It's Possible to Love Again
24 "I Knew It"
Notas iniciais
P.O.V. Emma Swan
O fim de semana tinha chegado e com ele a festa de noivado da Mary com o David. Confesso que estava um pouco nervosa, afinal era a primeira vez que eu e Killian seriamos vistos como um casal. Acordei e desci as escadas em direção à cozinha. Sentei no banquinho que ficava do lado da bancada e fiquei tomando uma xícara de café enquanto Henry não acordava.
Depois de eternos segundos, percebi que Henry estava descendo as escadas. Mesmo estando sonolento, ele apressou o passo e se juntou a mim na bancada.
– Bom dia – disse coçando os olhos.
– Bom dia, demorou a acordar hein?! – disse levantando a sobrancelha.
– Ah mãe, hoje é sábado – disse um pouco irritado.
– Não está mais aqui quem falou – disse levantando os braços em sinal de rendição.
– Foi mal mãe, é que a Grace brigou comigo ontem – disse coçando a orelha.
– O que aconteceu filho?
– É que eu perguntei se ela gostava de sorveteria, aí ela disse que sim – disse mexendo as mãos – aí eu disse que a Gretel também deveria gostar, aí ela fechou a cara e me ignorou o dia todo – disse jogando as mãos para o ar.
– Henry...
– O que mãe?
– Lembra que eu te disse que a Grace pode sentir algo a mais por você.
– Ah mãe, duvido – disse irritado.
– Se você acha – disse respirando fundo – que tal a gente trocar de assunto? Está com fome?
– Concordo. Estou faminto – disse passando a mão na barriga.
– Excelente – disse sorrindo – que tal a gente fazer panquecas?
– Ótima ideia!
Despejamos todos os ingredientes em uma vasilha e misturamos. Eu tinha certeza que a cozinha ficaria uma bagunça depois de tudo, mas preferi não pensar nisso, afinal eu queria animar Henry. Coloquei a massa na frigideira e fritei-a, enquanto que Henry preparava a calda de caramelo e de chocolate.
– Pronto! – disse animada enquanto jogava a panqueca no ar pela última vez.
Comemos em silêncio, mas soltamos algumas risadas ao longo da refeição. Terminamos e lavamos os pratos. Henry começou a assistir um filme, enquanto que eu subi para o meu quarto e troquei de roupa, colocando uma calça preta e um cardigan azul. Desci as escadas e beijei a testa de Henry.
– Vou à delegacia – disse abrindo a porta – lembre-se da festa de noivado da Mary e do David. O Killian vai passar aqui daqui três horas.
– Ok – disse sem tirar os olhos da televisão.
Abri a porta da delegacia e andei até o telefone, com o objetivo de checar as ligações perdidas. Por sorte a única ligação era de David, perguntando se podia começar a trabalhar na delegacia, algo que eu rapidamente aceitei.
Voltei para casa e notei que Henry já tinha tomado banho e colocado uma calça jeans, uma blusa xadrez e um tênis. Subi as escadas e rapidamente entrei no banheiro. A água quente relaxava meu corpo e acalmava o nervosismo que se formava na minha mente.
Sequei-me com a toalha e amarrei-a ao redor do meu corpo. Comecei a revirar meu guarda roupa a procura de algo para vestir. No fim das contas, vesti uma saia longa vermelha com duas fendas laterais, que iam até o começo da panturrilha. Coloquei uma sandália branca com detalhes em dourado, além de uma regata branca com detalhes em renda. Fiz uma trança lateral e usei uma maquiagem leve, sombra bege e batom rosa. Peguei minha bolsa branca e desci as escadas.
– Uau! O Killian é um cara sortudo, sabia?
– Henry! – disse envergonhada.
– É a verdade mãe. Você está muito linda.
– Obrigada filho – disse abraçando-o de lado.
Conversamos por alguns minutos, esperando Killian chegar. Henry correu até a porta assim que escutou a campainha tocar.
