Itsumo Yakusoku

31 Capítulo 31 - Shining Days


Notas iniciais
Shining Days - Minami Kuribayashi http://letras.mus.br/mai-hime/505635/traducao.html


Para o fluxo de brilho de estrelas
O murmurar do nosso próprio desejo
É importante para cada um de nós

Quando eu fecho meus olhos,
Só você me vêm à mente
Eu quero ir encontrá-lo agora

Porque duas vezes você não voltou
E não vou te abandonar neste momento
Você iluminou a minha vida
E fez dela linda

A batida que queima em meu coração
Começa a palpitar
Na mesma velocidade que naquele dia
Quero descobrir o meu verdadeiro eu

Eu renasci, a fim de protegê-lo
Pegando o milagre que mantém passando
Até o próximo mundo
Poderoso e eterno


Capítulo 31

~

Shining Days

Raios de sol começavam a penetrar pelas frestas da cortina, atingindo com cada vez mais intensidade as pálpebras fechadas dos olhos de Fujisaki Nagihiko, forçando-o a acordar logo porém, ainda assim, ele recusava-se a despertar. Estava tendo um sonho tão bom e tão intenso que recusava-se a acreditar que era apenas um sonho, de tão realista que era. Sonhava que, por algum acidente estranho provocado por Utau, as passagens dele haviam sido trocadas e ele tinha ido parar em algum hotel junto com Tadase. Eles faziam as pazes e o loiro retirava suas duras palavras sobre terminar seu relacionamento, admitia que ainda o amava e que não queria deixá-lo. Os dois voltavam a se entender e a serem namorados de novo... e tinham feito muito mais do que isso. Tinham vivido suas emoções ao máximo dessa vez, explorado os sentimentos e os corpos um do outro do modo mais intenso possível e se tornado um só naquela noite. Era um sonho tão detalhado e realista que parecia difícil acreditar que se tratava apenas de um sonho. Era tudo maravilhoso demais, e Nagihiko recusava-se a despertar para encarar a dura realidade de que tudo não passava de mais uma das loucas fantasias de sua mente, e que, quando abrisse os olhos e levantasse, estaria no hotel escolhido por sua mãe para cuidar daquela convenção chata de dança, junto de seu primo. Imaginou por um momento o que Tadase, que desistira de lutar por ele e temrinara o relacionamento, pensaria se soubesse que ele teve um sonho daqueles com ele... certamente o loiro morreria de vergonha e lhe daria uma bronca enorme quando se recuperasse do embaraço. Mas seu sonho estava tão bom e perfeito que Nagihiko ainda não queria acordar... se ele se concentrasse um pouquinho mais, podia até sentir o calor do corpo de Tadase colado contra o seu, envolvido em seus braços, enquanto ele devia estar abraçando na verdade algum travesseiro fofo ou coisa parecida.
Mas, espere... travesseiros não tinha braços. Nem pernas, nem cabelo.


Franzinho um pouco a testa, ainda em seu estado sonolento, Nagihiko cogitou se, por alguma hipótese absurda, Hideyoshi teria tido um pesadelo durante a noite e corrido para a cama do primo ou coisa parecida. Mas, não, não podia ser ele... Hideyoshi era mais velho do que ele e não tinha aquele tamanho tão diminuto. Sem falar que seus cabelos eram mais longos do que aquilo... e ele não tinha aquele cheiro delicioso que apenas Nagihiko conhecia tão bem.


Entre temeroso e esperançoso, Nagihiko abriu um dos olhos minimamente e, confirmando suas suspeitas, ainda em choque, deparou-se com Hotori Tadase envolvido em seus baços, ressonando profundamente ao lado dele. Abriu o outro olho e, observando ao redor, viu que se encontravam de fato no que parecia ser uma suíte de lua-de-mel, um quarto que certamente não devia ter sido escolhido por sua mãe. Aquele quarto era idêntico ao de seu sonho e, depois que seus sentidos começaram a despertar melhor, quando seu estado de sonolência foi passando, Nagihiko deu-se conta de que ambos estavam cobertos apenas pelo edredom jogado em cima de seus corpos e que não vestiam nada além disso. Confirmou esse fato ao ver as roupas de ambos jogadas de qualquer jeito em um canto ao lado da cama. Não podia ser... então, será que aquilo significava que.... não tinha sido um sonho afinal? A troca de passagens, a reconciliação, e o que fizeram depois dela... aconteceu mesmo?! Nagihiko levou alguns segundos para absorver aquela informação e, quando o fez, sentiu-se a pessoa mais feliz do mundo, tanto que sentia que toda aquela alegria poderia explodir em seu peito há qualquer momento.


