Itsumo Yakusoku

14 Capítulo 14 - Kimi Sae Ireba


Notas iniciais
Kimi Sae Ireba - Hayashibara Megumi http://letras.mus.br/megumi-hayashibara/529838/traducao.html


Eu sou um sonhador

Onde está

A luz do amanhecer?

Eu sou um sonhador

Deixe-me tocar

Este seu sorriso iluminado

Certamente irei a um lugar onde brilha o sol

As coisas não podem terminar assim, temos uma promessa

Um longo caminho, um único caminho...

Capítulo 14

~

Kimi Sae Ireba

Nagihiko despertou de má vontade quando sentiu a luz do sol batendo em seus olhos na manhã seguinte. Gostaria de ter ficado dormindo por muito mais tempo, para sempre, se possível. Estava tendo um sonho tão bom com Tadase... um sonho realmente realista e detalhado demais para ser apenas mais um de seus muitos sonhos com o loiro. Abriu os olhos com força e sentou-se bruscamente quando recuperou a consciência o suficiente para compreender que estava misturando fantasia com realidade, e aquilo no que ele pensava não tinha sido um sonho.


Além do mar de garotos desacordados, a maioria babando no travesseiro e alguns roncando ou murmurando coisas sem sentido enquanto dormiam, estava Tadase de pé, que tinha sido o primeiro a acordar, e aparentemente tentava cozinhar alguma coisa. Ainda fitando-o em silêncio, Nagihiko tentava organizar seus pensamentos, tentando distinguir fantasia de realidade. Ainda custando a acreditar que as coisas nas quais ele pensava não tinham sido um sonho, ele resolveu fazer um "teste final" e se levantou, caminhando na direção da cozinha, onde Tadase se encontrava.


– Ohayou, Hotori-kun — ele cumprimentou, sobressaltando o menor, que quase derrubou a xícara em suas mãos com o susto. Ele encarou Nagihiko de olhos arregalados, corando furiosa e instantaneamente, e então baixou a cabeça, escondendo o rosto o máximo que podia sob a franja, e murmurou com dificuldade
– Ahh... h-hai... o-o-o-ohayou... — ele virou-se para o outro lado, tentando continuar o que estava fazendo, mesmo que suas mãos ainda estivessem tremendo. Nagihiko suspirou pesadamente. Aquela reação confirmava suas suspeitas por completo. Então aquilo não tinha sido um sonho afinal... realmente, na noite anterior, ele se deixou levar e exagerou mais do que devia. Mas não gostara nada da reação de Tadase, então resolveu continuar tentando
– Etto... quer ajuda com isso? Posso terminar de cozinhar se quiser
– N-Não precisa, eu já terminei... ao menos chá eu sei fazer sozinho. E ainda tem um pouco da comida pronta que Souma-kun comprou ontem, então... — o menor respondeu, sem completar a frase, retirando-se da cozinha o mais depressa que suas pernas bambas lhe permitiram e indo se sentar na primeira poltrona vazia que encontrou, com uma xícara de chá fumegante nas mãos, e um pacote de salgadinhos na outra.


De fato, ao menos chá ele tinha conseguido aprender a fazer direito e sozinho, já que foi necessário na época em que Nagihiko partiu para a Inglaterra e ninguém mais sabia cozinhar, mas isso não ajudava o maior em nada agora. Ele deixou escapar outro suspiro e, enquanto pensava no que fazer, serviu-se de um pouco de chá também e voltou pra sala, tomando cuidado pra não pisar em ninguém no caminho, e acomodou-se em um sofá vazio, tomando o cuidado de não sentar perto demais de Tadase e deixá-lo ainda mais nervoso, mas também perto o suficiente para poder conversar com ele. Tomou um gole de chá antes de começar, e teve que admitir que o loiro realmente tinha aprendido a fazer um chá muito bom, embora não pudesse saborear aquela bebida quente como gostaria por causa da situação delicada em que se encontravam. Olhando de lado para o menor, que se ocupava de comer salgadinhos no momento, ele resolveu fazer uma nova tentativa:


– Etto... Hotori-kun... acho que temos que conversar sobre ontem à noite... sobre aquilo, eu... — Nagi começou a falar, mas interrompeu-se de repente quando Tadase se sobressaltou tanto com o assunto inesperado que a xícara que segurava escapuliu de suas mãos e caiu no futón que ele mesmo tinha usado pra dormir, respingando um pouco do conteúdo em Kukai, quem estava mais perto, e acordando-o de supetão.


