Itsumo Yakusoku
46 Capítulo 46 - Over the Rainbow
Notas iniciais
Eu sempre procuro
No céu depois da chuva
Porque o céu limpo, sem nuvens
É cheio de esperança
Apesar de que tudo que faço é contar as coisas que perdi
E desejos que não se realizaram
Além do arco-íris
Existe um mundo que ainda não vimos
Irei com você para um lugar cheio de carinho
Apesar de não sabermos o que nos espera lá
Estamos sempre procurando pelo arco-íris no céu
Não quero que as pessoas vejam
O meu rosto inchado de tanto chorar
Quando tiro minhas lentes de contato
é como um cenário embaçado
Talvez existam momentos em que não possa te ver
Mesmo que estejamos tão próximos
Além do arco-íris
Se chegarmos lá, com certeza conseguiremos ir
Para um lugar onde iremos brilhar
Apesar de não sabermos o que mudará
Estamos sempre procurando pelo arco-íris no céu
Capítulo 46
~
Over the Rainbow
Algumas semanas depois, após muito tempo de planejamento e esquemas traçados com muita cautela, Tadase enfim conseguiu pensar em uma forma de sair de casa à noite sem levantar suspeitas. Tramando o que mais parecia ser uma estratégia de guerra (e talvez até fosse mesmo), Tadase enfim conseguiu bolar um plano perfeito para cumprir a promessa feita semanas atrás, que se tratava simplesmente de visitar seu tio. Claro, deveria ser tudo muito normal e comum, era uma visita de família no final das contas... ou pelo menos seria, se Mizue não insistisse tanto na ideia absurda de proibir o garoto de visitar Tsukasa, tratando o próprio irmão como se já estivesse morto, sem nem ao menos dar alguma satisfação para o filho.
Depois de muito planejar, Tadase avisou com antecedência que precisaria ficar até mais tarde uma noite na casa de Kukai, que fora avisado anteriormente caso Mizue desse algum jeito mirabolante de interrogá-lo sobre isso (o que Tadase não duvidava nada que ela seria capaz de fazer), para que o ruivo pudesse confirmar a história, com detalhes previamente explicados por Tadase. Na mesma data, Nagihiko também inventou que teria que ficar uma noite até mais tarde na escola por causa de um ensaio do clube de teatro do qual ele supostamente fazia parte, para ensaiar algumas cenas em que estavam tendo mais dificuldades em aperfeiçoar. Este também informou devidamente a Hideyoshi sobre os detalhes falsos elaborados com antecedência caso Kaoruko resolvesse interrogar seu primo sobre esse tal ensaio (e ele sabia muito bem que sua mãe provavelmente faria isso), informando até mesmo os nomes de alguns membros do clube, o nome da peça e alguns detalhes da cena que eles precisariam praticar. Apesar de ser meio lento para certos assuntos, quando se tratava de coisas que pareciam com matérias escolares (como História, por exemplo), Hideyoshi era bem mais inteligente, e gravou todas as explicações forjadas pelo primo com facilidade, como se estivesse apenas decorando o trecho de algum capítulo em seu livro de História, então provavelmente não teria problemas para mentir dessa vez.
E, depois de tantos estratagemas e planejamentos, quando os dois garotos enfim encontraram uma noite em que suas poucas horas livres combinavam, Tadase e Nagihiko foram visitar Tsukasa, aproveitando para enfim conhecer o novo apartamento dele. Encontraram-se no meio do caminho, e Tadase foi quem os guiou milagrosamente dessa vez, já que seu tio tinha explicado para ele sobre como chegar no apartamento, enquanto Nagihiko apenas seguia as direções indicadas pelo Ex-Rei, divertindo-se com aquela troca inesperada de papéis.
– Boa noite Tadase, Nagihiko-kun — Tsukasa sorria como sempre ao abrir a porta do apartamento quando os garotos enfim chegaram — Fico muito feliz que tenham conseguido vir. Por favor, entrem — ele abriu espaço para os dois rapazes entrarem
– Boa noite, Tsukasa-san. Bem, com licença... — Tadase tirou os tênis que usava, trocando-os por chinelos perto da porta, e adentrou o apartamento, seguido do maior — Desculpe não ter vindo antes, tio... eu realmente queria muito vir, mas... minha mãe...
