Então, sendo uma criança, e é claro, sendo um adulto

Os problemas continuam sendo intermináveis

E eu fico cansada de ouvir "está tudo bem, está tudo bem", Noite e Dia

Eu sei que o meu coração está mandando um S.O.S.

Não fique mais triste — Hey! Hey! Hey!

Coloque mais um pouco de tempero e canela

E não se esqueça da felicidade!

Não importa o que, eu vou sempre cuidar de você

Mesmo se você cair, eu vou te levantar de novo

Quero rir ao seu lado todos os dias

O amor está sempre apressado

E você é tão fofa!

Mesmo se o amor vai mal, não abaixe seus ombros

Eu estou com vontade de te abraçar

Capítulo 39

~

Cute

O longo dia dos namorados estava longe de terminar. Com a ajuda de Nanami para evitar as declarações indesejadas, que havia sido realmente efetiva, a notícia de que a noiva de Tadase havia entregado a ele chocolates na frente de todo mundo, e que não toleraria que nenhuma outra garota o fizesse se espalhou como fogo pelas interessadas. Os boatos iam apenas aumentando, e logo havia a opinião maciça de que os dois eram um casal apaixonado e feliz, e que ninguém deveria se colocar entre eles. Parecia que as garotas que antes se diziam apaixonadas por Tadase passaram a admirar ele e Nanami como um casal. Algo como um ideal a ser seguido, ou qualquer coisa assim

Isso não incomodava Tadase, apesar de ser mentira. Era um alívio não ter que lidar com aquelas garotas todos os dias, ser educado enquanto elas eram tão invasivas e indiscretas. Mas isso estava longe de melhorar o humor do presidente do Conselho. Sinceramente, ele ainda estava decepcionado por não poder passar o dia dos namorados com Nagihiko, logo o primeiro depois de tantos anos, e mesmo que não quisesse agir como criança e ficar resmungando pelos cantos, era impossível fingir que isso não o afetava.

Ele estava sozinho na sua sala, rodeado de papéis que não queria realmente ler. Amu havia sumido tão logo o sinal de fim das aulas tocou, e ele desejara sorte a ela. Rima ficara ali por alguns instantes, mas parecia estranhamente inquieta, e acabou sumindo minutos depois, também. Kukai nem apareceu. Todos estavam aproveitando aquele dia como podiam, e Tadase estava feliz por seus amigos, mas… não podia evitar sentir uma pequena inveja deles.

Se ao menos pudesse declarar seu amor por Nagihiko sem nenhuma preocupação, como todos os casais faziam normalmente. Se pudesse dizer para as garotas que não queria aceitar os chocolates delas, por que já tinha um lindo e perfeito namorado que fazia os melhores chocolates do mundo. Não… nada disso importava, se ele somente pudesse ter Nagihiko com ele, hoje. Sentir as mãos dele em seu corpo, ouvir a voz grave e rouca roçando seus ouvidos, o perfume dele impregnando nos seus sentidos…

— Tadase-san…

Tadase se ergueu de súbito, quase derrubando metade da mesa no susto, ao ouvir a batida fraca na porta.

— Ah! O que? Sim? Oh, meu Deus, é você Nanami… — ele se apressou em ajeitar os objetos de volta ao lugar, ainda perturbado. – E-eu estava distraído…

— Eu imaginei… — ela soltou uma risadinha fraca. Sabia em quem Tadase estava pensando, afinal, ele só pensava em uma única pessoa o tempo todo – Eu só… vim perguntar se você está muito ocupado hoje…

— Hm… tem esses documentos que eu tenho que terminar de revisar, e como você pode ver, eu estou sozinho… — tudo o que ele não queria era ter que ir ao encontro com Nanami. Ele era grato pela ajuda, e não era como se a odiasse de qualquer forma, mas isso era mais do que ele poderia suportar em um único dia.

