Itsumo Yakusoku
22 Capítulo 22 - Scramble
Notas iniciais
As coisas que eu quero te dizer são muito fortes
É como se eu fosse desmoronar
Há muitos sentimentos que não posso colocar em palavras
E eles não podem alcançar aquela pessoa
Não importa se a distância seja grande ou pequena
Mesmo se olharmos do mesmo jeito para o céu azul sem fim
Eu não posso evitar de pensar que você só vê o céu nublado
Capítulo 22
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Scramble
Naquela noite, antes de ir dormir, no meio daquele lugar cujo nome Nagihiko nem se lembrava mais, porém havia concordado com Rhythm em apelidá-lo como "aquele fim de mundo onde só tinha mato e nenhum sinal", Nagi ainda tentava inutilmente ligar ou mesmo mandar uma mensagem para Tadase, porém sempre visualizando a mesma mensagem na tela de seu celular: "Falha no envio da mensagem. Este número se encontra desligado ou fora da área de cobertura". Ele suspirou pesadamente, derrotado, e foi forçado a desistir quando Hideyoshi adentrou o quarto, com a mesma cara sonolenta que demonstrava naquela manhã antes da viagem, seguido pelos outros dois garotos barulhentos que dividiriam o quarto com eles, Sakuraga e Yonezou, que conversavam mais alto, sem perceber que o barulho que faziam poderia incomodar outras pessoas.
– ... e aquela última jogada foi mesmo incrível! Eu sou bem melhor em pingue-pongue do que pensava! Talvez possa até me tornar um jogador profissional, hahahaha!! — o garoto loiro chamado Yonezou se gabava sem se cansar, rindo a altos brandos, e o amigo dava umas risadas de concordância também, porém não com tanto entusiasmo. Provavelmente ainda devia estar pensando na garota que ele gostava e que fora falar com Nagihiko mais cedo. Hideyoshi vinha à frente deles, tentando caminhar o mais depressa possível até sua cama. Provavelmente devia estar desconfortável com a presença daqueles dois barulhentos, mas no momento estava tão cansado que só parecia querer dormir e mais nada
– Finalmente apareceu, Hideyoshi-kun... estava jogando até agora? — Nagihiko indagou no tom calmo de sempre para o primo quando ele se aproximou, diferente dos garotos escandalosos
– Sim... os garotos estavam fazendo uma espécie de torneio de pingue-pongue, e eu acabei sendo arrastado por eles, acabei ficando lá jogando até agora... — seu primo respondeu em meio a um bocejo mal-reprimido — Você é que foi esperto em se refugiar aqui, Nagihiko-kun... eu devia ter feito o mesmo...
– Espera aí... há quanto tempo você estava aqui, hein Fujisaki?? — o garoto chamado Sakuraga indagou, intrometendo-se na conversa deles, e os dois Fujisakis olharam na direção deles — Não, você não! Sei que o garoto da outra classe estava lá jogando com a gente até agora, estou falando do outro! — ele falou, sendo mais específico e apontando para Nagi, aparentemente sem nem se lembrar do primeiro nome de nenhum dos dois
– Eu estava nas termas... vim para o quarto há cerca de meia hora, li um pouco, e agora estava indo dormir. Por que a pergunta? — Nagihiko indagou com cara de inocente, sabendo que o garoto devia estar preocupado que ele tivesse ouvido sua conversa sobre Kimiko, coisa que de fato havia acontecido
– N-Nada... j-já que é assim, pode fazer como seu irmão, ou primo, ou seja lá o que for, e ir dormir, igual a esse sonâmbulo do seu lado! — ele apontou de mal-humor para Hideyoshi, que lutava para se manter acordado. É claro, ele passou a vida inteira só estudando e nunca teve muitos amigos, devia estar exausto com todos os acontecimentos dessa viagem
– Ahh, cara, ainda me dá arrepios dormir no mesmo quarto que esse garoto... — Yonezou reclamou, achando que o amigo estava falando disso, e se encolhendo mais em sua cama, que estava de frente para a de Hideyoshi e ao lado da de Sakuraga, como se quisesse se manter o mais afastado possível de Nagihiko. De repente, Nagi se preocupou que Hideyoshi pudesse ouvir esses dois garotos falando sobre esses tais boatos e contar para sua mãe depois, e já estava pensando em um meio de fazê-los mudar de assunto, quando surpreendentemente o próprio Sakuraga o fez por ele
– Ah, esquece isso, Yonezou, um cara tão popular com as garotas não deve ser assim afinal... e nem era disso que eu estava falando — o rapaz de óculos resmungou, parecendo cansado de sempre ter que explicar que era desse assunto que ele falava
– Ah, não? — o outro pareceu surpreso — Então era de quê?