– Eu sei. Parece que a Mizue-neesan ainda está zangada comigo, então não precisa se preocupar — Tsukasa continuava sorrindo como sempre, embora dessa vez seu sorriso, geralmente gentil e enigmático, parecesse um tanto forçado — Fico feliz que você também tenha podido vir, Nagihiko-kun. Por favor, sinta-se em casa
– Hai, obrigado... — o garoto agradeceu, embora ainda se sentisse um tanto deslocado naquele lugar. Tadase havia lhe contado anteriorente que aquela visita não era somente para conhecer o novo apartamento de seu tio, mas também porque Tsukasa queria lhe apresentar sua nova namorada. Para Nagihiko, aquilo parecia ser um assunto apenas de família, e como ele não era parente de nenhum deles, não tinha muita certeza se deveria estar ali — Bem... obrigado por ter me convidado também, Tsukasa-san... embora eu não tenha muita certeza se deveria mesmo ter vindo...
– Ora, não diga isso, Nagihiko-kun! — seu Ex-Diretor exclamou, sorrindo mais abertamente dessa vez — Você já está junto do meu sobrinho há tanto tempo, já é praticamente da família afinal! — ele acrescentou, fazendo parecer que os dois estavam noivos ou algo do tipo. Nagihiko corou levemente com o que ele disse, sem conseguir deixar de desejar que seus pais pensassem dessa forma também
– Certo... então, com licença — o garoto respondeu simplesmente, também trocando seus sapatos pelos chinelos à porta
– Waaahh~ seu apartamento é tão lindo, Tsukasa-san! — Tadase exclamava, rodeando o lugar no meio da sala agora, admirando cada canto do novo apartamento do tio — O senhor sabe mesmo como decorar uma casa... ah, eu queria ter podido vir aqui há mais tempo!
– Fico feliz que tenha gostado, Tadase... apesar de que eu não decorei tudo sozinho — Tsukasa respondeu e, como se tivesse ouvido esta última frase, uma pessoa saiu da cozinha
– Ei, Tsukasa! O jantar está pronto, quando os meninos vão... ora, eles já estão aqui! — uma mulher saiu da cozinha, vindo na direção deles. Ela aparentava ter mais ou menos a mesma idade de Tsukasa, tinha cabelos ruivos ondulados, indo até a altura do peito e olhos dourados, quase cor de mel. Trajava um vestido vermelho com um avental rosa por cima, provavelmente porque estava cozinhando, usava um discreto par de brincos e uma maquiagem leve.
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– Tadase, Nagihiko-kun... quero que conheçam Takahashi Haruka. Ela está vivendo comigo há algum tempo — Tsukasa indicou a pessoa ruiva que acabara de sair da cozinha com a mão
– Ora, então vocês finalmente vieram! O Tsukasa me falou muito de vocês... eu sou Takahashi Haruka — a mulher chamada Haruka se aproximou dos garotos, sorrindo gentilmente — Estava ansiosa para ver vocês, fico feliz que finalmente tenham vindo!
– Ah, h-hai... também queria ter podido vir antes, mas... bem, tive uns contratempos... — Tadase murmurou, remexendo-se meio sem jeito. Não se lembrava de já ter passado por uma situação dessas antes, então não sabia muito bem como deveria se comportar — É um prazer conhecê-la... etto... T-Takahashi-san... — ele acrescentou, fazendo uma longa reverência
– Ora, não precisa ser tão formal! Pode me chamar de Haruka — ela respondeu, ainda sorrindo docemente. Tadase não pôde deixar de pensar que ela parecia um pouco com uma versão adulta de Nadeshiko, se esta fosse realmente uma garota
– Certo... então, Haruka-san... — Tadase murmurou, ainda meio desconcertado. Não estava acostumado a chamar mulheres pelo primeiro nome, ainda mais uma adulta que ele acabara de conhecer. Mas, como ela apenas sorriu, o rapaz achou melhor não pensar muito nisso
– Ah, mas você é mesmo muito fofo... e tão tímido quanto o Tsukasa falou, que gracinha! — Haruka exclamou, observando Tadase mais de perto com ar de curiosidade, com cara de quem queria apertar as bochechas dele ou algo assim — Ahh, você parece uma versão mais nova do Tsukasa, que bonitinho! Vocês se parecem muito mesmo, pensei que era apenas exagero quando ele me contou! — ela exclamava com entusiasmo, observando o garoto de perto, e quando Tadase tentou balbuciar alguma coisa em resposta, muito embora não soubesse o que dizer, Haruka voltou-se então para Nagihiko — E você deve ser o Fujisaki Nagihiko-kun, não é? Tsukasa me falou de você também, é um prazer conhecê-lo!
