Isso não é coisa de garota

3 Não converse com estranhos - Parte II


No mesmo bar em que se encontrava Mia estava Louise, que acabara de chegar, sozinha e abandonada pelas amigas. Ela pediu dois dedos de wiskey, sem gelo, é claro.

Antes que o barman lhe servisse, um estranho se aproximou do bar, parando ao lado dela. Um estranho com cabelo castanho claro e bagunçado. Ele pediu ao barman doze shots de tequila.

— Louise Hochsheidt, a garota que finge não dar a mínima para as aulas. Tira A+ em todas as matérias e finge que está na média para que ninguém ache que ela é uma nerd — Disse o estranho, fazendo um relatório sobre a vida de Louise, sem nem olha-la, como se a conhece intimamente.

— Eu não sei do que você está falando — Ela retrucou — Nem sei quem é você.

— Sou Jordan Casey — Ele se virou para ela, estendendo a mão para se apresentar, mas Louise apenas olhou a mão com desdém e o garoto a recuou — Sento atrás de você em praticamente todas as aulas. Eu observo você, Louise Hochsheidt.

— Então é um stalker? — Ela perguntou, com uma das sobrancelhas arqueadas. Sem se surpreender nem um pouco.

— Disse que te observo. Não disse que te persigo ou que me interesso em saber da sua vida.

Louise ficou perplexa com a ousadia daquele garoto. Aquilo sim a surpreendeu. Ela era a garota mais popular da escola. A flyer principal das cheerleaders. Tinha quase um milhão de seguidores no Instagram. Todo mundo se interessava pela vida de Louise Hochsheidt.

— Se não tem interesse em mim, então por que me observa? — touché.

— Eu não disse que não tenho interesse em você.

Louise ficou confusa e animada. Verdade seja dita, o cara era um gato. Principalmente com aqueles olhos doces e aquele sorriso infantil. Além disso, ele era diferente dos outros garotos com quem ela já havia ficado. Ele era perspicaz e desafiador. Mas ele não fazia parte do círculo, sabe?! Aquele em que viviam a pessoas populares.

Se alguém visse ela ficando com ele, ou até mesmo conversando, sua reputação poderia ser terrivelmente afetada. Mas ela tinha que admitir: Ele era bem astuto e perspicaz. Quase tanto quanto ela.

— Você não faz o meu tipo!

— Eu sei. Estou muito fora da sua zona de conforto limitada.

— Você não está fora da minha zona de conforto. Está fora da minha zona de interesse.

— Está tentando convencer a mim ou a você mesma? — Ele deu um sorriso convencido, porém fofo.

— Você é muito convencido para um Zé ninguém.

— E você, que diz não ter interesse me mim, está perdendo muito tempo com um Zé ninguém.

Como um fenômeno que acontece a cada x anos, Louise ficou sem argumentos. Então apenas bufou, virou seu wiskey e saiu batendo os pés.

Depois de algum tempo, voltaram os garotos — Jordan, Noah, Simon e Justin — com doze shots de tequila, dois para cada um. Hanna não estava mais lá, então Madeline tomou as doses por ela. Daquele momento em diante, as coisas começaram a ficar um pouco... Hum... Divertidas.

Chloe e Madeline deixaram os garotos para trás e sairam pela multidão, fazendo novos amigos e bebendo com eles, dançando em cima da mesa e fazendo competições de virar tequila com estranhos.

Por fim, Madeline e Chloe já estavam exaustas, então procuraram um canto mais reservado e sentaram uma ao lado da outra com as mãos dadas. Com a outra mão, Chloe passou os seus dedos pela mão de Madeline, que apenas recebeu o carinho da nova amiga. Madeline encostou a cabeça no ombro de Chloe e retribuiu o carinho.

Após algumas caricias inocentes, Madeline levantou sua cabeça e olhou para Chloe, que retribuiu o olhar. Suas cabeças começaram a se aproximar. De forma hesitante e lenta aconteceu. Elas se beijaram e descobriram que sua sintonia não era apenas na pista de dança.

— Mas que porra é essa? – Justin chegou no exato momento de flagrar Madeline e Chloe.

Quando a chuva de papel passou, o homem misterioso que estava com Charlotte, de repente não estava mais lá. Charlotte o buscou na multidão, caminhou entre as pessoas e, enfim, avistou seu estranho sensual. Ele estava próximo a um corredor escuro.

Quando os seus olhos se cruzaram, Charlotte caminhou até ele. O estranho indicou um corredor com a cabeça e desapareceu nas trevas. O coração de Charlotte palpitou entre a excitação e o medo. Será que a frase “não converse com estranhos” também se aplica a “não siga estranhos para um lugar escuro”? Independente de seus instintos gritarem para que ela desse meia volta, Charlotte prosseguiu.

Em meio à escuridão, conseguiu avistar uma sombra. Ela caminhou em direção à ela e, antes que pudesse dizer algo, o estranho a atirou na parede e a beijou. Um beijo intenso e quente. Charlotte retribuiu o beijo do estranho, empurrando seu corpo contra o dele e, quando o beijo acabou, o homem misterioso partiu, sem nem dizer o nome.

Do lado fora da boate, Hanna seguiu seu próprio estranho que, volta e meia, olhava para trás e sorria maliciosamente. Seguir um estranho por uma rua escura, que ótima ideia Hanna. Ela pensou.

Ele parou próximo a um carro, apoiou suas costas nele e ficou observando Hanna se aproximar, com os braços cruzados fortes sobre o peito.

Ela chegou bem perto, a ponto de sentirem o hálito um do outro.

— E agora? — Ela sussurrou.

— Agora... — Ele a beijou intensamente, a girou pela cintura e a pressionou contra o carro. Os dois entraram em um tipo de transe no beijo um do outro. Poderiam ficar ali pela eternidade, se não fosse alguém atrapalhar.

— Ei, vocês estão no meu carro — Uma voz gritou, desfazendo todo o encanto e magia que envolvia Hanna e seu estranho.

— E daí? — Ele perguntou com um risinho debochado.

— E daí que eu quero que saia — O dono do carro parou próximo ao estranho de Hanna. Os dois se encararam numa disputa de olhares com os peitos estufados.

— E se eu não sair? — O estranho o desafiou, se aproximando ainda mais.

— Ah, quer saber? — Hanna levantou as mãos para o alto — Eu já tenho meus problemas, não preciso dessa merda — Então ela partiu deixando para trás, numa disputa de quem mija mais longe, o cara com quem teve provavelmente o melhor beijo. Esse pensamento fez com que ela tocasse suavemente seus próprios lábios, sorrindo.

Dentro da Secrets, em uma área mais intima da balada, com assentos e uma luz fraca, Justin aguardava uma explicação de sua namorada.

— Vem cá, amor — Disse Chloe. Justin se aproximou. Chloe levantou do assento e puxou Madeline, para que ela se levantasse também.

Uma garota beijou o namorado. Uma garota beijou outra garota. E, então, uma garota faz com que outra garota beijasse seu namorado, empurrando levemente suas cabeças, até seus lábios se tocarem.

Então, os três decidiram sair de onde estavam. Foram até a casa de Justin e finalizaram a noite. Os três dividindo a mesma cama. E não era dormindo.