Itsumo Yakusoku

13 Capítulo 13 - Take Off


Notas iniciais
Take Off - 2PM http://letras.mus.br/2pm/1862378/traducao.html

Confrontados por um desafio

Qualquer um se sentiria inseguro

Quando isso acontecer, eu tenho você

para me dar um empurrãozinho

Por favor, fique…

… Comigo…

Uma única palavra sua

É o suficiente para me dar

toda a coragem que eu preciso

São palavras mágicas



Capítulo 13

Take Off

Convencer Fujisaki Kaoruko a fazer qualquer coisa que ela não aceitasse certamente era uma tarefa difícil, e Nagihiko sabia disso como ninguém. Ele logo imaginou que teria que arrumar mil e um argumentos para fazer com que ela permitisse que passasse a noite na casa de Kukai, e estava preparando todos eles mentalmente quando foi falar com ela, mas havia sido surpreendentemente fácil conseguir o consentimento dela…

Com as frases “Hotori-kun não estará lá” e “Hideyoshi também foi convidado”, Kaoruko foi rapidamente convencida, e Nagihiko estava aprovado para passar a noite fora, com seus amigos. Na verdade, ela simpatizava com aquela ideia de que Nagihiko estava se distraindo com coisas diferentes, e que havia deixado de pensar em Tadase. E é claro que o fato de ele estar ensaiando com tanto afinco para as apresentações também contava pontos… Enfim, na dura batalha para a recuperação da confiança da sua mãe, Nagihiko estava com a vantagem… embora não estivesse sendo totalmente honesto com ela.

Era fim da tarde, ele e Hideyoshi se prepararam para ir até a casa de Kukai. Era a primeira vez que seu primo fazia algo assim, já que passou a vida inteira estudando em escolas internas fora do país, e ele estava visivelmente nervoso, pois não conhecia muito bem ninguém além de Nagihiko. Ele achava engraçada a maneira como Hideyoshi se preocupava demais com os assuntos que aparentemente não tinham complicação alguma.

Nagihiko resolvera deixar seus charas em casa, assim como Tadase também provavelmente faria, pois assim eles poderiam avisar caso sua mãe resolvesse passar na casa de Kukai, ou ligar para lá, e houvesse a possibilidade de ela descobrir que o loiro estava lá também. Ele e Hideyoshi estavam indo sozinhos pelo caminho habitual, quando encontraram “casualmente” Tadase vindo pela rua oposta, na mesma esquina onde eles sempre se encontravam quando iam para a escola. Obviamente, Nagihiko combinara com Tadase para se encontrarem e irem juntos, mas Hideyoshi não fazia ideia disso.

— Ah, é tão bom que nós estejamos indo para a casa do Souma-kun! Faz muito tempo que não fazemos isso, não é Fujisaki-kun? – Tadase comentou alegremente, enquanto seguiam juntos pelo caminho. Nagihiko se ofereceu para carregar a mochila dele, e os dois caminhavam um pouco mais a frente, enquanto Hideyoshi os seguia da maneira que podia, parecendo ainda mais apreensivo.

— Verdade… — Nagihiko sorriu, lembrando-se de todas as ocasiões em que seus amigos se reuniam dessa forma com o passar do tempo. Eram realmente várias… mas talvez fosse uma das primeiras sem nenhuma das garotas, e que não tivesse sido planejada por Yaya.

— V-vocês faziam isso com muita frequência quando eram mais novos? – Hideyoshi indagou, curioso.

— Ah, acho que sim… — ponderou Nagihiko, repousando a mão no queixo enquanto pensava – Bem, sempre que acontecia alguma coisa, ou em datas comemorativas, nós costumávamos fazer várias reuniões desse tipo, não é Hotori-kun?

— Bem, sim… como no Natal, no Halloween, nas férias, em aniversários… — Tadase numerou, tentando recordar de outros eventos especiais em que seus amigos costumavam se reunir. Eram realmente muitas, ele nem tinha se dado conta.

— Isso parece formidável… — os olhos de Hideyoshi brilharam por um instante, e Nagihiko sorriu com compreensão. Hideyoshi vivia no exterior, e tinha uma vida ainda mais fechada do que ele próprio, sempre focado nos estudos. Mesmo durante a época que moraram juntos na Inglaterra, ele não parecia ter muitos amigos, e não saia quase nunca de casa, a não ser para ir à biblioteca, ou algo assim. Sendo assim, era evidente que ele não havia passado por várias experiências, que para Nagihiko haviam ocorrido graças aos seus amigos, como dormir fora ou ir a uma festa por exemplo.

— Ah, estamos quase chegando… — Tadase apontou para a modesta casa de dois andares que ficavam no meio da rua. O lugar continuava da mesma forma que era nas lembranças de Nagihiko, nada havia mudado. Até mesmo o pequeno campo de futebol no quintal, continuava intacto. E aquele pedaço do muro que ele e Kukai quebraram ao tentar andar de skate uma vez… a bola de futebol que os dois furaram em outra ocasião… De repente, Nagihiko reparou que sentia realmente muita falta dessa época, e desejou voltar no tempo apenas para ter aquela sensação de liberdade e satisfação que havia na sua vida quando tinha apenas 13 anos. As coisas eram tão mais descomplicadas naquela época…

Eles apertaram a campainha, mas quem apareceu abrindo a porta não foi o dono da casa, mas Kairi. Ele parecia arrependido de estar naquele lugar, e também grato por mais alguém finalmente chegar. Seu semblante cansado o fazia parecer mais velho.