– Sim, eu mesmo. Prazer em conhecê-la também... ahn, tudo bem em te chamar de Haruka-san? — Nagi indagou incerto, encarando-a com certa curiosidade, sem conseguir deixar de pensar no quanto exatamente Tsukasa poderia ter falado para Haruka sobre ele. Tadase havia reparado que ele observava a mulher com um ar intrigado desde que ela adentrou a sala, mas imaginou apenas que Nagi devia estar sem saber como agir, assim como ele, ou algo parecido
– Mas é claro que sim! — ela respondeu sorrido — Mas, o que acham de jantarmos agora, rapazes? O jantar já está pronto, e se demorarmos, a comida pode esfriar
– Acho uma ótima ideia. Vou te ajudar com a comida — Tsukasa respondeu — Vocês dois, podem ir se acomodando, nós já voltamos — ele acrescentou para os mais novos, que assentiram, enquanto ele desaparecia pela porta da cozinha, acompanhado de Haruka.
Depois que os dois adultos se retiraram, os Ex-Guardiões sentaram-se à mesa encostada à um canto da sala e, enquanto Tadase ainda pensava em um jeito de conversar o mais naturalmente possível com Haruka, Nagihiko interrompeu seus pensamentos, falando baixinho:
– O que achou dela, Tadase? Da Haruka-san... você gostou dela?
– Ahn, eu não sei.... ela parece ser uma pessoa legal, e muito simpática — o loiro respondeu incerto — E ela parece ter uma aura materna, ou coisa assim... gostaria que minha mãe pudesse agir um pouco mais como ela... — ele acrescentou, as palavras escapando de sua boca antes que ele pudesse contê-las em simples pensamentos
– Realmente, isso seria muito bom — Nagihiko concordou, sorrindo — Também achei ela muito gentil, parece ser uma boa pessoa... acho que combina com o Tsukasa-san. Demo nee, Tadase... você não notou mais nada?
– Eh? Do que está falando, Nagihiko? — o menor indagou sem entender
– Estou dizendo que Haruka-san... é um homem travestido
– Ehh?! — Tadase quase berrou, mas Nagi tampou sua boca com a mão à tempo, abafando o grito do menor
– Não grite isso tão alto. Acho que não seria muito educado se saíssemos gritando algo assim depois de acabar de conhecê-la, não é? — o maior murmurou sabiamente
– Ah, c-claro... — o loiro respondeu ainda em choque — M-Mas, você... t-tem mesmo certeza disso, Nagihiko?!
– Absoluta. Depois de passar tantos anos vivendo como Nadeshiko, acho que não seria difícil para alguém como eu perceber algo assim, não é? — Nagi respondeu, sorrindo meio sem jeito — Além do mais, já vi algumas fotos dela em uma revista de moda... não me lembrava do nome da modelo, mas havia uma matéria na revista que dizia que ela era realmente um homem
– Ehh... quem diria. Não pensei que o Tsukasa-san gostasse de... ahh... — Tadase interrompeu sua frase pela metade, com um repentino pensamento passando por sua cabeça. Claro que ele não estava em posição de julgar o tio por isso, já que ele também namorava um rapaz afinal. Mas o que lhe ocorreu no momento foi que talvez esse fosse o motivo de sua mãe tê-lo proibido de ver o tio. Se Mizue soubesse que o irmão mais novo estava namorando um homem, provavelmente concluiria que ele seria um mau exemplo para Tadase, por causa de sua história com Nagihiko, e por isso proibiu o filho de vê-lo
– O que foi, Tadase? — o maior indagou — Mesmo que seja uma surpresa saber isso sobre o Tsukasa-san... bem, não estamos em posição de falar nada sobre isso afinal...
