Is real
3 Quem vai contar?
— Quem vai contar? – Alex diz, cruzando os braços.
— Contar o que? – ela faz o mesmo, lançando o olhar esperançoso pra Alex.
— Alex... O que você está fazendo...? – Cal pergunta, com um sorriso amarelo.
— Okay, a mamãe... — Alex começa, mas é interrompido por Allen.
— A mamãe deixou ordens explícitas para darmos liberdade a você, então você vai na festa. – Allen sorriu, lançando um olhar nervoso a Ethan, que revirou os olhos.
— Sério?
— Sim... – Louis diz, sem animação, e Lana sorri.
— E furou nosso shopping hoje? – Christopher pergunta.
— Não, — ela se vira pra Cal. – eu já posso ir embora?
— Ah, o médico disse que quando acordasse podia ir.
— Vou chamar a enfermeira. – Louis diz, e aperta um botão vermelho ao lado da cama dela.
— Vamos deixa-la. – Cal insiste, se levantando.
— Não morra. – Jaden pisca pra ela, e ela sorri. Logan beija sua mão, e Max a aperta, antes de deixarem-na sozinha.
— Muito boa ideia Alex. – Cal explode, já no estacionamento. – Vamos contar a ele tudo de uma vez, enquanto ela está numa cama de hospital.
— Ela vai ficar muito mais segura se souber o que somos, o que ela é. – Alex cruza os braços.
— Tenho que concordar com Alex. – Ethan murmura.
— Eu também. – Allen.
— Não sei vocês, mas meu poder estragou minha vida. Eu não posso chegar perto de fogo gente, fogo. – Logan reclama. – Acho que deviam dar um tempo como pessoa normal para ela.
— Eu acho que deviam contar. – Jaden.
— Eu congelei o braço dela quando ela tinha 4 anos, sem querer. – Couty. – Acho que não devemos contar.
— Congelou por que não sabia que ia ter poderes. – Alex. — Ninguém tinha contado a você.
— Eu fiz o ouvido do meu cachorro sangrar. E ele morreu. – Max diz, murmurando, como sempre. – Se eu soubesse que teria super poderes, nunca teria gritado com ele, e ele não teria morrido. E se fosse uma pessoa?
— Concordo com Logan. – Chris. — Eu sempre soube que teria poderes. E isso me influenciou a ir pro ciclo.
— Ela é uma boa pessoa, nunca entraria pro ciclo. – Cal cruzou os braços.
— Ei, nunca fomos maus. Por isso saímos, se não percebeu. – Logan cruza os braços também.
— Existe a chance dela ser humana. – Louis. — Não temos certeza, então não devemos estragar.
— Ela é sua gêmea, inteligente. – Alex retruca, revirando os olhos. – Você não é humano, por quê ela seria?
— Não vamos contar, não agora. Está decidido. – Cal aperta os punhos.
Alex bufa, e entra no carro.
— O que houve com ele? – a voz de Lana os pega de surpresa de novo.
Ninguém responde, e os outros cinco Stewersons entram no carro.
O carro era prata, tinha um lugar ao lado do motorista, três no banco detrás, e outros dois bancos colocados onde devia estar o porta malas. Essa era a “van” onde cabiam todos os seis.
Lana se sentou ao lado de Alex no banco do porta malas.
— Tudo bem? – ele assente, e Cal da partida no motor, enquanto os quatro entraram no carro de Logan.
— Eles estão escondendo algo de você, Lana. – ele disse, num tom quase inauditivel, que a fez se lembra de Max sussurrando.
— O que? – disse no mesmo som.
— Vão te contar quando Cal julgar ser a “hora certa”. Nunca diga que eu contei isso.
— E você não pode me contar?
Alex apenas vira pra frente, a deixando em seus desvandeios confusos.
(...)
— Vou com Christopher pro shopping comprar roupas. Posso pegar seu cartão? – ela gritou mais alto que o vídeo game que Cal e Louis jogavam.
