Irreversível
4 Capítulo IV
Capitulo IV
Nos últimos cinco dias Ichigo estava um pouco pra baixo.
Tudo o que fazia não parecia mais prazeroso. Levantava cedo e ia trabalhar, do trabalho voltava pra casa. Depois dormia e começava tudo de novo. Agora ele entendia o que Renji queria dizer quando reclamava que não possuíam mais o mesmo pique de antigamente.
Certamente que o cara com quem Renji estava agora, deveria ser alguém do mesmo estilo dele, sempre pronto para viver uma nova aventura, ou sempre tendo uma novidade para contar sobre seu dia-a-dia.
Suspirou. Arrumou a gravata, olhando-se no espelho. Queria um pouco de emoção.
Parou o que fazia prestando mais atenção em seus pensamentos. Será aquele um inicio de depressão?
Descartou essa possibilidade por um momento, mas então olhou atentamente para sua imagem no espelho novamente: Cabelos desalinhados, barba crescendo. Estava com baixo autoestima. Mesmo que seu chefe estivesse se galanteando todo para o seu lado, ainda sim não conseguia minorar o trauma que a desastrosa traição de Renji deixou.
Se perguntou o que infernos Aizen Sousuke via nele? Era extremamente sem graça, certinho demais, irritado demais, carrancudo demais, o que possuía que atraia o homem daquela maneira?
Ta bem, como se Ichigo não soubesse que seu chefe só queria mais um nomezinho para sua infinita lista. Ele deixou isso bem claro na noite passada.
Já Ichigo queria alguém para dormir de conchinha, queria um novo namorado, alguém sério, que o leva-se para conhecer outros lugares. Que lhe tirasse daquela rotina e claro que fosse bom de sexo. E Aizen provou que não era essa pessoa, apesar de Ichigo suspeitar do ultimo requisito, porém ele não gostava de misturar vida pessoal com o trabalho, diferente de seu chefe que dizia isso da boca pra fora, mas depois do primeiro... sexo, foi o primeiro a virar a cara.
Ok chega. Suspirou inconformado, sabia de seus limites melhor esquecer aquilo de vez.
Deixou o quarto, apanhou a bolsa em cima do sofá. Ignorou a desordem do apartamento, pois olhar pra ele lhe perturbava e confirmava que estava começando a entrar em depressão. Abriu a porta e saiu.
Hora de trabalhar.
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Ichigo chegou no escritório um pouco atrasado. O trânsito de quinta-feira era infernal. Parecia que todo mundo resolvia sair no mesmo horário de casa. Logo que chegou seu chefe solicitou imediatamente sua presença, em sua sala. Ichigo rezou um pai nosso antes de entrar, pois previa que o tempo se fecharia para seu lado. Ainda mais depois da conversa em seu apartamento.
Embora não tenha aparentado que Aizen tivesse ficado ofendido com sua resposta.
Ao entrar na sala, notou que o publicitário não estava sozinho. Havia um homem... muito bonito por sinal sentado em uma das duas cadeiras, na frente da mesa. Ichigo fez o possível para ignorar seu ultimo pensamento a respeito da beleza exótica do homem. Mas caramba o homem era mesmo muito atraente.
— Me chamou senhor? — Aizen, como sempre perspicaz, muito rápido no gatilho notou sua rápida observação em sua companhia.
Ichigo sem encolheu constrangido. Maldita falta de sexo.
— Sim, quero lhe apresentar. Este é Kuchiki Byakuya, nosso novo colaborador. Ele ficará conosco coordenando o departamento de planejamento, por um tempo.
Ichigo assentiu levemente. — Prazer em conhecê-lo, Byakuya.
O homem franziu de leve as sobrancelhas para a intimidade não consentida do subordinado de Sousuke.
— Não fiquei tão tenso, Kuchiki-san. O Kurosaki tem mania mesmo de chamar todo mundo pelo primeiro nome. Não é proposital. Até mesmo a mim, que sou seu chefe, chama pelo primeiro nome.
Ichigo ficou um pouco envergonhado e pediu desculpas. E Aizen prosseguiu.