— Ah, são vocês… Tsukiyomi-san e Tachibana-san já chegaram… — ele informou, e estava bem claro naquela frase o motivo da sua cara de enterro.

Os três garotos adentraram o local, e depois de deixar os sapatos em um canto do hall, seguiram Kairi até a sala de estar, que estava irreconhecível. Havia pacotes de salgadinhos e guloseimas jogados para todo lado, e um monte de futons haviam sido espalhados pelo chão, e já estavam todos amarrotados e fora do lugar. No centro, Ikuto e Kukai jogavam vídeo game, ambos tão empolgados que apenas mexer o controle já não era suficiente, e eles gritavam palavrões e se agitavam descontroladamente, como se isso fosse resolver alguma coisa no jogo. Kyouharu, sentado do outro lado com uma lata de refrigerante, apenas torcia ora para um, ora para outro, fomentando ainda mais as almas acaloradas dos jovens.

— Droga, Ikuto, você ganhou de novo!! – Kukai jogou o controle no chão, ao ver o sinal de “K.O. Iku-nyan wins‼” no centro da tela – Está trapaceando, só pode!

— Apenas aceite sua derrota, meu jovem. – Ikuto sorriu de canto, agitando o controle na mão com elegância, e fazendo Kukai irritar-se ainda mais – Você está centenas de anos adiantado se acha que pode me derrotar, eu tenho muito tempo de prática acumulado…

— Ah, eles chegaram! – Kukai exclamou ao ver Tadase e Nagihiko adentrando o local, e Hideyoshi mais atrás. Pulando pelo campo minado que era formado pelos pacotes de comida espalhados, ele conseguiu chegar até ali, para saudar os amigos – Finalmente, achei que não vinham mais… Você e o Tadase… vocês não andaram parando em algum lugar pelo caminho, não é? – ele franziu os olhos, desconfiado, e com um sorriso sugestivo se formando.

— Francamente, Souma-kun! É claro que não! – Tadase corou furiosamente, tentando disfarçar e olhar para o lado. – Hideyoshi-san estava conosco também… — adicionou, em voz baixa, deixando implícito que, se não fosse por esse detalhe, provavelmente teriam feito exatamente isso.

Nagihiko se limitou a sorrir e olhar de soslaio para o primo, que parecia distraído olhando para as fotografias no aparador ao lado do sofá, onde apareciam Kukai mais novo, seus quatro irmãos, e também seus pais. Ele não prestava atenção na conversa. Não que Nagi não gostasse do seu primo, achava que ele era uma ótima pessoa… mas no fim das contas, teria sido um pouquinho melhor se ele decidisse não vir afinal…

— Ah, o Nagi-kun aqui parece um pouco decepcionado, não? – usando o apelido dado por Utau, Ikuto pulou por cima do mais novo, segurando-o em uma chave de braço – Ou eu deveria dizer… necessitado? O baixinho aqui não anda cuidando direito de você, é? – ele sussurrou, fitando Tadase com olhar malicioso.

— Parem de falar dessas coisas…! – Tadase protestou, murmurando de maneira censurada, com medo de que Hideyoshi ouvisse e pensasse alguma coisa, mesmo que ele apenas estivesse escutando toda aquela conversa sem entender nada. Ikuto soltou Nagihiko, depois de verificar que Tadase também não estava gostando nada daquela aproximação entre eles.

— Bom, não importa! – Kukai resolveu se impor, antes que algo acabasse mal – O Rento-nii-san foi comprar alguma comida e já volta… — ele comentou, enquanto Nagihiko e Tadase se acomodavam no sofá mais a frente, e Hideyoshi sentava na poltrona ao lado.

— Ah, como vão os seus irmãos, Kukai? Parece que faz uma eternidade que eu não vejo eles… — Nagihiko falou distraidamente, cruzando as pernas e se escorando para trás do sofá com braço apoiado no encosto de trás.

— Ah, o Rento-nii está por aqui, fazendo nada como sempre. Acho que ele acabou com a namorada, mas ele tem tantas que eu nem sei mais – Kukai soltou um suspiro, com pesar. – Unkai-nii acabou de ir para a faculdade, ele ainda mora aqui, mas passa tanto tempo fora que mal vemos ele, e está em uma viagem esse fim de semana. Não acho que esteja estudando, de qualquer forma… Enfim, o Shuushi-nii está dando aulas em uma escola, em outra cidade, e ele vem visitar de vem em quando… E o Kadou-nii já mora sozinho há um bom tempo, e também só volta às vezes. Essa casa ficou bem mais silenciosa desde que eles foram, isso é verdade… – Kukai riu, bagunçando os cabelos.

— Parece bem mais arrumada também. – Nagihiko riu, e Kukai foi obrigado a concordar. Enquanto eles conversavam, Ikuto e Kyouharu começaram outra partida de vídeo game, corrida desta vez. – Ah, como está a Utau? Eu não converso com ela desde o festival… — Nagihiko comentou distraidamente, para os dois garotos ao mesmo tempo.

