma amizade importante para ela… — Nanami murmurou – O que você acha, Tadase-san? Ela deve tentar arriscar, ou manter as coisas do jeito que estão?
— Para começar, eu acho que as coisas não vão mais ser como antes. Depois dessa confissão, a sua “amiga” não vai ser mais capaz de ver o seu amigo da maneira como via anteriormente. As coisas mudaram, e a amizade deles não será do jeito que era, certamente.
— Você tem razão… — ela assentiu, melancolicamente – Mas… ela não quer rejeitá-lo!
Tadase sorriu.
— Eu acho que essa sua amiga já tomou uma decisão, só não percebeu isso ainda… — ele afirmou, com ares de entendido do assunto. Ao longe, ouviu a sua mãe chamar. Ela queria ajuda com alguma coisa, e Tadase foi se levantando, para ver o que ela desejava. Nanami o fitou, ainda aflita. – Mas antes… — ele se ergueu, e andou até a porta. Quando estava quase entrando, olhou para trás – É melhor você desmanchar esse noivado sem sentido, ou será complicado, não é?
Ele sumiu para dentro da casa, e Nanami ficou ali parada, ainda mais corada e chocada do que nunca. Tadase entendeu muito mais do que ela havia explicado, mas com suas poucas palavras, foi capaz de acalmá-la, ao menos um pouco… Ela ainda não estava bem certa, mas talvez tivesse uma resposta para Hideyoshi. Só esperava que fosse a resposta certa.
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Nagihiko se encontrava naquele exato momento na residência dos Hinamori, mais especificadamente no quarto de Amu, cercado por montanhas crescentes de roupas por todos os lados.
Do outro lado do quarto, ao lado de um guarda-roupa vazio e demais pilhas de roupas, Amu se lamentava no mais completo desespero. Ela havia ligado para Nagihiko aos prantos, cerca de meia hora atrás. Nagihiko falou com Ran, Miki, Suu e Dia, já que a dona mal conseguia se controlar para dizer alguma coisa que fizesse sentido. Aparentemente, Kairi havia decidido que já era hora de se apresentar formalmente para os pais de Amu. Claro que a mãe dela já sabia sobre tudo, mas informar o seu pai era uma tarefa árdua, que levou dias de preparação prévia… resultando em um convite, para Kairi jantar em sua casa, naquela noite. E, surpresa das surpresas, além da irmã dele e do marido, os pais dele viriam também! Era a primeira vez que Amu iria vê-los, e se esse fato não fosse o bastante para deixa-la naquele estado, ela não conseguia encontrar a roupa perfeita para aquela ocasião.
Sendo assim, Nagihiko partiu ao resgate. Quando chegou ao quarto da garota, encontrou-a dentro do guarda-roupa, encolhida no canto, dizendo que jamais sairia dali novamente. ela estava com medo, e Nagihiko não podia culpa-la por isso. Kairi tinha todo o jeito de quem tinha pais rígidos e, bem… o estilo punk de Amu não era exatamente o mais aprovado por pessoas mais velhas. Mas era para isso que Nagihiko estava ali.
— Vamos Amu-chan, saia de dentro desse armário. Eu vou ajuda-la… — ele se aproximou com cuidado para não pisar em roupa nenhuma, e estendeu a mão para ela. Ela fungou, parecendo mau-humorada.
— A única pessoa que já precisou sair do armário aqui é você. – ela resmungou, bufando. Ah, cool and spicy. Nagihiko não tinha paciência para aturar isso não.
— Qual é o problema? – ele indagou, colocando a garota de pé. Ela vestia uma camiseta surrada e shorts de pijamas. O cabelo estava um desastre completo, e tinha olheiras abaixo dos olhos. Sim, ele teria trabalho cuidando disso tudo…
— E-eu não tenho roupa, Nagihiko‼! – ela choramingou, desmanchando o semblante pouco amigável para cair nos braços dele enquanto se debatia – Eu não sei o que vestir, não sei o que fazer quando os pais dele chegarem aqui, eu sou um desastre‼ Miki não me ajuda em nada, as roupas que ela arruma sempre tem aquele ar descolado que não é o que eu quero hoje! Eu preciso de ajuda‼!