— Kuchiki-san ficará por um tempo, até encontramos alguém que seja qualificado para ocupar o cargo, mas ele também coordena o departamento de criação.
O morango assentiu novamente.
— E você ficará responsável por apresentar o prédio e os funcionários a ele. Por favor, conduza-o a partir de amanhã.
Ichigo detestava aquela parte, ele era meio fechado. E o cara parecia uma réplica de Aizen, exceto pela parte pervertida, pois ele parecia extremamente antiquado quanto a isso.
Aizen ainda deu alguns detalhes básicos para o tal Kuchiki e quando finalizou, fizeram um curto cumprimento. O publicitário deu as boas vindas a ele e desejou um ótimo trabalho. Por fim pediu a Ichigo que o conduzisse até a saída, mas requintando sua presença, com urgência.
Ichigo temia para que, já que Aizen lhe provou poucas vezes, que não se importava de discutir assuntos pessoais em pleno expediente de trabalho.
— Alguma justificativa para seu atraso hoje?
— Me desculpa, foi o transito.
Aizen entendeu, mas não deixou de dar bronca.
— Espero que isso não volte a se repetir.
— Não irá senhor.
— ótimo. — Aizen pegou um envelope dentro de sua gaveta e lhe entregou. — leve estes papeis até o departamento de produção.
— Sim, senhor, mais alguma coisa?
Um minuto de silêncio, um suspiro longo nada inconformado preencheu o vázio que o silêncio deixou. Aizen encostou-se na cadeira de modo relaxado e ajeitou o terno.
— Pensou no que lhe propus ontem? — tava demorando.
E foi a vez do Kurosaki suspirar resignado. Quem foi que disse que não ia misturar trabalho com vida pessoal mesmo? Quem?
— Senhor...
— Sem formalidades! — interrompeu com o semblante fechado.
— Estamos no meio do expediente de trabalho, então aqui eu uso formalidade, o senhor gostando ou não.
Aizen deu os ombros.
— Para eu ir pra cama com um cara, ele precisa no mínimo me conhecer melhor, ou gostar de mim.
— Não tenho tempo, e muito menos disposição para namoricos.
— Estamos entendidos então. — não era como se Ichigo tivesse propondo a Aizen casasse com ele. Mas sabe como é ele, não gostava de sexo casual.
Ichigo não tinha desapego suficiente para se envolver com alguém sem compromisso. Tinha medo de acabar gostado da pessoa, e no fim levar outro fora. Sua lista de rejeição era grande o suficiente, seu histórico amoroso já não era muito bonito, não precisava de mais um relacionamento fracassado para enfeitá-lo.
Ele voltou a caminhar, girou a maçaneta e antes de sair, a voz de Aizen soou, chegando aos seus ouvidos:
— Não vou me dar vencido. Não sou este tipo de homem, Ichigo.
Embora aquilo tenha lhe deixado abalado, Ichigo jamais admitiria nem em pensamento.
Precisava dar jeito naquela carência e já.
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A noite caiu tão rápida que Ichigo nem sentiu. Meia hora antes da saída, Ichigo entrou na sala de seu chefe e perguntou se ele precisaria de alguma coisa, antes do termino de seu expediente. Aizen o dispensou, dizendo que Ichigo podia ir embora naquele horário mesmo, já que no dia anterior ele havia ficado duas horas a mais e tinha horas sobrando, portanto estava liberando-o mais cedo.
Ichigo ficou um pouco perdido, mas agradeceu. Se despediu e saiu.
No térreo, mais especificamente na recepção o morango esbarrou em Inoue, que estava trocando de turno com outra recepcionista.
— Ah, perdão Kurosaki-kun.
— Capaz, a culpa foi minha estava avoado.
— Não, não imagina. Eu que estou apressada demais. — sorriu amarelo.
Ichigo achou melhor não contrariá-la, ou ficariam a noite inteira discutindo sobre quem era o culpado.
Os dois saíram do prédio tomando rumos diferentes. Inoue foi em direção a estação e Kurosaki para o estacionamento. Os carros ali eram poucos, naquele horário a grande maioria dos funcionários já tinha ido embora. Caminhou mais um pouco enxergando seu carro o mais simples dos demais que ali restavam. Viu a Lamborghini Gallardo branca de Aizen estacionada, parecendo tão solitária quanto seu dono naquela sala.