– Itaaai!! Que coisa quente é ess... espera... isso é cheiro de comida? — o sonolento e atordoado Ex-Valete Vagal despertou rapidamente assim que seu nariz farejou o cheiro de algo comestível, e sua barriga soltou um enorme ronco — Ei, bom dia, pessoal! E vocês já fizeram até o café da manhã, que beleza! — ele pulou de seu futón, sem nem sequer se dar conta da cena em que interrompera, e correu para a cozinha à procura de algo para encher seu estômago faminto
– A-Aqui não é lugar nem hora pra f-falarmos sobre a-a-aquilo... — Tadase murmurou com dificuldade para Nagihiko, alteando um pouco mais a voz em seguida e falando o mais normalmente que conseguiu — Ohayou, Souma-kun. Dormiu bem?
– Ah, sim, como uma pedra! Apesar de que eu tive uns sonhos meio estranhos... — ele falou, tentando forçar a memória para se lembrar do que quer que tivesse sonhado, mas desistindo rapidamente, sem dar importância — Mas depois comecei a sonhar com alguma coisa sobre futebol, então esqueci completamente o que estava sonhando antes... mas eu sonhei que ia jogar na Copa do Mundo! E marquei o gol que fez o Japão ganhar a medalha das Olimpíadas, foi tão incrível!
– Estou confuso... era a Copa do Mundo ou as Olimpíadas afinal, Souma-kun? — Nagihiko indagou, sem realmente dar muita importância ao assunto
– Ah, agora não me lembro... mas eu marquei o gol da vitória, é isso que interessa! — Kukai deu de ombros, feliz por ter ganhado no que quer que fosse, e voltou para a sala, com uma xícara de chá e um pacote de salgadinhos nas mãos. Sentou-se no sofá ao lado de Nagihiko, e enquanto abria seu pacote de salgadinhos, notou finalmente a mancha úmida no futón onde Tadase dormira — Ei, aquele não é o futon que o Tadase usou ontem à noite? O que é aquela coisa molhada nele? — ele apontou para a mancha, mais curioso do que zangado por terem sujado seu futón e Tadase quase derrubou seu pacote de salgadinhos também, assim como havia feito com a xícara. O loiro enrubesceu e estremeceu por completo, tentando desesperadamente pensar num meio de fugir dali, mas Nagihiko respondeu antes que ele tivesse um ataque cardíaco
– Ah, é que caiu um pouco de chá ali e acabou molhando um pouco... gomen nee, Souma-kun — ele falou o que de fato era verdade, agradecendo intimamente aos céus por Tadase sempre ficar nervoso com tanta facilidade e ter derramado chá no futón, de modo que a bebida misturou-se com a mancha anterior
– Ah, sim... e-eu derramei chá sem querer... n-naquela hora em que minha xícara caiu e eu te acordei, lembra? — Tadase confirmou, percebendo que era disso que o ruivo falava — Gomenasai Souma-kun, eu lavo depois...
– Ah, não se preocupe, é pra isso que a máquina de lavar serve afinal! — o mais velho riu, dando de ombros, e voltando a atacar seu pacote de salgadinhos.


Com o barulho dos três conversando (principalmente Kukai, que de longe era o mais escandaloso), os demais garotos acordaram e, assim como Kukai, logo que sentiram cheiro de comida, correram para a cozinha para atacar os "mantimentos" que restavam antes que a comida acabasse, e sentaram-se de qualquer jeito, espalhados pela sala, se unindo aos demais. Hideyoshi ainda era o único que continuava dormindo (ou, nas palavras de Ikuto, "nocauteado") em um canto mais afastado, murmurando coisas sem sentido de vez em quando, e Nagihiko estava tentando pensar em um meio de fazê-lo voltar ao normal para que sua mãe não notasse o que aconteceu e acabasse lhe dando um longo sermão sobre isso, quando Tadase levantou-se no momento em que terminou de comer e disse que tinha que ir embora, inventando qualquer desculpa sobre ter que ir pra casa para alimentar Hotosaki, e saiu o mais depressa que pôde, ignorando a insistência dos demais para ele ficar mais um pouco.