– Você sabe... sobre aquele outro assunto que eu estava falando antes de irmos jogar — Sakuraga respondeu, parecendo desconfortável em ter que falar disso na frente de outras pessoas
– Outro assun...? Ah, era sobre ela! — o loiro exclamou, finalmente entendendo, sem perceber o desconforto do amigo
– — "Ela" quem? De quem estavam falando? — milagrosamente fora Hieyoshi quem perguntou, aparentemente percebendo que não conseguiria dormir com todo aquele alvoroço que os dois garotos faziam e se rendendo ao ambiente ao redor de si, como geralmente fazia, sem se importar se isso o desagradava ou não. Era apenas o "protocolo social", que ele era obrigado a cumprir querendo ou não, como lhe fora ensinado desde pequeno
– Ahh... — Sakuraga hesitou em responder, mas quando percebeu que fora Hideyoshi quem perguntou e não Nagihiko, conteu-se por pouco em dar uma resposta tremendamente grosseira — N-Não é nada importante, deixe isso pra lá
– É, realmente duvido que um garoto quietinho como esse daí possa ajudar — Yonezou concordou, mais uma vez interpretando mal as palavras do amigo — Mas, eu já te disse um monte de vezes, não foi? Se você está assim tão afim dela, devia chamar logo a garota pra sair ao invés de ficar enrolando tanto!
– E eu também já te disse um monte de vezes que não é assim tão simples! E pare de falar nisso, eu não quero falar desse assunto agora, Yonezou! — o de óculos exclamou nervoso, desejando inutilmente que nenhum dos dois Fujisakis se atessem à esse assunto. Olhou de relance para os dois e viu que Hideyoshi estava tão cansado que ainda parecia estar mais dormindo do que acordado, e Nagihiko olhava para a janela aberta, encarando o céu noturno, parecendo distraído enquanto penteava os longos cabelos
– Ei, Nagi... se você vai levar aquele plano sobre conquistar a confiança dos garotos adiante, essa é a hora! — Rhythm exclamou, voando até o lado dele
– Eu sei, mas... eles não parecem nem querer falar comigo, não sei como fazer isso — Nagi respondeu num sussurro, quase sem mover os lábios para que ninguém percebesse
– Mas devo admitir que seria uma oportunidade perfeita... assim, esses dois rapazes poderiam espalhar coisas boas sobre você — Temari milagrosamente concordou com o irmão dessa vez
– Já disse que sei disso, mas como farei algo assim se eles não querem nem olhar pra minha cara? — Nagi repetiu num murmúrio quase inaudível
– Se o problema é esse, então não tem mais problema, yay! Chara Change! — Rhythm ativou o Chara Change sem pensar duas vezes, novamente sem pedir permissão ou nem mesmo avisar seu dono
– Essa não... nem quer ver no que isso vai dar — Temari resmungou para si mesma, refugiando-se em seu Shugo Tama para evitar de ver uma tragédia acontecer
– Ah, então quer dizer que o Sakuraga está afim de alguém, é? E quem é a sortuda? — Nagihiko indagou sem pensar duas vezes, intrometendo-se descaradamente no assunto dos dois e exibindo um sorriso convencido idêntico ao de Rhythm por causa do Chara Change
– Ah... j-já disse pra esquecer, não é da sua conta! — o de óculos retrucou, corando um pouco, não parecendo muito afim de conversar sobre isso com ele
– Bem, você não precisa me contar o nome da pessoa se não quiser — Nagi deu de ombros — Mas, está na cara que você precisa de ajuda. E o seu amigo aí do lado não parece a melhor pessoa pra te aconselhar, sabe, até mesmo eu, que quase não converso com vocês, posso perceber isso
– Então está dizendo que você seria uma pessoa indicada pra me ajudar com algo assim, é?? Você ao menos já namorou alguma vez, por acaso?! — Sakuraga desafiou, evitando ter que admitir que Nagi tinha razão quanto à isso
– Já sim, uma vez. Antes de ir pra Inglaterra — Nagihiko admitiu sem pensar duas vezes, obviamente falando de Tadase, porém sem citar seu nome
– Ehh? V-Você já teve uma namorada, Nagihiko-kun?! — Hideyoshi exclamou, acordando subitamente com o susto — Você nunca me contou sobre isso!! Sem falar que... antes de ir para a Inglaterra morar comigo, você... v-você não estava no primário??
