It all started on a Christmas Eve
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Eu acordei à 13:45, ainda cansada e com olheiras maiores que o mundo. Eu escovei os dentes, tomei um banho e coloquei uma roupa descente antes de descer para lavar a xícara que tinha usado mais cedo; não queria encontrar com Thomas enquanto ainda estivesse usando uma roupa curta.
Thomas.
A lembrança dele me deu uma sensação boa no pé da barriga, mas ainda assim eu me sentia envergonhada e desnorteada. Ele é um homem mais velho e bonito que, por algum motivo, parecia interessado em mim.
Por que? O que ele viu em mim? Será que ele não está somente interessado em me usar?
Eu tirei essa ideia rapidamente da minha cabeça. Após me vestir com um short jeans de cintura alta e uma camiseta cinza, eu desci a escada, e encontrei meus pais sentados de frente à televisão ligada, mas parecia que nenhum dos dois estava prestando atenção; estavam mais concentrados sussurrando entre si. Ao me ouvirem descer, pararam de conversar rapidamente.
–Bom dia querida. Está com fome? -Minha mãe estava tentando deliberadamente mudar de assunto.
–Algum problema? Vocês parecem preocupados.
–Na verdade, sim. Seu pai me contou o que aconteceu entre você e seu tio ontem.
Esperei por mais um comentário antes de responder.
Ela está falando de Thomas?
–André fez alguma coisa com você?
Ah, claro.
–Não, não. Ele não teve tempo, na verdade.
–Sim, sorte que Thomas estava lá. Eu não me perdoaria se tivesse acontecido alguma coisa com você.
Dei de ombros. -Tá tudo bem, pai.
Fui até a cozinha e lavei meu copo antes de me servir com um prato de bife, arroz branco e batata palha. Sentei a mesa e então percebi que tinha algo errado.
–Sim, sobre Thomas, ele ainda está dormindo?
–Na verdade não, Sophia. Ele saiu hoje cedo; foi procurar um apartamento. -Minha mãe falou.
–Fez bem, na verdade. -Ambas minha mãe e eu olhamos feio para meu pai. -O que? Pelo menos ele não vai abusar da nossa hospitalidade.
–Ele poderia ficar pelo menos por mais algumas semanas.
Eu concordei com a cabeça.
Queria perguntar de que horas ele voltava, onde ficaria o seu apartamento, se poderia visitá-lo nos fins de semana, mas as perguntas ficaram entaladas na garganta.
Eu terminei de almoçar e então subi novamente para meu quarto. Tentei ler um livro que tinha ganho de presente de aniversário e que não tinha terminado ainda, mas cada frase me lembrava de Thomas.
Por que não consigo tirar ele da cabeça? Ele é meu tio, pelo amor de Deus.
Acabei desistindo de ler, então peguei meu celular e minha carteira e saí para uma lanchonete perto da minha casa. Eu gostava dessa lanchonete por que ficava apenas duas ruas de distância, além de ter um tema retrô que eu acho muito legal, mas o preço pesava no bolso, por isso não ia o tempo todo.
Sentei no balcão, olhei o cardápio mais uma vez — eu sempre gostava de reler o cardápio, mesmo sabendo decorado tudo que tinha escrito nele.
Acabei pedindo um milkshake de morango e um sanduíche e sentei numa mesa rodeada por um sofá vermelho.
Uns quinze minutos depois, um garoto da minha idade mais alto do que eu, de cabelos castanhos e olhos pretos, e vestindo o uniforme da lanchonete veio entregar meu pedido. Eu já o tinha visto, e ele já tinha entregue meus pedidos antes, mas nós nunca tínhamos conversado.
–Hoje é dia 26, vocês não tem descanso dia de hoje não?
Ele sorriu. -Na verdade, eu quis vir. O pessoal não quer vir trabalhar no Natal e eu não quero ir para a casa da minha mãe, então--
–É a combinação perfeita, entendi.
–Mas e você?
–Eu o que?
–Ué, por que você está aqui?
–Ah, a festa de Natal da minha família foi ontem, e hoje eu não estava com vontade de ficar em casa.
–Aproveite a comida, então.
Sussurrei um obrigada enquanto ele se afastava. Logo em seguida, ele colocou a bandeja no balcão e começou a conversar com a garota que tinha anotado meu pedido agora a pouco. Ele era bastante bonito, mas só me fazia lembrar que eu não gostava de garotos. Faziam anos que eu não me apaixonava de verdade, até...
Thomas.
