Notas iniciais
Demorei pra postar, mais ta ai.

Entrei em transe por um tempo pensando em todas as coisas que descobrimos até agora. Mas o que me deixa mais intrigada é que Molly consiga sentir tudo o que eu e Sarah sentimos. O que a faz ser sobrenatural?

– Bonnie? – chamou Sarah

– O que? – respondi

– No que você ta pensando? – perguntou Molly

– Eu me lembrei de uma coisa que esta ligada há esse dia.

– O que é? – pediram as duas

– Eu tenho que pensar bem sobre esse assunto antes de contar pra vocês, principalmente pra você Molly.

– Ainda não confia em mim.

Assenti, mas ela já devia saber isso. Até porque não é tão simples confiar em uma pessoa que a menos de 24 horas te odiava. E tem a parte que eu sou vampira e não posso sair por ai falando pra todo mundo.

– Vocês querem algo? – era Tyler nos atendendo

– Ah... O de sempre. – pedi

– Uísque pra ruivinha. E vocês?

– O mesmo pra mim. – pediu Molly, o que deixou Tyler e a mim surpresos.

– Eu quero um cappuccino sem canela. – escolheu Sarah

– Então são dois uísques e um cappuccino sem canela. – confirmou Tyler.

Ele saiu e nós estremecemos. Parecia que cada movimento dele nos afetava de uma forma estranha. Cada vez que ele olhava pra gente era como se quisesse perfurar nossas almas apenas com o olhar. A sensação era a pior possível.

– Bonnie – Molly chamou e eu olhei – quando acha que vai estar pronta pra me contar?

– Me de dez dias e eu vejo o quanto você é confiável.

– E como posso provar isso?

– Não me deixe cair durante os treinos.

Sorrimos uma para outra como se fossemos cúmplices de um crime. Nossas bebidas chegaram. O primeiro gole que Molly deu no uísque foi grande demais que ela se afogou. Depois todas rimos como se fossemos as melhores amigas do mundo. Isso por que não sabíamos o que estava por vir.

O resto da noite foi divertido, não pensamos mais em nada dessa historia de áurea poderosa. Pela primeira vez em anos me senti como se tivesse 17 anos e nunca tivesse deixado Mavenwoods. Só que isso não era o século XIX. E é bem provável que no século XIX eu estaria em casa a essas horas me guardando pro meu futuro marido.

Quando fui para casa já eram mais de 22h00min, levei todas pra casa até mesmo Molly. Por falar nela, percebi que ela aceitou bem a bebida forte que ela tomou a noite toda, era como se o corpo dela não fosse humano. Esqueci-me desse detalhe bem rápido. Essa noite foi muito boa e parecia ser uma das poucas que eu não me senti sozinha.

Os dias foram se passando normalmente e até mesmo chato. Era basicamente ir à escola, ter aulas com os mesmos professores, depois treino das torcedoras. Reuníamos-nos todas as noites ou no café, na minha casa, na casa da Sarah e até mesmo na da Molly. Tyler continuava a nos afetar e parecia que cada dia que se passava ficava mais forte. Ele era o único a não perceber o que estava acontecendo.

O prazo de Sarah estava se esgotando e em menos de 48 horas ela iria se tornar uma bruxa te verdade e ia ser bem útil pra nós. A noite que ocorreria a iniciação era noite do dia 31 de outubro. Era irônico a iniciação ser no dia que era dedicado as bruxas. Sarah estava ocupada arrumando as coisas para a iniciação. Ela já havia encontrado tudo o que precisava, até que ela veio me procurar para me trazer duas noticias.

– Tenho duas noticias pra você. – disse ela

– Primeiramente oi. – respondi. – Quais as noticias?

– A primeira é que eu convidei a Molly pra estar no lugar da iniciação.

– Porque você fez isso?

– Por que eu quanto mais pessoas melhor. E vocês duas vão ficar longe do cômodo que eu escolhi pra chamar os espíritos.

– E a segunda noticia?

– Na verdade é mais um pedido que uma noticia.

– Qual é seu pedido?

– Eu preciso de sangue humano. E você vai arruma pra mim.

– Eu o que?

– Vai arrumar sangue humano pra mim.

– Não é mais fácil pedir pra Molly?

– Não, to com alguns pressentimentos sobre ela.

– Depois eu quero saber bem sobre essa historia de pressentimentos. Não é tão simples conseguir sangue sabia.

– E você se alimenta do que?

– De bolsas de sangue que a tia Rose conseguiu pra mim.

– Perfeito, me da uma dessas nojeiras que eu uso hoje.

– Meu estoque não é tão grande assim pra ser desperdiçado.

– Por favor?

Pensei no assunto por um tempo. Eu teria que dar essa bolsa de sangue, até por que isso era necessário. Se Sarah fizesse esse ritual corretamente nós conseguiríamos descobrir algumas coisas sobre o que rodeia a alma de Tyler e até, quem sabe, o que faz Molly sentir essa energia.