– Sim, estava — Nagi confirmou sem pensar duas vezes, deixando os outros dois garotos tão boquiabertos quanto seu primo — Bem, foi há muito tempo atrás afinal, então não havia porque contar. Sem falar que essa pessoa era...
– Rhythm, não!! — Temari saiu voando de seu Shugo Tama, impedindo por pouco que o outro Chara fizesse com que seu dono acabasse falando demais e mencionasse seu namoro secreto com Tadase que ele tanto se esforçava para esconder em sua forma normal — Não pode deixar que o Nagihiko cite o nome do Tadase-kun, se eles souberem que se trata de um garoto, todo o esforço do Nagihiko até agora pra esconder sobre isso até agora terá sido em vão!
– Ah, sim, é verdade... mas, o Nagi está apenas seguindo seu ritmo, se não vai falar do Tadase, o que ele deve falar então? — o outro Chara indagou
– Bem, já que você começou esse assunto, então... f-faça ele falar do Tadase-kun como se ele fosse uma garota, ou coisa assim... — Temari arriscou, dizendo a primeira ideia que lhe veio à cabeça
– Essa pessoa era o que? — Yonezou indagou, arqueando uma sobrancelha, alheio à conversa dos Shugo Charas, como se desafiasse Nagihiko a falar — Hein, Fujisaki??
– Essa pessoa era minha amiga de infância — Nagihiko completou a frase com o que de fato era verdade, exceto pelo fato de não se tratar de uma menina — Por isso, na época, eu termia perder a amizade dela caso ela não gostasse de mim do mesmo jeito, então hesitei muito em me declarar pra ela... até que um dia consegui reunir coragem pra me confessar, e finalmente o fiz
– V-Você conseguiu se declarar pra sua amiga de infância?? Como foi que fez isso?! — Sakuraga indagou, se interessando pelo assunto. Ainda não queria ter que recorrer à ajuda de alguém como Nagi, mas ele estava desesperado há tempos afinal, e sabia muito bem que Yonezou não serviria de muita ajuda, então precisava ouvir os conselhos de alguém, seja lá de quem fosse
– Ehh, você vai mesmo ouvir os conselhos de alguém como ele, Sakuraga?! — Yonezou exclamou num tom de indignação — Alguém como esse daí não serve pra aconselhar ninguém, você sabe dos boatos, esse cara é...
– Pouco me importa o que ele é ou deixa de ser! Nenhum dos seus conselhos me ajudou até agora, eles me atrapalharam mais do que ajudaram na verdade, e eu estou desesperado e preciso de ajuda! — o garoto de óculos gritou de volta, interrompendo-o, e Yonezou bufou irritado, deitando-se na cama e indo dormir ao ver que tinha sido derrotado, ainda praguejando baixinho. Hideyoshi também já tinha enfim se rendido ao sono, e agora ressonava em sua cama tranquilamente, ao lado da cama onde o primo estava sentado, alheio ao barulho que os outros garotos faziam. Ao notar que mais ninguém estava prestando atenção na conversa deles (obviamente sem perceber a presença dos Shugo Charas, que ainda assistiam a cena atentamente), Sakuraga continuou — Escute, Fujisaki, você tem que me prometer que esse assunto ficará só entre nós, ouviu? Eu sei... sobre as coisas que andam falando por aí sobre você... tem vários tipos de boatos na verdade, tantos que eu nem sei em qual acreditar, mas pouco me importa se essas coisas são verdades ou mentiras... eu estou desesperado há muito tempo, então por favor, me ajude!
– Sim, isso eu percebi — Nagihiko continuou, sem se deixar abalar — Então, a pessoa que você gosta... seria uma amiga de infância também?
– S-Sim... é a Kimiko-san. Você sabe, a garota que estava conversando com você mais cedo — ele confessou, voltando a corar — Se bem que, tantas garotas falaram com você hoje, que nem sei se você vai se lembrar dela...
– Claro que lembro. Aquela garota tímida, e mais quieta, não é? — Nagihiko respondeu sem pestanejar, e o outro confirmou com um aceno de cabeça, surpreso que ele soubesse de quem se tratava — Então, ela é sua amiga de infância, e você gosta dela... eu realmente nem fazia ideia
– Pois é, só o Yonezou sabe disso, mas ele não tem servido de muita ajuda ultimamente... — ele olhou para o loiro, que já tinha caído no sono e agora roncava na cama ao seu lado — Eu queria me declarar pra ela, mas tenho medo que ela não sinta o mesmo por mim e isso acabe estragando nossa amizade... sem falar que ela parece só ter olhos pra você, como todas as outras meninas da escola...