Fechei meu olhos com força. Não, eu não estou apaixonada por ele.
A cada mordida do meu hambúrguer eu me perguntava se podia isso verdade, e cada vez mais eu tinha certeza que era.
Terminei de comer o mais rápido que pude, paguei e saí para voltar para casa. Eram 16:15, tinham se passado apenas quarenta minutos que eu tinha saído de casa; minha tentativa de distração foi completamente falha.
Voltei para casa frustrada e tendo a sensação de ter gasto dinheiro em vão; quando abri a porta, dei de cara com um Thomas sorridente.
–Sophia, seu tio já comprou o apartamento que queria.
Meu coração despencou.
–Quer dizer que já vai embora?
Ele sorriu. -Na verdade, não. Ainda tem alguns detalhes do contrato para serem revistos e ainda tenho que arrumar a minha mudança, então vocês vão ter que me aguentar por mais alguns dias.
Eu concordei com a cabeça e subi para o meu quarto. Fiquei feliz que ainda tinha alguns dias com ele, mas ainda sim, nosso tempo estava contado. E depois que ele fosse embora, como as coisas ficariam?
Decidi ouvir um pouco de música, acabei cochilando e só acordei quando minha mãe bateu na minha porta, me chamando para jantar. Escovei os dentes e desci, mesmo estando sem fome.
Thomas já estava sentado a mesa, dizendo onde ficaria seu apartamento (aparentemente, num bairro nobre) e que seria melhor para ele, por que era bastante perto do seu trabalho. Eu sentei numa cadeira de frente para ele e me servi de um sanduíche de peito de peru.
–Adoraria se vocês fossem me visitar periodicamente.
Ele olhou para mim, mas eu desviei os olhos.
–Sophia, o que acha de ir me ajudar a pintar o apartamento?
–Por mim, tudo bem.
–Não parece muito animada.
Eu levantei os olhos e o encarei; os olhos dele me prendiam e eu comecei a ficar nervosa.
–Não, eu estou, é que eu nunca pintei, não sei se vou fazer isso certo.
–Não tem problema, eu posso ensinar você.
Evitei olhar para ele novamente até acabar de comer, e então subi as escadas, escovei os dentes, tomei um banho e deitei na cama.
Eram 19:14 e eu não estava com sono nenhum. Eu tinha dormido quase o dia todo e agora, no horário de dormir (mesmo que cedo demais), eu não conseguia pregar os olhos.
Então, a imagem de Thomas nessa manhã tomou a minha mente e eu não pude parar de sorrir; nunca tinha desejado alguém como eu o desejava.
E se ele fosse embora? Eu iria parar de me sentir assim, ou isso só iria se intensificar?
Eu tenho que falar com ele.
O pensamento me veio forte e dominou meu espírito; já estava me sentindo imbatível e e o desejando terrivelmente. Saí do meu quarto e antes de me desse conta, estava com ambas as mãos apoiadas na porta do quarto dele. Eu não tinha nenhuma garantia de que ele estava ali dentro, mas algo me dizia que estava sim. E eu estava do lado de fora, vestindo meu pijama de cupcakes. Afinal, o que ele pensaria quando me visse ali fora? Eu tinha que arriscar, mas valeria a pena? Ou ele só iria rir da minha cara?
Antes que eu pudesse decidir de iria entrar ou não, ele abriu a porta e eu tropecei para dentro. Seus braços fortes me seguraram, impedindo que eu caísse no chão, mas eu logo me afastei. Olhei para ele por um segundo: estava vestindo apenas uma cueca boxer, seu tórax nu fez meu rosto esquentar; eu abaixei os olhos.
Após segundos de silêncio constrangedor, ele falou.
–Você está esperando eu perguntar o que você estava fazendo aqui ou só não quer falar mesmo?
Não percebi que estava mordendo os lábios até começar a falar.
–Eu acho que está mais do que claro o que eu estou fazendo aqui, mas é melhor eu ir embora.
Eu me virei, mas antes que eu desse um passo, ele me segurou pelo pulso.
–Pelo amor de Deus, finalmente.
Antes que eu pudesse assimilar alguma coisa, já estava dentro do quarto dele, encostada na parede, presa pelos braços dele. Ele mordeu e puxou meu lábio inferior. Seu perfume me envolvia completamente e mesmo com a luz fraca, podia ver desejo no olhar dele.
–É isso que você quer?
–Sim.
–Tem certeza? Eu não acho que posso parar depois de ter começado.
Eu mordi meus lábios com força e ele sorriu.