– Não, não é isso... é só que... bem, você se lembra que te contei que minha mãe me proibiu de ver o Tsukasa-san, não é? — o loiro indagou, e Nagihiko assentiu com um aceno de cabeça — Eu estava pensando que... talvez tenha sido por causa disso. Se ela descobriu que meu tio está namorando... b-bem, um homem... ela pode ter concluído que ele seria um mau exemplo pra mim ou coisa parecida...
– Ah, sim... pensando bem, talvez você tenha mesmo razão. Esse parece ser um motivo plausível para ela te proibir de falar com seu próprio tio sem nem lhe dar satisfações para isso afinal — Nagihiko concordou. Ia dizer mais alguma coisa, mas teve que se calar quando os dois adultos retornaram para a sala.
Haruka colocou os pratos na mesa, trazendo uma grande variedade de comida que, embora parecesse um tanto exagerada, provavelmente tinha sido por causa dos visitantes. Estava sem o avental agora, e com os cabelos ondulados soltos, enquanto Tsukasa a ajudava a colocar a mesa. Os dois sentaram-se, unindo-se aos dois mais jovens, e Tsukasa começou a conversar com naturalidade, falando sobre assuntos dos quais todos podiam participar, sobre como andavam as coisas na Academia seiyo agora, os planos que ele tinha para aumentar a escola e a possibilidade de talvez aumentar o prédio para incluir as séries do ginasial no colégio. Depois contou então que Haruka trabalhava com moda, e que aparecia como modelo de vez em quando em algumas revistas, embora trabalhasse mais nos bastidores, o que apenas confirmou as suspeitas de Nagihiko sobre ela ser um homem disfarçado, mas Tadase fez o máximo de esforço possível para não demonstrar isso. Contou então que os dois se conheceram quando ela tinha feito uma visita à Academia Seiyo a trabalho, para fazer uma pesquisa sobre como as estudantes atuais gostavam de se vestir para publicar na revista da editora na qual ela trabalhava. Nagihiko se animou um pouco com esse rumo da conversa e começou a falar mais, já que gostava de falar sobre moda e não tinha dito quase nada durante o jantar, ainda sem saber se deveria mesmo estar ali, já que aquele parecia ser um jantar de família. Tsukasa mencionou que havia contado para Haruka que Nagihiko fazia algumas apresentações relacionadas com dança de vez em quando, embora não parecesse ter falado nada sobre Nadeshiko para a namorada, e Haruka se animou em saber disso, perguntando se ele poderia participar como modelo para a próxima matéria de sua revista. Nagihiko meio que concordou, mais por educação, embora tenha dito que precisaria falar com sua mãe sobre isso primeiro, mas imaginou que ela provavelmente concordaria, afinal, quanto mais publicidade a família Fujisaki tivesse, melhor para ela. Tadase não sabia se ficava incomodado ou feliz com essa ideia. Por um lado, não havia gostado muito que seu namorado aparecesse em revistas nas quais qualquer um pudesse comprar para admirá-lo, mas, por outro, estava feliz que ele também tivesse se dado bem com Haruka, sem falar que ele também queria muito ver essas fotos para a revista.
Quando o jantar terminou, e eles estavam comendo a sobremesa, Tsukasa enfim tocou em um assunto mais sério, e que parecia ter sido o verdadeiro motivo para convidá-los para esse jantar.
– À propósito, Tadase... acho que você já deve ter imaginado isso, mas... eu contei para a Haruka sobre você e o Nagihiko-kun — ele revelou, confirmando as suspeitas dos dois mais jovens — Lamento ter feito isso sem consultá-los primeiro, espero que não se importem...
– Ah, não... imagine, não tem problema, tio — Tadase respondeu, embora receasse um pouco sobre que tipo de reação ela teria ao saber disso — Mas, a Haruka-san... bem, o que ela...?
