Is beginning or not

10 Hearts were never broken


Notas iniciais
Itálico = pensamentos e ações Normal = falas Esse capítulo está com um formato um pouco diferente. Queria testar um jeito novo. Então aí vai!

Obs.:Mais uma sugestão musical para a leitura: (Não esqueça de abrir em outra aba) Far Away

POV. Romero

Senti que o clima ficou mais pesado quando a encarei. No fundo, não pretendia fazer nada. Porém, as coisas se complicam. E ali, tudo era extremamente complexo.

— Cê tá fazendo por orgulho, foi isso que ouvi? — indaga parada com os olhos penetrantes como uma faca que acaba de ser usada em um crime.

— Preciso ir — tento sair, esgueirar, fugir, mas sou parado pelo toque gentil da loira em minhas costas.

— Não vai. Por favor. Eu quero você. Nada mudou. Ainda sou eu, Atena. — diz pausadamente, descendo sua mão a cada palavra, o que me faz virar e olhá-la

— Pode ser clichê... Não é você. Sou eu. — falo, liberta-se do contato, recosta-se no sofá e parece se entregar.

— Tem razão. É terrivelmente clichê. Eu, uma estelionatária que se apaixonou pelo ladrão que pretende ser príncipe. Sempre odiei contos de fadas. — põe os olhos para outra direção, sem vida, me deixando penalizado.

Não queria sair assim.

Então, solto as malas e diminuo a distância. Sinto sua respiração quase imperceptível ao alocar uma das mãos em seu queixo, obrigando-a a encarar minha face. Ver aquela boca sedenta por carícias com certeza mexeu com o psicológico.

— A cobertura é sua, agora. A facção também.... — digo dificilmente, ainda hipnotizado pelos lábios com uma cor nude. Marcante. Linda. Dela.

— RR não é. Eu quero ele. Preciso. É minha vida. Você é... — continua, exibindo uma certo prazer, provavelmente, com a aproximação.

— Lembra que você disse, “Amor... Já basta o meu amor próprio.”? — solto o seu queixo e afasto nossos corpos, quebrando a conexão. Vou para o meio da sala.

— Foi antes da declaração. Antes de você falar que me ama. Ninguém nunca tinha me amado daquele jeito... — confessa e analiso que aquela verdade era pesada. As minhas palavras realmente mexeram com ela. É penoso. Aquilo também havia sido antes.

Antes de saber a verdade.

— Não, Atena! Nunca te amei. Você mentiu e eu também. A gente se enganou e agora ACABOU — grito na tentativa de fazê-la desistir do sentimento que a mesma ainda tinha.

— HAHAHA Romerinho... Você é muito inocente para fazer qualquer coisa do gênero. Sei que você me amou e continua. — para de recostar no móvel e dirige-se ao meu encontro. Estamos frente a frente.

— Acredite no que quiser. — caminho para a saída.

— Para onde cê vai? — escuto a pergunta, porém não me viro. Continuo de costas.

— Longe...O mais longe possível — sair por aquela porta com malas nunca foi um plano. Aquela cobertura era um santuário. Meu paraíso. No entanto agora é dela. Da mulher que roubou tudo.

Apertar o botão do elevador nunca foi uma batalha. Só pressionar e ir. Naquele instante, não. Era sair e não retornar para casa. Quando finalmente consigo e ele chega. Duas portas se abrem. Ao mesmo tempo, fico entre opções.

— Ela nunca vai te fazer feliz, seu idiota. Não me importa se é herança o que tu quer. Tá sendo burro do mesmo jeito. — fala Atena naquele pequeno intervalo entre o apartamento e o elevador.

Não respondo. Entro no compartimento que vai me levar para fora.

— BURRO!!! — abre a porta do elevador rapidamente e deposita a palavra com uma lágrima que observo descer pelo seu rosto. A voz ecoa até chegar no andar inferior, do estacionamento. Deixo a bagagem no carro classe-média e volto para o transporte.

