It all started on a Christmas Eve
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Quando eu acordei, a luz estava entrando levemente pela janela. O relógio do lado da cama gritava "8:10!" numa luz vermelha neon.
O cheiro de Thomas era gritante.
Me virei para encontrá-lo e me deparei com a cama vazia.
–Thomas?
Ele não estava em lugar nenhum. Meu coração afundou.
Ele foi embora?
Olhei ao redor do quarto e percebi que ele tinha mesmo ido. Não havia mais sinal dele em lugar nenhum, exceto a camiseta branca que eu ainda vestia. Procurei por algum sinal de que ele ainda voltaria; nada.
Voltei para o meu quarto, tirei a camiseta dele e coloquei o meu pijama, estava extremamente agoniada.
O que aconteceu para ele mudar de ideia assim?
Depois de jogar a camiseta dele dentro do meu guarda-roupa, percebi um bilhete discretamente apoiado no meu celular. Meu nome estava escrito na parte a mostra. Desdobrei-o e li:
Sophia,
me perdoe por sair assim, mas não posso ficar tão perto assim de você
Thomas
E era isso. Senti frustração tomar conta de mim.
Peguei meu celular e disquei o número da minha melhor amiga.
–Alice?
***
–Então... Tecnicamente somos maiores de idade?
Alice era minha amiga desde os 8 anos de idade, quando ela começou a estudar na minha escola. Desde então, ela era a pessoa que me conhecia melhor, e, em casos como esse, ela sabia bem o que fazer.
–Bem, eu sou né.
Ela tinha arranjado uma identidade falsa para mim; ela já tinha 18 anos. No momento estávamos nos arrumando para ir pra uma festa em uma boate que iria acontecer aquela noite.
–Então se algo acontecer, eu me ferro sozinha.
Ela sorriu.
–Basicamente.
Merda.
–É sério Alice, se algo me acontecer, você vai dar um jeito de me ajudar né?
–Claro, claro, mas não vai acontecer nada, relaxa. Se tem alguém que parece maior de 18 aqui, é você.
Realmente. Alice, em seus plenos 18 tinha rostinho de 15, com os cabelo em cachinhos, a pele escura e o corpo magrinho. Eu tinha curvas e altura... e provavelmente teria rugas uns 20 anos antes dela.
–Então, já decidiu o que vai vestir? Tem que ser algo que te faça esquecer desse tio de merda que você tem.
Eu ainda estava enrolada na toalha, enquanto ela já estava com um vestido amarelo claro lindo, que só reforçava a ideia de que ela era muito mais jovem que eu.
–Que tal esse? — Separei um vestido preto que ficava um pouco colado em mim, mas que serviria bem para o que eu queria.
–Perfeito! Vai logo, não quero chegar na hora de fechar.
Vestido colado e sapatilhas vermelhas. Nunca sabia bem o que fazer com meu cabelo, então só deixava ele solto mesmo, às vezes dava certo.
–Vamos?
Saímos e a mãe de Alice nos deixou na porta da boate.
–Meninas, se comportem. Se você não conseguir entrar, Sophia, só me ligue que eu venho buscar vocês.
–Ela né, mãe?
Empurrei Alice de leve.
–Nós, nós. Tá bom mãe, beijo.
Esperamos o carro desaparecer alguns metros na frente antes de andarmos para a porta da frente.
–Não se desespera, você passa fácil se não se entregar.
Eu nunca tinha feito aquilo, nem a Alice, mas sempre tem uma primeira vez pra tudo.
–Boa noite. Identidades?
Alice mostrou a dela primeiro e passou. Logo em seguida mostrei a minha.
–Pode entrar.
Esperei estar bem longe da porta para suspirar aliviada.
–Viu? Eu disse. Agora vai curtir.
É fácil pra você dizer.
Uma música eletrônica tocava em volumes absurdos e as luzes piscavam em vermelho, azul, verde, mudando a cada segundo. Tentei me afastar o máximo que podia dos caixas de som, e encontrei um barzinho perto da pista de dança, que estava relativamente cheio.
Sentei em uma das cadeiras.
–Oi, posso ajudar?
–Ahn... Tem alguma coisa pra iniciantes?
O bartender riu e eu percebi o quão fofo ele era.
–Acho que sei o que você vai gostar.
Enquanto ele fazia o drink, me virei e dei uma olhada na pista de dança. Love me like you do de Ellie Goulding tinha começado a tocar. Alguns casais dançavam juntos e outras pessoas (claramente bêbadas) estavam gritando a letra da música. Ri um pouco quando um cara tentou dançar e acabou tombando em uma poltrona.
–Aqui.
Um coquetel rosa tinha aparecido na minha frente do balcão.
–Obrigada.
–Prova pra ver se gostou.
Dei um gole e me surpreendi quando não senti gosto de álcool.
–Ué, sem álcool?
Ele abriu um sorriso.
–Você que pensa.
Virei novamente para olhar; a pista de dança tinha esvaziado um pouco, alguns casais estavam saindo e subindo uma escada, provavelmente para uma área mais reservada.
–Onde aquela escada vai dar?
–Ah, é só uma áreas pra os casais.
–Ah certo.
–Outra coisa. Não olha agora mas tem um cara te encarando desde que você chegou.
Ele olhou discretamente para um canto e eu terminei meu coquetel e pedi outro antes de olhar.
Um cara que parecia ter uns trinta anos ou mais me encarava fixamente de uma poltrona com um copo de whisky na mão. Era charmoso, tinha cabelos loiros claros e olhos verdes.
