It's In The Blood

4 We're Just Slow Dancing In A Burning Room


Notas iniciais
Mil perdões pela demora. Mistura de bloqueio criativo com falta de tempo :/ Enfim, sobre esse capítulo:ESTÁ GIGANTE ADOREI. Mas podem me matar, pq até eu quero me matar. Me doeu escrever isso. Explicações sobre o capítulo nas notas finais. Mas acho bom explicar uma coisa agora no início: vocês vão ver uma certa variação entre presente e passado em algumas cenas. É um "método literário" que não respeita muito a concordância. Basicamente, toda a história se passa no passado. Mas para os narradores, alguns momentos foram tão intensos (seja de forma boa ou ruim), que eles sentem como se ainda estivessem acontecendo (tempo verbal presente). Aprendi com o tio John Green :) Aliás, agradecendo aqui o favorito que a fic recebeu, não tem idéia de como eu fiquei feliz !! ♥ Sem mais enrolação, Boa leitura ♥

Eu olho o calendário. É final de janeiro. É 2034. Muitas vezes, mesmo antes de eu nascer, sugiram boatos de que o mundo iria acabar. E há quem diga que, apesar de tudo, o mundo está aí, firme e forte. Mas o mundo acaba todo dia, para alguém em algum lugar do mundo que perdeu o que mantinha seu mundo em pé. Todo dia, alguém morre dentro de seu corpo ainda em vida. Vê tudo o que realmente importa cair por terra, como um inútil castelo de cartas. O vento violento derruba o forte de areia feito na beira da praia. O lobo mal veio, meu caro, e ele soprou e derrubou a sua casa. Mas é o vazio que vai devorar você. É janeiro de 2034.


E para mim o mundo acabou aqui. Agora.


Agora meu quarto parece opressor, sufocante. A nuvem densa de lembranças está descendo, e vai me sufocar até que meu último fio arrebente. Olhe para mim, tão nova. É muito cedo para perder as esperanças, não é ?


Mas eu não posso agarrá-las, porque essas lembranças, não tão antigas, estão fervendo e borbulhando ao meu redor como uma sopa. Os porta retratos e o mural na parede mostram rostos sorridentes que nesse momento estão deformados de tristeza. É uma perfeição tão falsa e frágil, como borboletas com as asas cortadas. Sou eu nessas fotos de aniversário, com dois homens felizes e apaixonados à beijar minhas bochechas? Treze fotos, uma para cada ano de vida, enfileiradas em ordem cronológica no maldito mural, gritando para mim que o sonho acabou. Hora de acordar, princesa.


13 realmente não é um bom número.


Sou eu crescendo perante meus olhos nessas fotos, presa no papel e colada no mural, e nelas o mundo é perfeito, o amor é eterno e eu sou fruto dele. O céu delas é azul e, veja, isso nunca se findará. Mas então essa menina nas fotos cresce mais um pouco, e está tão presa nesse conto de fadas que não percebe o terremoto iminente.


Eles se amam... Até não se amarem mais. E tudo em que essa menina acredita não existe mais, e a casa da família, que costumava ser seu palácio, agora é só a casa de seu pai. E logo ela terá um quarto na casa do papai, mas esse não será seu lar. Nenhum lugar será seu lar, porque ela será jogada de um lado para o outro, de um pai para o outro, e não terá um lugar para chamar de seu.


Eu não terei um lugar para chamar de meu.


Papai me liga. Eu posso passar o dia seguinte com ele? Claro que sim. Preciso juntar os seus pedaços, assim como juntarei os de meu pai essa noite. O verei no dia seguinte na casa da mamãe. E no dia seguinte a esse ele irá para Ohio visitar o vovô, e eu ficarei aqui. Sem ninguém para juntar os meus pedaços


Escuto música vinda do quarto de papai, e concordo muito com um pedaço da letra. Melhor dormir com ele essa noite. Eu sempre vou dormir com eles quando tenho um pesadelo. Mas já não existe mais "eles", e não é por mim que farei isso.


Quero evitar que ele tenha pesadelos. Se bem que ele está vivendo um agora.


Estou revivendo tudo que aconteceu nos 12 meses anteriores e me perguntando: "Como eu deixei isso acontecer ? Por que eu não impedi ? Eles juraram amor eterno muitas vezes, e em várias eu estava presente. Por que eles mentiram um para o outro ? Porque eles mentiram para mim ?"


E eu sei que a culpa é minha. Eu fiquei ausente... e isso aconteceu. Não existem mais os Hummel-Andersons. Seremos agora o Hummel, o Anderson... e eu. Provavelmente eu sou a pedra no sapato que impede que eles saíam totalmente da vida um do outro e sigam em frente como se tudo — todos esses anos — nunca tivesse acontecido. Eu sou um estorvo.


