Itsumo Yakusoku
15 Capítulo 15 - Mousou Nikki
Nosso encontro acidental resultou numa linha vermelha nos unindo
Você sempre dá meigos sorrisos pra todos que estão ao seu redor,
Não posso culpá-lo por isso, afinal, você é popular, portanto isso não pode ser mudado.
Não me olhe desse jeito, as pessoas a nosso redor perceberão
A relação proibida que existe entre nós.
Desculpe-me por ter tantos ciúmes,
eu quero que você olhe só pra mim.
Capítulo 15
–
Mousou Nikki
Mal havia conseguido resolver os problemas com Tadase, e Nagihiko já tinha mais com o que lidar. Claro que eles não tiveram oportunidade para conversar sobre o incidente na casa de Kukai depois disso, mas como ele sempre respondia às mensagens de “bom dia” e de “boa noite”, Nagihiko tinha a certeza de que estava tudo bem agora. Eles ainda nem mesmo haviam tido a chance de se reencontrar para que se reconciliassem, por assim dizer, e pouco mais de dois dias depois, ele recebeu uma mensagem “urgente” de Yaya.
Ela dizia, com emoticons demais e explicação de menos, que ia organizar uma festa de Halloween, como era a tradição dos guardiões desde os tempos mais remotos, e que agora seria verdadeiramente completa com Nagihiko de volta. Ele nem havia se lembrado de que já era outubro. Já fazia quase dois meses que ele retornara, ele mal se lembrava da vida anterior, em Londres…
Claro que logo depois do convite agitado de Yaya, veio uma lista de tarefas. A festa seria na casa de Rima (e Nagihiko duvidava muito que ela tivesse oferecido o lugar de bom grado), e ele ficaria a cargo da comida, como sempre. Yaya dizia no e-mail que iria recrutar mais uma ou outra pessoa para ajudá-lo, e ainda pedia que ele convidasse Hideyoshi. Nagihiko duvidava muito que ele fosse querer ir a outra festa com seus amigos depois de tudo.
Teve que conseguir permissão da sua mãe para sair novamente, no fim de semana seguinte, e ela já estava começando a desconfiar. Provavelmente pensava em colocar algum empregado para segui-lo, ou qualquer coisa assim, então ele teria que tomar cuidado, afinal, ainda era como se ele estivesse em liberdade condicional. Talvez ela pensasse que ele fosse ter uma “recaída” se ficasse andando muito com os amigos de Tadase. Se Hideyoshi não quisesse ir com ele, então teria que arrumar outro álibi para que ela não ficasse intrigada com isso.
De qualquer forma, teria que pensar nisso depois, já que agora havia sido recrutado por Yaya, e estava indo para o lugar que ela indicou onde estariam os outros. Já ao longe, viu que Tadase estava no ponto de encontro, e não pode deixar de sorrir. Claro que, se foi a ruivinha quem ajeitou tudo, ela faria isso. E Tadase vestia aquele cardigã que ele comprara de presente no dia em que saiu às compras com as meninas, e que pedira para Amu entregar. Como pensou, havia ficado lindo nele.
Ele estava de costas, e esperava por quem quer que fosse olhando para o lado oposto. Nagihiko aproximou-se silenciosamente, com as mãos no bolso e sorrindo de canto enquanto Tadase não fazia ideia da sua presença. Inclinou-se ligeiramente, e assoprou suavemente no pescoço alvo que estava exposto. Tadase soltou um gritinho.
— F-fujisaki-kun! – repreendeu, assim que viu o maior rindo alto atrás dele. Passou a mão pela nuca, protetoramente. — N-não me assuste assim, você tem que avisar quando vai fazer essas coisas!
— Se eu avisasse, você não faria essa cara fofa de susto – Nagihiko sorriu, passando os dedos rapidamente pelo rosto de Tadase – O que você pensou? Que fosse algum pervertido?
— Claro que não – Tadase resmungou, olhando para o lado e baixando as mãos – Eu sabia que era você, antes mesmo de te ver. Por que só você… só você me faz sentir desse jeito… — ele baixou a voz até um sussurro, sem terminar a frase. Nagihiko sorriu convencido. – B-bem, não importa… nós ainda temos que esperar os outros, para ir fazer as compras para a festa da Yuiki-san…
— Quem mais vem?
— Souma-kun e Sanjou-san… — mal havia respondido, e os dois garotos apareceram pelo outro lado da rua. Kukai acenou para os dois alegremente, enquanto Kairi apenas caminhava lentamente como sempre.