– Esta certo. – disse relutante – eu te dou a bolsa de sangue.

– Ai, muito obrigada.

Depois dessa conversa, Sarah ficou ocupada novamente então fui atrás de Molly pra conversar. Eu nunca pensei que iria ficar amiga de Molly, até uma semana atrás ela me odiava e eu também a odiava. Isso é realmente engraçado, porque essa coisa de alma negra é muito ruim, mas me deu uma grande amiga.

– Molly. – gritei enquanto ia para o campo.

– Oi — disse ela meio desanimada.

– O que aconteceu?

– Nada. Só to assim por causa de uma conversa que tive com minha mãe.

– Ela brigou com você?

– Não, me contou uma coisa bem seria sobre minha família.

– Posso saber o que era?

– Não por enquanto. Quem sabe depois da festa do dia das bruxas.

– Você vai com a gente pra antiga casa da minha família?

– Sim, Sarah me contou o que vamos fazer.

– E você acreditou?

– No começo não, mas depois de analisar algumas coisas eu acabei acreditando.

– Isso tem a ver com Tyler?

– Também, mas não é só com ele.

Essa conversa estava tomando rumos pelos quais eu não queria ir, não por enquanto. Esses rumos iriam levá-la até mim e ao que sou. Mas uma coisa era boa nessa historia toda, ela iria acreditar em mim e quem sabe mais tarde me contar tudo o que aconteceu pra ela estar desse jeito.

Fomos para o treino e depois disso nenhuma de nós nos falamos. Sem ligações, mensagens e nem encontros. Passei a noite inteira esperando receber alguma mensagem ou noticia de alguma delas, mas parece que isso não ia acontecer.

No dia seguinte, era dia das bruxas, a escola foi fechada para os preparativos do baile. Como não teve aula fiquei em casa pensando em tudo que sabíamos sobre Tyler. Não era muita coisa, mas já era um começo pra saber o que aconteceu.

Voltei a lembrar da data. Dia 21 de junho, dia do aniversario do Tyler e o pior dia na vida. Esse dia me trazia lembranças horríveis da minha família e do meu noivo James.

James era um homem muito rico que veio pra Mavenwoods fechar negócios com meu pai, que na época era o homem mais importante da região. Ele tinha chegado da Bulgária e meu pai o hospedou em nossa casa, onde eu o conheci. Na época eu era apenas uma menina de 15 anos, mas James havia se interessado por mim.

Lembro-me de meu pai fechando negócios com ele e ele acabou ficando na cidade por mais tempo que eu achei que ficaria. Alguns meses antes do meu aniversario dezessete anos, ele me abordou na rua quando estava dando um passeio com minha única amiga da época, a pequena Elizabeth que tinha 12 anos.

Elizabeth foi para casa, pois James queria conversar comigo. Sentamos na praça da cidade onde sempre tomava sol, ele começou a me contar de as historias de sua vida na Bulgária, pois ele sabia que eu gostava de saber como era a vida fora da pequena cidade.

Ficamos em silencio enquanto voltávamos para casa. A casa em que eu morava era muito grande e tinha um jardim grande e com vários esconderijos. Nesse mesmo dia James me puxou até uma parte do jardim atrás de uma arvore e me deu um beijo. Foi o primeiro beijo que dei na vida. Fique bastante surpresa na hora, mas retribui o beijo.

Quando paramos de nos beijar, James olhou em meus olhos e disse que estava apaixonado por mim e assim que eu completasse dezessete anos ele queria que eu aceitasse ser sua noiva. Como eu estava apaixonada por ele também, acabei aceitando o pedido.

Todas as noites após todos dormirem nos encontravam-mos no mesmo lugar do jardim para ficarmos juntos. Foi assim por meses, até que eu fiz dezessete anos e James pediu minha mão em noivado. Minha mãe achava que não devia me casar tão cedo, já meu pai penso nos negócios então nós ficamos noivos.

Nas vésperas do nosso casamento que seria no dia 22 de junho de 1810, James começou a agir de uma forma estranha, não nos víamos mais e quando ficávamos sozinhos ele se afastava de mim. Era como se ele não quisesse mais se casar.

No dia antecedente ao casamento, dia 21 de junho, ele mandou me avisarem que estaria me esperando no jardim, no mesmo lugar de sempre. Fiquei empolgada com o encontro e me arrumei tentando ficar o mais bonita possível. Quando caiu a noite, nos encontramos e ele estava aflito como se algo o perturbasse há dias.

Foi ai que tudo aconteceu e eu me tornei o que sou. Depois desse dia nunca mais o vi nem ouvi falar dele. Às vezes me pego pensando se ele fez isso com outras meninas em outras épocas, e se elas conseguiram sobreviver como eu venho sobrevivendo.