— Entendo… bem, é que eu queria terminar de entregar os chocolates… e pensei que você poderia vir comigo, já que… s-seria embaraçoso… ir sozinha… — ela mostrou a sacola de papelão trazia na mão, e Tadase notou dois pacotes idênticos ao que havia recebido dela. Rapidamente, ele percebeu aonde ela queria chegar.

— Você quer entregar chocolates para o Nagihiko-kun? – ele indagou lentamente. Não queria pressioná-la por causa disso, claro que não. Ela tinha o direito de dar presentes para quem bem entendesse… mas também não conseguia fingir que isso não o incomodava.

— E para o Hideyoshi-kun também! – ela se apressou em dizer antes que Tadase ficasse com a ideia errada – São giri-choko. Não… possuem nenhum sentimento… nem nada assim.

— Tudo bem, eu não me incomodo, Nanami-san… — Tadase tentou soar natural, mas era obvio que estava incomodado. – Bem, acho que eu posso acompanha-la, sem problemas… — E além do mais, posso ver o Nagihiko-kun, nem que seja de longe…

Ah, obrigada! – ela logo sorriu, os cachos loiros agitando-se ao redor da cabeça – Vamos logo então, eles já devem estar indo para casa!

Tadase e Nanami seguiram pelo caminho até a Academia Iwasaki, mas nem precisaram chegar até lá. Pela mesma rua, enxergaram de longe os cabelos arroxeados e longos, e Tadase ficou esperançoso, mas foi só chegarem mais alguns metros perto que perceberam que era apenas Hideyoshi.

— N-n-nanami-san… — ele exclamou ao ver a garota, corando furiosamente até as orelhas – O que faz por aqui…?

— Eu e o Tadase-san estávamos a caminho de encontrar você e o Fujisaki-kun… — ela respondeu com naturalidade, e Hideyoshi tentou disfarçar o desapontamento que sentia por seu primo ter sido incluído na frase da garota.

— Onde está o Nagihiko-kun? – Tadase não se demorou em perguntar, esticando o pescoço para frente como se esperasse ver Nagihiko aparecer pela esquina a qualquer segundo.

— Ele saiu mais cedo hoje, alguma coisa sobre um ensaio… — Hideyoshi respondeu rapidamente, relembrando em um estalo sobre o relacionamento dos dois, e sentindo-se imediatamente sem graça com a situação. Esforçou-se para parecer despreocupado, mas seu desconforto era evidente até para Tadase, que se lembrou de repente daquela história que Nagihiko havia contado a ele, sobre Hideyoshi gostar de Nanami. Se ele próprio não podia ter um dia dos namorados decente, então que ao menos, pudesse ajudar as outras pessoas a terem, foi o que pensou.

— Nanami-san… você se importa se eu for para casa antes? Estou me sentindo um pouco indisposto… — ele disse de repente, e tentou parecer abatido, o que não era um grande desafio já que ele não estava no melhor estado de espírito. Nanami pareceu preocupar-se, mas ele a interrompeu – Não é nada demais, apenas uma dor de cabeça leve… mas já que o Hideyoshi-kun está aqui, ele não se incomodaria de leva-la para casa, não é?

— L-levar para casa?? É claro! E-eu não poderia deixá-la sozinha! – Hideyoshi gaguejou de mal jeito, com a voz mais alta do que deveria. Seu olhar corria nervoso para Nanami e de volta para Tadase, era evidente que ele havia percebido a tentativa de Tadase de deixa-los a sós, e como já imaginava que Nagihiko poderia ter contado a ele a verdade, não sabia exatamente como agir. Tadase apenas sorriu fracamente, na tentativa de fazê-lo entender que estava tudo bem.

— Então eu deixo a Nanami-san aos seus cuidados – ele disse. Hideyoshi corou furiosamente, mas Nanami apenas olhou de um para o outro, completamente aparvalhada com aquela estranha e inédita cumplicidade entre os dois garotos, que ela podia jurar, nunca haviam trocado mais de duas palavras entre si antes. – Muito obrigado…

Depois disso, Tadase seguiu seu caminho, e os dois enfim perceberam que estavam completamente sozinhos. Hideyoshi engoliu em seco, tentando suprimir o pânico total que ameaçava controlar seus sentidos a qualquer segundo.