— Uhum... – Cal resmunga.
— Ah, e eu vou colocar um piercing no nariz e estourar o limite do seu cartão.
— Uhum... – assente novamente, sem tirar os olhos da tela.
— E vou fazer uma tatuagem de caveira igual a que Couty fez, e não te contou.
— Uhum... ESPERA, O QUE?!
Uma buzina que ela conhecia bem, ecoou do lado de fora.
— Ah, to indo! – ela saiu correndo pela porta.
— COUTY!!!
— Eae. – Lana entrou no banco do carona, e deu um beijo na bochecha de Chris. – Pronta pra explodir o shopping?
— Prontíssima. Trouxe o dinamite? – ele sorriu.
— Se eu dissesse que sim seria estranho? – ela riu, e deram partida no carro.
O rádio tocava o Indie Rock que a banda de Chris tocava. A banda deles era famosa na cidade, e tinham praticamente um show por semana num salão de festas que sempre lota. Os dois desceram do carro, e Chris pegou para atender o telefone tocando.
— Alô? Logan? Shopping. Ah, que bom pra você. Espera, vocês estão no aviãozinho? – ele fez uma pausa. – Ah, okay... Tchau. – Ele fez uma careta pro telefone. – Eles estão no parque de diversões. No aviãozinho infantil. – Lana riu, o seguindo pro elevador.
— Certo, qual loja nós...?
— Acha que eu não pensei nisso? Vem. – ele a puxou pelo braço, e entrou numa loja com fileiras, e fileiras de roupa.
— Nossa.
— Pois é. – Chris logo entregou vários cabides pra garota, que os segurou sem muito ânimo. – Prova esses.
Os dois seguiram pros provadores, e Chris se sentou numa cadeira do lado de fora. Lana saiu vestida com um vestido azul e rodado, com saltos plataforma listrados com branco e azul marinho, acompanhados por um chapéu grande.
— Muito praia. – ele fez uma careta, e ela riu, voltando pra dentro.
E fizeram isso várias e várias vezes.
Ela saiu com shorts dourados metálicos curtos, uma blusa branca folgada praticamente transparente com um desenho de crucifixo preto e uma bota branca até o tornozelo.
— É esse! – Ele sorriu, e ela bateu as mãos animadamente.
Até que ele sentiu algo.
— Sim. Eles estão aqui.— ele olhou pro teto, de onde as vozes vinham. Era um homem falando ao telefone com outro homem, no andar de cima, bem em suas cabeças. Ele conseguiu ver em cores em contraste o cara careca com calças jeans e blusa preta. Tinha um chiclete colado em sua sola de sapato
— Se for o que tem super audição, ou o que tem visão raio-X juro que te mato. – ele já tinha ouvido essa voz, essas ameaças. Sabia quem era.
— Não. Me certifiquei disso.
— Nós não tivemos acesso aos poderes dela... O que? Okay. Tenho que desligar, Chynin. Não levante suspeitas. – ele desligou o Iphone 6, pronto pra colocar no bolso, quando o telefone escorregou de sua mão, e caiu no chão.
Lana pulou do lugar, derrubando o cabide que segurava.
— O que foi isso?? — ela o olha assustada.
— Isso o que? – ele franze o cenho, a olhando.
— Parecia um... Ah, eu não sei, acho que imaginei coisas. – ela se abaixou pra pegar o cabide, e o colocou na sacola para levar ao caixa.
— Okay, temos que ir, Lana. Tenho que fazer uma coisa pra minha mãe, temos que ir logo. – ele arranca a sacola das mãos dela com força, e sai andando rapidamente.
Eles esperaram na fila “pacientemente” até chegarem no caixa.
— Eu pago.
— O que? Não, não precisa, Cal...
— Eu pago, Lana, vamos logo... Pega aqui. – ele deu duas notas de cem para a mulher. – Pode ficar com o troco.