– Se está pensando que vou repreender vocês por isso ou coisa assim, não precisa se preocupar, Tadase-kun — ela apenas sorriu docemente para os dois garotos, com os cotovelos apoiados na mesa e o queixo sobre suas mãos — Essa escolha diz respeito apenas à vida de vocês dois afinal e, se ambos estão felizes com isso, então não há motivo para ninguém julgá-los por isso. É a vida de vocês afinal, então apenas vocês têm o direito de decidir sobre como vivê-la
– Ahn, hai... obrigado, Haruka-san... — Tadase inclinou brevemente a cabeça, sem conseguir evitar de corar um pouco — Gostaria que mais pessoas pensassem como você... minha mãe, por exemplo, é exatamente o oposto... você parece ter um jeito mais materno até do que ela... — Tadase deixou seus pensamentos escaparem de sua boca em forma de palavras outra vez, porém imediatamente se arrependeu de dizer aquilo. Lembrou-se do que Nagihiko havia lhe dito sobre ela provavelmente ser um homem disfarçado e, embora não soubesse o motivo pelo qual Haruka ter se tornado um travesti, temeu que isso tivesse soado como uma ofensa — Ahn, q-quero dizer...! E-Eu não, bem... etto... — o loiro balbuciou, tentando se corrigir, mas não conseguiu pensar em nada bom o suficiente para dizer
– Humm... um "jeito materno", é...? — Haruka repetiu, arregalando os olhos de surpresa com o que ouvira, mas voltando a sorrir depois de se recompor. Olhou de esguelha para Tsukasa, que a encarava com um ar interrogativo, e ela acenou a cabeça de forma afirmativa, fazendo parecer que os dois estavam se comunicando por telepatia ou algo assim
– Ano nee, Tadase... havia uma outra coisa que eu precisava te contar — Tsukasa pronunciou-se — Bem, não sei se você chegou a perceber, mas... a Haruka não é... bem... não é exatamente uma mulher de verdade. Ela é... bom, um homem disfarçado como mulher — ele encarou o sobrinho com um ar que pretendia ser despreocupado, embora estivesse entre ansioso e apreensivo por dentro. Haruka os encarava do mesmo jeito, sorrindo levemente, embora não conseguisse disfarçar seu nervosismo tão bem quanto Tsukasa
– Ahh... então, ela era mesmo... — Tadase murmurou apenas, não tão surpreso quanto deveria, já que tinha sido previamente avisado por isso por Nagihiko. Ele apenas não sabia muito bem como deveria reagir
– Você já tinha percebido, Tadase? — seu tio indagou meio surpreso
– N-Na verdade não... bem... o Nagihiko notou isso e me contou — o loiro respondeu, encolhendo os ombros meio sem jeito
– Ah, sim... imaginei que o Nagihiko-kun perceberia mais facilmente — Tsukasa sorriu, recordando da infância do garoto, especialmente quando ele estava no primário
– O senhor tinha razão, como sempre, Tsukasa-san — Nagihiko sorriu, tentando soar em tom brincalhão, lembrando de como Tsukasa parecia sempre saber de tudo, com aquele ar de vidente que sempre emanava — Além do mais, me lembro de já ter visto algumas fotos da Haruka-san em algumas revistas de moda, e de uma matéria que falava sobre ela, então... bem, eu acabei notando
– Entendo... é bem a sua cara, Nagiihko-kun — Tsukasa deu um leve sorriso, embora ainda parecesse meio apreensivo com algo. Haruka apenas observava os dois mais jovens, ainda em silêncio, também parecendo meio temerosa em saber qual seria a reação deles — Bem, de qualquer forma, eu queria contar sobre isso pra vocês... e, bem... saber o que vocês acham... imagino que devam estar surpresos, ou chocados, mas...