— Ah, Hideyoshi-kun! – Nanami exclamou repentinamente, parecendo lembrar-se do principal motivo que a trouxera até ali somente agora. Remexeu na sacola que tinha em mãos, e tirou de lá um bonito pacote branco, com fita vermelha amarrando a ponta – Feliz dia dos namorados!

Hideyoshi fitou o presente que era entregue por alguns segundos, completamente atônito. Não esperava por aquilo. Sabia que no Japão as garotas tinham costume de entregar chocolates para seus amigos e para as pessoas que gostavam, mas pensou que Nanami, por ser tão reservada, iria preferir entregar somente para uma pessoa especial… que nesse caso, seria Nagihiko. Depois de perceber que havia deixado Nanami esperando com o embrulho no ar por tempo demais, ele avançou e o pegou, com as mãos trêmulas.

— Ob-brigado, muito obrigado… e-eu realmente não esperava… — ele sentia o rosto queimar, e sabia que deveria estar parecendo patético agora, realmente. Começou a caminhar, e Nanami o acompanhou, lentamente – Eu nunca… nunca havia recebido chocolates antes… é a primeira vez.

— Mesmo? – Nanami espantou-se – Ah, sim… você morou fora do Japão, não deve estar acostumado com esse tipo de coisas…

— R-realmente… na Inglaterra, não apenas as garotas dão presentes nessa data, todos distribuem flores e cartões entre os amigos e b-bem, os namorados… mas mesmo assim, eu nunca havia ganhado nada desse tipo… — ele contou, olhando para o presente nas suas mãos com um brilho genuíno de felicidade – E-eu… t-também… bem, não é nada tão bom quanto chocolate, é claro, mas eu… c-comprei para você… — ele estendeu um pequeno cartão para Nanami – É a tradição no ocidente, dar cartões, e como eu não estou familiarizado totalmente com a maneira japonesa de se comemorar a data…e-eu… não sei…

— Ah, obrigada, Hideyoshi-kun! – Nanami exclamou, pegando o cartão entre as mãos rapidamente para ler. Era a primeira vez que ganhava algo de um garoto nessa data. Era diferente… e muito fofo, também. O cartão tinha um grande coração vermelho, com fundo lilás de bolinhas na capa. Dentro, um coelhinho fofo segurando um buquê de flores, e a frase “você é especial para mim” em letras douradas logo acima. A única coisa escrita à mão era o nome dela na dedicatória, e a assinatura de Hideyoshi no rodapé.

— E-eu sei que é simples, e provavelmente nem é certo eu fazer isso, mas… — Hideyoshi foi interrompido pela atitude inesperada de Nanami, que saltou para cima dele, puxando-o pelo pescoço para um abraço. Ele travou, em choque pela surpresa.

— Foi a coisa mais linda que eu já ganhei, Hideyoshi-kun, de verdade‼ — ela exclamou, afastando-se finalmente dele – Muito obrigada!

Nanami tinha um sorriso radiante, e Hideyoshi mal podia conter a vontade que tinha de abraça-la daquele jeito novamente. havia sido tão repentino que ele mal pudera aproveitar… e agora, queria tocá-la de novo, nem que fosse por um segundo. Sua mente estava mesmo ficando fora de controle… esses pensamentos insanos que passavam e voltavam, estavam à beira de deixa-lo maluco. Ele só reparou que estava afastando um cacho dourado dos olhos dela, quando viu sua mão mover-se por vontade própria. Afastou-se, como se ela desse choque, e voltou a olhar para frente no caminho.

— Minha casa fica por aqui… — ela apontou para a esquina, quando Hideyoshi fez menção de seguir em frente. Ele sobressaltou, voltando a acompanhá-la, então.

