It's Only Love.
2 It Must Have Been Love - OneShot (StableQueen).
Notas iniciais
Deixe um suspiro no meu travesseiro,
Deixe o inverno para trás.
Acordei sozinha, tudo estava quieto
Em meu quarto, e em toda a parte.
Toque-me agora, eu fecho meus olhos
e fico sonhando...
Seus olhos olhavam diretamente nos meus enquanto ele se aproximava. Era um dia nublado, frio, mas apenas tê-lo por perto fazia com que o mundo ao meu redor ardesse em chamas de amor e felicidade. Eu estava inundada por esses e mais outros milhares de sentimentos bons. Dolorosos, dadas às circunstâncias, mas bons. Ele desceu do cavalo e amarrou-o a uma grande árvore a alguns metros de onde eu o esperava, tremendo mais pela ansiedade do que pelo vento frio que tocava meu rosto. Meu corpo pareceu pesar mais do que o normal, fazendo com que minhas pernas quase não me suportassem, quando ele andou calmamente até mim. Um sorriso familiar estava estampado em seus lábios; familiar, aconchegante... Convidativo. Era ele, afinal. O amor da minha vida, meu Daniel, a única pessoa que eu fui capaz de amar por muito e muito tempo. Deixei que meus olhos se fechassem quando senti sua mão firme tocar meu rosto, acariciando-o lentamente enquanto eu podia sentir seus olhos sobre mim.
– Daniel... – sussurrei abrindo os meus olhos e encontrando os seus. Tão decididos, envolvidos, apaixonados... Aqueles olhos que me faziam sentir a mulher mais amada e desejada de todo o Reino que um dia eu governaria. – Eu sinto muito, Daniel. Por ter deixado aquilo acontecer, eu... Deveria ter pensado em uma forma de impedi-la, fazê-la parar com tudo aquilo... Por favor, Daniel...
Sem dizer nada ele se aproximou e selou meus lábios com os seus em um beijo lento e carinhoso. Nossos lábios moviam-se em sincronia, criando uma dança perfeita entre nossas línguas, o ar ao nosso redor ficou mais leve, meu corpo começou a se aquecer... A sensação de beijá-lo era exatamente como eu me lembrava. Eu não fazia a mínima ideia do que estava acontecendo ali, de como estávamos juntos novamente... Não sabia se era uma memória ou um sonho, e eu realmente não me importava com isso. Deixei que meus braços envolvessem seu pescoço e o puxei para mais perto, enquanto ele fez o mesmo com os braços ao redor da minha cintura. Pude sentir seu hálito quente em meus lábios quando o beijo foi quebrado, nos deixando apenas com as testas coladas. Meus dedos moviam-se lentamente perdidos em seus cabelos castanhos.
– Você não teve culpa – ele sussurrou e um arrepio percorreu todo o meu corpo assim que ouvi sua voz. Senti meu coração apertar e meus olhos encherem-se de lágrimas ao me lembrar de tudo que vivemos, de todas as juras que fizemos e planos que nos foram bruscamente arrancados por minha mãe naquela noite fria no estábulo. Lembrei-me da razão de tudo aquilo, aquela garota, Snow White, mas por incrível que pareça não senti raiva dela naquele momento. Eu sabia que não era isso que Daniel iria querer. Ele me amava e desejava o melhor pra mim... Ele era o único que sabia quem eu realmente era, o único que nunca me veria como a Rainha Má, que me veria apenas como Regina, a garota inocente que deixou um sentimento maravilhoso – e extremamente proibido – invadir seu coração e fazer dela a garota mais feliz da face da Terra.
– Eu sinto tanto a sua falta, meu amor – eu disse baixinho ainda de olhos fechados. – Eu preciso de você.
– Você ficará bem a partir de agora, Regina – Daniel disse que eu abri meus olhos para encontrá-lo com um sorriso enorme no rosto. – Eu sinto isso. Na verdade, farei o possível e o impossível para que a sua vida seja perfeita, tão perfeita quanto a que imaginamos para nós dois.