Eu nem o vi sair. Ele foi embora enquanto eu estava na aula de música. Eu cheguei e só encontrei esse caos. O mundo sacudindo e balançando, as paredes caindo e matando todos que um dia se sentiram completos ali dentro. Não queriam que eu visse aquilo, que eu ouvisse o veredito final e observasse meu papai atravessando a porta da frente para nunca mais entrar de novo.


Mas nada me impede de imaginar essa cena. De novo e de novo, milhares de vezes. Sentada na minha cama, horas depois de ter saído correndo da sala, onde um pai amoroso e quebrado explicou para sua pequena que as coisas mudariam, e para pior. "Papai não vai voltar, pequena. Mas nós amamos você. Você ainda nos terá para tudo o que precisar, ouviu ? Isso não tem nada a ver com você. "


Por favor, não minta, pai. Não minta, porque tem tudo a ver comigo. Porque é minha culpa, porque eu não fiz tudo que pude e não fui a luz que reacendeu seus sentimentos. Eu nem percebi o que estava acontecendo. Tem a ver comigo, pai, porque essa vida era tudo que eu tinha e conhecia, e agora eu não tenho nada.


Sem mais conter a tempestade, abraço os joelhos e afundo o rosto neles. Choro um milhão de lágrimas.


Deixo o castelo cair sobre minhas costas.



~ H.A ~



Pov's Blaine



"Isso não tem nada a ver com você."


E então Tracy se solta de meus braços e corre para seu quarto. Eu poderia segui-la e segurá-la até que pegasse no sono. Mas sempre conheci muito bem a minha pequena. É ela a tomar a iniciativa de correr para os meus braços ou para os de Kurt quando realmente precisa. Mas agora ela precisa ficar sozinha e digerir tudo isso, e sei que ela virá até mim quando estiver pronta.


Sentado no sofá olhando diretamente para TV desligada. Eu sabia que se virasse o rosto meio centímetro que fosse, meus olhos encontrariam um mar de recordações, e eu desabaria. A realidade daquela situação finalmente faria sentido.


Mas não se pode ficar imóvel para sempre, e assim que subi o olhar, vi um porta retrato com nossa foto de casamento. Respirei fundo, fechei os olhos, e deixei as lágrimas caírem enquanto o verdadeiro significado do que ocorrera horas antes lentamente me atingia.


*Flashback on*



Kurt já estava com as malas feitas quando Blaine chegou em casa. Houvera outra briga pelo telefone e ele largara tudo na gravadora em Los Angeles para resolver-se com o marido pessoalmente. As horas de vôo foram todo o necessário para Kurt arrumar tudo e tomar — por conta própria — tal decisão.


Ele entra em seu quarto e vê todas as malas do marido estrategicamente perto da porta. O mesmo sai do banheiro totalmente arrumado, assustando-se ao vê-lo ali, com as mãos na cintura.


— B-blaine ? O que faz a-aqui ? N-não estava em Los Angeles ?


— Sim, eu estava lá. Tentando ir embora de casa de fininho, Kurt? Porque, sabe, são muitas malas para uma viagem de trabalho ou coisa assim. — O moreno disse, com uma calma e naturalidade que assustaram a si mesmo.


— As coisas já não funcionam mais entre nós e você sabe disso, Blaine. Nada do que disser mudará minha decisão, ouviu ? — Ele estava irritado, mas também apreensivo. Tinha total noção de que o que estava fazendo era tremendamente...


— Covarde. É isso que você é, Kurt. Você poderia esperar que eu voltasse e conversar civilizadamente sobre sua decisão. Mas você não é homem o suficiente para isso, não é mesmo ? — Blaine retrucou, no mesmo tom calmo de antes.


— Eu não sou covarde !


— Ah, não? Então por que está fugindo, hum? Por que não conversamos? O que você dirá a Tracy quando ela te procurar e você não morar mais aqui, hein? Nada, não é? NADA, porque você não vai estar aqui, e sim eu ! Mas não é como se você se importasse, hein, Kurt ?! — Blaine começava a se alterar.


— É claro que eu me importo! Eu vou ligar para ela e a verei amanhã. Eu jamais deixaria minha filha de lado. Mas eu estou indo embora da sua vida, Blaine. Eu não tenho mais nada para conversar. Simplesmente estou cansado e não quero mais isso, nada disso. Já tomei minha decisão e não vou voltar atrás. — seu tom de voz era frio após falar de Tracy, quase cruel. Mas seus olhos vermelhos com lágrimas não caídas o entregavam, enquanto ele pegava suas malas com a ajuda de Hannah.


Blaine estava estático.