Ela queria ter dito que ele não precisava ir junto, que ela ficaria bem sozinha, mas para falar a verdade, estava se sentindo um tanto egoísta hoje. Não se importaria de ficar mais algum tempo com Hideyoshi, ele a fazia sentir-se tão segura e confortável, como nunca antes. Ela podia falar de qualquer coisa com ele, sem se preocupar. Não havia conseguido entregar o chocolate de Nagihiko, era verdade… e só agora que reparara, parando para pensar, ela não se importava tanto assim com isso. Nagihiko tinha Tadase, não é mesmo? Talvez não fosse ruim comer ela própria aqueles chocolates afinal.



~



Finalmente, algum tempo livre. Utau encerrou o ensaio, e secando o suor com uma toalhinha de rosto, ela se dirigiu direto para o vestiário do estúdio. Estava trabalhando naquela nova coreografia com afinco, e ainda havia tanto a melhorar. Apesar disso, seria bom arrumar algum tempo para si mesma.

Depois de um relaxante banho, ela vestiu o sobretudo branco e o cachecol roxo no pescoço. Colocou as botas de couro preto, e pegou a pequena sacolinha decorada que esteve esperando por ela esse tempo todo. Ainda havia tempo para passar na casa de Kyouharu e entregar aqueles chocolates, antes da hora dele sair para a faculdade. Se ela tivesse sorte, podia ficar alguns minutos com ele. Seriam os primeiros minutos desde o início daquela semana, a propósito.

Ela estava pronta para sair, quando Yukari a barrou no meio do corredor.

— Onde está indo, Utau? – ela indagou, impassível, ajeitando os óculos com a mesma mão que segurava uma caneta, enquanto na outra tinha uma agenda, provavelmente de Utau. A jovem suspirou. Cada segundo enrolando naquele corredor era um segundo a menos com Kyouharu. E por mais que ele fosse irritante, com aquele jeito todo calmo e superior, ela sentia falta de passar tempo com o seu surfista!

— Eu preciso ir… a algum lugar… ver uma pessoa – Utau tinha quase certeza de que se revelasse seus verdadeiros planos, seria repreendida na hora. Era difícil ser uma estrela pop que namora. As revistas de fofoca andavam doidas por esse tipo de publicidade.

— Não mesmo. Você tem um compromisso. – Yukari foi resoluta, e nem mesmo Utau abriu a boca para reclamar, ela já a parou – Sem discussão. Esse compromisso está agendado há meses, e se você faltar, o prejuízo será imensurável!

— M-mas… Yukari…

— Já disse que você não tem opção! Vamos, seu carro está esperando por você no estacionamento. – ela foi empurrando Utau para a porta. Quando ela pensou em perguntar como saberia qual carro era, Yukari já havia sumido novamente pelo corredor, sem dar nenhuma satisfação.

Sendo assim, Utau seguiu pelo pátio da produtora, que estava estranhamente vazio para um dia de semana, mas era compreensível se fosse considerar o tempo chuvoso que se instalava desde o amanhecer. O céu tinha carregadas nuvens cinzentas, nada propícias para um dia como aquele, mas era ideal para quem gostasse de assistir a um filme, enrolado no cobertor, com o seu namorado… Ela queria poder fazer isso hoje.

Chegando ao estacionamento, ela procurou por qualquer carro que parecesse estar esperando por alguém, mas uma figura logo se destacou na sua linha de visão, e ela esqueceu imediatamente de todo resto.

Kyouharu, escorado tranquilamente em um carro preto, vestia um terno que caia muito bem nele, e trazia um grande ramalhete de rosas vermelhas nas mãos. Os cabelos loiro-alaranjados, raramente vistos tão arrumados, caiam em pontas pelo ombro direito. Os olhos azuis brilharam ao vê-la ao longe, e ele abriu um sorriso de canto, debochado e presunçoso, o favorito de Utau, embora ela nunca admitisse. O coração dela acelerou, como na primeira vez que se encontraram.

