Itsumo Yakusoku
10 Capítulo 10 - Popcorn
Embora o tempo prometido tenha passado
Você não parece arrependido
E ainda que os dias passem
Pessoas não mudam apenas assim, sabia?
Um dia as esquecidas memórias, repentinamente
Estalam como pipoca
Você não deveria chorar agora.
Após um longo tempo distante, nós estamos juntos agora
Não importa quanto tempo tenha passado,
Eu não me esqueci de você
Por que... é você
Que me deu toda essa coragem.
Capítulo 10
~
Popcorn
O dia seguinte passou terrivelmente devagar, tanto que parecia um filme de terror em câmera lenta para Nagihiko. Tudo o que o garoto queria era encontrar logo Tadase, mas aquele dia interminável parecia não acabar nunca. Mal conseguiu prestar atenção no que o professor dizia durante a aula, só fazia uma anotação ou outra no caderno, e apenas porque Temari lhe lembrava de que nem Tadase e nenhum de seus amigos poderia lhe ajudar com os estudos dessa vez, então ele teria que se esforçar sozinho para não ir mal nas provas quando elas chegassem. Nagihiko odiava quando sua Chara tinha razão, mas tinha que admitir que precisava ouví-la às vezes, então anotava de vez em quando uma coisa ou outra que o professor falava e que ele acharia importante mais tarde, enquanto Rhythm estava quase morrendo de tédio e acabou caindo no sono em um canto da mesa dele, chegando a soltar uma bolha pelo nariz, que crescia e diminuía de tamanho enquanto ele respirava.
Depois do que pareceu uma verdadeira eternidade para Nagihiko, as aulas da manhã enfim terminaram. E, enquanto ele pegava sua marmita para ir almoçar, ouviu um grupo de meninas irem se reunir em um canto da sala, um tantinho mais agitadas do que o normal. As três garotas com quem falara de manhã estava junto com elas, e algumas outras que ele não gravara o nome também. Elas conversavam animadas, em um tom que pretendiam ser silencioso e discreto, mas estavam tão empolgadas que nem notaram que o tom de voz que usavam aumentava cada vez mais, de modo que não apenas Nagi, mas também os outros garotos presentes na sala podiam ouví-las perfeitamente:
– O que?! Mentira!!
– É verdade, Natsumi-chan!! — a garota chamada Momoka quase gritava de tão escandalosa — Não é, Sayako-chan?
– Claro que é! Conta pra elas, Akane-chan!! — a menina chamada Sayako exclamou, sacudindo Akane pelos ombros, que corara apenas com a mera lembrança do ocorrido de manhã
– H-Hai, é verdade... e-ele foi tão... kyaaaahh!! — Akane escondeu o rosto terrivelmente enrubescido entre as mãos, sem conseguir nem terminar a frase
– Está vendo?! Só o jeito da Akane-chan agir é a prova do que aconteceu! — Momoka continuou, falando pela amiga, já que Akane parecia incapaz de completar quase frase que fosse, quase tendo uma síncope — Ahh, ele é tão seduzente, e lindo, e charmoso, e... kyaaahh ele é perfeito, como um Príncipe ou coisa parecida!! Não tem como aqueles boatos ridículos serem verdade, não mesmo!!
– Mas, a escola toda estava falando disso... vocês têm mesmo certeza disso? — a menina chamada Natsumi indagou duvidosa, enquanto outras davam gritinhos e pequenos ataques contidos ao ouvir a narração de Momoka e Sayako
– Claro que temos! — Sayako insistiu — Vocês precisam ver, ele é tão incrível, um perfeito cavalheiro, mas, ainda assim, tão maravilhoso e seduzente...
Enquanto as garotas tinham seus ataques histéricos, de alguma forma estranha lembrando muito os surtos de Yaya, os rapazes ainda presentes na sala observavam a cena, alguns pasmos, e outros completamente indignados. Nagihiko concluiu que estava na hora de agir. Pegando sua marmita, pegou Rhythm, que ainda estava dormindo, e o depositou em cima de seu ombro, enquanto Temari o seguia, meio emburrada com o que o dono estava prestes a fazer. Nagi caminhou tranquilamente até o grupo de garotas, aproximou um pouco seu rosto da que estava mais próxima dele, que era Natsumi, e falou com o sorriso mais falso e mais gentil que conseguiu exibir:
– Gokigen yo, Ojousan-tachi... é melhor irem almoçar logo, não acham? Afinal, damas tão belas como as senhoritas precisam manter-se bem alimentadas para poderem manterem-se saudáveis, e também toda essa beleza que parece irradiar por toda a parte... — ele ergueu a mão, e enrolou o dedo em uma mecha de cabelo da garota, que o encarava boquiaberta, com o rosto mais vermelho do que um pimentão — Bem, senhoritas, agora, se não se importam, eu preciso ir almoçar também, então... com sua licença — ele sorriu ainda mais sedutoramente para elas, se que isso era possível, fez uma pequena mesura e se retirou da sala. Assim que passou pela porta, e ainda caminhando pelo corredor, era possível ouvir os gritos histéricos dados pelas garotas. É, seu plano estava funcionando realmente melhor do que ele esperava... embora, ainda não conseguisse se sentir feliz com isso. Dentro da sala, as garotas ainda davam seus pequenos ataques, que, na verdade, estavam muito longe de serem "pequenos".