— Ah, aí estão vocês! – Kukai comentou alegremente, logo que se aproximou – Nós viemos comprar comida, então não fiquem pensando que isso é um encontro, viu? – Ele riu com vontade, enquanto Tadase corava com a insinuação, como sempre.
— Não sei, Souma-kun… o que você faz quando sai em um encontro… com a Yaya, talvez? – Nagihiko sorriu de lado, e Kukai engasgou no meio da risada.
— Tá certo, tá certo, eu já parei! – ele se defendeu – Vamos ver, o que temos que fazer mesmo?
— Yuiki-san pediu por mantimentos para a sua comemoração, lanches e bebidas, como sempre. Ela e as garotas ficaram a cargo da decoração e das outras coisas, e deixaram isso conosco – Kairi parecia pensar que aquela divisão de tarefas era sobretudo injusta, e também não era o tipo de pessoa que pensava que uma festa de Halloween fosse algo necessário, mas ainda não era capaz de lidar com Yaya.
— Bebidas e comidas, certo? – Nagihiko já começou a pensar. Colocou a mão no queixo e então sorriu – Vamos nos dividir, então. Você e Sanjou-san cuidam das bebidas, e eu e o Hotori-kun vamos comprar a comida…
— Você só quer transformar isso num encontro pra vocês dois, não é? – Kukai franziu os olhos.
— Disse alguma coisa, Souma-kun? – ele encarou o garoto e puxou o celular – Espere, vou ligar para a Amu e pedir pra ela perguntar para a Yaya sobre “aquele dia”…
— Tá, tá, eu parei, parei! – Kukai se apressou em dizer – Vão cuidar da comida então, vamos Sanjou, rápido! – ele saiu puxando Kairi pelo lado oposto, antes que Nagihiko dissesse mais alguma coisa.
Assim que sumiram novamente, Tadase olhou para Nagihiko, em parte admirado por ele ter conseguido parar com as sempre intermináveis provocações de Kukai, e ainda curioso por saber como foi que ele conseguiu.
— De que dia você estava falando, Fujisaki-kun?
— Não sei, e também não sei bem o que aconteceu, mas pelo menos funciona pra deixar Yaya e Kukai quietos, o que já é um grande feito, certo? Esses dois são muito barulhentos – Nagihiko sorriu, e recomeçou a andar. Queria muito segurar a mão de Tadase enquanto caminhavam lado a lado, mas sabia que não era possível agora.
— O que você acha que devemos comprar agora? – Ele ergueu os olhos para Nagihiko, feliz somente por poder falar naturalmente com ele como agora, e ainda estar perto dele. O “acidente” da casa de Kukai não havia sido esquecido, claro que não, mas Tadase ingenuamente sentia como se aquele tipo de coisa tivesse estreitado ainda mais o laço que eles tinham entre si. Claro que também havia se sentido bem, e queria algum dia poder retribuir à altura aquilo que Nagihiko o fez sentir. Mas só de penar nisso, já sentia seu rosto aquecendo-se. Então, tentava apenas agir como sempre, sem dar sinais de que realmente pensava nessas coisas.
— Vamos começar pelas comidas prontas, salgadinhos e coisas assim. Eu posso comprar ingredientes para fazer um bolo de Halloween também, o que acha Hotori-kun?
— Eu acho que qualquer coisa que você cozinhe ficará ótima! – Tadase bradou com entusiasmo, sentindo falta da comida de Nagi mais do que qualquer coisa. – Ah, vamos comprar chocolate também… e talvez… hm, não, melhor não. Definitivamente não.
— O que você pensou? – Nagihiko riu, e Tadase corou, virando o rosto e resmungando um “nada” nem um pouco convincente. – Posso adivinhar? Você pensou em pockys? – ele não pode evitar uma risada ainda mais alta, ao ver o semblante lívido de Tadase.
— C-como você sabia? – ele balbuciou, incrédulo.
— Eu sempre sei o que se passa nessa sua cabecinha linda. – ele deu um peteleco de leve na testa de Tadase, que fez beicinho, contrariado – Senti falta de comer esses doces japoneses, pra falar a verdade. Não tinha nada disso na Inglaterra.
— Eu não como pocky há três anos… — Tadase confessou, baixando a voz — … por que me lembrava você… — ele ergueu os olhos, aproximando-se inconscientemente de Nagihiko. Nada tinha o mesmo gosto se não estivesse com ele, nem mesmo doces. Doía no peito do loiro pensar naqueles anos longe da pessoa que amava. Mas poder estar ali, onde o alcançava apenas ao esticar a mão, era de certa forma um alívio daquela sensação esmagadora.