Ele ficou ali, parado, por um longo período. Quando finalmente desceu as escadas correndo, parou no final delas, vendo Kurt na porta já de saída, suas malas já no carro parado em frente a casa.


— KURT ! UMA VEZ NA VIDA, FIQUE E RESOLVA SEUS PROBLEMAS ! POR QUE VOCÊ SEMPRE FOGE DE TUDO ? POR QUE SEMPRE FOGE DE MIM ?


Kurt não respondeu. Respirou fundo e ficou ali, parado, de costas para Blaine. Depois de torturantes minutos, ele virou a cabeça apenas o suficiente para que o agora ex-marido escute suas duas últimas palavras, e as quais ele mais se arrependerá de pronunciar.


— Adeus, Blaine.


Ele então sai. Para não mais voltar.


As palavras atingem Blaine não como um soco, mas como uma surra. Aquela palavra... ele não pode ter ouvido certo. Ele corre para a porta e grita com toda a força de sua garganta e seus pulmões:


— VOCÊ PROMETEU ! PROMETEU QUE NUNCA IA ME DIZER ADEUS !


Mas o carro já tinha arrancado pela rua.



*Flashback off*



Lembrar suas últimas palavras foi o que mais doeu. Deveria ser crime quebrar uma promessa dessas, ou até mesmo fazê-la. De todas as coisas horríveis que ele já me disse desde o começo de tudo, essa foi a pior. Foi pior que ouvi-lo dizer que talvez não quisesse casar comigo, quando terminamos nosso noivado. Doeu tanto, e eu chorava a ponto de não conseguir respirar. Doeu porque, em todos os anos em que estivemos juntos, mesmo nos períodos em que não estávamos realmente juntos, ele manteve essa promessa de alguma forma. Juntos como casal ou não, ele estava ali de alguma maneira, do outro lado do telefone, e as vezes realmente ao meu lado, como um amigo. Nunca um adeus, apenas um "até breve", ou "até que minha raiva passe". Em outras vezes, eu ainda tinha uma esperança, por menor que fosse.


Dessa vez, eu não tenho nada.


Subi para o meu quarto e me arrependi no segundo em que entrei nele. O ar era uma mistura de nossos cheiros, e esse costumava ser o melhor cheiro do mundo. Naquele momento, porém, era apenas um lembrete de tudo que eu havia perdido. Deitei em minha cama, e no lado direito desta o cheiro dele predominava, invadindo minhas narinas e a minha alma. Sem qualquer permissão.


Mas logo minha mente voltava ao meu último ano ao lado dele. Nada ia bem, mas nós fingimos que ia. Forçávamos um clima amigável, mas a realidade era o caos. Precisei forçar minha mente por um tempo para lembrar a última vez que fomos íntimos. O mundo a nossa volta pegava fogo e se destruía, e nos tentávamos fingir que estava tudo bem. Dançávamos lentamente.


Me lembrei de uma música que falava algo assim. Descrevia tão bem toda aquela situação, e eu precisava por todos aqueles sentimentos para fora. Mas as lágrimas já não era suficientes para tal.


Levantei e peguei meu violão. Testei alguns acordes e logo comecei a tocar.



It's not a silly little moment


(Não é um momentinho bobo)


It's not the storm before the calm


(Não é a tempestade antes da calmaria)


This is the deep and dying breath


(Esse é o último suspiro profundo)


Of this love that we're been working on


(Desse amor no qual estávamos trabalhando)


Can't seem to hold you like I want to


(Parece que não consigo abraçá-lo como quero)


So I can feel you in my arms


(Para senti-lo em meus braços)


Nobody's gonna come and save you


(Ninguém vai vir salvar você)


We pulled too many false alarms


(Nós já demos falsos alarmes demais)




Aquilo tudo era verdadeiro demais para que eu pudesse aguentar. Não era como das outras vezes. Era definitivo, e não havia nada que eu pudesse fazer. A não ser chorar.



We're going down


(Estamos acabando)


And you can see it, too


(E você também consegue perceber isso)


We're going down


(Estamos acabando)


And you know that we're doomed


(E você sabe que estamos condenados)


My dear, we're slow dancing in a burning room


(Meu querido, estamos dançando lentamente num quarto em chamas)




O problema em ignorar seus problemas, é que um dia eles viram uma bola de neve. Se você dança num quarto em chamas, um dia você se queimará. E eu... bem, eu fui jogado dentro do fogo.



I was the one you always dreamed of


(Eu era aquele com quem você sempre sonhou)


You were the one I tried to draw


(Você era aquele que eu tentei desenhar)


How dare you say it's nothing to me ?


(Como ousa dizer que isso não é nada para mim ?)