– Viu, viu? O que foi que eu disse?! — a garota chamada Momoka exclamava, sacudindo Natsumi pelos ombros, já que ela estava em um estado de choque tão grande que parecia que sua alma ia sair pela boca a qualquer momento
– Ahhh... ele é tão fofo, e lindo, e perfeito, e... — uma das meninas suspirava, encantada, tentando encontrar mais adjetivos para descrever a perfeição em pessoa que era Nagihiko
– E-E-Eu n-não acredito... — Natsumi gaguejava meio incoerente, com as mãos nas bochechas enrubescidas
– Não é?! — Akane exclamou, bastante agitada — E-Ele é tão...
– Kyaaaah~!!
Os poucos garotos ainda presentes na sala bufaram, irritados e indignados pelas meninas estarem agindo assim só porque Nagihiko era um pouco mais atraente do que os outros rapazes (isso na opinião deles), quando na verdade, ele preferia outro certo rapaz. Porém, não importava o quanto a frustração deles fosse grande, a notícia sobre o charme sedutor de Nagihiko espalhou-se tão rápido quanto uma epidemia de gripe pela escola e, em pouco tempo, todas as garotas de todas as classes só conseguiam falar sobre isso.
Enquanto almoçava, no terraço da escola sozinho com seus Charas, Nagihiko estava aliviado pelo plano ter dado certo e os boatos ruins sobre ele estar sendo substituído por um menos perigoso, mas ainda não conseguia ficar feliz com isso. Temari ainda achava que o que ele estava fazendo era errado, e no fundo, Nagi concordava com ela, embora por motivos diferentes. Rhythm, que finalmente tinha acordado e agora comemorava o sucesso do plano, estava muito feliz e satisfeito com seu dono, mas Nagihiko não conseguia deixar de se sentir culpado com isso. Era como se ele estivesse traindo Tadase, seduzindo outras pessoas desse jeito (para ele, não importava muito se eram garotas ou garotos, só o mero fato de ele estar usando seu charme para seduzir outras pessoas era errado).
– Se está se sentindo tão culpado assim, devia contar logo ao Tadase-kun sobre isso — Temari falava para ele, ainda um tanto aborrecida com o modo como seu dono estava agindo
– Sim, sim! Lembra do que o Kukai falou? — Rhythm concordou — Você não devia esconder essas coisas do Tadase, mesmo que sua intenção seja protegê-lo... se você gosta dele, então não pode ficar escondendo segredos dele desse jeito!
– Além do mais, a história sobre os boatos meio que já está resolvida, não é? — Temari acrescentou — É só você contar pra ele o que aconteceu, e o modo como resolveu esse problema
– Falando assim parece fácil, mas... tenho medo de como o Hotori-kun vai reagir quando souber — Nagi confessou, largando seu almoço e abraçando os próprios joelhos
– Ah, fala sério, Nagi! Acha mesmo que alguém como o Tadase seria capaz de ficar bravo com você só por causa disso?! — seu Chara exclamou
– O Rhythm tem razão — sua "irmã" concordou — Você sabe melhor do que ninguém o quanto o Tadase-kun é gentil e compreensivo. No máximo, ele deve ficar com ciúmes, mas vai entender que essa foi a melhor saída. Embora eu ainda não concorde com a maneira que você usou pra resolver esse problema... — ela acrescentou, virando o rosto para o lado, bufando.
Nagihiko concluiu que seus Charas tinham razão, como sempre. Terminou seu almoço e, quando ouviu o sinal tocando, voltou para a sala de aula, enquanto absolutamente todas as meninas de sua classe comentavam empolgadas sobre a mais nova fofoca do momento, e soltavam gritinhos histéricos quando viram Nagihiko entrar na sala. Os garotos estavam todos reunidos no fundo da sala, absolutamente furiosos, e reclamando sobre como as garotas eram idiotas por ficarem encantadas tão facilmente com o charme de Nagihiko.
Assim que o professor entrou na sala, os alunos foram forçados a voltar para seus lugares e pararem de conversar para dar início à próxima aula. Para a felicidade e alívio de Nagi, as aulas da tarde acabaram bem mais depressa do que as da manhã e, assim que o último período terminou e Nagihiko juntou suas coisas apressadamente e saiu da sala, encontrou Hideyoshi no corredor. Disse rapidamente ao primo que não poderia ir com ele para casa hoje, pois pretendia reencontrar seus antigos amigos para jogar bola, fazendo uma anotação mental para avisar Kukai mais tarde de que era para ele confirmar essa história caso lhe fosse perguntado futuramente. Como Hideyoshi não era muito fã de esportes, apenas concordou, disse que avisaria a mãe dele e deu meia-volta, indo para casa sem ele.
