Irreversível

1 Capítulo I


Notas iniciais
Primeiro capitulo. Revisão: 10/12/14

Capítulo I.

Ichigo sentiu-se chocar contra a estante repletas de livros, encostada na parede da sala e engoliu em seco. Agora ele não podia mais recuar.

O silêncio naquela sala era tão grande que se podia ouvir o som de um alfinete caindo no chão. Impossibilitado de encarar os olhos do homem a sua frente, em conjunto do sorriso vitorioso, Kurosaki baixou a cabeça, envergonhado. Conforme ele se aproximava, o ruivo em sua cabeça, articulava desculpas para sair daquela roubada.

Admitia que a culpa era única e exclusivamente sua, porém jamais imaginaria que ter saído para tomar uns drinks, num bar qualquer na noite passada pudesse trazer tão graves consequências. Só queria para de pensar em seu desastroso histórico amoroso. Quando cogitaria que seria resgatado nas escuras ruas de Karakura, cambaleante e sem rumo justamente por aquele homem? Nunca.

Ichigo podia até não se lembrar de muita coisa, nem mesmo como chegou em sua casa, mas ele se conhecia bem o suficiente para saber que jamais faria sexo com aquele homem, não importando as circunstâncias ou o tanto de álcool misturado no sangue.

Já o homem a sua frente lhe dizia o contrário: Nós fizemos. Ele disse naquela manhã, sentado ao pé de sua cama, porém, vestido, Ichigo lembrou que ele ainda acrescentou no final: E foi bom. Foi perturbador! Não ouvir os fatos narrados e detalhados de seus atos por outra pessoa, mas sim ouvir os fatos narrados e detalhados de seus atos pelo seu chefe e em sua cama em plena manhã do dia seguinte.

Ao menos o homem estava vestido, diferente dele que naquela hora usava apenas uma calça de pijama.

Mas deus... Ele estava em sua cama, em sua cama, entende a gravidade?

Como as coisas foram ficar daquele jeito?

Seu chefe. Alguém que ele não possuía nenhum tipo de vínculo fora do trabalho estava em sua casa, em seu quarto e sentado em sua cama. O relacionamento deles se baseava apenas em chefe e subordinado. Agora lá estava ele, lhe sorrindo cheio de graça e sedução, usando seus invejáveis atributos para devorá-lo outra vez.

Mas tinha que ser logo o chefe? Podia ser qualquer outro infeliz, mas não, tinha que ser justo Aizen Sousuke.

O desconforto no meio das pernas foi inevitável quando os olhos dele forçaram contato visual com os seus. Penetrantes. E enquanto a inconfundível voz de timbre tão forte sussurrava cada detalhe da noite passada. O hálito morno impregnando suas narinas também foi impossível para Ichigo não se abalar, assim como o perfume masculino.

— E então você choramingou quase implorando por mais... — Ichigo engoliu com aflição. — Fiz o que você pediu e beijei seu pescoço. — o sangue subiu as faces. — Depois suguei com força.

O que explica o vergão naquela região. Ichigo notou de manhã, quando se olhou no espelho do banheiro.

Imediatamente tocou o local, ficando com o rosto mais rubro.

Que vergonha.

— Apertei sua cintura, impus mais contato entre nossos corpos. — ele disse aquilo se aproximando, ficando finalmente perto, perto demais pro gosto do Kurosaki.

O morango encolheu os ombros e sentiu o rosto e o corpo quentes, a respiração densa e pesada e os batimentos cardíacos descontrolados. Uau! Aquilo tava ficando perigoso demais. Se transar com um colega de trabalho era considerado antiético, imagina com o chefe.

Aizen abriu os braços, repousou as mãos na estante, uma de cada lado do corpo espremido do morango.

— Sussurrei muitas indecências no seu ouvido. — certo, Ichigo queria sumir.

As palavras simplesmente não saiam da boca do ruivo para defendê-lo dos avanços do homem. Era noite, uma muito quente por sinal, ou era a presença de Aizen na sala que tornava o ambiente abafado demais. Borboletas voavam no estômago, tudo em Aizen era intimidador, a começar pelo cargo que ele ocupava. Elegante, seus gestos eram apurados e a voz era de uma timbre arrepiante. Definitivamente era um sedutor nato, até mesmo a unha encravada do pé deveria ser sedutora.

Digo, Ichigo imaginava que fosse.

Agora havia dúvidas, embora os relatos de Aizen parecessem artificiais demais, algumas pequenas partes se encaixavam. Só as pequenas. Por exemplo, a marca vermelha no pescoço.

Se bem que... ah esquece.

e o homem continuava com sua abordagem perigosa:— Você gemeu. — Ele queria gemer naquele momento também, mas não admitiria nem em seus últimos minutos de vida.

Aizen estava tão perto, mais tão perto que Ichigo se sentiu sufocado, embora houvesse uma pequena fresta que impedia os corpos de estarem completamente unidos. De repente sentiu necessidade de ligar o ar-condicionado, pois o calor estava realmente insuportável.