Assim que terminou seu café (se é que uma xícara de chá e um pacote de salgadinhos pode ser chamado de café da manhã), Nagihiko foi tentar acordar o primo e, depois de alguns longos minutos tentando fazê-lo voltar a si e ficar tentando fazê-lo tomar um pouco de café que ele mesmo tinha feito para acordar Hideyoshi mais depressa (que correu para o banheiro e vomitou tudo depois, não por causa do café, mas sim por causa da bebida alcóolica da noite anterior com a qual ele não estava acostumado), o garoto enfim conseguiu se recuperar o suficiente para Nagihiko também poder ir embora de lá o mais rápido que pudesse. Kairi aproveitou a deixa e despediu-se também, dando uma desculpa qualquer sobre ter que ir encontrar Amu mais tarde (embora eles nem tivessem combinado nada sobre sair naquele dia) e fugiu junto com os dois Fujisakis daquele verdadeiro ninho de lobos. O mais novo separou-se deles em uma esquina, e depois que sumiu de vista, Nagi pensou em comentar algo sobre a noite anterior com o primo, apenas para verificar o estado do garoto, mas Hideyoshi não parecia se lembrar de absolutamente nada do que aconteceu depois que ele tomou a bebida alcóolica por engano, e Nagi suspirou, concluindo que talvez fosse mesmo melhor assim.


Depois de voltar pra casa, Hideyoshi trancou-se em seu quarto, dizendo que queria terminar um livro que estava lendo, embora Nagi tivesse sérias suspeitas de que ele estava era tentando se recuperar da noite anterior sem que ninguém visse, e Nagihiko fez o mesmo, só que para reordenar seus pensamentos e sentimentos. Precisava falar com Tadase sobre a noite anterior, e queria muito fazer isso, embora não soubesse como... era mais do que óbvio que o loiro tinha ficado seriamente abalado com o que tinha acontecido na noite anterior, e Nagi queria muito consertar a situação entre eles, mas não sabia como fazer isso... sem falar que a presença constante de sua mãe, que parecia estar vigiando-o como um abutre que fica rondando sua presa à espera de que ela fraqueje para dar o bote, não estava ajudando em nada, então ele resolveu sair, dizendo que ia até a biblioteca pegar um livro para ajudar a terminar um dever de casa, e escapuliu para a rua o mais rápido que pôde. Caminhou sem rumo por alguns minutos, perdido em pensamentos confusos e sem conseguir chegar à uma conclusão, até que viu Kukai e Yaya em uma sorveteria, e algo na conversa deles lhe chamou atenção:


– ... pare de enrolar e conte logo pra Yaya, Kukai! Não é possível que eles tenham passado a noite inteira juntos e nada tenha acontecido!! Como era uma festa só de garotos, Yaya não pôde ir, mas você estava lá afinal, e é pra isso que espiões servem!!
– Ei, desde quando eu virei seu espião? — o mais velho perguntou, erguendo uma sobrancelha e comendo um pouco de seu sunday
– Desde que a Yaya concordou em ficar calada sobre "aquela vez" em que "aquilo" aconteceu, mesmo querendo contar pras outras meninas!! — a ruiva retrucou, fazendo o garoto se engasgar com o sorvete e corar um pouco. Nagihiko parou de caminhar e prestou mais atenção no que eles diziam, se perguntando se as suposições do irmão de Kukai sobre ele passar tempo demais com Yaya finalmente tivesse levado à algum lugar afinal — Vamos, me conte!! Yaya precisa saber, aqueles dois fizeram algum progresso ou não, hein?!
– Eu já disse que realmente não sei, Yaya... — o maior retrucou, virando o rosto para o lado e brincando com a cereja de seu sorvete distraidamente — Eu não vi nada de mais ontem, sério. Só jogamos videogame, comemos um monte de besteiras, conversamos sobre garotas... na verdade, o Ikuto, o Kyouharu e o Rento-niichan é quem falaram mais sobre isso e nós fomos forçados a escutar... — ele apressou-se a dizer, temendo o que a ruiva fosse pensar sobre isso — O Kairi e aquele primo do Fujisaki, o Hideyoshi, quase morreram de vergonha quando o Ikuto resolveu interrogar os coitados... depois parece que o Hideyoshi tomou alguma coisa alcóolica que Rento-niichan comprou por acidente e começou a agir feito um louco... mas devo admitir que ele ficou bem mais divertido desse jeito — Kukai contou, rindo, lembrando da cena — Mas depois ele capotou e dormiu instantaneamente. Então começamos a ver um filme de terror e, quando o filme acabou, nós dormimos. Foi só isso, então realmente não aconteceu nada demais
– Droga, você, é uma espião inútil, Kukai! Não prestou atenção em nada de interessante!! — ela reclamou, entupindo-se de sorvete para tentar aliviar sua frustração — Aposto como será um namorado inútil também...
– Olha aqui, eu não sou obrigado a ficar prestando atenção em cada movimento que aqueles dois fazem — o mais velho rebateu, começando a ficar incomodado com aquela conversa — Se você quer saber o que aconteceu, então devia perguntar diretamente pra el... ah! — quando ele virou o rosto para o lado, finalmente percebeu a presença de Nagi, que ainda os observava com atenção — Fujisaki! Há quanto tempo está aí, hein?!
– Não importa, ele chegou numa hora perfeita!! — Yaya se levantou sorridente, já planejando interrogar o amigo — Nee Nagi, conta pra gente, aconteceu algo entre você e o Tadase ontem não foi??
– Se for contar, pode falar só pra Yaya, eu não quero saber sobre isso... — Kukai murmurou, sem jeito, voltando a atacar o que tinha sobrado de seu sunday
– Oi, Yaya-chan... e-eu lamento, mas não sei do que está falando — Nagihiko fingiu-se inocente, recuando um passo, pensando em como escapar daquela situação
– Não se faça de desentendido, você sabe muito bem do que estou falando! — a mais nova retrucou — Yaya está falando sobre você e o Tadase terem dormido juntinhos ontem à noite, é claro! Alguma coisa deve ter acontecido, eu sei que aconteceu!
– Não seja boba, Yaya-chan, os outros garotos também estavam lá, é claro que nada aconteceu — Nagi respondeu com firmeza, embora se lembrasse perfeitamente de que aquele detalhe não o tivesse impedido de fazer "coisas" durante a noite
– Então quer dizer que, se os outros não estivessem lá, algo teria acontecido, não é?? — a ruiva insistiu — Vamos, conte pra Yaya, o que você pretendia fazer, hein??
– Na verdade, eu estou mais interessado é em saber do que vocês estavam falando agora há pouco — Nagihiko rebateu, usando a primeira "arma" que lhe veio à cabeça para escapar daquela situação — Eu ouvi perfeitamente você dizendo que a Yaya-chan "concordou em ficar calada sobre 'aquela vez' em que 'aquilo' aconteceu, mesmo querendo contar pras outras meninas"... do que você estava falando afinal, hein? Não me diga que logo você, a bebê dos Guardiões, fez alguma coisa indecente e comprometedora com o Souma-kun... hein, Ya-ya-chan?
– Err... a-aquilo não... etto... q-quero dizer... — Yaya recuou alguns passos, seu rosto avermelhando-se mais do que seus cabelos ruivos, chocada por ter sido pega de surpresa. Não esperava que Nagihiko tivesse escutado sobre aquilo — A-A-Aquilo é... err... é segredo, então a Yaya não pode contar!!
– Certo, certo... já que é segredo, eu entendo, então não vou mais perguntar. Mas, em troca, você também não vai mais perguntar sobre ontem à noite, nem contará pra ninguém sobre isso, está bem? Segredo entre garotas é sagrado afinal — ele sorriu como o Gato de Cheshire, imitando a voz de Nadeshiko ao pronunciar a última frase, e a ruiva engoliu em seco, sendo obrigada a concordar com aquilo — Então, se me dão licença, eu já vou indo... até mais tarde.