Nagihiko saiu apressado do prédio da escola, e saiu andando o mais rápido que pôde na direção contrária à que ficava sua casa, quase correndo de tanta ansiedade assim que viu a resposta de Tadase na mensagem em seu celular:
"Claro que sim. Pode ser naquela praça em frente ao restaurante em que nos vimos da última vez? Também te amo muito..."
O coração de Nagihiko acelerou perigosamente, não porque ele agora estava de fato correndo de tanta pressa e ansiedade com a perspectiva de encontrar Tadase, e sim por causa da mensagem enviada pelo loiro. Em poucos minutos tinha chegado até o local marcado, e avistou o menor sorrindo para ele assim que o viu, com as bochechas levemente coradas. Estranhou ele não estar acompanhado de Kiseki como de costume e, de repente deu-se conta de que, em algum momento, Temari e Rhythm também tinham desaparecido sem que ele percebesse, e concluiu então que os dois deviam ter se unido ao Reizinho e agora deviam estar espiando de algum lugar próximo, escondidos dos donos, mas não se importou muito com isso no momento.
– Oi, Hotori-kun... — Nagi cumprimentou, com um sorriso bobo tomando conta de seu rosto com a mera visão de Tadase diante de seus olhos — Desculpe, minha escola fica meio longe. Esperou muito?
– N-Não, eu... acabei de chegar — Tadase respondeu, suas bochechas avermelhando-se um pouco mais ao ouvir a voz de Nagihiko — Boa tarde, Fujisaki-kun... e-eu... fiquei muito feliz com a sua mensagem, também queria te ver. Só achei uma pena ter que deletá-las depois de responder, elas eram tão lindas...
– Bem, não podemos deixar nenhuma evidência de que estamos nos comunicando afinal... seria um problema se nossos pais descobrissem, então precisamos eliminar as provas — Nagihiko lembrou, caminhando sem pressa pela praça ao lado de Tadase, embora no fundo também achasse uma pena ter que apagar as mensagens de Tadase do seu celular
– Não fale desse jeito! Assim parece até que somos criminosos encobrindo as provas de um crime... — Tadase o repreendeu, nervoso com a idéia
– Ora, mas acho que é mais ou menos isso mesmo — Nagi comentou — Não podemos deixar que ninguém saiba sobre nós por enquanto... somos amantes afinal, não somos?
– P-Pare de insistir nessa idéia! — o loiro exclamou, corando ainda mais ao ouvir a palavra "amante" — E-Então... a-aonde nós vamos? — ele indagou, tentando mudar o rumo da conversa para algo menos constrangedor
– Humm... que tal um cinema? — Nagi sugeriu — É confortável e escuro, e todos estarão prestando atenção no filme... desse jeito, podemos dar as mãos, ou ficar abraçados sem ninguém nos ver, já que estará bem escuro... ou talvez até mais do que isso...
– F-Fujisaki-kun, pare de falar essas c-coisas constrangedoras! — o loiro o repreendeu novamente, embora no fundo tivesse gostado da idéia — M-Mas... n-não acho má idéia irmos ao cinema... t-tem um aqui perto, que tal?
– Por mim, está ótimo... contando que eu esteja ao seu lado — o maior respondeu, e Tadase desviou os olhos para baixo de novo, envergonhado, embora sentisse seu coração bater cada vez mais forte, com uma onda de felicidade se espalhando dentro dele
– E-Então vamos... é por aqui — Tadase desistiu de tentar repreender as insinuações de Nagihiko e mostrou o caminho até o cinema, que ficava a apenas uma quadra dali. Depois de olharem rapidamente os filmes em exibição, decidiram por assistir um musical, cujo nome Nagihiko já tinha ouvido falar em algum lugar, embora não lembrasse aonde. Não fazia muita diferença o que iam assistir, na verdade, pois Nagihiko não conseguiria prestar atenção em filme nenhum mesmo com Tadase ao seu lado. Eles compraram pipoca e refrigerante e, depois de comprar os ingressos, dirigiram-se até a sala onde o musical, que parecia ser uma espécie de live action com mais músicas do que o normal sobre um anime chamado Kuroshitsuji. Assim que entraram, notaram que haviam poucas pessoas na sala, e que a maioria eram garotas, de todas as idades. Estranharam isso, até que Nagihiko lembrou-se finalmente aonde tinha ouvido aquele nome. O musical era sobre um dos muitos animes citados por Yaya, o que provavelmente não deveria ser um bom sinal.
Sentaram-se mais no fundo, onde tinha menos gente (já que a maioria das espectadoras sentaram-se lá na frente, pra assistir o musical o mais de perto possível) e, após alguns trailers, o filme/musical enfim começou. Eles prestaram atenção no começo, Tadase comendo sua pipoca ou bebericando seu refrigerante de vez em quando e, logo de cara, acharam o enredo da história estranhamente familiar. Tratava-se de um mordomo demoníaco que tinha feito uma espécie de contrato com um menino rico e mimado, mas terrivelmente fofo. De um estranho modo, aquilo lembrava muito a época de Guardiões em Seiyo, quando Nagihiko era seu Valete, e tinha de cumprir suas tarefas e obedecer a versão egocêntrica e mimada que era o Chara Change de Tadase.