— Está chata como sempre – Ikuto revirou os olhos, enquanto se mexia para o lado direito tentando fazer uma curva com seu carro no jogo – O novo álbum dela está para ser lançado, ela não para de trabalhar…

— Com isso, nós não temos muito tempo para nos ver também… — Kyouharu suspirou, deixando o seu carro capotar em uma ponte, e enquanto ele se recuperava, virou-se para Nagi e Tadase – Como eu também estou fazendo faculdade, fica difícil conciliar os horários…

— Ah, você devia ter ficado com ela essa noite então! – Tadase argumentou, surpreso. Sabia como era difícil ficar longe da pessoa que amava como ninguém, e lamentava profundamente pelos dois por causa disso.

— Hoje ela está em uma gravação, só vai sair de lá tarde da noite, por isso não ia ser possível. Preferi vir para cá com o Ikuto, porque assim ao menos ela não vai poder ficar pensando que eu saí por aí com alguma garota… — ele riu, voltando a atenção para o jogo.

— Ah, Utau-nee ainda continua ciumenta, não é? Essa parte dela nunca vai mudar… — Tadase sentou para trás. Sentiu o braço que Nagihiko apoiava no encosto tocando suas costas, e arfou, mas não se retirou dali. Nagihiko, longe do campo de visão dos amigos, acariciou de leve o ombro dele. Tadase tremia levemente, com o coração disparado e o rosto corado com apenas aquele imperceptível toque, que por ser tão discreto só se tornava mais instigante, porém Nagi continuava com sua mesma expressão de sempre, como se estivesse prestando atenção no jogo dos garotos.

Depois disso, os garotos se revezaram para jogar vídeo game, e logo o irmão de Kukai, Rento, chegou com a comida. Enquanto comiam e conversavam, jogaram vários jogos, desde corrida, até luta, e ainda alguns de aventura. Tadase gostava de jogar, mas era péssimo em todos, e quando acabava jogando com Nagihiko perdia completamente a concentração porque o maior sentava perto demais dele de propósito. Kairi era surpreendentemente concentrado, e quase não se mexia do lugar onde estava, enquanto apertava os botões em sequências lógicas e ordenadas. Conseguiu vencer várias partidas, até que acabou derrotado por Kukai em uma de futebol. Na vez de Hideyoshi, ele apenas apertou os botões aleatoriamente, completamente afobado, e acabou tendo que admitir que nunca na vida havia jogado vídeo game.

— Então, garotos… — horas depois, o irmão de Kukai retornou do seu quarto. Passou a maior parte do tempo até ali atendendo ligações, de garotas, claro, e só agora havia resolvido se juntar a eles. – Como estão as coisas?

— Está tudo bem.

Todos estavam de pijamas – exceto Ikuto, que dormia de cueca e sem camisa (na verdade ele dormia pelado, mas Kukai implorou que ele privasse todos ali daquela visão somente por uma noite). Hideyoshi e Kairi haviam encontrado alguns assuntos em comum, e conversavam como gente civilizada, em um canto, enquanto Ikuto e Kyouharu discutiam a altos brados sobre uma suposta trapaça no jogo que valia aposta em dinheiro, e Kukai tentava distraí-los com comida, para que parassem de gritar. Enquanto isso, Tadase e Nagihiko aproveitavam o tempo de distração dos outros para conversar sozinhos, sentados juntos no futon mais afastado.

— Ah, você não disse que havia trazido uma garota, Kukai… — ele comentou, jogando-se no sofá e apontando descaradamente para Nagihiko – Ela é bem bonitinha…

— Eu sou um garoto, Rento, e você me conhece. – Nagihiko comentou ceticamente, e Rento riu alto, repetindo uma velha piada. Toda vez que Nagi ia para a casa de Kukai, tinha que aturar as investidas sem graça de Rento, mas como fazia anos que não o via, havia esquecido esse detalhe.

— Sim, sim, verdade! Você é aquele que estava saindo com o Tad…

— Com ninguém! – Kukai gritou, chamando a atenção de todos, até quem não ouvia a conversa – Não estava saindo com ninguém, o Fujisaki nunca saiu com ninguém! Certo, Rento-nii-san – insistindo, Kukai pressionou o irmão a concordar. Rento fez cara de surpresa, olhando de Nagihiko para Tadase, e então para o garoto desconhecido que era o primo de Nagihiko, e o fitava com discreta confusão. Um semblante de compreensão se formou lentamente, quando ele compreendeu.

— Oooohh, sim, é claro! Eu me confundi. Estava falando sobre outro garoto com cara de menina que vinha aqui, claro… — ele consertou, lembrando-se vagamente de uma história contada pelo seu irmão sobre o complicado relacionamento amoroso de dois dos seus amigos. – Então, o que vocês pretendem fazer essa noite?

— Acabamos de pedir pizza, e eu acho que vou por um filme agora… — Kukai respondeu rapidamente, temendo que Rento falasse mais alguma coisa que os colocasse em problemas com Hideyoshi.

— Ah, um monte de garotos juntos assim, não é nada divertido… — Rento lamentou, deitando a cabeça para trás no sofá – Vocês não tem nada melhor a fazer do que ficar aqui olhando uns pra cara dos outros não? Tipo, sair com umas garotas, ou qualquer coisa assim…

— A Utau está trabalhando – Kyoharu respondeu rapidamente, aproveitando a deixa para derrotar Ikuto no jogo mais uma vez. Entre os garotos, ele era o único que tinha de fato uma namorada, então não se sentiu nem um pouco constrangido com a pergunta.