— O que está fazendo aqui? Não era para estar se preparando para a aula? – ela o censurou logo que chegou perto de Kyouharu. Ele desencostou do carro e entregou as flores a ela, antes de responder.

— Não tenho nenhuma aula realmente importante hoje – ela maneou com a cabeça. Utau aceitou as flores, e elas tinham um aroma magnifico, mas ela ainda estava desconfiada.

— Por que está aqui?

— Fiz uma reserva em um restaurante que você adora, e depois disso, podemos ir até a minha casa…

— Eu não posso! Yukari disse que tem esse compromisso inadiável…

— Exatamente… — ele a enlaçou pela cintura – Seu único compromisso hoje é comigo. Reservei alguns dias do ano na sua agenda com antecedência, eu sou muito organizado… — ele se inclinou, roubando um beijo da despreparada Utau, que jamais esperaria que seu namorado estivesse um passo a frente dela. Raramente ela era pega de surpresa por alguém.

— Mas… eu não posso ir à sua casa! Yukari diz que se os fotógrafos descobrem o seu endereço…

— Sssh… não pense em nada disso, ok? Eu cuido de tudo. Yukari me deu permissão, ao menos por hoje, de quebrar um pouco as regras. – ele piscou um olho, e afagou o rosto da garota, aproximando seus rostos – Pode dar a honra de deixar de ser Hoshina Utau por essa noite, para ser somente a minha Utau?

Como resistir a esse pedido? Utau segurou as flores com apenas uma das mãos, e com a outra, segurou o rosto de Kyouharu, pressionando-o contra o vidro do carro. Juntou seus lábios, em um necessário e lento beijo, que durou por tanto tempo quanto fosse possível para aplacar ao menos um pouco daquela saudade que ela sentia permanentemente. Sabia que tinha que abdicar de algumas coisas da vida normal em nome da sua carreira, e tinha isso em mente quando começou a namorar Kyouharu, mas… as vezes, era difícil aceitar certas limitações. Porém, ela estava disposta a esquecer disso por somente uma noite, e agir como uma garota normal, apaixonada e feliz com o seu namorado.

— Hey… não está esquecendo nada, não? – Kyouharu indagou no ouvido dela, ainda abraçando-a. Utau riu, afastando-se para pegar a sacola que estava na mesma mão com que ela segurava as flores. Estendeu para Kyouharu.

— Feliz dia dos namorados, seu surfista idiota!



~



Depois de deixar Nanami e Hideyoshi a sós, esperando sinceramente que eles fizessem algum progresso, Tadase continuou caminhando. Durante todo o percurso, via casais passeando de mãos dadas, voltando da escola, garotos felizes com seus chocolates em mãos, garotas em pequenos grupos, rindo e corando, dividindo histórias. As lojas ainda apresentavam as decorações cheias de flores e corações, como havia sido aquela semana inteira. Parecia até provocação.

Ele seguia apressado pela rua, tentando apagar aqueles pensamentos pessimistas da sua cabeça. Era apenas um dia… um dia que ele não poderia ficar com Nagihiko. Não havia porque ser tão egoísta, e ficar reclamando sobre isso depois, além de não resolver nada, ainda iria fazer Nagihiko pensar que não estava fazendo o suficiente, e eles acabariam brigando, exatamente como nas outras vezes.

Tadase teve a leve sensação de estar sendo observado, e sobressaltou. Mas no mesmo minuto, seu celular tocou, e antes que ele se preocupasse com qualquer outra coisa, sua mente logo só conseguia se concentrar no fato de que era Nagihiko ligando, e ele continuou a caminhar, atendendo ao telefone.

— Tadase-kun, você está onde? – Nagihiko disse antes mesmo de cumprimenta-lo.

— Estou indo para casa. Você… ainda está no ensaio…? – ele indagou, tentando não parecer inseguro, mas ainda ansioso. Claro que não pensava que Nagihiko o enganando… na verdade, era mais uma pequena esperança de que o dia ainda poderia ser salvo, que não se deixava ser apagada.