— S-São 50 dólares de troco... – a moça gaguejou.
— Tudo bem. – ele piscou, e saiu andando, puxando Lana.
— Ai, Chris, por que você está correndo?
Ele para, e olha pra parta de elevador a cima deles, e vê o homem grande espremido contra varias pessoas descendo até eles, por trás das paredes.
— Ah...Churros! Vem cá! – ele se esconde atrás de um quiosque de Churros. – Dois churros de Nutella.
— Você não gosta de Nutella. Chris, o que está acontecendo?
Ele a olhou, suspirando.
— Minha... Ex-Ex-Namorada está aqui, e foi tudo meio embaraçoso, eu não quero... Que ela me veja. – Ela o olha, e por um instante ele achou que ela descobriria que ele estava mentindo.
— Ah, por que não disse antes? Certo, vamos. Eu pago dessa vez. – ela colocou uma nota de dez no balcão, e pegou um dos churros, dando o outro pra ele. – Vem comigo. Eu sei fugir de pessoas indesejáveis no shopping. – ela agarroa sua mão, e os dois vão pra área dos banheiros, elevadores e bebedouros. Eles seguem pro final do corredor, e uma porta branca escrito “Apenas para funcionários” estava lá, no fim do corredor vazio.
— Que? Nós não somos funcionários, e eu não achei que você quebrasse regras...
— E eu não achei que você não gostasse de quebra-las. – ela abre a porta, e o deixa passar na frente. – Ninguém vem aqui, só quando vão fechar a porta dos fundos do estacionamento. Acho que suavam isso como saída de incêndio, antes de criarem outras mais acessíveis.
— Como sabe disso?!
— Não lembra que trabalhei naquela loja de bolsas chiques aqui?
— Isso não explica o porquê de você saber disso tudo.
— Pesquisando na biblioteca.
— Você parte de uma pequena porcentagem de nerds adoráveis, Laninha. — Ele sorri, entrelaçando seus braços.
O outro lado da porta era escuro, e as escadas de ferro pintadas de branco formavam uma aspiral quadrada, dando voltas do terceiro andar do shopping, até o subsolo de estacionamento.
Ela acende a lanterna do celular, e os dois seguiram por lá. Ele tentava não fazer barulho para não atrair o homem, mas ela não se importava de fugir de alguém que ela nem conhecia, batia os pés com força.
— Seja delicada, Lana! Quem foge pisando como um elefante? — ela revirou os olhos, lidando mais leve.
—Talvez eu comece a correr só pra te contrariar. — Lana sorri, parando por um instante. — Porque...
— Porque você é dessas, eu sei, vamos andando... — ele a puxa pelo braço, descendo ligeiramente.
Os dois saem em um beco ao lado do shopping, onde um carro preto estava lá, estranhamente estacionado num beco sem saída.
Lana vê o carro primeiro, e para, antes que pudesse perguntar a Chris o que aquele carro fazia ali, ele avança contra os dois, e Lana grita.
Christopher se joga contra ela, os fazendo cair bruscamente no chão, longe do carro.
A Ferrari preta some rua a fora, derrapando os pneus pretos como carvão.
— Você está bem? — ele perguntou, e Lana olhou para as mãos doloridas. Estavam todas raladas, cobertas por uma fina e suja camada de sangue.
— Estou... Quem era esse louca?
— Pode ser homem.
— Era mulher. — disse, se sentando.
— Como você...?
— Eu não sei, acho que vi. — ele a encara, descrente.
— Lana, você se sente bem? Não está com enjoo, ou algo do tipo?
— Se você quer perguntar se estou gravida, não. — ele riu.
— Esquece. Vamos pra casa. — Ele a ajudou a levantar, e foram se escondendo nas sombras, — idéia de Chris, para os manter escondidos da "mulher louca que Lana não viu".
— Couty vai me matar. — Ele concluiu, ao parar em frente a casa dela.
— Vai sim. — Ela sorri, abrindo a porta do carro com cuidado para não suja-la de sangue.