– Ah, isso? Eu estava apenas sendo educado com ela, não teria coragem de ser rude com uma garota, sabe, e como ela foi lá falar comigo, apenas fui gentil com ela. Mas foi só isso, eu não tenho o menor interesse nela. Na verdade até demorei pra lembrar de como ela se chamava, então não teria a menor chance de eu gostar de alguém assim... — ele riu ao confessar aquilo, coisa que não faria em seu estado normal
– Certo... — o de óculos falou, sem saber se acreditava ou não naquela resposta — Então, sobre a sua tal amiga de infância... como você fez pra se declarar?
– Bem, lembro que, na época, eu estava muito triste porque queria me aproximar dela, e ser mais do que apenas um amigo, mas não queria estragar nossa amizade, nem magoá-la, então estava pensando em me afastar para tentar esquecê-la... — Nagi contou, recordando de como se sentia antes de se declarar para Tadase quando eram mais novos — Mas, ela notou minha tristeza, e insistiu muitas vezes em saber qual era o problema, dizendo que queria me ajudar e saber o que me preocupava, até que eu contei e acabei me declarando... ela me surpreendeu dizendo que correspondia aos meus sentimentos, então começamos a namorar, e ficamos juntos durante quase um ano... mas, acabamos nos separando quando minha mãe decidiu que eu faria o ginásio em uma escola no exterior, e eu não a vi mais
– Vocês terminaram por causa de algo assim?! — Sakuraga exclamou, chocado com aquilo, sem conseguir evitar de sentir um pouco de raiva da mãe de Nagi, embora nem sequer a conhecesse — Mas, vocês não voltaram a se ver? Nem depois que você voltou ao Japão?
– Eu... — Nagi começou a falar, mas Temari convenceu Rhythm silenciosamente a não deixar o dono falar demais antes de ele completar a frase — ... não a vi novamente nem depois disso. Nem faço ideia de onde ela está agora, ou o que anda fazendo. Bem, de qualquer forma, isso foi há muito tempo, e o que importa aqui, é que você devia fazer o mesmo e se declarar pra Kimiko-san antes que seja tarde demais, e você acabe terminando como eu
– Sim... a-acho que vou fazer isso. Obrigado, Fujisaki, de verdade... — Sakuraga respondeu baixinho, sem encará-lo, e apagou a luz, indo dormir também, enquanto Rhythm finalmente encerrava o Chara Change e voava até seu Shugo Tama para ir dormir também, sendo imitado por Temari. Alguns minutos depois que ele e Nagihiko já tinham se deitado para dormir, ele acrescentou, sem nem abrir os olhos para encará-lo — Nee, Fujisaki... se você ainda gostar dessa sua amiga de infância... espero que consiga reencontrá-la um dia e que possa ser feliz com ela
– Sim... obrigado — Nagihiko agradeceu alguns segundos depois, agora com o Chara Change desfeito, também sem abrir os olhos, mas sem conseguir deixar de exibir um pequeno sorriso que ninguém podia ver no meio daquela escuridão.
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Enquanto isso, longe dali, e também do espaço e tempo, Tadase se encontrava no momento na casa dos Fujisaki, mais precisamente no quarto de Nagi. Não havia mais ninguém na casa agora além dele e do próprio Nagihiko. Os dois estavam no quarto do dançarino, tendo uma "conversa" um tanto constrangedora.
– V-Você quer me morder, Fujisaki-kun?!
– É que você parece ter um gostinho tão bom, Hotori-kun... — o maior respondeu se aproximando, com uma expressão estranha que lembrava o Chara Change com Rhythm
– Ahh, Fujisaki-kun!! Não diga essas coisas! — o loiro exclamou, escondendo o rosto de vergonha
– Não tampe o rosto, Hotori-kun... você fica uma gracinha quando cora desse jeito, sabia? — o maior falou, afastando as mãos de Tadase do rosto, encarando ele nos olhos e acariciando suas bochechas coradas
– F-Fujisaki-kun... n-não fale assim... — o menor desviou o olhar — Você ainda q-quer me morder?? — ele balbuciou, com um pouco com medo, e por algum motivo, também curioso
– Também... mas estava pensando em fazer outras coisas agora... — Nagi falou de um jeito misterioso
– O-Outras coisas...? — o loiro ofegou, recuando um passo, e sentindo suas costas encostarem na parede atrás de si
– Sim, outras coisas muito mais interessantes — o maior falou, acariciando o rosto de Tadase com a ponta dos dedos — Você quer saber o que é?