E de repente um sentimento de pesar o abateu ao lembra-se de seu chefe naquela sala vazia, trabalhando. Provavelmente ele ficaria até mais tarde.
Bem tarde.
Entrou no carro e ligou dando partida logo em seguida, o imenso portão se abriu pelo rapaz da cancela e o morango viu a noite úmida lá fora. Ele ligou o som, colocou seu CD favorito do Scorpions, pulando imediatamente para a penúltima faixa “You and I”, deixando num volume baixo. Passou por uma rua perto da estação, encontrando uma silhueta conhecida andando na calçada.
Era Inoue.
Ele ficou um pouco na duvida se devera oferecer carona. Deu os ombros não tinha nada a perder, não havia ninguém em casa esperando por ele mesmo.
Ichigo baixou o vidro da porta do passageiro e gritou pela garota. Instantes depois Inoue colocava o cinto de segurança.
— Ah, obrigado Kurosaki-kun.
Ichigou curvou os lábios num meio riso. — Pra onde está indo?
Inoue remexeu-se envergonhada, e respondeu:
— Para uma festa, encontrar umas amigas.
Ichigou olhou-a curioso, ligando o carro a seguir. — Onde fica essa festa?
— Pra que? — perguntou ela. O morango rodou os olhos, tinha esquecido que a garota era um pouco densa.
— Como assim pra que Inoue? Pra eu te deixar lá. — ela ficou extremamente vermelha, mas riu.
— Ah é mesmo. Desculpa.
— Óbvio, achou que era para que?
A ruiva ainda ria.
Os dois foram tendo uma conversa banal, sobre assuntos rotineiros. Até que surgiu o convite de Orihime. Ichigo ficou surpreso, mas não pensou duas vezes em recusar.
— Vamos, vai ser legal. — insistiu ela. Ele ficou muito sem graça de recusar uma segunda vez.
Coçou a nuca sem graça, não conseguia ficar muito confortável no meio de pessoas desconhecidas. Sabe como é, Ichigo era um pouco antissocial.
Por fim acabou sem argumentos diante de tanta insistência.
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Era uma boate, o lugar até que era legal.
Bem movimentado, a musica era boa e todo mundo parecia bem normal. Normal até demais. Ao contrário do que pensava não se sentiu nada deslocado naquele ambiente.
Orihime se soltou assim que colocou os pés dentro da boate. Puxou o morango para o meio da pista, no meio da multidão, no frenesi de luzes florescentes troboscópicas piscando conforme o ritmo da musica eletrônica.
Ichigo guardou sua comanda na carteira, por medo de perdê-la, sabe deus o que fariam consigo se perdesse a comanda.
Não era o que chamavam de dançarino, mas o som das faixas do Dj instigavam-no a mexer um pouco o esqueleto. E Orihime também o incentiva a dançar, portanto não dava pra ficar parado.
O morango não lembrava da ultima vez que estivera num lugar como aquele. Mas lembrava de estar acompanhado de Renji e seus amigos. Os dois ficaram alguns minutos dançando. Até que um trio de garotas se aproximou deles. Elas cumprimentaram Inoue, que apresentou Ichigo. Uma delas se chamava Tatsuki Arisawa, Momo Rinamori e a terceira era Kuchiki Rukia. Ichigo pensou ter ouvido em algum lugar aquele nome Kuchiki, mas ele não era bom em guardar nomes e tudo o mais, então não se apegou demais naquela pequena observação.
Logo os cinco estavam sentados numa mesa com estofado redondo, bebendo, menos Ichigo que evitou qualquer tipo de bebida alcoólica, pois estava dirigindo.
O ruivo sentiu-se verdadeiramente acolhido com as amigas de Inoue.
Amigos... Ichigo sentia falta disso, em sua vida. Nos últimos meses as pessoas com quem teve contato foram sua família, pai e irmãs e as pessoas de seu trabalho.
Seu chefe principalmente.