— Me tranquilizou.
— Você não precisa entrar.
— Ah, quero ver se eles protegem você direito.
— Até de mais.
Ele abre a porta, e ela entra primeiro, vendo a casa vazia.
— Cal? Couty, cheguei! — Lana passa os olhos pela sala vazia. Sexta a tarde eles costumavam todos assistirem os programas que Allen chamava de "filmes de terror fundidos com novelas mexicanas de 1990". Mas todos eles gostavam.
— Hey, sou só eu e Cal. — Alex aparece, descendo as escadas. — O que aconteceu com suas mãos?! — Ele se aproxima, segurando seus pulsos. — Me de uma razão para eu não te socar em cinco segundos. — ele se direciona a Chris.
— A mulher louca que Lana não viu nos atropelou. — ele cruzou os braços, fazendo os cabelos caírem nos ombros.
— Bom motivo. — Lana concordou, pronta para segurar Alex.
— Que? — ele diz, com uma cara confusa e provavelmente sem vontade de socar o garoto.
— Uma mulher numa ferrari preta num beco tentou nos atropelar. Vi que era mulher.
— Wow, não existem muitas mulheres atropeladoras em becos aqui, né? Vocês estão drogados, ou algo assim?
— Não, é sério. Minhas mãos estão ardendo. — ela se senta no sofá.
— Vou buscar curativos e chamar Cal. — ele ia subir as escadas, mas Chris o agarra pelo braço. — Ei, o que você ainda está fazendo aqui?
— É código Y. — Os olhos de Alex perderam a cor.
— Eu estava gostando daqui... — ele esfrega os olhos. — Fale com Cal, não comigo. Não entendo sobre sociologia de Yunixianos.
— Alex...
— Comigo não. — ele afasta o braço de Chris num tapa.
— ALEX, — Ele começa, fazendo Lana os olharem. Chris se acalmou, e continuou num tom mais baixo. — eles estavam atrás da Lana.
Alex fica sério.
— Liga pra eles. Todos eles. Tá na hora de contar. — ele sobe escada a cima, para pegar a caixa de curativos.
— Tudo bem? — Ela franze o cenho.
— Claro. — ele concorda com a cabeça. — Ah, não toca no sofá, vai manchar.
— Eai, — Allen escancara a porta. — meus irmãos afeminados... — Ele para, ao ver Chris parado ali. — E... Christian.
— É Christopher. — Chris ajeita os óculos escuros no cabelo, incomodado, enquanto Lana ri.
— Tanto faz, Christian. — Ele dá um tapinha no ombro dele, antes de partir em direção a cozinha. — Espera, isso é sangue nas tuas mãos? — Allen diz, colocando a cabeça na porta.
— Quase fomos atropelados. — ela dá de ombros.
— Eu me enganei. — Alex aparece, batendo os pés silênciosamente na escada. — Cal saiu, foi comprar uma peça pro vidro game. Louis deixou cair.
— E-E... Onde estão os outros? — Chris pergunta, mexendo as mãos.
— Ei, meus irmãos não vão bater em você. Não precisa ficar com medo desses ridículos. — Lana diz, enquanto Alex abriu a caixa de primeiros socorros e limpou o sangue de sua mão com desinfetante. Allen ri, com a possibilidade de Chris estar com medo.
— Eu só tenho medo das minhas ex namoradas, querida. — Lana ri.
— Ethan tá na faculdade, Couty e Louis no clube de astronomia, e eu estava... Hm, em lugar nenhum...
— Ai! — Lana tira as mãos das de Alex. — Que tipo de legista não sabe cuidar de ferimentos?
— Você sabe o que um legista faz? Corta pessoas mortas, não fazemos curativos. — Alex espirra remédio nos cortes finos e superficiais. — Pronto, madame.
O telefone dele toca.