— Você já está completamente “de coleira”, então não vale – Rento replicou ceticamente para o loiro, que apenas riu. – E vocês, hein? – ele continuou curioso, e fitou os outros garotos – Meu irmão eu sei que não sabe fazer nada além de jogar futebol, e brincar com aquela garotinha das marias-chiquinhas… — ele ignorou o protesto de Kukai, e Nagihiko riu ao pensar que algumas coisas não mudavam nunca – Mas e vocês, ahn? Contem tudo para o Rento Nii-sama! Eu vou ajudar vocês! – ele gargalhou alto, todo cheio de si.

— Eu passo a sua ajuda… – Ikuto sorriu com escárnio. Seu olhar dizia claramente que ele já tinha alguma presa em vista, e não precisava dos conselhos de ninguém para conseguir alcançar seu objetivo.

— E vocês, garotinhos, ahn? – Rento se animou rapidamente, e apontou para Kairi e Hideyoshi que estavam mais perto. Ambos se assustaram por terem sido chamados tão repentinamente.

— Ah, é verdade, Kairi! – Kukai bradou – Como vão as coisas com a Amu-chan? Você já fez algum progresso?

— Uuhh, então tem uma garota! – Rento riu maliciosamente, e Ikuto o acompanhou no sorriso. Kairi corou furiosamente, ao sentir de repente todos os olhares voltados para si, e pensou em alguma maneira de fugir sem deixar rastros e nem ser perseguido, mas a situação não era nem um pouco favorável a ele.

— E-eu n-não sei do que estão falando, e-eu apenas… — ele olhou ao redor, tentando encontrar alguma escapatória – Hinamori-san e eu, n-nós não…

— Que vocês nunca fizeram nada eu sei! – Ikuto interrompeu o gaguejar sem sentido do garoto, impaciente – Isso é óbvio pra qualquer um!! Mas nós queremos saber quando você vai agir! E de que maneira! Anda, eu sei que até um quatro-olhos com cara de ingênuo como você deve pensar em uma ou outra coisa a mais! – ele riu, ao ver o embaraço visível do garoto. Hideyoshi sentiu pena dele, mas preferiu abster-se de comentários antes que acabasse em uma situação similar.

— E-eu decidi que vou afirmar meus sentimentos pela Hinamori-san somente quando me tornar em um homem apropriado. – ele falou com firmeza, ajeitando os óculos com a mão para disfarçar o embaraço.

— Ah, como você é lento, Quatro-olhos-kun! – Ikuto deu um estalado tapa nas costas do garoto, que quase o dobrou no meio.

— Se continuar sendo assim alguém vai acabar roubando ela de você. – Kyouharu aconselhou, deixando o garoto meio apreensivo.

— Eu tenho o palpite de que a Amu-chan já está impaciente por alguma atitude sua, Sanjou-kun – Nagihiko comentou, tomando o cuidado de não revelar nada sobre as conversas que tinha com suas amigas, afinal, segredo entre garotas é algo sagrado. Tadase o fitou com surpresa por ele ter resolvido se pronunciar.

— V-você acha mesmo? – Kairi murmurou, inseguro. Ao lado dele, Hideyoshi parecia um pouco fora de lugar, e não sabia o que fazer no meio daquela conversa.

— Eu vou pegar algo para beber… — Kukai bradou, indo pegar algo nas sacolas que Rento trouxe, e levando-as consigo de volta para a sala. Distribuiu as latas de Coca-cola, e abriu mais pacotes de salgadinhos, enquanto isso.

— Ah, temos aqui alguém perfeito para ajudar! – Rento se juntou à roda de garotos que se formou randomicamente no futon, e deu um meio abraço em Nagihiko, como que para parabenizá-lo – Aqui está alguém que entende do assunto! Você anda muito com as garotas, não é?

— Bem, sim, um pouco… — Nagihiko respondeu, retirando o braço de Rento de cima de si.

— Ah, então divida suas preciosas informações especiais conosco, Fujisaki-san! – Rento incentivou. Tadase, sem nada dizer, saiu do lugar onde estava, do outro lado de Nagihiko, para sentar-se entre ele e Rento, arrumando um espaço que quase não existia. Não gostava daquela atenção toda que estava sendo dispensada para Nagihiko, e disfarçou pegando uma bebida da sacola.

— Ei, ei, Tadase, isso não… — Reito o interrompeu, pegando de volta a latinha – Isso aqui não é para crianças, comprei para mim, para o Tachibana e o Tsukiyomi – ele censurou, devolvendo a lata, que agora Tadase reconhecia como sendo bebida alcoólica. Ele apenas assentiu, corando levemente com o engano, e se aproximou um pouco mais de Nagihiko, que riu disfarçadamente para não irritá-lo.

— Realmente, acho que o Fujisaki é um especialista… — Kukai coçou o queixo, retornando à conversa com esse comentário.

— Tem mesmo algo para dividir conosco, Fujisaki? – Ikuto desafiou, embora também estivesse um pouco curioso.

— Certo – Nagihiko suspirou, quase derrotado – O que vocês querem saber?

— Por que elas demoram tanto pra escolher roupas? – Kyoharu perguntou rapidamente, aproveitando a chance que tinha – Sério, a Utau quase me deixa maluco, quando a gente vai sair! Ela demora horas pra se arrumar, veste uma dezena de roupas diferentes, e ainda reclama depois que nós saímos, dizendo que esqueceu alguma coisa! Eu não entendo!