Despertei-me da lembrança, estava tão distraída pensando na única pessoa que amei na vida e que só me causou dor que não percebi que já havia escurecido e as festas do dia das bruxas iriam começar. Peguei o celular e liguei para Sarah para saber que horas encontra-la na casa.

– Sarah, oi.

– Oi Bonnie. Eu to meio ocupada arrumando tudo aqui.

– Você já esta na casa?

– Sim, Molly vai chegar daqui a pouco.

– Que horas devo estar ai?

– Em uma hora pode ser?

– Perfeito.

Desligamos. Fui me arrumar para a noite das bruxas. Entrei no closet e peguei um vestido preto curto tomara que caia. Coloquei um sapato de salto alto vermelho de camurça. Minha maquiagem era preta esfumada, sem delineador hoje e a boca ainda vermelha.

Desci a escada devagar, pois não estava com pressa, quanto mais tempo meu sangue permanecesse dentro de mim melhor. Fui até o porão pegar uma bolsa de sangue do meu estoque particular para dar em oferenda aos espíritos da Sarah e uma para eu beber.

– O que você ta fazendo? – perguntou Rose

– Não precisa me assustar – respondi – estou pegando sangue para me alimentar.

– E por que duas bolsas?

– Uma é para o ritual da Sarah e a outra é para eu beber enquanto vou até a antiga residência dos Fields.

– Por que fala desse jeito?

– Que jeito?

– Como se não se não fosse sua casa e seu passado.

– Vai ver não me importo.

– Eu vi você hoje, estava desligada de novo. Lembrou-se deles não foi?

– De quem?

– Elizabeth e James.

– Não quero que diga esses nomes.

– Eles não significam mais nada?

– Não. Elizabeth perdeu os pais cedo demais e foi por minha culpa.

– Não diga isso. A culpa não foi sua.

– Claro que não, foi de James.

– Bonnie pare de tentar achar um culpado. Vocês eram jovens e apaixonados.

– Só que ele era um monstro antes de se apaixonar por mim. – comecei a chorar.

– Ele só te transformou para que ficassem juntos para sempre.

– Então por que esse para sempre terminou antes de nos casarmos? Ele foi embora Rose antes de ver que eu havia me transformado.

– E como sabe disso?

– A bruxa que me deu o colar disse que eu devia me alimentar e me informou que James foi embora minutos depois de me colocar em casa, morta.

Eu já estava chorando desesperadamente. Rose me abraçou e tentou me confortar. Meu celular começou a tocar Desvencilhei-me do abraço e atendi. Era Molly.

– Oi – disse com a voz chorosa

– Oi, você ta chorando?

– Não. Vocês já chegaram à casa?

– Sim, só falta você, vem rápido.

– Já to indo.

Desliguei. Olhei para Rose, desviei dela e sai sem dizer nada com as duas bolsas de sangue na mão. Entrei no carro e dirigi em direção a minha antiga casa. Passei pelos portões de ferro antigo que estavam enferrujados, estacionei perto da porta da casa. Desci do carro e olhei em volta. Há anos não vinha aquele lugar, mas ao mesmo tempo pareceu que não fazia muito tempo que tinha deixado de ir ali.

Tudo parecia igual, a fonte no meio do pátio, o jardim, a casa e o lugar onde me encontrava com James. Entrei na casa que estava com os moveis cobertos por lençóis brancos. Segui o som da voz de Molly e encontrei-as na sala onde me lembro de sentar com minha mãe e as damas da sociedade para beber chá.

– Você demorou muito. – disse Sarah vindo em direção da bolsa de sangue em minha mão.

– Por que duas bolsas de sangue? – quis saber Molly

– É complicado, depois do ritual eu conto.

Sarah despejou o conteúdo da bolsa em uma vasilha transparente. Pegou a vasilha e subiu. Molly e eu a seguimos. Sarah seguiu pelo corredor longo e abriu a ultima porta do corredor. Parei subitamente enquanto a observava entrar no cômodo.

– O que foi? – perguntaram as duas.

– Nada. – respondi saindo do transe.

Era um quarto de menina, era o quarto de Elizabeth. Os moveis estavam cobertos por lençóis e os objetos por poeira. Fui em direção a estante de livros, em uma das prateleiras havia um porta retrato com a foto de uma família. A minha família, pensei enquanto pegava o quadro.

– Bonnie – disse Sarah – Por favor, não tira nada do lugar, esse era o quarto da ultima dona da casa.

– Eu sei – respondi largando o quadro. – Era o quarto da Elizabeth. – sussurrei.

– Você anda dizendo muito esse nome. – comentou Molly.

– Alguém sabe onde fica a cozinha?

– Lá em baixo, nos fundos. – respondi.