Baby, you're the only light I ever saw


(Amor, você é a única luz que eu já vi)


I'll make the most of all the sadness


(Eu tirarei o melhor proveito de toda a tristeza)


You'll be a bitch because you can


(Você será insuportável porque pode)


You'll try hit me just to hurt me


(Você tentará me atingir só para me machucar)


So you leave me feeling dirty


(Para me deixar me sentindo sujo)


Because you can't understand


(Porque você não consegue entender)



Eu sabia que aquilo seria infernal. Ele se faria de vítima, tentaria por minha filha contra mim, me trataria como lixo. Isso se não tentasse ter a guarda total de Tracy. Ele vestiria seu orgulho e sua pose arrogante e se tornaria meu pesadelo, simplesmente porque ele é Kurt Hummel, e Kurt Hummel não dá seu braço a torcer.



We're going down


(Estamos acabando)


And you can see it, too


(E você também consegue perceber isso)


We're going down


(Estamos acabando)


And you know that we're doomed


(E você sabe que estamos condenados)


My dear, we're slow dancing in a burning room


(Meu querido, estamos dançando lentamente num quarto em chamas)



Go cry about it, why don't you ?


(Vá chorar sobre isso, porque não ?)


Go cry about it, why don't you ?


Go cry about it, go cry about it


(Vá chorar sobre isso, vá chorar sobre isso)


My dear,we're slow dancing in a burning room


(Meu querido, estamos dançando lentamente em um quarto em chamas)




Será que ele choraria por aquilo ? Será que ele ainda sentia algo por mim, qualquer coisa, que tornasse difícil ir embora ? Será esse o motivo de ele ter tentado sair sem falar comigo ?



Don't you think we oughta know by now ?


(Não acha que já deveríamos saber a essa altura ?)


Don't you think we shoud've learned somehow ?


(Não acha que já deveríamos ter aprendido de alguma forma ?)


Don't you think we oughta know by now ?


Don't you think we shoud've learned somehow ?



Don't you think that we


Don't you think that we


(Você não acha que nós)


Don't you think that we oughta moving on ?


(Não acha que deveríamos seguir em frente ?)


'Cause, my dear,we're slow dancing in a burning room


(Porque, meu querido, estamos dançando lentamente num quarto em chamas)



Terminei a canção com a camisa encharcada de lágrimas. Me sentia terrivelmente sozinho. Levantei, tomei um banho. Ao voltar, troquei todos os lençóis e fronhas, não queria lidar com o cheiro dele agora. Fiquei deitado sobre os lençóis frios, encarando o teto, até escutar a voz doce que sempre teve o dom de me trazer paz.


— Pai ?


— Venha aqui, querida. — Ela veio até a cama, acendeu um abajur e deitou ao meu lado, usando seu pijama de gatinhos. — Não consegue dormir ?


— Não é isso... Eu só queria ter certeza de que o senhor está bem. — Ela sussurrou agora olhando em meus olhos. Ver os olhos dela me deu uma leve pontada no peito. Principalmente o esquerdo, idêntico ao de Kurt. Mas a sensação passou com suas palavras.


— Ah, meu amor... Para ser sincero, estou melhor com você aqui. Venha, vamos dormir — levantei um pouco o dorso para cobri-la, e ela aproveitou para se jogar sobre mim, num abraço. Me sentei e a abracei de volta, sentindo o cheirinho do seu xampu.


— Vai ficar tudo bem com você, pai. Eu estou aqui, eu sempre vou estar. Eu amo muito você. E o papai também. Vocês não vão ficar sozinhos, porque eu vou cuidar de vocês. Tá bom ? — sua voz era doce, mas já vinha perdendo aquele tom infantil. Ela parecia, tão... madura. Senti o coração mais leve, talvez ela ficasse bem, afinal.


— Obrigado, querida. Muito, muito obrigado. E eu também vou cuidar de você. Eu prometo.


— Eu também prometo.


Então ela se afastou, beijou a palma da mão e estendeu para mim. Eu sorri, beijei a minha própria mão e apertei a dela. Fazíamos isso desde que ela tinha cinco anos, por ideia dela. Nossa versão pessoal e original da promessa de dedinho, ela dizia.


Deitamos na cama, ela apagou a luz e e se encolheu toda contra meu corpo. Eu a abracei forte.


— Boa noite, pequena. Você sabe que é o amor da minha vida, não é ?


— Eu sei. Boa noite, pai.


Contra todas as expectativas, dormi totalmente em paz naquela noite.



~ H.A ~



Pov's Kurt



Dirijo sem ver realmente onde eu estou indo. Meu corpo me leva para não sei onde, porque minha mente simplesmente não pode mais trabalhar. Ela repete centenas de vezes a mesma frase, mas mesmo assim não saio de meu estado de choque.