Aquilo me fez sorrir. Aproximei lentamente os meus lábios dos dele, ansiando por mais um beijo urgente e demorado, quando de repente meus olhos se abriram. Eu estava em meu quarto, agarrando forte o lençol que cobria meu corpo. Senti meu rosto e pescoço molhados com as lágrimas que escorriam de meus olhos. Era apenas um sonho.
Deve ter sido amor, mas agora acabou,
Deve ter sido bom, mas de alguma forma eu o perdi.
Deve ter sido amor, mas agora acabou,
Desde o momento que nos tocamos até nos separarmos.
Como já era de se esperar, não consegui dormir. Eram quase seis horas da manhã quando Henry desceu as escadas coçando os olhos, sonolento, ainda em seu pijama de ursinhos.
– Mamãe? – ele disse baixinho e caminhou até mim quando me viu deitada no chão perto do sofá. Quando me preparava para me levantar, ele deitou-se ao meu lado, se aconchegando em meus braços. – O que faz acordada tão cedo? Hoje é sábado... Eu acho. É sábado, né?
– É sim, querido – sorri para ele enquanto acariciava seus cabelos castanho-claros. – Há algumas horas acordei de um sonho que mexeu comigo e não consegui dormir.
– Sério? Eu também! – ele levantou a cabeça, empolgado. – Sobre o que sonhou? Meu sonho foi estranho. Eu tava andando a cavalo, aí tinha uma árvore enorme, e tinha um cara me esperando lá.
– Quem era ele? – Henry havia se sentado no chão, então me sentei ao lado dele.
– Não sei – meu filho deu de ombros e franziu as sobrancelhas. – Ele era alto e bem apresentável, parecia um Rei!
Henry estava agora com cinco anos, e ele era extremamente fascinado por histórias daqueles Reinos distantes onde existiam princesas, cavaleiros numa armadura que lutavam com espadas, dragões e outras criaturas mágicas. Irônico, não?
– E o que ele te disse? – eu quis saber.
– Que eu estava atrasado e você não ia gostar nada disso – Henry riu e virou os olhos, me fazendo rir também. – Depois que ele me disse isso, fomos caminhando até o castelo, nossos cavalos seguindo a gente. Ele me contou que o amor que ele sentia por você era tão grande que quase nem cabia no coração dele. Ah, e ele disse também que faria o possível e o impossível para que a nossa vida fosse perfeita, exatamente como a que vocês sonharam! Acho que ele era o meu pai ou algo assim. Estranho, né?
Senti meu rosto esquentar e as lágrimas voltaram a escorrer em minhas bochechas. Henry se assustou e me abraçou rapidamente, perguntando se tinha feito algo errado e se desculpando por qualquer coisa que tivesse feito. Disse para ele que estava tudo bem, que ele não tinha feito nada de ruim, e o abracei forte, deixando que as lágrimas corressem livremente. Ficamos desse jeito por alguns minutos e então me afastei um pouco.
– Vai trocar de roupa, meu amor, que vou preparar seu café – sorri para ele e ele levou sua pequena mãozinha até meu rosto.
– Tá, mas... Não chora mais, tá bom, mamãe? – disse secando minhas lágrimas. – Como o moço do sonho disse você é incrivelmente linda, e pessoas lindas assim não devem ficar chorando.
Concordei com um sorriso no rosto e ele me deu um beijo, subindo as escadas logo em seguida. Fui até a cozinha e preparei ovos fritos com bacon e panquecas com mel. Calórico, eu sei, mas tínhamos um cardápio para a semana, e esse era o nosso café da manhã todos os sábados. Preparei o café de Henry na sua xícara do Homem-Aranha e para mim, um café bem forte. Logo, logo Henry apareceu na cozinha e “escalou” uma das baquetas altas que ficavam na bancada. Tomávamos o café da manhã em silêncio até que Henry decidiu falar.