De repente se pegou imaginando Aizen num lugar como aquele, e riu sozinho, impossível. Aizen Sousuke ali. Suspirou, olhou em seu relógio verificando as horas, não fazia mais de duas horas que estava ali.
Se perguntou se Aizen ainda estava no escritório. Será? Ichigo suspeitava que sim.
Inoue ao seu lado se recuperava de uma sessão de risadas de alguma possível piada de Tatsuki sobre uma menina de roupa extravagante dançando. Ela repousou seus olhos no ruivo, curiosa com os pensamentos dele. Kurosaki parecia tão distante.
De repente ele se ergueu, pedindo licença para as damas, dizendo que já estava de partida, a noite havia acabado pra ele. No dia seguinte tinha que trabalhar.
Agradeceu Inoue pelo convite, a garota, ainda repetiu o convite para uma próxima vez.
Ichigo assentiu e foi embora.
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Do lado de fora da casa noturna, Ichigo olhou uma ultima vez para a porta, enquanto esperava seu carro, que logo chegou. Agradeceu ao rapaz, lhe dando uma gorjeta merecida. Entrou no carro, ligou, colocou o cinto de segurança e foi embora.
Dirigia tranquilo, sem pressa, ouvindo novamente seu álbum favorito, arriscava cantar algumas letras, com seu inglês imperfeito. Durante o caminho para casa ele passou por um caminho rotineiro que costumava trilhar todos os dias quando ia para o trabalho.
Parou na sinaleira, olhando para aquela rua. Crispou os lábios, vendo do outro lado da avenida movimentada um mercado vinte e quatro horas. Batucou os dedos no volante no ritmo de Oh Girl ( I Wanna Be With You ) outra de suas faixas favoritas daquele álbum.
Depois de muito pensar enfim tomou uma decisão.
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Papeis, papeis e mais papeis.
Aizen tinha uma pilha de papeis para revisar, poucos para ler e muitos outros para assinar e mais, tinha e-mails para mandar. Faria o seu trabalho e de Ichigo. Sabia que entraria a madrugada no escritório.
Ele parou um pouco o que fazia, retirou o óculos de grau. Encostou-se na cadeira giratória, de forma bem relaxada, girando para a olhar um pouco o céu estrelado pela imensa janela envidraçada.
Recostou, contraiu de leve o maxilar. Suspirou inconformado.
— O que está fazendo aqui, não havia te dispensado? — a pergunta parecia vazia, ele a fez sem girar a cadeira para olhar seu convidado, que ficou estático.
— Como sabia que era eu? — em pensamento Ichigo se perguntou se Aizen Sousuke, além de ser rico, pervertido, sedutor e bonito, possuía três olhos.
— O cheiro de seu perfume enjoativo é inconfundível. — Ichigo se arrependeu no mesmo instante de ter perguntado. — o que esta fazendo aqui?
— Imaginei que você estivesse atarefado demais, então vim lhe dar uma mãozinha. E eu trouxe... — ele ergueu a mão onde carregava uma sacola de mercado. Sentindo-se estúpido por fazer aquilo sendo que Aizen estava de costas. — algo para comer enquanto trabalhamos.
— Comer enquanto trabalhamos. — Aizen repetiu num tom levemente debochado. — Sentiu minha falta, Ichigo?
Ichigo rodou os olhos. Dá próxima vez lembraria bem desse comentário, para não repetir a dose.
— Não. Mas sei que você sentiu a minha, então resolvi vir até você. — Ta ele tava começando a ficar sarcástico igual ao seu chefe. — E pelo jeito você tem bastante tempo de sobra.
Disse olhando para a pose relaxada de seu chefe.
A cadeira girou revelando um Aizen com as mãos cruzadas e descansadas em seu colo.
— É só um rápido descanso. — disse sorrindo minimamente. — então, já que está aqui vamos ao trabalho.
Ichigo assentiu.
— O que trouxe na sacola? — o morango riu.
— Comida instantânea.
Aizen enrugou o nariz numa careta. — Péssimo gosto você tem para comidas.
— E você é um mau agradecido. Apenas coma ou morra de fome. A decisão é sua.
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