It's In The Blood

3 Tracy's Childhood Stories


Notas iniciais
Oiee !! Não vou falar muito aq pq é a terceira vez q tento postar e não vai. Enfim, PRIMEIRO CAPITULO DE 2016 WOOOOOW Enjoy :)

Sempre fui uma criança inteligente além da média. Aprendi cedo a perceber quando as coisas não iam bem com meus pais. E logo aprendi a tentar reverter essas situações. Na minha inocência, acreditei que aquele amor à minha frente era... inabalável. Sobre humano, algo que não pode ser desgastado. Que eu só precisava dar uma "mãozinha".

As vezes, sinto falta daqueles dias.

~T_HA~

Outubro de 2021

Todo mundo espera que o bebê comece a falar com palavras como "papa" ou "mama". Mas eu, obviamente, tinha que fazer algo diferente.

Provavelmente foi culpa da minha mãe. Ela tinha pego essa mania de dizer "se beijem logo" toda vez que que meus pais agiam de forma adorável, nas vezes em que os três saíam comigo para um passeio. Na maior parte das vezes eram apenas nós três, mas as vezes mamãe ia junto. Queria manter-se próxima. Já Quinn, achou melhor que eu a considerasse uma madrinha, para que toda a situação não me deixasse confusa.

Nesses momentos, se eles não se beijassem, ela começava a cantarolar baixinho "beija, beija, beija", até que eles trocassem ao menos um selinho.

E eu observava.

Eu tinha dez meses de vida e já vinha arriscando uns passos (sendo que os primeiros foram devidamente registrados por meu pai), e meus pais e minha mãe haviam me levado para um piquenique no Central Park, em uma das raras ocasiões em que todos estavam de folga. Estávamos sentados em uma toalha, abaixo de uma grande árvore. Mamãe me dava frutas picadas, enquanto meus pais observavam encostados na árvore.

— Eu sou o cara mais feliz do mundo. Vocês dois são os amores da minha vida. — disse meu pai, perto do ouvido de papai, olhando para mim.

— Não mais feliz que eu, meu amor. -respondeu o outro. Trocaram um olhar apaixonado.

— Se beijem logo ! — mamãe, que ouvira tudo, exclamou. Eu peguei minha boneca de pano e engatinhei até estar de frente para meus pais, mostrando o brinquedo.

Papai lhe mostrou a língua. Meu pai brincou comigo um tempo, e depois disse:

— Sabe o que deixaria o pai e o papai ainda mais felizes ? Se você dissesse sua primeira palavra antes de voltarmos ao trabalho na segunda !

— Isso é verdade — papai sorriu (sim, eles falavam comigo como se eu fosse uma menina de 10 anos que entende tudo completamente). — Se tiver dúvidas sobre dizer "pai" ou "papai", o que acabaria deixando um de nós chateado, você pode dizer mamãe. Sabe, não ligamos, pequena- ele acariciou meu cabelo — só queremos estar ambos presentes quando você falar.

— Sabiam que vocês são a coisa mais adorável do mundo ? Tracy concorda — disse mamãe, me observando dar uma risada gostosa para meus pais. — E acho que ela também concorda que deveriam se beijar logo. Não é, princesa ?

Mais risadas de bebê.

— Pare de querer que a gente se agarre na frente da menina — disse Blaine, rindo.

— Beija !

— Não ! — disse Kurt, divertido

— Beija !!!

— Não !! — Blaine, quase gritando, mas em tom divertido e com um sorriso no rosto

— BEIJA !!

— NÃO !!! — disseram ambos, e os três caíram na gargalhada ao notar a infantilidade da situação.

— BÊSA !!

Eles pararam de rir. Olharam para mim, incrédulos. Papai quebrou o breve silêncio.

— O que disse, querida ?

— Bêsa ! — ok, não me julgue. É o mais próximo que uma bebê de dez meses pode chegar da palavra "beija".

— Ah, meu Deus, Kurtie. AH MEU DEUS. — meu pai exclamou, já com os olhos marejados.

– Viu ? Eu disse que ela concordava, eu DISSE ! — mamãe já deixava lágrimas molharem as bochechas — Fala de novo, meu amor !

— Digam que alguém está gravando esse momento. Minha filha está falando. BLAINE, ELA ESTÁ FALANDO !

BÊSAAA !

Bem... Acho que eu não estava de brincadeira. Eu estava pedindo um beijo ali.

— Acho que ela quer mesmo um beijo, rapazes. Vocês não vão negar o primeiro pedido de sua filha, não é ?

Eles trocaram um breve olhar e depois olharam para mim. Eu observava em expectativa.

Então meu pai puxa papai delicadamente pela nuca. Não passa de um selinho demorado. Mas é o suficiente para que meu eu de 10 meses dê um grito animado, seguido de uma gargalhada, e engatinhe até poder se jogar em cima dos dois.

Papai me pega no colo, e cada um deles dá um beijo em uma de minhas bochechas. Mamãe tira uma foto.

Esse foi apenas o começo.

