Itsumo Yakusoku

16 Capítulo 16 - Prisoner of Love


Notas iniciais
Prisoner of Love - Utada Hikaru http://letras.mus.br/utada-hikaru/1222226/traducao.html


Sou somente um prisioneiro do amor

Um prisioneiro do amor

Com indiferença, você conta uma mentira

Rindo até passar mal

"Vamos apenas nos divertir", você disse

Sentindo-se triste por desejar o impossivel

Todos estão procurando a tranqulidade

Você está lutando, mas você ja teve o bastante

Agora você persegue uma sombra de amor


Capítulo 16

~

Prisoner of Love

Na noite da tão esperada festa do Halloween (esperada apenas por Yaya, é claro), Nagihiko seguiu vagarosamente até a casa de Rima, com um hesitante Hideyoshi em seu encalço. Depois da festa do pijama na casa de Kukai, Hideyoshi ficara seriamente abalado, e não queria participar de mais nenhuma festa que envolvesse os amigos estranhos de Nagi, mas como o primo conseguiu acalmá-lo o suficiente ao dizer que o irmão de Kukai e os outros garotos mais velhos não estariam na festa, além do fato de que as meninas também estariam lá, Hideyoshi pareceu se acalmar o suficiente para acompanhá-lo, desde que ele lhe prometesse que não teriam que passar a noite inteira lá de novo e só voltar no dia seguinte, como aconteceu da última vez.


Depois de finalmente chegarem e tocarem a campainha, a porta foi aberta pelo que parecia ser uma abóbora gigante, só que com pernas curtas e uma longa cascata de cabelos loiros, que só depois eles perceberam que se tratava de uma absolutamente furiosa Rima fantasiada de abóbora.


– Etto... Rima-chan...? — Nagihiko murmurou, sem saber se desejava boa noite e entrava logo sem discutir ou se dava meia-volta e saía correndo de lá enquanto podia — O que...?
– Foi idéia da Yaya, é claro — a loira resmungou, com cara de quem queria matar alguém — Entrem logo, ela está mesmo precisando de novas vítimas — ela abriu caminho, e Nagihiko entrou muito lentamente e hesitante, enquanto Hideyoshi o seguia, com cara de quem preferia ter fugido correndo dali. Depois de seguirem a abóbora gigante, quero dizer, Rima, pelo hall de entrada, eles chegaram até a enorme sala, que estava tão barulhenta quanto a casa de Kukai durante a festa do pijama.


De fato, Ikuto, Kyouharu e Rento, um dos irmãos de Kukai, não estavam presentes na festa, porém Yaya ainda conseguia ser tão escandalosa quanto os três juntos. Nesse exato momento, ela tinha roubado uma caixa de primeiros-socorros de algum lugar da casa de Rima e tentava enfaixar Kairi com bandagens da cabeça aos pés para fantasiá-lo de múmia, enquanto o pobre garoto de óculos se debatia como um peixe fora d'agua, tentando se desvencilhar dela. Kukai assistia a cena, dando risada e apontando, também já fantasiado do que só podia ser de jogador de futebol, já que ele usava o uniforme do time de futebol da escola, e tinha algumas manchas vermelhas nos braços e na camisa, no que parecia ser sangue falso, embora parecesse mais ser apenas manchas de ketchup. Amu veio andando por um corredor que, se Nagihiko lembrava bem, levava até a cozinha, trazendo uma bacia cheia de doces em formatos de morcegos, abóboras, e outras coisas típicas da data nas mãos, mas quando viu o que Yaya tentava fazer com Kairi, quase jogou tudo pro alto, parando por pouco e largando a bacia de doces na mesa de qualquer jeito, e correndo até o outro lado da sala para tirar Yaya de cima do garoto. Ela também estava fantasiada, usava um vestido todo preto, com alguns detalhes roxos na barra da saia e nas mangas, e um cinto de caveira na cintura combinando, que para Nagihiko parecia ser apenas mais uma de suas roupas "cool and spice", mas como ela também usava um chapéu de bruxa sob os cabelos soltos, Nagi concluiu que ela estava fantasiada de bruxa, e confirmou suas suspeitas quando Amu pegou uma vassoura encostada em um canto, pronta para bater com ela em Yaya, mas a ruiva enfim desistiu de tentar fantasiar Kairi e se afastou dele depressa, antes que acabasse apanhando, ainda resmungando "Como a Amu-chii é sem graça, Yaya só estava brincando!".