– Nee Fujisaki-kun... não acha essa história meio familiar? — o loiro cochichou para ele enquanto os atores do filme cantavam a primeira música — Tenho a impressão de que já assisti esse filme... ou talvez o tal anime no qual ele foi baseado...
– Não acho que você já tenha assistido algo assim, Hotori-kun... apesar de que é meio familiar mesmo — Nagi sussurrou em resposta — Se parece com a época em que nós éramos Guardiões em Seiyo, e eu cumpria minhas tarefas de Valete pra você, se lembra?
– Ah, s-sim.... e-era isso então... — Tadase murmurou, corando furiosamente e voltando a se encolher em seu lugar. Nagi sabia que seu rosto devia estar muito vermelho com essa conclusão, muito embora não pudesse ver isso por causa da escuridão do cinema. Enquanto o loiro voltava a comer sua pipoca numa tentativa de disfarçar seu embaraço, Nagi inclinou-se na direção dele e, segurando a mão do menor entre a sua, sussurrou em seu ouvido
– Nee, Hotori-kun... mesmo que nós não sejamos mais Guardiões, eu... não me importaria de fazer aquelas tarefas pra você de vez em quando de novo, viu?
Em resposta à isso, Tadase engasgou-se com a pipoca que estava comendo, tendo um sério ataque de tosse. Como não parecia que ia passar nem tão cedo, Nagihiko deu seu refrigerante, que estava mais perto, pra ele beber, e Tadase tomou um longo gole, até que enfim conseguiu engolir a pipoca mal mastigada que estava presa em sua garganta.
– O-Obrigado... — ele murmurou, devolvendo o refrigerante de Nagihiko — M-Mas não diga mais essas coisas embaraçosas assim de repente!
– Ora, mas eu não estou fazendo nada mais do que minha obrigação, meu Rei — Nagihiko entoou solenemente, erguendo a mão de Tadase que ele ainda segurava com a sua e erguendo até a altura de seus lábios e beijando-a. De alguma forma estranha, aquele gesto parecia muito com o modo de agir do mordomo do musical ao qual nenhum dos dois prestava mais atenção. Nagi tomou um pouco de seu refrigerante com a mão livre, enquanto se perguntava se Tadase iria tentar repreendê-lo de novo, mas o loiro parecia constrangido demais até pra isso. Até que Nagihiko de repente notou uma coisa — Ah, acabo de perceber... que eu te dei o meu refrigerante pra você tomar quando se engasgou, não foi?
– S-Sim... o que tem isso?
– Nada. É que... só percebi agora que isso foi um beijo indireto — o maior respondeu, olhando com o canto dos olhos para ver se Tadase teria um ataque de tosse novamente. Ele não se engasgou com nada dessa vez, mas demorou pra responder, o que provavelmente significava que estava tendo um ataque de vergonha silencioso. Quase um minuto depois, conseguiu responder
– I-Isso não faz muita diferença agora, faz? Afinal, nós... j-já nos beijamos diretamente outras vezes antes mesmo...
– Sim, você tem razão... como agora, por exemplo.
Assim que Tadase virou seu rosto confuso na direção do maior, Nagi o pegou desprevenido e, antes que o menor notasse o que estava acontecendo, Nagihiko selou seus lábios nos dele, envolvendo a cintura do loiro com uma das mãos. Tadase corou furiosamente, mas logo não resistiu e retribuiu ao toque, deixando que Nagi aprofundasse o beijo. Estava com tanta saudade de sentir o calor do corpo de seu amado assim tão próximo do seu que parecia até mentira... mas aquilo estava mesmo acontecendo. Nagihiko estava com ele, ali e agora e, pelo menos nesse momento, Tadase queria esquecer todos os problemas que teriam que enfrentar pela frente e apenas apreciar esse pequeno momento de felicidade. Atirou seus braços ao redor do pescoço do mais alto, enroscando suas mãos nos cabelos dele e aproximando ainda mais seus corpos, tentando ter o maior contato possível com Nagihiko, que aprofundava cada vez mais o beijo, invadindo os lábios de Tadase com a língua.
Teriam ficado assim por muito mais tempo, porém foram forçados a despertar para a realidade ao ouvirem um gritinho histérico próximo:
– Kyaaaa~ eu sabia!! Sabia que essas coisas existiam de verdade, não é só coisa dos mangás e animes afinal!!!
Nagihiko e Tadase separaram-se bruscamente, procurando a origem da interrupção, até que viram três garotas sentadas há duas fileiras à frente deles, as três esquecendo-se completamente do musical que estava sendo exibido e viradas na direção deles, ajoelhadas em seus assentos. A do meio, que tinha gritado, possuía cabelos negros longos amarrados duas maria-chiquinhas, uma voz esganiçada e histérica, e parecia ser tão escandalosa quanto Yaya. Nagi perguntou-se por um momento se todas as garotas que usavam maria-chiquinha eram escandalosas assim. Elas continuaram comentando entre si, aparentemente sem se importarem em terem sido notadas:
– Não acredito nisso... mas, tem certeza de que são dois garotos??- a da esquerda perguntou em dúvida — O de cabelos compridos parece uma menina, apesar de ser mais alto...