– O que está dizendo, tio? o senhor já é adulto e dono da sua própria vida, não precisa dar satisfações nem a nós e nem a ninguém... deve apenas escolher qual caminho te faz mais feliz e seguir por ele, eu acho — Tadase respondeu, sorrindo meio sem jeito — Quero dizer, depois de tudo o que aconteceu, com certeza não tenho o menor direito de falar da vida dos outros, ainda mais de um adulto, mas... b-bem... e-eu realmente não sei o motivo pelo qual Haruka-san resolveu... ahn, se d-disfaçar assim, mas... se ambos estão felizes, é tudo o que importa, não é? — ele sorriu um pouco mais abertamente, ainda meio sem jeito
– Bom, acho que o Tadase já falou por nós dois — Nagihiko acrescentou, meio incerto se deveria estar se metendo naquele assunto ou não — O senhor está mais do que certo sobre isso, Tsuaksa-san. Acho que deve aproveitar que já é um adulto independente, e livre para escolher o que fazer da sua própria vida, sem ninguém para dar palpite sobre como o senhor deve viver. Gostaria de ter mais liberdade para poder viver assim também... — ele deixou escapar, sorrindo também
– Entendo... não sabem o quanto fico aliviada em ouvir isso, garotos — Haruka foi quem falou primeiro, deixando escapar um suspiro, parecendo realmente aliviada em ver uma reação tão positiva deles — Obrigada, fico muito feliz em ouvir, meninos
– Eu também... não imaginam o quanto estou feliz em ouvir isso, de verdade — Tsukasa acrescentou, sorrindo mais sinceramente dessa vez, também parecendo ter tirado um enorme peso das costas
– Ah, acho que posso imaginar sim, tio... — o loiro deixou escapar — Acho que deve ser mais ou menos como... bem, quando o Nagihiko e eu começamos a namorar, e... o senhor descobriu...
– Ah, sim... talvez seja parecido mesmo — Tsukasa concordou — E, Nagihiko-kun... não precisa ficar com esse ar tão preocupado. Um dia, quando você e o Tadase crescerem um pouco mais, certamente também serão livres para viverem suas próprias vidas como desejam, sem ninguém para interferir
– Ah, hai... eu espero que sim... — Nagihiko concordou em tom esperançoso, embora ainda parecesse estar nervoso com alguma outra coisa
– O que foi? Tem alguma outra coisa te incomodando? — seu Ex-Diretor indagou, adivinhando como sempre
– O senhor sempre acerta tudo, não é? — Nagihiko sorriu levemente, tentando soar despreocupado — Bem... eu só acho que... bom, eu entendo o motivo do senhor ter chamado o Tadase até aqui, ele é seu sobrinho afinal, mas... ainda não compreendo o porquê do senhor ter me convidado para vir aqui também...
– Como assim, não compreende? Eu já não te falei? — Tsukasa perguntou, meio surpreso que o garoto ainda estivesse pensando nisso — Você tem estado ao lado do Tadase por tantos anos, e tem cuidado muito bem dele por mim desde que voltou ao Japão... eu não moro mais com a Mizue-neesan há algum tempo, então não tenho visto ele com tanta frequência como antes, nem posso aconselhá-lo sempre como gostaria... ainda mais depois daquele surto dela quando nos desentendemos algumas semanas atrás. Mas você tem cuidado muito bem do Tadase por mim durante esse tempo todo, então já é praticamente da família afinal
– Ah, certo... então, muito obrigado, Tsukasa-san — Nagihiko respondeu, fazendo uma breve reverência
– A propósito, sobre o que o Tadase-kun mencionou antes — Haruka pronunciou-se, tentando guiar a conversa para um tema menos desconfortável — Eu me visto assim por causa do meu trabalho relacionado à moda. Embora deva admitir que é um hobby meu também — ela riu em tom brincalhão
– Ah sim, imagino que isso ajude no seu tipo de trabalho mesmo — Nagihiko concordou — Sem falar que eu aposto como minha mãe adoraria que eu tivesse um hobby como esse... — ele murmurou baixinho, mais para si mesmo
– Como disse? — Haruka indagou
– Ah, nada... não é nada — Nagihiko respondeu depressa