~T_HA~

Maio de 2026

Eu tinha 6 anos e era realmente esperta para a idade. Em algum ponto do início daquele ano, eu perguntei ao papai como ele conhecera meu pai, e se tinha sido "amor a primeira vista", como nos filmes da Disney que estávamos assistindo àquela tarde. E ele me contou sobre a Dalton, uma escadaria e a música Teenage Dream. E como, desde então, ele quis mais do que tudo ficar com meu pai.

Não precisei ouvir a história uma segunda vez para gravá-la em minha mente.

Naquele dia, foi uma discussão boba na cozinha. Mas eu já tinha visto essas discussões se transformarem em uma briga séria, fazendo com que passassem dias sem se falar. Eu odiava aquilo. E já estava chateada pela visita de Santana e Brittany. Nada contra elas, eu as amava. O problema era Daniel. Naquela época, ainda nos odiavamos, e eu ainda estava brava por ele ter derrubado minha caneca favorita no chão, logo ao chegar.

Brincava no chão da sala, onde minhas tias conversavam com mamãe, que viera assim que soube elas que estariam ali, quando ouvi a briga na cozinha. Então tive uma ideia.

Sorrateiramente, entrei na cozinha e fui até o aparelho de som que tínhamos ali. Era espertinha o suficiente para saber mexer naquele troço. Selecionei a música (obviamente, a menina pródigo já tinha algum domínio na leitura aos 6 anos) e aumentei o volume. Quando a voz de Katy Perry invadiu a cozinha, junto com todas as lembranças, saí correndo da mesma.

Do quintal, pude observá-los pela janela na cozinha. Já não discutiam. Olhavam em volta à procura de quem havia ligado o som. E então seus olhos se encontraram. Meu pai abriu um sorriso lindo, seus olhos brilhando, apaixonados. Papai sorriu e abaixou a cabeça, vermelho. O outro levantou seu rosto com a ponta dos dedos, e disse algo que não pude ouvir da distância em que estava. Pareciam estar se desculpando pela discussão, e em alguns minutos se abraçavam.

Fiquei bem orgulhosa de mim mesma. Poderia ter observado a cena o dia inteiro.

Poderia, se um certo filho da mãe não tivesse jogado uma bola em meu braço, gritando.

— PARE DE MOSCAR OLHANDO PARA O NADA, HOBBIT!!

— EU VOU MATAR VOCÊ, SNIXX !! — respondi, correndo atrás dele.

~T_HA~

Abril de 2029

Papai vivia ocupado com desfiles e eventos referentes à sua nova grife de roupas. O pai estava em turnê, divulgando o seu terceiro disco. Eles não tinham muitas oportunidades de se ver naqueles meses. Quando eu estava com um, notava falta que este sentia do outro. E era muita.

Era uma sexta e eu estava na casa de mamãe, por causa da escola. Ela e Jessie já tinham Barbra, na época com 6 anos, e ela dormia no quarto ao lado naquele final de tarde. Estava deitada em meu quarto — que eu só ocupava nas raras situações em que nenhum dos meus pais se encontrava em NYC — quando a ideia me atingiu com a força de um tapa. E o choque me fez sorrir.

Corri até a cozinha e contei tudo à mamãe, falando rápido e sem respirar. Ela riu, mas achou minha ideia maravilhosa e totalmente adorável.

No dia seguinte, ela colocou em prática tudo que envolvia trazer meus pais. A noite, fomos para minha casa e ela cozinhou com o auxílio dos empregados, enquanto eu decorava a sala de jantar com nossa governanta, Hannah. Ajustei a iluminação, espalhei pétalas de rosas e porta retratos deles da época de escola. Pedi a Hannah que acendesse velas vermelhas. Quando tudo estava pronto, deixamos os pratos servidos à mesa e fomos para sua casa. Eles logo chegariam.

Papai estava em Londres, meu pai na Califórnia. Mamãe inventou uma emergência que os fizesse vir para casa e armou tudo para que pegassem voos que chegassem em horários próximos em NYC, por volta das 22h00min. Tudo deu certo. Por "coincidência", se encontram no aeroporto. Chegaram em casa e tudo que encontraram foi um jantar romântico e um bilhete escrito a lápis de cor por uma menina de nove anos.

"Fiz isso com a ajuda da mamãe (ela ajudou, mas a ideia foi toda minha !). Vocês ficam muito tristes quando estão longe um do outro. E eu não gosto de ver vocês tristes :(

Então, fizemos esse jantar, e quero que aproveitem. E depois... assistam um filme. Ou vão para o quintal olhar as estrelas. Ou cantem uma música. Ou façam uma guerra de travesseiros.

Ou apenas fiquem juntos e felizes, por que vocês ficam felizes juntos.

Até amanhã !

Com amor,

Tracy ♥"

~ T_HA~

Dezembro de 2032

Eles estavam tendo (ao que eu achava) uma pequena crise pela ausência constante de papai. Eu faria 12 anos e já entendia um pouco o que acontecia. Era dia 11, véspera de meu aniversário. A essa altura, eu já conhecia a história de meus pais de trás para frente. De cor e salteado. Portanto, sabia de sua tradição e de todos os duetos de Natal. Faltavam muitos dias para o mesmo, mas eu só não queria passar o meu aniversário naquele clima tenso.