– Claro que são dois garotos, você é cega ou o que?! Tudo bem que está escuro, mas... ah, já sei! Olha só! — a da direita tirou seu celular do bolso e o apontou descaradamente para Tadase e Nagi, iluminando seus rostos com a luz do celular
– Kyaaah não acredito!! São dois garotos mesmo!! — a da esquerda exclamou, entre incrédula e empolgada
– Viram, eu não disse?! Sabia que essas coisas existiam mesmo!! Nyaaah~~ eles são tão fofooos!! — a do meio gritou, fazendo tanto escândalo que começara a atrair a atenção das pessoas sentadas nas outras fileiras, que agora procuravam a origem do barulho.
Nagihiko e Tadase voltaram cada um para seu assento, ambos embaraçados e um tanto irritados por terem sido interrompidos dessa maneira. Tadase estava tão encolhido em sua cadeira que parecia querer se fundir com ela e desaparecer de tanta vergonha. Já Nagihiko, estava mais irritado do que constrangido com a interrupção.
– P-Parece que não é bom fazermos essas c-coisas em um cinema afinal... — Tadase murmurou depois de alguns minutos em silêncio, sem nem conseguir olhar na direção do mais alto de tanta vergonha que sentia
– Tem razão... vamos deixar pra fazer isso depois que o musical acabar então — Nagi respondeu, o que só deixou o loiro ainda mais envergonhado. Como Tadase nada respondeu, eles voltaram a prestar atenção no musical, que há essa altura já estava acabando.
As três garotas que os interromperam também voltaram a se sentar direito em seus lugares, embora ainda virassem as cabeças para trás de vez em quando, para ver se eles não estariam fazendo nada indecente outra vez. Poucos minutos depois, o musical enfim terminou, e enquanto absolutamente todas as garotas da platéia levantaram-se e aplaudiam, assobiavam, gritavam e tinham pequenos ataques histéricos, Nagihiko e Tadase aproveitaram para sair da sala sem que suas mais três novas fãs stalkers os vissem e resolvessem seguí-los. Caminharam meio sem rumo depois que saíram do cinema, até que foram parar em um bairro completamente desconhecido, com ruas compridas e estreitas por onde poucas pessoas passavam.
– Então... o que achou do filme, Hotori-kun? — Nagi perguntou depois de alguns minutos de silêncio, tentando falar sobre algum assunto que não fizesse Tadase ter outro ataque de vergonha
– E-Eu gostei... apesar de que... n-não entendi muito bem a história — o menor respondeu, ainda respirando fundo para tentar se acalmar
– É, nem eu, pra falar a verdade... eu te interrompi bem no meio do filme, não é? Desculpe — Nagihiko comentou, olhando para o loiro de soslaio para poder ver a reação de Tadase
– N-Não tem p-problema... p-pra falar a verdade, aquela... f-foi a p-parte que eu mais go-gostei... — o menor gaguejou com dificuldade, embora estivesse sendo sincero
– É, eu também — Nagi confessou, sorrindo. Ele parou de andar de repente, e Tadase parou também, olhando para ele confuso — Então... quer continuar de onde paramos?
– A-Aqui?! — Tadase exclamou, mais alto do que pretendia. Ao notar isso, continuou, em um tom mais baixo — M-Mas... estamos no meio da rua...
– Não se preocupe, a rua está deserta. Não tem ninguém aqui além de nós dois — Nagi respondeu, e Tadase olhou para os lados, percebendo que ele tinha razão, e notando também que aquela rua era estranhamente familiar para ele. Mas não teve muito tempo para pensar isso, pois logo notou a aproximação insistente de Nagi — Mas, antes de continuarmos, eu... preciso te contar uma coisa
– O que foi, Fujisaki-kun? — o loiro indagou, notando o ar preocupado dele
– Bem, não sei se você já ouviu falar, mas... sabe aquele garoto que nos viu no show da Tsukiyomi-san? — ele indagou, e Tadase balançou a cabeça confirmando — Parece que ele é amigo de um aluno da minha escola... e contou pra ele sobre nós. Esse garoto, amigo do rapaz do show, contou aos colegas sobre o que o amigo dele viu... e rapidamente se espalhou pela minha escola um boato sobre eu... bem... gostar de garotos. E também sobre o tal garoto do show, que parece que se chamava "Tarou-kun", eu acho, ter visto... bem, que ele viu eu beijando outro garoto no banheiro masculino
– Essa não.... m-mas isso é terrível, Fujisaki-kun!! — Tadase exclamou preocupado. Tinha corado com a lembrança do que aconteceu entre eles no show, porém, no momento o assunto sobre os boatos eram mais importantes — Se esse boato se espalhar por aí, você terá problemas... e, pior ainda, se sua mãe ou a minha ouvirem essa história, com certeza...!