– Aliás, Tadase — Tsukasa chamou antes que Haruka pudesse fazer mais perguntas — Acho que nem preciso dizer isso, mas... por favor, mantenha segredo sobre a Haruka. Principalmente dos seus pais... imagino que a reação da Mizue-neesan não seria nada boa se soubesse sobre ela
– Ah, é claro, mas... não foi por causa dela que o senhor e minha mãe brigaram? — Tadase indagou, surpreso que suas suspeitas estivessem erradas
– Não, não foi... minha irmã nem sequer sabe sobre ela. E eu acho que seria melhor que ela continuasse sem saber — Tsukasa respondeu, também surpreso que o garoto tivesse chegado à essa conclusão — Você também, por favor mantenha segredo sobre esse assunto, Nagihiko-kun
– Sim, é claro — o rapaz respondeu prontamente, já acostumado a ter que guardar segredos
– Mas, tio... se não foi por causa da Haruka-san que o senhor e minha mãe brigaram... então foi por que? — Tadase indagou, movido por sua curiosidade novamente
– Já disse para não se preocupar com isso, querido. É apenas uma briga normal entre irmãos, você vai ver como isso logo vai passar — Tsukasa voltou a sorrir para ele e, embora Tadase ainda achasse que aquilo era algo muito mais sério do que um simples desentendimento entre irmãos, concluiu que era melhor não insistir mais no assunto
– Está bem — o loiro apenas concordou, baixando os olhos, até que viu o horário já tarde em seu relógio de pulso — Ah, desculpe, tio... eu adoraria poder ficar conversando mais com o senhor e a Haruka-san, mas preciso voltar logo... eu disse para minha mãe que voltaria cedo, e seu demorar demais, ela pode acabar desconfiando...
– Acho que o mesmo vale para minha mãe... — Nagi acrescentou
– Entendo, isso é bem provável mesmo — Tsukasa concordou — Bem, então até logo, Tadase, Nagihiko-kun. Tentem voltar mais vezes, certo?
– Acho que vai ser difícil, mas vou tentar — o loiro respondeu — Então, até logo Tsukasa-san, Haruka-san
– Bye, bye, meninos, foi um prazer conhecê-los! — ela exclamou sorrindo, acenando para os dois.
Depois que os dois garotos se despediram e se retiraram, Tsukasa indagou:
– O que achou dele, Haruka?
– Tadase-kun é mesmo um garoto muito fofo e gentil, como você falou... ele se parece mais com você do que eu imaginava
– Acho que sim... em mais sentidos do que eu poderia imaginar — Tsukasa concordou, referindo-se não apenas à aparência, mas também na personalidade e sobre seus gostos. Haruka percebeu que ele parecia levemente preocupado com essa semelhança, e passou um braço ao redor do pescoço dele, em um meio abraço
– Bem, essas semelhanças são de família afinal, não é como se fosse algo que se pudesse evitar — Haruka sorriu para ele, tentando animá-lo — E o Nagihiko-kun também me pareceu um ótimo garoto... ele realmente tem um porte incrível, gostaria mesmo que ele pudesse servir como modelo para a matéria da próxima edição da minha revista...
– Acho que isso pode ser arranjado, desde que a mãe dele não fique sabendo sobre qualquer tipo de ligação que você possa ter com o Tadase, por mais remota que seja — Tsukasa respondeu
– Tem razão, vou falar com o pessoal da editora sobre isso depois — ela concordou — Demo nee... tem certeza em deixar tudo como está, querido? — Haruka o encarou com o canto dos olhos, com um ar mais sério — Você deveria tentar se entender com sua irmã pelo menos, assim poderia voltar a ver o Tadase-kun com mais frequência...
– Já disse que é melhor assim, a Mizue-neesan é teimosa demais para entender certas coisas afinal — ele apenas sorriu, dando de ombros e se desvencilhando do abraço de Haruka, embora seu sorriso parecesse meio triste — Além do mais, o Tadase já tem alguém para cuidar dele. Mesmo que eu não possa mais vê-lo com tanta frequência como gostaria, o Nagihiko-kun tem cuidado dele bem melhor do que eu imaginava no meu lugar, então... desde que haja alguém para protegê-lo, já está bom. Isso é tudo o que importa por enquanto.
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