Tadase era o único que ainda estava ileso, sentado encolhido em uma ponta do sofá, com cara de quem fugiria pela janela para escapar daquela tortura, se fosse alto o bastante para alcançá-la. Nanami estava sentada ao lado dele, com uma cara estranha, como quem fica em dúvida se também tenta fugir daquela bagunça ou se rende de uma vez e esquece os bons modos, e dá risada da cena diante dela de uma vez. Ela usava um vestido verde-claro até um pouco acima dos joelhos, sem mangas, um par de asas falsas, e tinha os cabelos presos em um coque no alto da cabeça, o que sugeria que ela já tinha vindo fantasiada de Sininho, de modo que conseguiu escapar da tortura de Yaya.


– Ah, vocês finalmente chegaram! — Yaya exclamou ao avistar Nagihiko e Hideyoshi, deixando de lado o pobre Kairi, que tinha acabado com os braços, pernas e o pescoço enfaixado com bandagens, e indo ao encontro dos dois, como se buscasse novas vítimas. Ela também estava fantasiada, obviamente, e usava uma enorme e fofa fantasia de coelho cor-de-rosa, que combinaria muito mais com a Páscoa do que com o Halloween — Finalmente, Yaya estava pensando que vocês não viriam nunca!
– A-Acho que teria sido melhor se não tivéssemos vindo mesmo... quero ir embora, Nagihiko-kun... — Hideyoshi sussurrou amedrontado atrás do primo, tão baixo que somente Nagi pôde ouví-lo
– Mas nós acabamos de chegar... vamos ficar um pouco, pelo menos. Relaxe, Hideyoshi-kun, você não precisa se fantasiar se não quiser — ele tentou acalmar o primo, embora não pudesse culpar o garoto por querer fugir dali depois de ver o estado em que Kairi se encontrava
– Fujisaki-kun! — Tadase deixou escapar um sorriso aliviado ao vê-lo e, antes que pudesse se segurar, levantou-se e correu até onde ele estava — Pensei que você não iria vir! Por favor, pare a Yuiki-san... e-ela está assustando todo mundo assim... ah! Q-Quero dizer...! — só então ele notou a presença de Hideyoshi, que o encarava confuso, e acrescentou desajeitado — B-Bem, veja só o que ela fez com o Sanjou-kun e a Mashiro-san... e t-também, o Hideyoshi-san parece meio nervoso, alguém precisa pará-la...
– Acho que sou obrigado a concordar com ele dessa vez... essa menina é assustadora, Nagihiko-kun — Hideyoshi murmurou
– Bem, não tenho argumentos pra defendê-la — Nagi admitiu — Está bem, vou tentar falar com ela... — ele caminhou até Yaya, que olhava ao redor com um sorriso suspeito, como se tentasse decidir quem seria sua próxima vítima, e quando avistou Nagi, ficou seriamente tentada em fantasiá-lo com alguma roupa feminina, mas o garoto foi mais rápido dessa vez
– Nee, Yaya-chan... eu tenho uma coisa importante pra te dizer — ele se inclinou na direção dela, até que ficassem da mesma altura, e sussurrou — Se você ousar tentar fantasiar mais alguém à força, eu vou contar pra todo mundo sobre aquela sua conversinha suspeita com o Souma-kun sobre "aquela vez", que aconteceu "naquele dia", ouviu?
– Ehhh?! — ela pulou pra trás, como se o garoto desse choque — M-Mas não foi isso que nós combinamos, Nagiii!! Isso não é justo, você está trapaceando!!
– Ahh, mas é que eu fiquei realmente curioso pra saber mais detalhes sobre essa história... e, já que você não quer me contar, talvez eu consiga mais informações se os outros me ajudarem a te interrogar, não acha? — o garoto insistiu, fingindo-se de inocente
– Droga, como você joga sujo... está bem, está bem, Yaya já entendeu! — a ruiva exclamou, fazendo bico — Não vou chegar perto do Tadase, feliz agora?!
– Nem do Hideyoshi-kun. Não quero que ele acabe ficando traumatizado por sua culpa — Nagi acrescentou
– Droga, como você é chato... está bem, já entendi, seu tirano! — Yaya exclamou como uma criança mimada que acabou de levar bronca — Droga, aquele jeito egocêntrico do Chara Change do Tadase deve estar contaminando você, só pode... — ela se afastou batendo os pés, irritada.