Depois de alguns longos minutos observando o rosto tranquilo de Tadase dormindo em seus braços, olhou para o relógio pendurado em uma parede. Já era quase meio-dia, os dois dormiram praticamente a manhã inteira depois daquilo. Bem, já era de se esperar, a viagem foi longa e cansativa, os dois vagaram sem rumo durante horas pela cidade, e o que fizeram naquela noite foi... algo realmente cansativo, considerando que foi a primeira vez de ambos. Tentou levantar-se da cama sem fazer barulho para não acordar Tadase, mas, o loiro o apertou ainda mais, abraçando-o com força enquanto dormia, e murmurou entre o sono.


– Humm.... Fuji... saki... kun...


Ele, em especial, devia estar completamente exausto depois do que fizeram. Nagihiko olhou ao redor e, esticando um dos braços, puxou o telefone e falou, o mais baixo possível para não acordar o menor:


– Alô, serviço de quarto? Sim, aqui é do quarto 311. Quero fazer um pedido...


Assim que desligou o telefone, Nagi voltou a abraçar o menor, ainda adormecido ao seu lado. Acariciou de leve os fios loiros que caíam sob seu rosto, sem conseguir de deixar de tirar um sorriso bobo dos lábios. Não podia acreditar que aquilo havia acontecido mesmo. Estava tão feliz que sua primeira vez havia sido mesmo com Tadase. Com a pessoa que amava desde... bom, havia tanto tempo, que ele simplesmente concluíra que era desde sempre. Tudo parecia perfeito demais para ser verdade, mas... no fundo, ainda tinha certo receio das consequências que teria que enfrentar quando o menor despertasse. O próprio Tadase havia milagrosamente tomado a iniciativa de pedir que eles fizessem o que fizeram na noite passada, mas... e se tudo aquilo fosse meramente uma ação movida pelo impulso? Pelo medo de ficar sozinho naquele lugar, e ao lado da única pessoa que tinha namorado afinal? E se ele se arrependesse quando acordasse? Não queria pensar nisso, queria tirar esses pensamentos ruins da cabeça, mas... a resposta para isso ele só teria quando o loiro despertasse. O que, curiosamente, não demorou muito para acontecer.


Tadase piscou por alguns segundos, provavelmente acordando com os leves toques de Nagihiko acariciado seus cabelos e, depois de focalizá-lo, murmurou:


– Fujisaki... kun...?
– Sim... ohayou, meu amor... — o maior sussurrou de volta, sorrindo para ele, apesar do receio que sentia da reação do menor
– Humm... o que...? Ah...! — os olhos sonolentos de Tadase arregalaram-se subitamente com o turbilhão de lembranças que invadiram sua mente. A troca de passagens, os dois vagando sem rumo por aí, eles dividindo o mesmo quarto de hotel... o sofrimento dele por se arrepender de terminar com o maior, a reconciliação... e o que fizeram depois que ela aconteceu... Tadase lembrou-se de tudo, especialmente depois desse último fato, tão detalhadamente que o rosto dele coloriu-se de vermelho cada vez mais intensamente conforme as lembranças vinham retornando aos seus pensamentos. Em um ato tolo, talvez de confirmar se aquilo tinha sido apenas um sonho ou se aconteceu mesmo, ele ergueu minimamente o edredom, olhou debaixo dele e, ao confirmar que nenhum dos dois estava vestido, voltou a abaixar o edredom depressa, e escondeu o rosto enrubescido entre as mãos, o coração palpitando descompassado em seu peito. Então era verdade mesmo... aquilo de fato tinha acontecido. Tadase estava tão feliz por sua primeira vez ter sido com Nagihiko que não encontrava palavras para descrever o que sentia agora, em parte por ainda estar morrendo de vergonha, e tentava conter uma imensa vontade de chorar de alegria. Mas também sentia medo, que começava a crescer lentamente em seu peito... nunca havia passado por aquela experiência antes, e não sabia como agir agora que tinha acabado. O que ele deveria dizer agora, o que devia fazer? Tadase não fazia ideia... será que Nagihiko tinha gostado do que fizeram? E se não tivesse, o que ele deveria fazer? Tadase não sabia...não tinha a menor ideia de como agir depois do que fizeram na noite passada
– Etto, Hotori-kun... bem... sobre a noite passada... — Nagihiko começou a falar, sem saber realmente o que dizer a seguir, já que nunca tinha passado por isso também, mas quando viu Tadase erguer mais o edredom até esconder seu rosto corado, teve um mal-pressentimento. Será que Tadase não tinha gostado do que fizeram afinal? Sabia o quanto o loiro era tímido, e parecia mesmo estar agindo por impulso, mas... e se ele não tivesse sido cuidadoso o suficiente? E se tivesse machucado Tadase, e se o menor estivesse com medo de que o que fizeram não fosse nada mais além do que doloroso, e não prazeroso, como ele achou que fosse? Eram tantas as possibilidades... porém, Nagi resolveu continuar, mesmo com o loiro escondendo o rosto dele — Bem, se não quer olhar pra mim, tudo bem, mas... ainda assim, gostaria que você me ouvisse. Eu queria dizer que... independente de como você possa estar reagindo agora, ou do que esteja sentindo, gostaria que você soubesse... de que eu nunca fui tão feliz como no dia de ontem. Sei que o dia em si não foi muito bom, e nossa relação estava estranha por causa daquela... ahn, briga, ou rompimento, ou... não sei exatamente como chamar aquilo, mas... quero que saiba que, independente disso, nunca fui tão feliz em toda a minha vida quanto na noite de ontem. Eu sempre te amei desde que éramos crianças, desde a época em que eu era obrigado a viver como Nadeshiko, e guardei esses sentimentos por tanto tempo... na época em que começamos a namorar, eu fui realmente muito feliz, e jurei a mim mesmo que iria cuidar e proteger você, mas... aquela separação aconteceu, e depois, eu finalmente consegui voltar, porém... as coisas não eram mais as mesmas, é claro. Nós dois havíamos crescido, sem saber como o outro estava por causa da separação. Tentamos continuar o relacionamento, mas... foram tantos problemas... e, bem... é claro que você pode estar reagindo de várias maneiras diferentes depois do que fizemos, eu não sei se você não gostou, se está arrependido, se agiu por impulso ontem, ou se está apenas se escondendo de vergonha, mas... independente do que for, saiba que eu não me arrependo de nada do que fizemos ontem. Porque, na noite passada, nós nos tornamos um de corpo e alma... e, ainda que você esteja arrependido e não queira mais ficar comigo ou coisa parecida, eu... tenho mais certeza do que nunca de que meus sentimentos por você nunca vão mudar, eles permanecerão os mesmos para sempre... e, mesmo que você não queira mais ficar comigo, eu sinto que renasci, e me tornei uma nova pessoa depois do que aconteceu ontem. E, mesmo que você queira me deixar, eu continuarei te protegendo de tudo e de todos, mesmo que seja à distânca... porque você é e sempre será a pessoa que eu mais amo, Hotori Tadase.


Nagihiko levantou-se da cama, vestiu rapidamente um robe pendurado em um cabide próximo e, quando já ia se afastar da cama, sentiu a mão de Tadase segurar seu pulso, detendo-o. Quando voltou a olhar para o loiro, viu que ele tinha abaixado minimamente o edredom, apenas para poder encará-lo. Só pela testa vermelha e os olhos brilhantes que podia enxergar, sabia que ele ainda devia estar muito envergonhado, tanto que Tadase provavelmente poderia fritar um ovo em sua testa.