Estou desistindo outra vez.


Foco 100% de minha mente em Tracy, já que não consigo lidar com que estou fazendo nem com o que estou sentindo. Ela ficará arrasada. Não só porque sua família está se desfazendo, mas porque eu a deixei lá sem ao menos me despedir. Sem ao menos lhe dar uma explicação. Deus, não posso esperar até amanhã. Tenho que ligar para ela o quanto antes.


Voltando um pouco ao meu estado normal, dirigi-me ao único lugar onde encontraria apoio no momento. Jessie estava na Itália gravando um filme, e Rachel estaria sozinha com Barbra. Deixei o carro na entrada de veículos e toquei a campainha. Assim que vi o rosto de minha melhor amiga, a ficha de toda a merda que tinha acabado de acontecer finalmente caiu.


E eu me desfiz em lágrimas ali mesmo.


Muitos minutos depois, já no sofá da sala e com a cabeça no colo dela, conto a ela o que aconteceu. Ela já sabia que as coisas não iam bem, obviamente. Quando terminei de contar a ela, esta permaneceu em silêncio por longos segundos. Finalmente ela disse, lentamente:


— Você ia sair... de fininho ? Sem falar com ele, ou com Tracy ?


— Aham.


— Kurt...


— Não, Rachel, sem lição de moral. Eu não podia mais aguentar, estava a ponto de explodir! Eu... eu não podia mais ficar lá. Eu passei muita coisa com ele e não quero chegar ao ponto de odiá-lo.


— Essa parte eu já entendi, Kurt. Mas você deveria ter sentado e conversado... feito isso de uma forma menos dolorosa, sabia ? Porque...


— Não! Eu não vou sentar e conversar. Eu vou passar uma semana com meu pai e quando eu voltar pedirei o divórcio. E então ele vai ficar no passado. Para sempre.


— Vocês. Tem. Uma. Filha. — Ela disse, pausadamente, e continuou com um tom de voz calmo. — Que, aliás, é minha filha também. E você não pode se afastar totalmente de Blaine, porque ele precisa de vocês dois. E você não vai afastá-la do outro pai, nem fazer com que ela o considere o vilão da história, porque eu não vou deixar. Desculpe, querido. Eu me importo e muito com você, mas me importo muito mais com minha filha e não vou te apoiar em nada que a prejudique. Você pode pedir o divórcio e nunca mais discutir a relação de vocês. Tudo bem, é seu direito. Mas não vai poder ser rude com ele, tratá-lo mal ou ignorá-lo para sempre, porque ele é pai da sua filha e em milhares de situações da vida dela, ela precisará de vocês dois presentes para apoiá-la. E vocês estarão lá e você se comportará bem por sua filha. E isso não está aberto discussão ou argumentação.


Fiquei em silêncio por um tempo. Por pior que fosse admitir, ela estava certa. Eu tinha Tracy para me preocupar com, e não podia tornar a situação ainda mais difícil para ela. E isso significa manter, no mínimo, uma relação amigável com Blaine. Então me dei conta de que, antes de qualquer coisa, eu precisava conversar com ela.


— Eu sei, Berry. Tudo bem. Eu só estou muito triste e confuso agora. Eu vou tomar um banho e ligar para Tracy, ok ?


— Ok, querido.


Eu tomei um longo banho (chorando), comi alguma coisa (chorando), deitei na cama do quarto de hóspedes e chorei mais um pouco. Passadas boas três horas desde que eu saira de casa, finalmente peguei o telefone e liguei para minha princesa.


— Papai ? PAPAI ! ONDE VOCÊ ESTÁ ? V-VOCÊ NÃO ESTAVA AQUI Q-QUANDO EU CHEGUEI E E-ELE DISSE QUE VOCÊ FOI EMBORA !


Aquilo quebrou meu coração. Ela parecia se sentir tão... abandonada.


— Calma, meu amor ! Sou eu, sim. Eu... eu realmente não vou mais morar com seu pai. É complicado e... eu quero falar com você pessoalmente. Já está tarde, então você... — pausa — Você poderia vir aqui na casa da sua mãe amanhã ? Ficarei aqui hoje e amanhã e depois vou ir ver o seu avô em Ohio. Você poderia passar o dia comigo amanhã, meu amor ?


— Claro que sim, papai ! O senhor está bem ? Vai ficar bem essa noite ? E-eu estou preocupada.


— Eu estou... indo. Rachel está comigo, não vou ficar sozinho. Vou pedir para ela te buscar amanhã no horário do almoço, está bem ? Eu te amo, Tracy. Isto é entre mim e Blaine. Você não vai me perder, eu juro. Está bem?


— Sim, papai, tudo bem. Eu também te amo. Até amanhã.