Mandei mensagens para eles, pedindo para me encontrarem naquela velha pista de gelo, onde mamãe me deixou.

Quando chegaram, estranharam a presença um do outro. Não havia citado a nenhum deles uma terceira pessoa.

— Procurando alguém, senhores ?

Eu já estava dentro da pista, com os patins e minha carta na manga prestes a ser jogada.

— Lembro que prometeram me trazer aqui e cantar White Christmas comigo logo que eu soubesse patinar. Eu já sei, e promessa é dívida. Principalmente quando feita pra mim.

Eles trocaram um olhar. Golpe baixo da minha parte, não é ? Mas eu só queria lembrá-los que, mesmo depois de dramas, crises e até términos (como o que enfrentavam quando cantaram aquela música pela primeira vez), eles voltaram um para o outro, mais fortes que nunca. Que estavam casados, tinham uma filha e que tudo ficaria bem.

Eles entraram na pista. O clima só ficou estranho até eu começar a cantar, e a música ecoar pelo lugar. Logo eles foram obrigados a ceder: ceder às memórias. Aos sentimentos. À filha nascida deles e ali, decidida a mantê-los vivos.

É uma das lembranças mais bonitas que tenho, e uma das que não consigo contar em detalhes. Nós três ali, como uma família, o revezamento dos versos fazendo-os entrar em uma sintonia linda de se ver. Eles trocavam olhares apaixonados e me olhavam com orgulho. Eu, inocentemente, acreditando que mais uma vez salvara o dia.

Pouco após o fim da música, papai escorregou. Mas os braços fortes de seu ágil marido o seguraram a tempo, deixando-os próximos. Muito próximos. Até que qualquer distância foi quebrada em um beijo.

E eu acreditei que estava tudo bem. Que eu poderia voltar para a normalidade do meu dia a dia, pois os problemas haviam terminado.

Mas não haviam.

~T_HA~

Bem, minha infância não se resumiu à vigiar os meus pais. Havia Daniel e a intriga que virou amizade quando tínhamos 9 anos (ele é uns 7 meses mais velho que eu). Tinha mamãe; e Barbra, três anos mais nova. Nos dávamos muito bem, até o dia em que ela resolveu mudar isso. Tinha os meus amigos, a Glee Family e a minha família de sangue — avós, tios, primos. Mas estou contando essas histórias porque foram algumas das que me atingiram em cheio na memória quanto tudo aconteceu.

Esses são só exemplos. Eu fazia essas coisas o tempo todo. Grandes e pequenas coisas; em grandes e pequenas brigas. E então eu parei.

Não que eu não me importasse mais, só não tinha mais tempo. Um pouco após aquele aniversário, eu comecei a fazer mais aulas de teatro, canto e passei a aprender a tocar vários instrumentos, além do piano, do violão e da flauta, que eu estudava desde os 6 anos. Estava crescendo, amadurecendo, descobrindo meus sonhos. Estava dando meus primeiros passos de bebê no processo de me descobrir. Eu já não podia ficar ali, esperando qualquer sinal de fumaça e correndo para evitar o fogo.

Eu acreditei por um bom tempo que minha felicidade total teria 3 ingredientes: ver minha família perfeita e o amor de meus pais vencer à tudo; alcançar todos os meus sonhos profissionais, que eu ainda nem tinha definido quais eram; e o mais importante: encontrar para mim mesma um amor que me completasse como meus pais se completavam.

Mas, com 12 anos, você fantasia demais. Eu era madura para idade ? Era. As vezes eu dava conselhos para meus pais, dois homens adultos. Dizia para não serem tão orgulhosos ou impulsivos. Não se deixarem levar pelo calor do momento. Mas eu achava que tudo daria certo apenas porque se amavam. Que não precisavam se esforçar, porque o amor faria tudo. Tudo poderia se resolver com uma música e uma memória.

Obviamente não é assim. É tudo muito mais complicado e trabalhoso, e exije tanto esforço. Tanta dedicação. E é aí que entra o amor: você só se dedica e se esforça assim por alguém que ame muito.

As vezes, nem por essa pessoa.

Então, durante aquele ano de 2033, eles abriram um cratera em sua relação. Ambos errados, em vários pontos. Sem minha constante atenção, pequenas brigas viraram bolas de neve, avalanches. Do dia para noite, tornaram-se tão... imaturos. Como crianças.

Eu não notei. Estava submersa no conto de fadas em que eles — e até certo ponto, eu mesma — me meteram. Só percebi o que ocorria quando o castelo veio abaixo.

Foram necessários anos para construir meu mundo encantado.

E apenas segundos para destruí-lo.

Notas finais
Pois é gente, esse foi o fim dos flashbacks da Tracy. A partir do próximo capítulo vamos entrar de vez na história. Tbm foi o último capítulo 100% narrado pela Tracy. SE PREPAREM PARA O DRAMA. Outra coisa: vou mudar um detalhe no primeiro capítulo. O ano no topo da história estava errado, o correto é 2036. É importante manter a linha de tempo. Reviews ? Eu gostaria bastante :3 Beijos, abraços e um ótimo 2016 pra todos vcs ♡♥