–Então tudo bem.
Seus lábios encontraram os meus, meu coração estava acelerado, eu passei os dedos pelos seus cabelos com vontade. Primeiramente ele estava controlado, depois desejoso, sua língua me explorando, seu corpo se apertando ao meu, seus dedos massageando minha cintura.
Quando eu me apertei contra ele também, ele agiu. Foi mais rápido que eu previa; ele puxou a minha blusa por cima da minha cabeça e quando meus seios se apertaram contra a pele dele, ele gemeu.
Um pensamento aterrorizante me passou pela cabeça.
–Tom, a porta está aberta.
Sem se afastar de mim, ele estendeu o braço e girou a chave. Eu relaxei um pouco, sabendo que agora teríamos um pouco de privacidade.
Ele sorriu antes de levar os lábios até meu pescoço; eu senti um arrepio seguindo pela minha coluna quando ele segurou meu rosto com as mãos enquanto mordia e chupava a minha pele. Tentei respirar controladamente e não fazer nenhum barulho, mas um ofego escapou da minha garganta e eu puxei o cabelo dele.
Ele lentamente puxou o meu short e a minha calcinha e logo eu estava nua na frente dele. Ele olhou meu corpo rapidamente e sorriu maliciosamente antes me puxar pela cintura; uma forte vergonha se abateu sobre mim.
–Por onde quer começar? -Ele sussurrou no meu ouvido enquanto passava os dedos pelas minhas coxas; eu me segurei a ele pelos ombros e não pude evitar de sorrir.
–Eu... Eu não sei, eu não entendo muito disso.
Eu senti os músculos dos seus braços endurecerem o que me fez ficar nervosa.
–Alguma coisa errada?
–O quanto de experiência você tem?
Ele se afastou um pouco de mim para olhar o meu rosto. Ele parecia lindo e imponente, como se soubesse o que estava fazendo, mas agora estava sério demais. Não pude evitar de corar, estava parecendo cada vez mais uma idiota.
–Ne-nenhuma, eu sou virgem, Thomas. Achei que isso estava na cara.
Ele se afastou rapidamente de mim e virou de costas. Se aproximou do armário, o revirou, até achar uma camiseta social branca, que jogou para mim.
–Não estou entendendo, por que está fazendo isso?
Ele não se virou ou falou nada, como se estivesse esperando que eu me vestisse. Eu suspirei e coloquei a camiseta por cima de mim; enquanto abotoava os botões, tentei de novo.
–Thomas? Pode se virar agora.
Eu mordi meus lábios enquanto ele olhava para mim, e ele soltou o ar pela boca.
–Desculpe Sophia, mas eu sou um idiota. Eu achei -- Eu achei que você já tinha experiência por isso que incentivei você.
Eu cruzei os braços em frente ao meu corpo, por vergonha, tentando inutilmente cobrir o que a camiseta deixava de fora.
–O que quer dizer?
Ele achou uma calça moletom cinza e colocou por cima da cueca. Mordi ainda mais forte os lábios quando percebi o volume claramente visível lá em baixo.
–Quando uma pessoa é sexualmente experiente há, de alguma forma, sinais que os outros podem perceber, a maioria pequenos. E eu vi eles em você, por isso eu... -Ele passou os dedos pelos cabelos, e então olhou para mim de novo. -Escute, eu não posso fazer isso, eu não posso tirar sua virgindade, eu nunca me perdoaria.
–Por que não? O que há de errado com isso? Todo mundo faz sexo o tempo todo.
Ele suspirou.
–Não, com você é diferente, eu não me atreveria a isso, eu estaria estragando você. Sua primeira vez tem que ser alguém especial.
–E você não é?
Ele se sentou na cama.
–Eu sou seu tio, Sophia.
Ficamos em silêncio, encarando um ao outro.
–Será que não podemos esquecer isso? -Ele perguntou.
Como?
–Eu posso... dormir com você?
–O que?
Eu senti meu rosto esquentando. Não acreditava que iria pedir isso.
–Só... dormir com você. Nada mais.
Ele pensou por uns segundos.
–Tudo bem, vem aqui.
Ele apagou a luz da luminária, depois se deitou atrás de mim e me envolveu com seus braços. Sentir o corpo dele contra o meu e o seu cheiro perto de mim era a melhor sensação do mundo.
Seus lábios encontraram meu pescoço e ficaram lá. Não tive coragem de dizer para ele se afastar.
–Boa noite, Sophia.
–Boa noite.
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