– Você o conhece, não é? – vendo que franzi as sobrancelhas, ele acrescentou: — o homem do meu sonho. Você conhece.
– Sim – suspirei bebendo um grande gole de café. – É uma longa história, mas posso te contar se quiser, meu anjo.
– Eu quero! – Henry se empolgou.
– Ele se chamava Daniel, e eu o conheci quando ainda era uma adolescente – comecei sentindo os olhos ansiosos de Henry em mim. Ele adorava histórias. – Nos apaixonamos à primeira vista, mas ele trabalhava nos estábulos, e eu nasci em uma família muito rica. É claro que sua avó não aprovava, então nós nunca pudemos assumir nosso romance – Henry fez uma carinha de triste, mas me encorajou a continuar, e foi isso que fiz. – Certo dia nós estávamos conversando em baixo de uma árvore, nosso “ponto de encontro”, e um cavalo passou em disparada por nós com uma pequena garotinha montada nele. Ela deveria ter a sua idade, se não me engano. Subi rapidamente em meu cavalo e fui atrás dela.
– Você anda a cavalo, mãe? – um enorme sorriso surgiu nos lábios de Henry. Apenas concordei com a cabeça e continuei.
– Eu a salvei e a família dela ficou muito grata, até queriam que eu me casasse com o irmão mais velho da garota – comecei a modificar um pouco a história. – Mas eu amava Daniel, mesmo sem a permissão de minha mãe, que insistiu que eu me casasse com o outro cara. Alguns dias antes do casamento, Daniel e eu decidimos fugir juntos para qualquer lugar longe de todos aqueles que impediam nosso relacionamento. E sua avó tentou impedir, é claro. Estava chovendo muito e já era escuro, a minha mãe estava nos seguindo... Até que Daniel perdeu a direção e bateu em uma árvore. Eu me machuquei um pouco, bem pouco, mas ao olhar para o lado e chamar o nome dele, ele não me respondeu.
– Ele morreu? – Henry perguntou visivelmente chateado com o final da história.
– Infelizmente – respondi e forcei um sorriso. – Agora termine seu café que quero te levar ao parque.
Faça-me acreditar que estamos juntos,
Que estou amparada em seu coração
Mas por dentro e por fora, eu me tornei em água,
Como uma lágrima na sua palma da mão.
E é um difícil dia de inverno,
eu fico sonhando...
Eu sentei em um banco mais afastado do parque enquanto Henry brincava com as outras crianças que corriam por lá. Senti algo formigando em meu pescoço, e então levei minha mão direita até o “anel” que Daniel me dera todos aqueles anos atrás. Tirei o cordão do meu pescoço e segurei-o firme em minhas mãos, com os olhos fechados.
– Daniel... – sussurrei segurando as lágrimas que insistiam em cair. O vento frio do inverno tocava meu rosto e bagunçava meus cabelos, fazendo-me tremer a cada cinco segundos, mas de repente o vento cessou. Senti um calor familiar envolver todo meu corpo junto com os braços que se puseram ao redor de minha cintura.
– Olá, minha Rainha – Daniel disse. Abri meus olhos e vi um enorme sorriso em seus lábios. Ele estava vestido com roupas finas, como um Rei, e eu usava um longo vestido bordô com detalhes em preto nas costas.
– O que está acontecendo? – perguntei assim que reconheci o lugar onde estava. Era meu castelo, aquele em que eu morava com meu pai e Cora na época em que Daniel e eu namorávamos.
– Como assim “o que está acontecendo”? – ele franziu teatralmente as sobrancelhas e riu audivelmente. – É o nosso sonho, meu amor.
Olhei-o com um meio sorriso nos lábios. Nosso sonho? Do que ele estava falando? O que estava acontecendo? Fui arrancada de meus pensamentos quando senti alguém puxar meu vestido. Uma pequena garotinha de grandes olhos castanhos e cabelos negros como a noite que alcançavam sua cintura sorria para mim. O sorriso era semelhante ao de Daniel.