– E aí Henry! Tudo bem? – disse enquanto Henry o abraçava.
– Uhum – disse correndo para o carro.
– Uau! Isso tudo é para mim?! – disse surpreso.
– Você também Jones?! – disse colocando as mãos na cintura.
– Eu o que?
– Henry falou a mesma coisa.
– Bom, pelo menos ele tem bom gosto.
– Aiai – disse revirando os olhos.
– Vamos? – disse me oferecendo o braço.
– Claro.
O caminho até a casa de Mary e David foi feito em silêncio, apesar de algumas risadas de Henry e Neal, que por mais incrível que pareça, não tinha me ignorado ou me respondido mal. Assim que chegamos, fomos literalmente atacados pelos abraços de Mary, que não parava de sorrir nenhum segundo sequer. Aproveitei a oportunidade e disse para David que ele estava contratado. Depois que eu parabenizei o casal, me sentei em uma mesa com Killian, enquanto que nossos filhos começaram a jogar videogame com outros jovens.
– Sabe, você devia usar vermelho mais vezes – disse sussurrando.
– Já estou planejando isso – disse sorrindo.
– Excelente – disse bebendo suco.
– Por acaso você conversou com o Neal? – disse me encostando na cadeira.
– Por que você acha isso?
– Ele está quieto, até demais.
– É – disse coçando a orelha – digamos que eu tive uma conversa séria com ele.
– Killian, eu te disse que não precisava.
– Eu sei – disse suspirando – mas ele tem que entender, e ele vai.
– Se você pensa que sim, então tudo bem – disse suspirando – mas saiba que é contra a minha vontade – disse me levantando e andando até a cozinha.
– Por sorte ele é meu filho – disse baixinho, provavelmente para que eu não escutasse.
Fechei os pulsos de raiva e andei até a cozinha. Notei que Killian observava todos os meus movimentos. Enchi meu copo com água e quando estava me virando, fui surpreendida por um líquido gelado na minha perna. Neal estava me observando com uma feição assustada, enquanto que o restante do suco de uva voltava para o fundo do copo.
– Me desculpa – disse gaguejando – eu tropecei.
– Não tem problema – disse colocando a mão em seu ombro – isso acontece – disse com um sorriso sincero.
– Neal! – disse uma voz rouca atrás de mim.
– Oi pai – disse baixo.
– Aproveita a festa.
Aquela frase com certeza era um aviso, algo do tipo, aproveite a festa, porque você vai ficar um mês sem ir em outras. Neal andou calmamente até o grupo de garotos, enquanto que eu rapidamente cruzei meus braços e olhei para Killian.
– Sério Killian? – disse com raiva.
– Ele...
– É seu filho, eu sei disso, não precisa repetir – disse me encostando na bancada – eu só queria fazer isso tudo funcionar, sem ter que ficar fazendo isso – disse olhando para Neal.
Olhei para Killian uma última vez e andei até Mary e Ruby, que estavam conversando. Notei que Jones começou a conversar com Whale. E assim a nossa tarde passou. Silenciosa. Evitando olhares e troca de palavras.
O caminho de volta para casa foi tranquilo, apesar do silêncio que se formou dentro do carro. Despedi-me de Killian e Neal com um sorriso. Assim que entrei em casa, sentei-me no sofá e respirei fundo.
– Mãe, está tudo bem?
– Uhum, só estou cansada.
– Tem certeza? Você e o Killian estavam estranhos.
– É assunto de adulto filho, mas vai ficar tudo bem – disse beijando sua testa e subindo as escadas.
Deixei a água quente relaxar meus músculos, enquanto que eu pensava se tinha feito o certo. Infelizmente saí do banho sem uma resposta concreta na mente. Depois de alguns minutos senti uma pontada de dor na minha cabeça, então resolvi me deitar. Consegui dormir alguns minutos depois, sentindo a dor na consciência me atingindo em cheio.
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