Nesse exato momento, a porta da enorme casa se abriu mais uma vez, sem que a campainha tocasse ou que Rima fosse atendê-la, e por ela entraram Ikuto, Utau e Kyouharu, todos os três já fantasiados. Ikuto vestia uma calça apertada, listrada horizontalmente em roxo e azul-marinho, com suspensórios pretos, estava sem camisa, com o peitoral bem desenvolvido à mostra pra quem quisesse ver, e pra quem não quisesse também, e usava luvas que lembravam muito patas de gato. Também usava falsas nekomimi, e uma cauda da mesma cor que as orelhas falsas, o que confirmava que aquela fantasia de fato era (ou pelo menos deveria ser) de gato. Utau trajava um vestido tomara-que-caia cor de vinho, bem apertado, luvas compridas indo até acima dos cotovelos, e meia-calça com botas vermelhas. Usava um arco com pequenos chifres de diabinha, e também uma cauda com uma espécie de triângulo na ponta, e carregava um tridente de plástico vermelho, o que lembrava muito seu Chara Nari com Iru, que não seria mais possível de se ver, já que as Shugo Charas dela também tinham desaparecido, já que a garota tinha crescido. Kyouharu estava com o rosto mais pálido, o que sugeria que ele estava usando algum tipo de maquiagem, usava uma dentadura que deixava seus dentes caninos mais pontiagudos, vestia uma calça preta e um paletó aberto, também preto, aparentemente sem nenhuma camisa por baixo, também deixando parte do tórax e do abdômen à mostra, e uma gravata vermelha amarrada de qualquer jeito, no que pretendia ser uma fantasia de Drácula.


– Feliz Halloween, pirralhos! — Ikuto exclamou sorridente, adentrando a casa de Rima sem cerimônia e sendo seguido pelos outros dois — Puxa, estou faminto! Cadê a comida, hein?
– B-Bem ali, Ikuto-niisan... — Tadase respondeu, apontando para a tigela de doces que Amu tinha trazido — Droga, eles vieram mesmo... agora sim que estou ferrado de vez... — ele acrescentou baixinho, mais para si mesmo
– Nagihiko-kun! — Hideyoshi sussurrou nervoso, puxando o primo pela camisa — V-Você disse que eles não iam aparecer! Por que eles estão aqui afinal?!
– Eu não sei, também pensei que eles não viriam... — Nagi respondeu, sem saber o que dizer — Boa noite, vocês três... aliás, que fantasias são essas, hein?! — ele perguntou para os três mais velhos, erguendo uma sobrancelha
– Estou fantasiado de gato, é claro — Ikuto respondeu o óbvio, com a boca cheia de comida — Que foi, não deu pra notar? Sou o Gato de Cheshire agora!
– Sim, isso eu notei — Nagi respondeu, tentando ser educado — Tsukiyomi-san está fantasiada de diabinha, ao que parece, e Kyouharu-san de vampiro, mas... o que eu quero dizer é que... bem... não estão faltando algumas peças de roupas nessas fantasias não??
– Não, elas estão completas. Pegamos elas na loja do Ikuto — Kyouharu respondeu como quem diz o óbvio
– Ah, na loja do Ikuto, é claro... eu devia ter pensado nisso antes — Nagihiko murmurou para si mesmo com uma gota na cabeça
– Bom, eu peguei a fantasia emprestada do estoque. Já vocês dois, eu tenho certeza de que vão querer comprar elas depois pra "se divertir", hehehehe... — Ikuto deu uma risadinha maldosa
– Não diga isso na frente de crianças, ikuto! — Utau deu um tapa na cabeça do irmão, mas não negou o que ele disse
– Awnnn, vocês já vieram fantasiados, que chato... e a Yaya queria tanto fantasiar vocês! — a ruiva resmungou manhosa — Ahh, já sei! Que tal jogarmos alguma coisa? Tipo verdade ou consequência... ou pockygame! — ela sugeriu, e Tadase corou instantaneamente, quase tendo uma síncope ao se lembrar da última vez que jogara pockygame
– Nada de pockygame, Yaya-chan — Nagihiko falou severamente pra ela, como se isso encerrasse a questão
– Ehh... mas eu gostei da idéia de jogar alguma coisa! — Ikuto exclamou como um verdadeiro gato manhoso, lembrando estranhamente Yoru — Então, que tal jogarmos algum jogo de desafio?
– Ahh, sim! Como aquele da garrafa, né, em que se faz uma pergunta pra quem ela apontar, e se a pessoa não responder, ela paga uma prenda... nossa, faz tempo que não jogo isso! — Kyouharu concordou, parecendo empolgado
– Isso, isso! Yaya aprova! — a ruiva começou a pular, erguendo a mão no ar, voltando a se empolgar.