— Hotori-kun… — balbuciou apenas. Estava tentado a deixar as compras pra lá, dar qualquer desculpa para Yaya depois, e arrastar Tadase para qualquer lugar vazio naquele mesmo segundo, para matar toda a vontade que sentia dele. – Vou comprar um pacote só para nós, então… — ele disse apenas, suprimindo aquele desejo insano. Deveria terminar seus deveres, e se fizesse rápido, ainda teria algum tempo com Tadase depois.
Depois disso, os dois tentaram se concentrar na tarefa, e passaram em várias lojas diferentes, comprando todo tipo de doce que podiam. Havia alguns que eram comemorativos da data, com formatos de morcegos, abóboras e outras coisas de dia das bruxas. Nagihiko comprou ingredientes para um bolo, e para mais pequenos lanchinhos que poderia fazer a mais, e ainda um pacote de palitinhos de chocolate. Os dois saíram comendo o pocky na rua mesmo, já que precisavam terminar logo as compras, e não podiam fazer da mesma maneira que fizeram naquele primeiro beijo desajeitado dos dois.
Mesmo com um monte de sacolas nas mãos, e comidas de todo tipo nelas, eles ainda tinham uma longa lista de coisas para comprar, e depois de horas de caminhadas para lá e para cá, já estavam exaustos de carregar tudo aquilo. Estavam quase chegando à ultima loja, e então descarregariam tudo na casa de Rima, e poderiam ir embora.
— F-fujisaki-sama…? – uma voz trêmula e suave chamou de repente, enquanto os dois garotos caminhavam apressadamente pela rua. Nagihiko se virou, a tempo de ver a garota de cabelos pretos e lisos, que se aproximava alegremente dele, usando um vestido fino de “Ojou-sama”, que ia até abaixo dos seus joelhos – Q-que surpresa encontrá-lo aqui… — ela olhou rapidamente para Tadase, ao lado de Nagihiko, e seu sorriso murchou ligeiramente – Ahn… e-eu estou atrapalhando algo?
— Absolutamente não, Akane-san. – Nagihiko disse com segurança, fitando-a diretamente – Este é Hotori Tadase, ele foi meu colega de classe no elementar – ele apresentou rapidamente, e Tadase curvou-se respeitosamente ao ter seu nome citado, e embora não estivesse com o semblante mais simpático do mundo no momento, Akane não pode deixar de pensar que ele era bonito também – Estamos fazendo compras para uma amiga. – Nagihiko foi sucinto. Sentia que se dissesse que estava indo para uma festa, a garota poderia se sentir convidada, e ele certamente não queria isso.
— Oh, entendo… — ela olhou de um para outro sorrindo, e então logo esqueceu aqueles boatos que corriam, sobre Nagihiko. Afinal, não tinha como, não é? – Eu estava apenas fazendo compras… ah, preciso de um vestido novo para a festa beneficente da minha mãe…
— Não importa o que você compre, qualquer vestido ficará magnifico em você… — Nagihiko semicerrou os olhos, de maneira quase provocante, e inclinou-se na direção de Akane. Passou todas as sacolas para uma só mão, e então com a outra, segurou a da garota. Tadase nem mesmo conseguia disfarçar seu ciúme, e encarava os dois como se soltasse lasers pelos olhos. Se ele realmente pudesse fazer isso, a cabeça de Akane já teria explodido há muito tempo. – Você com certeza será a estrela desse evento… tome cuidado de não ofuscar demais o assunto principal, com sua beleza, Akane-san… — ele sorriu, enquanto a garota derretia em sua mão. Soltou-a, voltando à pose ereta de antes. – Infelizmente, eu preciso me apressar agora, mas espero ter tempo para conversarmos melhor em outra ocasião. Conte-me tudo sobre essa festa, quando estivermos sozinhos…
— Ah, essas festas nunca são legais, tudo muito chato… — ela desculpou-se, com o rosto em chamas. Suas pernas estavam até mesmo bambas, nem raciocinar ela conseguia.
— Eu me interesso por qualquer coisa que envolva você. – Nagihiko piscou um olho, e a garota ofegou – Nos vemos na escola, Akane-chan. Mal posso esperar…
Enquanto virava-se e continuava o caminho, ouviu o pequeno gritinho empolgado que a garota soltou. Tadase o seguiu logo depois, em silêncio. Após alguns segundos, quando já estavam afastados o suficiente, Nagihiko achou melhor dizer algo.