— Até amanhã, princesa. Boa noite.


Aquela ligação me deixou um pouco de melhor, mas só um pouco. Fui para o quarto de Rachel e chorei em seu colo por muito tempo. Depois tive um sono muito conturbado. Foi uma noite difícil.



[...]




Na manhã seguinte, tomei o café da manhã com Rachel e Barbra. Na época, ela tinha 10 anos e era um doce de menina. Sua presença me levantou o ânimo, principalmente ao ver sua reação ao saber que sua meia-irmã iria passar o dia conosco. Na sua mente, elas poderiam brincar o dia todo. Mas eu tinha certeza que Tracy não iria querer brincar.


Na hora do almoço, Rachel fez questão de ir pessoalmente buscar nossa menina. E pela demora, eu sabia que ela havia tido com ele a conversa que eu pedi. Tentei não ficar muito nervoso com isso. Quando elas chegaram, fui correndo até a porta, e assim que me viu, Tracy correu para meus braços e me abraçou como se eu fosse embora outra vez se ela não apertasse forte o suficiente. Não tive como conter as lágrimas.


Ela soltou-se de mim e limpou meu rosto. Sentei com ela sofá enquanto Rachel terminava o almoço e mantinha Barbra ocupada para que eu pudesse conversar com minha filha.


— Bem... O pai me explicou tudo isso, com ajuda da mamãe, um pouco mais... calmamente, antes de eu vir para cá. Ele disse que vocês conversaram muito e que acharam melhor não continuarem juntos, por causa dos seus problemas... Antes que se odiassem.


Aquilo me deu uma pontada no peito. Eu e Rach concordamos que contar para Tracy como eu saí de casa só lhe causaria mais dor. Mas mentir para ela doía como os infernos. Era quase sufocante.


— Sim, meu amor. Eu sinto muito por isso. — deitei a cabeça dela em meu colo — Sei o quanto isso te dói.


— Aposto que não dói mais em mim do que em você. — Ela disse, e fez uma pausa. Me surpreendi com aquilo — Não quero cutucar a ferida, mas... Como decidiram quem iria sair ? Quero dizer... Por que você ?


— Eu não iria aguentar ficar naquela casa com todas aquelas lembranças. Não teria forças. — era verdade, em parte. Esse foi um dos motivos que me fez sair.


— Foi o que eu pensei. Vocês não vão vender a casa, não é ? Eu amo aquele lugar, é o meu lar. Eu não estou pronta pra me desfazer dele. — pausa — Droga, estou sendo egoísta. Vocês não precisam ficar presos à memórias por minha cau...


— Shh! Calma, filha. Faremos isso da melhor forma possível para você. Você vem em primeiro lugar sempre. Não se preocupe.


— Não diga para não me preocupar, papai. Quero ver vocês bem. Juntos ou não, vocês têm que ficar bem. — Ela sentou no sofá novamente. — Me prometa que você vai fazer as coisas que gosta e viver sua vida sem ficar se preocupando de 5 em 5 minutos com o que eu vou pensar. Estou deixando claro agora que qualquer coisa que te faça bem, está bem para mim. Ok ?


— T-tudo bem — falei, ainda meio pasmo por aquela atitude tão... madura.


— Prometa. — Eu abri um leve sorriso com isso, e estendi o dedinho para ela.


— Eu prometo.


Ela entrelaçou o dedinho no meu e eu olhei nos olhos. E parei para pensar naquela ligação que eles costumavam simbolizar, que agora já não existia mais.


Apenas desejei com todas as forças que todos nós saíssemos bem daquilo.



~ H.A ~



Pov's Daniel



Eu estava sentado no sofá jogando vídeo game, porque é tudo que um moleque de 13 anos tem para fazer em um maldito dia de chuva em Los Angeles.


Vi minha mãe (Brittany, para esclarecer) descer as escadas com um olhar preocupado e sentar ao meu lado.


— Prepare seus ouvidos, querido.


— AQUELE FILHO DA PUTA FEZ O QUE ?!?!?


— Quem é a vítima dessa vez ? — perguntei, com um meio sorriso.


— Kurt. Mas acho que dessa vez ele mereceu um pouquinho.


— Porque, mamãe ? — eu disse, confuso. Era muito raro ela achar alguém digno da ira de Santana Lopez-Pierce. Principalmente alguém próximo como o tio Kurt.


— Ele foi um menino muito mal. Acho que ele perdeu a magia dele, querido, e o chifre dele caiu.


— Ele não é mais um unicórnio ? — é estranho, mas eu realmente entendia esses papos da mamãe.


— Pelo jeito, não. Unicórnios não tem orgulho no coração.


Eu só fui entender isso anos depois, mas tenho que admitir: foi uma metáfora bem inteligente.