– Não se preocupe, Hotori-kun. Eu acho que consegui dar um jeito nos boatos — Nagi o interrompeu antes que Tadase começasse a ter uma crise de preocupação — Só que... pra fazer isso, eu... bem, tive que fazer uma coisa da qual não me orgulho, e que me parece que está errada
– Como assim? O que você fez?
– Bem... se lembra da época do primário, quando éramos populares com as alunas só pelo simples fato de sermos sempre gentis e educados com elas? — ele indagou, e Tadase balançou a cabeça confirmando — Eu meio que... fiz a mesma coisa. Fui gentil e agi como um perfeito cavalheiro com as estudantes... e, acabei ganhando algumas fãs, mais depressa do que eu esperava, até. As garotas com quem eu falei rapidamente espalharam aquilo para as amigas e, em menos tempo do que o boato anterior, isso se espalhou pela escola toda, como mágica. Eu achei que, se tivesse fãs como antes, elas me defenderiam, e negariam o boato sobre eu ter um caso um outro garoto... embora essa seja a mais pura verdade. E, até que está dando certo, mas... ainda assim, eu sinto que isso está errado. Sinto como se estivesse... t-traindo você, agindo desse jeito com as meninas... foi por isso que pedi pra te ver hoje. Porque queria pedir desculpas... e dizer que sinto muito pelo que eu fiz — Nagihiko concluiu, baixando a cabeça, envergonhado de si mesmo
– Não precisa ficar desse jeito, Fujisaki-kun... isso foi necessário para conter aqueles boatos ruins, não é? — Tadase falou com sua voz doce e compreensiva de sempre, segurando o rosto de Nagihiko com uma das mãos e erguendo-o para poder encarar seus olhos dourados novamente — Não precisa me pedir desculpas, eu entendo que isso foi necessário. É melhor do que essa história chegar aos ouvidos da sua mãe, ou da minha
– Então, você... não está bravo comigo?
– Como se eu pudesse ficar bravo com você! — Tadase exclamou, deixando escapar uma risadinha — Embora, eu... deva admitir que não gosto da idéia de você sendo tão amistoso e gentil ou outras pessoas — ele acrescentou, virando o rosto para o lado, um tanto enciumado
– Mas, você sabe que eu só tenho olhos pra você, não sabe, Hotori-kun? — Nagihiko respondeu rapidamente, segurando o rosto de Tadase com as duas mãos e virando-o em sua direção novamente — Aquilo foi realmente necessário, mas eu não me importo com nenhuma daquelas garotas. Você é a única pessoa que eu amo... a única pessoa que eu quero que fique ao meu lado pra sempre. Eu te amo tanto, Hotori-kun, tanto... que você não faz idéia do quando eu gosto de você
– Faço idéia sim... porque... eu sinto o mesmo por você, Fujisaki-kun — Tadase respondeu, cerrando lentamente os olhos enquanto o rosto de Nagi se aproximava do dele — Também te amo demais, Fujisaki-kun... muito mesmo.
Tadase enfim parou de falar quando sentiu os lábios de Nagihiko entrando em contato com os seus. Não conseguiu se conter dessa vez e, deixando a vergonha de lado, atirou um dos braços ao redor do pescoço de Nagihiko, enroscando os dedos no cabelo longo dele, enquanto o abraçava fortemente com a outra. Nagi aprofundou o toque entre eles, enquanto deixava suas mãos escorrerem livremente pelo diminuto corpo do menor, uma envolvendo sua cintura com força, e ao mesmo tempo, com cuidado para não machucá-lo, enquanto deixava a outra mão descer um pouco mais. Tadase soltou um gemido abafado ao sentir aquilo, e sentiu seu rosto queimar tanto que podia jurar que estava mais vermelho do que uma beterraba agora, mas não o deteve. Nagi conseguiu dar um jeito de intensificar ainda mais o beijo, enquanto sentia Tadase abraçá-lo com toda a força que tinha, tentando aproximar mais seus corpos, como se quisesse fundí-los num só. Perderam-se na sensação de estarem em contato um com o outro por um logo tempo, até que ouviram uma voz conhecida gritando ao longe, e Nagihiko foi forçado a interromper o contato entre eles antes do que gostaria de novo, com um ar preocupado, enquanto Tadase arquejava, tentando recuperar o fôlego, desacostumado com aquilo após tanto tempo longe de Nagihiko.
– Ei, Nagihiko-kun! Aonde você está afinal?! — a voz chamava ao longe, e Nagi reconheceu como pertencendo ao seu primo Hideyoshi — Droga, tenho certeza de que a tal quadra que ele falou ficava por aqui... será que acabei me perdendo? Ei, Nagihiko-kun, você está por aqui? Sua mãe quer que você volte logo pro jantar! Nagihiko-kun!!