Nagihiko continuou caminhando, feliz em finalmente ter encontrado uma maneira de conseguir escapar dos interrogatórios de Yaya, mas logo sua mente voltou seus pensamentos para o que tinha acontecido na noite anterior. Por mais que pensasse, não conseguia encontrar uma saída e, se dependesse dele, passaria o resto daquele domingo pensando em uma forma de voltar a se entender com o loiro, mas seus pensamentos foram interrompidos novamente quando chocou-se com uma pessoa na rua por não estar prestando atenção por onde andava, e quase derrubou a pessoa em que tinha esbarrado, impedindo-a de cair quando segurou seu braço.


– Desculpe, eu não estava prestando atenç... ué? Nanami-san?! — ele exclamou ao perceber que a pessoa em quem esbarrara se tratava da noiva "oficial" de Tadase
– Ahh... N-N-Na-Nagihiko-san...! — ela gaguejou, seu rosto avermelhando-se ao encará-lo. Corou mais ainda quando notou que o garoto ainda segurava seu braço e rapidamente o puxou de volta, escolhendo-se como um filhote assustado. De alguma maneira estranha, isso lembrava muito quando Tadase tinha um ataque de pânico — E-E-Eu que peço desculpas, e-estava distraída...
– Não se preocupe, está tudo bem — ele se apressou a dizer — Por acaso você... estava indo encontrar o Hotori-kun...? — ele indagou ao perceber que a garota estava mais arrumada do que o normal, deixando-se levar pela curiosidade de como andaria o relacionamento dos dois
– Não... estou indo encontrar algumas amigas pra fazer compras — ela respondeu, ainda evitando encará-lo — Mas, você o viu ontem, não? Ouvi que o Tadase-san ia passar a noite na casa dos amigos Guardiões dele, e... imaginei se você estaria lá também... — ela o olhou de soslaio, curiosa
– Sim, eu também fui convidado — Nagi confirmou, já que ela acabaria descobrindo isso de qualquer jeito, então não adiantava de nada mentir — Mas, haviam muitas pessoas lá... como o Souma-kun, o irmão dele, os outros antigos Guardiões e o meu primo... também o Ikuto e o seu irmão, então...
– E-Entendo — ela gaguejou, desviando os olhos dele de novo — C-Com tanta gente assim, então realmente não tinha como vocês... f-fazerem... c-c-co-coisas... não é...? — ela titubeou com dificuldade, seu rosto avermelhando-se ainda mais com as imagens estranhas que sua mente formava sem seu consentimento
– Ahn... é... — Nagi murmurou, se perguntando se a garota estaria com ciúmes. Ela ainda era a noiva de Tadase afinal, então, mesmo que não o amasse, provavelmente era natural sentir-se no mínimo incomodada em saber que estava sendo traída — N-Nanami-san, por acaso você... está com ciúmes, ou é impressão minha?
– Ah...! — ela corou ainda mais furiosamente, quase tropeçando nos próprios pés — E-Eu não... err... q-quero dizer...! B-Bem, eu simpatizo com o Tadase-san, apesar de nunca ter amado ele, mas... d-desde que conheci vocês que eu... m-mesmo sabendo que vocês se g-gostam, eu meio que... s-sem perceber... m-meio que comecei a... a-admirar você, então... n-não é como se eu estivesse com inveja dele, nem desejasse estar no lugar dele, mas... isto é... e-eu não...
– Está bem, está bem... se isso te deixa tão nervosa, não precisa responder. Você não tem que me dar satisfações afinal — Nagihiko interrompeu as palavras desconexas da garota antes que ela acabasse tendo um ataque cardíaco, enquanto continha uma risada, descartando completamente aquela hipótese absurda. Esquecera-se completamente que, quando eram mais novos, Nanami meio que tinha uma queda por ele, o que provocava uma grande onda de ciúmes em Tadase, então não tinha como algo assim ser possível. Mas ficara realmente surpreso ao descobrir que, mesmo após todos esses anos, a garota ainda se sentisse atraída por ele.