— Eu estou aqui agora, se acalma, ok? – ele suspirou, olhando ao redor, procurando por uma solução. Andou até a montanha de roupas sobre a cama, examinando as peças que tinha à disposição, separando algumas, juntando outras. Olhou de relance para Amu, e ela roía as unhas dos dedos – Por que você está tão nervosa assim? – ele indagou, soltando as roupas. Pelo jeito, ela precisava mais de uma boa conversa do que de ajuda com as roupas.
— E-eu não sei! É a primeira vez que eu faço algo assim, não sei como agir nessa noite, ou como eu devo me comportar perto dos pais dele! – ela admitiu, ainda que a contra-gosto. Nagihiko tinha razão, ela só queria alguém para ouvir os seus problemas, a roupa era apenas um detalhe. Amu estava perdida, indecisa e confusa, exatamente como quando Nagihiko a conheceu. E como daquela vez, ele também queria ajuda-la agora, afinal… era para isso que existiam as melhores amigas, não é?
— Amu-chan… você está segura do que quer? Digo, estar com o Kairi-kun? – ele indagou, arrumando um espaço na beirada da cama para sentar, e trazendo Amu pela mão também.
— Estou, é claro que estou!
— E você não fica feliz por ter a oportunidade de mostrar à sua família e à dele o quanto vocês estão bem juntos? Vocês vão ter a possibilidade de unir as suas famílias, e esse jantar é a prova disso. Os pais do Kairi-kun não estão vindo para avaliar você. Eu tenho certeza de que eles confiam na escolha do filho deles. Eles estão aqui para conhecer a pessoa pela qual ele se apaixonou, é só isso. Você não precisa ficar nervosa, eles não vão dizer nada do tipo “você não serve para o meu filho, fique longe dele”, sabe? E além disso, você é uma garota ótima! Muito dedicada, inteligente, gentil, preocupada… e que gosta muito do Kairi-kun e quer fazer ele feliz, não é? Os pais dele vão adorar você, pode ter certeza…
Já na metade do discurso de Nagihiko, Amu já estava com os olhos lacrimejando. Ouvindo as palavras reconfortantes dele, ela percebeu que na verdade, Nagihiko jamais iria poder estar em uma situação como a dela, com Tadase. Por que os pais deles não aceitavam o relacionamento entre eles, nenhum dos dois iria poder apresentar-se formalmente à família do outro, e nem mesmo assumir-se publicamente. Pensando por esse lado, os problemas dela pareciam insignificantes, e ela se sentiu muito tola por ter ido chorar no ombro de Nagihiko, quando ele já tinha tantos fardos para carregar sozinho.
— N-n-nagi… me desculpa por ser tão boba, eu não devia estar reclamando! Você é tão forte, enfrenta problemas muito maiores com o Tadase-kun, e está sempre com um sorriso no rosto. Eu devia aprender com você, e parar de ser uma chorona que só sabe reclamar e se preocupar à toa…
Nagihiko sorriu, enxugando as lágrimas da amiga, enquanto passava a mão na sua cabeça.
— Não precisa se preocupar, Amu-chan. Eu sei que eu e o Tadase-kun não iremos ter a aprovação das nossas famílias, talvez nunca… mas isso não é um problema, sabe? Você, e todos os nossos amigos, nos aceitam do jeito que nós somos e sempre nos apoiaram. Eu fiquei tão feliz quando você disse que iria nos aceitar, Amu-chan, que de repente ter a aprovação da minha mãe não significa muita coisa. Vocês que são realmente importantes para nós.
— Awn, Nagi…. – Amu pulou no pescoço de Nagihiko, fungando e tentando parar de chorar – Eu sempre causo tantos problemas para você, e ainda assim, você continua sendo o melhor amigo do mundo. Você e o Tadase-kun vão ser muito felizes, eu sei que vão!
— Eu também sei – ele sorriu, ao afastarem-se – E o seu jantar vai sair perfeitamente também, não é? Vamos dar um jeito em você, agora!
Ele se levantou, depois de secar bem as lágrimas de Amu, e antes que ela percebesse, começou a colocar as mãos em obra. As roupas de Amu eram mesmo um tanto estilosas e modernas demais, e se ela queria causar uma boa impressão nesse primeiro encontro, então deveria ser um pouco mais contida, ainda mais se os pais de Kairi fossem mesmo tão conservadores quanto ela dizia.