– Q-Quero... — ele murmurou curioso
– Eu ainda quero provar um pouco do seu gosto, sabe... só que desse jeito — Nagi aproximou o rosto do pescoço de Tadase e começou a lambê-lo devagar, parando ocasionalmente para lhe dar carinhosos beijos e morder o lóbulo da orelha dele de leve, voltando então a lamber o pescoço alvo do menor em seguida — Uau, não é só o cheiro... você também tem gosto de morangos, Hotori-kun — ele sussurrou no ouvido dele
– Ahnh... Fuji... saki-kun... aaan — Tadase deixou escapar um gemido, sentindo o toque de Nagi — N-Não diga essas c-coisas alto... aaaahn...
– Mas eu só estou dizendo a verdade, Hotori-kun... você tem um gosto... tão bom... que me faz querer provar mais e mais de você — o maior foi subindo com a língua, até chegar perto do ouvido dele de novo, e começou a mordiscar a orelha de Tadase
– Ahhnn... Fujisaki-kun, p-pare... — o loiro gemeu ainda mais alto, sem conseguir se conter
– Pelos sons que você está fazendo, não parece que você quer que eu pare, Hotori-kun — Nagihiko falou com a voz sedutora, voltando a lambê-lo próximo à orelha, e parte da bochecha, enquanto abraçava Tadase, deixando suas mãos escorrerem pelo corpo do menor
– Aaanh... m-mas... e se alguém nos v-ver... ahn... — ele se contorceu, sentindo a mão de Nagihiko em sua pele
– Não se preocupe, não tem ninguém aqui agora — Nagi lambeu mais um pouco da bochecha de Tadase, ate chegar aos lábios, e parou de repente — Hotori-kun... eu realmente te amo muito... mais do que tudo nesse mundo — sem dar tempo para o loiro responder, selou seus lábios nos dele, beijando-o. Tadase retribuiu o beijo, ficando na ponta dos pés para alcançá-lo, e acariciando os cabelos do mais alto que caiam pelas costas
– Eu t-também — o menor balbuciou, no espaço entre um beijo e outro — Amo você...
Hotori Tadase acordou sobressaltado, sentando bruscamente em sua cama na manhã do dia seguinte, arfando, o rosto inteiramente corado, mal acreditando no sonho vergonhoso que acabara de ter. Lembrava-se perfeitamente daquilo, era uma recordação de quando ele e Nagihiko estudavam em Seiyo, eram Guardiões, e podiam namorar sem se preocupar tanto e se ver com mais frequência. E é claro que também se lembrava de como aquilo terminava: A coisa toda ficava ainda mais intensa depois daquilo, e eles poderiam ter feito uma enorme besteira se seus Charas não tivessem aparecido de repente, avisando que os pais de Nagihiko estavam chegando em casa, e eles tiveram que parar o que estavam fazendo, mal tendo tempo para se recompor e fingir que estavam fazendo um trabalho para a escola, que era o que de fato eles deviam estar fazendo ali ao invés de ficarem namorando.
Porém, o que preocupava o atual Tadase adolescente nesse momento era que esses sonhos, que na verdade se tratavam de lembranças embaraçosas, porém felizes, de quando tinha começado a namorar Nagihiko, estavam se tornando cada vez mais frequentes. Acontecia principalmente quando eles passavam muito tempo longe um do outro, como era o caso agora. Lembrou-se de que aquele devia ser o dia em que Nagi voltaria de sua viagem escolar, e estava muito ansioso para vê-lo, e também para perguntar porque ele não havia respondido suas inúmeras mensagens, nem ligado pra ele, como prometera, mas forçava-se a seguir o conselho de Tsukasa e tentar se acalmar, pois sabia que seu tio sempre tinha razão em tudo o que falava, por mais absurdo e surreal que parecesse, sem falar que sabia muito bem que Nagihiko seria incapaz de traí-lo. Porém, como esperado, aquilo era mais difícil do que parecia afinal... é claro que, quando Nagihiko voltasse, Tadase certamente pretendia encontrá-lo para matar as saudades, e finalmente poder perguntar porque ele não lhe mandou nem mesmo uma única mensagem durante a viagem... mas não conseguia negar nem para si mesmo que sabia que, uma vozinha maldosa lá no fundo de sua mente lhe dizia que, no fundo, ele tinha medo da resposta.
– Fujisaki-kun... volte logo pra mim — ele sussurrou suas primeiras palavras daquela manhã, apertando com força o pingente dourado escondido por baixo da camisa do pijama, que fazia par com o que Nagihiko tinha e que guardava dentro dele uma foto dos dois juntos e suas recordações mais preciosas.
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