– Essa roupa ficou boa? – a garotinha segurou as laterais da saia rodada e longa de seu vestido rosa-bebê e nos cumprimentou exatamente como uma princesa faria.
– Está... Está ótima – eu disse sinceramente.
– Obrigada, mamãe – ela me abraçou forte e saiu correndo pela grande porta do quarto em que estávamos.
– Mamãe? – indaguei.
– Rebecca – Daniel abraçou minha cintura e me guiou porta afora. Rapidamente reconheci o nome que seria o de nossa filha. – O Príncipe Henry está se preparando para o jantar. Ele acabou de chegar de suas aulas de equitação.
– Daniel, eu não acredito – parei de andar e me coloquei em frente a ele.
– Pois acredite, aqui está parte de tudo aquilo que desejávamos – ele sorriu para mim e eu sorri também. – Achei que merecíamos isso, então fiz um acordo com alguém lá de cima. É uma ilusão, mas já é suficiente, não acha?
– É claro – toquei seu rosto e beijei seus lábios em um selinho demorado.
– Agora vamos que o jantar já está preparado – ele me ofereceu seu braço e me acompanhou até a imensa sala de jantar.
A grande mesa de doze lugares estava organizadamente posta e os empregados traziam um banquete incrível. Todos me cumprimentavam e sorriam para mim, mas o único sorriso que me interessava era o de meu pai, Henry, que estava sentado na ponta da mesa.
– Boa noite, querida – ele se levantou e me deu um beijo no rosto. Eu fiz o mesmo, abraçando-o forte logo em seguida. Vi também que Snow e Charming estavam sentados um ao lado do outro perto de meu pai. Snow sorriu para mim, e eu sorri em resposta. Vi uma pequena garota loira sentada ao lado de David, ela me olhava admirada, seus olhos verdes arregalados e brilhando.
Daniel puxou uma cadeira para mim e eu me sentei, então ele sentou-se ao meu lado. Logo a pequena Rebecca juntou-se a nós em seu esvoaçante vestido cor-de-rosa e então vi Henry andando até a mesa. Céus, ele estava lindo! Vestindo roupas dignas de um príncipe e com uma postura maravilhosa. Antes de se sentar, deu um beijo em meu rosto e cumprimentou a todos.
O jantar correu tranquilamente, com Henry e Rebecca nos contando sobre suas atividades do dia, meu pai nos falando sobre os negócios exaustivos que mantinha com Rei George e Daniel comentando sobre como os nossos filhos estavam crescendo rápido. Eu apenas sorria, ria, concordava, participava dos assuntos sentindo-me inteiramente completa por pelo menos uma vez em toda a minha vida. Quando todos terminaram o jantar se dirigiram a seus aposentos, Henry e Rebecca despedindo-se de mim com um “boa noite mamãe” que fez meu coração derreter, e meu pai me abraçando forte como costumava fazer. Os olhos de Daniel encontraram os meus quando ficamos sozinhos na sala, e então nos dirigimos ao nosso quarto.
– Eu queria que as coisas tivessem dado certo – sussurrei enquanto ele me envolvia em seu abraço, permitindo que eu aconchegasse meu rosto na curva de seu pescoço.
– Eu também, meu amor, eu também – ele sussurrou em resposta acariciando meus cabelos.
Me afastei alguns centímetros e toquei seus lábios com os meus, beijando-o com carinho e paixão. Logo uma rajada de vento alcançou meu rosto me fazendo acordar da minha doce ilusão. Sequei as lágrimas que começavam a surgir e andei até Henry, que correu em minha direção com um sorriso enorme nos lábios. Eu sorri para ele assim que sentia sua pequena mãozinha segurar a minha.
– Vamos pra casa, Príncipe Henry.
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