— Ah, uma garota sempre vai querer ficar bonita, certo? – Nagihiko respondeu meio que o óbvio, coçando o rosto sem jeito. – Vocês nunca devem dizer a uma garota que ela está demorando demais! Ela vai se sentir pressionada, isso não é bom… apenas tenham paciência com elas, e digam que elas estão lindas, não importa o quê. No fundo, isso é tudo o que elas querem ouvir…

— Mas nós não nos importamos com as roupas delas – Ikuto revirou os olhos, impaciente. – Na verdade, a gente nem nota…

— Bom, as garotas não estão se vestindo para vocês, afinal. Garotas se vestem para outras garotas.

— Ahn? Isso não faz sentido!

— Elas não querem se sentir inferiores, então fazem de tudo para parecerem mais bonitas que as outras garotas que estiverem no lugar. Elas também se sentem inseguras com seus corpos, não importa como sejam, e a escolha certa de roupa pode ajudar, e muito! Mas principalmente, garotas adoram comentar sobre as outras garotas, vocês devem ter notado alguma vez, então é claro que elas não querem ser mal faladas nem nada assim…

— Hm, acho que entendi… — Kukai concordou, embora não fizesse ideia do que aquilo significava,

— Incrível, Nagihiko-kun! – a voz de Hideyoshi ecoou, e todos ficaram surpreendidos ao ouvi-lo falando em voz alta tão de repente. O seu rosto também estava muito corado, e o cabelo comprido parecia meio bagunçado – Você sabe tanto sobre garotas, a sua esposa será uma pessoa de muita sorte!

— Ah, sim, obrigado, Hideyoshi… — Nagihiko respondeu sem jeito, olhando de canto para Tadase, que escondeu o desconforto que sentia comendo uma batatinha – Nee, o que é isso na sua mão? – ele alarmou-se, ao ver a lata de bebida de cor diferente na mão do primo. Ele se assustou, como se alguém tivesse dito que havia um bicho nele, e deixou cair a lata vazia no colchão. Todos então perceberam que ele havia tomado uma lata inteira da bebida de uma vez só, enquanto conversavam.

— Você está bem, Hideyoshi-san? – Tadase indagou, percebendo que o garoto o fitava com um olhar estranhamente tolo.

— Do que está falando, Sanjou-san? – ele sorriu de forma débil, e Tadase fitou Nagihiko, confuso. Kairi, que estava sentado no extremo oposto do loiro, também não entendeu – Eu estou ótimo. Nunca estive melhor! – ele bradou, e todos se entreolharam, preocupados.

— Ei, eu vou acabar sendo preso por embebedar menores de idade? – foi a única preocupação de Rento.

— Nee, Nagihiko-kun! – Hideyoshi cambaleou até Nagihiko, caindo no seu lado de mau jeito, e então segurou seu braço – C-como eu faço para ter uma namorada? Eu realmente queria uma… queria saber como é… hic… – ele soluçou, e com o rosto afogueando, aproximou-se ainda mais de Nagihiko –… c-como é se apaixonar por alguém… hic…

— Você nunca se apaixonou por ninguém, Hideyoshi-kun? – Kukai parecia realmente chocado com aquela informação, mesmo embora ninguém ali soubesse se ele já havia tido alguma experiência romântica de fato.

— Não… — Hideyoshi lamentou, com a voz arrastada – Eu sou um idiota, que não sabe nada da vida…. Aah, eu quero voaaaar… — ele cantarolou desajeitadamente, erguendo-se e correndo aos tropeços até a janela mais próxima – Se eu pudesse voar, as garotas iam me achar legal, não é? Eu vou voaaaaaaaaar pelo céeeu…… — ele abriu a janela, e estava pronto para escalá-la, quando Nagihiko e Kukai conseguiram correr até ele a tempo e trazê-lo de volta. Tadase teve o cuidado de ajudar e trancar a janela de novo.

— Eu nunca o vi nesse estado! – Nagihiko fitou o primo com apreensão, enquanto o via ziguezaguear pela sala, abraçado em Kukai e cantando “brilha, brilha, estrelinha…”

— Ele parece bem mais feliz assim… — Ikuto observou, e Hideyoshi deu uma meia pirueta de balé, como que para confirmar suas palavras, caindo de cara no colchão logo depois. Um longo ronco, e todos perceberam que ele já estava dormindo como um anjo; um anjo bêbado, claro.

— Ele foi completamente nocauteado… — Kyouharu comentou com preocupação.

— Como eu vou explicar isso para a minha mãe? – Nagihiko engoliu em seco, vendo seu primo adormecido de mau jeito no futon, com o traseiro em uma posição estranha, e babando no cobertor.

— Amanhã você pensa nisso! – Ikuto cortou-o, deitando de lado e apoiando a cabeça no braço – Vamos lá, continue falando, você parece saber muita coisa…

— Por que as garotas são tão obsessivas com esse negócio de peso e tudo mais? – Rento falou dessa vez – Elas sempre ficam malucas, não se pode falar nada sobre esse assunto! Eu fico irritado quando saio com uma garota, e ela só pede salada pra comer… — ele confidenciou. – e elas ainda ficam cheias de complexos de mostrar o corpo, e tudo mais…

— Bem, não é como se uma garota fosse querer mostrar-se para qualquer um, não é? Ainda mais se elas estiverem inseguras – Nagihiko continuou a sua palestra.