– Pra que você que saber onde fica a cozinha? – pediu Molly

– Preciso de uma faca que foi usada por alguém que morou aqui.

– Na segunda gaveta do armário branco. – disse automaticamente

As duas me olharam como se eu tivesse alguma doença, então Sarah saiu. Molly sentou na cama de Elizabeth e eu na cadeira de balanço que ficava perto da janela. Tudo estava no mesmo lugar que eu me lembrava. Não tinha percebido que Molly encarava a parede, virei-me para ver o que ela olhava. O quadro que estava na parede era de uma garotinha muito linda.

– Ela era muito bonita. – disse Molly.

– E muito alegre também.

– Por que você fala como se tivesse conhecido essa menina?

– E eu conheci.

– Como?

– Eu vou contar depois bem certo. A única coisa que você tem que saber é que essa menina foi à pessoa mais importante da minha vida.

– Voltei. Aquela cozinha ta uma sujeira.

– Claro, não é limpa há uns 200 anos. – falou Molly.

– Achou o que precisava?

– A prataria da sua família deve custar uma fortuna. Agora me da seu braço.

– O que você vai fazer... – não deu tempo de terminar a frase e sentia o meu braço sento cortado perto do pulso.

A faca de prata queimava minha pele de uma forma que achei que eu iria pegar fogo. Depois de dois segundos a dor sumiu e podia ouvir meu sangue pingar em outra vasilha transparente.

– Agora vocês têm que sair do quarto. – disse Sarah.

– Por quê? – pedimos

– Por que eu preciso começar o ritual.

Saímos do quarto e ficamos no corredor. Molly estava inquieta, se mexia de mais, como se algo a perturbasse.

– O que foi?

– Não me sinto bem aqui, parece que logo alguém vai entrar pela porta da frente e nos expulsar.

– Ninguém vai fazer nada. – Vem comigo, vou te mostrar a casa.

Descemos à escada e fomos à cozinha. Os moveis estavam cobertos como em qualquer outro cômodo. Sai descobrindo tudo, Molly ficou me olhando na porta enquanto eu mexia nas gavetas atrás de velas. Peguei algumas velas e acendi colocando-as em lugar para que iluminassem a cozinha toda.

– Quer chá?

– E aonde você vai fazer chá?

– No fogão, aonde mais.

Liguei a torneira, ainda havia água. Peguei uma chaleira no armário, lavei, enchi com água e depois pus no fogão a lenha que estava aquecendo. Fui até a cristaleira e peguei três xícaras de porcelana, abri uma gaveta de um balcão peguei três colheres de prata. Minha mão ardeu um pouco, mas levei até a pia o mais rápido possível. Lavei tudo para tirar a poeira.

– O que você ta fazendo ai de pé? – perguntei.

– Esperando você.

– Então senta ai, que vai demora pra água esquentar nesse fogão.

Puxei uma cadeira para Molly sentar e comecei a por a mesa. Arrumei as folhas do chá em uma vasilha, coloquei as xícaras exatamente como minha mãe sempre colocava, em cima de uma bandeja.

– Por que esta fazendo isso?

– Era assim que nos preparávamos para tomar chá.

– Mas esta faltando açúcar.

– Sabia que estava esquecendo alguma coisa. Droga. Vou até minha casa pegar um pouco e volto em dois minutos.

– Dois minutos?

Sai correndo usando minha velocidade de vampira para ir buscar o que faltava. Cheguei à casa de Rose e entrei. Ela me viu e foi até a cozinha saber o que eu estava fazendo.

– O que você esta procurando?

– Açúcar e biscoitos.

– Tudo na porta de baixo. Para que precisa disso.

– Nos vamos beber chá.

Não esperei para ouvir a resposta de Rose e sai de volta. Em dois minutos, como havia prometido estava na cozinha com Molly.

– Como você fez isso?

– Depois eu conto. Agora não esta faltando mais nada.

– A água demora mesmo.

– Enquanto esquenta por que não me ajuda a arrumar a sala.

Fomos para a sala tirar os lençóis de cima dos sofás. Molly dobrava todos e eu ia tirando a poeira e as teias de aranhas de cima dos moveis com um pano que peguei na cozinha. Pedi para Molly acender a lareira enquanto eu ia terminado de arrumar as coisas.

– Por que isso é importante pra você?

– Era assim que acontecia quando eu era criança.

– O que acontecia?

– Depois do jantar minha mãe preparava chá com biscoitos para nós e sentávamos em volta da lareira para conversar. Era a melhor parte do dia. Eu e minha irmã mais nova brincávamos com bonecas enquanto meus pais conversavam sobre a alta sociedade.

Escutamos um barulho vindo do andar de cima. Sarah estava descendo as escadas com uma expressão bem alegre.

Notas finais
Comentem o que acham. A boonie da minha história é mais como a Katherine de TVD