– F-Fu-Fujisaki... kun... — ele começou, e sua voz estava tão baixa que não passava de um leve sopro — E-Eu... q-quero que saiba que... não estou arrependido de... b-bem... d-do que aconteceu ontem. A-Aquilo foi... s-só de lembrar, sinto uma vergonha imensa, é verdade, e... e-eu nunca tinha feito a-aquilo antes, e não sei muito bem como agir agora, mas... ainda assim, me sinto muito feliz... que a minha... err... p-primeira vez... t-tenha sido com você... a única pessoa que já amei de verdade. Eu também... não me arrependo de nada, e... por mais embaraçoso que seja pensar nisso, eu... estou muito feliz... pelo que aconteceu. Tanto que sinto até vontade de chorar de felicidade. Então, por favor, não pense que estou arrependido, ou que vou querer terminar com você de novo... é que eu... e-estou mesmo com m-muita vergonha daquilo, mas... eu não me arrependo de nada, então... p-por favor, não fale sobre terminar de novo, nem diga que vai romper comigo... não depois do que f-fizemos... p-por favor, não me deixe... n-não depois d-daquilo...! — ele cerrou os olhos com força, parecendo estar fazendo um esforço enorme para não chorar, e Nagihiko voltou rapidamente para a cama e o tomou em seus braços, envolvendo-o carinhosamente e o abraçando com força, tentando impedir que ele chorasse
– Shhh... está tudo bem, calma, meu amor... eu não vou te deixar de modo algum. Nunca mais vamos nos separar, não importa o que aconteça, nem os problemas que tenhamos que enfrentar. Eu te amo, você sabe disso... sempre te amei e sempre vou te amar, não importa o que aconteça — Nagihiko falou com a voz suave, envolvendo-o gentilmente com um dos braços, enquanto acariciava os cabelos dele com a outra mão, tentando acalmá-lo — Você é a pessoa mais importante do mundo pra mim, Hotori-kun... eu simplesmente não consigo imaginar minha vida sem você ao meu lado. E, mesmo se você quisesse me deixar, eu continuaria te seguindo e protegendo você de longe, mesmo que precisasse virar um tipo de stalker pra isso... porque eu nunca vou deixar de te amar. Eu também me sinto muito feliz e realizado com o que fizemos ontem, não me arrependo de nada, muito pelo contrário... você me fez o homem mais feliz do mundo ontem à noite... então, por favor, não chore...
– V-Você jura? Jura que eu não fiz... n-nada de errado...? J-Jura mesmo que g-gostou daquilo... mesmo eu sendo um rapaz...? — Tadase ergueu minimamente os olhos vermelhos para encará-lo, um tanto temeroso
– É claro que sim... eu sempre soube que você é um homem afinal, e sempre te amei mesmo assim, não é? — Nagi respondeu, sorrindo para ele — Além do mais, nós prometemos ficar juntos, não importa o que aconteça, não foi? Você se lembra... da nossa promessa? — Nagi indagou, erguendo a mão com apenas seu dedo mindinho levantado e, depois de alguns segundos, Tadase entrelçaçou seu próprio dedo mindinho no dele
– É claro que me lembro... fui eu quem prometi á você ficar sempre ao seu lado afinal... aquela foi e sempre será a promessa mais importante da minha vida...
– Da minha também — Nagihiko respondeu, com o dedo ainda entrelaçado ao dele — E, não se esqueça, se fosse para um de nós ser uma mulher, então acho que esse seria o meu caso, já que eu sou o travesti oficial daqui afinal — ele acrescentou, e conseguiu arrancar um sorrisinho sem graça do loiro — E você...? Mesmo tendo me vestido como garota boa parte da minha vida, você sempre soube que sou um rapaz na verdade, então... bem... está mesmo tudo bem ter feito aquilo com um homem?
– É claro... eu sempre soube o que você era na verdade... e me apaixonei por você mesmo assim ,não foi? — o menor respondeu, agarrando com força o robe que cobria o corpo do namorado como se isso pudesse lhe dar coragem para encará-lo — Independente de você ser homem ou mulher, não importa... você é a pessoa por quem eu me apaixonei, e eu sempre vou te amar... Fujisaki Nagi... N-Nade... N-Nagihiko e Nadeshiko... q-quero dizer... ah, você entendeu! — ele abaixou a cabeça mais uma vez, voltando a esconder o rosto corado no peito do maior
– Sim, entendi perfeitamente... humm... T-Tadase — Nagihiko sorriu de volta, chamando-o pelo primeiro nome num impulso, tendo a ideia depois do que o menor havia dito. Tadase voltou a encará-lo com os olhos arregalados, e ele acrescentou — Ahn... bem, é que... depois do que nós fizemos, eu pensei... que, talvez, pudéssemos começar a nos chamar pelo primeiro nome à partir de agora... o que acha? — ele indagou meio incerto
– Ahn... é um tanto embaraçoso... e bem estranho, na verdade, estou tão acostumado a te chamar de "Fujisaki-kun" por tantos anos, mas... a-acho que você tem razão... N-Na... N-Na-Nagi... hiko... — ele pronunciou a última palavra quase num sussurro, mas sorriu minimamente para o maior, um tanto sem jeito, e alargou um pouco mais o sorriso ao ver que Nagi sorria de volta para ele.