Sempre pensei que lugares e pessoas fossem passageiras. Porém, estar por menos de um minuto naquele ambiente fechado, despertou minhas ideias mais distantes. Eu queria que todos fossem e nunca mais voltassem. Me acostumei assim. Amigos, nenhum. Pai, desconhecido. Mãe, morta.

No fim, todos se vão.

Nunca imaginei que dessa vez eu seria o visitante. E pior, meu horário tinha acabado de se esvair.

Adoraria ficar. Pelo menos agora, só queria um local para descansar e passar horas só pensando no que está exatamente na minha frente.

Entro naquele apartamento pronto para encontrar Tóia com suas malas. Afinal, havia passado ali depois da reunião e estava tudo certo para embarcarmos.

— Tá pronta? A gente tem que ir agora. — anuncio ao vê-la no sofá encarando o nada.

— Não posso ir, Romero. — fala, sem expressão marcante.

— Como assim? Já preparei tudo. — sento ao seu lado, desapontado com a possível decisão.

— Minha vida está começando a se acertar. Eu falei que precisava de um tempo longe, mas cansei de fugir. Quero encarar. — continua ainda observando o horizonte do qual parecia ser vasto, quando no fundo, se resumia a parede de um apartamento pequeno.

— Vem comigo, Tóia. A casa de show não podia acontecer mesmo. Sei que era um sonho. Só que podemos fazer em outro lugar. — informo, lembrando o que disse mais cedo. O local que fomos visitar em Búzios não estava mais disponível.

— Por que não fica? — aponta sua visão para mim e retribuo sem fixar meus olhos na morena, o que a faz perceber a dificuldade.

— Você voltou falando dessa tal viagem, mas não explicou nada. O que houve? Tá estranho... — força-me a responde-la.

— O dia ontem foi tão bom... Depois que voltei para a realidade vi que preciso de mais tempo assim. Com você. — seguro em seus braços, dando ênfase ao meu desejo. — Vamo comigo, por favor.

— Quanto tempo fora? — vejo uma ponta de interesse e levanto-me para explicar com entusiasmo.

— Algumas semanas. Vai ser divertido, prometo. Uma ilha. Eu, você e o tempo que precisa para se apaixonar. — levanta-se e vai para o quarto sem falar nada. Espero por alguns segundos e surge com as malas.

— Então é isso? Só precisava de um incentivo? — ironizo, ao vê-la sorrir.

— Só queria dar um susto. Eu vou com você, porque também preciso desse momento. — abre a porta e com as mãos sinaliza para eu passar. Coloco um sorriso e vou para o corredor. Quando ela tranca a fechadura, puxo o braço que segura a mala e deposito um selinho em seus lábios.

— Temos que ir. — sorri meio envergonhada, e saímos com as mãos na cintura um do outro.

Já no carro, parece que a estrada tomou o volante. Aquele silêncio constrangedor da última viagem, retorna. O ambiente está cheio de perguntas não respondidas.

Nada é tão simples.

Corações foram partidos, hoje. Com sorte, não foi o da morena. Mas,o meu.Que constantemente trazia de volta a mente, o porque e quem foi a responsável por esse acaso. Não pretendo admitir. No entanto, honestamente, sabia que o culpado era eu. O sentido de ser bom, tomou proporções inimagináveis.

Destruí quem nunca quis.

Até mesmo o celular tende a me fazer passar por essas lembranças. Não eram as fotos do parque que chamavam atenção. Mas, o toque para a mensagem que acabara de chegar. Ali, estava o nome da pessoa por quem eu nunca deveria ter me apaixonado. Ao mesmo tempo, penso na felicidade que senti quando descobri e declarei.

Nem mesmo uma deusa pode te transformar em herói.

Mas vilões podem ser amados.

Não esquece que ladrões como nós, ficam juntos. “

Atena

Sorrio.

Notas finais
Ficou bom? O que será que vem daqui para frente? Comentem. Comentem. Quero opiniões. Está muito ruim para escrever esses dias. Depois das últimas notícias da novela, fiquei bem desapontada. Qualquer coisa já sabe,neh? Conversa lá no twitter: https://twitter.com/JulyAndrade17 ~Noip