Nagihiko conseguiu encontrar uma saia preta que era simples e fofa, e uma camisa de botão rosa-claro, que era até bem discreta em comparação com as outras roupas de Amu. Colocou as duas peças nela, dizendo para ela usar a saia de cós alto por cima da camisa, e depois de encontrar um par de sapatos baixos, e meia-calça escura, disse que assim, ela pareceria mais madura, mas ainda mantendo seu estilo próprio. Depois disso, Nagihiko cuidou da maquiagem e do cabelo de Amu, arrumando tudo de uma maneira que ela parecesse natural e comportada. Quando ele terminou, ela mal podia encontrar palavras para agradecer.
Depois de ajudar ela a arrumar a bagunça no quarto, ele desejou sorte e foi para casa. Estava andando distraidamente pelas ruas do centro, olhando as vitrines, quando recebeu uma mensagem. Era Tadase.
“Parece que o seu primo finalmente se declarou para a Nanami-chan. Ela está bem nervosa por causa disso.”
Nagihiko sorriu para si mesmo, feliz pelo primo “Eu soube disso, eles conversaram, e ela disse que ia pensar. Você acha que Hideyoshi-kun tem chances?”
Pouco tempo depois, veio a resposta.
“Acho sim, Nanami-chan estava em dúvida, mas ela já nutre muito afeto por Hideyoshi-san, e eles já são bons amigos afinal. Amores que nascem de amizades são sempre os mais duradouros, não é o que dizem?”
Naquele instante, Nagihiko teve uma súbita e intensa vontade de abraçar Tadase com força e nunca mais soltá-lo. Por que é que ele tinha que ser tão adorável, falando esse tipo de coisas quando ele estava longe e não podia agarrá-lo como bem queria?
“Se você continuar sendo tão fofo, terei que invadir a sua casa de novo, só para matar as saudades de você, sabe?.”
“Pare com isso,Nagihiko-kun!” – Nesse momento, Nagihiko imaginou que Tadase devia estar fazendo aquela carinha irritada e constrangida, com o rosto corado, enquanto respondia a mensagem – “Eu estou falando sério. Mas… bem, eu fiquei preocupado com uma coisinha. É bastante egoísta, eu sei, porém…”
A mensagem veio inacabada. Nagihiko aguardou alguns instantes, mas não recebeu mais nada, então, tornou a escrever.
“Preocupado com o que? Pode me dizer qualquer coisa”.
“Nanami-chan com certeza vai querer desmanchar o noivado para ficar com o Hideyoshi-san, e eu sei que os pais dela não irão se opor a isso. Mas tenho medo que por causa disso, minha mãe fique ainda mais neurótica, e tente arrumar outra noiva para mim, ou alguma coisa assim. E eu sei que outra garota não iria ser tão compreensiva com a nossa situação como a Nanami-san foi… Eu estou feliz por ela, é claro que estou. Mas não consigo deixar de pensar nisso.”
Nagihiko suspirou consigo mesmo, sem saber como responder à Tadase. Em momentos assim, quando ele estava muito preocupado com alguma coisa, pensando de maneira tão pessimista, ele costumava abraça-lo, beijá-lo, olhar nos olhos dele e dizer, com toda a segurança do mundo, que tudo ficaria bem. Mas ele não poderia fazer isso agora. Ficar repetindo que “uma hora tudo se ajeitaria” ou “a gente dá um jeito” todo o tempo faria essas palavras perderem o sentido, e tudo o que Nagihiko queria era que Tadase não perdesse as esperanças sobre eles dois, mas isso estava ficando cada dia mais difícil.
Ele já havia sonhado incontáveis vezes, sobre como seria perfeito se seus pais aceitassem o fato de que ele amava Tadase. Se eles pudessem realmente ser uma família, e Tadase poderia visitar a sua casa como antes, e eles passariam todo o tempo livre juntos, sem precisar se esconder ou mentir. Nagihiko não estava exatamente com inveja de Amu, que estava naquela noite concretizando o seu desejo de tanto tempo… mas também não se incomodaria de estar na situação dela. Seria bom, oferecer um jantar aos pais de Tadase, para dizer a eles o quanto ele amava o seu filho, e que iria dedicar a sua vida a cuidar e proteger dele, fazendo-o feliz. Bem… esse era um desejo que ele teria que manter para si, afinal… dificilmente se realizaria.
Repentinamente, o celular de Nagihiko tocou. Ele lembrou que não havia respondido à Tadase a última mensagem, e ele deveria ter ficado ainda mais aflito do que já estava, mas dessa vez não era ele.
— Amu, aconteceu alguma coisa? O seu jantar já deve ter começado há essa hora, não?