Depois que viu que o loiro tinha gostado da ideia e se acalmado um pouco, Nagihiko ouviu o barulho de alguém batendo na porta e tomou o impulso de se levantar novamente, mas Tadase agarrou-se á ele outra vez, impedindo-o.


– A-Aonde você vai?? — ele indagou, tomado mais uma vez pela insegurança
– É que eu pedi serviço de quarto agora a pouco... preciso ir atender a porta — Nagi respondeu tranquilamente — Não se preocupe, eu já volto — ele enfim levantou e, desapareceu por breves segundos, que pareceram uma eternidade para Tadase. Felizmente, Nagi retornou logo depois, trazendo uma enorme bandeja com uma variedade imensa de comida sobre ela. Deitou-se novamente na cama, apoiando a bandeja em seu colo — Você deve estar com fome, não? Já é meio-dia afinal, nós dormimos bastante
– O que?! N-Nós dormimos tanto assim?? — Tadase espantou-se ao olhar para o relógio — Ahh não, nós precisamos levantar...
– Shhh... calma, está tudo bem. Não tenha pressa, não tem mais ninguém aqui, então podemos aproveitar mais um pouco — Nagi o tranquilizou, puxando o menor de volta pra cama — Agora, por que não veste um robe também e se senta pra comer comigo? A menos que você queira ficar assim mesmo, eu não me importo nem um pouco, sabe... — ele deu uma risadinha, e Tadase voltou a corar
– E-Eu acho que prefiro v-vestir alguma coisa... — ele tomou o impulso de sair debaixo das cobertas da cama, quando lembrou-se de que estava sem roupa alguma e, se saísse agora, Nagihiko o veria como veio ao mundo. Bem, eles já se viram assim antes, e depois do que fizeram ontem, isso nem fazia diferença agora, mas... de certa forma, a noite de ontem ainda parecia tornar tudo ainda mais constrangedor — Etto... e-eu sei que, depois de ontem, isso provavelmente não faz diferença, mas... s-seria tolo demais eu pedir pra você n-não olhar...? — ele indagou incerto para o maior, o rosto voltando a colorir-se de vermelho
– Realmente não acho que faça diferença, mas... tudo bem, se não quiser, eu não olho — Nagi sorriu, vendo que ele ainda tinha seus momentos de timidez, e voltou sua atenção para a bandeja de comida, enchendo um copo de suco. Alguns segundos depois, Tadase retornou para o lado dele, vestindo um robe branco idêntico ao do namorado, sem conseguir encará-lo
– Vamos, Hoto... digo, Tadase, você precisa comer também — Nagi o incentivou, quase chamando-o pelo sobrenome de novo por força do hábito — Sente-se direito pra tomar o café da manhã, anda
– Tá bem... ah... aiii... — ele gemeu de dor ao sentar-se direito, sentindo uma repentina dor na região traseira
– Ah, é mesmo... hum... d-desculpe por isso... é culpa minha afinal — Nagi baixou um pouco a cabeça, seu sorriso se desfazendo ao ver que causara mesmo dor ao menor pelo que tinham feito ontem
– N-Não se preocupe, eu estou bem... — Tadase tentou ajeitar-se melhor na cama para que não doesse tanto — I-Isso deve passar com o tempo... ahn... v-vai passar, não é? — ele indagou incerto, pois não tinha certeza de como isso funcionava afinal
– Bem, sim, mas... não sei exatamente quanto tempo leva — Nagi respondeu sem graça — Vamos, deixa eu tentar te compensar por isso. Diga "ahhh"... — ele levou uma colher cheia de pudim de chocolate até a boca do menor, que surpreendeu-se um pouco com o gesto dele, mas abocanhou a colher, engolindo o pudim — Então, que tal?
– Humm... está muito bom — Tadase respondeu depois de mastigar bem e engolir o pudim — Mas... eu ainda prefiro a sua comida... N-Nagihiko — ele respondeu, sorrindo sem jeito, e o maior sorriu de volta para ele.