— Mas eu gosto do corpo delas do jeito que são – Rento bradou com orgulho – Gordinhas, magras, altas, baixas, loiras e morenas, todas elas, hehehehe… – ele riu com malícia, deitando-se para trás até apoiar a cabeça no sofá – Vocês não?

— Eu gosto de garotas engraçadas… — Kukai comentou, absorto – Garotas muito sérias não tem graça nenhuma!

— E-eu acho que prefiro as garotas espontâneas… que se vestem de forma própria, e não copiam as outras garotas… — Kairi confessou, corando levemente – E também, eu gosto de poder protegê-las…

— Ah, você até que é esperto, megane-kun! – Reito o cutucou com o cotovelo, rindo com aprovação – E você, Kyouharu?

— Garotas com atitude, que não tem medo de dizer o que pensam… — Ele disse, sorrindo – Acho que é bom se elas forem um pouco possessivas também…

— Ah, quem diria, você é do tipo masoquista! – Ikuto riu alto, e Kyouharu revirou os olhos, desconsiderando a afirmação – Também pudera… pra sair com a minha irmã! Enfim, eu gosto das lisas.

— Lisas?

— É, vocês sabem! Pequenas, planas… — ele ponderou – exemplos não faltam! Vocês devem saber muito bem do que eu estou falando – ele olhou especificadamente para Kairi e Kukai, pensando em Amu e em Yaya enquanto falava – Garotas planas tem seu charme, eu gosto disso…

— Mas você não prefere, sabe… ter algo para… pegar? – Kyouharu o olhou com aquele ar de “se é que você me entende” e Ikuto riu de maneira sacana, entendendo exatamente onde ele queria chegar. Rento concordou, e os três trocaram olhares cúmplices. Kairi corou furiosamente, e Kukai apenas olhou para o teto para disfarçar, embora estivesse ruborizado também.

Nagihiko e Tadase se entreolharem, por sua vez visivelmente deslocados e desconfortáveis com o rumo daquela conversa. Eles não tinham nada a acrescentar àquele assunto, e também não se sentiam à vontade para ouvir sobre isso. O papo estava começando a ficar cada vez mais inadequado, a medida em que os três mais velhos se empolgavam, e Nagihiko se sentia cada vez menos impelido a prestar atenção, assim como Tadase. O menor já havia até se distraído, brincando com as pontas dos cabelos de Nagi que caiam pelas costas, quando ele percebeu que os garotos os chamavam.

— Então, Tadase, Nagihiko! Até onde vocês foram? – sem nenhuma cerimônia, Ikuto interrogou – Seu primo está morto ali no canto, então você pode falar sem medo!

— Do que vocês estão falando? – ele indagou, e Tadase sobressaltou, juntando as mãos sobre o colo.

— Ora, vocês dois são os únicos aqui que já namoraram, além do Kyou, do Ikuto e do Nii-chan – Kukai alimentou a conversa, provavelmente influenciado pelos outros – Podem ter algo para compartilhar!

— Não é com se eu ou o Hotori-kun pudéssemos ajudar vocês com qualquer coisa… — Nagihiko desconversou, e Tadase se escondeu atrás das costas dele, embaraçado com o rumo que tomava aquela conversa.

— Não tenham vergonha, estamos entre amigos – Kyouharu soltou uma risadinha – Vocês já fizeram o quê, hein? Eu não consigo imaginar que sejam mais experientes que eu, ou que o Ikuto… será que são?

— Não sei não… Eu já peguei os dois em umas situações bem… comprometedoras – Ikuto abriu um sorriso digno do gato de Cheshire. – Como daquela vem em que…

— P-parem de falar sobre isso! – Tadase implorou, por cima do ombro de Nagihiko, com a voz já chorosa.

— Ah, quem diria, os dois garotinhos são bem saidinhos! – Rento riu, e Tadase gemeu de vergonha, escondendo o rosto no peito de Nagihiko. Claro que a atitude dele só confirmava as suposições dos outros, o que só dava margem para mais especulações – E eu pensando que as crianças de hoje em dia eram mais comportadas! As aparências enganam, então…

— Certo, o que a gente faz ou deixa de fazer não diz respeito a vocês – Nagihiko argumentou, enquanto afagava a cabeça de Tadase, que balbuciava coisas como “minha reputação está acabada” e “eu nunca vou poder me casar”. – Continuem falando sobre as garotas e nos deixem em paz…

— Ah, é verdade… — Kukai pareceu se dar conta de algo somente agora – Nós começamos a falar sobre essas coisas, deve ser estranho para você e o Tadase… gomen nee – ele riu sem jeito, por ter esquecido daquele importante detalhe.

— Não tem importância… — Nagihiko também não queria deixar os amigos desconfortáveis com a presença dele e de Tadase, então apenas deixou para lá.

— Por que não assistimos ao filme então… — Kairi apontou para o DVD que Kukai alugara, e que estava sobre a mesa, e todos aceitaram a sugestão, a fim de tornar o clima ameno novamente. Rento fez pipoca, e trouxe mais refrigerante, e então todos se acomodaram nos colchões para ver o filme, que era, inevitavelmente, de terror.