— Desculpe por isso, Hotori-kun, você sabe, eu ainda tenho que…
— Eu sei, conquistar as garotas para que os boatos não se espalhem. Eu entendo. Você tem que fazer isso. Apenas continue com o bom trabalho.
Nagihiko surpreendeu-se, enquanto via Tadase caminhar rápido passando a sua frente. O tom de voz que ele usou era gélido, quase indiferente. Seus pés batiam com força no chão, e ele tinha o rosto fechado, as sobrancelhas tensas, os ombros rígidos. Estava, para dizer o mínimo, irritado.
Nagihiko ainda tentou continuar algum diálogo depois disso, só que não teve tanto sucesso. Nunca havia visto Tadase tão frio, e isso o deixava mal, mas não sabia exatamente como lidar com isso. Como não tiveram a chance de conversar durante o caminho, já que se encontraram novamente com Kukai e Kairi no final das compras, Tadase permaneceu em silêncio, e todos eles seguiram pela rua até a casa de Rima, onde teriam que descarregar tudo, e não tocaram mais no assunto. Kukai estranhou o clima tenso entre os dois, que era absolutamente diferente de quando se encontraram no início da tarde, mas seu senso de proteção dizia que era perigoso se meter nesses assuntos de qualquer forma.
Rima também estava bem estressada, e não parecia nada feliz em ter que recepcionar uma festa assim de repente, e depois que eles deixaram toda a comida com ela, suas tarefas do dia estariam encerradas. Kukai seguiu para sua casa, e Kairi disse que tinha assuntos a cuidar, mas era óbvio que iria ir ver Amu. Quando eles tomaram seus rumos, Tadase e Nagi acabaram sozinhos novamente.
— Hotori-kun… — Nagihiko alcançou Tadase, que já estava andando apressadamente na direção de casa, sem nem esperar por ele – Hotori-kun, você ficou bravo comigo? Eu sei que posso ter exagerado um pouquinho, mas você sabe que foi somente atuação, não sabe? Eu jamais ia querer…
— Eu sei que você está só fingindo, é claro que eu sei. Está tudo bem. – Tadase replicou, sem olhar para trás. Nagihiko foi mais rápido, e se colocou na frente dele, segurando-o pelo braço e impedindo que ele continuasse a caminhar e olhasse para ele.
— Não, não está tudo bem. Você ficou incomodado e qualquer um poderia notar. Você nem está olhando direito para mim! – Nagihiko olhou ao redor, apreensivo, e encontrou uma viela mais estreita no espaço entre dois prédios de apartamento. Havia caixas de papelão empilhadas de um lado, cobrindo a visão de quem vinha da rua, e uma grade que barrava o caminho pelo beco. Sem pensar duas vezes, Nagihiko levou Tadase para aquele lado.
— O que está fazendo!? – Tadase ia começar a protestar, mas Nagihiko o prendeu contra a grade, e o encarou com aqueles olhos âmbar queimando profundamente. Ele engoliu em seco, mas tentou suportar aquele olhar, até o segundo em que não aguentou mais e teve que desviar, olhando para o chão.
— Hotori-kun, você sabe muito bem que eu não estou fazendo isso por que eu quero! Se nós queremos mesmo ficar juntos, sem ninguém para nos incomodar, então é necessário que não haja nenhum boato que possa acabar caindo nos ouvidos das nossas mães! Você sabe disso! Eu contei a você, e você concordou comigo. Eu disse que pararia se você quisesse, e eu estou disposto a fazer isso mesmo agora. Então, por favor… não aja assim comigo… não me ignore, não seja tão frio… — ele apoiou a cabeça no ombro de Tadase, escondendo-se com as mechas de cabelo que caiam no rosto. Abraçou Tadase pela cintura – Eu não aguento ver você assim…
— Eu sei que eu disse que estava tudo bem, não quero que esses boatos se espalhem. Se para que isso aconteça você tem mesmo que agir dessa forma toda amigável com essas garotas, eu entendo também… pelo menos é isso o que minha razão me diz… – Tadase suspirou, rendendo-se e abraçando Nagihiko de volta, acariciando-o no topo da cabeça – Mas… eu não pensei que fosse tão difícil ver isso com meus próprios olhos. – ele agarrou-se à Nagihiko com mais força, quase possessivamente, e deixou-se apoiar na grade atrás de si, sentindo a respiração dele bater contra sua pele – Eu não queria ter visto aquilo. Ver você sendo tão provocante, olhando para alguém daquela forma, tocando tão facilmente outra pessoa que não sou eu…
— Não é de verdade… — Nagihiko murmurou, e sua voz grave ecoou nos ouvidos de Tadase.