Enquanto Nagihiko estava perdido nesses pensamentos, e Nanami estava completamente ocupada tendo seu ataque de pânico, nenhum dos dois notou o garoto que os observava do outro lado da calçada. Hideyoshi finalmente encontrara o primo, e só tinha ido procurá-lo porque Kaoruko mandou que ele fosse buscar Nagihiko, pois já era quase hora do almoço (afinal, se dependesse dele, teria passado o resto do domingo trancado em seu quarto tentando se recuperar da noite anterior), mas surpreendeu-se ao vê-lo conversando com uma garota. O primo estava de costas para ele, então Hideyoshi não podia ver sua expressão facial, embora o tivesse reconhecido facilmente por causa da longa cascata de cabelos arroxeados, mas a garota diante dele parecia bastante nervosa e embaraçada, o que fez Hideyoshi pensar que talvez Nagihiko tivesse mentido sobre ir até a biblioteca para sair em um encontro, já que o garoto não tinha nenhum livro nas mãos. Após alguns segundos pensando, Hideyoshi reconheceu a garota como sendo a noiva de Tadase, e surpreendeu-se que Nagi estivesse supostamente saindo com ela, já que a garota estava comprometida com seu amigo. Perdeu-se nesse pensamento por alguns instantes, mas logo pensou que, se os dois de fato estivessem saindo juntos, provavelmente não seria nada prudente interromper um encontro, então ele resolveu se retirar antes que os dois percebessem sua presença e se afastou, ainda com esses pensamentos absurdos em sua mente.
Enquanto isso, alheio ao fato de ter sido espiado, Nagi enfim resolveu acabar de vez com aquela cena antes que Nanami tivesse um ataque cardíaco, e falou:


– Bem, eu não vou mais te prender aqui, ou você vai se atrasar para encontrar suas amigas... e eu também preciso ir andando, então...
– Ah, sim... e-eu também preciso ir, ou vou me atrasar... — Nanami murmurou com dificuldade, tentando se recompor — E-Então... até logo, Nagihiko-san... — ela despediu-se, seguindo seu caminho, ainda perdida em seus próprios pensamentos, enquanto o garoto seguiu na direção contrária.


Caminhou sem rumo por mais alguns minutos, até que, ao cruzar uma esquina, Nagi chegou até um parque, e deu de cara com ninguém mais, ninguém menos do que Tadase, que caminhava distraído, segurando uma coleira presa ao pescoço de um cachorro enorme demais para ele controlar caso o animal resolvesse sair correndo por aí. Nagihiko reconheceu o cão imediatamente como Hotosaki, e estava realmente surpreso ao ver como ele havia crescido nesses três anos sem vê-lo, mas no momento estava mais preocupado com o loiro que o encarava com o semblante incrédulo e embaraçado. Nagi tinha realmente encontrado muitas pessoas durante aquela manhã em que pretendera passar sozinho para ordenar seus pensamentos com calma... mas, aquela era a única pessoa com quem ele realmente precisava conversar afinal. E, embora não tivesse conseguido chegar à conclusão alguma, resolveu tentar falar com o loiro assim mesmo.