— Eu estava, mas minha mãe acabou de me liberar, e foi para casa. Eu disse que queria ensaiar mais alguns passos, ela ficou bem satisfeita com isso. Como ela já foi faz mais de uma hora, e eu tenho certeza de que ela não vai voltar mais, então pensei se talvez… você quisesse… passar por aqui… mas se você já estiver longe, não precisa…

— Não diga mais nada, Nagihiko-kun! – Tadase o cortou, já virando a esquina e começando a correr o máximo que podia, quase derrubando a bolsa do ombro – Eu estou indo‼!

Depois de atravessar um sinal vermelho, quase atropelar quase duas pessoas e tropeçar em todas as calçadas por todo o percurso, Tadase enfim chegou ao estúdio. Arrependia-se agora pela sua afobação, pois prestes a encontrar Nagihiko depois de dias, estava suado, desalinhado, com o cabelo todo desgrenhado, a roupa amassada e ainda cansado.

Usando a sua chave, que ele mantinha sempre bem segura no colar que usava o tempo todo, ele entrou no prédio, tendo o cuidado de manter a porta bem trancada logo depois. O hall de entrada estava vazio, como era de se esperar. Ele seguiu pelo corredor do primeiro andar, pois podia avistar uma luz tênue que vinha daquele lado. Andava devagar, pensando em talvez surpreender Nagihiko, embora tivesse certeza de que ele teria ouvido o barulho da porta abrindo.

Enfim, chegou à primeira sala de dança, a única com a porta aberta. As paredes da sala eram todas forradas de espelho do chão ao teto, com barras laterais cortando-as na metade. Em um daqueles cantos, havia um espaço forrado com um futon, lençóis, e almofadas. Ao redor, haviam velas de tamanhos variados, e essa era a única luz proveniente no lugar, tornando a atmosfera relaxante e aconchegante. Do outro lado, uma toalha com pratos e alguns lanches, todos evidentemente comprados da loja de conveniência da rua, pois ainda tinham a sacola da embalagem.

Tadase nem teve tempo de reagir apropriadamente àquela surpresa, pois logo, Nagihiko surgiu no outro lado do corredor, com um pacote em mãos.

— Ah, você já viu a minha surpresa! – Nagihiko murmurou como se estivesse repreendendo Tadase – Eu sei que não é muito, eu só tive o tempo em que a minha mãe saiu para preparar tudo isso, de improviso, mas… eu espero que você tenha gostado, Tadase-kun…

— É claro que eu amei! – Tadase pulou nos braços de Nagihiko, sem conter seu entusiasmo – Era tudo o que eu queria, poder passar algum tempo com você, em algum lugar onde não pudessem nos encontrar, onde nenhum problema chegasse… apenas eu e você… um refúgio… era tudo o que eu queria! – ele exclamou, segurando o rosto de Nagihiko entre as mãos trêmulas de emoção. Nem conseguia mais se lembrar mais de como se sentia desanimado no início daquele dia. Só sabia que agora, estava muito, muito feliz.

— Que bom… — Nagihiko sorriu, afagando os cabelos bagunçados de Tadase nos dedos finos – Eu fiquei tão mal quando pensei que nós não poderíamos nos encontrar hoje… aqui, eu preparei para você… — ele erguei o embrulho cuidadoso que tinha em mãos, dourado com corações vermelhos nas bordas. Os olhos de Tadase brilharam.

— Chocolate! – ele exclamou como uma criancinha na manhã de Natal, ao abrir a caixa – Eu senti tanta falta dos seus chocolates…

— Só deles?

— Claro que não, seu bobo! – Tadase sorriu, e se colocou na ponta dos pés para agradecer apropriadamente com um beijo – Obrigado…

— É apenas minha orbrigaçaõ como seu namorado… — Nagihiko sussurrou de volta, deslizando os lábios para o pescoço descoberto de Tadase. Ele ofegou.