— Eu sei muito bem que não é verdade. Mas mesmo assim, é doloroso. Parece que meio coração é esmagado, só de ver você perto de outra garota. Eu quase não aguentei… — Tadase fechou os olhos, estremecendo – Queria arrancar você dali no mesmo segundo, para longe dela! Fujisaki-kun… eu sei que isso é egoísta da minha parte, mas a culpa é toda sua, que me mimou dessa forma. Agora eu quero que você olhe somente para mim, e para mais ninguém…
— Hotori-kun – Nagihiko ergueu-se, e com a mão repousada suavemente no rosto macio de Tadase, abriu os olhos – Eu amo você, só você. Nenhuma dessas garotas significam nada para mim, elas são todas ilusões, mentiras que eu tenho que sustentar para poder ficar ao seu lado. Nesse momento, eu estou olhando somente para você – ele fixou-se nos olhos carmesins do outro, intensamente, e então tocou suas testas, encarando-o de tão perto que mal podia enxergá-lo –… e você é a única verdade na minha vida. Você pode ser egoísta comigo se quiser, Hotori-kun, eu não me importo. Eu já pertenço à você…
Tadase acreditou nas palavras dele, sem hesitar. Como não acreditar? Sabia identificar quando Nagihiko mentia, essa era uma habilidade adquirida com o passar dos anos, e que não se tornara obsoleta mesmo com a separação. Então, sabia também que ele era sincero quando dizia que nada daquilo importava realmente. Apenas… não conseguia evitar aquele sentimento de possessividade. Odiava a ideia de ter que dividir Nagihiko com quem quer que fosse, de ter que mentir sobre o que sentia por ele, de não poder gritar para o mundo inteiro ouvir que aquele garoto pertencia a ele e somente a ele. Mas não havia nada que pudesse fazer quanto a isso.
Tomado pela emoção, e ainda o sentimento de ciúme que queimava em sua garganta, Tadase abraçou Nagihiko com força, trazendo-o para mais perto pelo pescoço. Ficou na ponta dos pés, enquanto ele o segurava pela cintura, e deixou que tomasse seus lábios, com urgência. Permitiu ainda que ele o invadisse com a língua, que aprofundasse ainda mais o toque, necessário e ávido, enquanto bagunçava sem cerimônia os cabelos arroxeados, sedosos em suas mãos.
Ouviu o barulho da grade de metal batendo atrás de si, quando Nagihiko o empurrou contra ela, usando de apoio para tocá-lo ainda mais, por baixo do casaco, acariciando suas costas com os dedos finos, causando arrepios por onde tocava.
Passando a mão pelo peito do maior, ele o abraçou mais uma vez, terminando com qualquer espaço que podia haver entre seus corpos, abrindo os lábios para sentir mais do beijo intenso de Nagihiko, do toque interminável dele. Apenas ele podia sentir isso. Aqueles lábios, aquele corpo, pertenciam somente a ele. Nagihiko devia ter isso em mente, sempre.
Quando o fôlego chegou ao fim, eles não tiveram alternativa se não separarem-se. Ofegante, Tadase apoiou a cabeça no peito de Nagihiko, ainda o abraçando com força. Estava agindo como uma criança, e sabia disso. Mas também sabia que Nagihiko o aguentava mesmo quando tomava atitudes infantis como essa, e de certa forma, apreciava esse cuidado. Às vezes, ele queria mesmo ser mimado dessa forma. Depois de três anos, precisava disso.
— Você entendeu agora, Hotori-kun? – Nagihiko sussurrou com a voz rouca e suave, no ouvido do menor. Afagou de leve os cabelos dele, perto da orelha. Sentiu-o estremecer. – Não precisa se sentir inseguro, eu estou aqui com você. Não vou a lugar nenhum.
— Eu entendi… — Tadase balbuciou, abraçando Nagihiko com ainda mais vontade, enterrando o rosto no casaco dele – Espero que você também tenha entendido, que pertence só a mim. E que eu não permito que olhe para ninguém mais. – mesmo corando e com vergonha, ele ainda conseguiu dizer essas palavras. Estava agindo mais como quando estava no chara change, mas Nagihiko achava esse lado egoísta do Rei mandão muito fofo também.
— Sim. Eu sou só seu – ele ergueu o rosto de Tadase, e o beijou mais uma vez. No nariz, na testa, na bochecha, e então, um selinho nos lábios. Tadase corou ainda mais, mordendo o lábio de impaciência. Ele sorriu, abraçando-o com carinho, pela cintura. – Somente seu, Majestade…
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