– Oi de novo, Hotori-kun... — ele cumprimentou, sorrindo sem jeito e, ao ver que qualquer coisa que ele falasse só parecia deixar Tadase ainda mais constrangido e que ele começara a recuar, resolveu começar falando de qualquer assunto mais leve antes de chegar ao assunto principal — Nee, esse é o Hotosaki, não é? Nossa, como ele cresceu! Parece que faz décadas que não o vejo!
– Ah... s-sim... — o loiro murmurou, um tantinho aliviado que o maior não estivesse falando sobre a noite anterior — Eu estava levando ele pra passear... mas o Hotosaki realmente cresceu muito nesses últimos anos. Tanto que mal consigo controlá-lo quando ele resolve sair correndo por aí...
– Sim, eu imagino — Nagi respondeu, dando uma risadinha. Se Tadase já não conseguia controlar o cachorro nem quando ele era um filhote, agora então, muito menos. Sentou em um banco próximo do parque onde estavam e Tadase o seguiu, sentando-se também, mas ainda tomando o cuidado de não encostar em Nagihiko, enquanto o maior acariciava distraidamente a cabeça do cão que repousava as patas dianteiras e o queixo nos joelhos dele, pedindo atenção, aparentemente com saudades de Nagihiko. Depois que Hotosaki se deu por satisfeito e enroscou-se em um canto, pegando no sono, o maior continuou — Nee, Hotori-kun... eu sinto que precisamos conversar sobre ontem, mas... não quero te deixar desconfortável de novo, então... não sei como fazer isso... — ele murmurou, ainda sem encarar o menor, e olhando distraidamente para o cão adormecido ao invés disso, mas, antes que pudesse pensar em como continuar, Tadase pronunciou-se
– E-Eu sinto muito, Fujisaki-kun. É que... e-eu estava tendo s-sonhos e-estranhos, e... q-quando acordei, e vi que você, de alguma maneira, tinha adormecido em cima de m-mim... c-comecei a sentir c-coisas ainda mais... e-estranhas e embaraçosas... e-eu comecei a morrer de vergonha e tentei me livrar daquela situação sem te acordar, mas não consegui, então... a-acabou levanto àquela situação...
– Ei, Hotori-kun, acalme-se — Nagihiko interrompeu o gaguejar dele — Aquilo não foi culpa sua. Eu também estava sonhando com você, e... bom, quando acordei, e percebi a situação em que estávamos, bem... e-eu acho que meio que me deixei levar pelo sonho que estava tendo, e... fiz aquelas coisas... e-eu não pretendia ir tão longe, mas, antes que percebesse, acabei exagerando e fiz aquilo... então, bem... o que estou tentando dizer é que... sinto muito... se ultrapassei algum limite. Não era minha intenção, de verdade... mas, acabei me deixando levar pela situação, mesmo sem perguntar se você também queria aquilo ou se estava... p-preparado... sem falar que esqueci completamente de que não estávamos sozinhos ali, então... e-enfim, eu realmente não queria te deixar assim tão assustado e constrangido. Eu realmente sinto muito.


Tadase ficou em silêncio por algum tempo, remexendo-se desconfortavelmente no banco e torcendo as mãos, tentando se recompor para conseguir ao menos falar sem gaguejar. Alguns minutos depois, ele finalmente conseguiu responder:


– Eu não fiquei desse jeito por causa daquelas... c-coisas... que nós fizemos. Fiquei assim, mais abalado do que o normal, porque... tinha mais gente lá conosco e, mesmo que estivessem todos dormindo, eu... fiquei com medo de que alguém acabasse acordando e visse o que nós... e-estávamos fazendo... o Souma-kun mesmo, disse que sonhou coisas estranhas, e eu temi que tivesse sido influenciado pelo que nós estávamos f-fazendo... mas, depois parece que ele esqueceu e começou a sonhar com futebol depois, o que foi uma sorte, aliás... e-eu acho que morreria de vergonha se alguém nos visse... foi por isso que fiquei assim — ele enfim conseguiu responder, com as mãos juntas meio que tampando o "local" onde Nagihiko o havia tocado na noite anterior, e ainda sem conseguir encarar o maior — Mas, você não fez tudo aquilo sozinho afinal... e, por mais que seja embaraçoso admitir, eu... g-gostei... das c-c-coisas que você f-fez... s-só que eu não consigo evitar de fazer aqueles ruídos estranhos quando estamos juntos, então fiquei com muito medo de acordar alguém caso deixasse escapar algum barulho. E também hoje de manhã, eu temi que alguém estivesse nos espiando mas não tivesse interrompido nem dito nada... quando o Souma-kun falou sobre a mancha no futón então, eu entrei em pânico... mas, parece que todo mundo pensou que aquela c-coisa era só uma mancha de chá afinal, o que foi uma sorte... mas não conseguiria encará-los e conversar normalmente por causa do que aconteceu ontem, por isso fui embora o mais rápido que pude. Mas isso não significa que estou zangado ou com medo de você, de jeito nenhum — ele falou, finalmente tomando coragem para encarar Nagihiko nos olhos, ainda que apenas de soslaio — Estou apenas... envergonhado... e surpreso, porque não esperava que você fizesse aquelas c-coisas tão de repente, ainda mais com tanta gente em volta
– Entendo... — Nagihiko murmurou depois de alguns segundos, suspirando aliviado. Não saberia o que fazer se tivesse assustado Tadase com aquelas ações repentinas e impulsivas afinal — Eu realmente não devia ter feito aquilo sem antes perguntar se você também queria, e também com mais gente perto de nós, e acabei me deixando levar, mas... você realmente não está... bravo comigo, por ter ido tão longe?
– Não mesmo... a-ainda estou sem graça depois do que aconteceu... é a primeira vez que f-fazemos algo tão... err... — Tadase gaguejou algo indecifrável, tentando inutilmente encontrar uma palavra para definir aquilo, sem sucesso — E-Enfim... m-mas era você afinal, então... e-eu realmente não me importo. Na verdade, fico feliz... q-que tenha sido com você
– Hotori-kun... — Nagi murmurou, entre surpreso e emocionado, e segurou a mão dele, o que sobressaltou Tadase, mas ele logo se deixou levar, e entrelaçou seus dedos com os do maior — Obrigado, de verdade. Não sabe como fico feliz em ouvir isso... não sei o que faria se tivesse te magoado
– Está tudo bem, Fujisaki-kun, de verdade. Apenas... t-tome cuidado pra não fazer essas c-coisas com tanta gente em volta de novo... — ele murmurou, deixando escapar um tímido sorriso.