– Essa não... se ele nos ver juntos vai dar problema. Temos que fugir, depressa, Hotori-kun! — ele exclamou para Tadase, agarrando a mão do loiro e preparando-se para sair correndo com ele, quando o menor enfim se lembrou porque achara aquele lugar familiar, e o deteve
– Espere, Fujisaki-kun, por aqui não! Conheço um lugar perfeito pra nos escondermos, venha por aqui! — Tadase saiu correndo na direção oposta, ainda com os dedos entrelaçados com os de Nagi, que deixou-se ser guiado pelo loiro, estranhando um pouco aquilo. Porém, logo notou que Tadase estava correndo na direção daonde vinha a voz de Hideyoshi, e já ia alertá-lo sobre isso, mas antes que o fizesse, Tadase virou uma esquina e entrou em uma loja segundos antes de Hideyoshi surgir pela rua onde eles estavam antes. Hideyoshi olhava pelas janelas de cada prédio por onde passava, até que chegou à pequena loja onde Tadase e Nagi tinham entrado, e murmurou para si mesmo:
– Não, não tem como ele ter entrado num lugar desses... acho que me perdi mesmo, é melhor voltar — ele deu meia-volta, seguindo pelo caminho de onde tinha vindo e chamando pelo nome de Nagihiko.
Só quando finalmente ouviu a voz de Hideyoshi desaparecer foi que Nagi parou para prestar atenção no lugar onde tinham entrado. À primeira vista, parecia ser uma loja de roupas, porém, quem olhasse com mais atenção, repararia que absolutamente todas as peças pareciam ser fantasias femininas bastante familiares e populares. Haviam uniformes de empregadas, enfermeiras, policiais, aeromoças, vestidos chineses, coelhinhas, nekos, uniformes escolares, algumas fantasias estilo SM que era difícil identificar do que se tratavam exatamente, alguns cosplays de animes famosos, e todo o tipo de fantasia que se possa imaginar. Mais ao fundo, ele notou que haviam algumas fantasias masculinas também, como de bombeiro, mecânico, professor e policial, porém, essas tinham tão poucas peças de roupa que nem mereciam serem chamadas de fantasias, na humilde opinião de Nagihiko.
– Hotori-kun... mas que raio de lugar é esse pra onde você nos trouxe?! — Nagihiko exclamou, ainda olhando em volta aparvalhado
– É a Nyanderful! — Tadase respondeu, com mais empolgação do que deveria demonstrar estando em um lugar como esse. Nagihiko olhou para ele em completo estado de choque. Será que Tadase tinha amadurecido tanto assim durante os três anos em que ficaram separados sem que ele percebesse?! Não, aquilo não era possível... Tadase ainda ficava corado apenas com um simples toque dele, não era possível que tivesse amadurecido a esse ponto! Mas então... qual seria a explicação para Hotori Tadase conhecer um lugar como esse afinal?!
– E "Nyanderful" é... o que exatamente? — Nagihiko indagou, temendo ouvir a resposta
– É a loja do Ikuto-niisan — ele respondeu tranquilamente, sorrindo para Nagihiko — Ei, Ikuto-niisan! Você está aí?
– Ah, Tadase! Que milagre você por aqui — surgindo de trás de uma porta estreita atrás de um balcão, Ikuto apareceu, vestindo algo que parecia ser um uniforme de mordomo, que Nagi achou terrivelmente parecido com a roupa do mordomo do filme que ele e Tadase tinham acabado de assistir
– Boa tarde, Ikuto-niisan — Tadase cumprimentou — Etto... nós estávamos passeando por aqui, mas alguém conhecido estava por perto e, como não podemos ser vistos juntos... será que podemos nos esconder aqui um pouco?
– Humm, "passeando", sei... você não quis dizer que estavam "namorando"? — Ikuto indagou, erguendo uma sobrancelha, com seu famoso sorriso pervertido espalhando-se pelo seu rosto
– Ahh... é... i-isso também... — Tadase gaguejou, corando um pouco, enquanto Nagi ainda tentava se recuperar de seu estado de choque. Como assim aquela loja era do Ikuto? Significava que Ikuto estava trabalhando, era isso mesmo?! Aquela idéia parecia totalmente inconcebível em sua mente, embora tivesse que admitir que um lugar como aquele combinava mesmo com Ikuto
– Bem, eu não me importo de vocês ficarem aqui por um tempo... mas, se quiserem ficar se agarrando, façam isso lá atrás, pra que ninguém veja, e pra não espantar minha clientela — ele falou, apontando para um corredor estreito que levava para um lugar onde havia uma placa escrito "proibido para menores de 18 anos"– Se bem que, dependendo de quem for o cliente, talvez eles possam até gostar... — Ikuto acrescentou, mais para si mesmo, pensativo
– Ikuto... isso é sério mesmo? — Nagi indagou, finalmente recuperando-se de seu estado de choque — Você realmente é o dono desse lugar?! Está mesmo trabalhando aqui?!
– Sim! Sou o gerente daqui — Ikuto respondeu — O que foi, é tão difícil assim de acreditar? Ou não acha que a loja combina comigo?