Como Kukai e Utau concordaram rapidamente, os outros não tiveram opção além de se render ao jogo, e logo estavam sentados em uma roda, com uma garrafa no meio, jogando verdade ou desafio forçadamente. Yaya girou a garrafa, que apontou primeiro para Amu e para Utau.


– Ohh, isso pode ser interessante... — a loira murmurou para si mesma, com um sorriso maldoso que deixava sua fantasia ainda mais realista — Então, Amu... responda o que todos nós queremos saber e diga até onde você e o Kairi já foram
– Ehh?! — Amu recuou, o rosto avermelhando-se, enquanto Kairi se encolhia, nervoso com a pergunta — Q-Que espécie de pergunta é essa, Utau?!
– Ah, mas... vocês estão saindo, não é? — a loira explicou — Então, queremos saber até onde vocês já foram! Se não responder, terá que cumprir um desafio...
– N-Não é como se tivéssemos "aonde ir"... q-quero dizer... nós não estamos namorando — Amu respondeu alguns segundos depois, com uma cara de quem parecia não ter gostado dessa resposta também
– Como assim, não estão?! Nossa, mas esse cara é mesmo lerdo, hein?! — Kukai exclamou desapontado
– Acho que você não pode falar nada dos outros, Souma-kun... — Nagi comentou, fazendo o mais velho engolir em seco com o comentário, e rendeu-se ao jogo, girando a garrafa novamente, que dessa vez apontou para Ikuto e Hideyoshi. O garoto deixou escapar um lamento de "ahhh, nãããoooo...!!", enquanto o mais velho comemorava
– Ohohoho, isso vai ser divertido... — Ikuto exclamou, sorrindo como um verdadeiro Gato de Cheshire — Então, meu jovem... qual foi a maior loucura que você já fez na sua vida, hein? Vamos, compartilhe isso conosco! — ele exclamou, embora já fizesse uma idéia de qual seria a resposta. Hideyoshi paralisou, ficando branco como papel, lembrando-se imediatamente da noite da festa do pijama, da qual tinha poucas lembranças depois de ter bebido algo que não devia e começou a dizer coisas sem sentido e desejando poder voar
– E-E-Eu não sei como responder i-isso... e-eu não sou de cometer... l-loucuras... — Hideyoshi titubeou apavorado, desejando não ter tanta atenção assim focada nele
– Ehh... nem umazinha? Tem certeza? — Kukai indagou, percebendo aonde Ikuto queria chegar — Vamos lá, garoto, todo mundo faz uma ou duas besteiras pelo menos uma vez na vida!
– E-Eu n-n-não... e-eu não quero responder isso! — Hideyoshi exclamou, com cara de quem fugiria dali à qualquer momento
– Se não quer responder, então terá que pagar uma prenda, Hide-kun! — Utau exclamou, se levantando — Yaya... já sabe o que fazer, não?
– Com certeza, Utau-chan... já tenho tudo preparado! — Yaya se levantou também e saiu correndo para buscar alguma coisa
– Então, conto com vocês para preparar o castigo dele, minha irmã e tampinha barulhenta! — Ikuto exclamou, dando risada antecipadamente
– Haaaai~!! — as duas exclamaram juntas, enquanto Yaya voltava correndo com uma muda de roupas nos braços, que não poderia ser coisa boa.


Nagihiko ainda tentou impedí-las, mais preocupado que o primo ficasse realmente traumatizado com todo esse alvoroço e ele acabasse levando a culpa e sendo castigado por sua mãe depois do que qualquer outra coisa, mas quando finalmente alcançou Yaya, Utau e o garoto torturado, já era tarde demais. Em poucos minutos, Hideyoshi fora fantasiado forçadamente pelas duas com o que parecia ser um kimono feminino, estilo miko, com a parte de cima com mangas largas e compridas brancas, e a parte de baixo toda vermelha. Também tinham soltado o frouxo rabo de cabelo que o garoto usava e o substituindo por dois rabinhos presos para o lado, deixando o resto do cabelo solto.


http://s1151.photobucket.com/user/teffy-chan88/media/hideyoshimiko_zpsc8445ffe.jpg.html