— Alô? Como assim...? Certo, estou indo. Preciso ir pro laboratório. Um palhaço foi esfaqueado 34 vezes numa guerra de bilheterias de circos. — ele guardou o celular no bolso, se levantando.
— Uau. — Chris saiu da frente da porta. — E o código Y? — Ele sussurra a Alex.
— Cal foi comprar peças na esquina. Deve voltar em alguns segundos. Não temos um incidente em 9 anos, Cal pode resolver. — ele abre a porta e sai.
Christopher se sentoa no sofá ao lado de Lana.
— Posso ficar aqui? — Chris.
— Claro. Temos que terminar "Como eu era antes de você" — Ela sorriu.
— Ai senhor... Tenho que fazer uma ligação, já volto. — ele se levanta, e sai pela porta.
Lana o observa da janelinha da porta. Ele digita os números com os dedos tremendo, e impaciente, esperou a pessoa atender. O que não aconteceu. Ele quase joga o telefone no chão.
Ela sabia que toda essa irritação tinha a ver com a mulher da Ferrari, e o segredo que Alex disse que os irmãos escondiam. Ela odiava segredos.
Louis não tinha atendido. Rapidamente, ele digitou o número de Logan.
— Chris, estamos saindo do clube. O que foi?
— Fui com Lana no shopping, e uma mulher numa ferrari preta tentou nos atropelar. Antes disso, pude ver a conversa de um homem que foi enviado para nos matar, com alguém com voz grossa, que me lembrou de Zod. — ele faz uma pausa, apenas ouvindo a respiração de Logan.
— O que foi?— ele ouve a voz abafada de Couty mais atrás.
— E sabe o que isso significa?
— Código Y... — Logan conclui.
— O que?— Louis exclama num tom que poderiam ouvir à quilômetros.
— Isso mesmo. E Alex me ignorou, foi fazer a autópsia de um palhaço esfaqueado 34 vezes! — ele bateu contra a coxa, irritado.
— O-Onde está Cal? Ele não é, bem, nosso líder?
— Ele saiu. E o pior, é que Lana demonstrou super audição, hoje.
— ELA O QUE?— Couty e Louis berram juntos.
— Venham pra cá agora. Temos que acabar com isso. — Ele desliga, antes de esfregar os cabelos longos.
Chris suspira. Isso tinha que ser tão complicado? Se não tivesse uma raça alternativa do próprio planeta extinto querendo aniquilar toda a sua espécie, a vida deles teria sido diferente?
— Ei, tudo bem? — Allen.
— Código Y.
— Wow! Calma ae! Que treta é essa? — Ele rende as mãos, fechando os olhos. — Essa truta não é comigo...
— Isso é cerveja? — Antes que Allen possa assentir, Chris agarra a garrafa de suas mãos, e coloca nos lábios.
— É cerveja.
— Ei, está quase na hora da festa. — Lana sai da casa, sorrindo. — Vou me arrumar.
— Certo. — ele sorri, e Lana sai correndo escada a cima.
— "Certo. O garoto diz, com um sorriso gentil e galanteador". — Allen zomba, gargalhando. — Você gosta dela, né?
— Ah, talvez... Você sabe que só nos apaixonamos de verdade uma vez. Então... — ele dá de ombros.
— Somos 50% demônios. Pode não ser assim. — Allen diz, antes de ver o carro no fim da rua. — Eles chegaram.
Os dois desceram da varanda para recepcionar os carros onde garotos histéricos e o Max estavam.
— Onde ela está? — Couty diz, entrando rápido pela porta.
— Lá em cima. — Allen.
— Vou ver como ela está, liguem pra Cal. — Ele diz, entrando na casa. Ele voa o mais rápido possível pela escada, e bate algumas vezes em sua porta.
Ele observa as fotos antigas de todos os irmãos Stewersons. Eles tiravam uma foto por ano, desde que Lana e Louis nasceram, e colavam naquela porta. Cal era uma criança.
Ele sorri com a lembrança.