Logo nos primeiros minutos de filme, Tadase agarrou-se ainda mais fortemente em Nagihiko, escondendo os olhos e tentando abafar os sons de gritos e mortes que saiam da tela. Ele aproveitou o quanto pode, abraçando bem forte o menor em seus braços, aproveitando que todos estavam vidrados na tela da tv e não ligavam para eles. Tadase tremia ligeiramente, e Nagihiko o abraçava de volta, protetoramente, adorando aquele lado dele que odiava filmes de terror, e que provavelmente nunca mudaria. Pouco mais da metade do filme, Tadase adormeceu, e Nagihiko passou a maior parte do tempo observando o rosto dele dormindo, nem sabia do que se tratava a história do filme.

Após o fim, todos se acomodaram nos futons, e desligaram as luzes, ficando apenas com as lanternas. Aproveitaram para jogar cartas, e jogar mais um pouco de conversa suja fora. Kairi se acomodara para dormir, e Hideyoshi continuava tão desacordado quanto antes. Nagihiko se ajeitou com Tadase em um dos futons, sem se importar com que os outros iam falar sobre isso, e o acomodou bem perto do seu corpo, apoiando-o com o braço, e cobrindo-os com o edredon. Fazia tanto tempo desde que sentira o corpo de Tadase perto do seu… a respiração dele batendo no seu pescoço, e o braço frágil enlaçando sua cintura timidamente… tudo o que ele podia sentir dessa forma era uma enorme tranquilidade, e o sono não demorou a chegar…

Já era madrugada quando os outros garotos decidiram dormir de vez, e a casa caiu no silêncio. Só se ouviam as respirações ritmadas, e um ou outro ronco ou murmúrio durante o sono. Tadase estava bem agarrado à Nagihiko, provando do seu aroma doce enquanto dormia, e tendo belos sonhos com ele. Em algum momento, os seus sonhos se tornaram um pouco mais intensos, e nítidos, e logo, ele acordou afobado, com a respiração ofegante e o coração acelerado.

Estava escuro e silencioso ao redor, e ele demorou alguns segundos para se situar. Sentia muito calor, e um pouco de sufocamento em meio aos cobertores. Havia algo pressionando a região do seu baixo-ventre, que protestava de forma estranha quando a isso. Logo, ele reparou que acabara entrelaçando suas pernas com as de Nagihiko, durante o sono, e agora a coxa dele roçava contra o meio das suas pernas, causando aquela sensação volumosa e excessiva no seu corpo. Havia ainda a respiração quente dele, batendo na sua pele, e causando fortes arrepios.

Nagihiko se mexeu durante o sono, abraçando Tadase com ainda mais força, e ele tapou a boca com a mão, reprimindo o que iria se tornar um gemido. A sensação de formigamento aumentou, e ele sentiu que não aguentaria muito mais daquilo. A perna de Nagihiko continuava tocando aquele local, e Tadase segurou no pijama dele, mordendo os lábios e fechando os olhos, tentando se controlar. Aquilo, somado ao sonho que o loiro acabara de ter e que continuava pulando em sua memória, era quase insuportável de aguentar. Ele tinha que se afastar de Nagihiko, e fazer aquele efeito reflexivo ter um fim o quanto antes, ou seria terrivelmente drástico.

Ele tentou de alguma maneira se desvencilhar dos braços de Nagihiko, ou ao menos livrar a sua perna das dele, mas isso parecia impossível de se fazer, ainda mais quando não queria acordar ninguém. Arquejou minimamente, ao sentir a mão de Nagihiko segurando-o com mais força, e desejou que ele o soltasse ao menos um pouco, para que pudesse sair daquela situação embaraçosa o mais rápido possível.

— Hmm… — a voz rouca e sonolenta de Nagihiko tocou os ouvidos de Tadase, e ele sentiu seu corpo perdendo o controle mais uma vez. Com todo aquele movimento, é claro que ele acordaria! E se ele notasse o que havia acontecido com Tadase, ele morreria de tanta vergonha. – Tem alguma coisa… dura… na minha perna… — ele murmurou ainda meio dormindo, e Tadase sentiu que desmaiaria de tanto embaraço, agora mesmo. Tentou fazer alguma coisa para se afastar de Nagihiko, mas ele ainda o segurava com força. Claro que essa última tentativa acabou acordando de vez o maior, e ele abriu os olhos em um rompante.

Com a tênue claridade azulada da lua que passava pela janela, ele pode ver apenas a silhueta de Tadase, que o encarava em pânico, com o rosto em brasas e os olhos culpados. Logo ele sentiu novamente a “coisa” que roçava em sua perna, e a compreensão tomou seus sentidos. Tadase queria morrer, ali mesmo, apenas para não ter que vivenciar essa terrível situação.

— F-fujisaki-kun, e-eu não… — Tadase gaguejou, com a voz baixa para não despertar mais ninguém, mas nenhuma frase inteligente o bastante se formou na sua mente, e ele se limitou ao silêncio completo, olhando para o outro lado.

— Ssshh… eu entendo… — Nagihiko sussurrou no ouvido de Tadase, fazendo-o estremecer em seus braços – Você acabou ficando… excitado… comigo, não foi? – ele praticamente soprou aquela palavra, e Tadase quase teve um ataque cardíaco.

— N-não diga essa palavra! – ele praticamente implorou, mas perdeu a força de argumento ao sentir Nagihiko se aproximando. O maior depositou um beijo singelo na testa do loiro, e então foi descendo lentamente, até o pescoço. Tadase sentiu uma trilha de fogo se espalhando a partir dos locais onde ele tocava com os lábios, e outro gemido se formou na sua garganta, que ele segurou.