– Bem... admito que esse lugar é mesmo a sua cara — Nagi respondeu, entre incomodado e embaraçado com o local onde se encontrava agora — Mas, é só... que é meio difícil te imaginar... sabe... trabalhando
– Ei, eu pareço tão inútil assim pra você, é?! — o mais velho exclamou, em um tom ofendido que não combinava com ele
– Bem, é que... eu imaginava que, quando você terminasse os estudos, isto é, se terminasse, iria ser só um mulherengo que sobrevive às custas de mulheres ricas ou coisa assim... — Nagi confessou
– Ah, entendo... como um tipo de "host", né? — Ikuto respondeu, aparentemente nem um pouco ofendido com aquela idéia — É, isso parece interessante... mas, acho que ficar nessa loja é mais divertido. Até lhe dei o nome de Nyanderful, em homenagem ao Yoru
– Ao Yoru? — Nagi indagou, só reparando agora que não o vira desde que voltara da Inglaterra, e lembrou-se então de que Tadase tinha lhe contado uma vez que, há cerca um ano, Yoru desaparecera ao voltar para seu Shugo Tama e unir-se outra vez ao seu dono, para sempre, como acontecia quando as crianças viravam adultas — Ah, entendo... p-por isso o "Nya" de Nyanderful — Nagihiko acrescentou, escolhendo as palavras com cuidado para não despertar lembranças ruins em Ikuto, embora achasse difícil alguém como Ikuto ficar magoado, e sem conseguir deixar de pensar que um dia ele passaria por isso também
– Sim, o Yoru vivia falando "nya" no final de cada frase, lembra? — Ikuto comentou, aparentemente sem se deixar ser abalado pela lembrança — Por isso dei esse nome à loja, em homenagem à ele. Se eu fosse um host, como você sugeriu, não poderia fazer algo assim — ele concluiu, e Nagihiko não conseguiu deixar de se surpreender e se emocionar com aquele lado inesperadamente gentil de Ikuto. Ele parecia ser apenas um pervertido mulherengo por fora, mas, pelo jeito, ele também tinha sentimentos afinal. Porém, Nagi foi despertado de seus pensamentos ao sentir seu celular vibrando no bolso de sua calça. Pegou o celular e leu rapidamente a mensagem que tinha recebido
– De quem é? — Tadase espiou por cima do ombro dele, curioso
– É do meu primo... parece que ele se afastou daqui, mas ainda está me procurando por mim — Nagi respondeu, suspirando tristemente — Eu preciso voltar logo pra casa, já está quase anoitecendo... se eu demorar muito, minha mãe ficará brava — ele digitou rapidamente uma mensagem respondendo para Hideyoshi que já estava a caminho de casa, e que ele podia parar de procurá-lo e voltar também — Desculpe, Hotori-kun, eu preciso voltar agora. Quer que te acompanhe até em casa primeiro? Não me parece uma boa idéia te deixar sozinho em um lugar desses, parece ser um bairro perigoso...
– Ah, não se preocupe, eu cuidarei para que o Tadase chegue em casa inteiro! — Ikuto exclamou antes que o loiro pudesse responder, saindo de trás do balcão e bagunçando os cabelos de Tadase com a mão — Faz parte do trabalho do "irmão mais velho" afinal
– N-Não precisa falar assim, Ikuto-niisan... a-até parece que não posso me virar sozinho! — Tadase exclamou, meio embaraçado, desvencilhando-se do mais velho com dificuldade
– E não pode mesmo — Ikuto sentenciou, e Tadase desistiu de tentar discutir com ele
– Tudo bem então... etto... n-nos vemos outro dia então, Fujisaki-kun — Tadase murmurou para Nagihiko, sorrindo para ele
– É claro que sim. Daí podemos continuar de onde paramos — Nagi sussurrou no ouvido do menor, roubando um rápido beijo dele. Tinha sido apenas um selinho, mas Ikuto foi ridiculamente rápido e conseguiu tirar uma foto com seu celular no momento em que os lábios deles se tocaram
– O q-que pensa que está f-fazendo, Ikuto-niisan?! — Tadase exclamou, corando violentamente ao notar que ele tinha fotografado aquilo
– Registrando essa linda demonstração de amor de vocês, é claro — o mais velho respondeu, sem cerimônia alguma, ainda mexendo no celular — A Utau vai adorar ver isso...
– Não se atreva!! — Nagihiko exclamou, avançando na direção dele para tomar o celular de Ikuto, esquecendo completamente de que o mais velho era consideravelmente maior e mais forte do que ele
– Tarde demais, já enviei — Ikuto falou, mostrando a tela do celular em suas mãos, onde estava escrito "Arquivo enviado com sucesso!"
– Ahh, droga!! — Nagihiko reclamou, dando um tapa na própria testa, enquanto Tadase se encolhia de vergonha — É, depois dessa, vou embora mesmo... até mais, Hotori-kun
– H-Hai... a-até logo, Fujisaki-kun — Tadase conseguiu gaguejar em resposta
– Toma cuidado você também, ouviu?! Você pode estar mais velho, mas continua com essa carinha de menina de sempre! Cuidado pra não atrair nenhum tarado, hein, hahahahahahaha!! — Ikuto gritou para ele, rindo da própria piada em seguida, e Nagihiko saiu correndo daquele lugar o mais depressa que pôde, ainda com sérias dúvidas se tinha sido mesmo uma boa idéia ter deixado Tadase aos "cuidados" de alguém como Tsukiyomi Ikuto.
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