Ele resignou-se a ficar encolhido em um canto, o rosto inteiramente rubro como um tomate maduro, com cara de quem queria morrer agora mesmo. As garotas agora faziam o maior escândalo sobre como ele estava fofo com essa roupa, alguns garotos davam risada, faziam piadinhas e apontavam, enquanto que outros ficaram em silêncio, sentindo pena do pobre garoto. Até que Nanami deixou escapar baixinho:


– K-Kawaii...
– O que? — Tadase olhou para ela, incrédulo, se perguntando se tinha ouvido direito — V-Você disse alguma coisa, Nanami-san?
– Ah... n-nada, não disse nada! — ela se apressou a dizer, surpresa por ter sido ouvida — Só que... e-essa fantasia é mesmo muito fofa...
– Bem, suponho que sim, mas... o pobre garoto não parece muito feliz por estar vestindo ela — Rima comentou sem dar importância ao assunto. Hideyoshi tinha de alguma forma ouvido o comentário dela também, e surpreendeu-se de até alguém reservada e quieta como Nanami achar que ele tinha ficado bonito com aquela roupa, o que só o fez ficar ainda mais constrangido
– N-Não acredito que até a Nanami-san pense assim... — Hideyoshi murmurou depois de alguns segundos, quando finalmente fora deixado em paz depois dessa punição, enquanto os outros voltavam a jogar — I-Isso é uma fantasia feminina, não é? Por que aquelas duas colocaram isso em mim afinal?
– Bem, você não pode dizer que ela é feminina só por causa do modelo largo, já que kimonos masculinos também são assim afinal, não é? — Nanami comentou como quem tenta consolá-lo, sem muito sucesso
– É verdade, mas... ainda assim... — Hideyoshi murmurou, sem conseguir terminar a frase. Tinha ficado ligeiramente mais calmo, e lembrou-se de repente da vez em que viu a garota conversando com Nagihiko. Aquilo o deixara realmente intrigado, mas não conseguiu perguntar sobre isso para o primo. Porém, talvez não fizesse mal perguntar diretamente para a garota — Etto... Nanami-san... sabe, outro dia, quando saí para buscar meu primo, eu... s-sem querer vi vocês conversando na rua... vocês estavam sozinhos, sem o Tadase-kun por perto. M-Mas, pareciam estar falando de algo importante, então eu não quis interromper... b-bem, o que eu quero dizer é que... etto... você é noiva do Tadase-kun, certo? Então, eu fiquei curioso... sobre o que você estava conversando com meu primo daquela vez? — ele indagou por fim, tirando coragem sabe-se lá de aonde, já que ainda estava vestindo aquela fantasia constrangedora, e Nanami sobressaltou-se, sentindo seu coração dar um poderoso salto
– Ahh... a-aquilo. N-Não era nada de mais, é sério... nós apenas... falamos um pouco sobre o Tadase-san, só isso — ela murmurou depois dos vários segundos que levou pra se acalmar — Além do mais, você tem razão no que disse, eu realmente estou noiva do Tadase-san. Mas... eu não me tornei noiva dele porque quis
– "Não se tornou noiva dele porque quis"...? — Hideyoshi repetiu confuso
– Exato. Isso não passa de um casamento arranjado, forjado pelos meus pais e pelos dele — Nanami contou — Como você veio do exterior, talvez ache isso estranho, mas esse costume é bem comum aqui no Japão. Por vários motivos, nossos pais decidiram que seria melhor que nos casássemos quando atingirmos a maior idade, e por decisão deles, nos tornamos noivos. É só isso
– Isso me parece um tanto... cruel. E triste, eu acho... — o garoto respondeu alguns segundos depois. Como tanto ele quanto Nanami tinham ficado em silêncio, notaram só agora o alvoroço que os demais faziam. Aparentemente, Yaya tinha feito alguma pergunta, ou talvez arranjado uma punição constrangedora para Nagihiko, que agora discutia com ela e com os demais, inclusive com Tadase.


O que nem Hideyoshi e nem Nanami tinham percebido era que, enquanto conversavam, a garrafa realmente tinha apontado para Yaya e Nagihiko, e a garota teve a "brilhante" idéia de perguntar até onde ele e Tadase já tinham avançado em seu relacionamento.
Aquilo tinha obviamente deixado o loiro roxo de vergonha, e Nagihiko recusou-se a responder à essa pergunta extremamente pessoal e constrangedora, é claro, de modo que a ruiva inventou de dar-lhe como punição ele ter que beijar uma das garotas ali presentes, e inclusive deixou ele escolher quem seria e tudo. Claro que nenhuma das garotas pareciam querer concordar com aquilo, o que só aumentou a discussão, mas a maior parte do alvoroço foi causado surpreendentemente por Tadase, que colocou-se de pé imediatamente, disposto até em castigar Yaya e até Nagihiko por essa punição ridícula com seu Chara Nari. Felizmente, nem Hideyoshi e nem Nanami tinham notado que esse era o motivo da discussão, mas notaram que agora Tadase brigava feio com Nagihiko.