— Eu estou feliz, Hotori-kun, por que você pensa em mim dessa forma… — ele confidenciou, apenas para Tadase. Durante todo o dia, tendo que lidar com os garotos, Nagihiko intimamente sentia-se inseguro. Tadase nunca conhecera o corpo de uma garota, afinal, como ele poderia ter certeza do que queria? Claro que ele próprio também nunca havia passado por essa experiência, mas tinha certeza absoluta sobre suas preferências, nenhuma dúvida restava. Agora, com aquela confirmação inesperada vinda do próprio corpo do outro, Nagihiko se sentiu um pouco mais confiante, e até mesmo presunçoso, ao ter todas as suas suspeitas descartadas. – Eu vou ajudar você com isso aqui… — ele sorriu para si mesmo, sentindo Tadase arquejar em seu peito quando ele adentrou a camiseta do pijama dele com a mão, acariciando devagar as costas e o abdômen.

— P-pare com isso, Fujisaki-kun… a-a-alguém pode ouvir… — Tadase pediu, mordendo a mão para se conter, ao sentir os dedos finos de Nagi alisando o seu peito.

— Se você não fizer nenhum barulho, ninguém vai ouvir… — Nagihiko falou bem baixinho, no ouvido dele – Os garotos que beberam estão ferrados no sono. Kukai tem sono pesado, e o Sanjou-kun está bem longe de nós. Ninguém pode nos ouvir… — ele desceu a mão pelas costas de Tadase, e tomou seus lábios com vontade.

Adentrou com a língua, explorando facilmente todos os cantos, sentindo o menor amolecer e se entregar em seus braços. Ele deixou escapar um ruído abafado quando ele desceu com a mão até a sua parte traseira, e acariciou de leve. Nagihiko rolou por cima dele, prendendo-o com seu corpo, enquanto o beijava mais uma vez, com urgência e avidez.

— N-não… — Tadase arquejou, empurrando-o quase sem forças – Alguém vai nos ouvir, não podemos… — ele não continuou a frase, e tentou escapar dos braços de Nagihiko, rolando para o lado – E-eu vou ao banheiro… — disse a primeira coisa que veio à sua mente, preparando-se para fugir.

— Não mesmo… — Nagihiko sibilou, agarrando-o pela cintura e puxando-o de volta. As costas de Tadase juntaram-se ao seu tórax, e ele o prendeu com ambos os braços, impedindo outra fuga. Tadase sentiu sua retaguarda em contato com algo, e logo percebeu que não era o único ali que estava “acordado”. Aquilo era perigoso! Mais do que perigoso, era fatal. Irresistivelmente fatal…

— Fuji… saki-kun… — o protesto se transformou em gemido, quando ele sentiu as mãos ágeis de Nagihiko adentrando novamente sua camiseta, e também as calças. Segurou com força o tecido do travesseiro debaixo da sua cabeça, ao sentir as mãos quentes dele roçando no tecido da sua roupa íntima, e um gemido quase alto escapou dos seus lábios, involuntariamente. Nagihiko usou a outra mão para cobrir a boca de Tadase, impossibilitando outro barulho qualquer.

— Sem nenhum barulho, okay, Hotori-kun? – Nagihiko sugeriu, mordendo o lóbulo da orelha de Tadase, e ele assentiu com a cabeça, rendendo-se completamente àquela voz. Com o comando entendido, Nagihiko voltou a se concentrar no que fazia. Desceu a mão direita pelo quadril de Tadase, e apertando ao redor do volume que crescia ali. Tadase ofegou, lutando para se controlar, e Nagihiko continuou a incitar aquele local, com a palma da mão aberta, ao mesmo tempo em que abocanhava a parte de trás da nuca alva do loiro, provando a pele com a língua.

— Nnn…. — Tadase sentiu todo o seu corpo formigar ardentemente, com um tremor se espalhando da base da sua coluna até a ponta dos pés e o topo da cabeça. – Ahn…! – Soltou um lamento um pouco mais alto, ainda que abafado pelo travesseiro, e Nagihiko sentiu algo úmido e quente espalhando-se pela sua mão imediatamente, através do tecido da roupa de baixo, antes que tivesse sequer a chance de movê-la. Alguém roncou um pouco mais alto, balbuciando algo durante o sono, e parecia ser Kukai. Tadase arregalou os olhos, assustado, e Nagihiko sobressaltou, abrandando. Só então os dois recordaram do local onde estavam, e o que estavam fazendo ali.

Com as pernas ainda fracas e bambas, Tadase de alguma maneira conseguiu se erguer, e correu cambaleante para o banheiro mais próximo. Nagihiko ficou para trás, incrédulo, com o cheiro de Tadase impregnado em seus sentidos, e a confusão mental causada pelo estado de semi-sonolência. Havia sido tudo um sonho?

Notas finais
Yoo, Shiroyuki-desu o// Etto... é, finalmente o primeiro indício de Lemon?? Ótimo para começar o ano eu acho... como haviam pessoas muito impacientes por isso, acho que veio em boa hora XD E devo acrescentar, não é nada fácil e escrever essas cenas, viu?! Mas fiquei satisfeita com o resultado... e vocês, o que acharam? Por favor, não deixem de comentar, principalmente depois disso!! Estou esperando pelos reviews~ Bem, já é meio tarde, mas um feliz ano novo para todas as leitoras também!! Adoramos vocês, e esperamos contar com todas esse ano também~