Nesse momento, minha mamá veio até a sala, devolveu o celular de mamãe para ela e ficou andando de um lado para outro, com uma mão na testa.


— Tudo bem, mamá ?


No. Yo quiero matar uno desgraciado. Quiero rasgar sus bolas. (Não. Eu quero matar um desgraçado. Quero arrancar suas bolas).


Gracias a Dios que no soy yo (Graças a Deus não sou eu). — resmunguei, fazendo-as rir.


Elas sentaram ao meu lado e explicaram rapidamente que Kurt e Blaine estavam separados a uma semana, e tia Rachel havia ligado para avisar.


Quando perguntei o porque de tanta raiva do tio Kurt, tudo que recebi foi um "coisas de adulto, não se preocupe." O que importava era: Kurt estava em Ohio e mamãe Sant precisava ir lá "ter uma conversinha" com ele.


Eu só sabia ficar preocupado com Tracy. Ela devia estar arrasada, ela sempre prezou a família mais que tudo. Eu precisava ir para NYC.


— Estou indo a NYC falar com Blaine. Deve estar sendo muito difícil para ele lidar com isso. Você provavelmente virá comigo para ver Tracy, não é, Dan? — perguntou mamãe Britt.


— Com certeza, mamãe. Ela precisa de mim.



[...]



Dois dias depois eu e mamãe Britt estávamos batendo na porta de tio Blaine. Ele atendeu a porta com um sorriso e nos recebeu com abraços. Quando perguntei de Tracy, disse que ela estava no quarto. Subi as escadas e bate na porta com a plaquinha onde se lia "aqui dorme uma futura rainha".


— Hannah, já disse que não estou com fome... — Ela disse chorosa do outro lado da porta.


— Não sou mulher e muito menos seu garçom, Hobbit. — falei revirando os olhos, mesmo que ela não pudesse ver.


— Ah, oi Snixx. Já pode ir embora.


— Não atravessei o país para você me ignorar, sua grossa. Eu sei que não está bem.


— Não mesmo, e não quero conversar. Tchau.


— Eu só quero ajudar, ingrata. Abre a porta.


— Não.


— Não sentiu minha falta ? Não nos vemos pessoalmente a meses, e até nos falávamos todo dia pelo celular antes disso acontecer, mas desde então você não atende minhas ligações, não responde mensagens, e-mails, não manda nem um sinal de fumaça ! Até a sua mãe ligar e contar tudo, eu cheguei a pensar que estava com raiva de mim. Fiquei preocupado. E estou mais ainda agora que sei o motivo.


— Não precisa se preocupar. E não estou com saudades. Apenas me deixe sozinha.


¡MAS QUE MIERDA, TRACY ! Olha, você sabe que não é bom sinal quando eu começo a falar espanhol. Abre a porta antes que eu me irrite de verdade. No me gusta tu drama.


Finalmente ouvi uma movimentação dentro do quarto e ela abriu a porta. Estava com cara de choro, pijamas e o cabelo adoravelmente bagunçado.


— Melhor assim. E para de agir como eu, porque você é melhor que isso. Estou tentando cuidar da minha melhor amiga.


Ela não respondeu, só me abraçou forte. Depois sentei com ela, as costas apoiadas na cabeceira da cama, e deixei que ela deitasse a cabeça em meu ombro e ficasse olhando para o nada por alguns minutos.


- I think we have an emergency, I think we have an emergency...— cantarolei uma parte de uma música de nossa banda favorita, tentando fazê-la falar comigo. Ela deu um meio sorriso.


— Definitivamente, nós temos uma emergência.


— Eu sei. Mas não posso fazer nada se você não conversar comigo.


— Você está aqui de insistente. Eu tentei te mandar embora justamente porque não quero conversar.


If you thought I've leave then you were wrong, 'cause I won't stop holding on... (se você pensou que eu iria embora, estava errada, porque eu não vou parar de esperar)— cantei mais um pedaço da música. — Você sabe o que Blaine diria: se não sabe o que dizer, cante. Mas você tem que por pra fora.


Ela ficou quieta mais uns minutos. Depois cantou uma parte do refrão da música que eu havia cantado antes:


— 'Cause I see love die way too many times, when it deserved to be alive... (Porque eu vi o amor morrer muitas e muitas vezes, quando ele merecia estar vivo).


And I see you cry way too many times, when you deserved to be alive... (E eu vi você chorar muitas e muitas vezes, quando você merecia estar viva)— respondi, limpando as lágrimas silenciosas que ela já não segurava mais.


So are you listening ? So are you wathing me ? (Então você está escutando ? Então você está me assistindo ?)— Ela tinha um sorriso triste brincando nos lábios. Não cantávamos na ordem da música, só pegávamos versos aleatórios para dizer o que precisávamos dizer.