Bonito. Mas com certeza esse não é o melhor momento pra se meter com outro cara mais velho.
Terminei o segundo drink e pedi um terceiro. Ainda não conseguia sentir o gosto de álcool ou sentir algum efeito.
Decidi subir a escada e descobrir o que uma área pra casais significava. Dei uma olhada ao redor antes de ir: Alice dançava com uma garoto um pouco mais alto e provavelmente um pouco mais velho e o homem continuava sentado. Fui em frente.
A área de cima era completamente diferente da área de baixo. O volume da música era mais baixo e eram as conversas que enchiam o ar de barulho. A maioria das pessoas estavam em pares (e, em alguns casos, em grupos) sentados ao redor de mesas, ou em sofás. No fundo da sala, havia um bar assim como no andar de baixo. E então, seguindo a direita do bar, um corredor pequeno e escuro, com um segurança na frente, controlando as entradas.
Sentei junto ao bar de novo e pedi mais um drink do que fosse que eu estivesse bebendo. Quando o bartender voltou com o pedido, decidi matar a curiosidade.
–Aonde vai dar esse corredor?
Ele sorriu, como se não estivesse acreditando no que ouviu.
–Quartos.
Ele continuou me encarando, como se esperasse algum outro comentário. Senti meu rosto ficando vermelho e ele acabou gargalhando da minha situação. Decidi voltar para a parte de baixo.
Acabei esbarrando em alguém que vinha subindo quando eu tentava descer.
–Desculpa, eu não quis atrapalhar--
Quando olhei pra cima, percebi que era o homem loiro do andar de baixo.
Será que ele tá me seguindo?
–Sem problemas. A culpa foi minha.
Ele olhou rapidamente ao redor e se aproximou de mim, me deixando presa contra a parede.
–Que tal uma bebida como pedido de desculpas?
Respirei fundo antes de responder.
–Não, obrigada. Eu realmente quero ficar sozinha.
Desci a escada procurando Alice na multidão. Tentei ligar pra ela, mas ela não atendia.
Mas que droga, Alice!
O celular marcava 3:06 da manhã. Tentei novamente.
–Alô?
–Alice? Onde é que você tá?
Pude ouvir risos do outro lado do telefone.
–Na casa de um... amigo.
–E você me abandonou aqui?
–Liga pro seu tio maravilhoso, ele deve ir correndo te buscar.
–Você sabe muito bem que essa não é uma opção.
–Bem, eu tenho que ir. Tenho certeza que você dá um jeito. Beijos.
E desligou, rápido assim.
Merda, merda, merda. O que é que eu vou fazer agora?
Senti o choro começando a chegar e o desespero batendo, mas tentei me controlar.
–Tudo bem?
O homem de lá de cima estava ali embaixo de novo.
–Pode me deixar em paz, por favor? Eu só quero ir embora.
–O que houve? -Ele se apressou em segurar minhas mãos. Me senti tremendo.
–Eu fui abandonada duas vezes hoje. Eu não quero mais ficar aqui.
O lugar parecia cheio demais e com sons altos demais. Mas eu me sentia completamente sozinha.
–Não tá meio tarde pra ir pra casa?
Realmente, ele tinha razão. Se eu chegasse em casa a essa hora, meus pais iriam perguntar aonde eu estava e por que não estava dormindo na casa de Alice como tinha dito que iria fazer.
–Que tal assim: passamos na minha casa, você toma um banho, come algo, descansa, e quando der 7, eu te levo. Acha melhor?
Balancei a cabeça concordando. Ele me guiou para o lado de fora.
Se ele tentar algo, só chute ele no meio das pernas e ligue pra polícia.
Quando entrei no carro dele, um carro preto e grande, provavelmente uma BMW, ele olhou para mim, sorriu e se apresentou.
–Dimitri.
–Sophia.
Ele balançou a cabeça concordando e deu partida no carro.
***
Ele observou a garota que tinha pego no sono na cama dele. Usava uma camiseta um pouco antiga com tema de beisebol, o número 26 estampado em branco. Era a camiseta favorita dele quando adolescente.
Observou o relógio ao lado da cama. 3:51. Tinha prometido deixá-la em casa às 7. Ainda tinha bastante tempo.
Pegou a chave, saiu do apartamento e trancou a porta. Realmente não precisava trancar, mas sentiria como se a estivesse deixando vulnerável se não trancasse.
Andou até o fim do corredor e parou na porta da escada. Pegou o telefone no bolso da calça e discou um número conhecido.
–Alô?
–Thomas?
–Que merda, Dimitri, são 4 da manhã.
–Tecnicamente, ainda são três.
–Eu vou desligar.
–Não quer saber sobre a sua protegida?
Silêncio do outro lado da linha.
–Conseguiu encontrá-la?
–Mais fácil do que imagina.
–Então nossos anos de trabalho valeram a pena.
Dimitri riu.
–Como ela está?
–Bem. Está dormindo na minha cama nesse momento.
–O que você fez com ela?
–Nada. Ofereci carona e só.
–Como se eu acreditasse nisso.
–Não toquei um dedo nela. Quer dizer... ainda.
–Não se atreva.
–Não vou. Só se ela pedir. E no momento, ela está com o coração partido por causa do tio.
–Eu estou indo praí.
–Não precisa. Vou levar ela em casa logo mais.
–Estarei esperando.
Dimitri riu.
–Ah, e não deixe ela saber que nós nos conhecemos.
E desligou.
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