— Sim, começou, o Kairi-kun acabou de chegar aqui, mas… Nagihiko, o Musashi sumiu! O chara do Kairi desapareceu, hoje de manhã! Ele acabou de me dizer. – Ela contou, surpresa. Nagihiko demorou um tempinho para entender, mas logo compreendeu o que acontecia. De fato, os anos estavam passando, e esse dia chegaria para todos eles afinal.
— Kairi tomou uma decisão importante, e resolveu amadurecer e se tornar de fato um homem honrado para ficar ao seu lado, Amu-chan – Nagihiko lembrou – Esse era o desejo do coração dele, ser um homem valoroso como o samurai que ele tanto admirava. Quando ele decidiu se apresentar à sua família, Musashi percebeu que sua função estava cumprida, e eles se juntaram. Não é como se ele tivesse desaparecido por completo, não é? Isso já aconteceu com o Ikuto, com a Utau, e com o Kukai também. Uma hora vai acontecer para todos nós…
— Eu só.. fiquei um pouco assustada, desculpa… é que de repente, me deu medo…
— Medo do quê, Amu-chan?
— Medo de crescer… eu acho. Estranho nee? – ela riu, nervosa.
— Mas isso vai acontecer, você querendo ou não. – Nagihiko olhou para o céu, surpreso com a sua própria tranquilidade ao falar assim. Internamente, ele não se sentia tão calmo dessa maneira, mas conseguia transmitir toda a serenidade de que Amu precisava para se acalmar sem problemas. – Não tem motivos para ter medo, é algo natural. Você também teve medo de entrar para os guardiões, não teve? E no final das contas, tudo correu bem. E agora você está aí, com o Kairi-kun, e as famílias de vocês dois… pensando em tudo o que aconteceu desde aquela época, você não acha que evoluiu bastante?
— Tem razão… nossa, Nagi, você falou parecendo um adulto agora. Talvez o seu dia chegue também…– ela entoou, melancolicamente.
— É, talvez… mas não fique conversando comigo escondida no banheiro, volte para o seu jantar!
— C-como você sabe onde eu estou?
— É porque você é muito previsível, Amu-chan! – ele fez a voz suave de Nadeshiko dessa vez, e ouviu a risada de Amu do outro lado. Pelo jeito, foio suficiente para ela se acalmar de vez.
— Está bem. Obrigada, Nagi, de verdade! Me ajudou muito hoje. Quando precisar de qualquer coisa, você sabe, não é? Pode contar comigo!
— Sim, eu sei. Boa sorte, Amu-chan.
Depois de desligar o telefone, Nagihiko ainda continuou parado onde estava. Era uma rua menos movimentada, e as lojas já haviam terminado, dando lugar às casas do bairro. Sua casa ficava naquela direção, bem distante ainda, mas ele conseguia ver ao longe os telhados reluzindo à luz poente, em meio ao céu escuro que se aproximava.
Amu não estava certa, afinal… ele pensou. Não estava chegando a hora dele. Ele ainda era uma criança, cheia de desejos e sem nenhuma iniciativa em realiza-los. Temari nascera da sua vontade de ser um dançarino exemplar, assim como sua mãe queria que ele fosse. E ele estava longe de cumprir esse objetivo, ainda tinha muito o que melhorar. E mesmo o seu lado feminino, que era o que Temari visava aperfeiçoar, andara esquecido nesses últimos tempos. Já Rhythm, o seu eu impulsivo, instintivo e ousado, não se mostrava da maneira que queria. Ele não conseguia seguir o seu ritmo, não enfrentava a sua mãe como deveria, e não impunha a sua vontade, apenas acatava o que ela dizia. Nem Temari, nem Rhythm, estavam prontos para irem embora, Nagihiko ainda tinha muito que crescer antes de ser um homem apropriado para proteger Tadase. E o seu dia ia chegar. Ele só queria poder ter certeza, de alguma forma, de que no fim tudo daria certo.
“Posso ver você amanhã?”
Foi essa a resposta de Nagihiko. Por que ele não conseguia pensar em nenhuma solução para o problema – ele ainda era uma criança. Uma criança mimada e egoísta, que queria ter Tadase agora, da maneira que podia, ao invés de parar e pensar racionalmente no que era mais prudente fazer. O futuro podia esperar mais um pouquinho. Ou não. Mas ele não queria ter que pensar nisso hoje, não agora. Ele só queria ser criança por mais algum tempo.
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