Is beginning or not
14 Holding me close until our eyes meet
Notas iniciais
Sugestão musical para a leitura: The hills
POV. Atena
Ainda estava naquele quarto pouco iluminado, por conta das cortinas não permitiam a luz do dia. As roupas largadas, a bebida da noite passada, tudo ainda restava ali. No entanto, meu pensamento conectava-se com outro ambiente e mesmo que os olhos abertos, observando cada detalhe de seu corpo, Tom não era quem esperava.
— Não pretende dormir? — fala subitamente, ainda com sinais de sono
— Por que eu iria dormir com você assim. Surge cada pensamento... — passo um dos dedos pela suas costas, o fazendo arrepiar.
— Então vem. Faz o que quiser. — vira-se esperando um reação partindo de mim, mas só continuo olhando. Até que sou puxada e acabo em cima dele, que deposita um beijo fervoroso nos meus lábios. Encharca a mão nos fios do meu cabelo, clamando pela proximidade, que já existia. Eu o queria. Ele também. Era ideal. Sua boca tão macia e gostosa despejava carícias, do rosto ao pescoço, as quais tentava retribuir beijando e mordiscando seu ombro.
— Ahh não. Espera. Preciso atender isso. — fala assim que o telefone toca.
— Oi. Sim.Sim. Em 30 minutos chego aí. — responde, vago.
— Kiki? — pergunto, já recolhendo as roupas.
— Vou tomar uma ducha rápida — segue para o banheiro enquanto permaneço no quarto, arrumando minhas coisas.
Depois de cinco minutos volta para o cômodo só com a toalha.
— Desculpa sair assim, mas a gente continua isso depois, certo? — pergunta, colocando o tênis e calça.
— O que tu acha? — pego minha bolsa e vou em direção a porta. No entanto, sou interrompida quando segura meu braço e se despede com um selinho.
Nos largamos e responde — Acho que da próxima vez, acabo em coma. — sorrimos e saio.
Pego o elevador em direção ao estacionamento interno, o qual sabia que seu carro estava. Assim que o encontro, pego o dispositivo de GPS na minha bolsa e coloco em baixo, próximo a um pneu do automóvel.
Aquela relação não é o que parece. Nunca foi romance. Porém, tesão. Não é interesse. Mas, busca de informações.
Depois dessa “missão”, pego um táxi na frente do hotel para chegar no meu verdadeiro destino.
No fundo, isso já era planejado desde o dia que encontrei Kiki. Ela sabe muito e quem ganha são aqueles que mais possuem informações. Nesse caso, não podia perder. Pouco tempo atrás, quando precisei falar ao Romero do ressurgimento de sua ex-mulher, pedi para manter do jeito que estava, sem alarde.
Foi difícil controlá-lo, porém com todos os problemas que está passando com a desconfiança do Dante e a briga com o enfeite de esgoto, Tóia, esse era o menor de seus problemas.
Ele ainda não me deu detalhes sobre como saiu vivo do encontro com a facção, mas tenho uma desconfiança de que descobriu a identidade do Pai. Agora, cada um tem seus segredos.
Só espero que guardá-los não traga fortes consequências.
Chego ao prédio e vou direto para o retiro do Che Guevara só que não há ninguém. Provavelmente, foi para a fundação ou algo com a facção.
— Ascânio? Véio? — chego na cobertura também, vazia.
Parece que todos foram embora.
— Ahh tô morta. — deito na cama, tirando o salto e quase, a roupa. Entretanto, puxo uma camisa de Romero, que estava na cama e ponho.
— Pensei que não ia chegar nunca. — escuto e abro os olhos lentamente, sabendo de quem se tratava.
Apoio a cabeça na sob um travesseiro — Me esperou toda a noite? — questiono entusiasmada.
— Não. Voltei de uma reunião agora e resolvi passar aqui. Tava no banheiro, mas você nem ouviu. Parece que a noite foi boa... — indaga cabisbaixo, sentando no canto da cama.
— Maravilhosa. Só que esse não é o motivo de tu tá aqui. O que quer?
— Só vim te ver. — volta a me encarar
— Aposto que não é isso. Cadê o Ascânio?
— Não me diga que tu se importa com o lixão ambulante.
— Ele é mais companheiro do que alguns. — solto uma indireta que parece atingi-lo em cheio.
— Dei uma grana pra ficarmos sozinhos. — começa a engatinhar ao meu encontro.
— Tá pensando em safadeza, é RR? — beija meus pés
— Tem como não pensar com você só nessa camisa? — continua subindo, acariciando minhas pernas.
— O que tu tá querendo? A facção ameaçou tua cabeça de novo, foi? Ou melhor, a polícia tá atrás, também? — sorrio e coloca a mão por debaixo do meu corpo, ainda sem falar nada, mas já de frente, encarando.
— Fica quieta, Atena! Você fala demais — impulsiona meu torso e agarra a mão livre no meu cabelo, me calando com um beijo.
Não tem pressa. Só urgência. O maluco ladrão que roubou meu coração parecia disposto a esquecer tudo, exceto meus lábios.
Não é dança. Está mais para luta. A batalha pelo território no corpo do outro.
Para por alguns segundos e deposita carinhos no rosto terno que não podia deixar de analisar o motivo daquela súbita ânsia por mim.
Sou gostosa. Sou linda. Sou deusa. No entanto, alguns meses atrás essa não era a recepção que receberia. Estava mais para tapas, empurrões e palavras duras.
Ainda não me acostumei com gestos assim.
— Romero... — sussurro e abre espaço para a fala.
— Atena... — responde, sem entender que eu queria uma intervenção.
— Não, Romero... Espera. — gentilmente, empurro seu corpo para o lado, o fazendo cair na cama, próximo a mim.
— Porque? Não era isso que você sempre quis? — protesta — Ficou a noite toda assim e agora não quer mais?
— Do que tu tá falando? — viro para o seu lado, apoiando meu cotovelo na cama e o braço flexionado na cabeça.
— Sei dos encontros com o tal do Tom — fala sem jeito, possivelmente envergonhado.
— E qual o problema? Não me diz que é ataque de ciúmes... — reviro os olhos
— Não tô com a Tóia...Pensei que você ia ficar cuidando de mim. — vira-se e tira os fios de cabelo que caiam no meu rosto.
— Não sou tua babá ou mãe. Cansei de cuidar de alguém que só me deu patada. Tu me humilhou muito — retiro sua mão e chateado, volta-se a sentar na ponta do colchão
— Falou certo. Eu te DEI, mas hoje tô aqui.
Também sento-me e abraço-o por trás — Está me cobrando o quê, então? Já que passou uma borracha em tudo.
— Não fica com mais ninguém. Te quero só pra mim. — suplica, pegando minhas mãos e as beijando.
— Romero... Não posso fazer isso... — tento explicar, porém sou cortada.
— Então o que ainda faz aqui? Porque não se muda para a casa do Tom?Isso se o cara não for um michê... — o nome dele sai como uma ironia misturada com grande quantia de ciúme. Levanta-se bruscamente e se volta para mim.
— Por...Por que... — gaguejo.
— Fala! O que mais quer de mim? — questiona, olhando-me com ar de superioridade.
— Porque ele trabalha para a Kiki. — solto a bomba sem perceber o estrago que podia fazer. Já que, ele sabia da Kiki, mas não tinha ideia de que estou investigando-a para sair da facção.
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