Nagihiko aproximou-se um pouco mais, pensando se estaria tudo bem em beijá-lo agora, porém, antes que o fizesse, uma voz chamou seu nome, surpreendendo-o:


– Nagihiko-kun, finalmente te encontrei! — Hideyoshi exclamou audivelmente, e Nagi apressou-se em soltar a mão do loiro antes que ele notasse — Francamente, essa cidade é enorme, eu não conheço quase nada, foi tão difícil te encontrar, não suma assim de repente! A tia Kaoruko mandou vir te buscar, já está na hora do almoço
– Ah, sim... é verdade, nem tinha notado — Nagihiko concordou, entre atordoado e irritado com a interrupção. Levantou-se de má vontade, desejando que seu primo tivesse se perdido um pouquinho mais pela cidade — Então, eu preciso ir andando... até mais, Hotori-kun
– Ah, sim... até logo — o loiro respondeu, disfarçando o melhor que podia, e tratando de acordar Hotosaki para levá-lo de volta pra casa. Depois que se separaram de Tadase e se afastaram o bastante para não serem ouvidos, Hideyoshi perguntou
– Nee, Nagihiko-kun... eu não interrompi nada, interrompi? — ele indagou curioso, se perguntando se ele estaria conversando alguma coisa sobre Nanami com Tadase
– Hein? Por que diz isso? — Nagi respondeu com outra pergunta, num tom defensivo
– Bem, é que... na verdade, antes eu vi você conversando com aquela garota, a noiva do Tadase-kun, então... pensei que vocês poderiam estar conversando sobre ela.. — seu primo murmurou sem jeito
– Ah, isso... — Nagihiko suspirou, aliviado por ele não ter percebido nada — Não se preocupe, não estávamos falando sobre a Nanami-san. Você não interrompeu nada, Hideyoshi-kun — ele respondeu, sorrindo, interpretando perfeitamente bem — Agora é melhor nos apressarmos, se nos atrasarmos demais minha mãe ficará zangada conosco — ele acrescentou, mudando de assunto e caminhando mais rapidamente, e Hideyoshi apressou-se para segui-lo, ainda com os pensamentos perdidos em suas suspeitas absurdas.

Notas finais
Yoo minna, Teffy-chan~ desu! Pois é, os acontecimentos do cap anterior abalaram bastante gente, hein... mas, aos poucos, tudo vai se resolvendo! õ/ E a pergunta que todas devem estar se fazendo (ou não -.- ) o que será que aconteceu "naquele dia" entre Yaya e Kukai, hein?? E, pois é, dessa vez o lemon ficou meio... ahn, pela metade digamos assim... mas, quem sabe numa próxima vez em que os dois estiverem sozinhos, né? XD Deixem reviews por favor! A cada review que você não deixa, um autor morre. Ajude a salvar os autores de fanfics comentando nas histórias! Não deixe os autores morrerem!! O próximo é com a Shiroyuki-chan~ Kissus^^