Notas iniciais
Jace é você? rsrsrs

Se passam alguns minutos antes que eu diga alguma coisa, meu corpo todo está paralisado e me sinto momentaneamente sem ar. De repente eu me encontro diante de um magnético par de olhos amendoados e os mais belos fios loiros que já tive o prazer de ver. Eu nunca o vi antes, mas me sinto perturbadoramente atraída para ele. – Isso me intimida um pouco, confesso.

O garoto me fita em silencio, como um predador calculando sua presa. Meu peito contrai. Seus olhos se apertão nos cantos antes dele desvia-los para as malas aos meus pés. Ele não diz uma única palavra, fica apenas ali de pé, parado. Seu semblante dividido entre aborrecimento e tédio. Eu coço a garganta e ele deixa a cabeça pender um pouco para o lado, quase como o movimento que os cachorros costumam fazer. Talvez ele esteja esperando que eu me apresente, de fato, deve ser isso, afinal eu que sou a "intrusa". – Grande anfitrião. Eu pigarreio e me sinto nervosa, minhas mãos começam a suar, as limpo na calça. – Eu não entendo o porquê de toda essa reação. Ele é bonito, mas outros garotos também eram e.... e eu não conhecia muitos deles. Mas esse garoto... não era nenhum pouco como os outros. Desvio meus olhos inconscientemente para o resto do seu corpo, cada membro parece ter sido esculpido em aço, charme e beleza. Após um longo silencio torturante, eu percebo que ainda estou parada meio boquiaberta. – Ótimo, que espécie de pessoa ele acha que sou? É a primeira vez que nos encontramos e não estou me saindo bem neste quesito. – Ah.... qual é Alisha, controle-se.
Eu seguro a alça da minha bolsa com força e dou um sorriso nervoso.
— Eu sou Alisha, a garota que... – eu paro de falar ao perceber que ele está rindo de MIM! Engulo em seco e limpo a garganta antes de prosseguir num tom mais alto que o desejado. – Eu havia informado que viria esta noite... eu sou a nova baba...
— Certo, certo, não precisa me passar sua ficha completa, não sou seu chefe. – Ele se pronuncia pela primeira vez. Eu fico estupefata.
— Bem... mas... é que... – E agora parece que engoli um dicionário monossilábico. Sinto meu rosto esquentar e me calo ao mesmo tempo. O estranho desconhecido age com indiferença e cruza os braços sobre o peito, encostando-se na parede. Ele definitivamente não tem pretensão alguma de me ajudar e está claro também que ele não dá a mínima ao que tenho a dizer. O silencio acentua o meu embaraço e seus belos olhos dourados não param de me observar. Eu me sinto desconfortável, não entendo qual a necessidade deste espetáculo. É só me levar para dentro e me deixar a cargo dos donos da casa. Mas é como se ele não estivesse me ouvindo ou enxergando. — É como se eu fosse inexistente. Não sou o tipo de garota que morre por poucos minutos de atenção, ou o tipo que as pessoas costumam notar de longe, mas nunca tinha sido tratada desse jeito, sem nenhuma consideração, nem ao menos me convidou para entrar. E todo esse.... Nervosismo inoportuno que me impede de agir. – é muito estranho. Tento novamente, desta vez com mais segurança.
— Eu fui contratada pelo Sr. Bartholy... para cuidar da pequena Lorie.
Ele continua em silencio, que loucura! O garoto se aproxima e pega uma das minhas malas. Observo em dúvida. Ele deita a bagagem no chão e começa a abrir o zíper. Eu me movo na velocidade da luz e ponho as mãos em cima da sua. O toque da sua pele é frio de encontro a minha.
— Ei! Você não pode mexer nas minhas coisas. – Ele ergue seus braços a cima da cabeça e se afasta.
— Como vou saber que é quem diz ser? – Quê?
— Se me deixasse entrar, então talvez resolvêssemos essa questão.
— E como eu posso ter certeza que você não representa perigo? – Eu não credito no que estou ouvindo.
— .... Primeiro, você não tem. E segundo, olha para mim! Acha realmente que posso representar perigo pra VOCÊ? – No momento em que as palavras saem da minha boca eu me arrependo. Os olhos dele passeiam por todo meu corpo, que formiga em antecipação. Sua boca se curva em um meio sorriso.
— É, de fato. Você pode representar muitas coisas, mas perigo não é uma delas. – Estou chocada. Isso já está passando dos limites, eu não devo e não posso ser tratada desse jeito. Troco o peso de um pé para o outro. A impressão que tenho é que quanto mais desconfortável eu estou, melhor ele se sente, como se quisesse me ganhar pelo cansaço. Será que já tinham arrumado outra pessoa e ele não sabe como me dizer isso? – Se for verdade, eu estarei perdida.

— Olha, você fica ai me enrolando mas nunca chega ao ponto. Há algum problema com o trabalho? Vocês ainda precisam de uma babá? Ou talvez...
Sem me deixar terminar de falar, ele abre a porta abruptamente e me dá as costas, sumindo casa a dentro. – Qual o problema com as pessoas desta cidade? E agora o que devo fazer? Entrar ou não.... – que droga. – Bem, ao menos não fechou a porta na minha cara então acho que isso é um convite velado. Deixe-me ver.... na pior das hipóteses qual o risco? Ficar desapontada ou constrangida? – Nada fatal, espero.

Respiro fundo e entro antes que eu perca a coragem.

Notas finais
Nada de fatal, espero!!