— I cant' pretend I don't see this (Não posso fingir que não estou vendo isso)— fiz uma pausa. — Nestes últimos dias, alguém se preocupou em vir falar com você ? Saber como isso está te afetando?


— Pai e papai estão reduzidos a cacos. Eles precisam dos amigos agora e... bem. Estão todos ocupados com eles — Ela disse, triste. Senti uma dor no coração ao pensar nela passando por tudo aquilo sozinha.


- It's really not your falt, that no one cares to talk about it, talk about it... (Realmente não é sua culpa, que ninguém se importa em falar sobre isso, falar sobre isso).


— Você se importa ?


— Sim, muito. Me importo com você. Estarei aqui ouvindo, e para te ajudar com tudo. — Ela riu fraco e ficou quieta por um bom minuto.


— É simplesmente... frustrante. Eles têm... tinham. Tinham a história mais bonita e verdadeira que eu já ouvi. Que eu já vi. Tudo o que eu pensava sobre amor, família, amizade... era tudo baseado neles. Aquela família era tudo em que eu acreditava, era meu mundo, o que eu tinha de mais importante e... e agora eu... eu me sinto perdida, Danny.


— Shh, calma. Vai ficar tudo bem — Ela já chorava novamente. — Eu estou aqui agora e vou estar sempre. Eu vou te ajudar a reencontrar você. Você é tão novinha, Tray... Você vai ver, logo terá seu novo mundo, seu novo tudo. E eu vou estar lá com você.


Ela chorou mais algum tempo. Depois limpa os olhos e os gruda nos meus, e eu perco o rumo da respiração por um segundo. Não é pelo simples fato de serem de cores diferentes, mas os olhos dela sempre me chamaram a atenção. E nesse dia eu descobri o motivo: eles são as janelas de seu coração. Ela pode ser ótima atriz, mas eu sempre vou saber como ela realmente está só de olhá-la nos olhos. Mas eu também sinto um embrulho no estômago e meu coração bate mais forte. Algo está mudando.


— Obrigada por tudo. Não sei o que eu faria sem você. Eu te amo, sabia ?


Outra vez, aquela sensação. Minhas mãos começam a suar. Sorrio para minha melhor amiga, mas o sorriso sai mais bobo que o usual. Algo está errado.


— É, eu sabia. Eu também te amo.


É isso. "Eu te amo", aquelas malditas três palavras. Foi nesse dia que elas, lentamente, começaram a ter um novo sentido para mim em relação a Tracy. E era um caminho sem volta.



~ H.A ~



Pov's Tracy



Nunca fui tão grata à alguém como fui ao Danny naquele dia. Tudo nele me trazia certa paz: os cabelos pretos, lisos e volumosos, quase na altura do pescoço, o sorriso radiante e a pele clara, os olhos de um estranho azul-escuro, provavelmente herdados do pai, um doador anônimo que possibilitou a gravidez de Santana e que ele nunca se preocupou em procurar. O fato de ele ser bem mais alto que eu fazia eu me sentir segura em seu abraço. Mas o que eu mais amava era saber que ele não mediria esforços para me ver bem. Eu tinha o melhor amigo do mundo.


Enquanto ele me fazia um cafuné e assistia um filme na TV do meu quarto, eu fingia assistir enquanto pensava na forma como minha vida virou de cabeça para baixo de repente. Em um dia estava tudo bem e no outro... PUF.


Não. Não estava tudo bem. Nós fingimos — eles fingiram— que estava tudo bem. Como diz a música que eu ouvi meu pai cantar, nos estávamos apenas dançando lentamente em um quarto eles chamas.


E, como era de se esperar, todos nós nos queimamos.












Notas finais
Isso nos meus olhos e suor tá Quem mais quer matar o Kurt ? Tô montando caravana pra ir dar na cara dele. Slow dancing in a burning room ♥♥ amo essa música queria muito ouvir o Darren cantar um dia (mas entrei em bad profunda ao escrever essa cena. Enfim.) Link da música:https://m.youtube.com/watch?v=U4lE6B5K9J4 Tracy e Daniel ♡ (o shipp continua sem nome, aceito sugestões) A música q eles cantam algumas partes é Emergency, do Paramore. Recomendo u.u (terá bastante músicas deles aqui, aliás, pq é minha banda favorita) Mais alguém quer um Daniel de presente de Natal ? Eu quero !!! Então, o que acharam ? Reviews são bem vindos sempre ♥ Até o próximo :) ♡♡♡♥♥♥ PS: formatar pelo celular é um saco. O que eu não faço pela minha paixão pela escrita, ai ai viu