— Ei. — ela sorri, o tirando de seus pensamentos.
— Você está bem? Disseram que você foi atropelada. — Ele entra, a observando dos pés à cabeça. Assim que ele vê os cortes em suas mãos, um gemido escapa, antes de gagarra-las.
— Eu estou bem, Cout.
— Sim, sim, tá sim. — Couty beija o topo de sua cabeça. — Esse short é curtíssimo.
— Não é nada.
—Tem razão, não é, mas é nosso trabalho implicar. Você está linda.
— Obrigada. — ela sorri.
— Por que está vestida assim?
— A festa do James.
— Aaah... Você vai...
Ela desmancha o sorriso.
— Eu não quis dizer isso... Am, é só... Por que não deixa pra outra vez?
— SAI DAQUI COUTY. — Ela joga uma flor de pelúcia roxa no irmão, que o agarra num reflexo perfeito.
— Lan...
— SEM LAN, XISPA! — Ela ameaça jogar um patinho amarelo mas ele sai do quarto suspirando.
— Como vamos falar pra ela que ela não vai? — a primeira coisa que ele fala, vendo quase todos na sala, incluindo Cal, com um semblante sério. Alex ainda não tinha voltado do laboratório.
Todos olham pra ele.
— Concordo com Chris. É código Y. Eles estão sendo cuidadosos dessa vez.
— Nós vamos contar pra ela? — Ethan levanta os ombros, ansioso.
— Assim que descobrirmos o que fazer. — Cal se levanta, indo até a escada.
Ele bate duas vezes na porta de Lana, suspirando.
— Oi, Cal. — ela sorri, antes de espalhar o batom na boca.
— Oi. — ela sai da porta para deixa-lo entrar, e ele se senta na cama. — Lana, tem pessoas muito perigosas lá fora hoje. Não é um dia bom pra sair, e todos concordamos, até Allen. Ninguém vai a festa, nem Logan, nem Jaden, nem Christopher, nem Max...
Seus olhos perderam a vida, e ela passa o peso do corpo pra outra perna, antes de fazer o típico olhar-decepcionado-Lana.
— Lana... Nós escondemos uma coisa de você, e...
— Não quero saber. Sai. — ela cruzou os braços, antes de xingar algo em francês, e pegar o demaquilante pra tirar a maquiagem.
Cal suspira, e sai pela porta. Assim que ouve o som dela se fechando, ela larga o demaquilante e agarra o telefone, digitando uma mensagem pra a única garota na escola que não odeia ela:
"Você já foi pra festa do James? Lana."
Alguns segundos depois, ela recebe uma mensagem. Lana sempre se impressionava com a rapidez daquelas pessoas responderem.
"N vo. Foi malls. Catherine $_$"
"Lembra que não contei aos seus pais que você bebe escondido nas festas? Então. Está me devendo uma. Me pega em frente o ponto de ônibus da escola $_$"
"Af. Chego em 5 minutos."
Ela sorri, vitoriosa, e coloca o celular na bolsa.
O quintal estava parcialmente escuro, com exceção de uma lâmpada em cima de sua janela.
Ela já tinha pulado a janela e descido pela árvore para encontrar com seu primeiro namoradinho de infância.
O que foi há... Hum... 8 anos?
Sim, tinha 8 anos que ela não pulava uma janela, ou descia por uma árvore.
Mas ela era uma atleta, daria um jeito.
Lana se sentou na janela, e colocou os pés nos galhos grossos e firmes da planta, e foi descendo se apoiando nos outros.
Por um instante ela quase caí, mas ela se segura firme.
Lana cai de pé na grama, sem ninguém perceber. Novamente, ela sorri. Com passos bem lentos e silenciosos sobre o caminho de cimento, ela vai andando. Ela sabe que Louis tem uma ótima audição.
Cal termina de descer as escadas, e encontra todos num silêncio horrível.
— Ela reagiu mal? — Jaden sorri.