— Teve a ousadia de abrir os botões da minha camisa.

Ok, agora sim ele queria morrer. Sério mesmo que ele fez isso?

O ar foi arrancado de dentro dele com violência depois do ouvir aquilo. Prometeu a Deus que nunca mais sairia para beber sozinho, nunca mais! Ele virou o rosto sentindo o sangue ferver de tamanha vergonha. E aquela foi uma oportunidade para Aizen aproximar as narinas de seu pescoço, colando enfim os corpos.

Ichigo sentiu a tensão ficar maior, assim como a falta de ar, já não sabia se possuía ainda seu bom senso. Era tentação demais. A carne era fraca, não sabia até quando poderia suportar aquilo.

— Puxei com suavidade os poucos cabelos de sua nuca. — Ichigo sentiu o suor escorrer frio pela lateral do rosto. O corpo enrijeceu por completo, quando lembrou que o cara ali na sua frente era seu chefe.

Juntou forças que não sabia possuir e moveu seu corpo. Inspirou profundamente.

— Aizen. — sim, Aizen. Ele tinha essa mania de chamar as pessoas informalmente, e Aizen nunca pareceu se importar. — Isso não me parece certo.

Dito isso passou por debaixo do braço do chefe, ficando numa distância consideravelmente segura.

Aizen não disse nada a princípio, permanecendo parado no mesmo lugar. Um tempo depois girou os calcanhares e encarou o jovem ruivo.

Ichigo baixou os olhos desviando-os covardemente do peso que aquele olhar tinha.

Aizen colocou as duas mãos nos bolsos, e sorriu minimamente.

— O que não lhe parece certo, Ichigo?

O morango ficou mudo por alguns instantes, procurando as palavras certas.

— Você é meu chefe, digo, isso vai totalmente contra os meus princípios.

O ruído do riso baixo de Aizen arrepiou os pelos dos braços do Kurosaki. O homem viu a dúvida em seu semblante e resolveu prosseguir com sua abordagem.

— Sejamos sinceros um com outro: Você me quer.

E o morango se aborreceu com a tamanha vaidade de seu chefe. Tudo bem, ele admita que se sentia atraído por ele, mas quem em sã consciência não sentiria atração por aquele homem? Pelos deuses, ele exalava feromônios. Era um afrodisíaco em forma humana. Contudo, quem estava seduzindo quem ali? Lembrando que não foi Ichigo que bateu na porta dele naquela noite cheio de segundas intenções.

Ele já estava com uma resposta pronta e bem desaforada na ponta da língua, para dar aquele homem. Entretanto Sousuke chegou primeiro e acrescentou em seu discurso:

— Eu também quero você.

Ah bom.

E Ichigo abriu os olhos arregalando-os, sentindo-se um completo idiota com o rumo de seus pensamentos. Ok, ele precisava de um tempo para reencontrar seu bom senso, ou sua vida estaria acabada.

Merda, cadê meu juízo?

Ele foi despertado pelo elegante caminhar de Aizen, crispou os lábios e recuou um passo por instinto. Aizen repuxou os lábios formando um pequeno sorriso, sem tirar as mãos dos bolsos.

Ichigo respirou fundo incomodado com aquele calor infernal.

Que droga.

— Então, porque não unimos o útil ao agradável? — e assim Ichigo se viu contra a parede, preso novamente pelo corpo maior. — nenhum de nós possuí algum tipo compromisso mesmo.

Diante da observação de Aizen, a realidade o abateu como um tapa forte na face. A lembrança do dia seguinte acertou-o em cheio.

— Desculpa Aizen. — Ichigo novamente afastou-se. — eu não estou pronto para qualquer tipo de envolvimento sexual. Não agora.

Na verdade nunca, ele não era adepto ao estilo libertino. Se é que me entende. O ruivo baixou a cabeça, sentindo aquele peso penetrar no peito, uma bola se formar na garganta.

Ainda doí.

Claro que doía, pois era tudo tão recente.

Retorno; discussão; briga; traição e por fim... Separação.

— Por quê?

Ichigo suspirou e balançou a cabeça.

Ele tremeu quando olhou Aizen recostar, com o maxilar levemente contraído. O chefe suspirou resignado.

— Olha, eu não tenho tempo e nem disposição para brincadeiras.

Ichigo, agora mais recuperado que nunca, irritou-se. Caminhou até a porta, abriu-a tendo certeza que seria demitido na segunda-feira, mas não se conteve e disse:

— Por favor, retire-se.

Aizen ficou um tempo olhando-o imóvel no mesmo lugar, porém sem desfazer a expressão contrariada do rosto.

E assim os dois ficaram naquele dilema por um tempo. Até Aizen dar-se por vencido, apanhar seu blazer sobre o sofá, se dirigir até a porta e sair sem dizer mais nada.

Notas finais
Por enquanto é isso. Não vou dar muitos detalhes. Mas postagens por enquanto serão feitas uma vez por semana ao menos até o capítulo V. hahaha Reviews? ;)