— Não… e-eu vim correndo até aqui, devo estar suado… — ele tentou se afastar, mas Nagihiko era mais rápido e forte, e o segurou pela cintura. Só havia a caixa de chocolates entre eles agora.

— Eu não me importo… — Nagihiko foi conduzindo Tadase na direção do seu cantinho improvisado – Adoro seu cheiro, na verdade…

— N-nagihiko-kun... – Tadase gemeu, sentindo a língua de Nagihiko percorrer seu pescoço até a orelha. Rendeu-se, deixando que Nagihiko o conduzisse para o mar de almofadas aleatoriamente colocadas, e teve o cuidado de empurrar a caixa de chocolates para o lado, antes de sentir o peso de Nagihiko acima do seu corpo, tão confortável. Deixou que ele o beijasse profundamente, explorando com a língua todos os cantos possíveis, até que o ar dentro dos seus pulmões sumisse.

A mão dele deslizou pela sua pele, abaixo das muitas camadas de casacos. Ele sentiu um arrepio surgindo a partir dos pontos onde ele tocava, e o calor se espalhando rapidamente. Desejava que Nagihiko tirasse logo suas roupas, ou sentia que iria sufocar a qualquer segundo.

— Ah, Tadase-kun… — Nagihiko murmurou entre um beijo e outro, afastando-se apenas para se livrar do sobretudo e do suéter de baixo dele – Eu estava com tantas saudades de você… — ele o beijou novamente, e ergueu a camisa de Tadase até bem acima, descendo e distribuindo beijos pelo abdômen liso dele, fazendo-o arquejar alto.

— Na-nagi…hiko-k-kun… — Tadase se esforçou para falar, tocando com a mão os cabelos de Nagihiko, entrelaçando os dedos ali – A comida…

— Nós comemos depois. – Nagihiko não hesitou em responder, erguendo mais uma vez o rosto para encarar Tadase diretamente. Quando seus olhos se encontrara, reluzindo nas chamas bruxuleantes da pouca luz disponível, Tadase sentiu algo inflando em seu peito, parecendo crescer tanto a ponto de transbordar. Ele já não conseguia mais aguentar… amava tanto aquele garoto, e faria qualquer coisa por ele. Não sabia nem o que fazer com tanto amor.

Ergueu as mãos, afagando de leve o rosto dele, escondido pelos cabelos longos, e sorriu afavelmente. Sim, sua vida era Nagihiko. Como alguém poderia pensar o contrário? Outro beijo sôfrego e intenso iniciou-se, e a partir dali, a razão foi deixada de lado, e ambos deixaram-se levar pelos sentimentos. Tadase sentia que poderia voar, a qualquer segundo, inebriado pela presença de Nagihiko. Ele era tudo o que precisava, tudo o que tinha, sua vida não tinha significado algum se não fosse ele. Enquanto estavam juntos, naquele fim de tarde do dia dos namorados, celebrando o amor que sentiam um pelo o outro, eles estavam perfeitamente felizes um com o outro.

Mesmo que as pessoas costumem pensar que esse tipo de romance, perdidamente apaixonado e intenso, seja clichê, e já não exista… basta olhar ao redor, e ver que isso não é verdade. Algumas pessoas apenas querem encher o mundo de canções tolas de amor, de balões coloridos, rosas vermelhas e chocolates. E o que há de errado nisso?

Eu te amo…

…eu te amo…

As palavras suspiradas entre eles eram os únicos ruídos que enchiam a sala, depois de muitos minutos. Eles se amavam. Não havia como explicar isso, era apenas… muito claro para os dois. Então… como é que algumas pessoas não conseguiam simplesmente ver isso, e deixá-los juntos e em paz?

Notas finais
Shiroyuki aqui o/ encerrando o arco de dia dos namorados agora com esse capítulo XDD esse clima romântico e fofo, aahhh