— Ela me deu o olhar-decepcionado-Lana. — ele esfregou os olhos. — Eu realmente queria que ela tivesse uma vida normal.
— Todos nós queríamos que tivéssemos uma vida normal. — Max murmura, baixinho como sempre.
— Não podemos ter isso. — Louis começa, cruzando as pernas. — Isso não é possível, não pra nós. Temos que nos proteger, só isso.
— Então temos que ir pro Canadá. — Cal deu de ombros. — Pra base dos laboratórios P.A.A.N.
— Eles não sabem da existência dela? — Couty pergunta, em dúvida.
— Tenho. Kylan e Kyle cuidam daquele lugar como se dependesse da vida deles.
— Juro que se ele tocar no meu cabelo, eu arranco o dedo dele. — Chris cruza os braços.
— Espera... Diz que a CJ morreu de câncer, ou foi baleada até a morte... — Allen esfregou os olhos.
— Gente, isso é sério. — Cal revirou os olhos.
— Sabemos. E aquela garota tem uns problema. — Couty sorri com a irritação de Cal.
— Qual é! Gente, nós podemos estar em perigo, e vocês ficam fazendo essas brincadeiras! Lana pode estar em perigo em um mundo que ela não faz idéia que existe...
— Espera. — Louis se levantou. — Eu ouvi algo...
Ele é interrompido por um grito estridente que todos sabiam de onde vinha.
— Lana... — Cal resmunga sem fôlego, e antes que possa reagir Louis já está no topo da escada
— Lana!? — Ele tentou abrir a porta que estava trancada. — LANA!
Ele socou a porta com toda sua força, a fazendo voar longe.
Louis foi o primeiro a ver Lana deitada no chão ao redor de uma poça de sangue.
— Ai meu Deus, Lana... — Ele passa a mão em sua bochecha, enquanto o desespero batia em todos ali.
— Louis.... — ela resmunga, com dificuldade pra respirar.
— Liguem pro Alex, AGORA! — Cal berra, segurando a mão dela. — Vai ficar tudo bem...
— Não vai... E-Eu... Vou morrer — ela diz, soltando todo o ar que segurava.
— Não vai. — ele negou, com lágrimas nos olhos.
— Se concentra na minha voz. — Ethan pede, colocando uma lanterna em seu olho. Ele muda de cor levemente para um castanho escuro.
— Eu...
— Não diga nada. — Jaden pede, olhando pra Ethan.
Ethan assente, duas vezes, numa delas olhando pra Couty.
Couty pega uma arma enfiada na calça, e atira na cabeça de Lana.
Todos pulam com o susto.
— COUTY! — Allen berra, com lágrimas nos olhos.
— Ai meu Deus — Christopher cai contra a cama, tapando a boca, completamente estupefato.
— VOCÊ FICOU MALUCO?! — Cal dispara, olhando fixamente pros olhos imóveis dela. Max estava estático, encarando Couty.
— Olhem. — Ethan diz, apontando pra ela.
A pele do braço de Lana foi ganhando uma coloração negra, assim como o rosto que foi ficando marrom escuro a medida que seus olhos mudavam de cor loucamente.
— Reconheço um transmorfo de longe.
— Então você tinha certeza? ABSOLUTA? — Couty pergunta, arregalando os olhos.
— Noventa por cento...
Max levanta bruscamente, e dá um soco em Ethan, que cai sentado, desorientado.
E todos encaravam Max com um "QUE" na cara.
— Isso é pelos dez por cento.
— Mereci.
— Sim, mereceu. — Chris concorda, ainda encarando o corpo da mulher negra com cabelos cacheados rosas.
— Parem. — Louis pediu, encarando a janela.
Os 9 pararam de falar instantaneamente.
Louis se virou pra eles devagar. Seu rosto estava vermelho e por mais que ele tentava segurar as lágrimas, algumas rolaram depressa.
— Onde está Lana? — ele fungou, mordendo o lábio.
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