Is it Love - Irmãos Bartholy - Drogo
6 O oposto ideal.
Notas iniciais
O hall de entrada é maior do que tinha esperado. Uma escada forrada com tapete de veludo bordô e um corrimão de carvalho, dispostos a minha frente, se dividem para lados opostos ao chegar em seu topo. A cor escolhida contrasta com o piso de mármore branco.
Estou impressionada, mesmo já tendo visto a estrutura externa da propriedade. Não esperava por isso. – Tudo muito refinado. Sem dúvida se trata de uma família de posses. É só uma pena que um frio quase que insuportável tome conta de todo ambiente. Esfrego minhas mãos nos braços para me aquecer e me recomponho antes que alguém me pegue observando embasbacada a tudo isso, não quero que o resto da família tenha a mesma impressão de mim que o garoto da porta. Não sou nenhuma caipira mal-educada que acabou de chegar de lugar nenhum. E falando no diabo... de repente eu me deparo com os olhos do estranho homem novamente, que me observa com uma perturbadora insistência, os arrepios na minha espinha e meu olhar preocupado não me ajudam. Ele não é mudo, definitivamente não. Minha garganta aperta e afrouxo a gola alta da camisa, mas ainda me sinto sufocada então eu desabotoo e abaixo a gola expondo ao ar gelado a pele do meu pescoço. Seus olhos brilham de um jeito estranho, eu não sei bem o que pensar. Seria... desejo, ou pior... raiva. Empurro esse pensamento para longe, estou começando a ficar realmente aflita. Meus instintos me dizem para ficar alerta. Olho involuntariamente para trás de mim, medindo a distância da porta, caso eu precise correr para longe.
— Olha, eu não tenho a noite toda... eu realmente preciso encontrar o Sr. Bartholy para falar sobre a vaga de... Eu realmente gostaria de... – O garoto me dá as costas mais uma vez e sai do meu campo de visão. Há distancia, eu o ouço falando com alguém.
— Nicolae, a Coitadinha para Lorie AINDA está aqui. – Coitadinha?! Eu devo ter ouvido errado. Não é possível que ele tenha me chamado de coitadinha. Sua família até pode ser rica, mas isso não é justificativa para tratar as pessoas com descaso. – Imbecil. Eu só irei esperar por mais um minuto, se não tiver resposta, de qualquer natureza, eu vou embora. Talvez a oferta de Sarah ainda esteja de pé, e eu posso sempre conseguir algum emprego de garçonete em um café ou bar. Esse garoto estava ganhando de lavada de Rob no quesito primeira impressão. Subitamente um outro garoto vem em minha direção. O exato oposto do anterior. Mas algo em seu semblante e no jeito de se mover se parece com o meu terrível anfitrião. Seu rosto é mais suave, embora tenha um ar sombrio provocado pelos longos cabelos escuros e os olhos avelã. No entanto, por mais que este pareça ser mais confiável, ainda não me sinto segura, pois não sei como ele poderá se comportar. – Será que esse é o senhor Bartholy? Não, não deve ser, novo demais, deve estar na casa dos 20 anos. Ele se inclina para frente, movendo sua mão com graça em um movimento que me parece ter saído do século passado. – Ah, ótimo! Outro excêntrico.
— Boa noite. Perdoe-me, minha cara.... Eu deveria ter lhe recebido, mas quando estou com a Lorie, perco a noção do tempo. – Sua voz tem um tom grave quase roco, um roçar suave de sons. E até mesmo sua forma de falar me soa esquisita, talvez ele não seja daqui — ou desse tempo. Humpf. O que há de errado com essa casa e seus moradores?! É como estar em um lugar fora da realidade. Uma outra dimensão de pessoas belas e arrepiantes, em todo sentido da palavra. Tento quebrar o gelo e sorrio, me exige um esforço sobre-humano, mas eu tenho bons modos e não posso culpa-lo pela ação de outra pessoa, ele eleva um dos cantos da boca, mas o sorriso não lhe chega aos olhos.
— Eu sou Nicolae, o filho mais velho dos Bartholy. – Nicolae oferece a sua mão e eu aceito, ele segura minha mão por mais tempo que o necessário e isso me incomoda um pouco, mas será que se eu puxar a mão posso parecer grossa? Suas mãos estão revestidas com luvas. – é... de fato ele não é o senhor Bartholy.
— É um prazer conhece-lo, eu sou Alisha, a nova baba.... — Se ainda houver vaga. – Também conhecida como coitadinha. – Nicolae me olha impassível, eu não sei por que falei aquilo. Não era a minha intenção. Mas ele não parece ter se importado.
— Eu peço desculpas pela falta de educação do Drogo. Não ligue para ele.
— Drogo?
— O meu irmão mais novo, que você teve o prazer de conhecer. – Eu quase ri daquilo. Nicolae está sendo condescendente, e eu poderia dar continuidade esta conversa nos mesmo termos, mas Drogo tinha extraído toda minha energia me deixando sem cabeça para fazer piada. Dou de ombros. – tão parecidos e ao mesmo tempo tão diferentes.
— Sem problemas, sua família tem uma linda casa. – Tento desviar de assunto. Ninguém começa um emprego de babá, se queixando do filho dos patrões. Não é de bom tom.
— Sim, eu reconheço que sim, é que estou aqui a tanto tempo que já não noto mais os detalhes e suas belezas. Claro que será sua casa também depois de algumas semanas conosco.
— Então.... A vaga ainda está disponível?
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