– ... toda vez você age assim, eu não aguento mais! Primeiro aquela sua idéia ridícula de seduzir as alunas da sua escola, que eu até entendo que é necessário, mas isso ainda me incomoda! Depois, aquela sua atuação terrivelmente convincente com aquela garota que encontramos na rua... ter que ver você fazendo aquilo na minha frente, e agindo daquela forma... você não faz ideia do quanto aquilo me irritou! — Tadase continuava seu discurso, com o rosto inteiramente vermelho, só que dessa vez não era de vergonha, e sim de raiva — E agora, isso?! Beijar uma das garotas, não importa qual seja... como você pode fazer algo assim?! Sem considerar os sentimentos dos outros... sem falar que algumas das garotas aqui já estão comprometidas, não é?! Isso é traição, em vários sentidos!! Você não pode obrigar os outros a fazer algo assim, nem a assistir uma cena repugnante e falsa dessas!! Não percebe o problema que causaria para várias pessoas?!
– Hotori-kun, acalme-se por favor!! — Nagihiko gritava de volta — Eu nunca disse que concordava em fazer isso, foi idéia da Yaya-chan pra início de conversa, você mesmo viu!! E eu nem fiz nada ainda, por que você está tão zangado comigo?!
– "Ainda"? — o loiro repetiu — Quer dizer que você pretendia mesmo fazer isso, não é??
– Eu nunca disse isso...
– Mas está na cara! — Tadase exclamou de volta, sem deixar o maior terminar a frase — Eu não aguento mais! Essas suas farsas e mentiras tão convincentes... me pergunto se são mesmo apenas atuações! Se não está apenas tirando proveito do seu talento como ator pra se aproveitar da situação e se divertir com as garotas, sem considerar os sentimentos dos outros... como posso saber se isso tudo é mesmo atuação ou não, hein?!
– É claro que é atuação, você sabe melhor do que ninguém!! — Nagi gritou de volta, desesperado — Você me conhece desde pequeno, sabe que sempre tive que atuar sobre certas coisas, e sabe também que isso é necessário! Por favor, acredite em mim, Hotori-kun! — ele segurou o loiro pelos ombros, encarando os orbes vermelhos dele com seus olhos dourados, mas Tadase conseguiu se desvencilhar do olhar insistente dele, e também de suas mãos
– Você se tornou um ator bom demais, eu já não sei mais no que acreditar!! — Tadase gritou, os olhos marejados, e saiu correndo rua àfora, desaparecendo de vista, enquanto todos observavam a cena, em um pesado e constrangedor silêncio. Pelo que tinha ouvido, Nanami conseguiu perceber que Tadase tinha ficado com ciúmes de Nagi por algum motivo, e remexeu-se incomodada no canto aonde estava, porém, de alguma forma, Hideyoshi chegou à conclusão de que, apesar de esse noivado entre os dois ter sido arranjado pelos pais deles, talvez Tadase estivesse furioso assim porque estava com ciúmes de Nanami, já que, se Nagihiko aceitasse a tal punição, poderia acabar beijando ela afinal. O garoto perdeu-se tanto nesses pensamentos sem sentido que não notou que o primo tinha saído correndo para fora da casa de Rima também, correndo desesperadamente atrás de Tadase. Não podia deixar as coisas desse jeito, não mesmo... não poderia perder sua pessoa mais preciosa por um motivo tão besta. Precisava pensar em um jeito de fazê-lo entender de uma vez por todas que aquilo não passava de uma atuação forçada e, de preferência, bem rápido... antes que fosse tarde demais.

Notas finais
Yoo~ minna-san! Tefy-chan desu õ/ Bom, pois é, como a maioria imaginou, muitas coisas iriam acontecer nessa festa de Halloween sim, mas... pena que não foram muito boas né =/ Vamos ver agora como é que o Nagi vai convencer esse cabeça-dura do Tadase, ai, ai... O próximo é com a Shiroyuki-chan õ/ Deixem reviews com suas opiniões e comentários, onegai, e façam as autoras felizes!!! *o*