Os dois passaram o resto do dia assim, comendo juntos e, depois assistindo algum filme qualquer na TV, abraçados e deitados na cama debaixo das cobertas, sem prestar muita atenção no filme realmente, apenas aproveitando a companhia um do outro, trocando pequenas carícias de vez em quando e sorrindo tolamente, como se estivessem vivendo um maravilhoso sonho do qual nenhum dos dois queria despertar.


Por volta das quatro da tarde, os dois resolveram finalmente se levantar, recordando repentinamente de que era ano novo e que aquele era o primeiro dia do ano. Tadase foi tomado novamente por uma imensa vergonha quando deu-se conta de que tinham passado a noite da virada de ano fazendo... bem, o que fizeram. Em contrapartida, Nagihiko sentiu-se imensamente feliz que isso tenha acontecido no ano novo, com uma sensação de que aquilo talvez pudesse ser algum sinal de que algo bom estava finalmente acontecendo, ou talvez, prestes a acontecer.


Depois de tomarem banho, eles resolveram sair e dar uma volta na praia, caminhando juntos e sem pressa, aproveitando que ninguém os conhecia ali para julgá-los ou criticá-los, e andaram de mãos dadas como o verdadeiro casal que eram. Depois, foram ao Templo mais próximo da cidade, fazer a tradicional visita de primeiro dia do ano. Foram até a barraca de papéis da sorte, e ambos tiraram previsões parecidas: A de Nagihiko mostrava que ele passaria por difíceis obstáculos e dificuldades, mas, se conseguisse superar todos, teria sucesso em alcançar seus objetivos. Já a de Tadase dizia que ele ainda tinha muitos pontos para melhorar, e muitos conflitos internos pessoais para trabalhar e, quando conseguisse resolvê-los, alcançaria mais facilmente o desejo que tanto almejava. Não eram tão encorajadoras assim mas, como ambas as previsões davam esperanças para conseguirem um final feliz, os dois ficaram contentes com seus papéis da sorte. Voltaram a entrelaçar os dedos um do outro e, andando de mãos das novamente, continuaram caminhando pelo Templo para fazerem seus pedidos para aquele ano que se iniciava.


Os dois soltaram as mãos por um instante e, batendo palmas ao mesmo tempo e cerrando os olhos, fizeram silenciosamente cada um o seu desejo, que na verdade era o mesmo e um só: O desejo de que pudessem cumprir a promessa que fizeram anos atrás, que tivessem força o suficiente para superar todos os obstáculos que sabiam que teriam que enfrentar pelo caminho, para que conseguissem enfim alcançar a felicidade que tanto almejavam e ficarem juntos para sempre.

Notas finais
Yoo~ minna! Teffy-chan falando! Acho que esse capítulo foi mais fofo do que qualquer outra coisa, viu... e os dois enfim se reconciliaram de vez! Como algumas pessoas comentaram no capítulo passado, o mais engraçado é ver a reação dos dois na manhã seguinte, então espero que tenham gostado XD Agora,o ponto mais importante (pelo menos na minha opinião) desse capítulo: O que acharam dessa ideia de eles se chamarem pelo primeiro nome? Vai ser difícil pra gente se acostumar a escrever com eles se chamando assim, mas achamos que já estava mais do que na hora, ainda mais depois do que aconteceu, né... enfim, espero que tenham gostado! O próximo é com a Shiroyuki, aguardem ansiosos! Deixem reviews por favor! A cada review que você não deixa, um autor morre. Ajude a salvar os autores de fanfics comentando nas histórias! Não deixe os autores morrerem!! Kissus^^